SOU REY E A PRINCESA MARANHENSE

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Autoria de LuDiasBH

sapo

O causo que ora vos conto, sucedeu-se numa das monarquias brasileiras, mais especificamente no reyno do Maranhão, que embora seja rico em poetas e escritores, nunca mereceu a atenção dos intelectuais para contar a sua verdadeira história. Tal acontecido não vai tão longe a ponto de se envolver com a batalha de Guaxenduba ou documentar a Balaiada, mas tão perto a ponto de ter os seus personagens, ainda nos dias de hoje, ocupando vários cargos na corte.

O rey, em questão, era feliz com seus três lindos pimpolhos. Preparava-os com muito desvelo para que seguissem seus passos. E, para que não se perdessem nos 331.983,293 km² do reyno, colocou uma tabuleta com o nome dos membros da família real em cada árvore, em cada animal, em cada rio e em cada curva de suas terras. Era comum que até as pedras do caminho levassem o nome da realeza. O visitante que ali chegasse, já ia tomando conhecimento de que todas as coisas do lugar pertenciam à família real. Aos súditos cabia a função de manter as coisas reais funcionando a contento, para o desfrute e usufruto do nobre clã dos “sou rey”.

A princesa era muito bonita e, mesmo em tenra idade, já tinha a certeza de que um dia seria a raynha daquele lugar. Enquanto tal dia não chegava, punha-se a brincar sem nenhuma preocupação com o futuro, pois inquietação era coisa da plebe. Certo dia, ela deixou o palácio e foi brincar no bosque, onde se encontrava um lago com seu nome, para se refrescar do calor que fazia nas suas terras. Brincou horas a fio com a mais linda de suas mil e uma bonecas, até que sua preciosidade caiu no lugar mais fundo daquelas águas. E pior, nenhum de seus servos ali se encontrava para salvá-la. No palácio, imaginavam que a princesa estivesse dormindo, ou lendo na extensa biblioteca de seu pai ou, ainda, visitando o museu da família. Pôs-se então a chorar a mocinha, até que um sapo-cururu apareceu-lhe na beira do lago, perguntando-lhe qual era a causa de tamanho chororô.

A princesa não se espantou ao encontrar um sapo falante. Ela estava acostumada a ter os seus menores desejos realizados. De modo que achou normal encontrar um animal que a servisse. Ficou surpresa, apenas, com a condição imposta pelo sapo, para salvar sua boneca. Ela teria que aceitá-lo como seu companheiro, inclusive dormiriam juntos na mesma cama. Isso nunca havia acontecido em sua vida. Tudo ali pertencia à sua família, até mesmo aquele bicho nojento, embora não estivesse marcado com o brasão real, por falha de algum empregado relapso. Tentou lhe oferecer um lago com águas cristalinas e uma pedra de granito italiano, para que tomasse sol sobre ela, e seu nome escrito em néon na entrada. Mas ele nada aceitava. Concluindo que o bicho não era chegado a negociatas, e vendo a boneca afastar-se cada vez mais, aceitou as condições impostas pelo cururu. Sabia que o animal, ao ouvir o nome de sua família, tremeria nas bases, dando o dito por não dito.

Assim que lhe entregou a boneca preferida, a princesa deu as costas ao sapo-cururu e correu a caminho do palácio, deixando-o verde e inchado de raiva. Mas, no dia seguinte, quando toda a realeza e convidados de outros reinos estavam à mesa, ele adentrou pela porta do palácio e exigiu que a promessa fosse cumprida. O rey, acostumado às promessas vazias, sabia que só havia um jeito de aquietar o animal e impressionar os convidados: fingir que o compromisso seria levado a sério. Piscou para a filha e pediu-lhe que procedesse conforme o que prometera. A mocinha obedeceu, sabendo que, no dia seguinte, aquele corpo estranho seria extirpado da corte. Bastava-lhe apenas um pouquinho de paciência.

Com muito nojo do cururu, a princesa fez o que o rey lhe pedira, jurando para si mesma que no quarto, longe dos olhares dos convivas, daria ao atrevido a lição merecida. Na alcova, sem nenhuma câmera ou grampo telefônico, tomou a “coisa” nas mãos e jogou-a contra a parede de mármore Carrara. No impacto, o corpo do sapo voluteou e bateu nos lábios de carmim da mocinha. E vupt… o cururu transformou-se no mais formoso dos homens de toda a face da Terra.

Feliz da vida, a princesa correu para os braços do príncipe, que lhe deu as costas como resposta. Contudo, contou-lhe a sua história: fora amaldiçoado por um bruxo que o queria para marido de sua filha politiqueira e má, a fim de ampliar o seu reino. Mas ela, a princesa, também não lhe serviria, pois dele zombara e tentara o matar. Como vingança, o príncipe rogou aos céus para que o sobrenome da família da princesa houvesse de estar envolvido em escândalos e falcatruas em todo o reyno e bem além dele, sem um mindinho de paz. E que seus súditos seriam os mais pobres do continente tupiniquim, de modo que suas terras jamais teriam prosperidade.

E, assim, vem acontecendo até os dias de hoje. Queira Deus que a maldição do ex-sapo- cururu, digo príncipe, desfaça-se o mais rápido possível para o bem daquele povo cativo, mas maravilhoso, das terras maranhenses. Quem puder, que por ele faça milongas e orações. Quanto ao rey e sua prole… que deem conta à consciência.

Nota:  Imagem copiada de http://www.flickr.com/photos/dasheila/5454124209/

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