TOLA INTRASIGÊNCIA

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Autoria de LuDiasBH

seca12

O homem chorava cabisbaixo,
enquanto bebia seu conhaque.
E eu lhe ofereci meus ouvidos
e coração, para seu desabafo:

“Quisera eu ter aberto mão
do meu obtuso bom senso,
antes de deixar Alice partir
naquela viagem sem volta,
num adeus de nunca mais.

A intransigência é ferina
tratado injusto e leviano,
não expresso em palavras,
poço sem fundo ou vazão,
onde a perversa insensatez
deixa retalhado o coração.

Seriam muitas palavras ditas,
prenhes de doces significados,
pra aquele ser que se foi triste.
Mas o orgulho estava no freio,
esperando que com o tempo,
minha paixão se esvaísse.

A própria vida pedia-me,
que não a deixasse partir.
Tolo, fiz ouvidos moucos,
deixei as emoções calarem,
e ela, sem olhar para trás,
foi-se embora sem alarde.

Em casa, fechei portas e cortinas,
ajoelhei-me diante do retrato dela,
santifiquei-a com minhas lágrimas.
Mesmo distante, nas minhas noites,
minha amada aparece, desaparece,
num vai e vem doído e incessante.

Ela era pra mim muito preciosa,
diferente de todas as mulheres,
que por minha vida trafegaram.
Mas sou agora um traste velho,
acorrentado ao frágil corpo dela,
na via-sacra de meu calvário.”

O homem contou-me sua história,
no balcão de um botequim qualquer,
sem me dizer a causa da separação.
Mas no substrato de seu desabafo,
só vi sofrimento, arrependimento e
uma luta ferrenha coa resignação.

Nota: obra O Bebedor de Absinto, de Pablo Picasso

2 comentários sobre “TOLA INTRASIGÊNCIA

  1. Pedro Rui

    Tola intransigência, a perda se deu, pois o absinto não resolve o problema!
    O poema é lindo, mas triste, uma perda é sempre triste, é a tola intransigência.
    Abraços

    Rui Pedro

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Rui

      Intransigência é sinal de burrice.
      Nada melhor do que uma conversa franca.
      Você está com a razão.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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