ZUZU BARATA E O GÊNIO DO GOOGLE

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Autoria de LuDiasBH

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Se não fosse por suas exigências extremadas, Zuzu Barata poderia ser considerada uma boa candidata à rainha do lar. É fato que chovia mancebos interessados em levar a moçoila para a sua alcova e a calabrear em mãe de seus filhos, quer fosse pelas muitas cabeças de bois que berravam no pasto do pai, quer fosse pela sisudez com que ela desfilava pelas ruas da cidadezinha, sem jamais bussolar o olhar para qualquer solteiro, ainda que fosse ele o genro que toda mãe queria, e coisa e tal.

Aos idosos, mulheres e crianças, Zuzu Barata ministrava uma atenção toda peculiar, oferendando-lhes sempre um dedo de prosa. Mas, se o muchacho fosse desimpedido, ela dava meia-volta, subia rua, quebrava quarteirão, atravessava ponte, só para não passar perto do varão. Muitos até palpitavam, talvez pela rejeição de que eram vítimas, que a moça não tinha no corpo nem um bago de calor, pois era feito gata castrada e, mesmo que se casasse, jamais faria uma semente germinar, ainda que o macho conseguisse fazer o falo penetrar na sua insossa caverna. Diziam outras coisas mais, que a minha criação numa família respeitosa não me deixa transmitir ao leitor, cabendo a ele imaginar isso e aquilo e muito mais.

Mas, como principiei o causo, Zuzu Barata carregava todas as coisas que uma fêmea normal possui e muito mais. Seu fogo incandescente queimava por debaixo daqueles vestidos de babados vermelhos e rendas de algodão, ardendo atarraxado, sem poder sair. O brasume tinha a dimensão de suas imposições no que dizia respeito a arrebanhar um quincas. Foi depois que seu cunhado Zeca Pavão renegou sua irmã Dulcina Barata com uma penca de sete filhos e com mais uma cria na barriga, por uma zinha qualquer, que ela tomou medo de se matrimoniar com qualquer que fosse o varão. Passou a não confiar em palavras de querença por parte de homem algum. Achava que tudo não passava de uma embusteirice do macho para aprisionar a fêmea.

Certo dia, Zuzu Barata encontrou um indivíduo vistoso, com uma antena vermelha no turbante,  trazendo no queixo um rabicho que emitia um bulício esquipático, bem na beira do rio onde ela lavava os cabelos. Não conseguindo divisar se se tratava de gente deste mundo ou do além, resolveu ficar quieta no seu canto, tremelicando, sem lhe dirigir ao menos um rabo de olho. Mas o dito apropincou-se dela, chamando-a pelo nome. Explicou-lhe que era um gênio do Cyberespace e que há muito vinha captando as suas carpiduras em busca de um marido irreprochável e, que ali estava a mando do Google, para atender seus desejos, por mais escalafobéticos que pudessem ser. Pediu-lhe então que ordenasse as qualidades do pretendido, enquanto ele interagia com o mundo virtual.

Zuzu Barata não sabia quem era aquele tal de Google, mas pelo visto tinha muito poder, a ponto de escutar até pensamento. Ou era anjo enviado de Deus ou bicho ruim lá dos Infernos. Mas isso não mais lhe importava, queria chegar aos finalmentes. Sentiu um fogo ardente espipocar em suas entranhas. As palavras pareciam esguinchar de sua boca tremida. Chegara a hora de encontrar sua cara-metade, tal e qual desejava. Não poderia perder aquela chance, talvez a única de sua vida, e se pôs a enumerar as qualidades daquele que queria por companheiro, enquanto o gênio do Cyberspace ia batendo os dedos numa caixinha cheia de botões:

  1. Quero que ele só tenha olhos para mim.
  2. Que eu seja a única mulher de sua vida.
  3. Que tome café, almoce e jante sempre comigo.
  4. Que me afague sempre ao se levantar e se deitar.
  5. Que não me deixe nem para ir ao banheiro.
  6. Que cuide de mim e me trate com devoção.
  7. Que se desespere se não me encontrar por perto.
  8. Que diga que não pode viver sem minha presença.
  9. Que me leve para todas as partes com ele.
  10. Que mostre para todos que me possui.

O gênio do Cyberspace cumpriu o que prometera, sob a bendição do porreta Google.

Logo ao amanhecer, Zezão Pechato, o vaqueiro do pai da donzela mendicante, caminhava pela cidade, louco de contentamento, com o objeto novinho em folha que havia encontrado na beira do rio e, que tinha o cheirinho de flor de laranjeira de Zuzu Barata, por quem sempre fora enfeitiçado. É fato que não sabia manejar aquele objeto, pois nunca o vira antes, mas de uma coisa tinha certeza: jamais sairia de perto dele, enquanto vida tivesse. E foi assim que, após a sumidura de Zuzu Barata, sem deixar nem rastro, que surgiu o primeiro celular na cidade de Maracá da Serra.

O acontecido com Zuzu Barata corre sob sigilo dos governos brasileiro e  norte-americano. Mesmo assim, muito cuidado com seus pedidos, pois um gênio virtual pode estar à escuta, a mando do Google.

Nota: imagem copiada de akicvmais.blogspot.com

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