LAVÍNIA E AS QUATRO FRANGUINHAS

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Autoria de LuDiasBH hila1234

São quatro as franguinhas:
Matilde, Zelinda, Vestal e Maria.
Convivem saltitantes pelo quintal.
Ciscam aqui, ali e mais bem acolá.
– Venham cá, minhas amiguinhas,
Eu lhes trouxe milho no avental.

Esta é a linda cozinheira Lavínia.
Ó amável criatura e santa pessoa!
Ó amiga generosa, sincera e legal,
que mais parece uma boa fadinha!
O que seria das quatro mocinhas,
sem o milho, sem ela e o avental?

– Zelinda, Maria, Vestal e Matilde
Venham cá, minhas lindas pequenas,
hoje vocês têm um carinho especial.
Vou lhes afagar as penas e o pescoço,
mas, por favor, não façam alvoroço

fala a criada com sua voz nasal.

Ninguém mais ouviu falar das franguinhas.
Lavínia não mais chamava pelas mocinhas.
As quatro parecem ter tido um destino fatal.
Uns dizem que foram comidas por raposas;
outros, que elas fugiram do seboso poleiro.
No terreiro só se ouve um blá-blá-blá geral.

Até que um dia, viram um retrato da criada,
tufosa, com seu avental e vestido cor-de-rosa.
Trazia nas mãos um enorme espeto de metal.
Enfiadas nele, estavam as quatro franguinhas,
branquinhas e nuinhas, as quatro coitadinhas:
Matilde, Zelinda, Maria e Vestal.

Nota: A Cozinheira – Pieter Aertsen

6 comentários em “LAVÍNIA E AS QUATRO FRANGUINHAS

  1. Edward Chaddad

    LuDias
    No tempo de criança vi, com frequência, a mortandade dos frangos. Deixavam a galinha por último, pois legava-nos ovos. No final, ainda depois de idosa, a panela era ainda o seu destino, pois servia para uma sopa. Isto tudo, LuDias, era natural e ninguém achava que era errado ou horripilante. Agora, acredito que a humanidade está fazendo reflexões mais fortes sobre tudo e todos. E chegou a vez de meditar e de pensar sobre esta fábrica de vidas e mortandades infindas, com requintes de maior crueldade possível.Desta forma, muitas pessoas de meu convívio, inclusive minha filha Marcela Cristina, não fazem mais uso de carne para se alimentar, pelos pensamentos horrorosos que habitam seu espírito.

    Por outro lado, o aumento do consumo de carne, inclusive cientes das condições horríveis do abate, parece-me estar trazendo-nos também, cada vez mais, em certas pessoas, o cultivo de sentimentos de desrespeito pela vida humana, pois, cada vez mais, crescem os assassinatos, coisas de homens primitivos.

    Vou compartilhar este texto no Facebook. Pouco fico nele, alguns minutos, buscando desejar votos de felicidades e saber notícias de meus parentes e amigos mais próximos. Mas é importante difundir seus versos, que irão ter abrigo em muitos corações humanos, hoje voltados para a proteção dos animais.

    Abraços

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Ed

      Será uma honra ter meu poema compartilhado por você.
      Quem sabe, com pequenos gestos, consigamos mudar muitas pessoas…

      Transmita o meu abraço a Marcela e a todos os membros de sua família que abriram mão de comer carne.
      São seres especiais.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  2. Cristine

    Olá Lu querida!!!!

    Quem me avisou deste presente original e delicioso (no sentido literário, prefiro as lindas franguinhas vivas) foi o Edward. Adorei a lembrança e o poema, obrigada pelo carinho!

    Acho que se seguíssemos o costume do finado Ned Stark (do livro e série Game of Thrones), muitas vidas seriam poupadas. No começo do livro ele diz que “o homem que dita a sentença deve manejar a espada. Se tirar a vida de um homem, deve olhá-lo nos olhos e ouvir suas últimas palavras. E se não conseguir suportar fazê-lo, então talvez o homem não mereça morrer”. Dizem que se os matadouros tivessem paredes de vidro, mais pessoas seriam vegetarianas. Como conseguir comer um bichinho que se conhece pelo nome? Melhor deixar as franguinhas viverem! 🙂

    Grande beijo!!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Cris

      Você é uma dessas pessoas maravilhosas que a gente encontra pela vida e não quer perder.
      Mais uma vez, receba o abraço de todos nós, amigos do Vírus da Arte & Cia.

      No momento estou fazendo uma correção de um livro que o meu irmão irá editar sobre animais da Amazônia.
      Confesso que tem sido difícil para mim, ler certas coisas que o homem vem fazendo aos animais, mesmo ali, naquele paraíso.

      Que pensamento lindo:

      “o homem que dita a sentença deve manejar a espada. Se tirar a vida de um homem, deve olhá-lo nos olhos e ouvir suas últimas palavras. E se não conseguir suportar fazê-lo, então talvez o homem não mereça morrer”.

      Beijos,

      Lu

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  3. Hila Flávia

    Ai, Lu, que dó! Vou acabar que nem um genro meu, que não se alimenta de nenhuma ave. Por causa de uma coisa assim. Ele criou um frango desde pintinho que, depois de crescido, parou na panela. Ficou traumatizado. E se a gente pensar um pouco, vira mesmo vegetariano. Mas pode piorar a situação se acabar como outro parente meu, que passou a ter pena de tomates, alfaces, batatas e verduras que ele plantava. Achava tudo tão bonito que tinha pena de tirar do pé. Hoje estou dramática e acabo me alimentando com cápsulas, caso não pesquise de onde saiu a formulação delas. Tudo isto para dizer que gostei do texto. Bjs

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Hila

      Eu deixei de comer carne depois de me conscientizar de que os animais são nossos irmãos de passagem pelo planeta Terra. E ao ver a maneira cruel como eles são mortos.Coisa que me aterrorizava desde criança. Ainda trago os gritos de porcos sendo apunhalados e o estalo dos pescoço de aves, nos meus ouvidos.

      Hoje, nem vou à fazenda de meus parentes, onde a tônica é o churrasco.
      Não entro em açougues, churrascarias e nem passo na seção de carnes nos supermercados. E já disse ao meu marido que a única razão para eu me separar dele seria saber que matou um animal.

      Nada me machuca mais do que ver animais maltratados.
      E tenho medo de gente que diz não gostar de bichos.
      Quanto aos vegetais, eles renascem…

      Beijo no coração,

      Lu

      Responder

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