O TEMPORAL NO MORRO

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Autoria de LuDiasBH

amordavi12

A tisnadura do céu predizia o temporal.
Homens ágeis limpavam valas e drenagens,
um serviço sórdido numa comunidade rica,
mas que no morro era responsável pela vida.

Um ruidoso bando de crianças, assustado,
assistia ao trabalho dos adultos apressados.
Umas puxavam o entulho com paus e pés, e
outras carregavam seus bichinhos estimados.

As donas pegavam objetos do lado de fora,
enquanto os idosos esmiuçavam o tempo.
A comunidade ajuntava-se diante do perigo,
para não morrer vitimada pela tormenta.

Estrondos amedrontadores rugiam no ar.
O calor sufocante fincava suas ágeis garras.
Medo e apreensão tomavam conta de tudo.
Em derredor, a vida gemia de dor e raiva.

Uma solidão dolorosa envolvia toda gente.
As pessoas receosas sentiam medo e culpa,
de viverem no alto, na cumeeira do morro,
mas a miséria jamais aceita desculpas.

A angústia era visível em cada rosto que
esperava o temporal ainda distante, ao léu.
Embaixo, a cidade sorria daqueles acrobatas,
orgulhosos de morarem vizinhos aos céus.

De repente, o céu despejou um afoito rio, e
o morro virou um tenebroso e violento mar.
O aguaçal impiedoso e ágil arrastava consigo
tudo o que à sua frente ousava atravessar.

A chuva ia devorando o morro aos pedaços,
como, se fora um bolo de chocolate e pera.
As pessoas rolavam no glacê de lama podre.
A tragédia sobre o morro se abatera.

Nota: imagem copiada de obrasdearteaquarela.blogspot.com

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