Arquivo da categoria: Pintores Brasileiros

Informações sobre pintores brasileiros e descrição de algumas de suas obras

Tarsila – COSTUREIRAS / PROCISSÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

       

A artista brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973) gostava de retratar temas populares e religiosos ligados ao seu país. Após a sua viagem à Rússia voltou-se também para a temática social. Veremos hoje duas telas: Costureiras (temática do cotidiano) e Procissão (temática religiosa). Ambas as pinturas possuem grande ligação com o Cubismo, sendo projetadas na diagonal, trazendo a sensação de movimento. A construção das duas telas sobre linhas oblíquas, partindo de um eixo central, é responsável pela estilização das figuras.

Na primeira composição, Costureiras, há um grupo composto por 15 mulheres a costurar. No centro da tela há uma mesa rosa em torno da qual estão assentadas três delas. Uma quarta mulher, de pé, manipula um tecido cor de rosa nessa mesma mesa. São vistos carretéis de linha, manequins e máquinas de coser.  As costureiras, espalhadas em grupos de duas ou três pessoas, aglomeram-se no centro da sala em diferentes funções, todas elas atentas ao trabalho. As que manipulam os manequins estão de pé e as que costuram encontram-se sentadas. A costureira com roupa branca, a única frontal, é a responsável por centralizar a projeção das demais figuras.   Um gatinho branco, de pé sobre uma banqueta com uma almofada roxa, dá um toque de leveza ao ambiente.

Na segunda tela, Procissão, o grupo também formado por 15 figuras, agrupa-se em formato de procissão, partindo da direita para a esquerda. As duas colunas do meio, formadas por mulheres vestindo branco, levam no ombro o andor do padroeiro, todo enfeitado com laços verdes. Elas também levam uma vela branca acesa. À esquerda da procissão estão três garotas vestidas de anjo e um menino. Eles também conduzem uma vela acesa. Mulheres, um homem e um menino formam a coluna à direita do andor. A metade de uma figura atrás, à direita, dá a entender que a procissão é extensa, ou seja, vem mais gente. As linhas oblíquas da composição passam a sensação de movimento, mas também de congelamento, como no cinema, conforme explica a escritora Aracy Amaral.

Ficha técnica: Costureiras
Ano: 1936-50
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 79 x 100,2 cm
Localização: Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

Ficha técnica: Procissão
Ano: 1941
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 61 x 50 cm
Localização: Pinacoteca da Associação Paulista de Medicina

Fontes de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Folha Grandes Pintores
Tarsila, sua obra e seu tempo/ Aracy. A. Amaral

Fontes de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Folha Grandes Pintores
Tarsila, sua obra e seu tempo/ Aracy. A. Amaral

Tarsila – O VENDEDOR DE FRUTAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

Tarsila do Amaral criou composições em que se destacam as chamadas cores tropicais e caipiras: rosa violáceo, verde cantante e amarelo vivo que enchem suas paisagens de muita luminosidade.

A obra da artista intitulada O Vendedor de Frutas traz como temática um homem em seu barco, carregado com diversas frutas, destacando-se um gigantesco abacaxi na proa do barco de madeira. Também são vistas laranjas, bananas e o que parece ser uma melancia. Na popa da nau encontra-se um papagaio. É interessante observar a cauda da ave que, invertida e em tamanho menor, é igual à coroa do abacaxi.

A cor predominante na composição é o azul. Dentro do diminuto barco o vendedor mestiço equilibra-se em meio à sua carga. Seu rosto tranquilo está voltado para o observador, como se o convidasse a comprar seus produtos. Seu corpo de pele escura apresenta uma barriga avantajada. Um chapelão de palha cobre seus cabelos negros. Grandes olhos verdes iluminam seu rosto. Ele parece feliz em seu ofício. O barco que navega em águas azuis ondulantes é desproporcional ao seu carregamento, mais se parecendo com uma cesta.

Em segundo plano, à esquerda, destaca-se uma igrejinha branca com duas torres sobre um morro verde. À direita são vistos dois morros mais arredondados, tendo à frente uma edificação e um coqueiro. Logo à frente, numa ilhota, erguem-se sete coqueiros, quase tocando a parte superior da tela.

Ficha técnica
Ano: 1925
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 108 x 84 cm
Localização: Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Brasil

Fontes de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Coleção Folha
Tarsila do Amaral/ Folha Grandes Pintores
Tarsila, sua obra e seu tempo/ Aracy. A. Amaral

Tarsila – OS ANJOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

Encontrei em Minas Gerais as cores que adorava em criança. Ensinaram-me que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado… Mas depois me vinguei da opressão, passando-as para minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes, conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, certa estilização que adaptava à época moderna. Contornos nítidos, dando a impressão perfeita da distância que separa um objeto de outro. (Tarsila do Amaral)

Sou profundamente brasileira e vou estudar o gosto e a arte dos nossos caipiras. Espero, no interior, aprender com os que ainda não foram corrompidos pelas academias. (Tarsila do Amaral)

A artista brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973) gostava de retratar temas populares e religiosos ligados ao seu país. Sobre isso, ela disse: “Senti um deslumbramento diante das decorações populares das casas de moradia de São João del Rei, Tiradentes, Mariana, Congonhas do Campo, Sabará, Ouro Preto e de outras pequenas cidades de Minas, cheias de poesia popular. Retorno à tradição da tranquilidade”.

Em sua composição intitulada Os Anjos ela traz nove figuras femininas, agrupadas num círculo, trazendo um anjo de branco no meio que se distingue dos demais pelo seu tamanho e cor de pele mais escura. Cinco deles usam vestimenta azul, dois vestem cor-de-rosa e dois usam túnicas brancas. As asas variam entre as cores rosa, azul e branca. Uma guirlanda de flores parte das mãos do anjo de azul à esquerda, indo até o último à direita, emoldurando a parte inferior da composição.

Os anjos de Tarsila parecem levitar sobre o azul que colore todo o fundo da tela. Sobre a composição ela escreveu ao seu marido Oswald de Andrade: “Os Anjos estão ficando cada vez mais bonitos”.

Ficha técnica
Ano: 1924
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 85 x 74 cm
Localização: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM)

Fontes de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Coleção Folha
Tarsila do Amaral/ Folha Grandes Pintores
Tarsila, sua obra e seu tempo/ Aracy. A. Amaral

Tarsila – O MODELO

Autoria de Lu Dias Carvalho

A artista brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973) estudou num colégio interno na Espanha, mas somente aos 30 anos de idade é que teve início a sua formação artística e, mesmo assim, no Brasil, primeiramente na escultura e depois na pintura. Foi estudar em Paris, como aluna da Académie Julia. Apenas depois de Émile Renard foi que ela agregou mais liberdade à sua pintura.

A composição intitulada O Modelo é uma obra da artista. Situa-se entre a ficção e a abstração. Embora tenha tido um contato breve com o artista cubista Fernand Léger, que lhe foi apresentado pelo poeta Blaise Cendrars, isso já foi suficiente para marcar o trabalho de Tarsila.  A obra em estudo foi criada nessa época.

O Modelo é uma das composições da artista que se apresenta mais abstrata e geometrizada. Nela está presente a chamada “técnica lisa”, aprendida com Léger, em que o fundo e a figura são geometrizados, dando ênfase à superfície dimensional.

A pintura apresenta uma modelo, cujo corpo é apenas sugerido, sendo extremamente simplificado e modelado. Uma esfera situa-se à sua frente, enquanto ao fundo observa-se um grupo de linhas ortogonais (formam ângulos retos) cruzado por diagonais e formas planas opostas. Observa-se que tudo é equilibrado com esmero. O cabelo de corte chanel da modelo é o seu elemento mais indicativo.

Ficha técnica
Ano: 1923
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 55 x 46 cm
Localização: coleção particular

Fontes de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Folha Grandes Pintores
Tarsila, sua obra e seu tempo/ Aracy. A. Amaral

Tarsila – A FAMÍLIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

A artista brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973) gostava de retratar temas populares e religiosos ligados ao seu país. Na composição circular intitulada A Família ela nos apresenta uma família numerosa.  Doze indivíduos, incluindo um bebê que mama tranquilamente, fazem parte do grupo. À época no Brasil, as famílias com muitos membros eram bem comuns, ao contrário dos dias atuais, quando a criação de filhos exige muito tempo e gastos materiais. Dois animaizinhos também fazem parte do retrato: um gato que mira o observador e um cão voltado para a esquerda da tela.

Os personagens encontram-se sentados, excetuando uma menina que traz uma boneca preta de pano. Todas as figuras humanas encaram o observador, menos a mãe que dá o peito a seu bebê, o próprio bebê e um garotinho sem camisa à direita, na parte inferior. A mãe que alimenta encontra-se de perfil, dando vida a uma nova geração e, diferentemente dos demais penteados, traz um grande coque no alto da cabeça. A presença de animais, a boneca e o cacho de bananas são indicativos da vida que as crianças levam dentro da família.

O homem de amarelo à esquerda é o pai. Ele segura o que parece ser uma enxada, o que leva a crer que aquela família seja rural. Traz também uma expressão cansada. A penúltima mulher à direita pita um cachimbo de cabo muito comprido. O garoto gorducho, que se encontra no centro da composição, segura uma penca de bananas. Acima dele, também centralizada, a matriarca ampara o rosto com a mão. Os membros da família são bem parecidos, trazendo as mulheres os cabelos partidos.

A tela é coberta pelo branco, o azul, o rosa, o amarelo, o verde e pontos em preto nela espalhados. O fundo azul mistura-se com o verde do chão.

Ficha técnica
Ano: 1925
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 79 x 101,5 cm
Localização: Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Folha Grandes Pintores
Tarsila, sua obra e seu tempo/ Aracy. A. Amaral

Tarsila – A CUCA

Autoria de Lu Dias Carvalho

Estou fazendo uns quadros bem brasileiros que têm sido muito apreciados. Agora fiz um que se intitula A CUCA. É um bicho esquisito, no mato com um sapo, um tatu e outro bicho inventado. (Tarsila)

Nesta pequena tela a pintora nos faz abandonar o mundo da realidade pelo da abstração. Faz viver diante de nós seres fantásticos em meio a plantas de formas rudimentares, como deviam ser as da época terciária. (M. Kuntzler)

A Cuca é uma das mais belas obras da artista paulista Tarsila do Amaral (1886-1973). É anterior à sua fase antropofágica, antecedendo as suas formas fantásticas. Está ligada à infância de Tarsila quando na fazenda da família ela ouvia histórias de mitos e lendas do folclore brasileiro. Embora o folclore nacional apresente uma cuca malvada, afeita a assustar as crianças desobedientes, a cuca presente na obra da artista parece ser bem dócil e receptiva com seus grandes olhos.

Tarsila insere nesta obra aquilo de que tanto gostava: as cores e a magia das formas, mostrando uma fauna e uma flora bem peculiares (tarsilianas). É a sua fase do colorido bem brasileiro. Ela conta que já amava essas cores das festas populares do interior paulista desde a sua infância passada na fazenda. Sobre as cores usadas ela escreveu:

“Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado… Mas depois me vinguei da opressão, passando-as para as minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes, conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estilização que a adaptava à época moderna. Contornos nítidos, dando a impressão perfeita da distância que separa um objeto do outro.”

Além da grande cuca amarela, assentada com as mãos junto aos joelhos, estão presentes na composição um sapo que se mostra bem contente, uma taturana e um ser esquisito, parecido como uma mistura de ave com tatu. O sapo gorducho está de frente para a cuca e traz um grande sorriso na cara. Logo atrás vem a taturana com sua boca de espanto. Mais ao fundo, debaixo de uma árvore com copa composta por 17 corações, está o ser híbrido que parece passar por trás da cuca.  O verde predomina na composição. A vegetação luxuriante apresenta formas arredondadas, bem comuns ao trabalho da artista.

Ficha técnica
Ano: 1924
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 73 x 100 cm
Localização: Museu de Grenoble, França

Fontes de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Coleção Folha
Tarsila do Amaral/ Folha Grandes Pintores
Tarsila, sua obra e seu tempo/ Aracy. A. Amaral