Rosseli – MOISÉS RECEBENDO AS TÁBUAS…
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Autoria de LuDiasBH

O afresco intitulado Moisés Recebendo as Tábuas da Lei, também conhecido como A Descida do Monte Sinai e o Bezerro de Ouro, é uma obra do pintor renascentista italiano Cosimo Rosselli com a participação de seus assistentes. Faz parte da ornamentação da Capela Sistina, em Roma, Itália, cujo objetivo era fazer um paralelo entre a vida do profeta Moisés (Antigo Testamento) e a de Jesus Cristo (Segundo Testamento). A composição apresenta inúmeros personagens e refere-se a passagens bíblicas relativas a Moisés e as “Tábuas da Lei”, ou seja, os “Dez Mandamentos”. Aqui ele já se mostra bem mais velho, com barba e cabelos brancos. As cenas são as seguintes:

  • na parte superior central da composição, Moisés com sua túnica amarelo-ouro encontra-se ajoelhado no Monte Sinai, com as mãos estendidas em direção a Deus e seus anjos, vistos numa nuvem luminosa, recebendo as “Tábuas da Lei”. Abaixo dele, seu irmão Josué, que o acompanhara, dormita com a mão esquerda segurando a cabeça;
  • em primeiro plano, à esquerda, Moisés, usando um manto verde sobre sua túnica, e acompanhado de Josué, apresenta a seu povo exultante as “Tábuas da Lei”. Mais acima são vistas as tendas do acampamento e pessoas em torno delas;
  • ao fundo, mais à direita, diante de um altar de mármore branco, um bezerro é adorado, sob o estímulo de Aaron, enquanto Moisés encontrava-se ausente;
  • no centro da composição, dividindo-a ao meio, Moisés, encolerizado com o que acontecera, está prestes a quebrar as “Tábuas da Lei”;
  • ao fundo, à direita, os adoradores do ídolo estão sendo castigados.

Ficha técnica
Ano: 1481/1482
Técnica: afresco
Dimensões: 350 x 572 cm
Localização: Museus do Vaticano, Roma, Itália

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.wga.hu/html_m/r/rosselli/cosimo/tables.html

REALIDADE E ILUSÃO
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Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele faz um paralelo entre a realidade e a ilusão.

Em um livro tradicional da Índia fala-se que uma pessoa chegou a um quarto escuro e se horripilou ao ver uma cobra que a ameaçava. Depois que acendeu o candeeiro, constatou que era tão somente uma corda.

Nossas reações de medo, ódio, cobiça, apego, finalmente todas as emoções com que reagimos ao mundo são originadas por um estado de ilusão, pois não vemos a corda, vemos a cobra. Reagimos à cobra que, embora sendo falsa, tem o real poder de afetar-nos. Não vemos a corda, embora ela seja real.

Na história da cobra e da corda, qual era real: a cobra ou a corda? A mente destituída de viveka (discriminação) viu uma cobra e caiu presa do medo, com todas as consequências desagradáveis desta emoção/choque. Na mente iluminada pela discriminação, a candeia de viveka afastou a ilusão. E, desiludido, o homem viu que não era uma cobra, mas uma corda. Isto lhe restaurou a calma e a segurança. Cada vez que nos capacitamos de que o mundo, com suas ameaças, desventuras, misérias, decepções e vicissitudes não é mais do que uma corda, que não é uma cobra, começa a instalar-se em nós a imperturbabilidade divina. À medida que o mundo, diante da luz de viveka, já não nos hipnotiza e ilude com suas fantasias, com seus prazeres ou dissabores, com seus atrativos ou ameaças, vamos caminhando para a libertação final, até atingirmos o Real.

Então, o mundo em que vivemos é ilusório? Vamos então cair no platonismo? Vamos negar a realidade ao que vemos, sentimos, sobre que agimos? O mundo não é ilusório inteiramente. Não é somente maya (ilusão). A cobra não é de mentira. É real. O mundo o é na medida e extensão em que consegue gerar medo ou apego. As reações somáticas do amedrontado emprestam realidade àquilo que lhe dá causa. E, enquanto a cobra for uma apavorante realidade, a corda não é vista e, portanto, não tem realidade, embora seja real. Dessa maneira o mundo fenomênico, isto é, o que vemos e sentimos é uma realidade, na medida e extensão dos efeitos que em nós provocam ou suas delícias ou suas misérias.

Em relação à realidade somos, naturalmente, hipnotizados, pois só lhe conhecemos as aparências sob o ângulo das sugestões particulares que em cada um predomina. A mais aproximada tradução para viveka é discriminação, isto é, a capacidade de discernir entre o falso e o verdadeiro, entre o efêmero e o eterno, a meta e os meios para atingi-la. É através dela que nos desiludimos, isto é, deixamos de ser engodados pelos aparentes do mundo. O estudo do Ser, isto é, svadhyaya, através da leitura de livros sagrados de todas as tradições religiosas, através de permanente observação das coisas de fora e de dentro de nós, é que nos dá a coragem resultante de matar a ameaçadora cobra da ilusão.

O estudo da filosofia é a chave que nos liberta da vinculação, dos sofrimentos, da cobiça, do medo e do ódio. Se é a ilusão que nos assusta ou prende, é a desilusão que nos salva. Nunca se entristeça por desiludir-se de algo ou de alguém. É uma libertação que merece seja comemorada com um sincero “Graças a Deus”.

*O livro “Yoga para Nervosos” encontra-se em PDF no Google.

Nota: Aparição de Rosto e Fruteira numa Praia, obra de Dalí

Barbieri – VÊNUS, MARTE E CUPIDO
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Autoria de LuDiasBH

vemacu

O pintor italiano Giovanni Francesco Barbieri (1591 – 1666), conhecido por Guercino ou Il Guercino, foi um famoso mestre da escola de Bolonha, chegando a dirigir a academia da cidade, como sucessor de Guido Reni. Começou como aprendiz de pintor já aos 16 anos de idade, tendo estudado em Veneza e Florença. Sofreu grande influência dos pintores Ludovico Carracci e Bartolomeo Schedoni.

A composição mitológica denominada Vênus, Marte e Cupido é uma obra do artista em que predominam os contrastes de luz e sombra. Foi encomendada pelo Duque de Modena.

Vênus (Afrodite), deusa da beleza e do amor, tem a seu lado o filho Cupido (Eros), deus do amor, que lhe ensina como atirar a seta, usando o arco. Ao lado dos dois encontra-se Marte (Ares) – o deus romano da guerra – usando sua armadura escura e um manto vermelho. Ele ocupa grande parte da tela. É também o pai do pequeno Cupido que é fruto de uma relação fora do casamento, pois a deusa é casada com Vulcano (Hefesto).

Vênus aponta para o observador, fazendo com que Cupido direcione sua flecha para a mesma direção, ou seja, para o dono da obra, que traz o seu selo representado por uma águia na chaleira. Sua mão esquerda encontra-se apoiada na aljava. Marte, com seu semblante sério, traz os olhos voltados para o filho.

Ficha técnica
Ano: 1633
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 139 x 161 cm
Localização: Galeria Estense, Modena, Itália

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

AS MARAVILHAS DA DANÇA
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Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele nos fala sobre o poder da dança.

Misto de ginástica e arte, em sua origem, a dança era essencialmente mística, não somente pelos efeitos psíquicos profundos, mas também pelo significado e intenção.

Dança é coisa séria. Mesmo que não se trate de dança mística ou dança clássica, mesmo a dança despretensiosa dos jovens, do ponto de vista de propiciadora de saúde mental, dança é coisa séria. Quando o homem de mente primitiva, em meneios e evoluções, no terreiro da comunidade, está expressando seu psiquismo, dando vazão a certas cargas afetivas que devem ser liberadas, assim se sente feliz. Quando não conta algo da tradição mitológica ou quando não propicia aos deuses para serem benfazejos na colheita, na caça e na pesca, a dança folclórica é uma forma de gozar felicidade momentânea.

Os jovens, em suas festinhas, exibindo virtuose na última novidade na moda de dançar, também estão expressando alegria e canalizando, de maneira socialmente aceita, certos impulsos que seriam nocivos se não expressos. A fim de manter uma “respeitabilidade própria da idade”, é provável que você negue a si mesmo a alegria sadia que seu filho desfruta com suas danças jovens. Você não sabe o que está perdendo. Deixe esta carranca e esta mania de condenar os sacolejos graciosos da gente moça. Você não sabe o que está perdendo. Posso assegurar-lhe que, com esta mania de “se dar ao respeito”, você está se privando de uma excelente válvula de escape às suas tensões psíquicas e, consequentemente, um alívio para o seu nervosismo, um meio de gozar de alegria vitalizante. A “respeitabilidade”, isto é, o manter um padrão de comportamento convencional, veste a gente com um camisolão frio, pesado e indeformável que tolhe os movimentos e frustra comportamentos que seriam naturais, se não fossem assim sistematicamente reprimidos.

Os adultos não querem ser chamados de velhos enxeridos e, por medo do ridículo, aceitam vestir o frustrador camisolão da “respeitabilidade” (às vezes só de aparência) e reprimem sua autenticidade. É mais uma das manifestações da conveniência de “ser igual” aos outros adultos. É mais uma forma do “medo de ser diferente” do comum, que empobrece a vida mental e liquida a livre expressão de nossa personalidade total.

Dance, meu amigo de meia-idade. Dance, meu velho. Dance,vovô. Dance, imite seu netinho. Livre-se do camisolão frustrador. Só não se exceda, pois seu coração não está para exageros, mas, respeitadas as condições de saúde e idade biológica, dance. Ogamissama era uma senhora que milhares de sectários reverenciavam como deusa viva. Vivia em Tabuse, no Japão, e pregava o shinko (o caminho para Deus) através de Mioshie (ensino de Deus a seus filhos). Da ascese consta a dança chamada muga. É o baile sem ego. O dançarino move-se em estado de não-ego, condição que vem, muito naturalmente, depois que se pratica a oração. Este estado de não-ego suscita um êxtase espiritual e que, paulatinamente, expande a consciência. Milhares de doshis (seguidores) em todo Japão, Estados Unidos e Índia e outros países, juntam-se em templos e lares para orar e dançar.

Eis as instruções, conforme Receitas para Ia Felicidad (Tensho JinguKyo; Tabuse, Japão):

“Feche os olhos e deixe-se levar em movimentos que sinta ao compasso de cantos improvisados. Qualquer pessoa pode fazer isto. Ver jovens e velhos fazê-lo de uma forma tão simples é comovedor e se sente que se lhe vêm lágrimas. Este muga em movimento não é como o bailado comum, no qual há esforços e a pessoa se fatiga. Também não requer habilidade e treinamento e, por isto, tanto os jovens como os velhos podem dançar. Muga é como se estivéssemos nascendo nos braços maternos. É uma terapêutica para o saneamento da alma. Melhor é gozá-lo do que descrevê-lo”. A mesma publicação afirma que as orações e o muga nos fazem olvidar penas e afrouxar as tensões nervosas e é remédio para enfermidades físicas, mentais e espirituais.

Só se pode fazer restrições à dança quando esta, ou por excessos ou degradação, conduza à fadiga ou à excitação erótica. Neste caso, não é a dança em si o mal. O mal é o seu uso desvirtuado.

*O livro “Yoga para Nervosos” encontra-se em PDF no Google.

Nota: Dança, obra de Heitor dos Prazeres

Rubens – A CABEÇA DE CIRO LEVADA…
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Autoria de LuDiasBH

 Peter Paul Rubens (1577 – 1640), filho de Jan Rubens, advogado, e Maria Pypelinckx, nasceu em Siegen, na Vestfália. Os primeiros onze anos de sua vida foram passados em Colônia, na Renânia, pois sua família teve que fugir da Antuérpia, para escapar da guerra entre católicos e calvinistas. Após a morte do pai, a mãe retornou com os filhos para Antuérpia, onde Rubens, católico devoto, estudou latim se tornou-se pajem na família real. Aos vinte e um anos foi inscrito como pintor na corporação de São Lucas, vindo a  tornar-se mestre. Quando estava prestes a completar trinta anos, Rubens partiu para a Itália, onde ficou a serviço de Vicenzo I Gonzaga, Duque de Mântua, de quem recebeu um missão diplomática na Espanha.

A monumental composição denominada A Cabeça de Ciro Levada à Rainha Tomyris é uma obra do artista. Foi executada quando o pintor trabalhava na série comemorativa da vida de Maria de Médici. Apresenta a rainha dos messegetas (povo dos medas) que derrotou Ciro, recebendo a cabeça do grande imperador que tornou o Império Persa um dos mais importantes do mundo.

Rubens apresenta o momento em que a rainha em conformidade com a promessa de vingança feita pelo filho morto, faz banhar no sangue a cabeça do imperador persa. Treze cortesãos, exoticamente vestidos, assistem à vingança que é executada por um serviçal seminu e descalço. Duas crianças, postadas como pajens, seguram a cauda do suntuoso vestido da rainha (servem de modelo os dois filhos do pintor: Albert e Nicolas).

A rainha, à esquerda, encontra-se de pé debaixo de um dossel escuro, com a cabeça voltada para baixo. Sua mão direita mostra-se crispada e a esquerda fechada. Ela olha fixamente para a cabeça de Ciro. Seu rosto denota satisfação ao aguardar o momento de vê-la mergulhada num imenso vaso com sangue. Uma cortesã, à sua esquerda, mostra curiosidade. Dois cães estão presentes na cena, um deles nos braços de uma das quatro cortesãs. O acontecimento parece ocorrer a céu aberto.

Esta pintura foi provavelmente projetada por Peter Paul Rubens, mas em razão do excesso de encomendas que ele recebia, foi executada em grande parte pelos assistentes de seu estúdio, porém sob sua supervisão, como aconteceu com inúmeros trabalhos do artista. Ao fundo veem-se duas colunas retorcidas à direita e duas à esquerda, trazendo desenhos angelicais em alto relevo.

Ficha técnica
Ano: c. de 1622 – 1623
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 205,1 x 361 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.mfa.org/collections/object/head-of-cyrus-brought-to-queen-tomyris-32755

SEJA UMA TESTEMUNHA SILENTE
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Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ensina-nos como pairar acima dos acontecimentos, mas sem jamais ser omissos.

Um dos meios de pairar acima dos acontecimentos é a posição difícil de espectador vigilante, mas distanciado. Quando você pratica a purgação mental está exercitando sakshi (traduz-se por testemunha silente). Está desenvolvendo esta capacidade de não se deixar contaminar pelo que acontece. É como ficar sentado na margem para assistir ao livre fluir da corrente.

A desidentificação só é acessível aos que são capazes de se manterem imunes, sem renunciar ao mundo ou dele fugir, mas, ao contrário, nele viver ativa e produtivamente. Os incapazes de praticar sakshi diluem-se dentro do processo mundanal. Perdendo a consciência do que são e sem poder salvar um pouco de autenticidade para si mesmos. O homem vulgar é comumente um diluído dentro do ambiente em que se encontra. O mundano contamina-o, fascina, absorve e consome. Dele pouco sobra verídico e imune.

É visando a evitar o contato e a defender sua mente, seu caráter e suas virtudes que alguns místicos se fazem eremitas e fogem para o ermo. Quem desenvolve esta sadia atitude espiritual e psicológica chamada sakshi, realizando a isenção, não obstante vivendo em contiguidade física com o mundano, fica espiritualmente à parte. Não se perde. Não se confunde. Não se identifica. Não se corrompe. Sri Ramakrishna compara a personalidade fraca que se dilui no mundo com o leite que se mistura com a água, depois do que, impossível é separar. Aquele que tem maturidade espiritual, ele o compara com a manteiga, que mergulhada na água não se mistura.

Quando a pessoa está metida num cordão de carnaval, confundida com os outros, dança, canta, pratica uma série de saracoteios que, se estivesse sóbrio, não faria. Enquanto está misturada aos foliões é apenas um deles e age como todos. Somente depois que se afasta e à distância, considera o que vê os outros fazendo e, só então, tem uma ideia do que andou também a fazer. Se você estiver metido na multidão e houver correrias e atropelos por causa de um conflito de rua, o pânico geral poderá contaminá-lo, a menos que você consiga se comportar como um “espectador silente”, observando o que se passa, exercitando sakshi.

Os acontecimentos mundiais estão, a cada dia, mais dramáticos: o choque de ideologias; os acontecimentos econômicos, políticos, sociais, realmente são assustadores pelos maus presságios. A iminência de uma guerra nuclear, os atos terroristas, as greves e as sabotagens, as injustiças sociais, os golpes de estado, mil e um acontecimentos que a voz caprichosamente emocionalizada dos locutores e os cabeçalhos da imprensa fazem ainda mais traumatizantes, estão aí para liquidar com seus nervos. Você precisa ficar imune a isto. Como? Sakshi é a resposta.

Mas seria justo ficar “sentado na margem”, assistindo silenciosamente ao drama da humanidade? Seria isto honesto? Alguém tem o direito de ficar indiferente? Quem foi que disse que para ser atuante, eficaz, fecundo na busca de uma ordem melhor para a humanidade é indispensável deixar-se conturbar, contaminar, envolver emocionalmente? Ao contrário, quem melhor ajuda é quem, acima da crise, conserva luzes e calma, perspectiva e serenidade, pois os que estão dentro dela já as perderam. Pobre do psiquiatra que, no tratamento de um paciente neurótico, comprometa-se emocionalmente. Ele tem que praticar sakshi, se não quiser perder-se e ao doente. A ninguém é lícito ficar nas arquibancadas, enquanto a humanidade, na arena, se agita e sofre, mas é imprudente deixar-se agitar e sofrer junto.

Diante de suas próprias desventuras, procure galgar um ponto em que, sereno e silente, possa observar emocionalmente isento o que está acontecendo. Quando interferir, seja para acertar. Procure ficar à distância da arrebentação da ressaca, que está abalando a humanidade que, estressada, está precisando da ajuda dos poucos isentos seres humanos sadios e sábios que ainda conservam lucidez e coerência e que, portanto, podem fazer algo por ela.

*O livro “Yoga para Nervosos” encontra-se em PDF no Google.

Nota: Menino, obra de Portinari.