UMA “MENINA DE FAMÍLIA”

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Autoria de LuDiasBH

joiarara12

O lugarejo esparramava-se pelo vale,
com ruas tortuosas de terra vermelha.
Igreja, mercado, delegacia, pracinha e
grupo, cenário onde vivia a menina.

Um motor paria luz durante a noite,
com tempo certo pra apagar as tochas,
motivo de tristeza e contratempos pra
todas as mocinhas daquelas  grotas.

Uma vez acabada a fraca energia que
alumiava ruelas e praça com preguiça,
as boas famílias exigiam, com rigor que
suas moçoilas se pusessem à vista.

Vinte e duas horas era o tempo exato,
ou o mensageiro se botava a caminho,
pra confiscar da impontual Cinderela,
seus arroubados e sonhados carinhos.

Era um tempo curto para os prazeres:
beijar, dançar, abraçar, enroscar… O
lema era lucrar o máximo, assim, cada
uma tratava logo de grudar seu par.

Certa noite, a menina perdeu a hora.
Dançou, abraçou, roçou e beijou tanto,
que se esqueceu do apagar das luzes,
e do núncio postado a caminho.

O casal dançava grudadinho no salão,
fazendo juras e juras eternas de amor,
extasiados pelos hormônios da idade,
selaram com um beijo quente a união.

A menina apaixonada estava tão feliz,
que nem viu a presença do pai ao lado.
Uma leve batida no ombro sinalizou:
– Mocinha, seu tempo de folga acabou!

Pro bem da menina, o pai emudeceu,
ao transpor a rota de cinco quadras.
Carrancudo e severo seguia à frente,
sem balbuciar uma única palavra.

Meia-noite e a mocinha, coitadinha,
assentada numa cadeira de madeira,
ouvia de seu pai uma longa ladainha,
sobre como ser menina de família.

Mas a jovem estava bem longe dali,
inda na ardência dos braços amados,
aos beijos, solfejos e carícias, e ao pai
restava só a presença física ao lado.

Nota: Imagem copiada de www.alienado.net

4 comentários sobre “UMA “MENINA DE FAMÍLIA”

  1. Pedro Rui

    Como já foi mencionado, o pai se preocupava com a sua filha, pois os pais de agora não têm preocupação, o que eu chamo má educação. O poema é maravilhoso, pois menciona, amor e paixão de menina, que de tudo se perde, mas o importante lá está, o amor em extensão.
    Abraços Lu,
    Rui Sofia

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Rui

      As mocinhas de antigamente viviam nas rédeas de suas famílias.
      Ao contrário das de hoje, que vivem como bem querem.
      A menina estava apaixonada, mas vivia sob o olhar da família.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  2. Edward Chaddad

    LuDias

    Hoje é difícil encontrar um pai assim. A grande maioria, infelizmente, pouco se importa com seus filhos, deixando de impor-lhes limites.

    A juventude, como você bem enalteceu, é impulsiva, ainda não tem o controle emocional e a formação complementada, Age, assim, sem reflexão, mais pelos seus desejos e instintos, menos pela sua razão.

    Excelentes versos, que nos leva à reflexão, que hoje muitos pais se afastam. O pai buscou-lhe mostrar a razão, embora a mocinha nem o percebesse, como mostra seus brilhantes versos finais:

    Mas a moça estava bem longe dali,
    na ardência dos braços do amado,
    entre beijos, solfejos e carícias, só
    dando ao pai sua presença física.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Ed

      A maioria dos pais de hoje é muito permissiva.
      Não se preocupa com a vida dos filhos ou por quais caminhos eles andam.
      Acha que o mundo é a melhor escola.
      Mas se esquece de que é preciso prepará-los para a vida.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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