Arquivo da categoria: Apenas Arte

Textos sobre variados tipos de arte

Cassat – MULHER COM COLAR DE PÉROLAS…

Autoria de LuDiasBH

 A pintora estadunidense Mary Cassat (1844 – 1926) mudou-se para a França em busca de melhores oportunidades em sua arte, uma vez que em seu país as convenções burguesas eram desfavoráveis a seu trabalho. Em Paris ela continuou a sua aprendizagem artística e também passou a expor suas obras no Salon, sendo também a única mulher estadunidense a participar das exposições impressionistas. Isso deveu, sobretudo, a Edgar Devas – seu amigo e mentor – responsável por inseri-la no grupo dos impressionistas. Seus temas prediletos eram os teatros e a Ópera de Paris, interessando-se principalmente pelas mulheres – ansiosas para se exibirem – que iam a tais lugares, servindo o teatro apenas como pano de fundo.

A composição intitulada Mulher com Colar de Pérolas no Camarote é uma obra da pintora, vendido ao ser exposto na quarta exposição impressionista. Sua obra retrata uma jovem e bem vestida espectadora no teatro, usando um colar de pérolas rente ao pescoço, responsável por dar título ao quadro. Ela é posicionada em primeiro plano, ocupando grande parte da tela. Seu corpo está voltado para o espectador, mas sua cabeça encontra-se levemente direcionada para a sua esquerda. Na mão direita enluvada, descansando no colo, ela segura um leque fechado.

Atrás da mulher com colar de pérolas, sentada numa cadeira vermelha de braços, há um grande espelho, como mostram suas costas nele refletido. Em um dos camarotes refletidos no espelho há muitos espectadores. Ela os observa em vez de olhar para o palco. O lustre posicionado no canto superior esquerdo da tela ilumina a mulher em primeiro plano, como também é responsável, através de seu reflexo, por criar uma iluminação vinda de trás. Seus delicados ombros nus e sua luva branca destacam-se com a iluminação. 

A retratada tem sido muitas vezes citada como sendo Lydia – irmã da pintora. Os efeitos da iluminação mostra a influência que Edgar Degas teve sobre Cassat, principalmente no que diz respeito aos resultados de uma iluminação artificial em tons de carne. A pincelada descontraída e a construção espacial da pintura tornaram-na muito apreciada pelos críticos.

Ficha técnica
Ano: 1879
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 81,3 x 59,7 cm        
Localização: Museu de Arte, Filadélfia, EUA

 Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
https://www.philamuseum.org/collections/permanent/72182.html

Longhi – O RINOCERONTE

Autoria de LuDiasBH

O artista italiano Pietro Longhi (1702 –1785) era filho de um ourives. Iniciou sua carreira como pintor de temas religiosos e pinturas históricas. Seu primeiro mestre foi Antonio Balestra, vindo a trabalhar mais tarde com Giuseppe Maria Crespi – sua fonte de inspiração em relação ao estudo da natureza e dos temas de gênero. Pintor de retratos e de cenas de gênero do Rococó veneziano, Longhi também se tornou conhecido por pequenas pinturas, imagens religiosas e pinturas históricas.

A composição intitulada O Rinoceronte é uma obra do artista que era dono de um fino humor. Um grupo de sete pessoas encontra-se numa exposição, de pé em bancos de madeira, numa formação quase triangular, com o objetivo de observar o animal que come tranquilamente sua ração. Trata-se de um rinoceronte fêmea de nome Clara. O animal aparenta estar deprimido por se encontrar longe de seu habitat, pois fora trazida para a Europa (em 1741) por um capitão holandês, tendo sido exibido em outras cidades europeias.

O público não se mostra surpreso, pois ninguém o observa. Todos trazem o olhar direcionado para algo diferente. Três dos presentes fazem uso de máscaras de Carnaval (a exposição aconteceu na época do Carnaval em Veneza). O responsável pela exibição traz na mão levantada o chifre do animal e um chicote. Ele é o único a mostrar relação com o rinoceronte em exposição e o público. A mulher elegante – usando um xale de renda escuro debruado a ouro – é Catherine Grimani. Ela olha diretamente para o observador. O mascarado à sua esquerda é seu marido John Grimani – o comissário da pintura. À direita deles está o criado, olhando diretamente para frente. Nem mesmo a garotinha ali presente importa-se com Clara.

O homem vestindo um manto vermelho e fazendo uso de um cachimbo de barro olha para baixo, perdido em seus próprios pensamentos. Acima dele, o artista pintou um aviso de pergaminho sobre a pintura, dizendo: “Verdadeiro Retrato de um Rinoceronte realizado em Veneza ano 1751: feito para mão por Pietro Longhi Comissões S de Giovanni Grimani Servi Patrick Veneto “.

Obs.: segundo notas históricas, o chifre não foi cortado, mas caiu em razão da fricção contínua com a gaiola.

Ficha técnica
Ano: c. 1751
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 62 x 50 cm 
Localização: Ca’ Rezzonico, Veneza, Itália

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen
https://mydailyartdisplay.wordpress.com/2011/07/26/the-rhinoceros-by-pietro-longhi/

Greuze – LAMENTO PELA PASSAGEM…

Autoria de LuDiasBH

Deixem a moral exprimir-se na arte. (Diderot)

O pintor francês Jean-Baptist Greuze (1725 – 1805) era filho de um mestre talhador. Desde pequeno mostrou interesse pelo desenho, vindo a estudar com Charles Gardon. Em Paris estudou na Academia com o professor Natoire. Foi influenciado pela pintura de gênero holandesa do século XVII, após contato com Phillippe Le Bas e Pierre Étienne Moitte. É tido como um grande representante da pintura de gênero moralizante (peinture morale), aclamado até mesmo pelo crítico Didorot, uma vez que o público da época exigia que a pintura primasse por mais moralidade, aparentemente cansada do estilo Rococó que dava mais ênfase à sensualidade.

A composição intitulada Lamento pela Passagem do Tempo – também conhecida como A Queixa do Relógio – é uma obra do artista. Embora tenha por objetivo o uso de um tema moralizante, a obra é também cheia de erotismo, mas não se limita apenas ao aspecto erótico, trazendo em seu bojo uma mensagem de cunho moral.

Uma jovem mulher mostra-se extremamente abatida, perdida em seus pensamentos. Ela se encontra em um quarto triste – aparentando ser um sótão –, sentada numa cadeira próxima à sua cama ainda desfeita, onde jaz a sua touca. Ela veste uma camisola, aparentando ter acabado de levantar-se. Fitas descem pelo espaldar de sua cadeira de madeira e palhinha. Seu seio esquerdo – semi despido – chama a atenção para o seu colo. Em volta dele o artista conduz a narrativa que leva ao título da obra.

A mulher traz um pequeno relógio redondo na palma da mão esquerda, possivelmente um presente da pessoa que a deixara. Como o relógio representa na simbologia da arte a transitoriedade do tempo, significa que ela rememora uma aventura amorosa desfeita, como reforça a carta aberta, cortando a relação amorosa, que se encontra sobre a mesinha dobrável, ao lado de um buquê de flores e de um cesto de trabalhos manuais.  Tênues raios de sol entram pela direita. Uma parede acinzentada serve de fundo. No chão, em primeiro plano, está um braseiro que aquece o ambiente humilde.

Ficha técnica
Ano: c. 1775
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 79 x 61 cm 
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen
https://www.townsends.us/blogs/blog/the-complain-of-the-watch-by-jean-baptiste-greuze

Lancret – O BALOUÇO

Autoria de LuDiasBH

O artista francês Nicolas Lancret (1690 – 1743) iniciou seus estudos na oficina de Pierre Dublin, pintor de história, após um rápido início como gravador e desenhista. Não se realizando com o gênero, foi estudar com Claude Gillot, tendo ali recebido influência de seu colega Antoine Watteau. Veio depois a tornar-se mestre orientador do estilo de pintura denominado “fête galante” (festas galantes) – um novo gênero de paisagens – sendo responsável, portanto, por um ramo específico do paisagismo francês no período do Rococó. O pintor tornou-se respeitado e muito apreciado à época. É tido, ao lado de Jean- Baptiste Pater, como o mais importante dos artistas que receberam influência de Watteau.

A composição intitulada O Balouço é uma obra do artista. Em sua pintura ele apresenta dois aristocratas – usando roupas da época – divertindo-se numa cena íntima, ao ar livre, num bosque. A jovem, sentada num balanço situado entre duas grandes árvores, é puxada pelo acompanhante que usa uma corda para fazer o vai e vem. Ela se mostra faceira, voltando a cabeça para a sua direita. O terreno é ligeiramente inclinado.

O pintor fez outros quadros com esta mesma temática.

Ficha técnica
Ano: c. 1735
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 70 x 89 cm              
Localização: Victoria e Alberto Museum, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen

Liotarde – MULHER TURCA COM PANDEIRO

 Autoria de LuDiasBH

O pintor Jean-Étienne Liotard (1702 – 1789) estudou com Daniel Bardelle em Genebra – cidade onde nasceu e morreu – e depois com Jean-Baptiste Masse, em Paris. Sua formação inicial foi como pintor de miniaturas e gravador. Trabalhou para o Papa Clemente XII em Roma e para outros grandes mecenas. Recebeu o apelido de “Pintor Turco” após ter morado cinco anos na cidade de Constantinopla, onde assimilou os costumes de seu povo. Liotard viajou por diversos países antes retornar definitivamente à sua cidade natal. É tido como um exímio retratista e um dos mais importantes pintores a pastel de sua época, tendo sido influenciado por Lemoyne. Sua obra caracteriza-se, sobretudo, pelo uso de cores claras que se sobressaem num mundo detalhado e praticamente sem sombras.

A composição intitulada Mulher Turca com Pandeiro é uma obra do artista que nela usa o pastel e a técnica em óleo. Trata-se de uma réplica em óleo de um pastel menor. A jovem mulher apresenta-se como uma elegante parisiense. Seu rosto pálido com olhos claros traz bochechas e lábios vermelhos. Ela está sentada ereta sobre um grande tapete vermelho, usando um colorido traje turco. Traz nas mãos com unhas pintadas um pandeiro. Joias enfeitam suas orelhas, pescoço, braços e dedos.

O rigor com que Liotard executa os detalhes desta pintura mostra o quanto ele conhecia sobre os costumes turcos e evidencia sua grande capacidade de observação. O “turkery” – moda orientalista na Europa Ocidental – foi muito usado no período Rococó, com o objetivo de imitar os aspectos da cultura turca, muito em voga à época, tendo o artista feito muitas obras usando tal temática. Um grande cachimbo encontra-se recostado à parede que serve de fundo para a mulher.

Ficha técnica
Ano: c. 1735
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 117,2 x 186,7 cm    
Localização: Galeria Nacional de Londres, Grã-Bretanha

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen
https://www.wga.hu/html_m/l/liotard/turkish.html

Piazzetta – O JOVEM PEDINTE

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Giovanni Battista Piazzetta (1682 – 1753) nasceu e morreu em Veneza, Itália. Seu pai Giacomo Piazzetta era gravador e escultor. Foi com ele que teve suas primeiras aulas. Tornou-se aluno de Antonio Molinari e depois de Giuseppe Maria Crespi que o influenciou muito com sua pintura de gênero e o seu estilo. Foi o artista de pintura religiosa mais procurado no século XVIII, em Veneza. À época, tinha como rival o pintor Giovanni Battista Tiepolo.  Além das pinturas religiosas, Piazzetta também criou cenas de gênero e ilustrações para livros. Seu trabalho possuía um traço amplo e solto com cores térreas e quentes, contrastando com o estilo colorido e claro visto em Veneza, mas à medida que amadurecia sua pintura ia se tornando mais clara. É tido como um dos mais importantes artistas da pintura veneziana do século XVIII.

A composição pertencente ao estilo rococó e intitulada O Jovem Pedinte ou ainda Menino Mendigo é uma obra do artista. O rapazola retratado diante de um fundo escuro apresenta bochechas salientes e olhos e cabelos escuros. Veste um colete vermelho sobre uma camisa branca de mangas compridas e fofas, aberta no peito. O vermelho forte do colete parece refletir sobre sua face. Na mão esquerda traz um cajado e na direita, suja, detém um rosário. No ombro esquerdo carrega um casaco marrom. Sobre o objeto escuro apoiado em seu braço direito pode-se ver um pedaço de pão. Embora o rapazola mostre-se forte, com um corpo robusto, vê-se que é ainda muito jovem.

Apesar de sua condição de pobreza, o garoto não apela para a compaixão do observador, a quem parece fitar.  Sua postura não denota humildade e nem devoção. Seu semblante traz um ar de dignidade em vez de decadência.

Ficha técnica
Ano: 1725/1730
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 67,7 x 54,7 cm        
Localização: Instituto de Arte, Chicago, EUA

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen