Arquivo da categoria: Escultura

Apresentação de esculturas (entalhe na madeira, modelagem no barro, cinzelagem da pedra, fundição do metal, etc) dos tempos antigos.

Pietro Bernini – SACRIFÍCIO DE MARCO CURZIO

Autoria de LuDiasBH

Esta estátua equestre, denominada Sacrifício de Marco Curzio e também conhecida como Marco Curzio a Cavalo, encontra-se na Galleria Borghese, em Roma/Itália. O crítico de arte e pintor C. Baglione define o local como “Jardim ou Villa, se quisermos assim chamá-la, na qual se encontra toda sorte de delícias que se possam desejar ou ter na vida, toda adornada de belíssimas estátuas antigas, de pinturas excelentes e de outras preciosidades…”.

A estátua acima se encontra numa das paredes do salão de entrada da galeria.  O cavalo visto em forte galope foi criado por um escultor anônimo que viveu no primeiro ou segundo século de nossa era. Veio depois a receber como adendo o cavaleiro, tarefa que coube ao florentino Pietro Bernini (1562 – 1629), pai do também escultor Gianlorenzo Bernini.

Agregar a uma obra de mais de mil anos uma segunda parte exigia muita criatividade e destreza, pois não se podia quebrar o ritmo da obra quando em sua totalidade, tampouco apagar a sugestão de movimento da peça original. O objetivo era corporificar a lenda de Marcus Curtius (general sabino) – uma alegoria mostrando que o amor à pátria, pode ser mais forte do que o próprio amor à vida.

O cavaleiro solta as rédeas de seu cavalo e faz um gesto de atirar-se com ele em direção ao vazio, conforme narra a lenda de Marcus Curtius, precipitando-se sobre uma depressão a fim de salvar Roma.

Ficha técnica
Arte romana
Ano: Séc. I/II d.C. (cavalo)
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fonte de Pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal

Pietro Bernini – SÁTIRO COMBATENTE

Autoria de LuDiasBH

A escultura em mármore intitulada Sátiro Combatente é a cópia de um original em bronze criado durante o período helenístico. Recentemente foi restaurada, ocasião em que revelou que pode ter sofrido uma restauração no início da segunda década do século XVII pelos famosos escultores Pietro (1562 – 1629) e Gianlorenzo Bernini (pai e filho).

O sátiro – divindade silvestre relacionada a Dionísio, deus do vinho na mitologia grega – traz apenas uma folha de parreira ocultando a sua genitália. Ele se encontra de pé, tem o corpo musculoso, sem chifres e as tradicionais pernas de bode. Sua mão direita erguida brande no ar seu bastão pastoril. Na mitologia, os sátiros eram famosos por perseguirem as ninfas sempre em busca de jogos de amor.

Ficha técnica
Arte greco-romana
Ano: c. 120 – 140 d.C.
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fonte de Pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal

Antonio Susini – TOURO FARNESE

Autoria de LuDiasBH

A escultura em bronze intitulada Touro Farnese é uma obra criada pelo artista italiano Antonio Susini (? – f. 1680) que foi aluno do famoso escultor Giambologna. Após a morte de seu mestre, ele continuou fundindo peças a partir dos moldes originais deixados por ele, mas também deu continuidade à sua discreta obra.

A peça acima foi feita a partir de uma cópia em pequeno formato do famoso “Touro Farnese”, que por sua vez é também uma cópia romana, mas já muito modificada em relação ao original, datado de fins do século II, tendo sido atribuído aos artistas Apolônio e Taurisco de Rodes.

O artista retrata o suplício de Dirce que na mitologia grega era uma ninfa, esposa de Lico e sacerdotisa do deus Dionísio. Seu marido era um usurpador do reino de Tebas. Com eles morava a bela Antíope, filha do rei de Tebas, expulsa de casa por ter ficado grávida de Zeus e dado à luz gêmeos. Dirce passou a maltratar Antíope, sobrinha de seu esposo, tratando-a como escrava. Antíope conseguiu fugir e seus dois filhos (Anfíon e Zetos), para vingar a mãe, destronou Lico e ataram Dirce aos chifres de um touro que a arrastou até à morte.

A escultura é composta pelo touro e pelos irmãos Anfíon e Zetos que amarram uma corda em seus chifres. Dirce encontra-se, à esquerda, com as mãos para cima. O copista romano acrescentou as figuras de Antíope, em pé à direita, e a de um pastor, à esquerda, sentado na pedra próximo a um cão. O pastor personifica o Monte Citeron.

Ficha técnica
Arte romana
Ano: 1613
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fonte de Pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal

Gianlorenzo Bernini – PLUTÃO E PROSERPINA

Autoria de LuDiasBH

                              

A escultura em mármore intitulada Plutão e Proserpina é uma obra-prima criada pelo artista italiano Gianlorenzo Bernini (1598 – 1680) quando ele ainda era muito moço, ou seja, aos 23 anos de idade.  Ela traz a influência da escultura helenística e também dos afrescos pintados por Anniballe Carraci que se encontram no teto da Galeria Farnese.

Nesta virtuosíssima escultura o artista apresenta os dois personagens no auge de um ato violento, como se esses tivessem parados no tempo e no espaço, ou tivessem sido capturados por uma câmera fotográfica. O escultor, além de captar os gestos dos personagens, também foi capaz de exteriorizar suas emoções e sentimentos, como mostram as lágrimas a escorrer na face de Proserpina e os seus olhos aterrorizados. Um jogo de luz banha a obra, dando-lhe mais beleza. O artista chegou a um ponto de aprimoramento em sua arte que sua escultura participa ao mesmo tempo da natureza do teatro, da pintura e da arquitetura.

Bernini interpreta o momento em que Plutão (Hades), deus dos infernos e rei dos mortos, depois de apaixonar-se por Proserpina (Perséfone em grego), filha de Júpiter com Ceres, aprisiona-a. Ela se encontrava a colher flores quando foi raptada pelo deus e a levada para o seu sombrio reino, onde se tornou sua esposa. É possível notar o pavor no rosto da jovem que se debate inutilmente nos braços possantes do deus que a imobiliza. O realismo da obra e o seu perfeccionismo mostram-se ainda maiores ao observarmos os dedos das mãos de Plutão afundando nas carnes tenras da jovem mulher (figura menor).

Cérbero, o monstruoso cão de três cabeças de Plutão, responsável por guardar a entrada do mundo inferior – o reino subterrâneo dos mortos –, sem jamais deixar sair as almas que ali entravam, também está presente na obra, aos pés de seu dono e próximo a uma espécie de arpão forcado.

Ficha técnica
Arte romana
Ano: 1621/22
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fonte de Pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal

Gianlorenzo Bernini – DAVI

Autoria de LuDiasBH

A escultura intitulada Davi foi criada pelo artista italiano Gianlorenzo Bernini (1598 – 1680) quando esse tinha 25 anos. Não se tratava de um tema fácil para o jovem artista, pois já fora tratado, em séculos anteriores, por dois grandes nomes das artes: Donatello e Michelangelo. Mas nem mesmo isso foi motivo de desânimo para Gianlorenzo que acabou dando vida a uma obra-prima que, em alguns aspectos, suplantava as de seus antecessores, ao dar vida e movimento ao seu Davi, em um meio expressivo que tradicionalmente era norteado pela inércia e pela contenção.

O pequeno pastor de ovelhas, seminu, traz aos pés sua lira e a armadura que lhe fora dada por Saul, mas que não lhe permitia andar. Seu corpo retorcido coloca-se em posição de atirar. Uma pedra encontra-se na ponta de sua atiradeira. Ele tenciona os olhos, morde os lábios e se contrai na tentativa de alcançar o alvo.

O Davi do jovem Bernini apresenta, num grau elevado, uma das características de seu estilo: dar ação e movimento às figuras que tirava dos blocos de mármore. O jovem herói é mostrado no exato momento em que se encontra prestes a atirar no gigante Golias. O observador tem a sensação de que irá acompanhar imaginariamente a trajetória da pedra no espaço, até acertar o seu alvo.

Ficha técnica
Arte romana
Ano: c. 1623/1624
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fonte de Pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal

Rodin – OS CIDADÃOS DE CALAIS

Autoria de LuDiasBH

O francês Auguste René Rodin (1840 – 1917) é um dos mais notáveis escultores em bronze da modernidade. É tido como responsável pela escultura moderna, embora nunca tenha trabalhado para que isso acontecesse de fato, ou seja, jamais se rebelou contra o passado, até mesmo porque recebeu uma educação tradicional e ansiava pelo reconhecimento acadêmico. Nunca foi aceito pela tradicional escola de arte de Paris. Rodin, diferentemente dos escritores clássicos, não idealizava o corpo humano, baseando suas figuras em pessoas comuns. Costumava usar dançarinos e acrobatas como modelos. A naturalidade de suas figuras era tamanha que algumas pessoas chegavam a suspeitar que o artista baseava-se em moldes tirados dos modelos vivos. Suas obras repassavam uma grande dose de sensibilidade.
 
A escultura intitulada Os Cidadãos de Calais – também conhecida como Os Burgueses de Calais – é uma das mais famosas obras do artista que fez grandes trabalhos para instituições públicas, sendo este um dos mais bem sucedidos.

Este monumento tem um significado muito especial para o povo francês, pois representa seis cidadãos e líderes da cidade de Calais que se ofereceram para ser imolados durante a invasão inglesa, em 1347, durante a “Guerra dos Cem Anos”, com o objetivo de salvar a cidade. Eles são aqui apresentados como pessoas comuns, sem qualquer laivo de heroísmo o que causou polêmica à época da apresentação do monumento.

Os heroicos cidadãos estão vestidos com roupas rotas, levando consigo cordas com nós. Eustache de Saint-Pierre o mais velho e mais rico do grupo foi o responsável por entregar ao inimigo a chave da cidade. Rodin baseia-se, o mais fiel possível, no relato do cronista da época para executar sua obra.

Eustache de Saint-Pierre o líder do grupo é representado com a cabeça baixa e o rosto barbado, no meio. À sua esquerda, ereto e trazendo a boca fechada em uma linha apertada, Jean d’Aire traz nas mãos um grande conjunto de chaves. Os homens restantes são identificados como Andrieu d’Andres, Jean de Fiennes, Pierre e Jacques de Wissant.

Ao observar as seis figuras, podemos notar que elas mostram diferentes reações, traduzindo o momento cruciante em que se encontravam, certas de que seriam executadas, o que acabou não acontecendo em razão da intercessão da rainha inglesa. É também interessante notar que a composição em círculo de Rodin permitiu que nenhum dos homens fosse o ponto focal, permitindo que a escultura pudesse ser olhada de diferentes perspectivas.

Curiosidades

Segundo o escritor medieval Jean Froissart cronista francês do século XIV –, Edward III da Inglaterra ofereceu-se para poupar o povo da cidade, se seis de seus líderes se entregassem a ele, exigindo que saíssem com a cabeça e os pés nus e usassem cordas no pescoço e portassem as chaves da cidade e do castelo.

A corporação municipal da cidade de Calais convidou vários artistas, incluindo Rodin, para apresentarem um projeto com o objetivo de homenagear Eustache de Saint-Pierre. O projeto de Rodin, além de Eustache de Saint-Pierre, apresentava os outros cinco burgueses, sendo o escolhido. Os cidadãos de Rodin exibem sofrimento, em vez de glória, como alguns desejavam. Para o artista, eles mostram o heroísmo do auto sacrifício. Os cidadãos são imortalizados no momento em que deixavam a cidade. O escultor queria que o monumento ficasse no nível do chão, para um contato maior com as pessoas, mas esse foi instalado num pedestal alto, em frente ao Parc Richelieu, em Calais. Mais tarde, ao compreenderem o desejo de Rodin, a escultura foi colocada em frente à prefeitura da cidade, sobre uma base baixa.

Ficha técnica
Ano: modelada de 1884 a 1895
Altura: 209,6 × 238,8 × 241,3 cm
Material: bronze
Localização: Calais, France

Fontes de pesquisa
História da arte no ocidente/ Editora Rideel
https://www.khanacademy.org/humanities/ap-art-history/later-europe-and-americas/modernity-ap/a/rodin-the-burghers-of-calais