Guido Reni – A AURORA

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Autoria de LuDiasBH

aaurora

A composição denominada A Aurora é uma obra do pintor italiano Guido Reni. Trata de um afresco esplêndido, tido como uma ode à luz.

Apolo (Febo), divindade solar, considerado pela mitologia grega como o deus da juventude e da luz, além de possuir muitos outros atributos e funções, e ser extremamente belo, encontra-se no Carro do Sol, puxado por três cavalos. Ladeiam-no as Horas (deusas do ano, das estações climáticas e da ordem natural da natureza e, atualmente, da ordem humana e social), de mãos dadas, caminhando sobre as nuvens.

À frente da comitiva voa Aurora, a deusa da madrugada. Sua função é a de anunciar o novo dia, e eliminar os sinais da noite escura. Ela se dirige à Terra, vista no canto inferior direito da pintura. A deusa traz nas mãos muitas flores. Um cupido com um archote aceso vem logo atrás dela, voando acima dos cavalos.

Ficha técnica
Ano: c. 1613-1614
Técnica: afresco no texto
Dimensões: 280 x 700 cm
Localização: Casino Rospigliosi-Pallavicini, Roma, Itália

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

CONFUSÃO MENTAL OU DELIRIUM EM IDOSOS

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Autoria do Dr. Telmo Diniz

Episódios de confusão mental em idosos são muito corriqueiros e frequentes. Pretendo esclarecer um pouco sobre o tema e o que os familiares podem fazer nesses momentos aflitivos. Também conhecido por delirium, o estado de confusão mental é uma perturbação grave do estado cognitivo do paciente, caracterizado por distúrbios da consciência, reduzida capacidade de concentração, alterações da memória e da percepção do ambiente, podendo cursar com agressividade ou não. O início do delirium é geralmente súbito, evoluindo dentro de horas a alguns dias. Nesse ínterim, ocorre uma perda na capacidade de concentração, fazendo com que o idoso não consiga prestar atenção por muito tempo em nada. Isto é evidente quando se tenta conversar com ele, pois o mesmo distrai-se facilmente, não conseguindo manter uma conversação de forma lógica.

Alterações da memória recente também são comuns. Seguindo-se a isso, o idoso pode não reconhecer o seu médico e até familiares. Quadros paranoides são muito comuns, onde a pessoa acha que está sendo perseguida ou que o cuidador quer lhe fazer mal e até matá-la. Pode haver alucinações. O curso de delirium é flutuante, tornando-se mais intenso no final da tarde e início da noite. Não é incomum um paciente com delirium parecer relativamente lúcido pela manhã, ficando mais confuso conforme o dia passa. A troca do dia pela noite também é típico. O paciente fica acordado e agitado durante toda noite e passa boa parte do dia dormindo.

As causas da confusão mental em idosos são as mais variadas, podendo ser desde doenças neurológicas como Parkinson e Alzheimer, passando pelo AVC, infecções (em especial a infecção urinária), dores em geral, uso de sondas etc. Nos idosos, ocorre uma soma de vários fatores como causa dos episódios de confusão mental. Devido à complexidade de causas, a busca por ajuda especializada pode ser útil, como os cuidados em residenciais para idosos – falo com propriedade, pois trato de idosos em residenciais já há 20 anos.

Se algum idoso conhecido seu estiver apresentando os sintomas de delirium, procure ajuda. Devemos ficar atentos a todos os sintomas que o idoso pode apresentar inclusive aqueles mais quietos, como isolamento social e pouca interação com as pessoas ao seu redor. Se a pessoa já tem demência, é necessário ficar atento também às mudanças repentinas do quadro clínico, do comportamento e no seu envolvimento com o ambiente, pois esses fatores podem indicar que ela está tendo delírios. E quando isto ocorre à ajuda médica se torna imperiosa. Um idoso confuso apresenta um risco para ele mesmo e, portanto, buscar auxílio é uma forma de prevenção.

Weyden – PIETÁ

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Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada Pietá é uma obra do pintor holandês Rogier van der Weyden, um dos mais importantes nomes do gótico flamengo. Esta obra, para alguns, trata-se de um excelente exemplo de uma pintura de alta qualidade, mas executada por assistentes de Rogier, enquanto outros a atribuem ao mestre. Existe um número significativo de imitações, inclusive esta, feitas a partir da versão de Bruxelas, sendo que, aqui, o doador encontra-se no lugar de Maria Madalena.

A pintura apresenta o corpo de Cristo nos braços da Virgem Maria e de José de Arimateia. Encontram-se eles sobre uma rocha, tendo abaixo a figura do doador, que foi alterada durante o transcorrer da pintura. A Virgem usa um elaborado manto roxo e traz a cabeça coberta com um véu branco, que só deixa seu rosto a descoberto. Sua mão direita ampara delicadamente a cabeça do Filho, na qual encosta seus rosto choroso, enquanto a mão esquerda abraça-o pela cintura, logo abaixo da ferida, de onde escorre o sangue que atinge a coxa direita.

O corpo magro de Cristo, já lívido, está amparado por sua mãe e por José de Arimateia. Traz os braços abertos e pendurados. Seus pulsos alongados pode ser parte do realismo de Weyden, ao retratá-los, mostrando as consequências de ter sido pendurado na cruz. O alto e escuro madeiro está disposto obliquamente, voltado para o corpo de Jesus.

O doador encontra-se ajoelhado, voltado para a esquerda, observando a cena. Suas mãos estão em postura de adoração. Usa uma vestimenta vermelha e traz um capuz escuro sobre os ombros. Próximo a ele, sobre um pano branco, jaz a coroa de espinhos. Ao fundo, vê-se uma paisagem em perspectiva, onde se encontra uma cidade.

Ficha técnica
Ano: 1440/1450

Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 47 x 35 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fonte de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

LUTANDO CONTRA OS TRANSTORNOS MENTAIS

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Autoria de Ivo Ramalho

Eu me chamo Ivo e tenho 30 anos. Fui diagnosticado com Síndrome do Pânico (SP) e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) há dois anos. Tudo começou num sábado pela manhã, quando acordei com uma tremedeira e dormência no corpo, sentindo calafrios, palpitação no coração e dor no meio do peito. Levantei-me desesperado. Senti como se meu mundo estivesse desabando. Pedi aos meus pais para me levarem, com urgência, ao hospital. A primeira coisa que veio à minha cabeça é que estava tendo um infarto, e tive muito medo de que algo acontecesse. Passei por alguns exames e fiquei em observação por algumas horas, sendo que nada foi constatado. Os médicos me disseram que não tinha nenhum problema.

Após a primeira ida ao hospital, aconteceram outras mais. A cada retorno eu me sentia pior, achando que era o meu fim. Em uma dessas idas, tive muitas dores na garganta e meu estômago queimava muito. Encaminharam-me a um gastroenterologista, pois poderia ser daí que vinham minhas dores e tais sensações no peito. Iniciei o tratamento após receber os exames que apontavam uma esofagite erosiva. Fui acompanhado por uma nutricionista, que mudou radicalmente minha alimentação. Obtive melhoras com as dores, porém, fui tendo mais crises de pânico, o que me deixava cada vez pior. Passava mal na faculdade, no trabalho, no supermercado, e em qualquer lugar. Não dormia, sentia muito medo, chorava sem motivo aparente e não conseguia enfrentar minha rotina. E novamente cheguei a pensar que estava tendo problemas de coração. Fui a um cardiologista que me pediu alguns exames. Nada foi constatado. Minha saúde estava em dia. Ele me tranquilizou e orientou-me a buscar ajuda psiquiátrica. Nessa altura eu estava sem chão, já não ia trabalhar, a vida na faculdade estava difícil e saía de casa cada vez menos. Não conseguia me relacionar com ninguém, pois tinha uma angústia tão forte dentro de mim, que afastava as pessoas.

Fui ao psiquiatra, um ótimo médico por sinal. Digo isso porque tinha preconceitos a respeito dessa especialização. Ele me disse que eu enfrentava uma depressão em razão da pressão na faculdade, no trabalho, com a família e as muitas incertezas sobre meu futuro. Junto com a depressão, ele disse que eu sofria de SP e TAG e que precisava de tratamento com psicoterapeuta e fazer uso de antidepressivo. Senti-me amedrontado de início e pedi para ele me dar um tempo, a fim de que eu pudesse tomar uma decisão a respeito do tratamento com o remédio. Continuei passando mal por mais de um mês e, no retorno, acabei aceitando o antidepressivo recomendado. Tive medo de tomar o medicamento antes por pura falta de informação. Comecei a ler na internet sobre os efeitos que trazia, e que não eram nada agradáveis, mas o que não estava nada agradável era a situação em que me encontrava.

Iniciei o tratamento com a dosagem recomenda. Após algumas horas, eu pensei que iria morrer. Tudo havia voltado: dores pelo corpo, aperto no peito, palpitações, uma agitação fora do comum, muito frio e tontura. Senti muito medo e, não mais aguentando tais sintomas, fui ao hospital por uma possível segurança. O médico de plantão disse-me que era possível existir uma reação normal ao medicamento, e que deveria entrar em contato com meu psiquiatra. Através do contato feito, meu psiquiatra recomendou-me tomar a metade da dosagem durante uma semana, e depois a dose inteira. Confesso que fiquei com muito medo de ter todos os sintomas novamente, só voltando a tomar o remédio uma semana depois, após me sentir mais seguro e estar com a minha família por perto.

Os sintomas continuaram mesmo com a dosagem pela metade. Quando tomei a dose inteira, eu me sentia ainda com dores de cabeça e muito vazio por dentro. Somente após um mês com o remédio e com a ajuda de terapias semanais, comecei a melhorar e deixar a depressão e a Síndrome do Pânico para trás. O medicamento foi muito importante, assim como as terapias e os exercícios físicos. Passei a enfrentar meus medos e a criar uma rotina mais saudável. Também me senti uma pessoa melhor, diferente de antes, mais perceptivo com meu corpo e com as pessoas a minha volta, e a achar mais graça na vida. Uma coisa importante e que fez muita diferença foi a minha espiritualidade, ou seja, a fé em Deus.

No ano passado fui dispensando do trabalho em que estava. Tinha tirado licença pelo INSS para seguir com o tratamento e, ao retornar, havia sido mandado embora. Estava com 10 meses de tratamento e uso de antidepressivo, porém, com a perda do emprego também acabei perdendo meu convênio, ficando mais difícil manter as consultas e os remédios. No final do ano passado fui diminuindo a dosagem até não tomar mais o antidepressivo. Sei que não deveria ter feito essa retirada, sozinho, porém, já não conseguia pagar mais as consultas e me sentia muito bem. Fazia acompanhamento psicológico pelo menos uma vez por mês e seguia com minha vida normalmente.

O ano de 2017 estava indo muito bem. Dediquei-me aos estudos e recebi muito apoio da minha família. Porém, em agosto, passei por um episódio de SP. Tive alguns tremores, palpitação e tontura. Custei um pouco a dormir e acordei cansado. Dois dias depois veio nova crise, só que muito mais forte. Na noite seguinte encarava outra crise aguda de ansiedade e pânico. Comecei a enfrentar dores pelo pescoço, costas, pernas e muita dor de cabeça. As crises tinham voltado piores e as dores insistiam em permanecer o dia todo. Era insuportável! Eu me sentia um lixo e não conseguia sair da cama, pois tudo voltou, afetando meu dia a dia, meus estudos e meu convívio com as pessoas. Cheguei a pensar que era o fim, e a qualquer coisa diferente que acontecia o medo de morrer tornava-se real. Retomei o tratamento psiquiátrico. E nesta retomada, acabei descobrindo este espaço maravilhoso. Venho acompanhando este blog há algumas semanas. Descobri-o quando reiniciei meu tratamento. Este espaço só tem me ajudado, pois ao ler e ver as dúvidas que cada um traz e as aflições pelas quais passa, faz-me sentir menos sozinho com meus medos. Passei a compreender que não sou uma pessoa estranha. Existem milhares como eu.

O tratamento está no começo, ainda sinto dores de cabeça, no estômago e um aperto no peito. Tenho dificuldades para dormir, achando que não me levantarei no dia seguinte, ou, que serei acordado com uma crise. Isso tem afetado meu dia a dia, pois não são todos que entendem. É difícil para eu me levantar, mas tento encarar. O mais difícil são as noites, pois, se estou na rua fico preocupado, se estou em casa também fico, e morro de dores pelo corpo. Há dias em que estou bem e noutros muito ruim, com medo de que meu coração pare, que eu caía e ninguém me ajude. Ainda evito sair sozinho, e somente saio com quem conheço há mais tempo. Sei que muito também depende de mim, e, com a ajuda necessária, todos nós sairemos desta, mas, no começo do tratamento, esta doença castiga muito e nos derruba.

Deixo o meu relato para outras pessoas que se encontram em situação parecida. Nós iremos vencer! Tenho muito medo ainda, porém estou tentando viver um dia de cada vez. Sinto que com mais tempo de remédio eu conseguirei enfrentar meus problemas e desafios, superando tudo e sentindo bem comigo mesmo. Sigo tentando…

Nota: O Grito, obra de Edvard Munch

 

Mantegna – A MORTE DA VIRGEM

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 Autoria de LuDiasBH

A composição A Morte da Virgem é uma obra do pintor italiano renascentista Andrea Mantegna. É tida como uma obra-prima do início do Renascimento, com seu naturalismo minucioso, clareza esplêndida e grande persuasão. É uma pena que o terço superior da pintura tenha sido mutilado antes de chegar ao Museu do Prado. A parte suprimida representava Jesus Cristo recebendo a alma da Virgem. Ele se encontrava envolto por nuvens, ornamentadas com querubins. Ao fundo via-se uma cúpula de estilo arquitetônico. O fragmento de “Cristo com a Alma da Virgem”, agora em Ferrara, pode ser parte da composição original, o que não é aceito pela totalidade dos críticos de arte.

O artista retrata o último momento da vida da Virgem Maria na Terra. A obra apresenta um ambiente pequeno, ornado por sombrias colunas clássicas, onde se vê a Virgem, já bem envelhecida, em seu leito de morte, sendo velada por onze apóstolos. Quatro deles se encontram à sua cabeceira, três outros aos pés, três à sua esquerda e um à sua direita. Todos se encontram de pé, excetuando um, que se inclina sobre o corpo da Virgem. Eles apresentam fisionomias, posturas e vestimentas individualizadas. Trazem nas mãos objetos relativos ao ritual da passagem da vida para a morte: livro de oração, incensário, jarro de óleo, velas e vestimentas litúrgicas.  O ramo de palmeiras, na simbologia cristã, significa a vitória contra a Morte.

Ao fundo, vê-se uma paisagem com um lago, com a reprodução exata da ponte do Borgo do Castelo de São Jorge, em Mântua. Esta obra decorou, originalmente, a capela do referido castelo. Como as colunas parecem inacabadas no topo, é provável que tenham sido cortadas. O piso apresenta um padrão geométrico em amarelo e alaranjado. A grande janela ao fundo atua como ponto de fuga. Trata-se de uma das primeiras pinturas italianas com uma topografia reconhecível.

Nota:
Os escritores nunca se referem a Maria como moribunda; Em vez disso, ela “adormeceu”. A frase latina “Dormição da Virgem” refere-se a imagens deste adormecer, que historiadores de arte e curadores de museus rotulam, às vezes, tendenciosamente “A Morte da Virgem”. (http://www.christianiconography.info/dormition.html)

Ficha técnica
Ano: c. 1460

Técnica: painel
Dimensões: 54 x 42 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

http://www.christianiconography.info/Wikimedia%20Commons
https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/death-of-the-virgin

A ESCOLA DEVE ENSINAR A APRENDER E A AGIR

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Autoria do Prof. Rodolpho Caniato

O que tradicionalmente entendemos por “escola” é o lugar em que formalmente nos ensinam conhecimentos. Quero me referir aqui a uma coisa que já tenho chamado em outra ocasião de protoeducação. Há um grande número de coisas que aprendemos sem que ninguém nos tenha dito que deveriam ser dessa ou daquela maneira; sem que nada de formal nos tenha sido dito. São coisas que, mesmo sem que alguém nos tenha falado, incorporam-se aos nossos hábitos e à nossa maneira de ser e de agir. Isso, no entanto, faz-se pelo convívio em um “ambiente” em que esses valores presentes se incorporam pelo hábito e pelo exercício. Esse exercício deveria ser proporcionado desde a pré-escola, mas nossa pré-escola, quase sempre, limita-se, quando existe, a cuidados de higiene e alimentação, quando não apenas de “depósito” temporário.

Desde cedo, nós precisamos adquirir ou consolidar hábitos de respeito às pessoas, às coisas, especialmente públicas, à gestão de nossas coisas e às normas de convivência. Deveria começar aí um convívio com pessoas preparadas para esse nível da EDUCAÇÃO. Não é incrível que, para que os animais adquiram hábitos que deles esperamos, sejam empregadas pessoas com formação específica, e não exigimos qualquer preparação específica para que os professores saibam ensinar seres humanos a viver em sociedade e construir seu próprio conhecimento?

O crescimento cada vez mais vertiginoso do conhecimento e das tecnologias força-nos numa direção de que a escola, no mais das vezes, nem sequer se deu conta. Não vamos poder continuar a pensar na escola como o lugar em que ensinamos todos os programas. Programas rapidamente se tornarão obsoletos ou inúteis. A escola deverá ENSINAR a APRENDER e a AGIR (empreender) em lugar de fazer os inúteis discursos sobre conteúdos e, pior ainda, inúteis discursos sobre como deveremos agir. Curiosamente a EDUCAÇÃO como instituição é a que menos se tem atualizado e a que mais resiste a compreender uma coisa simples: não aprendemos a nadar ouvindo discursos sobre natação, ainda que fossem feitos por campeões olímpicos.

Na nossa escola de Ensino Fundamental existe um descalabro reinante. Esse baixíssimo rendimento se deve basicamente ao despreparo tanto na competência docente quanto na postura frente aos alunos. Esses fatos ficam muito agravados pela permissividade da escola aos maus hábitos trazidos da rua.  A ESCOLA, por falta de preparo docente e institucional, se tornou permissiva e tolerante com a burla, com as pequenas fraudes e com a violação das regras de convívio civilizado. Em lugar de a escola irradiar cultura ela passou a ser invadida pela cultura da rua.

Muitas vezes se cultiva o “mito do alto nível”, a ideia de que se está estudando algo muito complicado pela incapacidade de fazer as coisas mais entendíveis. Parece que se cultiva o complicado pelo “status” conferido pelas coisas “difíceis”. Muitas vezes também os alunos ajudam a cultivar esse “mito do alto nível”. Coisas complicadas parecem conferir “status” a quem as ouve, mesmo que as não entenda. Essa é uma postura que indica e acentua o “sub” desenvolvimento. Até altos índices de reprovação ajudam, às vezes, a cultivar o mito do “alto nível”. Física e Matemática são áreas que sofrem particularmente dessas “enfermidades”. Uma das razões para os altos índices de rejeição dessas disciplinas é a abordagem inadequada e frequentemente devida ao pouco preparo docente.

Nosso ensino é feito quase que exclusivamente pelo discurso do professor. Quase nada fica do quase tudo que pensamos ter ensinado, quando se usa o “método” apenas discursivo ou de copiar do quadro negro. Lamentavelmente, a única coisa que não sofreu qualquer modernização no último século, especialmente no mundo “sub” desenvolvido, é a forma da aula. A presença de computadores ou de modernos meios de “multimídia” não significa muito, se não estiverem presentes aqueles ingredientes indispensáveis à construção ativa do conhecimento. Construção do conhecimento exige vontade do educando, desafio à sua inteligência, alguma forma de ação, o prazer lúdico da descoberta, discussão, verbalização dos próprios argumentos. Aprender a calar para ouvir argumentos dos outros também faz parte desse processo de construção que deve ser orientado pela necessária competência do professor.

Nota: texto extraído do livro “Nossa Escola Quase Inútil”, 2006, inédito

Imagem: pormenor de A Escola de Atenas, obra de Rafael Sanzio.