TRABALHANDO OS PENSAMENTOS NEGATIVOS
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Rene Pinheiro

Tenho me sentido melhor em relação ao meu quadro geral relativo ao combate ao transtorno mental que me afeta: a ansiedade. Muitos dos efeitos colaterais que tive no início do tratamento encontram-se agora bastante reduzidos. Ainda sinto um efeito adverso, brando, na língua que provoca o bocejo (não se trata de sono, mas somente do ato de bocejar). Esses bocejos reduziram bastante também. A libido está voltando aos poucos. A ansiedade ainda se apresenta, geralmente à noite, mas em ondas mais fracas.

O que tem me ajudado, além de outras ações e atitudes, é questionar ou refletir sobre os meus pensamentos. Por exemplo: quando vem a sensação física da ansiedade – que inclui certa tensão muscular nos ombros, coração acelerado, pressão no peito e às vezes na cabeça – em geral, na sequência, vem um pensamento estranho junto. Muitas vezes trata-se de um pensamento negativo, que acaba se conectando, por assim dizer, com a sensação física, e dessa união resulta o aumento da sensação desagradável da ansiedade.

Comecei a perceber que é de suma importância examinar o pensamento que vem junto: “O que estou pensando é verdade? É útil para mim? Existe alguma coisa que eu possa fazer sobre o que estou pensando agora?” Percebi que, muitas vezes, os pensamentos ou eram sobre situações irreais ou inúteis, ainda que tivessem alguma dose de verdade. Em razão disso eu tomei uma decisão. Uma vez que não é possível bloquear tal pensamento (ele já está lá, vem sem avisar), é melhor deixar que venha e saber que não é preciso tecer um “diálogo” com ele. Ele vem… e se vai. O pensamento é temporário. É como um sino que toca de repente no silêncio. O som que surge tem um início, uma duração e um fim. O silêncio permanece em paz. O silêncio é cada um de nós. Dessa forma, a sensação física incômoda não tem como se “alimentar”, por assim dizer, do pensamento negativo, e então ela não cresce e acaba desaparecendo. Resumindo, eu não ofereço resistência. E sem resistência não há luta.

Tenho experimentado uma melhora significativa toda vez que faço este trabalho com os pensamentos indesejáveis que a mim chegam. Não “corto” o pensamento inoportuno de forma brusca. Apenas testemunho o seu aparecimento e renuncio à sua continuidade, conscientemente. Às vezes, faço isso por meio da mudança de foco no que estou fazendo no momento. Outras vezes, mudo de atividade, se for preciso. Na maioria das vezes,  eu aplico a respiração consciente (volto a atenção para a respiração mais lenta, expandindo a barriga para inspirar, contraindo para expirar, mantendo a atenção no ar que entra e no ar que sai, passando pelo meu corpo).

As ações e técnicas são portas de entrada para o “aqui e agora”, o único lugar e tempo real, de fato. Podem ser outras ações também, contanto que me tragam para o momento presente. Estou sempre aceitando a presença temporária da ansiedade, como ela se apresenta, mas sabendo que eu não sou a ansiedade. Ela vem e vai. Eu fico! Eu permaneço! Os sintomas vão ficando mais brandos e se vão bem mais rapidamente, sempre que eu consigo impedir, gentilmente, a conexão deles com os pensamentos negativos, inverídicos ou apenas inúteis. Com essa prática, o próprio ato ou efeito de pensar negativamente vai se tornando menos frequente, assim como a ligação entre a sensação desagradável e o pensamento disfuncional.

Compartilho essas experiências porque elas realmente funcionam comigo e na esperança de que, de alguma forma e em algum nível, elas possam ajudar ou apontar caminhos para outros companheiros que sofrem da mesma situação.

Muita paz a todos!

7 comentários sobre “TRABALHANDO OS PENSAMENTOS NEGATIVOS

  1. Celina Telma Hohmann

    Rene

    Ler seu excelente texto foi a confirmação de que pessoas, quando empenhadas, conseguem adequar-se ao bem, por ser necessário, ou ao mal, por opção. Uma opção não agradável por sua maior parte, ma a única saída que se enxerga quando se está em plena crise entre o que me faz bem quando não estou bem e o que não faz bem o tempo todo.

    Bom sabê-lo ter encontrado o caminho. Sabemos, todos os que passamos pela fase dos temporais assustadores e a sua espera, como se viesse mesmo que não haja uma única nuvem no céu pronunciando sua chegada. Há saída, e você provou e nos mostra! Parabéns por sua busca e mais ainda, por sua persistência em não acomodar-se em viver entre o que tira a paz, mudando, claro que aos poucos (nossa ansiedade é malandra e nos engana) um sentimento que traz incômodo em todos os graus, para algo que é possível dominar. Dominando, vamos descobrindo caminhos e enganando com a melhor da boa fé, nosso cérebro que insiste em soltar faíscas. Saímos da área do perigo que, com o tempo transforma-se em companhia diária, e nessa, quem ganha é quem aprendeu que é possível, sim, não ser vítima eterna de sentimentos angustiantes que mutilam nosso direito a sermos donos de nossos próprios sentimentos!

    Perfeita sua explanação sobre um tema tão assustadoramente atual e que priva muitos da alegria de simplesmente ser. Somos seres complexos, cada um com suas particularidades, e na totalidade, seres carentes de tudo: razão, conhecimento pleno do que nos vale escolher para nossos dias; carinho que mesmo que pareça tão banal é um sentimento que faz com que nos sintamos seguros. Se tivermos carinho e não há que ser o carinho do “outro”, mas o nosso carinho com nossas emoções. Emoções existem e fazem bem. Por vezes, em meio a tantas buscas, as emoções truncam tudo e aí, amigo, vira é uma festa, dessas que ao final é caso de polícia,com direito a camburão – usei esse substantivo por ter significados diferentes e todos, representarem algo que mais assustam que trazem benefícios, rs

    Dizer o quê? Parabenizá-lo por conseguir sair do incêndio, um tanto chamuscado, mas vivo e sem queimaduras e conseguir, com bastante clareza e elegância, dividir sua experiência com outros, que como você tão bem observou, buscam aqui, nesse cantinho, o alento, a resposta, a possibilidade…

    Muitos, tristemente, ainda estão na condição de presas do desagrado, mas muitos, como no seu caso, conseguiram, e com a maior boa vontade mostram àqueles que consegue-se mudar o que é muito ruim para algo confortavelmente possível.
    Em nome dos ansiosos e vitimados por tantos transtornos psicológicos, agradeço! Precisamos,verdadeiramente, abrir a porta da sala e convidar para que sentemo-nos juntos para fofocar sobre nossos inimigos internos e, no final, num abraço coletivo, mostrarmos que cada um consegue descobrir o caminho para sentir de volta o direito de ser um humano comum, não um espécime desconhecido engessado no desespero de pensamentos que nos tolhem.

    Um grande abraço e sucesso à frente!

    Responder
    1. Rene

      Celina

      É verdade que a mente tem a mania de nos pregar peças, sobretudo quando menos esperamos; e por isso mesmo devemos ser atentos e persistentes na nossa caminhada. Não é uma luta contra a mente, mas uma percepção de que ela existe para nos servir e não o contrário. Como você diz, e tem toda a razão, temos o direito – e a opção – de viver melhor, momento a momento em expansão positiva.

      Eu que agradeço pelo seu comentário e pelo seu carinho. Estamos todos juntos nessa caminhada surpreendente e a união torna tudo mais encorajador. Sucesso pra todos nós!

      Um grande abraço!

      Responder
      1. Celina Telma Hohmann

        Rene

        Estaremos sempre juntos, mas vamos torcer para que um dia, bem próximo, contemos que descobrimos que a vida é dádiva e repassaremos a todos, como gotas abençoadas, a maravilhosa condição de termos deixado para trás o que incomoda e estamos, sabiamente, extraindo só o que é bom e isso é possível.

        Um abraço!

        Responder
  2. Anna Paula

    Rene

    Boa noite, estou fazendo tratamento para a ansiedade e síndrome do pânico e aprendi que a meditação é um ótimo meio para diminuir a ansiedade, pois com ela controlo a minha respiração e me concentro em mim. Depois de uma certa prática consigo enxergar um problema com maior lucidez.

    Hoje estava conversando com a minha psicóloga exatamente sobre como temos que administrar nossos pensamentos. Não tive uma semana muito boa, com muitos problemas e certas mudanças de rotina que me deixaram ansiosa, porém, ao invés de administrar os pensamentos fui permitindo que eles crescessem em mim, o que parecia quase uma “panela de pressão”, até que liguei para a psicóloga e adiantei a sessão. Durante a conversa pude mais uma vez perceber que podemos, sim, mudar o foco de nossos pensamentos, ver a vida por outra ótica. Não estou dizendo que é fácil, porém, se faz necessário não é?!

    Obrigada pelo seu relato, compartilhar sempre ajuda muito.

    Beijos

    Anna

    Responder
    1. Rene

      Anna

      Sobre lidar com os pensamentos, realmente não é fácil, principalmente no começo dessa prática de testemunhá-los. Muitas vezes, estamos tão identificados com eles que nos tornamos os próprios pensamentos, ou ficamos em suas “garras”. Mas tudo bem quando isso acontece, é natural. Estamos habituados a isso. O pensamento muitas vezes é automático – faz parte da natureza dele não avisar que está chegando. O que tenho experimentado é que quanto mais consigo testemunhar a chegada de um pensamento, mais espaço vai surgindo para que possa escolher se vou continuar identificado-me com ele, ou, se vou apenas deixá-lo passar, como uma nuvem no céu. Parece-me que o espaço de consciência vai crescendo e, assim, tenho mais clareza de que o pensamento é um fenômeno temporário e não uma verdade absoluta. Pra mim também, algumas vezes, não é fácil; mas percebo que a cada vez se torna menos difícil, porque persisto em estar alerta toda vez que percebo um pensamento disfuncional surgindo. Estar “alerta” não no sentido de urgência ou tensão, e sim no sentido de estar atento, focado, com a possível tranquilidade interior.

      Que bom que você pratica meditação, pois sem dúvida ajuda muito no processo de autoconhecimento. Também é uma excelente forma de adentrar, por assim dizer, o aqui e o agora, que é onde o sofrimento se desfaz.

      Obrigado por compartilhar aqui a sua experiência. Como você disse, sempre ajuda muito a todos nós nesse caminho de evolução.

      Um grande abraço!

      Responder
  3. LuDiasBH Autor do post

    Rene

    O seu texto está muito bom e ainda nos ensina como trabalhar os pensamentos negativos que nos acometem durante o tratamento com antidepressivo. Destaco o parágrafo:

    “As ações e técnicas são portas de entrada para o “aqui e agora”, o único lugar e tempo real, de fato. Podem ser outras ações também, contanto que me tragam para o momento presente. Estou sempre aceitando a presença temporária da ansiedade, como ela se apresenta, mas sabendo que eu não sou a ansiedade. Ela vem e vai. Eu fico! Eu permaneço! Os sintomas vão ficando mais brandos e se vão bem mais rapidamente, sempre que eu consigo impedir, gentilmente, a conexão deles com os pensamentos negativos, inverídicos ou apenas inúteis. Com essa prática, o próprio ato ou efeito de pensar negativamente vai se tornando menos frequente, assim como a ligação entre a sensação desagradável e o pensamento disfuncional.”

    Realmente nós não somos o transtorno mental, apenas estamos passando por ele. Parabéns pela lucidez de suas palavras. Estamos aprendendo com você.

    Abraços,

    Lu

    Responder
    1. Rene

      Lu,
      desde que conheci este espaço, tenho me sentido muito melhor. Ele tem me ajudado muito mesmo. Aprendo sempre com os textos e com todos os comentários. Foi aqui que eu a tive certeza de como pode ser benéfico para o maior número de pessoas possível compartilhar o que temos, da forma e na intensidade que podemos. Fico feliz de poder contribuir com a minha experiência. Na verdade, estou retribuindo voluntariamente a ajuda que já recebi de pessoas que talvez nem saibam o quanto me ajudaram, pelo simples ato de compartilharem seus momentos.

      Obrigado sempre, Lu, por proporcionar isso a todos nós por meio desse seu espaço tão especial.

      Um grande abraço!

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *