O QUINTO SELO DO APOCALIPSE (Aula nº 62 A)
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Autoria de LuDiasBH                                                     (Clique na imagem para ampliá-la.)

Domenikos Theotokopoulos — conhecido como El Greco (O Grego) — foi um dos grandes nomes do Maneirismo, sendo considerado hoje como um precursor do Expressionismo. Chegou a Veneza, vindo da Ilha de Creta, lugar em que nenhum novo tipo de arte chegara desde a Idade Média, habituado, portanto, a ver pinturas à maneira bizantina que apresentavam imagens solenes e rígidas, sem nenhuma naturalidade. As suas obras levam a crer que era um homem muito devoto. De Veneza foi para Roma e depois para Toledo, na Espanha, onde as ideias medievais ainda dominavam a arte. Por possuir um estilo dramático e muito expressivo é considerado por muitos como um precursor do Expressionismo e do Cubismo, além de ter inspirado poetas e escritores. A obra que estudamos hoje — uma das mais famosas do artista — mostra seu estilo impetuoso e dramático, assim como sua indiferença por formas e cores naturais. Primeiramente é necessário acessar o link O QUINTO SELO DO APOCALIPSE e ler o texto com muita atenção, sempre voltando a esse quando se fizer pertinente:

  1. A composição acima trata-se de uma obra:

    1. Histórica
    2. Religiosa
    3. Científica
    4. Mitológica

  2. Esta obra de El Greco pertence ao estilo maneirista que faz para da:

    1. Idade Antiga
    2. Idade Média
    3. Idade Moderna
    4. Idade Contemporânea

  3. A composição retrata a visão apocalíptica de:

    1. São Lucas
    2. São Mateus
    3. São Marcos
    4. São João

  4. Representa o momento em que o santo é instado ……………. a ver a abertura dos sete selos.

    1. pelo Cordeiro
    2. pelos anjos
    3. pelas almas
    4. pelo Espírito Santo

  5. O santo, retratado em êxtase visionário, é mostrado numa visível forma da letra:

    1. U
    2. X
    3. Y
    4. V

  6. O grupo que representa as almas dos mártires é composto por………… almas femininas e …………… almas masculinas.

    1. quatro / três
    2. cinco / duas
    3. três / quatro
    4. duas / cinco

  7. As almas dos mártires, com seus gestos arrebatados, encontram-se em segundo plano, aguardando receber:

    1. as túnicas azuis
    2. a bênção dos anjos
    3. a ordem do santo
    4. os mantos brancos

  8. Os anjos representados na composição representam a:

    1. pureza
    2. bondade
    3. sabedoria
    4. salvação

  9. São afirmações do Professor E. H. Gombrich, exceto:

    1. A obra expressa a visão do Juízo Final.
    2. Um desenho perfeito expressaria melhor o tema.
    3. Os próprios santos clamam pela destruição do mundo.
    4. A obra de El Greco expressa força e é convincente.

  10. A técnica usada pelo artista é:

    1. óleo sobre madeira
    2. afresco
    3. óleo sobre tela
    4. gauche

Gabarito
1.b / 2.c / 3.d / 4.a / 5.b / 6.d / 7.d / 8.a / 9.b / 10.c

Obs.: Conheça mais sobre a vida interessante do artista acessando o link abaixo:
Mestres da Pintura – EL GRECO 

ARTISTAS DO MANEIRISMO (Aula nº 62)
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A cidade italiana de Florença vivia realmente voltada para a arte. Após dar vida ao Renascimento foi também o berço do Maneirismo. Seus grandes mestres buscaram novas experiências no passado clássico, não se agarrando ao estilo Românico ou Gótico. Leonardo da Vinci chegou a afirmar que “É um mísero discípulo quem não for capaz de superar seu mestre”, como uma forma de incentivar os novos artistas a buscar novos caminhos, não se contentando com a estagnação. Portanto, apesar dos tropeços, era natural que uma nova geração de artífices também buscasse por mudanças, pois, como sabemos, cada estilo de arte é fruto de um determinado tempo.

A influência maneirista também se estendeu à escultura, cuja característica principal foi a figura serpentinata (sobe serpenteando como uma labareda), modelo usado pelos gregos que viam na forma sinuosa um jeito mais eficiente para retratar o movimento na arquitetura. As artes ornamentais também eram muito apreciadas pelas cortes.

O escultor e ourives florentino Benvuto Cellini (1500-1571) foi um artista típico do estilo maneirista e tem na estátua “Perseu com a Cabeça de Medusa” (ver acima) sua obra-prima. O “Saleiro de Francisco I” (ilustração acima) também é de sua autoria. Trabalho feito em ouro e pedras preciosas, representando a Terra (simbolizada pela mulher) e o Mar (simbolizado pelo homem).

Dentre os nomes da escultura maneirista podem ser citados: Jean de Boulogne (1529-1608), responsável pela estátua de “Mercúrio”, em que o deus equilibra-se numa golfada de ar que é expelida da boca de uma máscara que representa o vento austral (ilustração acima); Bartolomeo Ammannati, Jean Goujon (c. 1510-1565) tido como um dos mais importantes e mais originais escultores franceses do século XVI; Pierre Franqueville (1548-1615); Germain Pilon (1537-1590); Diego de Siloé (1495-1563); Alonso Berruguete (c.1488-1561) — um dos principais escultores espanhóis, tendo produzido esculturas para a Catedral de Toledo; e Adrien de Vries (1556-1626), entre outros.

A pintura maneirista, como já foi dito na aula passada, deixou de lado a uniformidade e a lógica encontradas nas obras do Renascimento, abriu mão das relações naturalistas e passou a apresentar um cenário ilusório. Dentre os muitos nomes de pintores maneiristas podemos citar:

Doménikos Theotokópoulos, conhecido como El Greco (c.1541-1641) —— tido hoje como o precursor do Expressionismo (estilo ainda a ser estudado); Parmigianino (1503-1540); Jacopo Robusti (1518-1549), conhecido por Tintoretto  — um dos maiores nomes do estilo; Giulio Romano (c.1499-1546), conhecido por Giulio Pipi — foi assistente de Rafael Sanzio, tendo sido responsável por terminar as obras de seu mestre no Vaticano após sua morte; Jacopo Carucci (1494-1557), conhecido como Pontormo  — artista muito importante na passagem do Renascimento para o Maneirismo; Agnolo di Cosimo (1503-1572), conhecido como Bronzino  — trabalhou para a corte dos Medici, onde criou principalmente retratos e pinturas alegóricas; Federico Barroci (c.1535-1612) — tido como o mais importante pintor e gravador do centro da Itália à época; Federico Zuccaro (c.1542-1609) — fundador da Accademia de San Luca; Giovanni Barrista di Jacopo (1494-1540), conhecido como Rosso Riorentino — uma das principais figuras do início do Maneirismo; François Clouet (c.1510-1572) — pintor da casa real de Valois, tendo sido o mais importante retratista francês; Giuseppe Arcimboldo (c.1527-1593) — pintor favorito da corte dos Habsburgos, tendo se tornado muito popular quando sua obra extravagante tornou-se muito apreciada pelos surrealistas do século XX.

O mais culto e importante dos arquitetos do estilo maneirista foi Andrea Palladio (1508-1580) que, embora fosse dotado de vasto conhecimento sobre as obras dos mestres clássicos, acrescentou, juntamente com outros arquitetos, novos elementos à arquitetura, como mudanças nas estruturas, na funcionalidade dos elementos, na ilusão de perspectiva, etc.

Exercício
1. Por que a cidade de Florença foi importante para a arte?
2. Dê o nome da obra e o de seu criador referente às ilustrações acima.
3. O que sabe sobre os pintores El Greco e Giuseppe Arcimboldo?

Fontes de pesquisa
A história da arte/ E. H. Gombrich
Manual compacto de Arte/ Editora Rideel
Arte/ Publifolha

 

Lichtenstein – MOÇA AFOGANDO-SE
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 Autoria de LuDiasBH

                                       

À época eu estava muito empolgado e muito interessado no conteúdo altamente emocional, mas destacava o manejo impessoal do amor, do ódio, da guerra, etc., nessas imagens de desenho animado. (Lichtenstein)

O pintor estadunidense Roy Lichtenstein (1923–1997) nasceu numa família de classe média alta. Seu contato informal com a pintura teve início em sua adolescência — em casa —, época em que também passou a demonstrar interesse pelo jazz, como mostram os muitos retratos, pintados por ele, de músicos tocando seus instrumentos. Seu contato formal com arte deu-se quando tinha 16 anos de idade, ao frequentar as aulas da Liga dos Estudantes de Arte, sob a direção de Reginald Marsh. Seu objetivo era ser um artista. Foi depois para a School of Fine Arts da Ohio State University — uma das poucas instituições do país que possibilitavam a licenciatura em belas-artes. Ali recebeu influência de seu mestre Hoyt L. Sherman, dando início aos trabalhos expressionistas.

A composição intitulada Moça Afogando-se é uma obra de Roy Lichtenstein e uma das pinturas mais representativas do movimento da Pop Art, sendo vista como um dos trabalhos mais importantes do artista estadunidense. Tem sido descrita como uma obra-prima do melodrama. Trata-se de uma das primeiras imagens do artista retratando mulheres em perigo.

A pintura apresenta uma garota com os olhos fechados, de onde escorrem grossas lágrimas. Ela já chorou tanto que um rio de lágrimas formou-se ao seu redor. A pungente tristeza de seu rosto mostra que está tomada por fortes emoções, sem forças para reagir às suas forças destrutivas. Através da frase contida no balão — Eu não me importo! Eu prefiro afundar a pedir socorro a Bred — é possível conhecer o que se passa no pensamento da jovem mulher, portanto, Bred Brad (nome encontrado em vários trabalhos do artista) é o causador de tamanho sofrimento. Ela prefere ser tragada pelo mar a pedir-lhe ajuda.

Roy Lichtenstein inspirou-se, para compor sua obra, numa história publicada em quadrinhos, intitulada “Run for Love”, na revista “Secret Love” em 1962. Ele eliminou o namorado da moça que aparece afogando-se ao fundo, agarrado a um barco. Deixou apenas a parte que se refere à garota (cabeça, ombro e a mão, vistos acima da água) e o mar. O pensamento da garota, contido no balão, também foi reduzido. Ela se encontra sozinha, centralizada na composição, e em meio a uma onda feroz parecida com um redemoinho. O artista jogou no sofrimento da moça toda a força da composição. O observador, na ausência de outros elementos, é incapaz de construir uma narrativa correta em torno de Bred, ficando a interpretação ao prazer de cada um.

Segundo alguns críticos, as representações de mulheres com os olhos lacrimejantes por parte de Lichtenstein, até meados da década de 1960, podem ter sido influenciadas pelas mulheres chorosas de Picasso e também pelo desmoronamento de seu casamento na com Isabel Wilson de quem se separou em 1963.

Nota: Lichtenstein reconhece que a onda presente na composição é uma adaptação da famosa gravura de Hokusai  conhecida como A Grande Onda de Kanagawa, cujo estudo se encontra presente neste blogue.

Ficha técnica
Ano: 1963
Técnica: óleo e magna sobre tela
Dimensões: 171,8 x 169,5 cm
Localização: Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, EUA

Fontes de pesquisa
Lichtenstein/ Editora Taschen
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Drowning_Girl
https://www.moma.org/learn/moma_learning/lichtenstein-drowning-girl-1963/

UM NOVO ESTILO – MANEIRISMO (Aula nº 61)
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Autoria de LuDiasBH

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Aprendemos através do que estudamos até agora que a arte reflete um determinado período da história da humanidade e, como os fatos são mutáveis a arte também o é. Foi acompanhando suas transformações que passamos pela Pré-História, onde tivemos contato com as pinturas rupestres. Passamos a seguir pela Idade Antiga ou Antiguidade quando travamos contato com a arte do Egito, Grécia e Roma antigos, assim como pela arte Bizantina. Na Idade Média estudamos os estilos Românico e Gótico. Depois chegamos à Idade Moderna, período que teve a predominância de quatro estilos distintos de arte: Renascimento, Maneirismo, Barroco e Rococó.

Em torno de 1520 (século XVI) os artistas italianos e os apaixonados pela arte davam a entender que a pintura já havia alcançado o seu apogeu, não havendo mais nada a ser nela acrescido. Acreditavam que artistas como Michelangelo, Rafael, Ticiano e Leonardo da Vinci não deixaram nada por ser feito. Tudo aquilo que gerações anteriores almejaram fazer, eles conseguiram e, sendo assim, a arte encontrava-se estagnada. Muitos artistas, acreditando nessa paralisação, passaram a estudar os artistas citados, muitas vezes criando apenas obras sem qualidade, ao excederem na imitação, relegando a criatividade. Mas havia aqueles que acreditavam que ainda havia muito a ser criado. Passaram a buscar uma pintura cheia de significado e sabedoria, muitas vezes cheias de excessos, pois suas obras tornavam-se obscuras, somente acessíveis aos eruditos da época. O estilo desse período recebeu o nome de Maneirismo.

O estilo maneirista aconteceu, portanto, após o Alto Renascimento na Itália, quando pintores, escultores e arquitetos deixaram de lado muitas das convenções clássicas tão buscadas pelos renascentistas. Por ter iniciado em 1520, ano da morte de Rafael Sanzio, alguns estudiosos da arte veem o Maneirismo como uma reação à harmonia clássica do pintor e de seus contemporâneos. O termo “maneirismo” era visto como um rótulo depreciativo para os críticos posteriores que o viam apenas como uma transição afetada entre o Renascimento e o Barroco, mas a partir do século XX o termo passou a ser usado de um modo neutro, ou seja, como sendo apenas mais um estilo de arte.

O Maneirismo tem suas raízes ficadas na Itália. Alguns estudiosos consideram que seu início aconteceu em 1520, tratando-se de um estilo refinado e emocional, enquanto outros veem-no como afetado e decadente. Dentre as suas características estão a tensão e a dramaticidade que os artistas conseguiam obter, ao usar figuras alongadas em posturas extravagantes, com cores e luz fortes e distorção da escala e perspectiva. A figura principal da composição maneirista mostra-se quase sempre rodeada de muitos elementos e, além disso, nem sempre ocupa o centro da composição. A luz intensa sobre os objetos reproduz sombras que, por sua vez, intensificam a dramaticidade da obra. As vestes dos personagens são sempre muito bem trabalhadas.

Embora tenha se originado na Itália, florescendo em cidades como Florença e Roma, o Maneirismo espalhou-se pela Europa durante todo o século XVI, chegando a tornar-se o estilo oficial de inúmeras cortes que contrataram artistas italianos para servi-las. As cortes de Fontainebleau (França) e a de Praga (Boêmia) podem ser vistas como os campos mais importantes do Maneirismo fora da Itália. Portanto, não é de se estranhar que as obras mais refinadas desse estilo fossem destinadas à aristocracia. O Maneirismo teve o seu fim por volta de 1600.

Exercício
1. Como teve início o Maneirismo?
2. Qual foi a reação dos artistas da época?
3. Cite algumas características do Maneirismo.

Ilustração: 1. A Última Ceia (1592-1594), obra de Tintoretto.

Fontes de pesquisa
A história da arte/ E. H. Gombrich
Manual compacto de Arte/ Editora Rideel
Arte/ Publifolha

ARTE ERÓTICA NOS TEMPOS ANTIGOS (Aula nº 60 A)
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Autoria de LuDiasBH

A arte, desde os tempos primevos, está presente na história da humanidade que através dela expressa suas preocupações e desejos nas mais diferentes manifestações artísticas. Se a arte reflete as aspirações e as necessidades humanas é mais do que natural que o sexo nela esteja inserido através de uma simbologia apropriada a cada época da história. E mais do que qualquer outro segmento, os artistas foram sempre os mais seduzidos pela sexualidade que se faz presente em todo o caminhar da arte. Ao acompanhar a sua trajetória, notamos que essa sexualidade algumas vezes mostra-se mais explícita e noutras mais velada, de acordo com os censores de cada época. Vejamos adiante um pouco da história da arte erótica através dos tempos.

No período pré-histórico as mulheres de seios grandes e cintura larga simbolizavam a mulher mãe, cujos atributos estavam mais ligados à concepção. A homenagem à fertilidade suplantava a sexualidade, porque naquela época pensava-se que a mulher era a única responsável por gerar novas vidas, sendo o homem excluído de tal processo. O surgimento dos símbolos fálicos, embutidos de significados religiosos, como os totêmicos, ganhou espaço na etapa seguinte.

Através da pintura e dos textos dos povos etruscos — ainda que mutilados pelos censores cristãos — é possível notar que levavam uma vida sexual variada e satisfatória. Muitas das pinturas desse povo, presentes em nossos dias, mostram casais em diferentes posturas de relação sexual. A arte erótica no Peru pré-histórico, como mostram os desenhos em cerâmica que chegaram até nós, apresentam sinais de que a vida sexual era livre. Os temas abordados mostram que o sexo era visto com naturalidade, entretanto o zelo puritano dos conquistadores espanhóis acabou destruindo quase que a totalidade dessas obras.

A celebração do corpo humano fazia parte da arte da Grécia Antiga. Os artistas buscavam um ideal de beleza ao representar homens e mulheres nus. As figuras humanas retratadas eram quase sempre ambíguas, hermafroditas, trazendo características de ambos os sexos. Ainda que os romanos — que a si creditavam a continuidade da cultura grega — nunca tenham sobrepujado seus dominados, as ruínas de Pompeia mostram que a vida sexual desses era também despojada de tabus na Antiguidade Clássica.

A arte erótica na China, por sua vez, era muito detalhada e explicativa, educando e excitando ao mesmo tempo. Os chineses, no entanto, nunca representavam a autoestimulação masculina em razão da filosofia do Yang-Yin que apregoava que o sêmen masculino deveria ser retido, pois, se não se juntasse à essência feminina durante o coito, o homem acabaria perdendo sua força. O ponto alto da arte erótica japonesa aconteceu na cidade de Edo, atual Tóquio. O Ukyio-e — estilo de arte — retratava a vida diária das pessoas, inserindo também os temas sexuais. Os artistas Utamaro e Hokusai tornaram-se famosos em todo o mundo com as chamada pinturas shunga.

Nota: Vênus, Cupido e o Sátiro, 1503, obra de Bronzino

Fontes de pesquisa
Vida a Dois/ Editora Três

ARTE ERÓTICA E RENASCIMENTO (Aula nº 60)
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Autoria de LuDiasBH        

                                     

A arte desde os tempos primevos tem estado presente na história da humanidade que, através dela, expressa suas preocupações e desejos nas mais diferentes manifestações artísticas. Se a arte reflete as aspirações e as necessidades humanas é mais do que natural que o sexo nela esteja inserido através de uma simbologia apropriada a cada época da história. E mais do que qualquer outro segmento os artistas foram sempre os mais seduzidos pela sexualidade que se faz presente em todo o caminhar da arte. Ao acompanhar a sua trajetória, notamos que essa sexualidade algumas vezes mostra-se mais explícita e noutras mais velada, de acordo com os censores de cada tempo.

O surgimento do cristianismo foi como um freio para a arte erótica, contendo-a por quase mil anos sob a alegação de que essa era pecaminosa e só agradava ao diabo. Nesse longo período de tempo escondeu-se o corpo humano, elegendo-o como o vilão responsável por todos os pecados da humanidade, esquecendo-se de que ele era a morada do espírito. Só era permitido desnudar parte dele e isso apenas quando os trabalhos artísticos apresentavam a ação das torturas diabólicas sobre o corpo, pois o demônio era visto como o mentor dos crimes sexuais. A figura demoníaca podia ser apresentada totalmente nua e também as feiticeiras — tidas como servas de satã —, mostradas em atos libidinosos muitas vezes sob a forma de animais.

O advento do Renascimento fez com que o homem olhasse o mundo sob outro viés, o que trouxe mais liberdade, delicadeza e equilíbrio à arte. Essa foi a época do retorno da arte à cultura clássica, com seus deuses e mitos advindos da cultura greco-romana. Para ilustrar o período do Renascimento vale a pena relembrar algumas obras famosas como “O Nascimento de Vênus” — belíssima pintura de Sandro Botticelli — que mostra a deusa Vênus nua e o “Triunfo do Amor” — pintura de Francesco del Cossa — apresentando um casal em atitudes licenciosa na grama. Por sua vez, os pintores François Boucher e Jean Honoré Fragonard retrataram a corte francesa com total liberdade, exibindo inclusive temas como sexo grupal e autoestimulação.

Uma nova onda de puritanismo abateu-se sobre as manifestações artísticas após a Revolução Francesa e a vigência da era Vitoriana. A tecnologia, porém, permitiu que o homem europeu entrasse em contato com diferentes culturas, incluindo a hindu, marcada por grande sensualismo — ainda que cheio de significado religioso — em que o erotismo era visto como uma característica das divindades. Esse contato foi importante para a arte europeia do século XIV. Os artistas não mais se curvavam ao puritanismo, mas usavam o erotismo para escandalizar a burguesia. Mais tarde, Édouard Manet sacudiu Paris ao pintar “Olímpia” e “Almoço na Relva”.

A arte nem sempre foi tão liberal como em nossos dias. Em algumas épocas da história ela esteve refém dos mais diferentes códigos criados por grupos específicos. Atualmente os artistas não mais se submetem aos tabus e ao academicismo. Trabalham para que todos os temas sejam livres, inclusive os relativos ao sexo. Praticamente já não mais existem fronteiras para o chamado “permissível”. O erotismo ligado ao amor físico já não é mais barreira. Os apelos eróticos vêm deixando de causar reação de repulsa. A humanidade está mais madura e em consequência a arte tem sido vista com mais naturalidade.

Nota: O Nascimento de Vênus (Sandro Botticelli) / Triunfo do Amor (Francesco del Cossa)

Obs.: As obras citadas no texto encontram-se analisadas neste blog.

Fonte de pesquisa
Vida a Dois/ Editora Três