O HOMEM E OS TRÊS REINOS

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

seca1

Um vento gélido entra pela janela de minha alma,
embora lá fora o céu esteja azulzinho como safira.
Folhas secas espalham-se pelo chão. Desencanto.
O sol dourado segue no seu trajeto. Despropósito.
É verão lá fora. É invernia neste coração em luto.

O homem é um ogro funesto com nariz adunco,
cuja voracidade ultrapassa os limites da sanidade.
Devassa tudo aquilo que à egolatria aufere lucros.
Cardume de piranhas desossando os Três Reinos,
egóico, na mais nefasta e nojosa de suas vilanias.

Esse bicho destrói a vida em todas as suas formas.
Massacra a amizade e aniquila o companheirismo,
assassina sua espécie e inda lhe ajeita a cova rasa,
dizima florestas, bichos, envenena todas as águas.
Destrói a esperança. Besta fera. Fera macabra.

Quisera eu ter podido nascer flor de vida curta,
ou talvez folhagem de textura frágil e vida breve,
ou galho que languesce e lasca no seco inverno,
ou tronco amargoso e áspero de casca fina, pra
que minh’alma, deste mundo, esvair-se possa…

Nota: pintura Inverno, de Giuseppe Arcimboldo

2 comentários em “O HOMEM E OS TRÊS REINOS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *