Lorenzo di Credi – ANUNCIAÇÃO

Autoria de LuDiasBH

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O quadro Anunciação é uma obra do pintor e escultor italiano Lorenzo di Credi  (c.1459-1537), que foi aluno de Andrea del Verrocchio, tendo trabalhado com ele em sua oficina, e herdado sua direção após a morte do mestre. Foi colega de Leonardo da Vinci. Incialmente foi influenciado por ele, mas depois deu-se o inverso. Foi professor de Giovanni Antonio Sogliani e de Antonio del Ceraiolo.

Sua bela composição apresenta a Virgem Maria, recebendo a visita de um anjo, que anuncia que ela será a mãe do Filho de Deus. Ambos se encontram num ambiente belamente adornado, que mostra como era a decoração interior daquela época, em que predominava o uso de madeira marchetadas, esculpidas ou ornamentadas com estuque.

Cada uma das figuras está postada diante do vão de uma das duas janelas em arco, com a porta ao meio, também em formato de arco, separadas por colunas decoradas com relevos antigos e primorosos. Elas parecem ter sido captadas e paralisadas num determinado momento, pois mostram-se emudecidas em seus gestos suspensos.

A Virgem Maria encontrava-se rezando em seu quarto de arquitetura clássica, quando foi surpreendia com a presença do anjo, como mostra seu gesto de surpresa. À sua esquerda está uma cama de madeira, forrada com uma colcha verde, sobre a qual descansa uma almofada vermelha. Aos pés da cama está uma mesa de madeira, parecida com um genuflexório, onde se vê, aberto, seu livro de orações.

O pórtico, do qual se vê duas colunas cornijas, leva a uma bela paisagem ensolarada, com árvores perfiladas, formando um caminho, e outras ao redor. Há também a presença de uma igreja, um lago e montanhas, sob um céu azul. Chama a atenção o horizonte maior da paisagem à esquerda, enquanto o da direita mostra-se coberto pela névoa, como se as partes não fossem contínuas. Há uma grande harmonia entre o interior e o exterior da cena.

No pavimento são vistas as sombras da Virgem e do anjo, e também das duas janelas em forma de arco. A cama e o porta-livros têm por finalidade complementar a perspectiva do ambiente, ampliando-o. A parede de madeira, às costas do anjo, mostra a mesma curvatura das janelas e também os trabalhos ali executados. Atrás do mensageiro está a porta pela qual ele entrou. Na parte de cima, próxima ao teto, estão cinco janelas circulares. A madeira escura do ambiente contrasta com a paisagem suave e luminosa. A luz vem do fundo do quadro e da esquerda, da porta aberta às costas do anjo.

Abaixo, em primeiro plano, aparecem os degraus decorados com cenas do Gênesis, referentes a Adão e Eva no Jardim do Éden. A primeira, a começar pela esquerda, refere-se à criação do homem; a segunda, à queda; a terceira diz respeito à expulsão do paraíso. A separação entre as cenas é feita com pilastras decoradas com vasos, flores e escudos com águias, referentes ao brasão do dono da encomenda.

Ficha técnica
Ano: c. 1480-1485
Técnica: têmpera e óleo sobre madeira
Dimensões: 88 x 71 cm
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
https://it.wikipedia.org/wiki/Annunciazione_(Lorenzo_di_Credi)

Mondrian – COMPOSIÇÃO EM AZUL, CINZA E ROSA

Autoria de LuDiasBH

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O trabalho denominado Composição em Azul, Cinza e Rosa é uma obra do artista holandês Piet Mondrian. Faz parte de uma série de estudos de fachadas feitos pelo artista, em que ele dispõe. harmoniosamente. linhas horizontais e verticais.

O quadro de Mondrian pode levar o observador a imaginar uma planta arquitetônica ou um projeto urbanístico, tamanha é a versatilidade e o virtuosismo adquirido pelo artista. Apesar de mostrar apenas figuras geométricas nas cores azul, cinza e rosa, a pintura expressa um delicado lirismo.

Ficha técnica
Ano: 1913
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 88 x 115 cm
Localização: Rijksmuseum, Holanda

Fonte de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural

Léger – NUS NA FLORESTA

Autoria de LuDiasBH

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Eu queria levar os volumes ao extremo. Este quadro era para mim apenas uma disputa entre as formas do corpo. Eu senti que ainda não poderia fazer a cor sustentar-se. Apenas o volume era suficiente para mim. (Léger)

Eu tenho me alinhado, durante anos, com toda a minha energia, em oposição ao Impressionismo. Eu era obcecado por isso. Eu queria o fragmento dos corpos. (Léger)

A composição Nus na Floresta, exibida no Salão dos Independentes, em 1911, em Paris, é uma obra do pintor normando Fernand Léger. É da mesma época de “A Costureira”, que foi o pontapé inicial para a experiência cubista do pintor, que se tornara amigo dos cubistas Pablo Picasso e Georges Braque. Segundo Léger, ele lutou durante dois anos com a plasticidade da obra, tendo por objetivo apenas levar os volumes ao extremo.

O quadro de Léger, embora se trate de uma obra inicial do estilo cubista do pintor, já mostra com clareza qual seria o caminho a ser trilhado por ele em sua pintura. Ele apresenta cilindros, forma poliédrica e mecânica. À época, dava-se a ruptura do artista com o Impressionismo e sua relação com o Cubismo, embora sendo seu estilo bem diferente do Cubismo tradicional, uma vez que não abriu mão da tridimensionalidade e da forma volumétrica, como fizeram seus amigos Picasso e Braque.

A obra do artista, retratando homem e natureza, mostra uma paleta monocromática e formas geométricas. A influência de Cézanne, pintor francês muito admirado por Léger, também se encontra presente em seu desenho e forma, em detrimento da cor. Seguindo o formato das mãos é possível visualizar as figuras humanas.

Ficha técnica
Ano: 1909/1910
Técnica: óleo em tela
Dimensões: 120 x 170 cm
Localização: Rijkmuseum, Otterlo, Holanda

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural
http://www.theartstory.org/artist-leger-fernand-artworks.htm

SOS – OS ANIMAIS E AS CARROÇAS

Autoria de Celina Telma Hohmann

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Quem são os animais e como eles se sentem? Pouquíssimos de nós trazem consigo tal preocupação. Tive acesso a uma solicitação para assinar um abaixo-assinado, advindo de fonte que desconheço, mas que me motivou a repensar no assunto. E, logo após, uma solicitação dolorosa de alguém, com uma sensibilidade enorme, pedindo-me para que usasse as palavras para externar um sentimento de pesar em relação aos animais que puxam carroças que, por vezes, passam-nos despercebidos. Quem pediu o fez porque, mesmo escrevendo magnificamente, pelo choque, não conseguiu fazê-lo.

Há, no abaixo-assinado, em questão, um pedido de clemência para com os animais que são obrigados a puxar cargas. Dei-me conta de que somos parceiros na maldade com esses bichos maltratados, tais como escravos do passado, onde o que importava era o trabalho, jamais o respeito, o bem-estar e o limite relativo à resistência. Em plena era da informática, da resposta imediata para quase tudo, das modernas máquinas que tudo facilitam, ainda nos deparamos com animais sendo chicoteados, esporeados, marcados a ferro, por vezes,  feridos gravemente, desnutridos, e usados de forma injusta como instrumento de trabalho, sem que lhes seja dado o direito ao devido cuidado e o necessário descanso. São vistos como meros meios de transporte e trabalho, com ossos expostos pela má qualidade da alimentação, estropiados e trôpegos, mas incitados a continuar. Animais, simplesmente! Como nós, eles também possuem limites, mas, diferentemente de nós, não podem parar. Se o fazem, quem deles se vale, maltrata-os com chicotadas, o que é o mínimo, visto por olhos de uma cegueira cruel, que veem, mas não se importam, para fazê-los continuar o “trabalho”.

Nossos roceiros, sitiantes, pessoas da lida no campo, usavam cavalos para o transporte de suas colheitas, mas compreendiam que eles eram necessários na ajuda, e como recompensa, eram bem tratados e amados, como parceiros da labuta diária. Quando em idade avançada para o trabalho, tinham um local para descansar, e alimento necessário, dado de bom grado. Trabalhavam, descansavam e na velhice tinham o merecido direito à espera do fim, sequência natural da vida. E quando findavam seus dias, havia o pesar dos que com eles partilharam trabalho, dias de companheirismo e tolerância. Seus donos sabiam que o limite tinha que ser respeitado. Não havia o machucar pelo prazer ou pela raiva pelo dia que não rendeu. Mas esses dias já se vão longe, num visível e cruel mudar de atitudes.

Tenho pena dos animais, sim! Jamais os maltrato, tenho uma louca variedade de espécies em casa, limpos, lindos, sadios e parceiros para sempre. Já vi até mesmo crianças sendo impiedosas com os bichos, da mesma forma que vi homens perversos, que usam carrocinhas para o trabalho pesado e machucam cavalos, jumentos, bois e mulas, dando-lhes o pior dos tratamentos. Mas, sem nenhuma vergonha, confesso, eu só xingava. Fiz isso muitas vezes, afinal, minha boca consegue expelir um monte de adjetivos adquiridos ao longo do tempo e que, quando saem, fazem um belo estrago, mas ficava só no xingamento e alerta, nada mais que isso.

Acordei da minha inércia e tomei como responsabilidade repensar o porquê daquele abaixo-assinado, e senti-me mal! Coloquei-me no lugar desses animais usados para serviços pesados, num trânsito que deve confundir esses seres que julgamos irracionais, e que servem aos que os têm como meio facilitador de trabalho, sem que lhes seja dada a atenção que merecem. Uma extensão da maluquice em que existe a alucinada necessidade de explorar tudo. Entendi quem pedia ajuda para que fosse proibido o uso de animais para serviços pesados. Dos jegues que escalam locais, onde ao homem não é conveniente caminhar, aos cavalos que, do uso apropriado, passaram a ser explorados e  maltratados, até sangrar, em muitas situações. Os animais não mudaram, mudou o homem e seu ódio que explode e tem como alvo quem não consegue se defender. Dei-me conta de que, no fundo, enquanto homens, sempre fomos uns bichos maus!

Assinem e repassem o abaixo-assinado:
PONHAM UM FIM NO SOFRIMENTO DOS ANIMAIS

Nota:  imagens copiadas de: G1 – Globo.com

Léger – MULHER DE AZUL

Autoria de LuDiasBH

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A composição Mulher de Azul é uma obra do pintor normando Fernand Léger. Este quadro foi exposto no X Salão de Outono, em Paris, e na Galeria Kahnweiler, do proprietário do mesmo nome, com quem o artista assina o seu primeiro contrato de exclusividade.

A grande preocupação de Léger em seu trabalho era tornar a forma o mais simples possível, embora seu estilo torne-se mais límpido neste seu trabalho, que apresenta grandes campos de cores puras. Nesta fase, o pintor já começa a distanciar-se dos cubistas.

A pintura apresenta superfícies trabalhadas e outras planas, sendo considerada uma das mais importantes da obra do artista. No topo é possível ver o perfil de uma mulher. O campo azul maior, no meio, é o seu torso, sendo os dois menores, um de cada lado, partes dos braços. As mãos, que se encontram na frente, parecem feitas de metal. Abaixo seguem as pernas. Um copo encontra-se sobre uma mesa, à direita.

Ficha técnica
Ano: 1912
Técnica: óleo em tela
Dimensões: 194 x 130 cm
Localização: Museu de Arte, Basileia, Suíça

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural
http://previousexhibitions.fondationbeyeler.ch/e/html_11sonderaus/34leger/03_werke

EM PROL DE UM BRASIL MELHOR

Autoria de Hernando Martins Dias

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De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto. (Rui Barbosa)

O Brasil passa por uma fase extremamente difícil. Faz-se necessário que todos se posicionem em prol do país, independentemente de intitular-se de direita, de esquerda ou de centro. Não é mais possível conviver com o sectarismo, a seletividade e a corrupção em níveis tão alarmantes, presentes em todos os poderes de nossa República, enquanto se busca recompor o buraco feito no erário público usurpando as classes mais pobres, apesar de seus salários minguados  incapazes de cumprir o Art. 6º da Constituição Federal: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015)

É de conhecimento de todos que, enquanto não se fizer uma reforma política  estrutural, capaz de direcionar o país a níveis civilizados, não haverá, para nós brasileiros, luz no fim do túnel, uma vez que quem faz as leis é o poder Legislativo, também conhecido por Congresso (compreende a Câmara dos Deputados e o Senado). E, como vivemos num sistema presidencialista, o presidente (responsável pelo Executivo, juntamente com sua estrutura administrativa) não governa sem o Legislativo. E, para entornar o caldo da falta de pudor, além dos inúmeros congressistas corruptos, existem ainda os conhecidos e malcheirosos partidos de aluguel, mercadores em busca de uma fatia de poder, que ali legislam através do fisiologismo. Ao poder Judiciário cabe fazer cumprir as leis. Pelo menos é esta a sua função.

Precisamos de união e força para coibir as aberrações entre os propalados três poderes, que acabam parindo, executando e fazendo cumprir leis, muitas vezes nefastas, que pesam, principalmente, sobre a população mais sofrida do país e que é, na verdade, o potente motor gerador de seu progresso, quando a deixam trabalhar. Não é possível que o Brasil sirva de chacota em todo o mundo, ora tido como uma “republiqueta de bananas”, onde se trava uma guerra vergonhosa entre Legislativo, Executivo e Judiciário. É fundamental que os três poderes possuam igual autonomia e, sobretudo, responsabilidade para exercer suas funções, com a finalidade de fazer o país crescer economicamente e proteger a sociedade, ao invés de digladiarem entre si por poder e salários. O que o povo espera desse trio é uma comunhão ética e responsável, que responda, individual, legal e moralmente por seus atos, a começar pelo cumprimento do teto constitucional.

Tem sido vexamoso vivenciarmos o mais lamentável dos desrespeitos à Carta Maior, que é a Constituição brasileira, que reza que “todos somos iguais perante a lei”, quando na prática alguns poucos se mostram bem mais iguais do que a imensa maioria do povo brasileiro. Quem erra, recebendo do erário público, não pode, como pena para seu delito, ter aposentadoria integral e compulsória. Esse “constrangedor castigo” é doloroso demais para os milhões de desvalidos desta nossa grande nação. É fato que o povo brasileiro é responsável por ter elegido os políticos que aí estão, e que cada povo tem o governo que merece.  Mas também é fato que o brasileiro, conhecido mundialmente por seu nem sempre honesto “jeitinho”, tem na maioria dos dirigentes do país os seus grandes “mestres”. Em assim sendo, resta-me terminar minha crônica com o famoso pensamento de Rui Barbosa, o “Águia de Haia”:

“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”.

Nota: ilustração copiada de http://www.slideshare.net/portalsme/meu-endereo-no-planeta-presentation