TU AINDA VAIS TARDE!

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Autoria de LuDiasBH

pantera12

Como me julgaste tão mal, cavalheiro,
ao me veres assim ingênua e acanhada.
Achavas que arriaria o cavalo a teus pés,
com as quatro patinhas ferradas.

Tu foste bobo e precipitado, meu bem.
A candura do diamante não é fragilidade,
assim como a rudeza e peso do chumbo,
não são sinônimos de força e majestade.

Tu estás a arder na fogueira das vaidades,
atoleimado e arrependido, inda que tarde,
porque jogaste fora o nosso maduro amor,
que exigiu tanto tempo pra ser edificado.

Imaginaste que todas as crises de paixão
começassem bravias como os maremotos,
e te enganaste, rapaz, pois algumas delas
são pingos de chuva silentes e simplórios.

Pensavas ter poderes sobre mim, tua serva,
e, que, ao ser chamada, estaria a tua mercê.
Mas no cipoal dos teus constantes deslizes,
quem quebrou a cara não fui eu, mas você.

Agora dizes pra todos os nossos amigos,
que o estopim da crise foi aceso por mim.
Pensas que eu vá vestir a carapuça de vilã.
Ora, vejam! Corta essa, Dom Juan!

Chega de estratagemas inúteis e burlescos.
Já não mais me apiedam os teus falsos ais,
pois esta serva ganhou alforria ainda cedo.
Vai agora buscar parceria em outros cais.

Nota: obra de Fernando Botero

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