Cézanne – O CASTELO PRETO

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Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada O Castelo Preto é uma obra do pintor pós-impressionista francês Paul Cézanne. Seu trabalho foi muito importante para a transição da pintura do século XIX para a do século XX. Este tipo de pintura foi motivo de vários outros trabalhos do artista, através dos quais ele fazia experiências, trabalhando com várias possibilidades. Muitas vezes se colocava perto da cena, enquanto noutras se distanciava. Trata-se de um dos mais dramáticos e densos trabalhos do pintor.

Em sua composição, o artista mostra vários episódios que, embora diferenciados, articulam-se num espaço que se dilata e encolhe. A paisagem apresenta uma luxuriante e magnífica floresta que cobre o chão e toma conta do céu azulado com sua complexa folhagem. No canto inferior esquerdo, em primeiro plano, avista-se uma antiga cisterna de pedra. Neste mesmo lado, um pouco mais adiante, divisa-se uma estrada de terra que segue cortando por entre árvores e galhos.

Os densos ramos da folhagem direcionam o olhar do observador para a parte baixa da pintura, à direita, e ligam o primeiro plano com o rochedo, onde se ergue o castelo. Para equilibrar a parte direita da composição, Cézanne criou linhas (galhos) destacadas que encobrem parte do céu. Em sua obra predominam os tons azuis fortes e os pálidos, esverdeados e alaranjados.

O leitor deve estar se perguntando o porquê de esta obra ser chamada de “O Castelo Preto”, quando não se vê um castelo de tal cor. Acontece que o artista, durante grande parte de sua carreira, usava as paisagens em torno do lendário Château-Noir (Castelo Preto – em francês), uma mansão edificada, no século XVIII, por um industrial fabricante de tintas que a decorou com tal produto. Os habitantes locais passaram a associar o castelo com a magia negra, recebendo a mansão o nome de “Black Castle” (Castelo Preto – em inglês), título este dado à pintura.

Ficha técnica
Ano: c.1904
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 74 x 97 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://artmuseum.princeton.edu/cezanne-modern/cézanne/cistern-park-château-noir

POSSESSIVIDADE E BAIXA AUTOESTIMA

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Autoria de LuDiasBH

A possessividade é uma característica de quem é possessivo, ou seja, daquele que possui um sentimento exacerbado de posse. Se o sentimento extremado de possuir um objeto é ruim, quando direcionado a uma pessoa, numa relação de possuído e possuidor, torna-se extremamente perigoso. Não se trata mais de tirar uma vantagem econômica, mas de desavergonhada e imoralmente assenhorear-se da vida de outrem. Sob o prisma existencial, ninguém é dono de coisa alguma, pois tudo nos é emprestado para que usemos dentro de um espaço de tempo muito curto. A existência humana é cruelmente efêmera. De mãos abanando todos chegam à Terra e de mãos vazias deixam-na, quaisquer que sejam as suas  posses. E se ninguém é dono de coisa alguma, muito menos o é de pessoas.

A possessividade nada mais é que o retrato da baixa autoestima, do vazio e do descontentamento do indivíduo possessivo com sua própria vida. Como uma sanguessuga, ele se agarra a coisas e pessoas na tentativa de dar sentido à sua existência. Quando impossibilita uma pessoa de ser ela mesma, repassa uma leitura ruim de si mesmo e, consequentemente, deixa às claras a dificuldade que tem de lidar com o mundo. A possessividade jamais significou amor por outrem, pois não passa de um relacionamento de sujeição de senhor para servo. O último é, na verdade, as “muletas” de seu dono psicologicamente enfraquecido, mas que usa e abusa de sua serventia. A pessoa supostamente amada, ao descobrir a farsa que vive, tende a afastar-se, negando fazer parte do jogo, uma vez que a durabilidade de todo e qualquer relacionamento encontra-se no equilíbrio, onde impera o respeito e a admiração.

A possessividade transforma o outro (a vítima) em mero joguete, pois por ele não nutre o menor respeito. E se há uma coisa que o possessivo sabe fazer muito bem é jogar com todas as cartas, ainda que o faça de maneira incorreta. Uma de suas táticas nocivas é apelar para a vitimização, passando-se por coitado, vitimizando-se. Isso é por demais cansativo e desgastante para quem está do outro lado do tabuleiro. A possessividade faz de todas as pessoas que vivem em volta do indivíduo possessivo, objetos e não sujeitos. Ele pensa que só se sentirá bem quando estiver acionando as cordas dos fantoches, tentando ser o dono da situação, capaz de tutelar tudo e todos, direcionando-lhes a existência, num jogo instável e perigoso de emoções contidas. O outro lado da história é que ninguém quer ser objeto, mas sujeito da própria vida. Nada mais terrível do que se sentir um fantoche na mão de outrem.

A possessividade é cruenta, uma vez que o possessor tem por objetivo diminuir o valor do outro na tentativa de superestimar o seu. Acha que quanto mais insignificante for quem vive à sua volta, mais facilmente terá o controle da situação. É incapaz de perceber que todo e qualquer relacionamento (amoroso, familiar, entre amigos e colegas) só tende a crescer quando existe valorização de ambos os lados. Não há outro caminho. Nada mais sufocante do que participar de um relacionamento que vive numa gangorra desenfreada. Quando se está ao lado de quem ama, o que se quer é paz, companheirismo, incentivo, compreensão e momentos bons. A sujeição torna-se, com o tempo, um constrangimento para o possuído e vai matando qualquer possibilidade de união duradoura. Um relacionamento doentio precisa de tratamento, se quiser persistir. Fora disso, a palavra-chave é “libertação”.

Reconhecer que precisa mudar é um grande passo na vida de um indivíduo possessivo, pois toda e qualquer mudança deve nascer primeiro da vontade. É preciso começar sentindo bem na própria companhia, lembrar-se de que quem cobra muito é porque tudo lhe falta e, por isso, tenta preencher com a vida do outro o seu próprio vazio. Quem coloca sua felicidade no outro será eternamente infeliz, pois só se pode viver a própria vida. Se isto for difícil demais para compreender e agir, deve-se buscar ajuda especializada o mais rápido possível, a menos que se queira passar a vida toda como um derrotado.

Nota: imagem copiada de reginanavarro.blogosfera.uol.com.br

Mestre de Heiligenkreuz – A MORTE DE SANTA CLARA

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Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada A Morte de Santa Clara faz parte de um díptico, tendo sido atribuída ao Mestre de Heilingenkreuz que recebeu este nome em razão de suas pinturas “Anunciação” e o “Casamento de Santa Catarina”, hoje no Museu de História da Arte, em Viena, originalmente encontradas no mosteiro de Heiligenkreuz, no norte da Áustria. A produção do artista foi muito pequena. Ele também foi identificado como sendo o Mestre do Paramento de Norbonne ou como um miniaturista ou ainda como um pintor francês, etc. O trabalho do Mestre de Heiligenkreuz ilustra o aspecto cosmopolita do estilo Internacional, que floresceu em 1400.

A cena apresenta Santa Clara morta, envolta por onze personagens, sendo quatro delas freiras de sua mesma congregação e sete santas, como mostram suas grandes auréolas douradas e atributos. Todas rezam pela falecida. Uma freira arruma seu corpo  na cama que traz a cabeceira debaixo de um dossel vermelho, preso ao teto invisível por duas corda, colocando seus  braços e suas mãos cruzados sobre o peito. Uma das santas segura-lhe o rosto. Assim como as demais personagens, os dedos de Santa Clara são compridos e finos.

O Mestre Jesus aparece no alto da composição, com uma criança no braço esquerdo, dentro de um círculo azul representando o céu formado por anjos em postura de oração. A criança simboliza a alma de Santa Clara que alça voo ao céu, sendo recebida por Jesus. Seis anjos em meio a nuvens, inseridos no fundo dourado do painel, à esquerda, seguram bandeiras e instrumentos musicais. E à direita, três anjos parecem ter descido da parede para ficarem sobre o dossel. Dentro do sobrecéu, dois outros anjos, segurando turíbulos em movimento, observam a cena abaixo. Duas freiras, sentadas, leem seus livros de oração.

O pintor incorporou à cena que acontece ao ar livre, num local gramado, os motivos decorativos, transformando-os em parte da mesma, como podemos observar através dos anjos retratados na parede dourada, totalmente abstratos, como se fizessem parte do mundo real. Os anjos com os incensórios também possuem a mesma tridimensionalidade das santas e freiras. Elementos terrenos e divinos incorporam-se neste maravilhoso painel.

Ficha técnica
Ano: 1410
Técnica: painel
Dimensões: 66,5 x 54 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.wga.hu/html_m/m/master/heiligen/heilige1.html
https://www.nga.gov/content/ngaweb/Collection/art-object-page.41698.html

A TOLERÂNCIA PRECISA DE LIMITES

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Autoria de LuDiasBH

gloma

Quem nunca se esbarrou numa pessoa arrogante, que se julga o suprassumo dos mortais, ou que acha que todos os humanos devem se curvar diante de sua prepotência? Para pessoas assim só há uma definição: tolas! Absurdamente idiotas!

A arrogância é o carrasco da tolerância. Enquanto os tolerantes sentem-se iguais, os arrogantes carregam o cetro da superioridade. Dentre todas as virtudes, a tolerância é sem dúvida a mais liberal, pois se fundamenta na igualdade de possibilidades e direitos. Ela vai muito além do respeito igualitário, pois amordaça o nosso ego, a nossa envergonhada postura de donos da verdade, para nos lembrar de que devemos considerar e respeitar aqueles que têm ideias divergentes, pois não há necessidade de condescendência para com aqueles que rezam na nossa mesma cartilha, que carregam nossas mesmas ideias e pontos de vista. A virtude está em  é aceitar o diferente.

A tolerância é a mãe da sabedoria. Sem ela, fecharemos as portas de nossa percepção, tamponadas com as mais diferentes formas de preconceito. Ela nos ensina a ouvir com calma para depois refletirmos com mais profundidade sobre o que nos foi dito. Leva-nos a uma compreensão mais real de nós mesmos e do mundo, dando-nos mais ciência nas nossas escolhas e nos ensinando a respeitar as escolhas dos outros.

Ser tolerante é ter liberdade de ação. É ser equânime, ecumênico, justo. Nenhuma democracia jamais sobreviverá caso a tolerância seja banida. Lembremo-nos dos danos causados por crenças ideológicas ou religiosas, quando se tornam absolutas dentro de uma sociedade. Ao contrário do que muitos pensam, quanto maior for a diversidade, mais seguros estarão os direitos humanos. A multiplicidade enfraquece a belicosidade, a empáfia e a sede de poder, pois o sectarismo é o túmulo do progresso e de tudo que possa ascender em benefício de muitos. O sectarismo é a tribuna da intransigência.

A tolerância deve ter limites? Claro que sim! Suas fronteiras devem ser delimitadas pelo bem comum. A partir do momento em que se resvala para o terreno do outro, no sentido de prejudicá-lo, ela deve ser revista. A nossa escolha individual não pode trazer danos ao meio em que estamos inseridos. Independência e autonomia devem estar atreladas ao respeito, de modo que nenhum indivíduo possa pautar a sua vida meramente nas suas vontades, quando extrapola seu espaço atingindo o de outrem. A tolerância irresponsável é irmã gêmea da omissão e prima em primeiro grau da violência.

É muito comum ouvirmos que devemos ter respeito para com todas as culturas. Tudo bem! Porém, não podemos ser coniventes com tudo que as culturas apregoam. Como poderíamos ser tolerantes com a cultura das castas hindus, com a situação dos intocáveis (dalits),  com a caça aos albinos em certos países africanos, com o racismo ou com o apedrejamento de mulheres em certos países islâmicos? Entender as diferenças culturais massacrantes não significa aceitá-las. Ao contrário, este é o primeiro caminho a ser tomado para combatê-las, pois é impossível lutar contra o desconhecido.

Nota: imagem  copiada de http://www.gobgo.org.br

Monet – MULHER SENTADA SOB OS SALGUEIROS

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Autoria de LuDiasBH

A composição denominada Mulher Sentada sob os Salgueiros é uma obra do pintor impressionista francês Claude-Monet. Ao criar este quadro, seu estilo já se encontrava totalmente amadurecido, como mostram os efeitos alcançados em sua obra. O artista não se preocupa com as formas, mas tão somente em capturar o ressoar passageiro da luz sobre a mulher e tudo em volta, mostrando a transitoriedade de um mundo em que tudo não passa de instantes.

A cena apresenta uma mulher sentada na relva, debaixo de dois grandes salgueiros, que parecem se arredar para dar espaço, ao fundo, a algumas edificações. Ela veste um vestido branco comprido que lhe cobre os pés. Traz na cabeça um chapéu e no colo um livro que parece ler atentamente. Não é possível observá-la direito, pois a luz que cai sobre ela torna seus traços diluídos. O mesmo acontece com a natureza e as edificações.

Esta pintura remete-nos à musica de Lulu Santos, intitulada “Como uma Onda”:

Nada do que foi será/ De novo do jeito que já foi um dia/ Tudo passa/ Tudo sempre passará… Tudo que se vê não é/ Igual ao que a gente/ Viu há um segundo/ Tudo muda o tempo todo/ No mundo…

Ficha técnica
Ano: 1880
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 81 x 60 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Gêmeos Siameses – ENG E CHANG BUNKER

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Autoria de LuDiasBH

A formação embrionária de gêmeos acontece em dois casos. O mais comum, e que corresponde a dois terços dos casos de gestação gemelar, ou seja, surge da fertilização independente de dois óvulos diferentes, não havendo qualquer possibilidade, portanto, de os bebês nascerem unidos.  O segundo caso é aquele em que um óvulo é fertilizado por dois espermatozoides, sendo esse o mais propício à malformação dos bebês, resultando, muitas vezes, em gêmeos coligados, popularmente conhecidos como “siameses”. O problema acontece quando a separação do embrião em dois não ocorre dentro de um período de 12 semanas, e as células passam a formar partes do corpo ou órgãos em comum.

 Os gêmeos siameses são idênticos. Muitos perguntam sobre a origem do termo “siameses”, denominação que também remete a uma raça de belos felinos. Este termo tem, sim, a ver com os gatinhos, pois a primeira ocorrência de gêmeos siameses foi registrada no Sião, Tailândia, em 1811, onde também surgiram tais felinos. Os gêmeos siameses, unidos por alguma região do corpo, também são conhecidos como gêmeos xifópagos ou gêmeos conjugados. Embora raríssimos, já fora registrados casos de siameses triplos.

Os irmãos siameses Eng e Chang Bunker nasceram no início do século XIX, na atual Tailândia. Em razão de o pai ter sido um pescador chinês tailandês e a mãe metade chinesa e metade malaio,  sendo as características chinesas mais marcantes, os filhos xifópagos famosos ficaram conhecidos como os “gêmeos chineses”. A união de seus corpos deu-se pelo esterno, através de um pedaço de cartilagem, tendo eles os fígados incorporados um no outro. Os gêmeos foram exibidos como curiosidade em turnês pelo mundo, ganhando muito dinheiro.

Eng e Chang, ao conhecerem os Estados Unidos, ali resolveram ficar, vindo depois a naturalizarem-se como cidadãos americanos. Compraram uma fazenda na Carolina do Norte e casaram-se. Eng casou-se com Sarah Anne e Chang com Adelaide Yates, irmã da esposa do irmão. Para acomodar os dois casais foi construída uma enorme cama. A grande prole mostra que tudo funcionou a contento, pois Chang e Adelaide tiveram 10 filhos, enquanto Eng e Sarah tiveram 11. Muitos, maldosamente, duvidavam que os filhos fossem deles. As duas famílias, já com muitos filhos, optaram por morar em casas separadas. E assim cada semana era dedicada a uma das esposas, tendo um dos gêmeos que ficar na espera. Apesar da fama e da riqueza, os gêmeos e suas famílias sofriam muitas formas de preconceito, inclusive pelo fato de terem se casado, pois muitos viam-nos como “monstros”.

Nos anos finais de vida, Chang, além de ter sofrido um acidente vascular cerebral, no lado mais próximo a seu irmão, o que afetou sua saúde, ainda passou a beber muito. Como não tivessem um sistema circulatório em comum, a bebida do irmão não afetou Eng, que passou a ajudar a carregar a perna sem movimento do irmão, enquanto esse se apoiava numa muleta. Chang veio a ter um caso grave de bronquite, e faleceu enquanto os dois dormiam. Ao despertar, e ver seu irmão morto, Eng, em desespero, sabia que iria morrer também. O médico chamado para fazer a separação de emergência chegou tarde, morrendo Eng cerca de três horas depois do irmão. Mas um exame post-mortem revelou que se tivesse sido feita a separação, Eng teria morrido do mesmo jeito, pois além de compartilhar o mesmo fígado com Chang, o ligamento de conexão entre ambos era bem mais complexo do que os médicos imaginavam.

Nota: foto de Chang (à esquerda) e Eng (à direita), tendo ao lado suas respectivas esposas/ Imagens Getty

Fontes de pesquisa
Freaks – Aberrações Humanas/ Editora Livros e Livros
https://en.wikipedia.org/wiki/Chang_and_Eng_Bunker
http://www.dailymail.co.uk/news/article-2825888/How-original-Siamese-twins-21-children-two