UMA CENA NO SERTÃO

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Autoria de LuDiasBH

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As crianças desocupadas e lânguidas
espalham-se pelo chão sem unguento,
como se o mundo fosse somente delas,
ao lado de seus flébeis cães pulguentos.

Na porta, um ancião de rosto ressecado,
queixo caído e boca murcha sem dentes,
escora o corpo num galho seco de cedro,
cajado que firma nas mãos, tenazmente.

Um pouco acima, no azul-celeste do céu,
urubus voam, como se fizessem um bailado:
abaixam, sobem, abrem e fecham suas asas,
buscando na morte o melhor dos agrados.

A vida por ali é inconstante como a chuva,
mal chega e já se prepara para ir embora.
O fruto germina da semente enfraquecida,
que poderá definhar a qualquer hora.

Um vulto desponta na estrada poeirenta.
Na cabeça, uma gamela de frutos pecos;
nos braços, duas maçarocas de malva e,
nos ombros, o pesar e garranchos secos.

As gentes seguem olhando a terra cozida,
ardida pelo brasume da tocha inclemente,
e resistem ao clima e subsistem ao tempo,
junto às árvores ressequidas e impotentes.

Não há lugar ali pra nenhum aprazimento;
a árdua labuta consome a fé, a paz e o tino.
Nem mesmo Deus botou amor e esperança
neste naco de terra sem outro destino.

Nota: Imagem retirada de http://www.infoescola.com

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