O SOFRIMENTO E A FÉ

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Danilo Vilela Prado

Em momentos de dificuldade, o sofrimento conduz naturalmente as pessoas a procurarem o contato com Deus. Quase todos nós, quando passamos por dificuldades graves, fortalecemos a nossa crença em um ser superior que possa aliviar o fardo que carregamos. O receio de perder a vida provoca transformações profundas no ser humano, porque ninguém quer deixar este mundo. Transformações ocorrem entre os aflitos, porque há anseios de purificação da alma, na tentativa de evitar o pior. Nessas situações, o perdão dos erros é buscado com mais intensidade, com a finalidade de reverter a desgraça.

Quando estamos desesperados, ficamos perdidos em meio a um turbilhão de pensamentos desconexos. O medo se apodera de nós, retirando-nos a capacidade de concentração. É um estado de caos que precisa ser revertido para que possamos estabelecer o contato com Deus. Para agravar ainda mais a situação, muitos se sentem castigados pelo fato ruim que lhes acontece.  Ao ter diagnóstico de câncer, por exemplo, é comum que as pessoas tenham a impressão de que estão pagando por erros cometidos. A sensação de culpa muitas vezes é forte e causa dor. O sentimento do que é certo ou errado, se existe culpa ou não, é praticamente impossível de descobrir. Então, é preciso exercitar o autoperdão para nos livrarmos da culpa e recuperarmos a serenidade para entrar em contato com Deus.

Não existe uma lógica quando somos abatidos por infortúnios. Em vários casos, tentar descobrir as causas normalmente é perda de tempo e não trará resultados positivos. Crianças recém-nascidas manifestam doenças gravíssimas, mesmo não tendo cometido erros. Por isso, estabelecer relações de causa e efeito em determinados acontecimentos pode não ajudar. Mas como sentir a sensação de que Deus irá aliviar quaisquer sofrimentos? A aproximação Dele acontece por força da fé, da esperança de que nossas dores serão passageiras. Não existe uma fórmula única para que nos aproximemos de Deus, mas é sempre possível, por meio de orações, rituais e correntes de energia formada por grupos de pessoas, termos a certeza de que estamos mais próximos de sua bondade.

O diálogo interior de uma pessoa em dificuldades poderia ser assim:

Reconheço e aceito que estou doente. Entre os mistérios que não posso desvendar está este momento de dor e apreensão. Sei que errei, falhei muitas vezes com as pessoas, causei sofrimentos, seja consciente ou inconscientemente. Farei tudo o que puder para reverter as situações em que agi errado. Não posso ficar me culpando e recriminando pelos atos cometidos. Por isso, tenho o firme propósito de mudar meu comportamento, para me tornar uma pessoa melhor e ajudar aqueles que precisam de apoio e solidariedade.

 Aceito a minha condição de ser humano imperfeito, mas que tenta acertar e contribuir para melhorar este mundo. Peço a Deus sabedoria, compreensão e forças necessárias para superar esses momentos de intensa dor. Que minhas energias, com a ajuda de Deus, se transformem no poder de curar. Terei disciplina suficiente para manter o otimismo, mesmo nos momentos mais difíceis, pois sei que a bondade de Deus é.”

As palavras acima são poderosas porque representam o ato de alguém em dificuldade, que está lutando bravamente para vencer a fase difícil. Alguns contratos íntimos são firmados nessas situações: a) aceitar a dificuldade; b) compreender a própria imperfeição; c) admitir erros; d) exercitar o autoperdão; e) firmar a intenção de mudar com o fim de ser melhor; f) tentar a aproximação com Deus.

Todas as vezes que o nosso espírito e mente se unem com o objetivo firme de mudanças, iremos alterar a nossa condição. Os resultados podem ser rápidos ou mais demorados. O certo é que todas as pessoas, que tentam com fé, obtêm resultados positivos. Precisamos ter a coragem de enfrentar a nós mesmos nesses momentos difíceis, reconhecendo nossas fraquezas, mas sempre bem intencionados no objetivo a que nos propomos. Dessa forma, seremos ajudados e nos aproximaremos ainda mais de Deus e de sua bondade infinita.

Nota: São Pedro em Lágrimas, obra do artista espanhol El Greco

2 comentários em “O SOFRIMENTO E A FÉ

  1. Danilo V. Prado

    Obrigado pelo elogio, Lu!

    Todas as religiões são boas, porque pregam a bondade e a compaixão, a exceção daquelas que praticam a magia negra. Por terem bons princípios e propósitos religiosos, as pessoas deveriam ser mais tolerantes com as religiões dos demais praticantes. Infelizmente não é isso que está acontecendo. O radicalismo religioso é motivo de notícias diárias na imprensa. Deus, nesse caso, fica em segundo plano, pois os interesses religiosos pessoais se sobrepõem à crença em Deus. Mas não há como deixar de reconhecer o papel transformador das religiões nas sociedades e para o ser humano. É muito maior o número de pessoas que seguem os preceitos religiosos e creem em Deus. Dessa forma, nosso planeta fica mais agradável, apesar das exceções.

    Forte abraço,

    Danilo

    Responder
  2. LuDiasBH Autor do post

    Danilo

    Parabéns pelo seu belo texto!

    Todas as religiões apregoam que o sofrimento tem como meta trabalhar o coração do ser humano. É fato que alguns sofrem muito mais que outros. O mais doído, porém, é quando nós nos tornamos responsáveis pela dor do outro, ou a ignoramos, ou somos omissos em relação a ela. E assim nos distanciamos ainda mais desse ser infinito que deveria morar em nosso coração.

    Preocupa-me o fato de ver que as pessoas preocupam-se cada vez mais consigo mesmas, só buscando essa vivência com Deus para tratarem de si mesmas, ou seja, quando o sapato aperta o próprio pé. Penso que “Todas as vezes que o nosso espírito e mente se unem com o objetivo firme de mudanças, iremos alterar a nossa condição.”, e essa alteração será ainda mais profunda quando nos voltarmos, também, para a dor do outro.

    Abraços,

    Lu

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *