Arquivo da categoria: Apenas Arte

Textos sobre variados tipos de arte

Liebermann – A ALAMEDA DE BÉTULAS NO…

Autoria de LuDiasBH

A arte é a vida e a vida tornou-se arte. Arte velha ou arte nova: o único aspecto duradouro dela é aquilo que vive. (Max Liebermann)

O pintor, gravurista e litógrafo alemão Max Liebermann (1847 – 1935) era filho de um fabricante de tecidos judeu que depois se tornou banqueiro. Antes de tornar-se artista, ele estudou direito e filosofia. A seguir estudou desenho e pintura em Berlim, Paris e Holanda. Quando esteve em Paris em sua juventude guiou-se pelos pintores holandeses como Rembrandt e Franz Hals. Só mais tarde veio a interessar-se pelo Impressionismo, tendo montado uma maravilhosa coleção de obras impressionistas francesas. Tornou-se o expoente do impressionismo alemão. Gostava de pintar seu jardim, próximo ao Lago Wannsee, e o dia a dia burguês. Embora Liebermann tivesse sido muito importante para a arte alemã, sua morte não foi noticiada pela mídia que se encontrava sob o controle dos nazistas. Sua esposa Martha Liebermann suicidou-se aos 85 anos, após ser notificada de que iria ser deportada para o campo de concentração de Theresienstadt, minutos antes de a polícia nazista chegar.

A composição intitulada A Alameda de Bétulas no Jardim Wannsee, Olhando para Oeste é uma obra do artista que criou uma série de pinturas sobre seu jardim que ficava perto do Lago Wannsee. Nesta obra é possível observar inúmeros aspectos do estilo Impressionista, como a predominância da luz e da cor. Árvores e sebes compõem diferentes cenários.

Ficha técnica
Ano: 1918
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 85,5 x 106 cm         
Localização: Niedersächsisches Landesmuseum, Hanôvar, Alemanha

 Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
https://en.wikipedia.org/wiki/Max_Liebermann

Sargent – NO JARDIM DE LUXEMBURGO

Autoria de LuDiasBH

Eu não julgo, apenas relato. (Sargent)

O pintor italiano John Singer Sargent (1856—1925), filhos de imigrantes estadunidenses, estudou na Academia de Belas Artes de Florença e depois na Escola de Belas Artes de Paris. Veio a conhecer o grupo de pintores impressionistas, tendo maior contato com Monet, embora seus trabalhos fossem expostos no Salão de Paris, pois não se engajou em nenhum movimento específico, sendo um grande generalista. Muito produtivo, o pintor de retratos, paisagens, murais e aquarelas, criou, ao longo de sua vida, cerca de 900 pinturas a óleo e mais de 2.000 aquarelas, assim como inúmeros esboços e desenhos a carvão. Foi um dos mais importantes retratistas e muralistas de sua época. Durante a Primeira Guerra Mundial, Sargent trabalhou na linha de frente a fim de documentar as atrocidades da guerra.

A composição intitulada No Jardim de Luxemburgo é uma obra do artista que toma o lago no centro do parque — um dos maiores do lado esquerdo do rio Sena — como peça central de sua pintura. A sua maior preocupação é com a luz. Por isso, para retratar o jogo de luz e sombra (preocupação constante dos impressionistas), ele pinta o parque no horário do crepúsculo vespertino, quando a lua imerge a cena numa luz violeta-acinzentada. Seus reflexos espalham-se pelo chão de cascalho. Flores vermelhas espalhadas pelos canteiros revigoram a paisagem, assim como o verde das árvores. A lua, ainda presente no céu, formada por uma grande bola dourada, atrai imediatamente os olhos do observador. Seu reflexo brilha na superfície do lago.

Em primeiro plano, no meio da praça, caminha um casal de braços dados, pertencente à alta sociedade. A mulher usa um longo vestido vaporoso com a saia com babados. Ao erguê-la, ela deixa à vista uma fração da parte de baixo de suas vestes. Usa um chapéu amarelo com tule que desce até seu pescoço e orna-o com um laço feito na ponta do queixo. Traz um leque na mão que se enlaça em seu companheiro. O homem veste um terno preto, fuma um cigarro e traz na mão um chapéu amarelo arredondado que parece um reflexo da lua. Junto ao lago, um homem lê um jornal, enquanto pessoas sentadas em sua beirada parecem conversar. Um sujeito solitário, à esquerda, está sentado num banco. Um garoto brinca junto ao lago com um barco de papel. Outros grupos de pessoas são vistos pelo jardim, ao fundo, assim como estátuas e outras decorações.

Ficha técnica
Ano: 1879
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 65,7 x 92,4 cm        
Localização: Museu de Arte da Filadélfia, Filadélfia, EUA

 Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
https://www.1st-art-gallery.com/John-Singer-Sargent/In-The-Luxembourg-
https://www.philamuseum.org/collections/permanent/101764.html

Pissarro – GEADA BRANCA

Autoria de LuDiasBH

O pintor francês Jacob Abraham Camille Pissarro (1830 – 1903) desde pequeno mostrava a sua inclinação pela pintura. Em Paris encantou-se com as telas de Camille Corot e tornou-se amigo de Paul Cézanne, Claude Monet, Charles-François, dentre outros artistas impressionistas. Teve quase todos os seus quadros destruídos por ocasião da guerra franco-prussiana, quando se mudou para a Inglaterra. Ao retornar a Paris, passou a pintar na companhia de Cézanne, influenciando-se mutuamente. Foi um dos fundadores do Impressionismo e um dos mais importantes artistas responsáveis pela coesão do grupo. Tornou-se famoso por ter sido o primeiro impressionista a trabalhar com a técnica da divisão de cores, obtida através do uso de manchas de cor isoladas. Também trabalhou com os neoimpressionistas, como Georges Seurat e Paul Signac, e fez uso do pontilhismo. Uma paleta de cores cálidas e a firmeza com que captava a atmosfera através de um trabalho definido de luz são características de sua obra. Foi professor de Paul Gauguin e de Lucien Pissaro, sendo esse último seu filho.

A composição intitulada Geada Branca é uma obra do artista. Foi apresentada na exposição impressionista de 1874, sendo mal vista pelos críticos de arte, mas Pissarro não se importou, dizendo que preferia voltar para seu trabalho a ler as críticas. Ao pintor interessava apenas os estados das paisagens, o que o levava a escolher os temas ao acaso, aprendendo com cada quadro que criava.

A obra em questão apresenta um caminho inclinado que leva ao cume do terreno. De ambos os lados existem campos. Subindo o caminho está um camponês que leva nas costas um feixe de lenha. Ao colocar a figura humana apoiando-se num cajado, o pintor mostra-nos que não se trata de um homem jovem, mas de um velho. O fato de a linha do horizonte encontrar-se muito alta torna a colina mais empinada.

A paisagem invernal não é bela e traz a sensação de isolamento com suas poucas árvores, montes de feno na linha do horizonte e o caminho que some no alto da colina. Inúmeras linhas e diagonais ascendentes, formadas por sombras alongadas e escuras, estendem-se pela paisagem, dando-lhe um ritmo próprio. Em primeiro plano, à direita, elas lembram um campo cheio de sulcos feitos pelo arado. Trata-se de uma experiência geométrica do pintor.

Ficha técnica
Ano: 1873
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 65 x 93 cm              
Localização: Museu d’Orsay, Paris, França

 Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.museeorsay.fr/en/collections/worksinfocus/painting/commentaire_id/white

Tintoretto – SUZANA E OS VELHOS

Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada Suzana e os Velhos é uma obra do pintor italiano Jacopo Tintoretto (1518 – 1594), cujo nome de batismo era Jacopo Robusti. Também era conhecido como Tintoretto, o Furioso, pela energia e “fúria” com que pintava tanto assuntos sagrados como profanos num período conhecido como o “século de ouro” veneziano. Embora não haja clareza em relação aos seus mestres, presume-se que entre eles estejam Ticiano, Andrea Schiavone e Paris Bardone. Além de ser tido como o mais importante pintor do estilo maneirista, encontra-se entre os melhores retratistas de sua época.

Suzana encontra-se prestes a tomar banho na piscina de seu suntuoso jardim, onde são vistos árvores, flores, animais e estátuas. Ela usa os cabelos presos em tranças à moda veneziana e traz ricas pulseiras em ouro, pedras preciosas e pérolas nos antebraços. Na orelha usa um brinco de ouro e pérola. Curva-se sobre o pé direito, enquanto o outro permanece dentro da água da piscina. À sua frente encontram-se seus artigos de toalete: um espelho (escorado na treliça de rosas), um pente, um colar de pérolas, um enfeite de cabelo, dois anéis e um jarro de prata com óleo perfumado, formando uma natureza-morta dentro da pintura. A seus pés está seu xale de seda branco e à sua direita seu luxuoso manto vermelho.

A bela Suzana está sendo vigiada por dois velhos libidinosos, juízes e membros respeitados da comunidade, conhecidos de seu rico esposo Joaquim. Eles se encontram escondidos atrás da sebe de rosas, aguardando o momento propício para agirem, ou seja, quando as escravas da bela mulher não estiverem ao seu lado, como mostra a cena. Suzana nada percebe, pois traz os olhos no espelho, aguardando a chegada das servas.

A grande figura de Suzana sentada e nua, escorada numa frondosa árvore, é destacada em razão da sebe de rosas que projeta uma área de sombra fresca em seu corpo. A luz reflete em sua pele dourada e nos objetos a seus pés, contrastando com as ricas sombras. A jovem senhora é retratada sensualmente, mas sem se dar conta da presença de terceiros, embora o observador deles se aperceba, como se aguardasse o desenrolar dos acontecimentos. Os corpos das três figuras formam um triângulo.

Esta pintura religiosa (livro bíblico de Daniel), tema muito retratada na história da arte e cheia de simbologia, faz parte do primeiro período do pintor barroco, sendo considerada uma de suas obras-primas. Ela mostra o gosto que o artista nutria pela paisagem que viria a ser apresentada em muitas de suas obras, sendo um dos seus aspectos mais conhecidos e admirados.

A paisagem ao fundo mostra um frescor primaveril, vista em claro e escuro. Fazem parte da simbologia da obra: o cervo (ao fundo, à esquerda) simbolizando a luxúria; a gralha (no galho acima da mulher) simbolizando as fofocas maldosas impingidas pelos juízes maledicentes; os patos (ao fundo, à direita) representando a fidelidade. As perspectivas distorcidas da pintura, seus fortes contrastes de luz e o recuo dinâmico nas profundezas do vasto pomar são características do estilo maneirista.

Ficha técnica
Ano: c.1555
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 146,5 x 193,5 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://artsandculture.google.com/asset/susanna-and-the-elders/oQElxVov8NZf2g

Tintoretto – VULCANO SURPREENDE VÊNUS E MARTE

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada Vulcano Surpreende Vênus e Marte é uma obra mitológica do pintor italiano Tintoretto que não deixou muitas obras baseadas na mitologia. O pintor mostra o momento em que Vênus — deusa da beleza e do amor — e seu amante Marte, deus da guerra, são surpreendidos por Vulcano — deus do fogo — marido da deusa. Esta mesma temática já foi representada por muitos outros artistas.

Vulcano, com seu corpo musculoso e alto, embora já idoso, tem os cabelos esbranquiçados e a barba branca. Usa uma faixa brilhante que lhe cobre os quadris. Ele se reclina sobre a cama, apoiando-se nela com o joelho direito e na perna esquerda estirada, tocando com a ponta do pé o chão e suspende o véu que cobre a genitália de Vênus, para ver se ali encontra algum vestígio de sua traição. Atrás dele, na parede, está um enorme espelho redondo que o mostra de costas, próximo à cama da esposa, reproduzindo a cena.

Vênus, com o corpo voltado para a lateral direita da tela e com as pernas abertas, tenta cobrir-se com o lençol. Ela não encara o marido. Com a mão esquerda levanta o lençol, procurando cobrir seu corpo nu, enquanto descansa o braço numa almofada dourada que se encontra à sua direita. O tecido escuro sobre sua cama lembra o manto de Marte — deus da guerra — que possivelmente não teve tempo de vesti-lo. Cupido, filho de Vênus com o amante, finge dormir tranquilamente num berço próximo à janela. Ele é o instigador da traição.

Marte esconde-se debaixo de uma mesa retangular postada atrás de Vulcano, forrada com uma toalha verde, trazendo em cima um manto vermelho, possivelmente o forro da cama de Vênus. Ele usa um capacete redondo e observa o cãozinho — tido muitas vezes como símbolo da fidelidade — aos pés da cama e voltado para ele e, ao que parece, prepara-se para latir, denunciando-o ao esposo traído.

A cena desenrola-se num luxuoso quarto de um palácio veneziano com belas janelas, cujos vidros possuem o formato de prismas. No peitoril da janela, próxima a Cupido, há um belo vaso de vidro de Murano. Os ladrilhos decorados levam a um segundo ambiente com escadas. Uma forte luz difusa banha a cena. As cores usadas pelo pintor são extremamente equilibradas.

Nota
Alguns veem no espelho, o próprio escudo de Marte. Também analisam que o deus da guerra encontra-se debaixo da cama de Vênus.

Ficha técnica
Ano: c. 1555
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 135x 198 cm
Localização: Alte Pinakothek, Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Renascimento/ Editora Taschen
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.wga.hu/html_m/t/tintoret/7/2vulcan.html

Segantini – A COLHEITA DE FENO

 Autoria de LuDiasBH

A bela figura divina estava rodeada por um lago prateado de luz que se espalhava e atravessava a sombra escura da luz. (Segantini)

O pintor italiano Giovanni Battista Segantini (1850 – 1899) nasceu numa família muito pobre e chegou a viver num reformatório, permanecendo muito tempo de sua vida sem saber ler ou escrever. Foi encorajado por um capelão do lugar a desenhar, coisa que fazia muito bem, a fim de melhorar sua autoestima. Depois foi morar com seu meio-irmão Napoleão que dirigia um estúdio de fotografia, onde o futuro pintor aprendeu o básico sobre esta arte, o que lhe possibilitou incorporá-la à sua pintura. Veio a estudar na Academia de Brera, onde se tornou amigo de inúmeros artistas. Suas primeiras obras situam-se, em grande parte, em cenas de gênero realistas, lembrando Millet e Daubigny. Tornou-se muito conhecido pelas paisagens pastorais que fazia dos Alpes, chegando a tornar-se um dos artistas mais famosos da Europa, no final do século XIX. Suas pinturas que combinavam um estilo divisionista com imagens simbolistas eram compradas por importantes museus.

A composição intitulada A Colheita de Feno é uma obra do artista que retrata o difícil trabalho dos camponeses com o feno que é ajuntado para depois ser carregado, numa faina cansativa e sem fim, com o objetivo de alimentar o gado na estação invernal. Assim como acontecia com os impressionistas, a luz era muito importante para Segantini, embora sob uma visão diferente — a divina.

Uma jovem mulher encontra-se em primeiro plano, curvada sobre um pequeno monte de feno, próxima a um amontoado de pequenas pedras. Seu braço direito está abraçado a um ancinho — seu instrumento de trabalho. Ela usa um vestido escuro e sobre ele um avental branco com mangas da mesma cor sobrepostas. Na cabeça traz uma touca branca. Mais ao fundo, um camponês carrega um pesado saco de feno em direção à carroça, onde outros já se encontram empilhados. Duas outras mulheres trabalham ao fundo, à esquerda, de costas para a figura principal. Outras figuras humanas são vistas distantes, à direita, na estrada de terra.

Um grande céu — tomando metade da tela — traz nuvens escuras e pesadas que são atravessadas por uma forte luz. Uma cadeia de montanhas desaparecem no horizonte. Pessoas e animais integram-se à paisagem, unidas pela luz radiante que vem do céu.

Ficha técnica
Ano: 1889/98
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 137 x 149 cm          
Localização: Segantini-Museum, Sr. Moritz, Suíça

 Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
https://en.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Segantini
https://www.segantini-museum.ch/en/museum/collection/paintings.html