Arquivo da categoria: Crônicas

Abrangem os mais diversos assuntos.

ENEM 2023 E A EXCELÊNCIA DOS MAPAS MENTAIS

Autoria de Study Maps

Uma atmosfera de antecipação e determinação permeia os corações e mentes dos estudantes à medida que o ENEM 2023 se aproxima. A busca por estratégias eficazes de revisão se intensifica, e no epicentro dessa jornada está um recurso pedagógico atemporal – os mapas mentais. Este método visual de aprendizagem, que tem suas raízes profundamente entrelaçadas com a expressão artística e a exploração cognitiva, está emergindo como uma ferramenta valiosa para os aspirantes a excelentes resultados no exame.  Eles proporcionam – com sua essência artística e funcionalidade educacional – uma ponte entre o mundo abstrato das ideias e a realidade tangível da informação estruturada.

A convergência entre arte e aprendizado, exemplificada através dos mapas mentais, reflete uma abordagem holística que transcende a memorização rígida, convidando os estudantes a embarcar em uma jornada visual rumo ao conhecimento profundo. Essa fusão de elementos artísticos com a preparação acadêmica oferece uma perspectiva revigorante sobre como a educação pode ser enriquecida e transformada. Os mapas mentais, ao materializar conceitos em forma visual, cultivam uma atmosfera de exploração intelectual que é tanto estética quanto educativa. Essa fusão harmoniosa de estética e cognição serve como um lembrete eloquente da capacidade inerente da arte de facilitar a compreensão profunda e a retenção de conhecimento.

Os mapas mentais são uma jornada visual rumo ao conhecimento profundo. Eles servem como uma ponte visual entre a ideia inicial e o conhecimento profundo que se busca. Eles são o convite ao pensamento estruturado, proporcionando uma viagem visual através das conexões intrincadas entre conceitos e ideias. A simplicidade e eficácia desses residem em sua capacidade de transformar a complexidade em clareza, o abstrato em tangível. Vamos explorar, abaixo, um exemplo prático que ressalta a eficiência dos mapas mentais como uma ferramenta de aprendizagem.

A Reforma Protestante, evento histórico monumental que reformulou o cenário religioso e político da Europa, pode ser desdobrado de maneira visual e compreensível através de um mapa mental. O ponto central seria, evidentemente, a própria Reforma Protestante. Ramificações emanam deste núcleo, levando a subtópicos cruciais como Martinho Lutero, suas 95 teses, a Dieta de Worms, entre outros aspectos. Cada uma dessas ramificações pode se desdobrar em sub-ramificações adicionais. Por exemplo, a ramificação de Martinho Lutero pode se expandir para incluir sua vida, suas obras principais e seu impacto na religião e na sociedade. Pode incorporar ainda elementos visuais, como imagens representativas ou símbolos, para enriquecer a experiência de aprendizado. Um ícone de uma imagem de um martelo pode simbolizar a ação de Lutero de pregar suas teses na porta da igreja, enquanto uma outra imagem de um livro pode representar a tradução da Bíblia para o alemão – feito que permitiu uma maior acessibilidade à leitura sagrada.

Os mapas mentais, ao desdobrar complexidades em uma estrutura visual acessível, tornam a jornada de aprendizagem uma exploração intelectual estimulante e enriquecedora. Eles desbloqueiam uma porta para uma compreensão mais profunda, permitindo que os estudantes vejam além da superfície e mergulhem nas profundezas do conhecimento. Os mapas mentais são de grande importância na preparação para o ENEM que exige uma maratona acadêmica ? uma amálgama de dedicação, estratégia e recursos eficazes. Neste cenário, eles emergem como uma ferramenta inestimável que alinha a aspiração à realização, tornando o processo de revisão menos árduo e mais eficaz. Não são apenas uma representação visual de informações, mas um catalisador que impulsiona a compreensão e retenção do conhecimento.

Um dos aspectos mais importantes dos mapas mentais é sua capacidade de destilar a essência de temas complexos em uma representação visual simplificada. Isso é especialmente benéfico para os estudantes que estão navegando pelo vasto mar de temas que o ENEM abrange. Além disso, a flexibilidade desses permite uma personalização que se alinha com o estilo de aprendizagem individual dos estudantes. Eles têm a liberdade de escolher as cores, imagens, e estruturas que ressoam com eles, fazendo da revisão uma experiência mais engajada e menos monótona. Esta personalização não só enriquece a experiência de aprendizagem, mas também ajuda na retenção de informações, o que é crucial para o sucesso no ENEM.

A magia dos mapas mentais vai além da mera representação visual. Eles encorajam uma forma de aprendizagem ativa que instiga a reflexão, a conexão de ideias e a exploração de conceitos a um nível mais profundo. Isso é vital em um exame como o ENEM, onde a compreensão conceitual e a capacidade de aplicar o conhecimento em diferentes contextos são avaliadas rigorosamente. A preparação para o ENEM é uma jornada intensiva de auto descoberta, gestão do tempo e domínio acadêmico. Incorporar mapas mentais nesta jornada não só eleva a eficiência da revisão, mas também enriquece a experiência de aprendizagem, tornando o caminho para o sucesso no ENEM uma jornada visualmente estimulante e intelectualmente gratificante.

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ACADEMIA DE APOSTAS – SITE ONDE OS BENEFÍCIOS SÃO COTIDIANOS

Autoria de Juliana Espina

Se existe um sentimento que experimentam frequentemente aqueles que estão tentando aprender como apostar e não possuem muitos conhecimentos sobre este mundo, é a sensação de que é impossível achar um espaço no qual possam obter diversos benefícios de forma constante.

Felizmente, existe um site onde, sim, é possível aprender a fazer apostas desde zero, obter análises de apostadores e traders profissionais, ler diferentes artigos sobre futebol e outras disciplinas esportivas e participar em fóruns.

Ainda não sabe de qual portal estamos falando? Simples: da Academia das Apostas! Se você quer conhecer mais sobre tudo o que este espaço de aprendizado tem para oferecer, continue a ler!

Academia das Apostas, um site integral

Se tivermos que explicar o que é a Academia das Apostas para quem não conhece, ou nunca ouviu falar dela, poderíamos dizer que se trata de um parceiro que funciona como um guia do mundo das apostas para as pessoas que estão apenas começando a apostar.

O portal fornece informação e estatísticas sobre campeonatos, jogadores e equipes de futebol, abarcando tanto ligas domésticas quanto internacionais, assim como copas e amistosos de seleções de todo o mundo. Os dados que oferece incluem resultados finais e ao intervalo, cartões amarelos e vermelhos, gols e qualquer evento ou situação que possa influenciar no desenvolvimento das partidas.

A Academia oferece a possibilidade de acompanhar diversas competições, como, por exemplo, o Brasileirão, a Copa América, a Premier League, a Liga dos Campeões, a Liga Europa, a Liga Espanhola e a Liga Portuguesa, entre outras.

Quais são os benefícios que proporciona pertencer à Academia das Apostas

Já explicamos de que se trata a Academia das Apostas e qual é seu espírito. Agora é momento de detalhar quais são as vantagens que oferece. Ainda não forma parte da comunidade dos mais de 250.000 usuários do portal? Confira tudo o que você está perdendo!

Acesso a estatísticas e livescores

O site oferece uma lista de todos os jogos assim como um calendário das partidas que estão por vir. Adicionalmente, proporciona resultados em direto, gols e resultados dos últimos encontros e melhores odds do momento. Além disso, também disponibiliza canais para ver jogos em direto e oferece a possibilidade de personalizar a tabela de resultados, para que cada usuário escolha os times de sua preferência a fim de obter maior visibilidade de seu desempenho.

Possibilidade de fazer cursos de apostas

A Academia tem dois cursos para apostadores novatos. Um deles, o curso de apostas desenhado por Paulo Rebelo, apostador e trader profissional, ensina como apostar desde zero.

A partir de mais de 50 aulas de vídeo, o especialista explica conceitos básicos do mundo das apostas e vai avançando em complexidade. O usuário pode visualizar cada videoaula ao seu próprio ritmo para fixar os conhecimentos.Por outro lado, também oferece um curso de pôquer na modalidade Texas Holdem No Limit para iniciantes. O treinamento explica a importância da posição na mesa, a classificação das mãos, a correta seleção de adversários e os tipos de apostas, entre outros assuntos.

Acesso a previsões e tips

Nesta seção do site é possível achar análise e prognósticos feitos por especialistas do mundo das apostas. Baseando-se em seu conhecimento sobre o futebol e as apostas, os profissionais analisam o mercado para dar previsões sobre aquelas apostas que oferecem maiores possibilidades de obter a vitória.

 

 

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POR QUE MULHERES GANHAM MENOS?

Autoria de Tatiana Dias*

Eu fui demitida no dia em que voltei de licença-maternidade. Havia passado semanas me preparando, deixei o freezer cheio de leite do peito, me despedi chorosa de minha bebê de cinco meses e fui trabalhar. Cheguei, liguei o computador, mas mal tive tempo de lembrar de minhas senhas – fui chamada numa sala e, então, demitida. Ainda ouvi, de duas hierarquias superiores diferentes que seria bom, pois teria mais tempo para ficar com a minha filha.

Fiquei atônita, sequer soube como reagir. Agradeci e me despedi. Foi a primeira e única vez em que fui demitida. No meu primeiro dia de trabalho após a maternidade, passei a tarde na fila do exame demissional. Felizmente, já estava com outra oportunidade engatilhada, então não precisei interromper a minha carreira como tantas outras mulheres que param nesse ponto. Mas contei essa história para dizer: é precisamente aí que está o problema. 

Nesta semana, Lula declarou que apresentará uma lei de igualdade salarial entre homens e mulheres, uma promessa feita no acordo com a ex-presidenciável Simone Tebet. “Toda hora que você vai procurar essa lei, parece que existe, mas tem tantas nuances que tudo é feito para a mulher não ter o direito. Ou seja, então é preciso fazer uma lei que diga que a mulher deve ganhar o mesmo salário do homem se exercer a mesma função. E pronto, não tem vírgula”, declarou Lula. A lei deve ser apresentada simbolicamente na próxima quinta-feira, 8 de março – Dia Internacional da Mulher.

Quem discorda? Eu não ouso. Acontece que essa regulação já existe – a própria CLT veda discriminação salarial por gênero desde 1943. “Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, no mesmo estabelecimento empresarial, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade”, diz o artigo 461 da lei.

O problema não é uma legislação ou mesmo fiscalização. O problema é o abismo salarial que se abre quando as mulheres interrompem suas carreiras por causa da maternidade, deixando de crescer profissionalmente ou mesmo de trabalhar. E o mesmo não acontece com os homens.

Vários estudos diferentes já mostraram que a diferença salarial não acontece necessariamente por causa do gênero – mas, sim, pela maternidade. São as mulheres com filhos as maiores penalizadas. E isso é especialmente patente entre as que têm escolaridade mais baixa, o que aumenta a desigualdade e todos os problemas que conhecemos muito bem. No Brasil, 32 milhões de famílias são chefiadas por mulheres. Não é exagero dizer que todas, ou quase todas, sofrem a chamada “penalidade materna”.

Mulheres não têm com quem deixar os filhos para irem trabalhar. As creches não têm horários que permitam conciliar com as famílias – isso quando há creches, né? Estima-se que mais de 17 milhões de crianças de 0 a 3 anos no Brasil estejam fora das creches. A sociedade patriarcal ainda relega às mulheres a prioridade sobre o cuidado com os filhos em um modelo machista que é respaldado por políticas públicas. Temos quatro meses de licença (o que é muito pouco) e os pais têm ridículos sete dias – vinte, nos casos mais generosos. Quem, na volta desse período de licença, tem mais chance de não voltar a trabalhar? Quem terá mais dificuldades com o retorno? Quem tem mais chances de não ser recomendado por colegas? Quem é considerado o cuidador natural do bebê por todo o entorno?

Um dos estudos sobre o peso da maternidade, feito por um economista da Universidade de Princeton, nos EUA, mostra que os salários das mulheres têm uma queda significativa após o primeiro filho. O gráfico é chocante. Até a maternidade, o avanço na carreira de homens e mulheres é semelhante; depois do bebê, o das mulheres cai, enquanto o dos homens segue subindo sem incômodo. E olha que os dados utilizados no estudo se referem à Dinamarca, um dos países com uma rede de proteção social infinitamente melhor do que a do Brasil.

Por aqui, outro estudo, publicado em 2022 – desta vez, de economistas da Universidade Federal da Paraíba e do Ceará – mostrou que mães com crianças menores de 6 anos ou com mais de um filho possuem mais desvantagem salarial em comparação com as mulheres sem filhos, especialmente entre quem tem menor nível de escolaridade. Por isso, os pesquisadores recomendam políticas de apoio às mães para continuarem seus estudos e trabalho – creches – e amparo para quem está no setor informal. 

Eles também sugerem que, apesar das leis trabalhistas que garantem proteção, “há o posicionamento da sociedade de que a criação dos filhos é de responsabilidade exclusiva da mulher, o que contribui para que a discriminação nas relações de trabalho persista”, escreveram. “Portanto, pretende-se ampliar o debate sobre a problemática da discriminação das mulheres com filhos no mercado de trabalho, além de defender o fato da mulher poder conciliar o papel de mãe com o direito de trabalhar e/ou estudar”. 

É muito difícil detalhar em palavras o peso que é ser uma profissional, avançar na carreira, e conseguir conciliar com a maternidade – mesmo cercada de privilégios. Por isso, achei muito bonita a iniciativa do novo governo, gera belas manchetes, mas arrisco dizer que ela mudará muito pouco a realidade. 

Que tal começar em políticas que incentivem uma licença paternidade maior, ou mesmo uma familiar? O governo Bolsonaro havia cortado 97% das verbas das creches. O quanto disso será restabelecido pelo novo governo? Que medidas podem ser feitas para que as empresas garantam horários flexíveis, home office e salas de amamentação para as mulheres que acabaram de ter filhos? Mas, mais profundamente: o que podemos fazer, em termos de políticas públicas, sobre a discriminação das mães em ambientes de trabalho e a discussão no papel das mulheres como cuidadoras principais? 

Ainda não sabemos se a lei de igualdade salarial proposta por Lula vai se aprofundar em alguma dessas questões, já que o governo não divulgou o texto. Mas “igualdade salarial”, em tese, já temos. São as respostas a questões mais profundas, que garantem mais igualdade nos cuidados com as crianças e a criação de uma rede de apoio pública e acessível, além de empresas verdadeiramente comprometidas, que podem de fato equiparar o salário entre homens e mulheres.

Porque quando uma mulher volta a trabalhar depois da licença maternidade – e isso já é um privilégio porque grande parte de nós sequer temos licença, ou a possibilidade de deixar os filhos com alguém, ou mesmo emprego –, ela está em um momento sensível e pode até querer ficar mais tempo com o seu bebê. Mas também quer – e precisa – continuar trabalhando. E cabe ao estado garantir a proteção social necessária para que isso aconteça.

 *Editora Sênior do Intercept Brasil

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O ALUNO, O PROFESSOR, O JUÍZ E O CELULAR

Autoria – mídia escrita

ALUNO QUE PROCESSOU PROFESSOR POR TER TOMADO CELULAR EM SALA DE AULA PERDE CAUSA NA JUSTIÇA!

O juiz Eliezer Siqueira de Sousa Junior, da 1ª Vara Cível e Criminal de Tobias Barreto, no interior do estado de Sergipe, julgou improcedente um pedido de indenização que um aluno pleiteava contra o professor que tomou o seu celular em sala de aula.

De acordo com os autos, o educador tomou o celular do aluno, pois esse estava ouvindo música, usando os fones de ouvido durante a aula.

O estudante foi representado por sua mãe, que pleiteou reparação por danos morais diante do “sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional” do filho.

Na negativa dada, o juiz afirmou que “o professor é o indivíduo vocacionado a tirar outro indivíduo das trevas da ignorância, da escuridão, para as luzes do conhecimento, dignificando-o como pessoa que pensa e existe”. O magistrado se solidarizou com o professor e complementou dizendo que “ensinar era um sacerdócio e uma recompensa, mas hoje, parece um carma”.

O juiz Eliezer Siqueira ainda considerou que o aluno descumpriu uma norma do Conselho Municipal de Educação que impede a utilização de celular durante o horário de aula, além de desobedecer, reiteradamente, o comando do professor.

Ainda considerou que não houve abalo moral, já que o estudante não utiliza o celular para trabalhar, estudar ou qualquer outra atividade edificante.

E finalizou dizendo:

“Julgar procedente esta demanda, é desferir uma bofetada na reserva moral e educacional deste país, privilegiando a alienação e a contra educação, as novelas, os realities shows, a ostentação, o ‘bullying intelectivo’, o ócio improdutivo, enfim, toda a massa intelectivamente improdutiva que vem assolando os lares do país, fazendo as vezes de educadores, ensinando falsos valores e implodindo a educação brasileira”.

Por fim, o juiz ainda faz uma homenagem ao professor.

“No país que virou as costas para a Educação e que faz apologia ao hedonismo inconsequente, através de tantos expedientes alienantes, reverencio o verdadeiro HERÓI NACIONAL, que enfrenta todas as intempéries para exercer seu ‘múnus’ com altivez de caráter e senso sacerdotal: o Professor.”

ISTO DEVERIA SER LIDO EM TODAS AS SALAS DE AULA DO BRASIL! ALIÁS, POR TODOS OS BRASILEIROS!

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ALMA DE MINAS

Autoria de Carlos Drummond de Andrade

Mineiro sou e mineiro continuarei, com a graça de Deus, em qualquer virada. Não me venham dizer que mineiro vivendo fora de Minas é um traidor. Viver aqui ou ali não passa de contingência, mas o essencial é ter nascido aqui e não ali ou em Singapura.

Não há nenhum mistério em ser mineiro. Há uma doce satisfação em estar ligado a paisagens, figuras humanas coisas e modos de ser, de agradável lembrança, como:

  • as montanhas que sugerem cismas altas e purificação de espírito;
  • o Rio São Francisco, que define o Brasil;
  • o alferes Tiradentes, que define a liberdade;
  • o iluminado Aleijadinho, pai geral dos artistas brasileiros;
  • Marília inconsolada e Dona Beja exuberante;
  • o místico Alphonsus de Guimaraens e o neo-jagunço Guimarães Rosa;
  • seresteiros de Diamantina e Montes Claros;
  • criadores de boi e de mula, pacientes e sóbrios;
  • cultivadores de milho, símbolos de fartura da mesa universal;
  • mineradores e garimpeiros antigos e modernos, que suam e sonham com o Eldorado;
  • o calmo andar pelas ruas e a adaptação fácil a tempos de competição industrial;
  • os crepúsculos inenarráveis de Belo Horizonte;
  • o bolo de feijão bem apimentado, a cachacinha confiável, o café adoçado com rapadura, e tanta coisa mai

Mineiro é simples, não simplório. Quando há uma conspiração mundial contra a    simplicidade, o mineiro parece esquisito. Não é não.

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CARL SAGAN – ESCRAVIDÃO x EDUCAÇÃO (XI)

Autoria de Lu Dias Carvalho

Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, devíamos antes acreditar nos filósofos que dizem que apenas as pessoas educadas são livres. (Epicteto).

Um escravo deve saber apenas obedecer ao seu senhor – deve cumprir as ordens. O conhecimento o estragaria. Aprender a ler o inutilizaria para sempre como escravo. (Capitão Hugh Auld)

Os livros são essenciais para compreender o mundo e participar de uma sociedade democrática. (Carl Sagan)

A escravidão (escravatura, escravismo, escravaria, escravagismo, etc.), esta prática social abjeta, através da qual um ser humano assume os direitos de propriedade sobre outro, quer seja através da violência física, moral ou econômica, é uma mancha monstruosa na história da humanidade e que ainda se perpetua mundo afora como se fosse algo totalmente normal. Mesmo em países em que o escravismo é tido como inconstitucional, muitas vezes observamos que foi mudada apenas a sua roupagem, pois agora os cativos servem principalmente no campo da industrialização, escondidos, muitas vezes, nas barbas da lei que os ignora ou nada faz.

A subjugação de outros seres humanos em tempos idos (e ainda hoje em inúmeros países) dava-se incutindo na cabeça dos escravos a ideia de que já nasciam submissos (ver dalits e o sistema de castas na Índia). Isso era dito nos púlpitos das igrejas, nos tribunais e em toda a sociedade. Passavam-lhes a noção de que essa era a “vontade de Deus” – garoto propaganda incumbido de justificar todos os desmandos humanos. Diferentes livros sagrados, contendo as normas de cada credo, também assim apregoavam. E não pensem que a Bíblia dos cristãos ficou de fora. É possível encontrar em muitas de suas páginas a clara aceitação da servidão e da sujeição humana.

O saber era vedado a homens, mulheres e crianças escravizados, a fim de que pudessem continuar aceitando o cativeiro, mas, para isso, fazia-se necessário mantê-los analfabetos. O sistema dominante tinha a clareza de que o saber levava ao pensamento crítico – única força libertária que quebra as correntes da ignorância e do jugo, seja ele qual for. Havia, à época, severas penalidades para quem ensinasse um escravo a ler. E os que o faziam, faziam-no às escondidas.

O conhecimento, admitia os adeptos da escravatura, abriria os olhos dos escravos em relação à submissão odiosa a que eram submetidos. Por isso, combatiam tenazmente o saber, pois esse ajudaria os cativos a pensar, encaminhando-os à liberdade. Portanto, era necessário manejar o que as pessoas ouviam, viam ou pensavam. Era preciso mantê-las fechadas no cárcere da ignorância, trancafiadas nos grilhões da estupidez mental. Os livros eram um inimigo do sistema escravagista, devendo ser combatidos.

O estadunidense Frederick Douglass Bailey (1818-1895), criado como escravo – um dos maiores oradores, escritores e líderes políticos na história norte-americana – deixou claro que a alfabetização, às escondidas, foi o caminho para a sua liberdade. E foi enfático ao dizer que “O sistema dominante achava que para criar um escravo satisfeito era necessário criá-lo estúpido. Seria necessário obscurecer a sua visão moral e intelectual e, na medida do possível, aniquilar o poder da razão”.

Não nos esqueçamos nunca de que os conservadores mesquinhos, dominadores e descompromissados com as mudanças sociais sempre viram na capacidade de ler e no conhecimento advindo dos livros (e hoje da mídia progressista) um inimigo extremamente perigoso, uma ameaça ao seu poder. Possuem a convicção de que saber ler, pensar, ter autocrítica ainda é o caminho mais eficaz em direção à liberdade – não estão errados, pois a educação é um fator de libertação.

Para reflexão, deixo abaixo o pensamento de Carl Sagan:

“As rodas dentadas da pobreza, ignorância, falta de esperança e baixa autoestima se engrenam para criar um tipo de máquina do fracasso perpétuo que esmigalha os sonhos de geração a geração. Nós todos pagamos o preço de mantê-la funcionando. O analfabetismo é a sua cavilha. Ainda que endureçamos os nossos corações diante da vergonha e da desgraça experimentadas pelas vítimas, o ônus do analfabetismo é muito alto para todos os demais – o custo das despesas médicas e hospitalizações, o custo do crime e prisões, o custo da produtividade perdida e inteligências potencialmente brilhantes que poderiam ajudar a solucionar os dilemas que nos perseguem.”

Ilustração: Frederick Douglass, cerca de 1874.

Fonte de pesquisa
O mundo assombrado pelos demônios/ Companhia de Bolso

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