Rembrandt – BATSABÁ E A CARTA DE DAVI

Autoria de Lu Dias Carvalhoalquimia12

A pintura Batsabá com a Carta de Davi é considerada uma das belas dentre as obras do pintor holandês Rembrandt.

 Segundo a Bíblia (Samuel 11: 2-27), Betsabá era a esposa do soldado Urias, que servia ao rei Davi. Certa noite, enquanto ela se banhava, foi vista pelo soberano, que se encantou com a sua deslumbrante beleza. Ela então recebeu um convite do rei, para que o visitasse em seu palácio. Foi conduzida pelos mensageiros de Davi, e tomada como amante, apesar de ser casada. Urias morre na guerra e ela fica grávida do soberano, casando-se, posteriormente com ele. Segundo algumas fontes, o fruto do pecado foi morto pelo Senhor. Segundo outras, nasceu Salomão, símbolo da poesia e da sabedoria.

Ao pintar a cena, Rembrandt deixa apenas o essencial na composição, eliminando até mesmo os mensageiros do soberano, que vão levar a carta a Betsebá, presentes na obra de outros pintores. O convite enviado à personagem é representado pela carta de amor que ele traz na mão direita, sustentada pelas pernas cruzadas e, que se localiza na parte central da composição. Com o corpo de perfil e as pernas cruzadas, Betsabé olha distraidamente em direção à criada. Seu semblante mostra-se reflexivo, demonstrando seu conflito interior: obediência ao rei ou fidelidade ao marido? Contudo, ela sabe que não tem saída, a não ser obedecer.

 Betsabá ocupa o lado direito da composição, em primeiro plano. Seu corpo nu está cingido apenas por um fino véu, que cobre seu púbis, sendo possível ver o sombreado escuro dos pelos pubianos. A luz põe em evidência a sua beleza.

No lado esquerdo da tela, atingindo a altura do joelho direito de Betsabá, uma criada idosa enxuga os dedos de seu pé direito, que se encontra ligeiramente levantado, enquanto ela se apoia no esquerdo. Seu braço direito está adornado com um bracelete. O pescoço está cingido com um cordão de ouro com um pingente. Nas orelhas, ela traz longos brincos de ouro e tem os cabelos enfeitados com fieiras de contas vermelhas. Abaixo de sua mão esquerda, sobre a qual ela se apoia, encontra-se sua túnica branca.

A criada, pintada em tons escuros, tendo expostos somente seu rosto e mãos, destaca mais ainda a luminosidade do corpo da ama, assim como o escuro, que domina grande parte da composição. Apesar de nu, o corpo da amada de Davi expressa suavidade, sem nenhum apelo erótico. O clima de silêncio e introspecção entre patroa e crida, realça mais ainda o conflito interior de Betsabé.

O objetivo de Rembrandt não foi o de mostrar a beleza do corpo nu da personagem, mas mostrar a tensão que ele reflete, diante do dilema imposto pela carta recebida. Segundo algumas fontes, a modelo que posou para Rembrandt foi Hendrickje, a mulher com quem viveu e teve uma filha.

Dados técnicos:
Ano: 1654
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 142 x 142 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Ficha técnica
Rembrandt/ Coleção Folha
Rembrandt/ Coleção Girassol
Rembrandt/ Abril Coleções
A história da arte/ E. H. Gombrich

Views: 17

O BARQUINHO

Autoria de Lu Dias Carvalho duran123

O músico brasileiro Roberto Menescal é um dos criadores da bossa-nova. É também o criador, em parceria com Roberto Bôscoli, de um dos hinos do movimento, O Barquinho. Ele conta como surgiu a música.

Desde criança era apaixonado pelo mar e pela caça submarina. Aos 14 anos, ganhou uns apetrechos para fazer mergulhos. E, mesmo morando no Rio de Janeiro, era no Espírito Santo que se dedicava a seu esporte preferido, durante suas férias.

Roberto Menescal estava de férias em Vitória, quando começou a tocar violão. Ao voltar para o Rio, descobriu que Nara Leão, sua namoradinha na época, também estava tocando violão. E assim, os dois reuniam-se no apartamento dela para tocarem juntos, sem falar nos amigos que para ali iam para tocar e cantar. Em dois anos, o grupo já estava compondo músicas que mais tarde seriam intituladas de bossa-nova e o grupo ficaria conhecido como “a turma da bossa-nova”.

Conta Roberto Menescal que em 1961, resolveu levar sua turma (Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, o Samba Trio, Yara e outras garotas) para passar um final de semana no Arraial do Cabo/RJ. Lá chegando, alugaram um barco e começaram a navegar, desfrutando de um dia de céu belíssimo e mar de águas claras e quentes e de poucas ondas. Durante o passeio, ele começou a mergulhar e a pegar alguns pescados, para surpresa de todos. Depois, foram para um local mais raso, onde todos entraram no mar. A seguir, desligaram o motor do barco e foram fazer um lanche, deixando o barco solto.

Quando o grupo voltou do lanche, foi ligar o motor do barquinho e nada de pegar. Foram inúmeras as tentativas e nada. A bateria acabou. Apesar do medo que tomava conta da turma, pois a ilha distanciava-se cada vez mais, Roberto Menescal tentava acalmá-la, enquanto tentava fazer com que o motor pegasse, girando uma manivela. Até cantava, para fingir que tudo corria bem, sem nada que preocupasse.

O pavor da grupo só viu luz no final do túnel quando avistaram uma embarcação de pesca, lá longe no horizonte, rumando para Cabo Frio. Através de roupas coloridas amarradas aos remos, conseguiram chamar atenção do pessoal da embarcação, que mudou de rumo para socorrê-los. O barco foi rebocado até o Arraial do Cabo, para a felicidade de todos.

Quando o grupo voltava, já bem mais tranquilo, Menescal e Bôscoli começaram a cantar um versinho que compuseram ali na hora, só de brincadeira, ironizando o acontecido: “O barquinho vai, e a tardinha cai”, cantando até chegarem ao cais. No dia seguinte, quando Menescal encontrava-se com Ronaldo Bôscoli no apartamento de Nara Leão, em frente ao mar de Copacabana, Bôscoli perguntou:

– Beto, como foi aquela melodia que você fez ontem no barco?

– O barquinho vai, a tardinha cai – respondeu Menescal.

Mas Ronaldo queria saber o que Menescal cantava enquanto tentava fazer o motor pegar. E assim, os dois começaram a compor O Barquinho, que viria a se tornar um grande sucesso da dupla.

O Barquinho

Dia de luz festa de sol
E um barquinho a deslizar
No macio azul do mar
Tudo é verão e o amor se faz
Num barquinho pelo mar
Que desliza sem parar…
Sem intenção,nossa canção
Vai saindo desse mar
E o sol
Beija o barco e luz
Dias tão azuis!
Volta do mar desmaia o sol
E o barquinho a deslizar
E a vontade de cantar!
Céu tão azul ilhas do sul
E o barquinho,coração
Deslizando na canção
Tudo isso é paz tudo isso traz
Uma calma de verão e então
O barquinho vai
A tardinha cai
O barquinho vai
A tardinha cai…

Nota
Ouçam a música através do link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=5qVY8DEbbkE

Fonte de pesquisa
Folha de São Paulo/ 29 de setembro de 2013

Views: 10

Rembrandt – O SACRIFÍCIO DE ISAQUE

Autoria de Lu Dias Carvalhoalquimia1

E aconteceu depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui.

E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.

Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque seu filho; e cortou lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera. (Gênesis 22: 1-3)

O Sacrifício de Isaque é mais uma das obras-primas de Rembrandt, em que ele emprega a temática bíblica tão comum à sua obra. A composição representa o clímax da ação, quando Abraão está prestes a sacrificar seu próprio filho Isaque, e desce sobre ele o anjo, pedindo-lhe para cancelar a ordem divina. A cena é tão impactante, que o observador sente parte dela, torcendo para que o garoto não seja sacrificado.

Abraão, curvado sobre Isaque, com a mão esquerda retém sua cabeça para trás, deixando livre o pescoço que seria decepado. Seu rosto encontra-se transtornado pelo pavor do ato prestes a ser cometido por ordem divina. A grande mão do patriarca cobre todo o rosto do filho, talvez para que ele não presencie sua crueldade.

 Ao ter seu pulso seguro, Abraão volta-se surpreso com a presença do anjo. Sua mão abre-se e o punhal cai no vazio, quase centralizado na composição.

 Rembrandt usa a luz para destacar os pontos mais importantes da obra:

  •  o corpo seminu de Isaque, em sua impotência diante de seu assassinato;
  •  a mão esquerda do anjo, levantada em direção ao patriarca, ordenando a paralisação do sacrifício;
  •  a mão direita do anjo, que retém a mão direita de Abraão, impedindo a consumação do sacrifício;
  •  o rosto sofrido, apavorado e surpreso do patriarca diante da presença do anjo.

 O pintor holandês usa o efeito claro-escuro para aumentar o dramatismo da cena.

Dados técnicos:
Ano: 1635
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 193 x133 cm
Localização: Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia

Fontes de pesquisa
Rembrandt/ Coleção Girassol
Rembrandt/ Coleção Folha
Rembrandt/ Abril Coleções

Views: 53

Rembrandt – UMA VIDA ATRIBULADA

Autoria de Lu Dias Carvalho

floraAo se casar com a rica Saskia, sobrinha de seu sócio, Rembrandt ascendeu social e artisticamente, tornando-se membro da alta sociedade holandesa, o que possibilitou que sua fama chegasse até a corte de Haia, de onde passou a receber inúmeras encomendas.

Robertus foi o primeiro filho do casal e que viria a falecer meses depois de nascido, apesar do bom nível econômico da família. Cornélia, a segunda filha de Rembrandt e Saskia, morreu antes de completar um ano de vida.

O relacionamento do pintor com os pais da esposa que o acusavam de ter dilapidado o patrimônio da filha, tornou-se insuportável, só cessando quando Rembrandt mostrou que o casal tinha mais bens do que quando se casaram, pois eram grandes colecionadores de obras de arte.

O casal teve uma nova filha, à qual deu o nome da primeira filha morta: Cornélia. Mas, assim como os dois bebês anteriores, ela só viveu poucos meses para tristeza de seus pais. No ano seguinte Saskia deu a luz a Titus, o único a sobreviver até a idade adulta.

 Na sua família as coisas não iam bem para o artista, embora tivesse se tornado um dos principais artistas europeus. Saskia, sua jovem esposa, encontrava-se gravemente doente, acometida pela tuberculose, vindo a falecer aos 30 anos de idade.

A governanta Geetje Dircx foi morar com Rembrandt para tomar conta de seu filho Titus, vindo também a tornar-se amante do pintor. Geetje depois o acusou publicamente de descumprir a promessa de casar-se com ela. Embora inocentado, o pintor foi obrigado a pagar-lhe uma quantia anualmente.

Rembrandt iniciou depois uma relação com a camponesa Hendricjke que fora trabalhar em sua casa, mas sem compromisso matrimonial, para não ter que dividir a herança deixada por Saskia. Mesmo assim, além de ser um colecionador voraz, sem muita cautela nas suas escolhas, e também um mau administrador, gastou sua fortuna em aquisições duvidosas, aliado ao fato de que os Países Baixos entraram em crise econômica. Teve que recorrer a empréstimos. Como desgraça pouca é bobagem, Rembrandt foi acusado de concubinato pelo tribunal eclesiástico calvinista. O artista alegou que era menonita.

Hendricjke deu à luz uma menina que também recebeu o nome de Cornélia, como as duas filhas mortas do pintor. Mas a amante morreu de peste bubônica pouco tempo depois. Titus casou-se com a filha de um joalheiro, melhorando a situação da família, porém faleceu vitimado pela peste bubônica, oito meses após o casamento e cinco anos após a morte de Hendricjke, deixando a esposa grávida de uma filha que viria a ser chamada de Titia.

A vida atribulada do pintor parecia não ter fim, pois sua nora Magdalena denunciou-o nos tribunais, alegando que o sogro estaria usando os bens de sua neta para sobreviver. Em defesa de Rembrandt, uma testemunha afirmou que ele só fazia uma refeição diária de pão com queijo ou um arenque.

Somente a morte foi capaz de libertar o pintor de tanto sofrimento. Ele morreu aos 63 anos de idade e — como se a família fosse vítima de uma trama oculta — sua nora Magdalena morreu seis dias depois. Cornélia, filha ilegítima de Rembrandt, e Titia, sua neta, ficaram sós, dependentes da caridade pública. Os tutores das duas meninas entraram numa disputa acirrada pela posse dos poucos quadros deixados pelo pintor.

Fontes de pesquisa
Rembrandt/ Coleção Folha
Rembrandt/ Coleção Girassol
Rembrandt/ Abril Coleções
Tudo sobre Arte/ E. H. Gombrich

Nota:
O quadro Flora, cujo modelo é Saskia, esposa de Rembrandt ilustra o texto.

Views: 8

Mestres da Pintura – REMBRANDT

Autoria de Lu Dias Carvalho flora1

Enquanto trabalhava, ele não teria dado uma audiência nem ao rei do mundo que precisaria voltar quantas vezes fosse preciso até que o encontrasse longe do cavalete. (Filippo Baldinucci)

Rembrandt é o maior pintor da Holanda e um dos maiores que a arte já conheceu. (E. H. Gombrich)

 O pintor holandês Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669) nasceu na cidade de Leida, próxima a Amsterdã. Seu pai era moleiro e sua mãe filha de padeiro. Era o penúltimo dos 10 irmãos. Foi na Escola Latina — dos 7 aos 14 anos de idade — que o futuro pintor recebeu sua primeira educação formal. Daí seguiu para a universidade, a qual abandonou num período de poucos meses, pois sua vocação era outra: a pintura.

Rembrandt tornou-se aluno do pintor holandês Jacob van Swanenburgh após a volta desse da Itália, onde havia passado um longo período, demonstrando grande interesse pelo Renascimento italiano. Rembrandt, seduzido pelo estilo italiano, passou a frequentar o ateliê de outro mestre, Jacob Symonszoo Pynas, também adepto do mesmo estilo. Veio depois a morar em Amesterdã por um período de seis meses, onde frequentou o estúdio de Pieter Lastman, que havia trabalhado junto a Caravaggio e seus alunos, sendo um conceituado pintor de histórias bíblicas e cenas mitológicas.

Ao retornar a Leida, onde completou sua formação com o artista Joris van Schooten, Rembrandt abriu seu ateliê na casa de seus pais. Sua primeira obra foi A Lapidação de Santo Estevão, temática religiosa que o acompanharia até o final de sua vida. Acabou se unindo ao pintor Jan Vievens — também de origem humilde como ele — que também fora aluno de Lastman, tanto para diminuir os gastos quanto pela simpatia do colega pela arte italiana. Pintaram, sobretudo, figuras históricas e episódios bíblicos.

Rembrandt, durante a sua permanência na cidade de Leida, dedicou-se com muito empenho à gravura, tornando-se o maior artista nessa técnica visual. Não demorou muito para que sua fama de pintor se espalhasse, atraindo diversos discípulos. O pintor holandês não estava preparado para lidar com o sucesso e a expansão de seus trabalhos num tempo tão curto, de modo que acabou se associando ao marchand Van Uylenburgh, ao se mudar para Amsterdã. Ali recebeu inúmeros alunos. E um ano depois faria uma de suas obras-primas mais conhecidas: A Lição de Anatomia do Doutor Tulp.

Com os bons ventos que sopravam a favor do império holandês com sua grande expansão marítima e comercial, um grupo de ricos ia se formando e, não podendo investir em empresas coloniais, passaram a investir em obras de arte, principalmente em quadros, sendo também imitados pelos mais pobres, mas levando em conta as cláusulas do protestantismo. E o pintor, novato na cidade, passou a receber muitas encomendas, principalmente de retratos. Ele tinha fascinação pela fisiognomonia (arte de conhecer o caráter das pessoas através de seus traços fisionômicos).

Rembrandt era tão minucioso em suas pinturas que não se importava com o número de sessões ou a data da entrega das mesmas, fatores que muito o prejudicavam. O artista não se ateve apenas aos retratos e aos temas bíblicos, mas também fez muitas composições com temas mitológicos, desenvolvendo o sentido Barroco do movimento e do claro-escuro, sendo muito influenciado no seu estilo tenebrista por Caravaggio. Seu processo criativo entrou numa nova fase, ao receber influência das várias tendências do Barroco. Nessa fase, pintou o seu famoso quadro Ronda Noturna. O pintor chegava à sua maturidade artística, tornando-se um dos principais artistas europeus.

À medida que Rembrandt interiorizava sua arte, perdia também competitividade em meio à burguesia holandesa, que preferia as pinturas que mostrassem as glórias coloniais e financeiras do reino. Enquanto isso, ele se via cercado de credores, tendo que leiloar seus bens para honrar os compromissos. E, para ser preservado dos credores insatisfeitos,  tornou-se empregado do filho Titus e da amante Hendrickje, podendo assim pintar em paz. Os poetas locais prestaram-lhe solidariedade, dedicando-lhe poemas e artigos em que elogiavam sua arte.

Apesar de seus insucessos financeiros, os apreciadores de arte continuavam vendo em Rembrandt um dos grandes mestres da pintura. Sua obra continuava valorizada. Mesmo assim, sua situação tornou-se tão crítica a ponto de ser obrigado a vender a tumba luxuosa de sua esposa Saska, indo seus restos mortais parar numa modesta sepultura. O pintor continuava sobrevivendo de empréstimos que pagava com esboços, telas e desenhos. Aos 24 anos de idade seu filho Titus teve sua maioridade declarada, podendo assim dedicar a seus negócios e ajudar o pai. Mas não demorou a falecer. Somente a morte foi capaz de libertar Rembrandt de seus infortúnios. Ele morreu aos 63 anos de idade.

 Rembrandt gostava de autorretratar-se, estando presente em cerca de 30 gravuras, 12 desenhos e 40 pinturas, mostrando sua figura em várias fases de sua vida (ver imagem do texto). Foi também o maior mestre na arte de retratar a pele das pessoas idosas.

Obs.: Não deixem de ler: Rembrandt – UMA VIDA ATRIBULADA

Fontes de pesquisa
Rembrandt/ Coleção Folha
Rembrandt/ Coleção Girassol
Rembrandt/ Abril Coleções
Tudo sobre Arte/ E. H. Gombrich

Views: 10

Renoir – BAILE NO MOINHO DA GALLETE

Autoria de Lu Dias Carvalho renoir7

É difícil entender por que este quadro provocou uma tempestade de indignação e escárnio. Percebemos sem dificuldade que a aparente superficialidade nada tem a ver com desleixo, mas é, pelo contrário, o resultado de um grande talento artístico. Se Renoir tivesse pintado todos os detalhes, o quadro teria um aspecto enfadonho e sem vida. (E. H. Gombrich)

Levou algum tempo até o público descobrir que, para apreciar um quadro impressionista, deve recuar alguns metros e desfrutar o milagre de ver essas manchas intrigantes súbito se organizarem e ganharem vida diante dos olhos. (E. H. Gombrich)

Os artistas da época do Impressionismo estavam sempre presentes nos bailes realizados no ex-moinho, situado na colina de Montmartre em Paris, a uma hora de caminhada do centro da cidade, onde se reuniam costureiras e trabalhadores em seus dias de folga, em busca de modelos para suas pinturas ou aventuras passageiras. Havia muitas garotas pobres ali que cobravam muito pouco para posar. Renoir retrata nesta composição um baile no local, onde os personagens são os seus amigos, garotas e operários que estão pousando para ele.

Baile no Moinho da Gallete é uma das mais conhecidas e admiradas pinturas de Renoir, tida como a mais bela do século XIX e uma das obras-primas do Impressionismo. Nela o pintor faz um uso excepcional do espaço,  trazendo uma fantástica ideia de multidão, através da superposição de rostos. Também dá vida a uma festiva combinação de cores brilhantes, trazendo o efeito da luz do sol sobre os alegres participantes. Raios de sol atravessam as folhas das árvores frondosas, iluminando pessoas e ambiente, o que nos traz a certeza de que ainda era dia (os bailes ali começavam às 15h e acabavam às 23h). Os postes brancos com lampiões dão uma beleza singular à cena.

O local, antes de Renoir, tinha trinta moinhos de vento funcionando. E “galette” — dá nome aos moinhos — era um tipo de pastel liso feito de farinha moída, servido ali. Os dois moinhos que sobraram pertenceram à família Debray, sendo um deles transformado em uma construção isolada, ao lado da qual foi aberto um local de dança. Tratava-se de um barracão já bem arruinado, ornamentado com vime e pintado de verde. Ao lado havia um jardim com muitas árvores, onde uma orquestrava tocava polcas, valsas, cancan, etc. Cobrava-se uma quantia insignificante para se frequentar os bailes.

O clima da composição é festivo, mostrando casais dançando, jovens conversando em suas mesas, pessoas de pé observando o movimento, algumas assentadas em bancos, outras próximas à orquestra e outras no pátio do local. O pintor francês organizou sua composição da seguinte maneira:

1- dois círculos, sendo um mais fechado, no lado direito em volta da mesa, e o outro mais aberto, à esquerda em volta da mulher de vestido cor de rosa e seu par;
2- uma pirâmide: as três figuras do primeiro plano formam uma pirâmide;
3- linhas verticais formadas por pessoas de pé, pares dançantes, suporte dos lampiões, etc;
4- linhas horizontais formadas pelos postes dos lampiões, pela construção de madeira pintada de branco, etc.

O quadro parece ter vida própria, tamanha é a vibração, que repassa ao observador, como se tudo fosse movimento. Como se trata de uma obra impressionista em que não há preocupação com os contornos e detalhes, a composição parece que ainda está por terminar, pois apenas algumas cabeças das figuras, no primeiro plano, trazem detalhes, ainda que de maneira não convencional.  À medida que vão se afastando do primeiro plano, as figuras vão se tornando cada vez mais fugidias, desmanchando-se ao sol e no ar.

É interessante notar que o pintor corta parte das figuras nas margens direita e esquerda, para repassar a ideia de continuidade, ou seja, a de que ele captara com seus pincéis apenas parte do ambiente onde se realiza o baile. É também um meio para dar mais naturalidade à cena, de modo a passar a impressão de que os personagens não estão pousando para ele e que tudo acontece naturalmente.

Os personagens ao redor das mesas formam o primeiro plano da composição. A moça do vaporoso vestido listrado, assentada num banco de frente para um rapaz assentado numa cadeira e de costas para o observador, tem os cabelos e parte do rosto coberto pelas sombras, enquanto o sol reflete sobre sua  boca e queixo. A modelo tinha 16 anos na época. A mulher de vestido cor de rosa e seu par ganharam um destaque especial no quadro, podendo ser visualizados por inteiro, isolados dos demais casais dançantes. Tem-se a sensação de que o par dança sobre nuvens. No centro da parte esquerda da tela é possível flagrar um casal em clima de flerte. O homem descansa o braço esquerdo no tronco da árvore, inclina-se para a frente, cortejando a moça vestida de azul, recostada na árvore bem à sua frente.

Crianças também estão presentes na composição, o que dá à cena um certo ar de pureza. No canto inferior esquerdo da pintura, uma garotinha de cabelos loiros com fita conversa com uma moça. Ambas estão assentadas num banco. Na verdade, à noite, quando se acendiam as lamparinas, para ali vinham delinquentes e  prostitutas com seus cafetões, acontecendo muitos brigas ou navalhadas. Durante a parte da tarde, ao contrário do que acontecia à noite, as mulheres eram obrigadas a se comporem com um chapéu em sinal da respeitabilidade. Quanto menos roupa uma garota usasse, mais duvidosa era a sua reputação, mas muitas garotas na composição de Renoir são vistas sem chapéu. Todos os homens são vistos usando chapéu no Moulin de la Galette, mesmo quando estavam dançando, pois uma pessoa educada devia deixar o chapéu na cabeça (Como mudam os tempos!). Alguns usavam um chapéu de palha de verão, outros um chapéu preto de feltro. Grenadine era a bebida mais usada. Tratava-se de um xarope de Granada, com água.

Renoir usou  pinceladas cintilantes para unir as personagens do baile, sem se preocupar com a clareza das formas. Talentoso, o artista nutria indiferença por qualquer tipo de intelectualismo.

Dados técnicos
Data: 1876
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 131 x 175 cm
Localização: Museu d`Orsay, Paris, França

Fontes de Pesquisa
istória da Arte/ E. H. Gombrich
Renoir/ Abril Coleções
Renoir/ Coleção Folha
Renoir/ Coleção Girassol
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Los secretos de las obras de arte/ Taschen

Views: 19