TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

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Autoria de Alessandro Queiroz

Passei por uma grave situação no trabalho, onde, por questões de segundos, minha vida não se foi junto com a de meus companheiros, enquanto combatia crimes ambientais numa terra Indígena, em Roraima, este ano. Para que todos possam compreender melhor o que me ocorreu e desencadeou minha situação, relato-lhes:

Em três de julho deste ano, eu e mais quatro colegas do IBAMA (Alexandre, Olavo, Lazlo e Júnior) empreendemos ação em conjunto com a PF e Exército no combate ao garimpo ilegal dentro da TI Yanomami, em Roraima. Garimpeiros de diversos pontos do Brasil bem como de países vizinhos, em especial da Venezuela, invadiram essa Terra Indígina (TI), usurpando a abundante riqueza existente no interior dessa área protegida. Tais povos indígenas ainda vivem de maneira bastante isolada, dependendo tão somente do que a floresta e rios lhes provêm. A contaminação por mercúrio tem lhes trazido graves prejuízos socioambientais e coube a nós, enquanto União, defendê-los.

Eu e meus colegas, citados acima, tínhamos locadas, pelo Exército, duas aeronaves civis, tipo “teco-teco”, para nos transportar de Boa Vista até o interior da TI. Contudo na hora do embarque percebemos que toda a logística a ser transportada não seria possível em tão somente dois aviões. Foi providenciada uma terceira aeronave. Por motivos que desconheço, e me apegando demais à intervenção divina com toda certeza, vi-me afastado de meus colegas de trabalho, entrando na primeira aeronave com os quatro agentes da PF. Não posso deixar de dizer que, por praxe, temos que  permanecer com nossas equipes, ficando sempre juntos, ao participarmos de algum evento, seja ele fiscalizatório ou não. Nós nos mantemos próximos uns dos outros. Acho que é da natureza humana o fato de os iguais se aglutinarem.

Neste caso em particular, contudo, abandonei meus companheiros, pensando ser o melhor para nossa equipe, pois o pequeno avião que transportava a PF partiria primeiro, um segundo avião partiria 10 minutos após levando os 700 kg de bagagens e o terceiro avião voaria com a equipe do IBAMA. Por experiência já vivida nesses anos junto à fiscalização, sabemos que os indígenas tem por hábito o interesse pelo “alheio”… E não os condeno, pois vivem de forma tão primitiva que uma simples colher lhes chama a atenção. Meu objetivo foi, portanto, chegar primeiro ao local e dar garantias de que nada na bagagem seria mexido.

Partimos por volta das 10h30min da manhã. Pousamos na TI e, após uns 15 minutos, pousou a segunda aeronave com material e equipamento. Transcorridas mais de 02 horas, já ciente de que algo havia ocorrido, contudo sem imaginar as reais consequências com as quais me depararia, e mesmo com o Exército dispondo de equipamento para uso em guerra, o contato com Boa Vista se mostrou muito dificultoso, face o isolamento da área em que estávamos, bem no meio da selva amazônica. Após muitas tentativas sem sucesso, obtivemos um retorno dizendo que a aeronave com meus amigos havia sofrido um acidente ainda na pista de decolagem e que havia mortos e feridos. Imediatamente fui removido do local por um helicóptero militar que ao fazer seu primeiro pouso para abastecimento, em uma área abrangida por sinal celular, comecei a receber incontáveis chamados telefônicos querendo saber de mim. Sou pai de duas crianças pequeninas (3 e 5 aninhos) e minha esposa, em estado de choque, conseguira contato telefônico comigo, tendo a plena certeza que eu não havia morrido, como já estavam divulgando por diversos meios de comunicação.

Restou a morte de três companheiros de trabalho, inclusive a de um amigo muito próximo, pois trabalhávamos na mesma unidade em Florianópolis, durante anos. Todos foram carbonizados em questão de minutos por conta da explosão da aeronave. Como Deus provê a cada um de nós seu próprio destino, por questões ainda desconhecidas, um de nossos amigos conseguiu sair do pequeno avião em chamas, quebrando uma porta com chutes em meio a gritos de sofrimento e desespero inimaginável. Suas sequelas atingiram enormes proporções corpóreas, contudo ele está vivo e se restabelecendo. Toda esta situação, vivida muito de perto por mim durante toda a semana após o transcorrido, disparou uma série de situações que até então jamais sonhara viver. Passei, sim, por inúmeras ocorrências com risco real de morte, nos moldes do que todos presenciaram nesta sexta-feira última, no município de Humaitá/AM, quando depredaram todo nosso patrimônio, além de outros órgãos parceiros.

Desde três de julho passado estou vivenciando um quadro que foi diagnosticado como TEPT (transtorno de estresse pôs traumático). Minha vida virou um verdadeiro inferno. Não tenho disposição para mais nada, mal interajo com meus filhos que tanto amo. Encontro-me muito mal organicamente e mentalmente falando. Mau humor fortíssimo e agressividade, frieza e vontade extrema de ficar deitado no quarto escuro, sem diálogo com ninguém. Hoje, particularmente, estou péssimo e quero crer que realmente estou passando pelos sintomas da abstinência medicamentosa, pois subitamente deixei de tomar tanto o SPRAN quanto o Roydhorm. Foi dobrada a dose do ESPRAN e trocado o Patz pelo Roydorm de 01 mg, mas não houve nenhuma resposta nesses quase 03 meses de tratamento. Estou há quase 15 dias sem tomar esses remédios, pois além de terem acabado e eu não ter pegado nova receita em, anteontem informei ao psiquiatra que nada estava adiantando. Outros psiquiatras me disseram que sob-hipótese alguma deveriam ter-me prescrito benzodiazepinico para TEPT.

Vou lhes relatando meus novos passos rumo ao encontro da medicação ideal para mim além da dosagem adequada, quem sabe poderei estar ajudando alguém na mesma situação.

Nota: pormenor de uma obra de Edvard Munch

43 comentários sobre “TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

  1. Alessandro Queiroz

    Bom-dia a todo(a)s!

    Retorno para relatar-lhes minha situação, em especial para que alguns como eu, leigos no assunto, passem a compreender como agem os antidepressivos.

    Dei início ao meu tratamento para o TEPT em julho deste ano, tendo sido medicado com o oxalato de escitalopram (ESPRAN). Transcorridos 3 meses aproximadamente vi, juntamente com o psiquiatra que me acompanhava, que a medicação não se ajustava ao meu organismo, tendo sido prescrito o cloridrato de venlafaxina.

    Bom de toda sorte, afetado pelos efeitos fortíssimos da estúpida interrupção medicamentosa que me auto propiciei em razão dos fortes efeitos adversos, optei por consultar uma nova psiquiatra, a qual me inspirou enorme confiança. Ela não concordou com o uso da venlafaxina e demos início ao uso do cloridrato de sertralina (Zoloft) na sua fórmula original da Pfizer, bem mais caro que os demais laboratórios, e até onde entendi com seu princípio ativo mais concentrado e eficiente.

    Foram mais de 25 dias de uso com 1/2 comprimido (25mg), me ajustando à dose total do comprimido de 50 mg, contudo os efeitos colaterais, como o enjoo, pupila dilatada e dor de cabeça se mostraram persistentes sendo descontinuado por minha psiquiatra, pois os efeitos indesejados estavam maiores que os benefícios. Ela avaliou quanto à necessidade de inserção de nova formulação medicamentosa… e lá vamos nós para o terceiro princípio ativo em busca do ajuste orgânico.

    Contudo é necessário relatar que o Zoloft, apesar dos efeitos colaterais indesejados, começou a demonstrar seus efeitos benéficos pela estimulação na liberação da serotonina, me propiciando uma melhora na minha condição de vítima da TEPT.

    É isso…força e perseverança…em breve saio dessa!

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Alessandro

      Todos nós temos acompanhado com grande emoção a sua dupla luta: emocional, em razão da perda de seus colegas e amigos, e medicamentosa, a fim de combater o grave transtorno mental que o acometeu. Sabemos que não tem sido fácil vencer tais batalhas, pois abalaram profundamente a sua vida. Também temos a certeza de que sua difícil caminhada demandará tempo e as feridas deixadas serão indeléveis, mas se transformarão em lembranças, ainda que doloridas, com o tempo.

      Entendemos que a sua família, assim como os órgãos responsáveis pela sua função, haverão de dar-lhe toda a ajuda necessária para transpor tão difíceis obstáculos, pois isso é mais do que a obrigação de todos os envolvidos. E nós, aqui no blog, somos testemunhas de seu desespero, quando nos procurou pedindo “socorro”, para que não pusesse um fim na própria vida. Você é realmente um grande guerreiro.

      Amiguinho, estamos acompanhando todos os seus progressos, ainda que lentos, com subidas e recaídas. E estamos torcendo por você e pelas famílias das vítimas. Imaginamos quão grande é o sofrimento de todos vocês. Temos a certeza de que hão de vencer, pois, como dizia Chico Xavier, “tudo na vida passa”, ainda que as cicatrizes remetam às lembranças. Este espaço continua aberto para você e para as vítimas (ainda que indiretas) da tragédia que se abateu sobre vocês. E mais uma vez parabéns pela perseverança!

      Abraços,

      Lu

      Responder
    2. Leila

      Olá, Alexandre!

      Estou passando para saber como está indo com a nova medicação.

      Infelizmente, para nosso tipo de transtorno não há outro jeito de encontrar o melhor remédio, a não ser pela tentativa baseada na probabilidade. Passei por isso no início do ano, quando meu organismo se acostumou ao escitalopram e tive que buscar uma nova medicação. O problema do nosso tratamento é que cada organismo, por ser único, responde de forma diferente a um mesmo remédio.

      Entre 2014 e 2015, por exemplo, fiz um desmame com orientação do psiquiatra, mas após poucos meses, tive uma recorrência. Ao invés de retomarmos o escitalopram, o médico achou que a Venlafaxina seria ainda melhor para mim. Me lembro que, na época, uma amiga me disse que eu ia gostar, pois era ótima. Bem, após poucas semanas, meus sintomas estavam bem mais fortes e o psiquiatra concluiu que eu tinha intolerância à Venlafaxina….

      Olhe, você permanece em meus pensamentos, viu?! Assim, como os demais, estou torcendo pela sua recuperação.

      Um grande abraço!

      Leila

      Responder
      1. Alessandro

        Olá, Leila!

        Obrigado por suas palavras e força. Estou neste exato momento esperando minha hora na psiquiatra que me acompanha. A venlafaxina ainda está dando fortes sinais de seus efeitos colaterais, contudo não tenho nem uma semana de uso. Estou usando o original que até onde me foi esclarecido ainda possui um princípio ativo mais acentuado. Contudo percebo que os enjoos e dores de cabeça estão diminuindo. Bom, vamos ver daqui a pouco se de fato continuarei com o EFEXOR XR 75.

        De toda sorte saio de férias hoje e quero aproveitar cada segundo com minha família e em especial meus filhotinhos. Creio que este tempo me dará um pouco mais de ânimo, ao vivenciar algumas sensações diferentes. Mas estou seguro que sairei desta fase horrível. Estou bem acompanhado por duas excelentes profissionais. Retorno com boas novidades, com toda certeza é breve!

        Fiquem todos com Deus.

        Responder
  2. Irene Fleury

    Maria Cláudia

    “O homem propõe e Deus dispõe”; grande verdade que constatamos com frequência. Fiquei contente em ver que você tem convicções firmes, que lhe dão e darão sempre segurança. Você transmite força, em suas palavras e isso é muito bom. Nossos jovens estão precisando de sentir esperança, para não desanimarem ante os imprevistos do caminho. Não sei de que você se ocupa, direi, apenas, que não existem tarefas maiores ou menores ; existem tarefas bem feitas.

    Continuaremos enviando nossas vibrações de paz ao Alessandro. Com Deus por perto, tudo vai dar certo.

    Grande abraço carinhoso, extensivo a LU.

    Responder
    1. Alessandro Queiroz

      Olá, Irene!

      Minha fé na melhora e saída deste quadro muito ruim, ao que parece, tem tomado um caminho com mais luz. Os novos medicamentos, iniciados na sexta-feira passada, estão começando a agir de forma efetiva e para meu alívio não estou tendo efeitos colaterais.

      Hoje inclusive no meu órgão, tivemos uma assembleia para tratar exatamente das nossas duras condições de trabalho, as quais são sumariamente ignoradas. Meu exemplo de andar descalço no fio da navalha, está inspirando muitos outros colegas a buscarem melhores normatizações e providências no tocante ás missões principalmente no norte do país. Não precisamos assistir novos amigos morrerem no intuito de salvaguardar o futuro de nossos menores. Se hoje temos algum meio ambiente saudável, precisamos reconhecer que nossos agentes ambientais, sejam na esfera, federal como no meu caso, estadual ou municipal se dedicam doando suas próprias vidas em prol de todos e nem sempre são reconhecidos.

      Enfim, tudo vai melhorar, os dias serão mais floridos e alegres.

      Muito grato a todos pelo carinho e atenção!

      Responder
      1. Irene Fleury

        É por aí, Alessandro!

        Fico feliz em saber da sua fé em prosseguir no tratamento. Andar descalço no fio da navalha com essa coragem é para os espíritos evoluídos. Pode ter certeza de que seu exemplo será seguido, com toda certeza. Trará melhores condições, melhores dias, o reconhecimento e respeito por esse trabalho que desenvolvem, enfrentando riscos que nem podemos calcular a extensão.

        Paz e Luz em seu lar. Bênçãos para você e seus entes queridos.

        Irene

        Responder
  3. Maria Claudia

    Alessandro

    Sinto muito por suas perdas. Espero que continue o tratamento, e que se recupere totalmente. Cicatrizes vão ficar, mas desejo que você aprenda a lidar com elas da melhor forma possível.

    Abraços

    Responder
    1. Alessandro

      Maria Cláudia

      Grato pela atenção a carinho. Em breve estarei por aqui relatando que as melhoras surgiram para ficar.

      Abraço

      Responder
  4. Maria Claudia

    Oi, Lu!

    Nem sei por onde começar ou eu talvez não saiba como tudo começou.

    Eu estava bem com a medicação, Oxa e quet. Fui ao psiquiatra, falei que a ansiedade tinha voltado, mas ele manteve as doses. Eu piorei. Não sei ao certo, talvez tenha sido pela tragédia que passei em 2015, talvez por ter terminado um relacionamento abusivo há 6 meses, onde eu ainda estava sem remédios, não sabia que seria tão difícil. Não é fácil se livrar de nove anos de abuso psicológico, humilhações, um estrago gigantesco na autoestima, discussões, gritos e todo tipo de inferno que se possa imaginar. Não queria que ninguém tivesse que passar por isso. A gente acha que está bem, mas na verdade não está. É só a ponta do iceberg.

    Continuo com a terapia, continuo com os remédios, mas o desânimo se encostou de novo. Crises de choro, falta de vontade, questionamentos, dúvidas, tanta coisa. Há 2 semanas perdi minha afilhada de 24 anos pra bulimia, pra uma síndrome chamada SARA, pra depressão e problemas emocionais. Estava grávida, todo mundo achou que com acompanhamento médico, psiquiatra, ela continuasse bem. Mas não. Uma crise de bulimia desencadeou todo um quadro que a fez ir embora em 3 dias. Eu ainda estou chocada com tudo que aconteceu. Minha imunidade baixou, peguei uma infecção bacteriana aguda na garganta que me jogou na cama por mais de uma semana. Tudo emocional.

    Eu fico sempre pensando no que ouço do meu pai desde pequena. Que a gente não deve se render a cultura do sofrimento, se a gente deixar, passa a vida se lamentando pelos erros, pelo passado, por nossas dores. Amanhã tenho 2 horas de terapia, porque não estou bem mesmo. E vou tentar antecipar o psiquiatra, que está marcado só pra dia 15 de dezembro. Eu sei que eu preciso tentar mais. Preciso reunir forças e coragem.

    Bj grande para você e para todos do nosso cantinho.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Maria Cláudia

      Andava sentindo a sua falta. Como foi bom sentir o seu cheirinho aqui!

      Amiguinha, todos nós temos contratempos. Viver é equilibrar-se numa gangorra emocional. Não há ser humano que não passe por isso. A deiferença que existe entre nós, humanos, não é ter ou não problemas, mas a maneira como cada um de nós convive com eles. É exatamente aí que reside o cerne de nossa qualidade de vida. Os aborrecimentos, as contrariedades, os dissabores possuem a dimensão que damos a eles. E quanto mais sábios vamos nos tornando, menos eles mexem com o nosso equilíbrio emocional, com a nossa autoestima, com o nosso direito de ser feliz. Gosto muito de um trecho da oração de S. Francisco:

      “Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado…
      Resignação para aceitar o que não pode ser mudado…
      E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.”

      Amiguinha, você não pode ficar apegada a esse passado inglório (relacionamento). Não pode carregá-lo nos ombros, aumentando seu fardo. O Feng Shui (filosofia milenar chinesa) diz que precisamos abrir espaço para o novo. Retire esse “encosto” totalmente de sua vida. Não permita que a lembrança dele lhe faça mal. E somente você poderá fazer isso. Abandone esta postura de vítima, pois é a única dona de sua própria vida. Quanto à sua afilhada, não nos é possível mudar as escolhas que as pessoas fazem para si. Podemos opinar, aconselhar… Mas não podemos impedir, entrar no livre-arbítrio do outro. Cada um traça o seu próprio caminho, ainda que muitos fatores possam contribuir para as tomadas de decisão. Podemos lamentar, sim, mas não nos mortificarmos, pois temos um compromisso com o nosso corpo e com a nossa saúde mental. Temos um compromisso, também, com aqueles que dependem de nós e que continuam vivos ao nosso lado.

      Maria Cláudia, concordo plenamente com os dizeres de seu pai. Ele, na verdade, quis dizer que não podemos aceitar a condição de vítimas. Ele é muito sábio. Confie nele.

      Espero que você volte a ficar boa de novo. Precisa, sobretudo, equilibrar o emocional. Estou com saudades da minha amiguinha alegre de antes. Aguardo por ela.

      Beijos,

      Lu

      Responder
      1. Maria Claudia

        Lu
        Obrigada pelo carinho! Eu sabia que seria acolhida, sabia que teria algo bom vindo de você, que pudesse me dar mais ânimo. Eu me livrei de muita coisa no relacionamento. Mas preciso me livrar de mais coisas ainda. Vou conseguir, sim, tenho fé que vou.

        Beijo grande!

        Responder
  5. Alessandro Autor do post

    Lu

    Obrigado pelo carinho e atenção que você e todos aqui têm me dispensado. Minha vontade de sobrepujar esta dor vai superar tudo isto e devo muito a intervenção de todos vocês.

    Grande abraço!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Alessandro

      Você agora é parte de nossa família. Saber que se encontra melhorando é uma grande alegria para todos nós. Conte sempre conosco.

      Abraços

      Lu (e família)

      Responder
  6. Ana Maria

    Olá, Alessandro!

    Primeiramente, sinto muito pela perda de seus colegas e amigos.

    Fiquei impressionada com a tua história, pois me colocando no teu lugar, senti uma tristeza enorme, não saberia como reagir. Porém presenciei uma história muito semelhante na minha família. Meu avó, mecânico de navio, perdeu quase todos os colegas num incêndio no trabalho, ele foi o único que escapou daquele acidente. Mas graças ao tratamento e à família que com muito amor e paciência o ajudou, ele conseguiu superar tudo.

    Eu sofro de Síndrome do pânico e Agorafobia, pois passei por alguns episódios traumáticos na minha vida que acarretaram estes problemas psicológicos. O início do tratamento com a medicação não foi nada fácil, foi um período onde achei que nunca veria uma luz no fim do túnel, só escuridão e agonia. Os sintomas eram muito parecidos com os teus. Cheguei a ficar duas semanas inteiras trancada em casa, pois viver não tinha mais graça. Mas te digo que isso passa, sim. Após seis meses de tratamento, já sinto vários efeitos positivos. A luz no fim do túnel existe! Ficarei torcendo pela tua recuperação plena.

    Um abraço,

    Ana

    Responder
    1. Alessandro

      Ana

      Obrigado!
      A Força está sempre dentro de nós! Tenho dois filhos pequenininhos que dependem muito de mim. Me recordo ainda como se fosse hoje minha chegada na Base Áerea de Florianópolis num avião da Aeronáutica, após mais de 20 horas de voo entre Boa Vista, passando por Vitória deixando o corpo de uma grande amigo e finalizando em casa com meu irmão de coração em um caixão. Meus pequenos não puderam estar nesta triste recepção, onde dezenas de amigos de trabalho esperavam juntamente com a família do Alexandre, após dias de agonia e tristeza.

      O reencontro com meus filhos foi mágico. Uma enorme sensação de alegria contraposta pela tristeza que ambas as filhas de meu falecido amigo não mais teriam o pai por perto. O mundo pareceu ter parado quando peguei meus filhos apertadamente, num choro compulsivo e sem fim. Deus me deu uma missão e nada me faz duvidar que conduzir a formação de meus filhos talvez seja o que ainda terei a cumprir.

      Grande abraço

      Responder
      1. Ana Maria

        Alessandro,

        seu relato é muito emocionante! Eu imagino a emoção que você deve ter sentido ao abraçar os teus pequenos! Apesar desta marca triste na sua vida, serás muito feliz com a missão de criar e ver as crianças crescendo. Quando forem maiores e entenderem o que o pai passou, terão um exemplo de força e coragem em casa.
        Desejo muitas felicidades para vocês!

        Abraços,

        Ana

        Responder
  7. Irene Fleury

    Alessandro

    Maravilha existir um site que oportuniza essa troca de experiências difíceis.

    Tenho 87 anos e, na mocidade, vivenciei depressões e pânico. Nessa hora, o terapeuta foi fundamental e os amigos a âncora que me susteve na superfície do maremoto. Posso afirmar que esses auxílios nos sustém e auxiliam na travessia. Manter a certeza de que Deus ou Consciência Cósmica ou outras denominações preferidas, nos ajudam é importante. Somos o sal da Terra e a luz da Vida. Vamos em frente, somos deuses, como dizia Jesus. Ainda não descobrimos nosso potencial. E mais, quando passamos por uma experiência difícil de ser superada, estamos nos preparando para auxiliar os que irão passar por ela. Sem ter tido essa vivência JAMAIS compreenderíamos a dor do outro.

    Parabéns para quem teve a inspiração de criar este espaço de convívio. Luz e paz.

    ………………………………

    Completando minhas palavras, interrompida por telefonema, diria ao Alessandro: Nessa triste ocorrência como a vivenciada por ele, quando outros são chamados à vida espiritual (de onde viemos e para onde vamos voltar), como que sentimo-nos culpados por termos sobrevivido. Um grande amigo espiritualista me explicou que há uma força, não importa o nome, que faz a seleção naquele momento, de quem vai e de quem fica. Lembra-se do incêndio do Joelma? Muitas que pessoas que lá trabalhavam saíram do edifício, sem bem saberem porquê. Outras, que nunca tinham ido lá foram e pereceram no incêndio. Tenho um amigo, que trabalhava lá, ele e a esposa. Ele saiu momentos antes. Ela não. Ele se questionava o porquê de ter tido o impulso para sair. Impulso, não ato racional. A nossa “vã filosofia” não compreende essas ocorrências.

    Meus melhores pensamentos para você, Alessandro, e a certeza de que sairá fortalecido dessa experiência.

    Responder
    1. Alessandro

      Irene

      Grato por seu comentário!

      Hoje, não sei se sugestionado mentalmente pela nova psiquiatra que me assiste desde ontem, meu dia foi mais leve e com o novo medicamento para dormir lá se foram 7 horas ininterruptas de bom sono. Meus pensamentos mais prósperos agora se baseiam no novo antidepressivo e no ímpeto de dar mais um passo adiante. Sou forte e sei que vou sair dessa.

      Grande abraço e tenha uma excelente semana.

      Responder
    2. Maria Claudia

      Oi, Irene!

      Fui ler os comentários, a senhora mencionou o incêndio do Joelma. Meu pai trabalhava lá, perdeu muitos amigos, assistiu cenas horríveis.
      Eu tinha alguns meses de vida, e meu pai só saía pra trabalhar depois que eu acordasse. Eu sempre acordava às 6 da manhã, era o “despertador” dele. No dia do incêndio, só acordei às 8. Meu pai perdeu a hora e ganhou a vida. Na mesa do café ouviu as notícias pelo rádio. Correu pra lá, o prédio já em chamas.

      Acredito que as pessoas que partiram, realmente precisavam ir. Creio que a vida continue depois daqui. Na verdade, acho que voltaremos pra casa. E sim, somos deuses, só não descobrimos ainda. Deus é necessário em nossas vidas. Li seu comentário e com certeza vou dormir melhor hoje.

      Beijo grande

      Responder
  8. Adevaldo Rodrigues

    Alessandro
    Não tenho experiência nesse tipo de transtorno, entretanto, pelo relato de outras pessoas, percebo que é importante você continuar com o tratamento, pois o efeito positivo pode demorar, mas acaba vindo.

    Amigo, em minha opinião, qualquer tipo de ajuda é importante principalmente a espiritual. Pelo seu relato imagino a barra que você passou e está passando. Não deixe a peteca cair e logo sairá dessa. A pessoa só vai para outra vida na hora certa. Nesta vida você ainda tem uma missão a cumprir junto a sua família, ao meio ambiente ou, quem sabe, protegendo os sofridos indígenas. Sinta orgulho de seus colegas. Eles morreram cumprindo uma missão. Foram uns heróis. Para você há ainda outras missões.

    Alessandro, sei da importância do trabalho de vocês, pois sou especialista em gestão ambiental. Recomendo que você escreva um livro contando sua experiência junto ao IBAMA e os perigos enfrentados para o cumprimento das leis ambientais. Tenho certeza que a Lu, dona deste blog, poderá orientá-lo nessa tarefa com muita generosidade. Conte com o apoio de todos nós.

    Um forte abraço,

    Adevaldo

    Responder
    1. Alessandro

      Adevaldo,
      muito grato por suas palavras. Por ter vivência com o trato ambiental, sabe como as coisas funcionam em nosso país. Meio Ambiente, não é palavra de ordem, infelizmente, e nesta cruzada contra os malfeitores, ficamos a mercê da própria sorte. Enfim, é avançar sem pestanejar pois o futuro dos nossos filhos, netos, etc, hoje depende de nós.

      Grande abraço.

      Responder
    2. Alessandro

      Adevaldo
      Grato por suas palavras e apoio. Ontem dei um passo importante na busca pela cura desta enfermidade tão triste. Como programado, tive consulta com a terceira psiquiatra, a qual, após uma invejável anamnese de 1:40, pude ser ouvido e me expressar com um profissional que me transmitiu muita confiança. Ouvi, sim, que meu caso é muito severo e isto me assustou, pois a fragilidade com que vivo, às vezes até certas verdades magoam. Mas foi uma aula de solidariedade onde a relação comercial, típica não existiu. Vi uma médica preocupada com minha situação.

      Depois de tudo esclarecido recebi nova medicação, e de forma enfática que a escolha dos remédios se desse no modelo original do produto. Zoloft e o Alprazolam foram administrados com cautela em doses mínimas, e serão averiguados sintomatologia e efeitos colaterais. Aí menos nesta noite anterior com o uso do Alprazolan consegui uma noite inteira de sono (7 horas seguidas) apesar de hoje estar me sentindo meio letárgico e com sono. Mais 15 dias e um novo retorno na médica psiquiátrica para nova avaliação. E em seguida a busca por um profissional especializado na área cognitiva comportamental.

      Vou sair dessa, meus e minhas nobres amigo/as!

      Retorno em breve.

      Responder
  9. Juber

    Alessandro,
    continue com seu tratamento e tenha a certeza de que isso tudo irá passar. São momentos difíceis da vida a que todos nós estamos sujeitos. Seja firme e continue. Que Deus e Nossa Senhora Aparecida o abençoem.

    Abraços

    Responder
    1. Alessandro

      Bom-dia, Juber!
      Que Deus e Nossa Senhora Aparecida olhem sempre por todos nós! Muito obrigado pela sua atenção.
      Grande abraço.

      Responder
  10. Poliana

    Alessandro,
    há alguns meses faço tratamento com o Espran, por estar sofrendo uma situação muito menos traumática que a sua, sem dúvida, mas ainda assim difícil. Em relativamente pouco tempo, o remédio melhorou bastante as crises de pânico que eu tinha, mas meu mau humor e desânimo eram enormes. Comecei a ficar muito preocupada, pois melhorei das crises mas ainda não estava bem, ao contrário. Foi quando comecei a frenquentar o Centro Espírita que já frequentava (há anos, mas havia me afastado um pouco) novamente. Não sei qual é a sua crença, mas estou apenas compartilhando a minha. Passei por tratamento espirituais. Levei água fluidificada para casa e tomei junto com os remédios. Conjuntamente passei a fazer terapia duas vezes na semana, ao invés de uma, como eu vinha fazendo. Posso lhe assegurar de que tudo mudou. Tudo mesmo.

    A gente sabe bem que esses problemas nossos têm uma base muito sólida no autoconhecimento e é bem ele que a gente precisa fortalecer… Conpreender o que pode ser compreendido e resignar com o que não pode, na firme fé de que foi o melhor que poderia ter acontecido. Agradecer sinceramente pelas dificuldades, que no fim das contas, nos tornarão pessoas muito melhores.

    Tenho a certeza que tudo ficará bem consigo em breve, a partir de um passo (talvez difícil de ser dado, mas necessário) em direção à autocura, à fé na ajuda do universo. Enfim! Fica aqui os meus melhores sentimentos e vibrações pra você, meu amigo!

    Um abraço e avante!

    Responder
    1. Alessandro

      Poliana
      A fé move montanhas e quanto a isto não me paira a menor dúvida! Recebi um convite de uma amiga muito querida, esposa de um dos meus queridos amigos que vieram a falecer nesse acidente aéreo. Atitudes como esta me mostra o quanto posso e devo ser forte, pois nada se compara à dor pela perda de um parente próximo como o caso da esposa de meu amigo falecido.

      Às vezes me pergunto: este papel de buscar oferecer ajuda, compreensão e apoio não deveria ser meu? Mas ao assistir o quão forte essa esposa se porta, vendo suas filhas tão pequeninas sem seu querido pai, passo a tê-lá como referência em busca do melhor de mim. Posso ser melhor. Um passo de cada vez. Paciência e força de vontade. Tenho convicção que os medicamentos são tão somente coadjuvantes deste processo. A cura está dentro de mim. Só me resta encontrá-la.

      Grande abraço!

      Responder
  11. Josi

    Alessandro

    Deixo aqui meus sentimentos em relação a sua perda, e peço a Deus que conforte seu coração e o dos demais envolvidos. Quanto ao seu estado emocional e psíquico, temos bem noção do que está passando. Continue firme! Fico feliz ao saber que já procurou ajuda médica e continua a fazê-la.

    Só como testemunho,não querendo jamais agravar seu trauma, ontem minha familia perdeu uma pessoa maravilhosa,que infelizmente parece não ter tido a mesma força para continuar buscando ajuda. Deixo este pequeno relato como forma de alerta para todos nós, para que não abramos mão do tratamento e tenhamos forças para continuar, pois a vida é uma dádiva. Quando nossas forças se esgotam, o mais prudente é pedir ajuda. Força, amigo! Estamos com você nessa!

    Deus o abençoe!

    Josi

    Responder
    1. Alessandro

      Josi.
      Hoje tudo está organicamente e psicologicamente muito difícil. Mas sexta-feira, com minha nova psiquiatra, tenho certeza que os dias serão mais felizes. Grato por tudo.

      Abraços

      Responder
  12. Marcos

    Alessandro

    Concordo com tudo que nossa amiga Lu disse, lamento muito também pela morte de seus amigos, é natural que você esteja passando por todo esse transtorno, qualquer pessoas estaria… Vou lhe contar um pouquinho da minha história resumidamente.

    Sempre fui muito ansioso, mas nunca havia tido qualquer tipo de problema emocional ou fisiológico por conta dessa ansiedade, porém, certo dia, quando eu menos esperava e nem estava preparado para isso, meu pai veio a óbito por conta de uma hemorragia interna, ou seja, por conta de uma hérnia que ele tinha e não cuidou… Eu me senti muito mal por algum tempo, principalmente porque fiquei me culpando, com raiva de mim mesmo por não ter feito nada (na verdade eu nem poderia, mas na minha cabeça eu pensava que de alguma forma eu deveria ter evitado). Depois da morte de meu pai minha ansiedade piorou e comecei a ter vários problemas relacionados ao sono, quadros de depressão, ataques de pãnico.

    Vendo meu estado de saúde piorar fui atrás de ajuda médica. Comecei a tomar um antidepressivo, mas mesmo após certo tempo tomando o medicamento (aproximadamente 1 semana apenas), não via melhora. Comecei a ficar assustado, achando que ficaria ruim pra sempre. Até pensei em largá-lo, porque ele me fazia mais mal do que bem… Por destino ou sei lá o que, achei este cantinho onde a Lu e outros amigos me ajudaram muito. Fiquei lendo o relato de outras pessoas e isso me deu coragem para continuar com o tratamento e foi a melhor decisão que tomei. Após umas 3 semanas comecei a melhorar muito e daí em diante fui melhorando mais e mais. Hoje estou no quarto mês tomando o antidepressivo, já não tenho nenhum dos sintomas dos quais citei acima.

    Meu amigo Alessandro, eu lhe digo para não abandonar o tratamento e voltar ao psiquiatra, essas coisas de medicamentos demoram mesmo pra fazer efeito, e muitas vezes um medicamento não é ideal pro seu corpo, porém outro pode ser. Eu, por exemplo, tomo oxalato de escitalopram, porém algumas pessoas não se adaptam a esse medicamento, sendo necessário utilizar algum outro. Existem várias opções disponíveis, então não se assuste se um tipo não der certo, pois opções não faltam, só precisa achar o melhor pro seu organismo. Tenho a certeza que irá melhorar logo. Estamos todos torcendo por você.

    Grande abraço,

    Marcos

    Responder
    1. Alessandro

      Marcos
      Seu relato é um exemplo de superação e força de vontade. Não abrirei mão da minha vontade de estar bem com minha família e meus amados filhotinhos.

      Grande abraço!

      Responder
    2. Lúcia

      Sou amiga do Alessandro, trabalho com ele mas não pude deixar de comentar aqui. No seu comentário, por um equívoco, você coloca o nome “Alexandre” e não Alessandro, curiosamente “Alexandre” foi o nosso grande amigo que faleceu!

      Responder
      1. LuDiasBH Autor do post

        Lúcia
        Em nome do Marcos agradeço a sua correção, que será mudada agora mesmo. Ainda que trabalhe com ele, será sempre bem-vinda aqui.
        Grande abraço,

        Lu

        Responder
      2. Alessandro

        LÚcia, minha amiga,
        grato pelo apoio que meus ótimos amigos de trabalho tem me proporcionado. Teria todos os motivos do mundo para estar afastado do trabalho, mas saber que posso encontrar um “porto seguro” entre amigos de verdade é a força que preciso para avançar!

        Abraço

        Responder
  13. Maria Aparecida

    Alessandro
    Você vai melhorar, acredite! Eu passei por momentos difíceis, tive que ser internada contra vontade e de nada adiantou, pois cheguei em minha casa prostrada… Deus iluminou meu marido e fui em outro psiquiatra. Depois que comecei a usar o lítio, tudo melhorou. Continuo a tomar antidepressivo há vários anos e estou bem. Claro que ainda há momentos de tensão e nervosismo, pois somos humanos.

    Abraços

    Responder
    1. Alessandro

      Maria Aparecida

      Grato pelo seu manifesto e atenção. Tenho certeza que na perseverança e na plena convicção de que minha melhora se traduz em garantias de felicidade aos meus filhos, tão pequenos ainda, é todo o combustível que preciso para chegar numa condição melhor.

      Muito grato

      Responder
  14. Edilma

    Alessandro

    Mesmo com toda a tecnologia existente, ainda não inventaram nem um remédio que se compare à Fé. Os remédios são necessários e irmos ao médico também. Deus os deixou na terra pra que pudéssemos recorrer a eles. Mas se não tivermos fé na nossa cura nem todo remédio do mundo fará efeito. Por isso, eu lhe digo, Alessandro, tenha fé e se cerque das pessoas que te amam. Sofra o que tiver que sofrer, mas não guarde rancor. Guarde apenas os bons momentos que vivenciou com seus amigos. Lute por você e principalmente pela sua família que precisa de que esteja forte.

    Que Deus esteja sempre com você nessa nova jornada.

    Responder
    1. Alessandro

      Edilma
      Deus provê tudo nesta vida. Tenho convicção de que não faleci com meus irmãos de coração foi por intervenção divina. Não era a minha hora e certamente tenho muito ainda a fazer neste plano. Deus conspira a favor de todos e sei que nunca fui esquecido. Vou melhorar com toda certeza.

      Abraço

      Responder
  15. Leila

    Alessandro,

    estou emocionada com seu depoimento, principalmente com os sintomas que descreveu…

    Em minha última crise de depressão o que mais me perturbou foi a total apatia e impossibilidade de sentir amor pela minha família, inclusive por minha bebê de menos de dois anos. Mas passada a adaptação à medicação e à dosagem ideal para meu quadro, compreendi em terapia o motivo deste sintoma… No meu caso, era uma forma do meu cérebro me desconectar de tudo que me encorajava a ser quem eu era, pois ele interpretava isso como algo que me colocaria em risco de perder exatamente estas pessoas que tanto amo. Talvez, no futuro, você também entenda o motivo deste seu sintoma…

    Acho que a primeira coisa que você precisa ter em mente é que está doente. Não é o Alessandro Queiroz que está sem disposição, nem para os filhos, e que está mal humorado, agressivo, etc… Estas coisas são sintomas do TEPT, desencadeados por uma vivência quase surreal de tão dolorida que é. Seu cérebro está precisando de um tempo para se refazer deste trauma e ele está te dizendo isso através desta doença que, graças a Deus, tem tratamento. Então não se culpe e nem se cobre por não estar em seu estado normal. Fazendo isso, você conseguirá poupar energia. Esta, será necessária para manter a paciência que você e sua família precisarão para encontrarem um profissional de confiança, em primeiro lugar, e, em seguida, para que juntos encontrem o melhor tratamento medicamentoso. Aí, então, terão que ter mais um pouco de paciência e esperar que seu corpo se adapte e comece a responder aos remédios.

    O que me deixou muito esperançosa, quase feliz, não fosse um relato de uma tragédia, foi o fato de você ter buscado ajuda. Isso mostra o tamanho da sua força. Talvez, isso não esteja claro para você agora, mas são poucas as pessoas que enfrentam os problemas assim, olhando de fato para eles e encarando suas consequências! Além disso, é possível perceber sua fé! Você acredita em Deus, ainda que neste momento, seja difícil compreendê-lo.

    Gostaria de dividir minha crença contigo… Realmente não é fácil compreender a vida e não sei nem se é possível, de fato. Mas, a despeito disso, existe um Deus companheiro de todas as horas. Ele está vivendo toda esta dor com você. Tenho esta certeza, primeiro por ele ter enviado Jesus, seu filho, para viver entre os homens e para morrer por todos nós, nos tornando seres livres. O que, para mim, mostra a grandiosidade deste amor. Entretanto, isso não nos blinda de tudo de ruim que possa acontecer. Aí, então, vem a segunda coisa que me faz acreditar no companheirismo divino.

    Em meus momentos difíceis eu encontrei o acalento que precisava aqui neste espaço e na vida da Lu, por exemplo, ou ainda, em uma conversa com alguém que já havia passado pelo mesmo e se disponibilizara a me dar força, ou na total disponibilidade da minha terapeuta para quem eu ligava quase que diariamente. Percebe? Deus nunca nos abandona e Ele está aí contigo, em cada sorriso de seus filhos, em cada abraço recebido, em cada oração pela sua recuperação, enfim, em cada refrigério que você conseguir encontrar para sua dor… Sei que fé é algo muito pessoal, mas conhecer este Deus sempre me ajudou e fortaleceu…

    Como já me alonguei demais, vou tentar resumir minha experiência de vida mais traumática. Perdi minha única irmã quando eu tinha 18 anos. Ela morreu em um acidente de trânsito aos 25 anos. Acredito que este foi um dos motivos de eu ter desenvolvido Transtorno de Ansiedade Generalizada, alguns anos depois. Entretanto, divido isso contigo, mais para falar de minha mãe do que de mim. Óbvio que ela ficou destruída… Passou por uma semi internação em um CAPS por alguns meses. Hoje, porém, mais de uma década após esta grande perda, ela continua
    lutando. Ainda está em tratamento, mas isso porque muito antes do acidente de minha irmã, ela já tinha uma depressão mal tratada. Mas a fase mais difícil, que incluía acordar no meio da noite com uma crise de pânico e a necessidade de medicação até para dormir, ficou para trás.

    Hoje ela é capaz até de levar algum apoio a pessoas que enfrentam perdas parecidas. Posso dizer que ela voltou quase que ao normal, não fossem seus altos e baixos atribuídos a um luto mal trabalhado e às várias interrupções ao tratamento que ela faz por conta própria. Ou seja, como a Lu mesma disse, ‘todo nós temos essa capacidade fantástica de recompor-nos’ e te falei de minha mãe como prova disso.

    Alessandro, estarei por aqui torcendo pela sua recuperação física, mental e emocional! Por favor, na medida do possível, continue nos mandando notícias…

    Um grande abraço,

    Leila

    Responder
    1. Alessandro

      Olá, Leila!
      Já não sei quantas vezes li e reli seu relato. Me vejo dentro de tudo que descreveu. Tenho consciência de tudo que se passa ao meu redor, apesar de às vezes me ver tomado pela tamanha apatia e inação, o que me assusta muito. Muito medo desta doença não ir embora. Como disse hoje a minha psicoterapeuta: vejo minha vida como um enorme quebra cabeças. Após o acidente gravíssimo, grande parte das peças, senão todas se desprenderam. Mas resta a certeza que nenhuma desapareceu. É um enorme alento.
      Obrigado por se fazer presente!

      Abraços

      Responder
  16. LuDiasBH Autor do post

    Alessandro

    A sua história é muito comovente. Não resta dúvida de que se trata de um dos momentos mais difíceis, vivenciados por você. É mais do que natural que esteja passando por tamanha comoção. Qualquer um, no seu lugar, estaria sentindo o mesmo. Lamento muito pela morte de seus amigos e me compadeço consigo em razão dos sentimentos que perturbam seu ser. O fato, meu amiguinho, é que nós não temos como controlar as rédeas de nossas tragédias humanas. Somos como marionetes nas mãos daquilo que chamamos de vida. Por isso, diante de tanta impermanência, resta-nos apena viver um dia de cada vez e da melhor maneira possível. Assim como todos os outros que vivenciaram passagens semelhantes, você há de superar tudo isso, pois todo nós temos essa capacidade fantástica de recompor-nos, uma vez que é preciso dar continuidade à nossa caminhada neste planeta, pois muitos outros precisam de nós.

    Tenho a certeza, meu amigo, que sairá deste acontecimento pungente ainda mais sábio e, sobretudo, mais humano. Tudo o que nos acontece, penso eu, tem por finalidade mostrar a nossa fragilidade humana, mas também nos dizer que precisamos nos transformar em pessoas melhores, enquanto aqui estamos, pois só assim estaremos prontos para enfrentar as adversidades que chegam para todos.

    Alessandro, penso que deva vivenciar a sua dor, pois guardá-la dentro de si poderá fazer com que exploda mais tarde. Seu comovente texto foi uma forma de dividir conosco, seus novos amigos, tudo que está passando. Quando dividimos a nossa carga, ela se torna mais leve, pois sabemos que não nos encontramos sozinhos. Juntos, nós formaremos uma corrente de energia que será endereçada a você. Não se sinta sozinho.

    Amiguinho, também não se preocupe em buscar respostas, pois não as encontrará, uma vez que elas se encontram além dos limites humanos. Apenas aceite. Passado o momento de luto, virá a paz. Será quando poderá dar suporte emocional às famílias de seus amigos. Você será muito importante para elas. Faça-as compreender que tudo tem um tempo. E o que o deles já estava cumprido. Nos meus momentos de consternação, eu sempre recorro à oração de São Francisco:

    “Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado…
    Resignação para aceitar o que não pode ser mudado…
    E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.”

    Gostaria que voltasse, o mais rápido possível, a um novo psiquiatra, levando o histórico de seu caso, não se esquecendo de incluir todos os remédios que tomou até agora. Neste momento, você não pode ficar sem medicação, o que só agravará o seu quadro. Lembre-se de que tudo isso irá passar…

    Aguardo novas notícais suas.

    Abraços,

    Lu

    Responder
    1. Alessandro

      Bom dia Lu e demais amigos.

      Adorei sua resposta. Me conforta muito esta interação construtiva com outras pessoas, mesmo sem as conhecer.

      Ontem foi outro dia pesado, sofrendo com os efeitos da abstinência de remédios, mas apesar de compreender meu equívoco em interromper meu tratamento, agora só me resta aguardar por sexta-feira para dividir com minha nova psiquiatra qual rumo devo tomar. Sei que estas drogas de emprego psiquiátrico demoram um pouco para seu efeito se apresentar, estando ciente que terei um longo caminho pela frente, convivendo com este quadro psíquico e orgânico sofrível.

      Daqui a pouco tenho minha sessão de psicoterapia, espaço este onde posso chorar e dialogar com imensa profundidade quanto aos sentimentos que borbulham dentro de mim.

      Fiquem com Deus. Em breve retorno com a certeza de avanços positivos rumo a minha retomada pela qualidade de vida que outrora fez parte de mim.

      Responder

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