{"id":35968,"date":"2018-08-17T00:03:19","date_gmt":"2018-08-17T03:03:19","guid":{"rendered":"http:\/\/virusdaarte.net\/?p=35968"},"modified":"2022-09-05T18:33:54","modified_gmt":"2022-09-05T21:33:54","slug":"turner-o-navio-negreiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/virusdaarte.net\/turner-o-navio-negreiro\/","title":{"rendered":"Turner \u2013 O NAVIO NEGREIRO"},"content":{"rendered":"

Autoria de Lu Dias Carvalho
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Se eu fosse reduzido a descansar a imortalidade de Turner em um \u00fanico trabalho, eu deveria escolher isso.<\/em><\/strong> (John Ruskin)<\/em><\/strong><\/p>\n

No alto de todas as m\u00e3os, acerte os mastros superiores e despreocupe-os;\/ Sol raivoso e nuvens de arestas ferozes\/ Declare a vinda do Typhon.\/ Antes de varrer seus decks, jogue ao mar\/ Os mortos e morrendo – n\u00e3o prestem aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas correntes\/ Esperan\u00e7a, esperan\u00e7a, esperan\u00e7a falaciosa! \/ Onde est\u00e1 o teu mercado agora? (poema inacabado de Turner que acompanhou a exibi\u00e7\u00e3o do quadro em 1840)<\/em><\/strong><\/p>\n

O ingl\u00eas Joseph Mallord William Turner<\/em> (1775 – 1851) nasceu em Londres. Aos 14 anos de idade passou a trabalhar com o desenhista arquitet\u00f4nico Thomas Malton que chegou a concluir que o garoto jamais seria um artista, sendo no mesmo ano aceito na Escola da Academia Real de Artes, em Londres, onde ganhou a admira\u00e7\u00e3o de seus colegas. Aos 15 anos, Turner<\/em> exp\u00f4s suas primeiras aquarelas na referida academia. Aos 25 anos j\u00e1 era Membro Associado, per\u00edodo em que visitou, pela primeira vez, outros pa\u00edses do continente europeu, estudando em Paris, no Louvre, os Antigos Mestres, dando destaque \u00e0s paisagens holandesas e composi\u00e7\u00f5es de Claude Lorrain. A visita de Turner a outros pa\u00edses, inclusive \u00e0 It\u00e1lia, mudou radicalmente seu estilo, quando passou para as cria\u00e7\u00f5es vision\u00e1rias, tornando sua arte cada vez mais abstrata. Ele se antecipou aos impressionistas no tratamento da luz.<\/p>\n

A composi\u00e7\u00e3o O Navio Negreiro<\/em> \u00e9 uma obra-prima do artista, um exemplo cl\u00e1ssico de seu pendor para o abstracionismo. Esta pintura de paisagem mar\u00edtima rom\u00e2ntica demonstra que Turner foi um dos mais sensacionais inovadores da hist\u00f3ria da pintura, ao usar como tema os pr\u00f3prios elementos da natureza (mar, c\u00e9u, montanhas, neve, vento, chuva, etc.) e cri\u00e1-la em termos de cor e luz.\u00a0 As cores que mais sobressaem na pintura s\u00e3o o vermelho do p\u00f4r-do-sol que penetra na \u00e1gua e tamb\u00e9m o navio e o marrom dos corpos e m\u00e3os dos escravos.<\/p>\n

Nesta pintura, o artista usou muitas t\u00e9cnicas caracter\u00edsticas dos pintores rom\u00e2nticos. Suas pinceladas indefinidas t\u00eam por objetivo fazer com que a imagem pare\u00e7a borrada, tornando objetos, cores e figuras indistintos, o que leva o observador a introduzir-se na cena atrav\u00e9s de sua imagina\u00e7\u00e3o. Ele exp\u00f5e a for\u00e7a que a natureza possui e o poder que ela exerce sobre o ser humano.<\/p>\n

Ao se deixar guiar pelo tema da obra, o observador poder\u00e1 concluir enganosamente que o navio que navega em \u00e1guas abertas ao longe, durante uma tempestade, mostrando a brutalidade humana, seja o ponto principal da composi\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9. O grande astro \u00e9 o sol poente no centro da tela, fonte de toda a luz, numa jun\u00e7\u00e3o com o c\u00e9u e o mar tempestuoso e a aproxima\u00e7\u00e3o de um ciclone.<\/p>\n

Em primeiro plano, os corpos dos escravos boiam na \u00e1gua. Alguns s\u00e3o devorados por peixes e monstros marinhos, como mostra a perna vista com a corrente ainda presa ao p\u00e9. Gaivotas sobrevoam o local. O artista, um abolicionista, tinha por objetivo impactar o observador com a crueldade humana. Era um chamado \u00e0 sociedade para ver e sentir a bestialidade da escravid\u00e3o, pois, apesar de a Inglaterra j\u00e1 ter acabado com tamanha degrada\u00e7\u00e3o, ela ainda persistia em outros pa\u00edses.<\/p>\n

O livro intitulado \u201cA Hist\u00f3ria da Aboli\u00e7\u00e3o do Tr\u00e1fico de Escravos\u201d, do escritor Thomas Clarkson, serviu de inspira\u00e7\u00e3o para o artista. A obra relata um incidente, ocorrido em 1783, envolvendo um navio negreiro. Como muitos dos escravos a bordo se encontrassem doentes e o pagamento da companhia de seguros do capit\u00e3o s\u00f3 pagaria pelos perdidos no mar, o capit\u00e3o exigiu que todos os doentes e moribundos saltassem no mar, acorrentados. O t\u00edtulo completo da obra de Turner \u00e9 \u201cO Navio Negreiro Jogando ao Mar os Mortos e os Moribundos\u201d.<\/p>\n

Ficha t\u00e9cnica
\n<\/u>Ano: 1840
\nT\u00e9cnica: \u00f3leo sobre tela
\nDimens\u00f5es: 91,5 x 122 cm
\nLocaliza\u00e7\u00e3o: Museu de Arte, Boston, EUA<\/p>\n

Fontes de pesquisa
\n<\/u>Enciclop\u00e9dia dos Museus\/ Mirador
\nhttp:\/\/britishromanticism.wikispaces.com\/The+Slave+Ship
\nhttps:\/\/strengthoftheheart.wordpress.com\/2017\/07\/26\/an-analysis-of-slave-ship-by-william-
\nhttps:\/\/www.mfa.org\/collections\/object\/slave-ship-slavers-throwing-overboard-the-dead-and<\/p>\n

Views: 136<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

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