A DEPRESSÃO PRECISA DE TRATAMENTO

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria do Dr. Telmo Diniz

munch1234

Quase 20% das pessoas vão apresentar depressão em algum período da vida. Ou seja, de cada dez pessoas, duas irão desenvolver a doença. E, quando o quadro se instala, se não for tratado de forma correta, costuma levar meses para melhorar. Tristeza é sintoma pontual, enquanto depressão tem um leque de sintomas. Portanto, estar triste não significa estar deprimido. Entender as diferenças e suas nuances é importante para sabermos quando a ajuda passa a ser necessária.

A depressão é uma patologia que atinge os mediadores bioquímicos envolvidos na condução dos estímulos através dos neurônios, que possuem prolongamentos que não se tocam. Entre um e outro, há um espaço livre chamado sinapse, absolutamente fundamental para a troca de substâncias químicas, íons e correntes elétricas. Essas substâncias, conhecidas por neurotransmissores, permitem a transmissão dos impulsos elétricos entre os neurônios. Na depressão, há um comprometimento desses neurotransmissores, responsáveis pelo funcionamento normal do cérebro. O mais conhecido e popular deles é a serotonina.

Já a tristeza é um fenômeno normal que faz parte da vida psicológica de todos nós. Depressão é um estado patológico. Existem diferenças bem marcantes entre uma e outra. A tristeza tem duração limitada, enquanto a depressão costuma afetar a pessoa por vários dias, semanas e até meses. Podemos estar tristes porque alguma coisa negativa aconteceu conosco, como a perda de um ente querido. Porém, isso não nos impede de reagir com alegria, se algum estímulo agradável surgir. Além disso, a depressão provoca sintomas como desânimo e falta de interesse por atividades que antes eram prazerosas. É um transtorno que pode vir acompanhado ou não do sentimento de tristeza e prejudica o dia a dia da pessoa, no trabalho e na vida social.

São muitos os sintomas da depressão. Talvez o mais evidente seja o rebaixamento do humor, que se caracteriza pelo humor melandórico, com choro fácil e “sensação de aperto no peito” (que chamamos de angústia), e que vem acompanhado de falta de ânimo e de disposição, incapacidade de sentir prazer em atividades habitualmente agradáveis, alterações do sono e do apetite, pensamentos negativos, desesperança, desamparo, etc. Esses sintomas podem variar em graus de complexidade e, portanto, necessitam de acompanhamento médico e/ou psicológico.

Já na tristeza temos algo “mais palpável”, pois temos um fator identificável (como uma desilusão amorosa, por exemplo). É um estado emocional transitório, tende a resolver por si e não interfere na rotina da pessoa. Portanto, tristeza passa. Depressão vem pra ficar. É doença e necessita de tratamento. Fique atento e procure ajuda aos primeiros sintomas.

Nota: Cinzas, obra de E. Munch

10 pensou em “A DEPRESSÃO PRECISA DE TRATAMENTO

  1. João Almeida Autor do post

    Lu

    Quero lhe agradecer o maravilhoso trabalho que faz no seu blogue, sobretudo, pela forma como ajuda tanta gente com problemas psíquicos. Eu também os tenho.

    Gostaria que me tirasse uma duvida, por favor.

    Eu faço psicoterapia há 10 anos e na altura tratei de uma depressão, juntamente, com o tratamento psiquiátrico. Fiquei totalmente bom, tinha a síndrome obsessiva compulsiva e depressão, mas me recuperei totalmente. Tenho uma vida normal. Nunca tive tanta vontade e prazer em viver.

    Faz uns meses a esta parte, senti ataque de pânico, mas muito leves. Fui ao psiquiatra e ele me receitou o escitalopram. Os efeitos adversos foram tão insuportáveis que pensei em desistir. Só consegui suportar os medicamento com a ajuda de um ansiolítico e aí tudo bem.

    O psiquiatra quer aumentar a dose de 10 para 20 mg, terei novamente os efeitos adversos? Posso tomar o ansiolítico para não os ter? Porque os médicos deixam os pacientes sofrerem tanto se com o ansiolítico tudo se torna bem suportável?

    Muito obrigado por tudo! Considero pessoas como você , anjos!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      João Almeida

      É um grande prazer recebê-lo neste cantinho. Sinta-se em família.

      Amiguinho, a leve presença de um ataque de pânico, quando não há motivo real para que ele aconteça, é uma advertência no sentido de que a dosagem está baixa ou o medicamento está perdendo o efeito. Normalmente o psiquiatra aumenta a dosagem ou muda de antidepressivo. Muitas vezes ele opta por um medicamento mais novo no mercado e que vem trazendo uma ótima resposta.

      Você não me disse, mas ao que me parece, não tomava antidepressivo até então. Como sabe, a depressão, quando não causada por um fato real (morte, separação, perda de emprego…) ela é recorrente. Some por um bom tempo e, quando a gente menos espera, lá vem essa visitante não desejável. Imediatamente é preciso buscar ajuda médica, antes que ela ocupe um cômodo de nossa casa e depois tome-a toda.

      Eu também faço uso do oxalato de escitalopram há mais de cinco anos e sinto-me muito bem. Posso lhe dizer que foi o antidepressivo que mais me fez bem e de mais longa duração. O meu organismo adaptou-se muito bem ao medicamento, desde o início, sem que fosse necessário o uso de ansiolítico, mas aqui no blogue há muitos comentários de leitores que tiveram que fazer uso do ansiolítico (deve ser usado apenas na fase inicial do tratamento, para que o organismo não vicie).

      Como o antidepressivo trouxe-lhe efeitos adversos muito fortes, veja com seu médico se não é possível aumentar a dosagem aos poucos (em gotas). Contudo, saiba que terá efeitos adversos com a dosagem de 20 mg, mas não tão fortes como antes, pois seu organismo já está se acostumando com o medicamento. Pode tomar, sim, o mesmo ansiolítico, até que os efeitos ruins passem.

      O psiquiatra não deve receitar o ansiolítico junto com o antidepressivo, porque nem todas as pessoas sentem necessidade dele (como foi o meu caso). Faz-se necessário acompanhar a reação do organismo. E se os efeitos adversos forem insuportáveis, o calmante é necessário, sim, até passar a fase aguda. Lembre-se de que algumas reações deverão ser comunicadas ao médico, para que ele veja se estão dentro da normalidade, ou se o usuário precisa romper com o medicamento.

      Amiguinho, agradeço muitíssimo suas palavras carinhosas. Foi por ter um histórico familiar muito grande de doenças mentais, sendo eu uma das vítimas, que pensei em abrir este espaço para ajudar as pessoas, pois senti na pele que as informações médicas são mínimas (consultas apressadas), deixando o paciente inseguro. Gostaria que continuasse a trazer-me notícias suas. Certo? Não se sinta só!

      Abraços,

      Lu

      Responder
        1. LuDiasBH Autor do post

          Correa

          Os comentários só são liberados depois que eu leio e respondo. Já está lá!

          Abraços,

          Lu

  2. Luciana

    Lu

    Comecei a ter sintomas depois de uma cirurgia de estética, foi um período sombrio em minha vida. Relutei muito até procurar ajuda, e no final de 2014 resolvi procurar um psiquiatra. Comecei meu tratamento em 2015, uso até hoje o eficentus 10 mg e só faço uso de remédio para dormir quando estou muito ansiosa. Atualmente tenho tido picos de pressão alta, ondas de calor e esquecimentos recentes. Tenho que fazer lembretes, guardo a chave na bolsa e depois não me lembro se guardei. Será que são efeitos colaterais do remédio? Amanhã terei consulta com meu psiquiatra para informar desses sintomas.

    Obrigada!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Luciana

      Seja bem-vinda a este cantinho. Sinta-se em família.

      Amiguinha, os antidepressivos trazem consigo efeitos adversos no início do tratamento, mas que após três semanas, normalmente, desaparecem, portanto, depois de tanto tempo de uso, você não mais sofre de efeitos adversos. O que pode estar acontecendo é que a dosagem esteja baixa. Quanto ao esquecimento, você não me disse que tipo de ansiolítico está tomando para dormir. Sei que alguns, como o rivotril e o alprazolam, por exemplo, depois de muito tempo de uso podem levar ao esquecimento. Veja isto com seu médico. Conte-me como foi o retorno ao médico.

      Abraços,

      Lu

      Responder
      1. Luciana

        Lu
        Obrigada pela resposta e carinho. Eu uso remédio para dormir quando estou muito ansiosa, já usei muito o stilnox e atualmente estou usando muito pouco o patz. Fui ao médico hoje, mas ele não associou os sintomas aos remédios. Mas gostaria de saber sua opinião. Obrigada desde já.

        Luciana

        Responder
        1. LuDiasBH Autor do post

          Luciana

          Assim como seu médico, acredito que, pelo tempo de uso do antidepressivo, não tem mais nada a ver com os sintomas adversos, conforme lhe disse no comentário anterior. Sugiro que vá a um clínico geral e fale-lhe sobre o que vem sentindo. Queria também que lesse toda a bula do remédio para dormir e tentasse identificar se tem a ver com seus sintomas. Veja:

          https://consultaremedios.com.br/stilnox/bula

          Abraços,

          Lu

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *