OS BRAÇOS LENIENTES DA POESIA

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Autoria de LuDiasBH amor4

A vida é um bem perecível e escasso,
mas minha raiva é a certeza do porvir,
daquilo que me entristece e desilude,
e do que jamais conseguirei assentir.

No balanço constante desta existência,
no que tange às suas dores e alegrias,
meu corpo recusa-se a desistir da luta,
pois as emoções cismam em ficar vivas.

Para existir, tenho que pagar o preço
da agonia, da frustração e da injustiça,
à espera de minha indesejada morte,
o amargurado final de qualquer vida.

A poesia é só um improfícuo artifício,
a desviar a mente da cupidez da morte,
fazendo-me ilusoriamente mais segura,
como se fora eu dona da própria sorte.

Imortalidade – eis minha atitude sábia.
Astúcia insignificante, mas necessária,
para aliviar o furor que me martiriza e,
que me segue em todas as despedidas.

O motivo do viver é penar alegremente,
e ser uma semente já com data definida:
germinar, crescer, reproduzir e tombar,
quando a Terra recusar-lhe mais vida.

Enquanto isso, os meus versos malfeitos
continuarão a amenizar esta raiva ascosa,
iludindo e jogando minha desprimorosa
mente nos braços compassivos da poesia.

Nota: Ofélia, obra do pintor inglês Jonh Everett Millais

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