Arquivo da categoria: Saúde Mental

Fórum para debate sobre problemas de saúde mental, com textos alusivos ao tema.

QUANDO O PRAZER É PERIGOSO

Autoria de LuDiasBH

O que serve para tudo se presta ao abuso (ditado popular)

 A dependência é em parte determinada pelas circunstâncias da vida e em parte pelos genes. (Stefan Klein)

Não há quem não deseje ter uma vida plena de prazeres, contudo, a busca exagerada pelo aprazimento pode transformar-se numa faca de dois gumes. Isso acontece porque, ao ter a vontade saciada, a satisfação decresce rapidamente levando a pessoa a buscar uma nova, pois, como reza o dito popular, “os prazeres são efêmeros”. Como bem mostram os compradores compulsivos, o desejo passa a comandar a vontade, tornando o indivíduo refém de um anseio incontrolável. O biofísico Stefan Klein explica porque isso acontece: “Quando um estímulo desencadeia repetidamente o desejo, isso altera o modo de funcionamento de várias áreas do cérebro. Poderoso, o desejo pode transformar um indivíduo em um ser obcecado que não conhece mais limites e perde o sentido da realidade”.

O fato é que o ser humano possui apenas um circuito – um sistema multiuso – relacionado ao “desejo” que é o mesmo no que diz respeito ao aprazimento proporcionado pelos alimentos, pelo amor, reconhecimento social, etc., portanto, não importa qual seja o tipo de prazer para que a dopamina (conhecida como o neurotransmissor do prazer) seja produzida. Segundo pesquisas científicas, ao buscar mais e mais prazer, a pessoa acaba entrando no “fazer por fazer”, ou seja, a ação passa a ser mais importante e não a coisa em si. Para o comprador compulsivo, por exemplo, o ato de comprar é muito mais importante de que o objeto adquirido, enquanto para o glutão interessa apenas a ação de comer.  Para o sujeito refém do desejo, o que conta é a satisfação de seu anseio, o prazer antecipado daquilo que irá obter.

Os vícios nada mais são do que desejos descontrolados e um acidente na vida do indivíduo na busca pela felicidade, como explica Stefan Klein: “Dependendo da disposição genética, o prazer por comida pode se transformar em gula desenfreada; o gosto pela prática de esportes em um castigo obsessivo com corridas ou peso; a alegria com o ato de jogar ocasionalmente em uma prática constante. Todos esses comportamentos compulsivos surgem da mesma maneira. […] A evolução não programou nada para evitar que nos prejudicássemos dessa maneira, pois não podia prever essa circunstância que só ocorreria em um futuro distante. […] Há apenas dez gerações, na época em que a fome era um flagelo frequente em muitos países, não se tinha a ideia de que a agricultura mecanizada viria a ampliar a oferta de alimentos de tal forma que a obesidade se tornaria um grave problema de saúde pública. A dependência, portanto, não pode ser compreendida como um desejo que escapou do controle evolutivo”.

Ao ligar a procura obsessiva por prazer à busca pela felicidade, Stefan Klein relaciona até mesmo os sete pecados capitais a um desejo incontrolável para obter satisfação. Assim explica: “Orgulho é amor-próprio em altas doses, avareza é parcimônia excessiva e inveja é um exagero da nossa tendência natural de buscar nas outras pessoas um ponto de comparação. A gula surge sempre que o organismo não responde à ingestão de alimentos com a sensação de saciedade. A luxúria nos domina quando não encontramos no sexo uma satisfação plena, o que nos faz querer sempre mais. A ira é a agressividade descontrolada, não submetida à razão. A preguiça é o estado em que ficamos, quando, depois de um relaxamento saudável, não conseguimos recuperar o ritmo e a motivação naturais”.

Como podemos desligar o circuito da dependência predadora pelo prazer e escapar das tentações? Acionando o sistema de vigilância diária. Vigiando-nos o tempo todo, buscando sempre racionalizar os nossos desejos de modo a não nos tornar reféns deles. Epicuro de Samos, filósofo grego do período helenístico, já dizia: “O prazer não é um mal em si; mas certos prazeres trazem mais dor do que felicidade”, ou seja, quando deixa de ser prazer para se transformar em vício.

Nota: a ilustração é o quadro Os Sete Pecados Capitais de Bosch.

Fonte de pesquisa:
A Fórmula da Felicidade – Stefan Klein – Editora Sextante

A DEPRESSÃO E O SUICÍDIO

Autoria de LuDiasBH

 Estatisticamente o risco de suicídio em pacientes com depressão-maior é superior do que a população em geral. Contudo, nem todo paciente deprimido tem ideias suicidas, ou seja, não quer dizer que exista um perigo iminente de suicídio. Cada caso precisa ser avaliado (Rodrigo Pessanha de Castro)

 A falta de conscientização no que diz respeito às doenças mentais é um fator preocupante em nosso país. O que vemos na mídia sobre o assunto são informações esporádicas, muitas vezes com um teor tecnicista, incapaz de atingir a maioria da população. Ainda que as pesquisas mostrem que 50% dos adultos estejam predispostos a sofrer de algum tipo de doença mental em algum momento da vida, é lamentável saber que das pessoas acometidas por uma delas apenas cerca de 20% saem em busca de assistência médica, sendo a falta de informação e o preconceito as principais causas para sua banalização. Muitas famílias – mal orientadas – não veem porque gastar dinheiro com uma doença que consideram “irreal” ou “fruto da imaginação” do doente. No rol das doenças mentais encontra-se a depressão (DSM-5) que, ao contrário do que muita gente imagina, não se trata de um tipo de tristeza com tempo marcado para passar, mas, sim, de uma doença altamente perigosa.

A depressão é uma doença e ponto final – quer se queira ou não. Possui inúmeros sintomas e necessita de tratamento imediato. Tem sido assustador o aumento no número de ocorrências de pacientes diagnosticados com depressão. Não se pode ignorá-la sob a pena de o indivíduo ter seu estado de saúde agravado. Quanto mais cedo se buscar ajuda médica melhor, pois o tempo é fundamental para deter o poder destrutivo da doença. A depressão não respeita idade, raça, gênero ou posição social. É hoje a maior causa de incapacidade para o trabalho em todo o mundo, preocupando os planos de saúde e as empresas. O Estado brasileiro não tem mostrado comprometimento com o tratamento e a contenção da doença que a cada ano faz milhares e milhares de vítimas. O SUS além de inoperante, quase sempre não possui vagas. As consultas médicas particulares são extremamente caras, assim como as terapias, sem falar no alto preço dos medicamentos que já estão passando da hora de entrar na lista da chamada “Farmácia Popular”. Aliado a isso, mesmo os que procuram ajuda médica costumam, muitas vezes, ter uma avaliação incorreta sobre sua doença. O fator mais preocupante da depressão é que pode levar ao suicídio. Não são poucas as ocorrências em nosso país.

Os suicídios no Brasil – a menos que sejam de pessoas famosas – não são relatados pela mídia. Embora o número de pessoas que tira a própria vida venha crescendo assustadoramente, isso é abafado pelos meios de comunicação que partem do pressuposto de que a veiculação desse tipo de notícia pode impactar a população, influenciando as pessoas com tendências suicidas. Há certo tipo de convenção profissional extraoficial que elimina os suicídios dos noticiários. Contudo, a OMS (Organização Mundial de Saúde) pensa diferentemente da mídia nacional. Para ela se faz necessário noticiar tais casos, pois entende que o suicídio é um problema de saúde pública que deve ser levado a sério – jamais ignorado. No entanto, defende que a notícia obedeça a determinados critérios, tais como: referir-se ao ato como “suicídio consumado”, jamais “bem sucedido”; somente dados relevantes devem ser apresentados; a notícia deve ocupar somente as páginas internas dos jornais, nunca ser manchetes; não mostrar a cena do suicídio e o método utilizado; evitar exageros; qualquer problema mental que a vítima tiver deverá ser trazido à tona a título de informação e alerta para as famílias.

Sendo a depressão um distúrbio preocupante, seu tratamento deve ser levado a sério, portanto, sem essa de querer esconder ou mitigar o problama. Um familiar – ou mesmo um colega, amigo ou vizinho que tiver mais conhecimento sobre a doença – deverá conversar com a família sobre o assunto, cientificando-a sobre os problemas que podem advir, caso o doente não seja tratado. Caso a pessoa more sozinha, seria um ato de caridade acompanhá-la numa consulta médica, pois, muitas vezes, ela não possui uma real compreensão de seu problema, ou, se possível, notificar sua família. Outra postura importantíssima é ajudar na desmistificação do transtorno depressivo, mostrando que se trata de uma doença grave que em hipótese alguma pode ser banalizada, tratada como “fricote” ou “chilique”.  Depressão não é brincadeira!

Nota: Precisa de ajuda?
Ligue de graça e a qualquer momento para:
Centro de Valorização da Vida – 188

Fontes de pesquisa:
Segredos da Mente/ Cérebro e Depressão
https://www.fatosdesconhecidos.com.br/por-que-os-jornais-nao-podem-falar-de-suicidio/
https://bhaz.com.br/2017/09/23/imprensa-noticiar-casos-suicidio/

A ALIMENTAÇÃO NO COMBATE AO TAG

Autoria de LuDiasBH

O TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) é um distúrbio que, segundo o manual de classificação de doenças mentais – DSM. IV – caracteriza-se pelo excesso de preocupação ou expectativa apreensiva. Trata-se de uma das doenças mentais que mais crescem em todo o mundo. Dentre os seus sintomas mais comuns podem ser listados: dificuldade de concentração, irritabilidade, inquietação, fadiga, tensão muscular, taquicardia, palpitações, falta de ar, aperto no peito, sudorese e perturbação do sono. Esses sintomas variam de uma pessoa para outra. Os portadores de tal transtorno possuem um nível alarmante de ansiedade que não corresponde aos acontecimentos responsáveis por gerá-lo. Esse transtorno muitas vezes aparece sem nenhum motivo aparente.

O transtorno da ansiedade generalizada não respeita idade ou gênero, podendo afetar pessoas de todas as idades, desde criança à velhice. As mulheres normalmente são um pouco mais vulneráveis ao TAG do que os homens. O diagnóstico médico é muito importante, pois os sintomas de tal transtorno são comuns a muitas outras doenças. Uma vez diagnosticado o transtorno – diagnóstico feito através de uma avaliação criteriosa – o doente será orientado por seu médico quanto ao tratamento, sendo que, na maioria das vezes, terá que fazer uso de antidepressivos por um determinado tempo. Deve também ser alertado para o fato de que deve seguir corretamente a prescrição médica, jamais interrompendo o tratamento sem o aval do médico, pois a retirada do medicamento não pode ser súbita.

O Dr. Dráuzio Varella alerta: “Se você é visto como alguém de estopim curto que anda sempre com os nervos à flor da pele e tem muita dificuldade para relaxar, provavelmente chegou a hora de procurar um médico para avaliar esse estado permanente de tensão e ansiedade. Se você cobra muito de si mesmo, está sempre envolvido em inúmeras tarefas e pressionado pelos compromissos, tente pôr ordem não só na sua agenda, mas também na sua rotina de vida, sem se esquecer de reservar um tempo para o lazer. Se não conseguir sozinho, não se envergonhe, peça ajuda”. Quanto mais cedo houver a busca por ajuda, menor será o sofrimento do portador do TAG.

A alimentação desempenha vital importância no combate ao TAG, assim como pode contribuir para estimulá-lo. Se ela sozinha não é capaz de curar a ansiedade, seu uso adequado é responsável por amenizá-la e muitas vezes impedir que surja. Os ansiosos, portanto, devem ter cuidado com aquilo que lhes entra pela boca. É sabido que bebidas que contêm cafeína – alcaloide psicoestimulante –, como café, chá-mate, chá-verde, erva-mate, chá-preto e refrigerantes contribuem para o aumento da ansiedade. A nutricionista Isabella Correia adverte: “A cafeína estimula o sistema nervoso, eleva o hormônio do estresse – o cortisol – e diminui a produção de serotonina no cérebro. Como consequência aumenta a tensão, a irritabilidade, o estresse, as dores de cabeça, a ansiedade e a compulsão por doce.”. No entanto, existem alimentos e substâncias que ajudam a combater o TAG. Vejamos alguns:

1. Chás – existem muitos chás (valeriana, folhas de maracujá, camomila, erva-cidreira, melissa, etc.) que contêm substâncias que acalmam e relaxam os músculos, diminuindo a ansiedade.

2. Peixes – aqueles que contêm ômega 3 e vitaminas do complexo B (atum, salmão, sardinha, etc.) são importantíssimos para a saúde do cérebro.

3. Chocolate – os seus flavonoides – que são um antioxidante – ajudam na produção de serotonina. Mas isso somente nos chocolates com uma alta concentração de cacau (a partir de 70%), de preferência sem açúcar.

4. Verduras verde-escuras (principalmente espinafre) – contêm ácido fólico, uma vitamina do complexo B que também ajuda na produção de serotonina.

5. Vitamina C – presente nas frutas cítricas, como laranja, acerola, caju, etc. Essa vitamina diminui a produção de cortisol (hormônio produzido em resposta ao estresse e à ansiedade).

6. Triptofano – aminoácido que ajuda na produção da serotonina. Proporciona bem-estar, ajuda o cérebro em suas reações químicas, regula o apetite, o sono e leva a uma sensação de confiança. Dentre os alimentos em que encontra presente estão a banana, nozes, queijo, grão-de-bico, etc.

Fontes de pesquisa:
https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/ansiedade-transtorno-de-ansiedade-
Segredos da Mente/ Cérebro e Depressão

ATENÇÃO AO ALARME DA ANSIEDADE

Autoria de LuDiasBH

 A ansiedade é uma excitação do sistema nervoso central que acelera o funcionamento do corpo e da mente. Quando estamos ansiosos, liberamos o neurotransmissor noradrenalina, que provoca toda essa excitação. (Sâmia Aguiar Brandão Simurro)

Quando (a ansiedade) passa a ser excessiva, com dificuldade de controle, comprometendo e trazendo prejuízos em áreas importantes da vida, temos que suspeitar do aparecimento do transtorno. (Ervin Cotrik)

 As causas emocionais (da Síndrome do Pânico) são diversas e, geralmente, são reflexos de situações do indivíduo que não foram resolvidas e “explodem” mais adiante em situações de ansiedade. (Bernard Miodownik)

 A mente cria válvulas artificiais para dar vazão a essa energia negativa (tensão gerada pela ansiedade). A partir daí, a pessoa começa a usar o próprio organismo como válvula de descarga. (Leonard Vereaque)

 A ansiedade faz parte da vida e sua raiz encontra-se no medo, o que é de suma importância para a nossa sobrevivência, pois desencadeia, numa situação de perigo, uma resposta de luta ou fuga quando isso se torna necessário. Contudo, quando foge à normalidade, é preciso estar atento ao alarme recebido, pois pode se tratar de um transtorno mental, envolvendo um nervosismo crônico, cuja gravidade é desproporcional à situação vivida. A ansiedade e seus transtornos tanto podem aparecer repentinamente – através de um ataque de pânico – ou gradativamente, e seus sintomas tanto podem ser mentais quanto físicos.

Existem diversos tipos de ansiedade, como também muitas causas que podem levar ao transtorno (fatores genéticos, personalidade ansiosa, ambiente estressante, doença física, abuso de drogas, acontecimentos traumáticos, maneira de encarar o dia a dia, tendências adquiridas no convívio com pessoas ansiosas, etc.). Esse transtorno começa a interferir na vida da pessoa – aprisionando-a em suas teias – ao trazer consigo um companheiro altamente indesejável: o medo extremado, desmedido e aterrador. O horror de passar por uma crise – momento em que a pessoa tenta evitar situações que levam à ansiedade extrema – acaba se resvalando para a Síndrome de Pânico (SP). Pesquisas apontam que pessoas com transtorno de ansiedade são duas vezes mais predispostas a sofrerem de depressão.

Uma vez que mente e corpo formam uma única unidade, nada mais comum que o fato de os fatores psicológicos contribuírem para o surgimento ou agravamento de inúmeros distúrbios físicos e as doenças orgânicas geradas afetarem o estado de espírito ou a forma de pensar e agir de um indivíduo. A ansiedade, por exemplo, é capaz de causar doenças como gastrite, úlceras, colites, taquicardia, hipertensão, cefaleia e alergias.  Portanto, a saúde mental e a física são como os dois lados de uma mesma moeda chamada “corpo humano”. São sintomas comuns a uma crise de ansiedade: coração acelerado, respiração ofegante, sudorese, tremores em várias partes do corpo, asfixia ou tontura, músculos tencionados, cérebro em pânico, etc.

São catalogados diversos tipos de distúrbios de ansiedade, sendo os mais comuns: transtorno da ansiedade generalizada (TAG); síndrome do pânico (SP); fobia social; fobias específicas; transtorno obsessivo compulsivo (TOC); transtorno de estresse pós-traumático (TEPT); ansiedade noturna. Podem ser listados como sintomas psicológicos da ansiedade: medo constante; nervosismo extremo; a sensação de que está para acontecer algo ruim; dificuldade de concentração; falta de controle sobre os pensamentos; insônia; irritabilidade; agitação de pernas e braços; preocupação exagerada, etc. Podem ser listados como sintomas físicos da ansiedade: dificuldade para respirar (respiração ofegante ou falta de ar); dor ou aperto no peito; aceleração do ritmo das pulsações cardíacas; excesso de transpiração; sensação de fraqueza ou cansaço; náusea; boca seca; mãos pés frios; tensão muscular; dor de barriga; diarreia, etc.

Embora os homens não se encontrem imunes ao transtorno de ansiedade – ocasionada principalmente por questões profissionais e financeiras – as mulheres compõem um número duas vezes maior. Isso acontece porque, além de lidarem com um número maior de obrigações e responsabilidades, elas ainda são vítimas das variações hormonais. Conhecendo, portanto, os alarmes dados pela ansiedade e sendo ela o gatilho para provocar outros transtornos mentais, quanto mais cedo o doente buscar ajuda, menor será o seu sofrimento.

Fontes de pesquisa
Segredos da Mente
https://www.minhavida.com.br/saude/temas/ansiedade
http:ansiedade-e-transtornos-relacionados-ao-estresse/considerações
https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2011/05/17/ansiedade

OS ABUSADOS PENSAMENTOS NEGATIVOS

 Autoria de LuDiasBH

A obsessão e a compulsão são comportamentos comuns na vida das pessoas que convivem com a ansiedade excessiva. Tais características estão sempre atreladas, ou seja, a compulsão é uma resposta à obsessão. A ideia fixa nasce da preocupação excessiva com alguma coisa, impedindo o indivíduo de desviar sua atenção e pensar em algo diferente. É aí que entram os chamados pensamentos negativos ou intrusivos.

O pensamento descontrolado e obcecado exerce uma pressão interna no doente, compelindo-o a realizar atos e a ter condutas considerados prejudiciais. Ao fixar e repetir um tipo de comportamento na mesma direção, ele acaba criando um círculo vicioso associado a gestos e atos compulsivos. Algumas seitas, totalmente descomprometidas com a Ciência, com o amor ao próximo e bom-senso, repassam inverdades ao aliar características do TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e de outras doenças emocionais a “perseguições do diabo”, causando, assim, um desserviço à causa e ampliando o sofrimento dos doentes. Isto sem falar naquelas que repudiam a ajuda médica sob a alegação de que “Quem cura é Deus”, levando muitas pessoas doentes mentais, sobretudo jovens, ao suicídio.

A psiquiatra Lúcia Milene de Oliveira fala a respeito do transtorno de ansiedade, grande responsável pelos pensamentos intrusivos: “Nele, os pensamentos obsessivos ficam martelando na cabeça da pessoa, mesmo sem ela concordar com eles, e os comportamentos compulsivos (repetitivos, exagerados e considerados estranhos pela sociedade) geralmente têm a intenção de neutralizar os pensamentos abusivos”, ou seja, a pessoa acha que, ao obedecer os pensamentos compulsivos, ela se verá livre deles, no entanto, o que se vê é um círculo vicioso, provando que a obsessão e a compulsão se correlacionam, aumentando o grau da ansiedade. Compulsão e obsessão também podem se manifestar no exagero relativo à alimentação, compras, limpeza, sexo, jogos e outros vícios.

Os pensamentos intrusivos aumentam a ansiedade e vice e versa. Faz-se necessário cortar esse elo que tanto mal faz ao doente, destruindo-lhe a autoconfiança ao aumentar seus medos e potencializar seu transtorno. Quando não tratada, a vítima desse transtorno mental pode ficar cada vez mais inquieta, impaciente e reclusa, tornando-se prisioneira de suas apreensões. E pior, os pensamentos indesejados tornam-se cada vez mais frequentes, ampliando os sintomas da ansiedade e contribuindo para o surgimento de transtornos ainda mais graves. Portanto, assim que eles se manifestarem, uma ida ao psiquiatra é importante para o diagnóstico do transtorno e tratamento. É bom saber também que todas as pessoas podem ter pensamentos negativos vez ou outra. O que difere é a importância que se dá a eles. Enquanto as pessoas equilibradas emocionalmente não fazem caso deles, as que vivenciam certos transtornos emocionais levam-nos ao pé da letra, obedecendo-os cegamente.

Existem algumas dicas que podem ajudar a conter os pensamentos intrusivos:

  1. Eles não são nossos senhores, portanto, não lhes dê importância, mas não os julgue com severidade e tampouco com rudeza. Procure mudar seu foco de atenção com naturalidade, sem querer eliminar os pensamentos ruins com um boticão. Segundo pesquisas científicas, a tentativa de eliminar um pensamento à força traz um efeito contrário. Veja-os apenas como uns “tolinhos mimados”, querendo roubar a sua atenção.
  2. Dedique um tempinho a esses pensamentos e racionalize. Estabeleça com eles um diálogo imaginário, mostrando-lhes como estão enganados ao querer manobrá-lo, pois você não se deixará levar por eles. Diga-lhes que é melhor cantar em outra freguesia, pois sua capacidade de racionalizar e sua autoestima estão em alta.
  3. Busque viver o melhor possível, mas um dia de cada vez, sem carregar fardos nas costas. Levante-se saudando o novo dia e agradecendo por ainda se encontrar vivo. Bote em ação suas boas qualidades. Veja o que faz melhor e mãos à obra. Quanto menos ociosa for a sua vida, menor tempo e espaço terá para ficar matutando coisas ruins. Lembre-se da lei física da ação e reação.
  4. Busque manter sua mente relaxada, evitando julgar seus pensamentos. Desanuvie essa cara de poucos amigos. Tire essa impressão ruim que dá aos outros de que anda de mal com a vida. Pratique a meditação, relaxando sua mente, e busque estar em estado de paz.
  5. Crie um diário onde registrará seus sentimentos e pensamentos. Ao exprimir o que sentiu e o que pensou estará pondo para fora suas emoções, inclusive as negativas. Isso o ajudará a entender melhor o que acontece em sua mente e verá depois como os pensamentos intrusos não passavam de tolas ilusões. O diário é importante até mesmo para você acompanhar sua saúde mental. Muitas vezes os pensamentos negativos são apenas frutos da insegurança, da baixa autoestima e do pessimismo e não de um transtorno mental.
  6. Apenda com o mindfulness (atenção plena no momento que está sendo vivido) ver texto no nosso site.

Nota: o quadro ilustrativo é parte de Noite Estrelada, obra de Van Gogh.

Fontes de pesquisa
Segredos da Mente
https://www.tecmundo.com.br/ciencia/16885-5-mitos-sobre-o-cerebro-que-voce-jurava-ser-
https://www.jrmcoaching.com.br/blog/lidando-com-pensamentos-intrusivos/

A ANSIEDADE QUE MALTRATA

 Autoria de LuDiasBH

 Ao me aceitar e me conhecer melhor foi que comecei a respeitar minha mente e meu corpo. (Ana Maria Mallmann)

A questão não é dar o foco principal à terapêutica empregada, e sim manter o olhar no sujeito da história, o Biocampo, que representa a própria vida do indivíduo. (Míria de Amorim)

Quando o organismo está em ressonância com suas memórias de saúde, ele também é capaz de se auto-organizar. Uma pessoa com um Biocampo estruturado tem potência para dialogar com os acontecimentos fortuitos da vida de maneira madura e equilibrada.  (Maristela Barenco)

Todos sabem que a ansiedade tanto está presente na vida dos seres humanos como na de outros animais que, assim como os humanos, são passíveis de inquietação, medo e frustração. O aumento da adrenalina – hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, cuja secreção é aumentada em situações de estresse, ansiedade, perigo ou qualquer outra situação que deixe o corpo em estado de alerta e pronto para reagir – no organismo é muitas vezes benéfico. Essa presença se dá através de um sinal liberado em resposta a um grande estresse físico ou mental e a situações de forte emoção. Somente se torna um problema quando passa a ser frequente e sem nenhum motivo que justifique sua produção exagerada.

O aceleramento da vida moderna tem contribuído para que a humanidade encontre-se cada vez mais ansiosa. O homem vem perdendo o contato com o seu eu interior, preocupado que está com os acontecimentos do mundo exterior. Dizer que ele deveria se afastar da problemática externa seria um descabimento, pois tudo reflete em seu modus vivendi (maneira de viver), uma vez que esses dois mundos interagem entre si. Contudo, o homem moderno pode trabalhar para manter seu cérebro mais tranquilo, beneficiando-se com hábitos saudáveis e posturas equilibradas. Precisa, sobretudo, abandonar a ideia de que pode comprar a saúde quando bem quiser, não precisando ter compromisso algum com o seu corpo. Ainda que a medicina avance cada vez mais, é muito mais fácil “prevenir do que remediar” no que diz respeito à saúde pessoal.

São muitos os meios que ajudam no equilíbrio do cérebro, controlando sensivelmente a ansiedade abusiva que chega com uma sensação de aflição, medo ou agonia, sem qualquer causa aparente. Essa ansiedade – responsável por causar um sofrimento desnecessário – pode ser equilibrada. Ainda que se faça uso de um antidepressivo, é precisa compreender que o medicamento não faz milagres sozinho, sendo necessário o comprometimento do doente no sentido de mudar velhos e nocivos hábitos de vida. Qualquer um pode colocar em ação tais meios que não exigem nenhum dispêndio de dinheiro, requerendo apenas um pouco de tempo e boa vontade para mudar costumes arraigados e viscerais. Vejamos alguns que ajudam no controle da ansiedade excessiva:

  1. Respiração – respire lenta e profundamente. Sinta o ar entrando e saindo dos pulmões, o abdômen dilatando-se e contraindo-se. Conte até três antes de expirar. Faça isso no mínimo dez vezes.
  2. Exercícios – a atividade física é cada vez mais recomendada para melhorar a qualidade de vida, uma vez que a endorfina ajuda no bem-estar, durando até 12 horas após sua prática. Deve ser feita, pelo menos, três vezes por semana. Escolha a atividade que melhor se adapta ao seu estilo.
  3. Meditação – técnica milenar que vem sendo cada vez mais recomendada na luta contra a ansiedade abusiva. Feche os olhos e foque-se na respiração. Apenas cinco minutos diários já ajudam no relaxamento. Baixe o aplicativo “5 minutos eu Medito”. (www.eumedito.org)
  4. Chás – algumas ervas apresentam propriedades calmantes: camomila, erva-cidreira, melissa, valeriana… Tome seu chá três vezes ao dia.
  5. Desconecte-se – desligar-se da internet durante algum tempo faz muito bem. Não se pode ser prisioneiro da tecnologia, vivendo em função dela o tempo todo. Converse com as pessoas à volta, interaja…
  6. Alimentação de qualidade – alguns cientistas dizem que o homem é aquilo que come. Uma alimentação saudável contribui para o bom funcionamento do organismo e, consequentemente, leva a uma vida mais tranquila. Diminua o uso de carne vermelha (coma no máximo três vezes por semana, se não conseguir excluí-la).
  7. Contato com a natureza – sempre que possível busque contato com a natureza, o que é de suma importância no combate ao estresse.
  8. Bichinhos em casa – pesquisas mostram que o contato com animais diminui o estresse. Bichinhos de estimação são altamente aconselháveis para ansiosos, estressados e depressivos. Adote um bichinho, há tantos abandonados por aí.
  9. Automassagem – durante o banho, ao passar o sabão, aproveite para massagear o seu corpo. Poderá fazer isso ao passar o creme hidratante ou óleo, após o banho. Demore mais tempo fazendo massagens nos pés. Escaldar os pés em água morna com bolinhas de gude no fundo da bacia é também muito relaxante. Acrescente à água umas gotinhas de óleo de lavanda ou de óleo de hortelã. Aproveite e escute sons relaxantes, usando apps como o “White Noise”, “Stop” ou “Breath & Think”
  10. Terapias – yoga, acupuntura e meditação são três das inúmeras terapias indicadas para diminuir a ansiedade.

Nota: A pintura Mulher e Pássaro é obra de Di Cavalcanti

Fontes de pesquisa
Segredos da Mente
https://www.tecmundo.com.br/ciencia/16885-5-mitos-sobre-o-cerebro-que-voce-jurava-ser-verdade.htm