Arquivo da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Lorrain – ULISSES LEVANDO CRISEIDA…

Autoria de LuDiasBH

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O pintor francês Claude Lorrain (1600–1682), cujo nome legítimo era Claude Gellée, tornou-se conhecido como “Le Lorrain”, relacionado com a região em que nascera. Ao mudar-se para Roma, o artista teve como mestre o pintor de arquitetura Agostino Tassi, vindo posteriormente a estudar com Gottfried Sals, pintor de arquitetura e paisagens, quando se encontrava em Nápoles.  Acabou se tornando um dos famosos paisagistas de Roma, tendo se inspirado inicialmente nas paisagens idealizadas de Annibale Carraci e na dos pintores holandeses que residiam naquela cidade. Embora seu estilo fosse lírico e romântico, acabou aproximando-se de Nicolas Poussin mais tarde. A vista do mar era um tema constante nas obras de Lorrain, assim como lembranças da Antiguidade Clássica que sempre davam um toque de solenidade antiga às suas obras.

A composição Ulisses Levando Criseida de Volta a seu Pai trata-se de um tema mitológico, inspirado na “Ílíada” de Homero, mas que não passa de um pretexto usado pelo pintor, para criar uma bela e grande paisagem imaginária em que o mais importante é mostrar a lida de um movimentado porto. À esquerda vê-se um palácio clássico decorado com estátuas dos deuses Apolo e Diana, seguido de uma vila romana ao lado de um grande pinheiro. A seguir vê-se a torre medieval do porto. Parte de um gigantesco edifício clássico é visto à direita. Muitos personagens ali se movimentam.

Um grande navio a remo, ancorado no porto, é visto no meio da composição, lançando sua sombra nas águas em direção ao cais. Representa a embarcação de Ulisses. Em seus mastros tremulam duas bandeiras azuis e velas brancas. Dele parte uma faixa de luz que segue até o cais, dividindo a composição em duas partes.

A cena a que alude ao título passa praticamente despercebida. Nas escadas do palácio Ulisses faz a restituição de Criseida. Subindo por uma grande escadaria, ele leva a moça até seu pai, o sumo sacerdote. Vários barcos aguardam ancorados próximos aos degraus, a fim de retornarem ao galeão. Não é possível precisar o momento do dia retratado pela composição. O sol encontra-se escondido por ele, jogando seus raios à direita e à esquerda da vistosa embarcação.

O porto está repleto de grandes e pequenas embarcações. Inúmeros personagens, alguns vestidos com roupas orientais, ali se encontram. Pessoas conversam entre si, tratando de negócios, enquanto outras lidam com o transporte da bagagem.  Três vacas estão sendo levadas de um barco para o cais. O fundo da composição está mais iluminado, o que o separa do primeiro plano. Nota-se que a paisagem em si, para o pintor, é bem mais importante do que os personagens nela vistos, ocupando, portanto, a função de protagonista.

Ficha técnica
Ano: c. 1644
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 119 x 150 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Cimabue – MADONA ENTRONADA

Autoria de LuDiasBH

O pintor florentino Cenni di Pepo (1240-1302), conhecido por Cimabue, é tido como o mais famoso de sua geração, tendo executado muitas encomendas não só para Florença, como para além de suas fronteiras. Foi responsável pela pintura de muitos afrescos nas igrejas de Cima e de Baixo de São Francisco de Assis, vitrais para a Catedral de Siena, mosaicos para a Catedral de Pisa, tendo feito trabalhos para os patronos eclesiásticos em Roma. Tinha na sua casa uma grande e organizada oficina, onde se presume que Giotto praticou a sua arte. Suas origens ainda não foram muito bem esclarecidas pelos pesquisadores. Sabe-se que iniciou sua arte aprendendo a técnica do mosaico, usada pelos bizantinos, mas veio a abandoná-la tempos depois. A julgar por suas encomendas, o pintor parece ter sido um artista muito bem conceituado em seu tempo.

A composição Madona Entronada, também conhecida por Maestà, ou ainda Madona Entronada com Anjos, é uma obra monumental e de estrutura equilibrada e simétrica, de Cimabue, que pintou inúmeras versões da Virgem com seu Menino nos braços.

Maria encontra-se sentada sobre um trono, belamente decorado, sobre uma almofada vermelha. A inclinação do trono permite que a linha de seu corpo acompanhe a dos degraus. Há um espaço entre seu corpo e o encosto, o que evidencia a profundidade do assento. A Virgem Maria usa um vestido alaranjado, tendo sobre ele um manto azul, que encobre também sua cabeça, deixando apenas o rosto e o pescoço à vista, assim como suas mãos de dedos alongados. O drapejamento do manto é de grande beleza.  Ao colo ela traz o Menino, majestosamente vestido, trazendo na mão esquerda um pergaminho, enquanto a mãozinha direita está postada em posição de bênção.

Seis anjos, de pé, encontram-se ao lado do trono, três à esquerda e três à direita, postados simetricamente, num delicado arranjo colunar, como se o segurassem. Os elementos que formam cada par são exatamente iguais, tanto nas feições quanto na posição e na roupagem. Todas as personagens estão de frente para o observador. O fundo dourado da composição, como se fosse um espaço real, destaca ainda mais os personagens ali presentes. Auréolas ornam a cabeça dos seres divinais, sendo a da Virgem a maior de todas, em razão de sua importância.

Não resta dúvida de que os rostos da Virgem e dos anjos são todos iguais, mostrando-se estilizados e alheados, mas não podemos nos esquecer de que já mostram um grande passo de distância em relação aos modelos bizantinos, criados unicamente com objetivos espirituais. Este painel foi encomendado para ornamentar a igreja de São Francisco em Pisa, na Itália. E ali permaneceu até o século XIX.

Ficha técnica
Ano: c. 1270
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 427 x 280 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Veronese – BATISMO E TENTAÇÃO DE CRISTO

Autoria de LuDiasBH

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A composição Batismo e Tentação de Cristo é uma obra religiosa do pintor italiano Paolo Veronese em que o batismo de Jesus e também a tentação de que fora vítima, quando o diabo oferece-lhe os reinos da Terra, são apresentados numa narração contínua. Esta pintura, inicialmente pertenceu à Igreja de São Nicolau em Veneza, que foi depois destruída.

À esquerda, em primeiro plano, Cristo está sendo batizado por seu primo João Batista. Dinâmicos anjos convergem-se para eles. Na parte superior da cena, dentro de uma luz dourada, está o Espírito Santo em forma de uma pomba branca, a enviar seus raios sobre Jesus. A cena acontece na beira de um rio, estando o Mestre dentro da água e João Batista nas margens. A segunda cena mostra um homem encapuzado próximo a Jesus, trazendo longas e afiadas unhas. Ele representa o diabo a tentar Jesus.

Um deslumbrante cenário oriental enfeita a composição ao fundo. Mais distante erguem-se altas construções, com destaque para uma elevada e arredonda edificação que traz uma imensa torre. Dois cervos são vistos entre as árvores.

Ficha técnica
Ano: c. 1580
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 450 x 248 cm
Localização: Museu de Brera, Milão, Itália

 Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Veronese – A FESTA NA CASA DE SIMÃO

Autoria de LuDiasBH

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A gigantesca composição denominada A Festa na Casa de Simão é uma obra religiosa do pintor italiano Paolo Veronese que apresenta o banquete na casa de Simão de Betânia — um dos fariseus que passara a seguir o Mestre após ser curado da lepra e, por isso, foi tido como um de seus apóstolos. Para mostrar sua gratidão, Simão ofereceu um banquete a Jesus, quando esse se encontrava em Betânia, durante a sua última visita. Reuniu os apóstolos, os seguidores da nova fé e também alguns judeus. A pintura já passou por inúmeras restaurações.

Duas grandes mesas, forradas com toalhas brancas, estão postadas num imenso salão decorado com colunas e estátuas gregas, o que comprova a riqueza do anfitrião. Cristo encontra-se sentado à mesa, à esquerda. Uma auréola de luz sobre sua cabeça distingue-o dos demais presentes, revelando sua divindade. Maria Madalena, prostrada no chão, traz um dos pés do Mestre em suas mãos, enquanto o enxuga. No chão, tombado, jaz um pequeno jarro, onde antes havia água. Cerca de quarenta figuras humanas, entre homens, mulheres e crianças, dominam a composição. Animais por ali também trafegam, como os dois cães e um gato que brincam no centro da composição.

Uma enorme abertura no salão, dividindo o espaço em duas partes similares, conduz à parte externa da casa, onde podem ser vistas algumas árvores e um céu azul com nuvens brancas. E apesar de tratar-se de uma obra religiosa, há certa liberdade de expressão por parte do pintor que dispõe figuras nuas da mitologia grega, decorando o ambiente da festa, também ornado com uma magnífica arquitetura grega. A sequência de cenas na pintura de Veronese também mostra os usos e costumes da época.

Paolo Veronese fez muitas pinturas religiosas com temas festivos, como a descrita acima, onde Cristo sempre se encontrava presente. Ele usava as histórias dos Evangelhos como pretexto para apresentar festas pomposas em ambientes teatrais, ricamente decorados. Reproduzia realisticamente a vida social da época, principalmente no tocante ao vestuário. Dentre essas obras podem ser citadas: A Ceia de Emaús, O Casamento em Canaã, A Festa na Casa de Levi, etc.

Ficha técnica
Ano: c. 1567/70
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 710 x 275 cm
Localização: Museu de Brera, Milão, Itália

 Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.wga.hu/html_m/v/veronese/06/

Correggio – A ADORAÇÃO DOS MAGOS

Autoria de LuDiasBH

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A composição intitulada Adoração dos Magos é uma obra religiosa do pintor italiano Correggio que nela deixa visível a influência de dois outros artistas italianos: Dosso Dossi e Lorenzo Costa.

A cena mostra a Virgem Maria com seu Menino Jesus nos braços, sentada no degrau de uma edificação em ruínas, recebendo a visita dos reis magos e sua comitiva que chegam ao local, vindos do fundo do canto superior esquerdo. As personagens principais crescem em tamanho, ocupando todo o primeiro plano. As cores das roupas dos três reis estrangeiros são mais claras e definidas, de modo a destacarem-se na adoração do Menino em meio ao grande número de personagens que ali se encontram. Um grupo de pequenos anjos encimam Mãe e Filho.

A Virgem Maria, ligeiramente curvada para seu Menino, ocupa a lateral esquerda da composição. O pequeno Jesus traz sua mãozinha direita em postura de bênção e os olhos fixos no rei idoso, ajoelhado aos seus pés. No chão está depositado o turbante oriental do rei. Um pouco mais acima, escorado em uma pilastra, José segura o presente ofertado ao filho Jesus. Ele e sua esposa Maria estão descalços, o que reafirma a pobreza em que nasceu o Salvador do mundo. Atrás do primeiro rei, meio curvado e sem turbante, e prestes a fazer sua reverência ao Menino Jesus, está o segundo rei, trazendo na mão direita o presente que lhe será entregue. Imediatamente após ele vem o rei negro, de pé, com os olhos fixos no Menino. Um servo, ricamente vestido, segura o presente que ele ofertará. Os três reis formam uma linha diagonal.

A comitiva, além dos reis, traz também governadores, seguidores e servos. Um belo cavalo branco e o que parece ser um estranho cão chamam a atenção. Mais ao fundo, à esquerda, cavaleiros descem pela montanha. E à direita, num plano mais elevado, vê-se um terreno árido. Não é possível ignorar o delicado ramo de hera que desce à esquerda de Maria, na altura de seu braço direito. Montanhas azuis estendem-se ao fundo.

Ficha técnica
Ano: c. 1514
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 84 x 108 cm
Localização: Museu de Brera, Milão, Itália

 Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Giovanni Bellini – A MADONA GREGA

Autoria de LuDiasBH

A composição denominada A Madona Grega — também conhecida como A Madona e o Menino —  é uma obra do pintor italiano Giovanni Bellini. Trata-se de uma obra arcaizante que segue a tradição do ícone. O artista deixou trabalhos apaixonantes relativos a Cristo e a Madona que em sua arte são, sobretudo, humanos.

A Virgem Mãe, de pé, envolta na beleza de seu manto azul-escuro, usado sobre seu vestido vermelho, segura nos braços seu Menino, cujos pezinhos apoiam-se no que parece ser o peitoril de uma janela. O corpo da criança mostra-se inclinado para a esquerda.

A Virgem e o pequeno Jesus têm o rosto voltado para a esquerda. Ambos exprimem uma profunda tristeza. O Menino traz uma pera na mão esquerda. Tal fruta simboliza a Paixão e a Redenção de Jesus Cristo. Mãe e Filho trazem a cabeça cingida por um halo fino dourado que caracteriza a divindade de cada um.

Esta obra recebeu o nome de A Madona Grega em razão da inscrição abreviada, em grego, escrita na parte esquerda da composição. Ali está escrito: “Mãe de Deus”, acima, e “Jesus Cristo”, ao lado. Em razão de tal inscrição presume-se que esta obra foi feita para uma igreja bizantina.

Ficha técnica
Ano: c. 1470
Técnica: painel
Dimensões: 62 x 82 cm
Localização: Museu de Brera, Milão, Itália

 Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia
Enciclopédia dos Museus/ Mirador