Arquivo da categoria: Saúde Mental

Fórum para debate sobre problemas de saúde mental, com textos alusivos ao tema.

INSÔNIA, ESTRESSE E DEPRESSÃO

Autoria de Edward Chaddad

O estresse, a ansiedade e as preocupações exageradas levam a pessoa a não dormir, a ficar acordada, excitada pelos problemas da vida, resultando na insônia. Para o adulto é importante dormir pelo menos sete a oito horas por dia. E se não o fizer durante muito tempo, este quadro de insônia certamente levará às doenças físicas e ou mentais, principalmente à depressão. Há um liame entre eles. Assim, o estresse e a ansiedade produzem a insônia. E a insônia pode causar mais ansiedade e estresse, círculo que tem que ser detido, pois cada vez mais alimenta a depressão.

Dormir é importante, é um descanso que refaz a condição física e mental do dia anterior. E isto não acontece, quando a insônia toma conta de quase toda a noite, atrapalhando todas as fases do sono, de forma que sequer se chega à fase REM, quando se tem a mais profunda fase do sono e quando o raciocínio, mesmo dormindo, trabalha como se a pessoa estivesse acordada. A fim de chegar ao sono REM, há um caminho, sendo necessário tomar certas medidas antes de dormir.

É preciso evitar ficar acordado, pensando nos problemas de trabalho e na vida. É preciso escapar dos pensamentos ruins, assistindo à TV, usando celular com a luz forte acesa, bebendo bebidas ricas em cafeína, álcool e chocolate, que mudam a serotonina do corpo, afetando os neurotransmissores. Tudo isto leva à ansiedade que alimenta a insônia.

A modernidade trouxe a luz que afeta o sono. Os seres humanos, durante milhares e milhares de anos, tinham a escuridão da noite obrigatoriamente, quando então adormeciam. A melatonina era produzida diante da escuridão pela glândula pineal do cérebro: “ao escurecer, a substância passa a ser produzida na glândula pineal do cérebro. Esse processo auxilia o organismo em seu preparo para o sono. Ele reduz a pressão arterial, os níveis de glicose e a temperatura do corpo” Shigueo Yonekura, neurologista do Instituto de Medicina do Sono de Campinas e Piracicaba e especialista em sono pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP)

Antes de dormir é preciso manter um ambiente escuro, para ativar a produção pelo cérebro da melatonina, que é o hormônio produzido pelo corpo com a função de regular o sono. Mesmo a manutenção do brilho da TV em um quarto escuro pode produzir efeitos no cérebro que legam transtornos de humor, incluindo a depressão. “A luz à noite pode alterar os ciclos biológicos e a produção de hormônios, como a melatonina e cortisol. No caso da melatonina, ela para de ser secretada e o sono fica superficial, fazendo com que a pessoa acorde facilmente” e “o ideal é um ambiente escuro e sem ruído para ter um descanso reparador, sem interrupções e acordar disposto no dia seguinte” (Shigueo Yonekura, neurologista do Instituto de Medicina do Sono de Campinas e Piracicaba e especialista em sono pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP)

Dormir mal ou pouco, no dia seguinte traz irritação, dificuldades cognitivas, até dores de cabeça e no corpo, sonolência e alterações no metabolismo que deixam as pessoas suscetíveis a outras doenças físicas (hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, etc) e nervosas, perda e alteração da memória, estresse crônico e a depressão. É importante buscar um médico (neurologista ou especialista da terapia do sono) que irá examinar e ensinar a melhorar a capacidade de dormir, que é a solução.

“É importante tratar o estresse, a ansiedade e o excesso de preocupações. No que concerne à possibilidade de estar vivenciando a depressão, é preciso preocupar com:

  1. diminuição ou aumento exagerado de apetite, o aumento anormal do cansaço, a baixa estima ao não se aceitar, diminuindo o amor próprio, julgando-se incapaz de alcançar seus objetivos de vida, de pensar e concentrar-se na solução dos problemas, decidir, enfim;
  2. com os sentimentos de culpa, a ausência acentuada do prazer em ações antes apreciadas, como interações sociais e até com animais, com o nervosismo, a tristeza, que já pode ser um humor deprimido e, ainda, como o desânimo e a insônia.

Tudo isto já pode fazer parte e mesmo gerar diversos transtornos em nossa mente, como a depressão. Na terapia há também o auxílio de alimentação correta e ainda as indicadas por nutricionista, tais como:

Ovos: são uma boa fonte de vitaminas do complexo B, que colaboram com o bom humor. O recomendado é uma unidade por dia, no máximo. Quem tem colesterol alto deve se preocupar com o consumo excessivo e evitar esse alimento frito.

Castanha-do-pará: é rica em selênio, um poderoso agente antioxidante. A castanha pode ajudar na redução do estresse. São recomendadas de duas a três unidades diárias. Nozes e amêndoas: também são fontes ricas de selênio e ajudam a minimizar os sintomas. Recomendação é de quatro a cinco unidades de nozes ou 10 a 12 unidades de amêndoas. Mel: é estimulante e ajuda na produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer e bem-estar. Para usufruir dos benefícios, duas colheres de sobremesa ao dia são suficientes. Leite e iogurte desnatados: são fontes ricas de cálcio, mineral que elimina a tensão e depressão. O cálcio ajuda a reduzir e controlar o nervosismo e a irritabilidade. É recomendado o consumo de 2 a 3 porções por dia.

Frutas: melancia, abacate, mamão, banana, tangerina e limão, todas elas são ricas em triptofano, aminoácido que ajuda na produção de serotonina. É recomendado o consumo de três a cinco porções de frutas todos os dias. Laranja e maçã: São excelentes fontes de ácido fólico, cujo consumo está associado à menor prevalência de sintomas depressivos. Além de ser rica em vitamina C, a laranja promove o melhor funcionamento do sistema nervoso, garante energia, ajuda a combater o estresse e previne a fadiga. O suco de laranja com maracujá diminui a ansiedade”.

Ilustração: O Urutu, 1928, Tarsila do Amaral

Fonte de pesquisa:
http://www.blog.saude.gov.br/index.php/34271-alimentos-que-ajudam-no-combate-a-depressao

COMO EVITAR A DEPRESSÃO

Autoria de Edward Chaddad

Sempre que buscamos olhar para o nosso entorno, evitamos que o cérebro seja preenchido pelas nossas preocupações que semeiam os maus pensamentos e que nos levam à depressão. Realmente, não somos uma ilha! Nós temos muitos problemas em nossa vida, os quais devemos enfrentar com coragem, pois tudo passa muito rápido. Não podemos perder noites de sono para pensar em como agir diante de nossos desafios. Temos que viver o “dia de hoje” sempre. Nos afazeres da vida, cansados, certamente iremos dormir sem pensamentos que nos ofusquem o descanso noturno.

Devemos sempre pensar, dialogar e refletir sobre como iremos enfrentar o agora. É importante resolver as questões imediatas. Buscar preparar nosso futuro, economizando e construindo outros degraus de nossa escada vindoura, mas o importante mesmo é solucionar os problemas e situações presentes que nos trazem o nascer do sol. Nosso cérebro, desta forma, estará preocupado com o entorno. Coloco aqui o nosso trabalho, a busca de solução profissional para outras pessoas, a lida diária com afazeres domésticos, a saúde de toda a nossa família, a educação de nossos filhos.

É muito melhor não termos tempo de ficar pensando em nossos problemas, em nós mesmos. Somente em caso de doenças deve haver preocupação, enfrentadas sem ficar ruminando pensamentos ruins, máxime no descanso noturno. Temos que agir, buscando médicos, escutando-os, tomando medicamentos e inclusive internações e cirurgias em hospitais, embora, acredito, sempre com certa apreensão e medo em relação aos demais familiares.

A vida é uma travessia. Muitas vezes iremos sentir medo e tomar sustos, não entendendo os fatos que estão acontecendo, porém, mesmo diante do quadro cinzento que, em alguns momentos, vislumbramos, temos que ter esperança. Temos que sonhar. As palavras amigas ajudam sempre, é claro. Mas a reflexão é muito importante para nos levar à razão. Mesmo que o caminho seja espinhoso, com muitas pedras a serem removidas, devemos caminhar, contemplando o nosso entorno, seguindo o exemplo do povo mais humilde e trabalhador, que enfrenta diariamente graves problemas, como a fome, a ausência de atendimento à saúde, mesmo a educação pública muitas vezes ruim e sem qualquer tipo de assistência social.

Nossos problemas existem, mas, felizmente, sempre tivemos condições pessoais financeiras, bem ou mal, para enfrentá-los. Mas e os outros tantos que vivem à margem da sociedade? Cabe aqui lembrar que uma das coisas que combatem a depressão é agir em busca de efetivar nossos ideais de vida. Temos que agir muito em nossa vida, tanto na parte social, como na educacional, para auxiliar os mais necessitados. Além disso, devemos ter um grande amor pelos animais, sempre os socorrendo.

Tudo isso preenche a nossa mente, eliminando os espaços vazios que poderiam ser preenchidos pela tristeza que não cede, pelo desencanto e pela depressão, tão comuns aos dias de hoje. Eis uma grande razão para não nos deixarmos tomar pelo desânimo. Temos que ter força e, com Deus no coração, seguirmos nosso caminho, nossa travessia de vida, com esperança sempre. Uma atividade altruísta nos auxilia a nunca ficarmos deprimidos. Quando conseguimos auxiliar alguém e ver a alegria estampada em seu rosto, isso é contagiante, legando-nos um sentimento de felicidade e bem-estar. Penso que este é um remédio importante que todos devem buscar, pois nos afasta da depressão que, assim, não encontra lugar em nosso cérebro.

A nossa atividade não nos oportunizou a ociosidade. A única parada é o sono que vem para repor o trabalho diário de nossas atividades. Não quero dizer que nada nos atinge. Muitas vezes, chegamos a beirar a depressão, nos momentos mais tristes e na chegada de notícias desagradáveis, o que é humano. Mas dias após os fatos, estamos lá, trabalhando e desenvolvendo nossas atividades diárias, sem tempo para nos arruinarmos emocionalmente, pois sempre é preciso tocar a vida para frente. O egoísmo nunca terá condições de instalar-se em nós. Tínhamos e temos que pensar em nossa família e na vida em nosso entorno. Há muito o que fazer.

É evidente que o ego nos acompanha em todas as nossas decisões, pois somos ele, mas dele nos esquecemos quando a tarefa tem finalidades que busquem o próximo. Exemplo disto é o ator que se insere no personagem que representa e procura ficar longe de sua personalidade, embora sempre haja neste mister a influência de seu próprio ser, mas o “eu” fica em segundo plano. Podemos nos livrar de pensamentos e sentimentos ruins, quando atuamos externamente, sem deixarmos espaço vazio, gerado pela ociosidade.

Ilustração: A Lua, 1928, Tarsila do Amaral

A DEPRESSÃO NÃO ACEITA OU DÁ AMOR

Autoria de LuDiasBH

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Numa depressão severa, as mãos que se estendem para você estão fora de seu alcance. (Andrew Salomon)

Tudo passa – sofrimento, dor, sangue, fome, peste. A espada também passará, mas as estrelas ainda permanecerão quando as sombras de nossa presença e nossos feitos se tiverem desvanecido da Terra. Não há homem que não saiba disso. Por que então não voltamos nossos olhos para as estrelas? Por quê? (Mikhail Bulgakov em O Exército Branco)

Muitos podem achar que a afirmativa de que “a depressão é a imperfeição do amor” é uma tremenda invencionice, mas o escritor Andrew Solomon, ele mesmo uma vítima da doença, argumenta com muita propriedade sobre o assunto.

Segundo Solomon, quando a depressão se faz presente, ela degrada o eu da vítima e acaba por lhe roubar a capacidade de dar e receber amor, pois a solidão avoluma-se e destrói as vias de contato com o outro e a capacidade de a pessoa sentir-se bem consigo mesma. Como para amar o outro é preciso que amemos primeiro a nós mesmos, o sentimento de afeição torna-se totalmente inviável. E, sendo o amor o manto que protege a mente contra si mesma, é preciso buscar medicamentos e psicoterapias que restaurem a capacidade de receber e dar amor.

Por muito tempo acreditou-se que as doenças psicossomáticas não eram reais. Por isso, a queixa dos deprimidos não era levada a sério, sendo elas tidas como coisas de pessoas fantasiosas, chantagistas e que queriam chamar a atenção para si. Hoje sabe-se que além de reais, elas podem trazer severos impactos para o corpo. Assim, quando o cérebro funciona mal, deve ser tratado adequadamente, como se faz com os rins, fígado, coração e outras partes do corpo humano.

É fato que a depressão atinge pessoas diferentes e de maneiras diferentes, de acordo com a predisposição de cada uma, pois ela interage com a personalidade do indivíduo, daí as diversas maneiras de reação à doença e aos medicamentos. Alguns indivíduos conseguem passar por uma depressão leve sem o uso de remédios, enquanto outros são mais frágeis e precisam desses. Não há uma regra comum.

O fato é que ninguém passa pelos caminhos da vida sem travar contato com a tristeza e a dor, não importando a classe social, etnia, idade ou gênero. Nada existe que possa invalidar a angústia que se apodera do ser humano em vários momentos de sua vida. Talvez ela tenha as suas raízes fincadas na própria finitude humana, quando o homem se confronta com a sua própria insignificância diante do existir finito. A fé pode abrandar essa angústia, mas não a erradica. O próprio Jesus, segundo os Evangelhos, na sua passagem terrena vivenciou o sofrimento. E quanto maior for a consciência do eu e a interação com o planeta, maior é a angústia ante a impotência de que quase nada pode ser feito para mudar as coisas que se considera inaceitáveis.

Acredito que a dor e a tristeza são fundamentais para a nossa humanidade, de modo que eliminá-las do mundo seria um desserviço ao homem. Mas, quando elas ceifam a vontade de viver, algo precisa ser feito, pois, enquanto para os não depressivos o sofrimento não compromete a caminhada, para os depressivos ele se torna desproporcional às circunstâncias, adubando a depressão. O melhor caminho para tratá-la é não se acostumar com a sua presença. Não esperando chegar ao fundo do poço. É preciso buscar ajuda, quando se é incapaz de domá-la sozinho.

Para o escritor Andrew Solomon a depressão está presente na história da humanidade desde que o homem tomou consciência de seu próprio eu, e vem aumentando muito nos dias de hoje em consequência de motivos como:

  • o ritmo acelerado de nossa época;
  • o caos tecnológico;
  • a alienação das pessoas;
  • o colapso da estrutura familiar;
  • a solidão endêmica;
  • a devastação do planeta;
  • o fracasso do sistema de crenças (moral, político, religioso, social…);
  • a falta de significado para a vida.

Portanto, é preciso que encontremos soluções para os problemas gritantes que vêm acompanhando a modernidade, pois eles são uma clara mensagem à vulnerabilidade humana e a de todo o nosso planeta cada vez mais desprotegido e em perigo.

Solomon enumera algumas necessidades:

  • baixar o nível de poluição socioemocional;
  • buscar fé e estrutura (em Deus, no eu, em outras pessoas, ou em qualquer outra coisa);
  • ajudar os que são privados de seus direitos civis;
  • praticar e ensinar o amor;
  • melhorar as circunstâncias que conduzem a níveis aterradores de estresse;
  • manifestar-se contra a violência e suas representações;
  • preservar o planeta Terra, etc.

Na maturidade deste novo milênio, espero que salvemos as florestas tropicais desta nossa Terra, a camada de ozônio, os rios e correntes, os oceanos, e salvaremos, também espero, as mentes e os corações das pessoas que vivem aqui. Então controlaremos nosso crescente medo do demônio do meio-dia – nossa ansiedade e depressão. (A. Salomon)

Nota: A Mulher em Depressão, quadro do psicanalista e pintor pernambucano Lúcio Escobar, feito em 2004.

Fonte de Pesquisa:
O Diabo do Meio-Dia/ Andrew Solomon

DEPRESSÃO E PRECONCEITO

Autoria de LuDiasBH

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que nos próximos 08 anos a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo câncer e doenças cardíacas.

Quanto mais culturalmente atrasado é um país, mais preconceituoso é seu povo em relação às doenças mentais, e maior é o descaso dos órgãos públicos em relação às mesmas. Os tempos de hoje têm sido propícios para o desenvolvimento dos transtornos mentais. Penso que nunca houve uma época tão fértil para o surgimento de tais doenças. Estatísticas mostram que essas doenças atingirão o topo da pirâmide até o ano de 2030. E para complicar, os países pobres são os que mais sofrem com o problema, sendo registrados mais casos de depressão em tais lugares do que em países desenvolvidos. Trago abaixo sábios comentário dos leitores deste blogue relativos ao tema e a minha resposta logo a seguir.

“Não é fácil lidar e viver com esta doença, pois o preconceito ainda é muito grande por parte daqueles que não têm depressão. Geralmente, evito falar para os conhecidos que tenho isso, até mesmo é uma forma de me livrar de comentários idiotas ou inválidos. Vamos aprendendo a viver com o problema. Os órgãos sociais e jurídicos deveriam fazer alguma coisa a respeito, até mesmo penalizar como preconceito brincadeiras de mau gosto, pois considero tais piadas como se fossem racismo. Muitos dos que tiram um “barato” são viciados em álcool e drogas.

No trabalho ainda existe muito preconceito quanto ao diagnóstico da depressão, pois após descobrirem, somos considerados indivíduos inválidos ou até mesmo loucos. Apresentar um atestado psiquiátrico ainda gera muito desconforto ao paciente, pois o preconceito toma conta. Muitas vezes o preconceito vem do próprio paciente. Temos que enfrentar isso de cabeça erguida, pois a vida de ninguém é um mar de rosas. Agora, quando um famoso sofre com esta doença mental, todos se comovem. O mundo VIRTUAL é uma das GRANDES mentiras que inventaram.

Viver com depressão não é fácil. Os altos e baixos, às vezes o remédio perde o efeito, noutra hora temos que aumentar a dose, etc. Graças a Deus existem os remédios e na maioria dos casos as pessoas voltam a ter uma vida normal. É lógico que temos que ter força de vontade e viver um dia de cada vez. O remédio blindou a minha depressão e, por enquanto, graças ao bom DEUS, vou vivendo a vida normalmente e fazendo todas a minhas atividades.” (Well)

Resposta a Well

É muito bom saber que você se encontra cada vez melhor, o que prova que o uso do antidepressivo foi fundamental para que voltasse a ter uma vida com qualidade. Realmente o preconceito existe, mesmo com o aumento do transtorno depressivo em todo o mundo. Muitas vezes aqueles que fazem chacota estão tentando esconder o próprio transtorno. Trata-se de uma negação. Quanto ao mundo virtual, ele possui coisas boas e ruins. A escolha de cada um é que faz a diferença. Veja uma coisa boa: nós nos encontramos através da web. Você confirma uma grande verdade pois o preconceito vem, muitas vezes do próprio paciente.

“Realmente vivemos num mundo hostil e cruel em que as pessoas lutam para sobreviver a qualquer preço. Quando eu estava no pior momento da síndrome do pânico e da depressão, comentei com as colegas do meu setor sobre meu problema e falei alto, porque eu mal conseguia me manter sentada. Um colega (homem, nada contra o sexo e só para realçar o preconceito com a doença) ouviu-me reclamar da depressão, do mal-estar horrível e do sofrimento pelos quais passava. Ele falou alto para outro colega (homem) que era falta de “porra”, assim mesmo. Eu fiquei pasma, mas não entrei em bate-boca, até por que não estava em condições de discutir com ninguém. Eu me calei e continuei a sofrer calada.

Depois de muito tempo passando mal e pedindo pra ser dispensada, a minha chefe perguntou o que eu tinha e eu disse que era ansiedade. Foi muito difícil falar do meu diagnóstico pra ela, porque nós nunca sabemos se seremos compreendidos. Ela não me dispensou, até por que, com as medicações, eu melhorei. A depressão é uma dura realidade que infelizmente o governo e a sociedade ainda não levaram a sério, não entendem, nem ajudam adequadamente.” (Rosa)

Resposta a Rosa

O seu comentário deixa claro o quanto o preconceito contra as doenças mentais ainda é forte no Brasil. O sujeito que disse tal insanidade assim agiu por total desconhecimento do problema, por ignorância. Ele replicou o que ouve por aí. A sua chefe, que deveria entender melhor sobre o assunto, até pelo cargo que ocupa, também estava alheia ao mesmo. A nossa raiva deve ser creditada ao governo e ao descomprometimento dos meios de comunicação em abordar o assunto com seriedade. É um absurdo o espaço dado ao futebol, enquanto questões seríssimas de saúde não são abordadas. Como vê, não vivemos num país sério, comprometido com o bem-estar de seu povo.  A depressão é realmente uma dura realidade que infelizmente o governo e a sociedade não levam a sério.

“Como é bom saber que existem profissionais que enxergam a depressão, como nós, pacientes, vivenciamos. Você relatou a realidade. E quando se fala em termos trabalhistas, ainda existe um tabu quanto a isso. As empresas não dão a devida importância, e quando existe um afastamento do trabalho por problemas ligados à ansiedade ou depressão, no retorno do afastamento o trabalhador é muito hostilizado pela chefia. Muitas vezes pelos próprios colegas de trabalho. Talvez isso aconteça justamente porque os órgãos responsáveis pela difusão dos sintomas da doença e do tratamento, não fazem o seu trabalho corretamente. (Rodrigo)

Resposta a Rodrigo

Eu também faço parte do grupo das pessoas com problemas mentais, daí a facilidade com que discorro sobre o assunto, usando uma linguagem bem acessível a todos. Tenho depressão desde a minha fase de adolescente e uso antidepressivo ininterruptamente. Esta doença é hereditária na minha família materna e já causou muitos danos.

Você tem toda a razão no modo como relata o comportamento da maioria dos chefes e colegas no trabalho, quando o assunto é uma doença mental. Isso acontece por falta de informação por parte da mídia e pelo descompromisso das autoridades responsáveis pela saúde da população. Nós não devemos esconder a nossa doença, ainda que contemos com ambientes hostis, pois é a única maneira de contribuir para que ela seja vista com seriedade. Precisamos continuar cobrando nossos direitos.

A DEPRESSÃO E O SUICÍDIO

Autoria de LuDiasBH

 Estatisticamente o risco de suicídio em pacientes com depressão-maior é superior ao da população em geral. Contudo, nem todo paciente deprimido tem ideias suicidas, ou seja, não quer dizer que exista um perigo iminente de suicídio. Cada caso precisa ser avaliado (Rodrigo Pessanha de Castro)

 A falta de conscientização no que diz respeito às doenças mentais é um fator preocupante em nosso país. O que vemos na mídia sobre o assunto são informações esporádicas, muitas vezes com um teor tecnicista, incapaz de atingir a maioria da população. Ainda que as pesquisas mostrem que 50% dos adultos estejam predispostos a sofrer de algum tipo de doença mental em algum momento da vida, é lamentável saber que das pessoas acometidas por uma delas apenas cerca de 20% saem em busca de assistência médica, sendo a falta de informação e o preconceito as principais causas para sua banalização.

Muitas famílias – mal orientadas – não veem porque gastar dinheiro com uma doença que consideram “irreal” ou “fruto da imaginação” do doente, ou apenas um fricote, chilique ou faniquito nervoso que logo passará. No rol das doenças mentais encontra-se a depressão (DSM-5) que, ao contrário do que muita gente imagina, não se trata de um tipo de tristeza com tempo marcado para passar, mas, sim, de uma doença altamente perigosa que necessita ser tratada. A depressão é uma doença e ponto final – quer se queira ou não.

A depressão possui inúmeros sintomas e necessita de tratamento imediato. Tem sido assustador o aumento no número de ocorrências de pacientes diagnosticados com depressão. Não se pode ignorá-la sob a pena de o indivíduo ter seu estado de saúde agravado. Quanto mais cedo se buscar ajuda médica melhor, pois o tempo é fundamental para deter o poder destrutivo da doença. A depressão não respeita idade, raça, gênero ou posição social. É hoje a maior causa de incapacidade para o trabalho em todo o mundo, preocupando os planos de saúde e as empresas.

O Estado brasileiro não tem mostrado comprometimento com o tratamento e a contenção da doença que a cada ano faz milhares e milhares de vítimas. O SUS, além de inoperante, quase sempre não possui vagas. As consultas médicas particulares são extremamente caras, assim como as terapias, sem falar no alto preço dos medicamentos que já estão passando da hora de entrar na lista da chamada “Farmácia Popular”. Aliado a isso, mesmo os que procuram ajuda médica costumam, muitas vezes, ter uma avaliação incorreta sobre sua doença. O fator mais preocupante da depressão é que pode levar ao suicídio. Não são poucas as ocorrências em nosso país.

Os suicídios no Brasil – a menos que sejam de pessoas famosas – não são relatados pela mídia. Embora o número de pessoas que tira a própria vida venha crescendo assustadoramente, isso é abafado pelos meios de comunicação que partem do pressuposto de que a veiculação deste tipo de notícia pode impactar a população, influenciando as pessoas com tendências suicidas. Há certo tipo de convenção profissional extraoficial que elimina os suicídios dos noticiários.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) pensa diferentemente da mídia nacional. Para ela se faz necessário noticiar tais casos, pois entende que o suicídio é um problema de saúde pública que deve ser levado a sério – jamais ignorado. No entanto, defende que a notícia obedeça a determinados critérios, tais como: referir-se ao ato como “suicídio consumado”, jamais “bem sucedido”; somente dados relevantes devem ser apresentados; a notícia deve ocupar somente as páginas internas dos jornais, nunca ser manchetes; não mostrar a cena do suicídio e o método utilizado; evitar exageros; qualquer problema mental que a vítima tiver deverá ser trazido à tona a título de informação e alerta para as famílias.

Sendo a depressão um distúrbio preocupante, seu tratamento deve ser levado a sério, portanto, sem essa de querer esconder ou mitigar o problema. Um familiar – ou mesmo um colega, amigo ou vizinho que tiver mais conhecimento sobre a doença – deverá conversar com a família sobre o assunto, cientificando-a sobre os problemas que podem advir, caso o doente não seja tratado. Caso a pessoa more sozinha, seria um ato de caridade acompanhá-la numa consulta médica, pois, muitas vezes, ela não possui uma real compreensão de seu problema, ou, se possível, notificar sua família. Outra postura importantíssima é ajudar na desmistificação do transtorno depressivo, mostrando que se trata de uma doença grave que em hipótese alguma pode ser banalizada, tratada como “fricote” ou “chilique”.  Depressão não é brincadeira!

Precisa de ajuda?
Ligue de graça e a qualquer momento para:
Centro de Valorização da Vida – 188

Fontes de pesquisa:
Segredos da Mente/ Cérebro e Depressão
https://www.fatosdesconhecidos.com.br/por-que-os-jornais-nao-podem-falar-de-
https://bhaz.com.br/2017/09/23/imprensa-noticiar-casos-suicidio/

A DEPRESSÃO E AS CÉLULAS CINZENTAS

Autoria de LuDiasBH

Pode-se imaginar a depressão assim: o córtex cerebral formula um pensamento abstrato negativo e consegue convencer o restante do cérebro de que esse pensamento é tão real quanto um fator de estresse físico. (Robert Sapolsky)

O aviso de perigo – real ou imaginário – faz com que reajamos a ele com mais veemência do que se recebêssemos uma informação muito afortunada, pois sempre que nos vemos ameaçados, o nosso corpo entra em sinal de alerta, alimentado pelos hormônios do estresse, como o cortisol. Ao colocarmos em segundo plano tudo aquilo que nos causa prazer, concentrando-nos em salvar a própria pele, passamos a lidar com o instinto primário de sobrevivência que nos é muito útil. Uma vez passado o perigo, a vida volta ao normal, pois não há mais motivo para se ter medo.

Na pessoa depressiva, porém, a volta aos trilhos não acontece com tanta facilidade. Não se trata mais de perceber o perigo, mas de imaginá-lo e com ele conviver um tempo sem limites, como se real fosse. E pior, ela possui a capacidade de criar detalhes elaborados sobre supostos perigos que na prática jamais virão a acontecer.

Ao remoer mil e um detalhes imaginários, o depressivo cria cenários medonhos – frutos unicamente de sua mente doentia –, passando a viver prisioneiro de si mesmo. A sua imaginação sem limites ou bom-senso acaba por torná-lo cada vez mais infeliz. Os hormônios do estresse tornam-se permanentes, vindo a fustigá-lo mais e mais.

O que se mostra como algo sem importância, totalmente irrelevante para um indivíduo sadio, transforma-se num bicho de sete cabeças para a pessoa depressiva. E quanto mais infeliz ela se torna, mais hormônios ruins são liberados por seu corpo, transformando-se num círculo vicioso que a coloca, na maioria das vezes, num quarto escuro, tornando a depressão cada vez mais aguda, se não tratada.

O biofísico Stefan Klein explica: “Quando a depressão é muito prolongada, a substância do cérebro é afetada. Em outras palavras: a depressão não apenas está associada a um desequilíbrio dos neurotransmissores como danifica as conexões permanentes entre os neurônios. Ainda ignoramos até que ponto seus estragos são reversíveis. A plasticidade do cérebro, isto é, sua capacidade de modificar-se, torna-se reduzida. Nesse sentido, a depressão é um estado de enrijecimento, pois vai minguando a nossa disposição para agir e enfrentar os desafios da vida. A melancolia então ganha consistência e consolida-se”.

Ainda segundo o biofísico, “À medida que a sensação de desesperança aumenta, degradam-se os tecidos do cérebro que se encontra constantemente inundado de hormônios do estresse, prejudiciais aos neurônios. Quando esse estado persiste por um tempo excessivo, as consequências podem ser terríveis: as células cinzentas (a substância cinzenta, matéria cinzenta ou massa cinzenta é um importante componente do sistema nervoso central. Contém o corpo celular do neurônio.) acabam se atrofiando e as faculdades mentais se reduzem progressivamente”.

Daí a necessidade de buscar ajuda médica o mais rápido possível, pois à medida que tais células voltam a desenvolver-se, os sintomas que tanto atormentam a pessoa depressiva vão aos poucos desaparecendo. A depressão é uma doença.

Nota: ilustração – Manhã, obra de Edvard Munch

Fonte de pesquisa:
A Fórmula da Felicidade – Stefan Klein – Editora Sextante