Almeida Júnior – RECADO DIFÍCIL

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Autoria de LuDiasBH

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A composição Recado Difícil, obra do artista brasileiro Almeida Júnior, é mais uma de suas telas consagradas à temática infantil, sendo esta pintada dentro do universo do caboclo, onde estão presentes duas figuras humanas: uma mulher e um garotinho.

O menino, aparentando ter entre 8 e 12 anos, ocupa o primeiro plano da tela, e se encontra em frente a uma casa de pau a pique. Está humildemente vestido com uma calça amarrada na cintura, cujas pernas estão dobradas um pouco abaixo dos joelhos. Veste uma camisa branca de mangas compridas, aberta na gola, caindo sobre a calça. Traz nas mãos um chapéu preto, junto ao corpo, e tem a cabeça baixa, denotando, ao mesmo tempo, reverência e timidez. Seus pés estão descalços e maltratados.

Encostada na porta de madeira tosca, uma mulher, vestida com uma saia que lhe cobre os pés, blusa de manga comprida e xale vermelho, observa o garoto. Não dá para saber se é ela quem dá o recado ao menino ou é quem o recebe. O fato é que ele se mostra extremamente acanhado, comportamento bem peculiar às crianças do meio rural, naquela época.

A posição vertical da maioria dos elementos da obra conduzem o observador ao garoto, dele passando para a figura da mulher.

Ficha técnica
Ano: 1895
Dimensões: 139 x 79 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo do Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil

Fonte de pesquisa
Almeida Júnior/ Coleção Folha

6 pensou em “Almeida Júnior – RECADO DIFÍCIL

  1. Valdeci Ferreira

    Eu gosto muito desta obra, porque me associo a ela. Quando eu era criança, abaixo dos sete anos, no interior do Maranhão, onde eu nasci, fui encarregado de ir à casa da minha avó dar a notícia de morte de uma criança, um pouco mais nova do que eu.

    Na casa da minha vó, naquela ocasião, tinha outra senhora com ela, de visita. E ela me perguntou quantos anos eu tinha. Ao saber que eu não completara ainda sete anos de idade, aquela senhora disse que criança abaixo daquela idade que levasse notícia de morte de outra criança não chegaria aos sete anos viva. Aí que fiquei triste, talvez como esse menino da obra. Mas para as graças de Deus, ainda estou vivo. Esse fato se passou em 1969.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Valdeci

      Esta obra é mesmo muito bonita, dotada de grande sensibilidade. O pintor Almeida Júnior era muito talentoso. É uma pena que tenha tido uma morte trágica.

      Imagino como você deve ter ficado, tendo aquela idade, com a informação daquela senhora… risos. A carga de superstição das pessoas antigamente era terrível. Viviam sempre amedrontadas e ainda aterrorizavam os outros. Ainda bem que hoje os tempos são outros.

      Gostei muito da sua presença no site. Volte mais vezes.

      Abraços,

      Lu

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  2. Joka Teixeira

    Essa tela é uma das obras de Almeida Júnior considerada por muitos, como premonitória, já que algum tempo depois, o artista seria assassinado por estar vivendo um amor proibido (um triângulo amoroso). O menino da imagem teria sido encarregado de levar à amada do artista, o recado difícil, de avisar sobre a morte do pintor. Outra obra dele considerada também premonitória, é um quadro chamado SAUDADE, que apresenta uma imagem em que a amada do artista está lendo uma carta, com aspectos faciais carregados de tristeza e de saudade.

    Abraços,

    Joka Teixeira

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Joka

      Achei muito interessante esta sua análise. Tem realmente tudo a ver com o que, posteriormente, aconteceu ao artista, em relação à sua vida afetiva. Muito obrigada pelo acréscimo ao texto, assim como por sua presença aqui.

      Será sempre prazeroso tê-lo conosco.

      Abraços,

      Lu

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  3. Edward

    LuDias

    O recado foi difícil, seja quem for que o passou. Mas o interessante na obra – penso – é a existência na tela, do exemplo de respeito ao ser humano, que saltita aos olhos e, que deveria ser o exemplo maravilhoso para a nova geração.

    Abraços

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Ed

      A criança mostra-se extremamente respeitosa, diante da senhora. Assim eram as crianças daquela época. Hoje em dia, é lamentável ver como elas vêm se tornando desrespeitosas no nosso país. Os pais perderam a noção de como se educa, usando de uma liberalidade inaceitável. Coisa que não acontecia naquela época.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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