Arquivo da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Albrecht Dürer – AUTORRETRATO COM…

Autoria de LuDiasBH

O pintor alemão Albrecht Dürer é responsável por um dos mais belos autorretratos da história da pintura — sua obra Autorretrato com Casaco de Pele. Presume-se que tenha sido pintada nos primeiros meses do início do ano de 1500, alguns meses antes de seu aniversário que aconteceria no dia 21 de maio. De acordo com a inscrição ao fundo, ele estaria com 28 anos, próximos aos 29 que faria em maio do mesmo ano.

Dürer encontra-se entre os artistas do Ocidente que mais produziram autorretratos que foram de suma importância para mostrar o seu crescimento como pintor, assim como as transformações sofridas pela pintura de sua época, tendo caminhado de simples arte para o ofício e depois para as belas-artes, sendo ele um dos responsáveis por essa caminhada. É importante saber que, naquela época, uma pose frontal só era comum aos retratos religiosos, sobretudo para os de Cristo, sendo Dürer um inovador. A ausência de fundo no autorretrato torna-o atemporal, enquanto as inscrições parecem flutuar no espaço escuro.

O artista encontra-se no auge de sua beleza. Seu autorretrato de busto repassa ao observador a força de seus traços, demonstrando solenidade e dignidade. Com seus cabelos grandes, volumosos e cacheados e a mão direita erguida no meio do peito em postura de bênção, fixando o observador, Dürer parece ter tomado para si o modelo iconográfico do Cristo Redentor, representado nas pinturas medievais. Existem também outras semelhanças com as convenções da pintura religiosa de então, como a simetria e os tons escuros. Ele veste um luxuoso casaco com guarnição em pele. À sua direita a inscrição refere-se ao ano em que a pintura foi feita e ao seu monograma, e  à sua esquerda, uma inscrição em latim diz que o artista pintou seu autorretrato aos 28 anos de idade.  É tido como o autorretrato mais pessoal e icônico que fez.

O retrato de Dürer, ao lembra algumas representações medievais de Cristo, remete à sua quase divindade como pintor — um dos mais criativos de seu tempo —, concepção essa que coadunava com o conceito renascentista do ser humano. Presume-se que esta pintura tenha sido profundamente retocada pelo pintor em princípio de 1520, após sua visita aos Países Baixos. Tal constatação deve-se ao fato de que foi após essa época que sua obra ganhou grandeza e força, havendo inclusive maior intensidade no colorido. E apesar da simetria mostrar-se aparentemente rígida, é possível observar que alguns elementos fogem desta regra: a cabeça do artista — ocupando o centro da composição — está ligeiramente voltada para a direita; os cachos dos cabelos, caem diferentemente em ambos os lados, enquanto seu olhar inclina-se ligeiramente para a esquerda.

Ficha técnica
Ano: 1500
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 67 x 49 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
https://en.wikipedia.org/wiki/Self-Portrait_(D%C3%BCrer,_Munich)

Gerard ter Borch – MENINO CATANDO PULGAS…

Autoria de LuDiasBH

O artista holandês Gerard ter Borch (1617–1681), também conhecido como Gerard Terburg, foi um reconhecido pintor de gênero. Era filho de Gerard ter Borch, o Velho, também artista, o que contribuiu para que ele desenvolvesse seu talento ainda muito jovem. Sua irmã Gesina ter Borch também se tornou pintora. É provável que tenha estudado com Willem Cornelisz Duyter ou com Pieter Codde. Foi um artista muito viajado, absorvendo vários tipos de influências. Em Madri, além de ser contratado, ainda recebeu a honraria de “Cavaleiro de Philip IV”, mas acabou retornando ao seu país. As obras encontradas do pintor são poucas — cerca de 80 —, espalhadas por diversos museus, coleções e galerias. As suas pinturas eram muito apreciadas em sua época, sendo ele mais conhecido como um pintor de gênero, especializado, sobretudo, em representações da vida doméstica da classe média e de seus rituais.

A composição Menino Catando Pulgas com um Cão no Colo — também conhecida como Menino com Seu Cão — é uma das muitas cenas de gênero deixadas pelo artista. Apesar de aparentemente simples e direta, há nela muitas influências trazidas pelo pintor de suas viagens. Lembra inclusive a pintura do espanhol Bartolomé Estéban Murillo — contemporâneo de Borch.

Um garoto está sentado com seu dócil cãozinho no colo, catando-lhe as pulgas. Suas mãos, trazendo as duas unhas dos dedos polegares unidas, mostram que ele acaba de encontrar uma pulga, dando-lhe um fim. Sua aparência é de pobreza, assim como o ambiente em que se encontra. Está sentado sobre uma pequena cadeira de madeira e junco, tendo à sua esquerda uma mesa tosca, forrada, com um caderno de notas e um cachimbo em cima, provavelmente de seu pai. À sua frente, em primeiro plano, está um banco de madeira, sobre o qual se encontra um roto chapéu de palha. O garoto mostra-se totalmente entretido na sua busca.

Ficha técnica
Ano: 1662
Técnica: tela transferida para madeira
Dimensões: 32,5 x 28 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Rubens – PAISAGEM TEMPESTUOSA

Autoria de LuDiasBH

                                                   (Clique na imagem para ampliá-la.)

O pintor barroco Peter Paul Rubens (1577–1640) teve os primeiros onze anos de sua vida passados em Colônia, na Renânia, pois sua família teve que fugir da Antuérpia, para escapar da guerra entre católicos e calvinistas. Após a morte do pai, a mãe retornou com os filhos para Antuérpia, onde Rubens — católico devoto — estudou latim e tornou-se pajem na família real. Aos vinte e um anos foi inscrito como pintor na corporação de São Lucas, vindo a  tornar-se mestre. Quando estava prestes a completar trinta anos, partiu para a Itália, onde ficou a serviço de Vicenzo I Gonzaga, Duque de Mântua, de quem recebeu um missão diplomática na Espanha. Na Itália, ele aproveitou para conhecer várias cidades, ficando mais tempo em Gênova e Roma.

A composição intitulada Paisagem Tempestuosa ou também A Tempestade – Paisagem com Filemon e Baucis é uma obra do artista. Embora não fosse especializado no gênero, Rubens criou uma das mais belas e realísticas pinturas de paisagem que retrata uma tempestade caindo sobre uma enorme e turbulenta paisagem, transtornada pelo temporal que desaba. Ele mostra as árvores sendo chicoteadas pelo vento e as águas a despencarem por entre as rochas.

Algumas figuras humanas encontram-se no local. À esquerda, na base da pintura, uma mulher e uma criança mostram-se caídos, vencidos pela fúria das águas. Um pouco acima deles está um homem abraçado a uma árvore, tentando desesperadamente se salvar. Atrás do homem vê-se também uma ovelha morta, presa a um tronco de árvore.

À direita encontram-se as figuras mitológicas de Júpiter e Mercúrio com Filemon e Baucis — dois idosos que foram hospitaleiros com os deuses, quando esses os procuraram sob a aparência de peregrinos, segundo o mito contado nas “Metamorfoses” de Ovídio. O tal casal foi recompensado com a proteção dos deuses que mantiveram sua cabana intacta durante a tempestade, sendo transformada depois num templo em sua memória, vivendo os dois ali como sacerdotes. As figuras mitológicas têm a finalidade apenas de trazer mais um elemento à obra.

Logo abaixo do grupo vê-se outro animal morto, possivelmente mais uma ovelha, presa a um emaranhado de galhos. No centro da composição, próximo à cachoeira formada pelas águas impetuosas, um homem segura-se numa rocha.  A presença das cores do arco-íris sob as nuvens mostra que a tempestade já se amainou, embora o ambiente ainda se apresente turbulento.

Ficha técnica
Ano: c.1624
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 146,5 x 209 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Ticiano – O JUÍZO FINAL

Autoria de LuDiasBH

O pintor Ticiano Vecellio (1490–1576), também conhecido como Tiziano, Titian ou ainda como Titien, encontra-se entre os grandes nomes da pintura italiana. Ainda pequeno, retirava suco de flores para desenhar toalhas e lençóis. O pai — Capitão Conte Vecellio — reconhecendo o pendor artístico do filho, envia-o para Veneza, acompanhado do irmão mais velho. Ali é apresentado por um tio aos mais importantes pintores venezianos da época.  Passa pelas mãos de Gentile Bellini e depois nas de Giorgione que o acolhe com entusiasmo. Sorve com tanto interesse os ensinamentos de Giorgione que, com 20 anos incompletos, tem uma de suas pinturas confundida com a obra do mestre. Oportunidade em que o aluno percebe que não existe mais nada a ser aprendido com ele e passa a caminhar por conta própria.

A composição intitulada O Juízo Final — também conhecida por A Glória ou A Trindade ou O Julgamento Final e ainda Paraíso — é uma obra do artista, encomendada pelo imperador Carlos V que nutria por ela grande admiração. Trata-se de uma das sete telas do artista que o imperador levou consigo, quando se recolheu em 1556, ao mosteiro de Yuste e para a qual voltou seu olhar ao morrer. Nela estão representados o imperador e sua família clamando a Jesus Cristo pela salvação.

No alto da composição está a Santíssima Trindade — Deus Pai e Jesus Cristo (ambos estão sentado, trazendo um globo e um cetro nas mãos) e o Espírito Santo em forma de pomba e cujos raios atravessam as nuvens. Ali também se encontram à esquerda a Virgem Maria (olhando para o lado) e São João Batista — teologicamente os dois principais intercessores. À direita estão Carlos V (ao lado da coroa imperial), sua esposa Isabella de Portugal (o casal está amparado por anjos com asas azuis), seu filho Filipe II da Espanha e as filhas Joana da Áustria, Maria da Hungria e Eleonor da Áustria — todos vestidos com mortalhas e descalços.

Na composição também estão presentes inúmeras figuras do Antigo Testamento, como Adão e Eva, o rei Davi (recostado sobre uma ave de rapina que olha para ele), Moisés (com as Tábuas da Lei) e Noé (com a Arca sobre a qual está uma pomba branca com um ramo de oliveira no bico). A figura com a roupa verde tem sido identificada como Maria Madalena, a Sibila Eritreia, Judite, Raquel ou a própria Igreja Católica. Dois homens idosos e barbados colocados mais abaixo são identificados como Pietro Aretino e o próprio Ticiano (visto de perfil). É provável que a figura barbada logo abaixo da Virgem seja Francisco de Vargas — embaixador da Espanha em Veneza.

O uso da cor azul (a mesma usada no manto de Deus Pai e de Deus Filho) e a postura da Virgem Maria na composição — ela é a única a caminhar em direção à Santíssima Trindade — indicam a sua importância em relação às demais figuras presentes. À esquerda da Trindade ( e à direita do espectador) inúmeros anjos segurando palmas põem-se ao lado da família suplicante de Carlos V. A pintura apresenta um movimento ascendente — do reino terreno para o céu. Uma paisagem bucólica é vista na parte inferior da tela, na qual são vistos peregrinos — testemunhas da visão divinal. O fundo da composição, na parte divina, é todo pintado com o rostinho de querubins.

Em razão dos muitos nomes recebidos, é possível concluir que esta composição possua várias leituras e que o título Juízo Final deve-se ao fato de ter sido contemplada pelo imperador, quando ele se encontrava morrendo, pois, na verdade, não tem relação com o tema apresentado. O artista assinou seu nome no manuscrito que se encontra na mão do rei Davi.

Obs.: A fonte textual da obra é uma passagem do último livro do “De Civitate Dei” de Santo Agostinho que narra a visão celestial do abençoado.

Ficha técnica
Ano: 1551/1554
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 346 x 240 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://translate.google.com/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=https://en.wikipedia.org/wiki/La_Gloria_(Titian)&prev=search
https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/the-glory/66149817-6f88-4e5f-a09a-81f63a84d145

Van Dyck – SANSÃO E DALILA

Autoria de LuDiasBH

É surpreendente o interesse com que Van Dyck se concentrou na arte veneziana e nos exemplos de Ticiano, Veronese e Tintoretto no momento de sua chegada à Itália. (Justus Müller Hofstede)

O pintor Anthony van Dyck (1599–1641) foi o mais talentoso discípulo e ajudante do pintor francês Peter Paul Rubens, sendo 22 anos mais novo do que seu mestre, pessoa de quem herdou o talento na representação da textura e superfície das figuras. Também se transformou num dos pintores retratistas mais procurados da Europa.

A colossal composição intitulada Sansão e Dalila é uma obra-prima do pintor. A temática do quadro é tirada do Velho Testamento (Daniel) que narra a história de Sansão — guerreiro israelita de força gigantesca —, por quem os filisteus nutriam muito medo. Ao apaixonar-se por Dalila — uma filisteia seduzida pelos bens materiais — Sansão acaba revelando-lhe que sua força encontrava-se nos cabelos.

A composição mostra o momento em que o guerreiro, após ter os cabelos cortados pela sedutora Dalila — as madeixas e a tesoura ainda se encontram no chão, próximas a um cãozinho — é amordaçado pelos soldados furiosos. O olhar de Sansão, carregado de mágoa, volta-se horrorizado para a mulher que tanto amava e que o traíra. Dalila, ainda sentada, esboça um gesto com o braço esquerdo, como se fosse tocá-lo. Ela aparenta estar horrorizada com o que acabara de fazer.

Uma serva idosa e de rosto macilento — contrastando com a grande beleza de Dalila — encontra-se logo atrás de sua patroa. Os soldados filisteus trazem cordas nas mãos para amordaçar Sansão que se debate inutilmente, pois agora não mais carrega a força de antes. Um deles empunha um tacape feito de madeira e ferro.

Esta maravilhosa obra de Anthony van Dyck apresenta duas grandes influências: a de Ticiano na paleta de cores quentes e nas amplas vestes e a de Peter Paul Rubens na modelação de figuras fortes.

Ficha técnica
Ano:1628-1630
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 146 x 254 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Rubens – ANGÉLICA E O ERMITÃO

Autoria de LuDiasBH

O pintor barroco Peter Paul Rubens (1577–1640) teve os primeiros onze anos de sua vida passados em Colônia, na Renânia, pois sua família teve que fugir da Antuérpia, para escapar da guerra entre católicos e calvinistas. Após a morte do pai, a mãe retornou com os filhos para Antuérpia, onde Rubens, católico devoto, estudou latim e se tornou pajem na família real. Aos vinte e um anos foi inscrito como pintor na corporação de São Lucas, vindo a  tornar-se mestre. Quando estava prestes a completar trinta anos, partiu para a Itália, onde ficou a serviço de Vicenzo I Gonzaga, Duque de Mântua, de quem recebeu um missão diplomática na Espanha. Na Itália, ele aproveitou para conhecer várias cidades, ficando mais tempo em Gênova e Roma.

A composição intitulada Angélica e o Ermitão, ou ainda O Ermitão e Angélica Adormecida, é uma obra-prima do pintor barroco Peter Paul Rubens e faz parte de seu último período. Baseia-se no oitavo canto de “Orlando Furioso”, obra de Ariostos, que conta que um ermitão mágico apaixonou-se por Angélica, levando-a para uma ilha desértica, enquanto ela dormia.

Em vez da monumentalidade de outras obras suas, o artista mostra gosto pela delicadeza da pintura e pela intimidade, usando um tom narrativo. O rosto do ermitão é visto como uma influência de Rembrandt na pintura de Rubens. Os dois artistas se  influenciaram reciprocamente.

Ficha técnica
Ano:1626 -1628
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 43,2 x 66 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador