Arquivo da categoria: Analisando Fábulas

Recontando as mais diferentes fábulas de Esopo, Fedro, La Fontaine, Monteiro Lobabo, dentre outros, situando-as em nosso cotidiano, mas mantendo seus fundamentos morais. Abaixo da fábula, um texto reflexivo sobre o tema.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (VII)

Recontadas por LuDiasBH

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  1. A Gralha e o Grou

A gralha e o grou combinaram proteger-se mutuamente. Ele a defenderia de outras aves e ela, tida como adivinha, contar-lhe-ia o que estava por vir. E assim viviam tranquilamente, até que um dia foram para um campo com cereais a germinar. A gralha ficava de olho no agricultor. Sempre que ele pedia uma pedra ao empregado, ela avisava ao grou para safar-se. Na quinta vez, porém, o homem descobriu que havia um trato entre os dois, e combinou com o servo que, quando lhe pedisse uma enxanda, desse-lhe uma pedra. E assim conseguiu quebrar uma perna do grou.  Ferido, esse cobrou da gralha seus dotes adivinhatórios. Ela lhe respondeu: “Não tenho culpa, se os malvados são sempre traiçoeiros.”.

Moral da história:
Não é possível acreditar naqueles que falam uma coisa e fazem outra totalmente diferente.

  1. A Perdiz e a Raposa

A perdiz estava em cima de um toco, quando se aproximou dela uma raposa, que logo  pôs-se a elogiar a emplumada: “Como você é maravilhosa, suas penas são as mais lindas que conheço. Seu rosto é perfeito. Aposto que dormindo ainda é mais bela.”. Extasiada diante de tanto elogio, a perdiz fechou os olhos, sendo abocanhada pela raposa. Vendo-se em perigo, a vítima disse: “Como você é hábil. Que mente talentosa e inventiva tem. Morro feliz ao ser devorada por ser tão inteligente. Mas, por favor, diga antes o seu nome.”. A raposa, acreditando ser merecedora de tantos louvores, não quis negar o pedido da perdiz. Ocasião propícia para que essa fugisse.

Moral da história:
Os tolos, ao serem incensados por falsos elogios, dormem, quando deveriam ficar acordados, e falam, quando deveriam permanecer calados.

  1. A Serpente e o Lavrador

Uma serpente ia todos os dias comer as sobras de um pobre lavrador, sem que um fizesse mal ao outro. Mas o indivíduo, de uma ora para outra, ficou rico, ao encontrar um tesouro no quintal de sua cabana, à flor da terra. Cheio da presença da serpente, o novo rico feriu-a com o facão, para que fosse embora. Não tardou a ficar pobre de novo. Espalhou-se a notícia de que fora o ofídio que arrastara o tesouro até seu quintal, para que o encontrasse.  Pôs-se o pobretão a suplicar à cobra que o perdoasse e voltasse para sua casa. Ela lhe respondeu: “Eu perdoo sua maldade, mas a confiança eu não a terei, enquanto as cicatrizes da minha ferida não desaparecerem por completo.”.

Moral da história:
A ingratidão é como uma cicatriz indelével, que jamais será esquecida, ainda que  anos e anos passem.

  1. O Leão e o Pastor

Estava o rei da selva a andar pelos prados, quando um espinho enfiou profundamente na sua pata. Desesperado, correu até um pastor, que lhe retirou o motivo de seu sofrimento. Tempos depois, o pastor foi penalizado por um crime que não cometera, sendo jogado às feras. Mas o leão, o mesmo que fora ajudado, levantou a pata e colocou-a no seu colo, não deixando animal algum dele se aproximar. Ao saber disso, o rei poupou o bom pastor, acreditando na sua inocência, e enviando-o de volta para sua família, levando um saco de moedas de ouro.

Moral da história:
Quem tem bom coração nunca se esquece do bem recebido, e sua gratidão é eterna.

  1. O Gavião sem Palavra

Certo gavião, ao pousar sobre uma árvore para apreciar o tempo, ali encontrou um ninho de rouxinol. Os filhotinhos dormiam tranquilamente o sono dos inocentes. Mas não tardou a chegar a mãe laboriosa, sempre em busca de alimento para suas crias. Ela logo propôs ao gavião cantar-lhe uma linda canção, desde que esse não comesse seus bebês. Ela cantou minutos a fio, mas ao final, o carniceiro alegou que cantara muito mal e, portanto, o trato estava desfeito. Agarrou um dos filhotes com suas garras imundas, e já se preparava para estraçalhá-lo, quando um caçador acertou-o pelas costas.

Moral da história:
Aquele que perpetra ou maquina maldade, atrai-a para si com a mesma intensidade, pois, de acordo com a lei do universo, nada fica impune.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (VI)

Recontadas por LuDiasBH

macarinO Pastor e a Jovem Cabra

Certo pastor, chateado por não estar recebendo o pagamento devido pelo patrão, resolveu descontar sua raiva numa inocente cabra. Como a coitadinha tivesse, por engano, desviado-se do rebanho, ele bateu forte nos seus tenros chifres com o cajado, arrebentando um deles. Amedrontado com o que fizera, pôs-se a implorar à cabra para que nada contasse ao dono. Ao que ela respondeu-lhe: “Fui injustamente agredida, mas nem por isso eu o denunciaria. Contudo, ao ver-me com um dos chifres quebrados e com a cabeça inchada, o patrão haverá de descobrir o acontecido.”.

Moral da história:
As más ações acabam sempre por denunciar o malfeitor, pois, mais cedo ou mais tarde, nada há que fique impune nesta vida.

  1. A Gralha e a Ovelha

Estava uma ovelha a pastar tranquilamente, quanto uma gralha desceu sobre seu dorso e picou-a com indisfarçável maldade. A ovelha indefesa, disse à ave prepotente: “Se fizesses isso ao cão, que tem dentes afiados e volta o corpo com facilidade, pagarias um alto preço.”. Ao que arrematou a tirânica: “Nutro desprezo pelos fracos, mas admiro os fortes. Sei a quem provoco e com quem me desmancho em adulação.”.

Moral da história:
Os que são abusados com os fracos, desmancham-se em agrados com os mais fortes, pois só agem por interesse próprio.

  1. Os Testículos do Castor

Um castor viu-se acossado por meia dúzia de cães, instigados por um cruel caçador. O animalzinho já não mais aguentava correr, vendo a morte aproximar-se cada vez mais.  Um laivo de lucidez, quiçá ajuda dos deuses, levou-o a cortar e jogar fora os testículos, pois pensava ser essa a causa de tamanha perseguição. O caçador, ao encontrar o que buscava como remédio, chamou os cães de volta para casa, salvando-se o castor, ainda que a duras penas.

Moral da história:
Se o homem tivesse coragem para renunciar aos prazeres da vida, certamente viveria com maior tranquilidade, pois ninguém inveha os que nada possuem.

  1. A Cotovia e a Raposa

A cotovia já estava se preparando para pousar num arbusto, quando se depara com uma raposa ali bem próximo. Imediatamente voa mais alto, enquanto aquela lhe diz fingidamente: “Amiga, não fuja! Quero levá-la ao campo, onde existe muitos grilos e gafanhotos. Irá se fartar!” Ao que lhe respondeu a esperta cotovia: “ Fala bonito, amiga, porém, nos campos não somos iguais. Suba aqui nas alturas e poderemos conversar.”.

Moral da história:
A esperteza quando é grande demais acaba por denunciar as más intenções de seu dono.

  1. Os Galos e o Gavião

Dois galos andavam em permanente contenda. O mais esperto arranjou um gavião como juiz, quando, na verdade, esperava que esse devorasse seu oponente. Teriam que declinar diante do justiceiro as causas da arenga. Mas, enquanto o esperto falava, o gavião botou nele suas possantes garras. Em vão ele gritava: “Você se enganou, tem que pegar aquele que se encontra em fuga.”. Ao que lhe respondeu o falso juiz: “Aquilo que preparaste para o outro é mais do que justo que também proves.”.

Moral da história:
Aquele que premedita a desgraça alheia, jamais imagina que também pode cair na teia urdida.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (V)

Recontadas por LuDiasBH

saprinO Campeão Esportivo e seu Concorrente

O sábio, após o término dos jogos Olímpicos, aproximou-se de um campeão, que se mostrava visivelmente presunçoso, e perguntou-lhe se era mais forte do que o rival. O jovem prontamente respondeu que era muito mais forte, tanto é que ganhara a competição. O sábio então questionou: “Que mérito há em vencer alguém muito mais fraco? Trar-lhe-ia mais admiração, se você dissesse que venceu alguém mais forte. “.

Moral da história:
A vaidade excessiva do vencedor, ao desacreditar seu adversário, tira o mérito de sua vitória.

  1. A Mulher, o Corpo do Marido e o Soldado

Certa mulher, ao perder seu amado marido, exigiu que seu corpo fosse embalsamado e colocado num sarcófago em seu quarto. Ali permanecia dia e noite, banhada por abundantes lágrimas. Próximo à casa, quatro ladrões foram crucificados por terem profanado o templo de Júpiter. Um soldado fazia a sentinela no local. De uma feita, foi pedir água na casa da mulher, sendo atendido pela serviçal. Mas ainda assim, a viúva viu seu vulto deslumbrante e por ele se apaixonou. De tanto ir pedir água, os dois acabaram se tornando amantes. Mas um dia, ao voltar para seu posto, o sentinela viu que faltava um corpo. Sabia que seria crucificado por isso. Contou à mulher o ocorrido, assim como o castigo que receberia. E ela prontamente cedeu-lhe o corpo do marido antes pranteado.

Moral da história:
A paixão desmantela qualquer virtude, toldando a razão dos apaixonados.

  1. A Javalina e o Lobo

Encontrava-se a javalina com as dores do parto, rolando na terra de um lado para o outro, quando passou pelo local um lobo, que prontamente ofereceu-lhe ajuda, dizendo-se o melhor parteiro da região. E mais, não lhe cobraria absolutamente nada, após trazer suas crias ao mundo. A javalina, que já conhecia a fera, pediu-lhe que dali se afastasse, antes que chegasse o pai de seus filhos.

Moral da história:
Mesmo nos momentos de extrema dificuldade é preciso saber em quem confiar, para que, passadas as atribulações, outras maiores não estejam a caminho.

  1. O Gênio da Fome

Eram tempos difíceis na floresta, pois imperava uma prolongada estiagem. O urso, já não mais sabendo o que fazer para subsistir, teve um “insight”. Correu para o rio, pegou uma pedra e mergulhou calmamente sua pata peluda na água, segurando-a. E ali ficou imóvel, por alguns minutos, depois dos quais retirou a pata d’água, cheia de camarões agarrados a seu pelo.

Moral da história:
A bruteza da fome aguça os sentidos e, em razão dela, muitos crimes são cometidos sem o real querer do sujeito a seu comando.

  1. O Viajante e o Corvo

Andava um homem apressado pelo campo, em razão de uma tempestade que se avizinhava, quando ouviu uma voz dizendo: “Ave!”. Ele parou e aguardou que alguém se manifestasse. Mas nada! Resolveu prosseguir no seu caminho. E de novo repetiu-se a mesma voz. E novamente ele parou, retirou seu facão e ficou à espera, pois poderia ser um malfeitor. Mas um corvo sobrevoou-o exclamando: “Ave!”. Ao homem, visivelmente indignado, só restou correr em busca de abrigo, pois o tempo perdido permitiu que desabasse a tempestade sobre ele.

Moral da história:
Muitas vezes as palavras não passam da mais pura enganação, para atrapalhar a vida dos crédulos, por isso, é preciso muita reflexão para não ser ludibriado.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (IV)

Recontadas por LuDiasBH

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  1. A Capivara e a Raposa

Houve um tempo em que a cauda das raposas crescia muito, caso lhe fosse tirado um pedaço. Como as unhas, ela era reposta pela natureza. E foi por isso que uma capivara resolveu pedir humildemente à primeira, um pedacinho de seu rabi para tapar sua traseira, por motivos de pudor. A raposa respondeu-lhe que preferia ver sua cauda dar incontáveis voltas em torno da floresta do que dela tirar uma mínima parte. Na manhã seguinte, ela amanheceu sem metade dela, abocanhada por um cachorro-do-mato.

Moral da história:
O avarento não abre mão nem mesmo do muito que lhe sobra, ainda que o excesso traga-lhe perigo de vida.

  1. O Homem e o Deus Júpiter

O deus dos deuses chamou todos os outros para uma assembleia. Trazia na mente o desejo de presentear o homem com a força do elefante, o salto do leão, a imponência do touro, a docilidade do cavalo e a longevidade da tartaruga. Os outros deuses, no entanto, declinaram da oferenda, pois mesmo sem gozar de tais predicados, o homem já era o animal mais arrogante, ambicioso e maquiavélico da Terra. Haveria de exterminar todas as outras espécies.

Moral da história:
Aos insensatos só se deve dar o estritamente necessário para sua sobrevivência, a fim de que não aumente sua vil prepotência sobre os pequenos.

  1. A Verdade, o Engano e a Mentira

Prometeu, herói da mitologia grega, modulou em argila a Verdade para dá-la ao Homem. Tendo que sair, deixou-a sob a guarda do Engano, seu aprendiz, que pegou do que sobrara da argila e fez uma cópia semelhante, faltando-lhe, porém, os pés, pois o material havia acabado. As duas estátuas foram cozidas no forno, sendo-lhes acrescida a alma. A Verdade era lenta e prudente em seus atos, enquanto o Engano mal se mantinha de pé, mas fazendo o que bem entendia. Em razão de suas ações impensadas e enganosas, a segunda passou a ser chamada de Mentira. E é por isso que ainda hoje dizem que ela possui pernas curtas.

Moral da história:
As aparências enganam apenas no começo, mas não tarda para que a mentira tome a sua verdadeira forma, e apronte suas malvadezas.

  1. O Escritor Vaidoso e o Sábio

Certo escritor foi em busca de um sábio, para quem leu seus péssimos escritos. Neles, tecia mil loas a si mesmo, numa vaidade sem limites. Ao terminar a leitura, exultante, pediu o parecer do velho sábio, que lhe disse sem rodeios: “A mim não importa nem um pouco os louvores que teces a ti, já que a eles nenhuma pessoa iria dar ouvidos.”.

Moral da história:
O vaidoso não possui autocrítica, pois seu ego inflado foge ao bom senso, e exige admiração constante, para que o seu dono possa existir.

  1. O Bezerro Novo e o Boi Velho

Um camponês colocou na mesma parelha um boi e um bezerro. O desajuste dos tamanhos causava incômodo ao pescoço do boi, que atribuia isso às suas forças enfraquecidas. Mas o camponês alertou-o de que sua presença ali não dizia respeito ao trabalho, mas tinha objetivo de domar o caráter furioso do bezerro que, com o coice e o chifre, maltratava seus iguais.

Moral da história:
É de pequenino que se torce o pepino, pois os pais que não dobram o caráter violento dos filhos, poderão se preparar para os dissabores que virão.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (III)

Recontadas por LuDiasBH

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  1. A Batalha Entre Ratos e Doninhas

Os ratos e as doninhas entraram em guerra. As escaramuças eram diárias. De uma feita, as doninhas estavam em grande vantagem e puseram-se a perseguir os ratos, aniquilando os que não conseguiam fugir. Os chefes dos roedores levavam na cabeça vistosos penachos, para se distinguir dos soldados. Na confusão, o distintivo que mostrava a nobreza dos maiorais, também lhes causou a morte, ao entalar-se nas diminutas passagens.

Moral da história:
Os superiores, em tempos ruins, correm sempre mais perigo, pois o populacho, acostumado às dificuldades, sobrevive em em meio aos contratempos.

  1. A Serpente e a Lima

Uma serpente ficou presa numa oficina de ferreiro. Quando a fome apertou, pôs-se a procurar algo para comer. Nada encontrou. Raivosa, pôs-se a morder uma lima de aço. Insultada, a ferramenta zombou dela, dizendo: “Insensata, seus dentes não possuem poder nenhum sobre mim, acostumada que sou, a limar até o aço.”.

Moral da história:
Para um valentão, nada como encontrar outro valentão e meio.

  1. O Leão e o Macaco

O leão, durante certo tempo, foi um equânime soberano. Mas para o azar de seus súditos, num certo dia, seu instinto brutal reapareceu. Ele passou a devorar os animais que chamava para visitá-lo, contudo, abria mão daqueles que tinham um hálito fédito. Ao exigir que o macaco fosse visitá-lo, perguntou-lhe como era seu hálito. Esse ficou um longo tempo a enaltecê-lo, falando que tinha o cheiro de cinamomo, canela e alecrim. À noite foi servido como jantar ao rei da floresta.

Moral da história:
Aquele, que muito conversa, acaba dando com os burros n’água.

  1. O Júri e o Camponês

Certo rei, para comemorar seu aniversário, levou ao reino vários artistas, entre eles, inúmeros imitadores. Propôs um prêmio para aquele que melhor imitasse o grunhir de um porco. No segundo dia dos festejos, um camponês, a título de brincadeira, quis também participar das imitações. Debaixo de suas vestes escondeu um porquinho. Na hora da apresentação puxou-lhe a orelha, soltando o animal um forte grunhido. Mas o júri gritou para que ele saísse do palco, pois o seu grunhido era por demais falso. Ele então levantou a capa e exclamou: “Este porquinho comprova a justeza do juízo dos senhores. Eu só queria testá-la.”.

Moral da história:
Da justiça, o pobre só conhece os castigos, pois mesmo quando está certo é tido como errado.

  1. O Novilho e o Touro

Estava um vigoroso touro tentando passar por uma entrada estreita do curral, para fugir do pé- d’água que caía. Debatia-se de um lado e outro, ferindo-lhe o lombo. Um novilho, vendo a dificuldade pela qual passava o touro, deixou o ambiente coberto do lugar em que se encontrava, e foi ensinar-lhe como entrar. Mal se viu dentro do local, o touro disse rudemente ao seu benfeitor: “Eu não te pedi ajuda. Quando nasceste eu já fazia isto!”.

Moral da história:
A arrogância só prova o quanto se é inferior.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (II)

Recontadas por LuDiasBH

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  1. O Homem e o Cão Raivoso

Certo homem foi mordido por um cão raivento. Da possante dentada, que feriu sua perna, escorria um sangue rubro e grosso. A vítima tirou da sacola um pedaço de pão, molhou-o no sangue, e atirou-o ao animal que o abocanhou com prazer. Alguém que por ali passava, alertou-o para o perigo que correra, podendo ser comido vivo, se ali estivem mais cães.

Moral da história:
O agrado feito aos malvados é um incentivo a seus iguais para a prática do mal.

  1. O Pedinte Malcriado

Vinha um homem humilde pela estrada, quando se encontrou com um pedinte, que lhe lançou uma pedra. Ainda assim, o bom homem deu-lhe uma moeda. E disse-lhe, porém, que estava a vir pela estrada um homem muito rico e poderoso e, se nele também atirasse uma pedra, ganharia uma boa soma ainda maior. A audácia do mendigo resultou numa boa sova, o que lhe serviu de lição.

Moral da história:
O sucesso, obtido com um, pode ser a perdição com outro, portanto é preciso vigiar para que o hábito do caximbo não deixe a boca torta.

  1. A Mosca e a Mula

Em razão do peso excessivo, certa mula puxava lentamente uma carroça . Uma mosca, que pousou no seu carro, depois de proferir mil maldições, ameaçou picar o pescoço daquela que se encontrava na labuta, caso não andasse mais rapidamente. A mula respondeu-lhe que ela não a amendrontava e, que dali se arredasse, carregando sua fútil arrogância.

Moral da história:
Quem fala o que quer, também deve estar preparado para ouvir o que não quer.

  1.  O Sábio e Suas Riquezas

Certo sábio nada tinha de bens material, mas tão somente aquilo que carregava: conhecimento. Viajando pelos confis da Ásia, ali se enriqueceu com os cânticos que compunha. Quando voltava para sua pátria, uma forte tempestade fez o navio naufragar. Os viajantes tentavam levar suas riquezas, menos ele, que se pôs ao mar, dizendo que tudo que possuía já estava consigo. Alguns morreram atracados a seus bens, outros foram roubados por ladrões e passaram a mendigar. Mas o erudito foi acolhido por um literato, que lhe deu roupa, dinheiro e criadagem, merecidas honrarias por seus sábios ensinamentos.

Moral da história:
O saber é a maior das riquezas, pois, além de não ser roubada, nenhuma outra a ela se iguala.

  1. A Montanha e o Rato

Certa montanha rugia assustadoramente havia três dias. Seus estampidos eram ouvidos a quilômetros de distância, amedrontando todos os moradores em torno. Esperava-se o pior. Três cientistas foram despachados para o local, para buscarem as causas de tal alarde. Os homens rodearam-na, sem que nada encontrasse até que de um pequeno buraco surgiu um rato. Daí em diante a montanha acalmou-se e adormeceu.

Moral da história:
Alguns fazem muito estardalhaço por uma coisinha à toa, melhor seria que se calassem.