Arquivo da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Carracci – ADÔNIS DESCOBRINDO VÊNUS

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Annibale Carracci (1560–1609) era oriundo de uma família de artistas. Ele e seu irmão trabalharam inicialmente na oficina do primo Ludovico Carracci que se imagina tenha sido seu mestre. Ao viajar por Parma e Veneza, acabou se inspirando nas obras de Corregio, Ticiano, Rafael e Michelangelo. Aliado a isso, estudou intensamente a natureza e criou um estilo harmonioso, claro e direto. Sua criação reflete a arte da Antiguidade e do Alto Renascimento, livrando-se da influência do Maneirismo. Tornou-se um grande pintor de Roma, rivalizando-se com Caravaggio. É mais conhecido por seu trabalho no Farnese Gallery Ceiling, encomendado alguns anos depois deste trabalho, em que incorporou elementos de Vênus, Adônis e Cupido no teto, entre outros contos mitológicos.

A monumental composição intitulada Adônis Descobrindo Vênus e também Vênus, Adônis e Cupido ou simplesmente Adônis e Vênus, tema mitológico comum a muitos outros artistas, é uma obra do artista. Contudo, ao contrário de outros pintores que representam o momento em que Adônis despede-se de Vênus para ir caçar, Carracci mostra o primeiro encontro entre a deusa e o belo mortal numa pintura de aparência naturalista em que ele despreza os elementos dramáticos e narrativos, para focar-se nos emocionais, retratados no contato visual e gestos das duas figuras principais, de modo a aumentar a tensão emocional da cena.

Vênus, deusa da beleza e do amor, encontra-se brincando com seu filho Cupido, ambos com seus corpos torcidos, numa paisagem de floresta, quando se fere acidentalmente com a flecha que ele traz na mão, vista com a ponta cheia de sangue. Ela se encontra nua, sentada sobre um manto vermelho, com o corpo reclinado para trás, com o filho nos braços.

Ao feri-la, Cupido faz despertar o amor de Vênus pelo jovem e belo caçador que por ali
passava. Adônis fita a deusa com grande admiração e ela, já sob o efeito da seta da paixão, imediatamente cai de amores por ele. Sua cabeça volta-se fascinada para o musculoso Adônis com sua vestimenta de pele de animais, sandálias douradas e seu manto esvoaçante. Com a mão esquerda ele segura seu arco e com a direita remove um galho de árvore para enxergar melhor a deusa. Três cães acompanham o caçador, estando um deles parcialmente cortado.

O ferimento ocasionado pela flecha pode ser visto entre os seios da deusa. Cupido, por sua vez, olha meio zombeteiro para o observador, enquanto aponta o dedinho da mão
direita para sua mãe, como se mostrasse o que acabara de fazer. As figuras de Vênus, de Adônis e de Cupido, com seus cabelos dourados e cacheados, são bem elaboradas e possuem um elemento clássico. Dois pombinhos brancos, simbolizando o amor, estão presentes na tela.

A paisagem ao fundo, mostrando árvores, folhas, um riacho, rochas e o que parece ser ruínas, assim como a luz crepuscular, remete à obra de Ticiano. As pequenas aberturas mostradas na paisagem levam a visão para mais longe, trazendo a sensação de amplitude, de profundidade. O artista, para criar suas figuras, foi buscar inspiração na escultura greco-romana e na obra de Veronese, Corregio, Rafael e Michelangelo. Anibal Carraci recebeu inúmeras influências, mas sempre as reinterpretando à sua maneira.

Ficha técnica
Ano: c. 1590
Técnica: óleo sobre cobre
Dimensões: 217 x 245,5 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

https://en.wikipedia.org/wiki/Venus,_Adonis_and_Cupid

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obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Pieter Bruegel, o Velho – A VOLTA DA MANADA

Autoria de LuDiasBH

A composição denominada A Volta da Manada é uma pintura do artista holandês Pieter Bruegel, o Velho. Faz parte de uma série de seis pinturas que retratam períodos do ano, encomendadas por um comerciante da Antuérpia. Cinco delas ainda sobrevivem (O Dia Escuro, Caçadores na Neve, Colheita de Feno, Os Ceifeiros e o Mastro de Maio, existindo do último apenas cópias feitas pelo filho do artista).

Presume-se que este quadro represente o mês de outubro ou novembro (ou os dois), mostrando uma paisagem de outono, como se vê no contraste entre as cores quentes da vegetação, composta por árvores desfolhadas, e as cores frias do céu que se mostra mais escuro do lado direito, onde há uma maior concentração de nuvens, prenunciando tempestade. A paisagem escarpada apresenta algumas edificações e mostra pessoas trabalhando na lavoura à direita. Um rio com algumas embarcações corta o cenário. Animais são vistos no campo a pastar. Uma ave solitária é vista no galho mais alto, à esquerda.

O artista, que gostava de pinturas retratando paisagens ou cenas camponesas, mostra aqui uma manada de vacas, sendo conduzida pelos vaqueiros que empunham grandes paus para tangê-la, levando o rebanho à aldeia no topo da colina. Os seis vaqueiros e o gado encontram-se numa colina, regressando da pastagem. Animais e homens possuem praticamente as mesmas cores. Eles formam uma larga curva que é quebrada por uma árvore isolada à direita e um grupo de árvores à esquerda.

Ficha técnica
Ano: 1565
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 117 x 159 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.wga.hu/html_m/b/bruegel/pieter_e/07/21novemb.html

Mestre Francês Anônimo – GABRIELLE D’ESTRÉES E…

Autoria de LuDias BH

A composição denominada Gabrielle d’Estrees e uma de suas Irmãs no Banho é uma obra de um pintor desconhecido, pertencente à Escola de Fontainebleau que teve dois períodos dentro da história da arte francesa, nos séculos XVI e XVII, nos quais se encontram belíssimos trabalhos da arte renascentista na França. As pinturas maneiristas dessa escola mostravam um erotismo refinado, sendo apenas sugerido. A obra em estudo pertence aos últimos anos da Escola de Fontainebleau.

A pintura de retratos tinha muito destaque nos círculos da corte no século XVI, época em que esses eram dados de presente em inúmeras ocasiões, principalmente em casamentos. Na pintura intimista em destaque, as duas irmãs estão dentro de uma banheira, tomando banho juntas, temática muito usada à época. As duas moças apresentam-se seminuas em primeiro plano, mostrando-se apenas da cintura para cima. É provável que a composição também faça uma alusão à fertilidade de Gabrielle (à direita), amante do rei Henrique IV, de quem esperava um filho, mas tendo ela morrido durante o parto. As duas irmãs usam, como brincos, dois pingentes de pérola.

Uma suntuosa cortina de seda avermelhada, recolhida à esquerda e à direita, formando um arranjo suspenso acima da cabeça das duas mulheres, enquadra-as, fazendo sobressair seus corpos com aparência de marfim. Gabrielle, à direita, segura um anel na mão esquerda, provavelmente esse lhe foi oferecido pelo rei, como promessa de casamento. Sua irmã, tida como Giulia Estrées, à esquerda, toca delicadamente o mamilo de seu seio direito, possivelmente simbolizando o leite materno, enquanto fixa o observador.

As duas personagens trazem um dos braços apoiado na borda da banheira, forrada com um lençol de um branco azulado, usado para proteger o contato da pele com o utensílio de banho. É provável que a banheira esteja cheia de leite ou vinho, ambos usados para o rejuvenescimento à época, pois a corte evitava o uso de água, pois essa era responsável por transmitir doenças e “abrir os poros”, assim pensava.

Atrás das duas irmãs vê-se outra cortina de cor vinho, também recolhida de ambos os lados, mostrando ao fundo uma cena doméstica, ou seja, uma mulher costurando, junto a uma lareira com o fogo a crepitar, próxima a um móvel coberto com uma toalha verde. Acima dessa vê-se parte de um quadro, aparentemente mitológico. A levar em conta a gravidez de Gabrielle, a costureira estaria costurando as roupinhas do futuro bebê. Saiba o leitor que só é possível trabalhar com suposições, no que diz respeito à obra, podendo haver outras interpretações.

Ficha técnica
Ano: c. 1594
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 96 x 125 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.louvre.fr/oeuvre-notices/portrait-presume-de-gabrielle-d-estrees-et

Van der Goes – A CAÍDA E REDENÇÃO DO HOMEM

Autoria de LuDiasBH

O pintor flamengo Hugo van der Goes (1443-1482) é tido como um dos mais importantes pintores flamengos da segunda metade do século XV. Não se sabe muito sobre os primeiros anos de sua vida. Trabalhou como mestre na associação dos pintores de Gante, onde nasceu. Participou da decoração do casamento de Carlos, o Temerário, possivelmente ao lado de Hans Memling e Petrus Christus. Suas pinturas atendiam especificamente ao que era definido pelos clientes, quer eclesiásticos ou seculares. Entrou para o Convento de Roode, sendo ordenado como irmão laico, e nesse local  passou os últimos anos de sua vida. Mesmo tendo feito votos de pobreza, castidade e obediência, não abandonou a pintura. Segundo o irmão Gaspar Ofhuys, ele tinha crises de melancolia, possivelmente depressão, acompanhadas de crises de culpa, tendo sido acometido também por alucinações religiosas. Alguns estudiosos aludem ao fato de sua arte mostrar tensão e austeridade.

A composição religiosa intitulada Caída e Redenção do Homem ou ainda O Díptico de Viena é uma obra do artista. O lado direito do díptico é intitulado “Lamentação pelo Cristo Morto” e o esquerdo é chamado de “Pecado Original”. A conexão entre as duas partes é explicada pela teologia cristã, como sendo o pecado de Adão e Eva o responsável por separar Deus da Humanidade e, por isso, foi necessário o sacrifício de Jesus Cristo para que ela fosse salva.

A pintura intitulada “Pecado Original” apresenta Adão e Eva no Paraíso, debaixo de um pé de macieira, sendo tentados pelo demônio. O pintor retrata o casal com corpos delgados e contornados, mas sem uma beleza chamativa. Ambos se encontram nus. O magricela Adão esconde sua genitália com a mão direita, enquanto Eva, com sua barriguinha protuberante, tem a sua genitália coberta por uma flor azul. Ela segura uma maçã, enquanto colhe outra. Uma grande salamandra com cabeça de mulher e pés de aves aquáticas, representando o demônio, encontra-se de pé ao lado da macieira, observando o gesto de Eva.

A pintura denominada “Lamentação pelo Cristo Morto” traz a figura de Jesus, postado sobre uma mortalha branca, envolta por nove pessoas em profundo desalento. Aglomeradas em torno do Mestre, elas formam um vigoroso movimento diagonal. A coroa de espinhos jaz no chão. Ao fundo vê-se o Monte Calvário, onde se encontra a cruz da crucificação. O céu mostra-se escuro e nublado.

O verso do painel esquerdo traz a pintura da imagem de Santa Genoveva, enquanto o do painel direito traz vestígios de um brasão de armas, onde se vê um escudo com uma águia negra e o vestígio dos pés de dois apoiantes.

Ficha técnica
Ano: c. 1479
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 33,5 x 23 cm (medida dos dois quadros)
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
https://artsandculture.google.com/asset/the-fall-of-man-and-the-lamentation

Botticelli – A NATIVIDADE MÍSTICA

Autoria de LuDiasBH

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A Natividade Mística de Jesus, também conhecida apenas como Natividade, refere-se ao nascimento do Salvador. Esta é uma obra do mestre renascentista italiano Sandro Botticelli. É cheia de grande simbologia. O pintor combina o nascimento de Cristo com a sua segunda vinda. Esta obra, cheia de figuras alegóricas, símbolos e inscrições, tem levado os estudiosos a muitas discussões.

A pintura foi realizada um milênio e meio depois do nascimento de Jesus, época em que as modificações políticas e religiosas tornaram-se responsáveis por admoestações proféticas sobre a proximidade do final mundo. Nela, o artista traz à tona as dúvidas e os problemas  de sua juventude, como podemos notar na profética  inscrição grega:

“Esta pintura, do fim de 1500, durante as perturbações na Itália, eu, Allesandro, pintei-a no intervalo após essa época, durante o cumprimento do Capítulo XI de S. João, na segunda calamidade do Apocalipse, e segunda liberação do demônio por três anos e meio, o qual será novamente encadeado no Capítulo XII e nós o veremos […] como nesta pintura.”.

A cena da pintura, portanto, trazem à tona os sermões do monge Savonarola.

O Menino Jesus nasceu. Reunidos no estábulo, José, Maria, reis, pastores e uma legião de anjos celebram seu nascimento com grande alegria. Na parte superior da pintura doze anjos, vestidos nas cores da fé, esperança e caridade, dançam graciosamente em círculo, carregando nas mãos vistosos ramos de oliveira. Sobre eles, o céu abre-se numa maravilhosa cúpula cor de ouro, simbolizando o paraíso que, assim como o ouro, é eterno. Amarradas aos ramos, três coroas douradas balançam. Os pergaminhos presos aos ramos celebram Maria: “Mãe de Deus”, “Noiva de Deus”, “Rainha única do mundo”.

Logo abaixo dos anjos dançarinos, sobre o telhado, estão três anjos ajoelhados, segurando o livro sagrado do cristianismo – a Bíblia. Vestem roupas de cores branca, vermelha e verde e têm asas vermelhas.

A Virgem Maria, ajoelhada em adoração diante de seu Filho, usa um manto azul sobre um vestido vermelho e tem ao lado o boi, deitado, e o jumento, de pé, que também observam o Menino, enquanto José cochila atrás da criança. A Virgem Mãe e seu filho Jesus apresentam-se em escala superior à dos demais personagens. Maria é tão grande que, se ficasse de pé, bateria no telhado do estábulo. O destaque dado pelo artista mostra que eles são as pessoas mais importantes e santas presentes na composição.

O Menino repousa sobre um tecido branco que lembra o mesmo lençol em que seu corpo será enrolado um dia, enquanto a gruta é uma menção ao seu túmulo. Os pastores, à direita, com suas roupas curtas, presentes no lado direito da pintura, louvam a criança que acaba de nascer. Todos estão coroados com ramos de oliveira, símbolo da paz. Um anjo com roupa branca conversa com eles, enquanto outro, meio encoberto pelos ramos e trazendo um ramo de lírios na mão, está de frente para o grupo.

Na parte inferior da pintura em primeiro plano, três anjos, usando vestes verde, branca e vermelha, abraçam afetuosamente três homens que vêm visitar o Menino. Os seres alados carregam consigo um ramo de oliveira e, preso a estes estão pergaminhos com frases em latim que dizem: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.” Atrás do grupo quatro demônios, em escala bem reduzida, fogem aterrorizados, alguns empalados em suas próprias lanças, para buracos no chão.

À esquerda estão os reis, despojados de suas insígnias, usando vestes longas. Também estão usando coroas de oliveira. O anjo que, junto aos três reis, à esquerda da pintura, aponta a mão para o Menino, segura a inscrição “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Em frente à estrebaria vários caminhos cruzam em zigue-zague. As paredes da rocha parecem lanças. Inúmeras árvores verdes estão atrás do local onde acontece a cena.

Esta obra de Botticelli não é convencional ao representar os acontecimentos tradicionais do nascimento de Jesus Cristo. O artista inspirou-se nas profecias do Apocalipse de São João para pintar tais eventos. No topo da obra podemos ver a inscrição de um texto. Vemos ali a influência do monge fanático e pregador Savonarola sobre Botticelli.

Ficha técnica:
Data: c. 1501
Técnica: têmpera e óleo sobre tela
Dimensões: 108, 5 x 75 cm
Localização: National Gallery, Londres, Reino Unido

Fontes de pesquisa
Los secretos de las obra de arte/ Taschen
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia

Lorenzo Lotto – MATRIMÔNIO MÍSTICO DE S. CATARINA…

Autoria de LuDiasBH

A pintura Matrimônio Místico de Santa Catarina de Alexandria é uma obra do pintor, desenhista e ilustrador italiano Lorenzo Lotto (c.1480 -1556) que usou este mesmo tema em outra obra. O artista serviu de ponte de transição entre os velhos mestres de Veneza e a arte do Barroco tardio no norte da Itália. Dentre os pintores que exerceram influência em sua obra estão Giovanni Bellini, Antonello da Messina, Giorgione, Ticiano e Rafael. Ele pintou altares, obras religiosas e retratos.

O Matrimônio Místico de Santa Catarina de Alexandria faz parte das primeiras obras do artista, já deixando em evidência sua perfeição formal e as inúmeras influências recebidas. O grupo em primeiro plano forma uma rigorosa composição piramidal, esquema muito usado por artistas como Leonardo da Vinci e Rafael Sanzio, sendo a cabeça da Virgem o ápice da pirâmide. São quatro os personagens presentes na composição: a Virgem Maria, o Menino Jesus, Santa Catarina e São José, seu esposo e pai adotivo de Jesus Cristo.

A Virgem encontra-se sentada num plano superior, trazendo ao colo seu Menino. Ela veste um suntuoso vestido vermelho com muitas pregas e um manto azul, sobre o qual se senta seu filho. Sobre os cabelos escuros divididos ao meio, ela usa um lenço branco que também lhe cobre parte do peito. À sua esquerda, e mais atrás, saindo da zona de sombra, encontra-se São José e à sua direita está Santa Catarina. Maria traz a mão esquerda próxima ao corpo do filho, protegendo-o para não cair, e a direita sobre o pescoço da santa.  Sua cabeça está inclinada para baixo e seus olhos acompanham atentamente o desenrolar da cena.

O Menino Jesus, banhado pela luz, encontra-se nu, como prova de sua inocência. Ele inclina o corpinho para Santa Catarina, sob os cuidados atentos de Maria. Segura um anel com os dedos indicador e polegar da mão direita, enquanto, com a esquerda, retém o dedo anelar da mão esquerda da santa, onde será encaixada a joia. Ao lado da Virgem Maria, São José, já bem mais velho, traz nos braços um livro de capa esverdeada. Ele inclina a cabeça para sua esquerda e curva o corpo ligeiramente para frente para enxergar o que se passa. Seus olhos estão voltados para baixo em direção ao Menino Jesus e à nubente.

Santa Catarina, ajoelhada diante de Jesus, tem os olhos voltados para o chão e a mão direita sobre o peito em sinal de humildade e respeito. Muito bem vestida, pois, segundo a lenda, ela era uma princesa, traz os cabelos loiros presos em três grandes tranças que circundam sua cabeça. Uma fina corrente cinge sua testa e cabeça, com as pontas descendo sobre seu delicado rosto. Usa também um colar e brincos de pérolas e uma pulseira de ouro.

Uma cortina verde, centralizada atrás da Virgem, serve de fundo para ela e seu Menino. Ao fundo, às costas de Santa Catarina, desdobra-se uma paisagem com uma estrada, um rochedo e uma mata.  Na estrada em direção ao grupo vê-se um homem montado a cavalo e parte de um burro imediatamente atrás, levando uma carga. O céu mostra-se meio escuro, sendo que o alaranjado visto no horizonte repassa a sensação de que se trata da hora do crepúsculo.

Ficha técnica
Ano: 1506/07
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 71 x 91 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador