Botticelli – NASTAGIO DEGLI ONESTI

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

          

         

O pintor italiano Sandro Botticelli recebeu uma encomenda, provavelmente de Lourenço, o Magnífico, que seria dada de presente a Giannozzo Pucci em razão de seu casamento com Lucrezia Beni. Trata-se de uma série de quatro painéis, ilustrando episódios do romance de “Nostaggio degli Onesti”, em Decameron, de Giovanni Boccaccio. Para melhor retratar a história de Nastagio degli Onesti, o pintor renascentista dividiu-a em quatro passagens, criando, assim, quatro painéis. Três deles encontram-se atualmente no Museu do Prado, excetuando o último, que voltou a seu lugar de origem (Palazzo Pucci).

Segundo alguns estudiosos de arte, a série de painéis são de Botticelli quanto à concepção e o desenho, mas, no que diz respeito à execução, teve a colaboração de seus assistentes, principalmente a de Bartolomeu di Giovanni e a de Jacopo del Selaio, pois o mestre encontrava-se sobrecarregado de encomendas. Todos os painéis são maravilhosos, em especial o segundo deles. São eles: (o leitor deverá acompanhá-los na ordem em que estão apresentados, ou seja, o 1º e o 2º em cima, o 3º e o 4º embaixo, da esquerda para a direita)

1º.O Encontro com os Amaldiçoados na Floresta de Pinheiros

(Deve ser lido da esquerda para a direita. Nastagio agarra um galho de árvore na tentativa de socorrer a moça.)

2º. A Caçada Infernal

(Nastagio vê o cavaleiro arrancar o coração e as vísceras da jovem e dá-las aos cães. A cena retrocede e o perseguidor está a correr atrás da mulher pela praia.)

3º. O Banquete na Floresta de Pinheiros

(Nastagio convida sua amada  família para um banquete na floresta, para que vejam a terrível caçada. Sua amada, vestida de branco, teme que o mesmo possa acontecer a ela e envia um emissário a Nastagio, concordando-se em casar-se com ele. As mulheres estão à esquerda e os homens no centro. Tudo está em desordem com a chegada dos fantasmas.)

4º. O Banquete de Casamento

(O banquete de casamento de Nastagio e de sua amada é pomposamente celebrado.)

Para que se entenda os quadros é preciso saber que Nastagio degli Onesti é o nome de um nobre de Ravenna, que se apaixona por uma jovem também de família nobre. Ele tudo faz para ganhar a atenção da mulher, mas ela não corresponde ao seu amor. Ao contrário, sente um prazer cruel em recusá-lo. Nastagio, por não conseguir esquecê-la, transforma seu amor por ela em ódio. Ele chega a tentar o suicídio, sem sucesso.

Nastagio, ao ver uma jovem nua e em lágrimas num pinhal, ao anoitecer, perseguida por dois cães e um cavaleiro, com uma espada, querendo matá-la, tenta socorrê-la, mas o perseguidor conta-lhe que a amava, mas ela o desprezava. Ele então cometeu suicídio. Ela não sentiu nenhum remorso por isso, mas, quando morreu, como punição, foi condenada a ser caçada eternamente.  Por isso, todas as sextas-feiras, ela é assassinada, sendo que o corpo dele e o dela sempre se restauram, numa eterna continuidade, pois ambos vivem no Inferno.

O jovem Nastagio compreende que aquilo é um sinal divino e na sexta-feira seguinte, prepara um banquete naquele mesmo lugar, convidado sua amada, seus pais e parentes. Ao final do jantar, a terrível cena é vista por todos. O suicida narra aos presentes o porquê da história. Com medo de vir a sofrer a mesma pena, a jovem mulher, amada por Nastagio, concorda em casar-se com ele.

 Ficha técnica
Ano: c. 1483

Técnica: painel
Dimensões: 83 x 138 cm / 83 x 138 cm / 83 x 142 cm / 83 x 142 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Miradorhttps://en.wikipedia.org/wiki/Nastagio_degli_Onesti

PORQUE AS GARÇAS DORMEM SOBRE UM PÉ

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Recontada por LuDiasBH

Antigamente havia um rei extremamente bondoso tanto com os de sua espécie quanto com os animais. Ainda assim, em volta de seu reino existiam alguns monarcas que queriam tomar as suas terras para aumentar as deles. Por isso, as garças, aves que lhe eram muito leais, estavam sempre preocupadas com o fato de que seus inimigos pudessem cercar o palácio durante a noite e fazê-lo prisioneiro. Sabiam elas que existiam os soldados, mas esses, mesmo estando em guarda, costumavam dormir. O mesmo acontecia com os cães que durante o dia caçavam, estando à noite exaustos. Fazia-se necessário, portanto, que houvesse um meio de proteger o rei durante o período noturno.

As garças resolveram trazer para si mesmas a incumbência de proteger o soberano. Dividir-se-iam em oito grupos de sentinelas, assim distribuídos: o primeiro postar-se-ia nas muralhas que cercavam o palácio; o segundo ficaria nos seus telhados; o terceiro fincaria pé diante de todas as portas; o quarto guardaria os aposentos do soberano. Eles se revezariam a cada duas horas.

Uma das aves levantou a hipótese de que, como os soldados e os cães, elas também poderiam adormecer.  Para evitar tal possibilidade, depois de  um longo período de muito pensar, chegaram à conclusão de que, se segurassem uma pedra no pé que manteriam levantado, enquanto estivessem paradas e, se por acaso viessem a dormir, a pedra cairia fazendo barulho e acordando as sonolentas. Estava resolvido, portanto, o problema.

Noite após noite, as garças cumpriam a promessa que fizeram a si mesmas, zelando pela vida do generoso rei. E por tanto tempo assim agiram que seus descendentes passaram a fazer o mesmo, só que não mais fazendo uso de pedras, apenas levantando uma das pernas.

Nota: Foram muitas as pesquisas e as hipóteses sobre o porquê de as garças, assim como os flamingos, usarem tal posição. Sabe-se hoje que elas ficam sobre uma perna com o objetivo de manter a temperatura do corpo. (Explicação e foto do médico veterinário Antônio Messias Costa)

Veronese – MOISÉS SALVO DAS ÁGUAS

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

 Autoria de LuDiasBH

mosada

A composição intitulada Moisés Salvo das Águas ou também Descoberta do Jovem Moisés e ainda A Descoberta de Moisés é uma obra-prima do pintor maneirista italiano Paolo Veronese. Ela já mostra a opção do artista pelo uso da sombra. O crepúsculo que começa a aparecer em suas pinturas coincide com o ocaso de sua própria vida. Ele passa a trabalhar de uma nova maneira na distribuição de luz e sombra, mas, ainda que a claridade diminua, a qualidade de seu trabalho permanece imutável. O pintor Velázquez encantou-se tanto com este quadro, que o comprou e levou-o para o rei Filipi IV, na Espanha, onde se encontra até hoje.

A pintura refere-se a uma passagem bíblica, expressa no Antigo Testamento. A cena mostra o bebê Moisés, salvo das águas por uma jovem mulher que o entrega a uma criada idosa que usa um pano para enrolá-lo. A seu lado está a filha do faraó, ricamente vestida, segundo a moda veneziana da época do Renascimento, acompanhada de suas damas que contemplam a criança com curiosidade. O grupo, banhado pela luz crepuscular, encontra-se em uma das margens do rio Nilo. O movimento das figuras está em perfeita harmonia com a paisagem. Do outro lado da ponte vê-se uma cidade egípcia imaginária, com templos, torres e pináculos.

À direita e à esquerda, em suas extremidades inferiores, o quadro apresenta dois criados vestidos de vermelho.  O da direita é um anão, de costas para o observador, que leva consigo um instrumento musical. O da esquerda é um pajem negro com uma cesta. À esquerda, em segundo plano, duas moças parecem preparar-se para um banho no rio.

A composição é inteligentemente estruturada. Suas cores, de belíssima gradação, são suaves e bem distribuídas. As duas árvores, em forma de V, repetem a mesma posição da velha e da filha do faraó. A margem inclina-se para o rio, à esquerda, como mostram as duas mulheres que se encontram um pouco mais distante.

A cena acontece em meio a tons crepusculares, inerentes ao pôr do sol, com a luz banhando a paisagem veneziana ao fundo. O efeito atmosférico crepuscular contribui para suavizar os contornos das figuras, como podemos observar nas jovens que se banham ou na garota entre a senhora idosa e a filha do faraó. O colorido é rico e variado.

Existem muitas versões desta obra, contudo somente duas são tidas como autênticas: esta, do Museu do Prado, na Espanha, e a que se encontra na Galeria Nacional de Washington, nos EUA. Ambas são praticamente idênticas, tendo as mesmas dimensões.

Ficha técnica
Ano: 1580

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 50 x 43
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Veronese/ Abril Cultural

Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.artehistoria.com/v2/obras/1007.htm

SUICÍDIO – DADOS PREOCUPANTES

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria do Dr. Telmo Diniz

Getúlio Vargas Neto tirou a própria vida, repetindo o gesto do pai, em 1997, e do avô e presidente do Brasil à época, em 1954. Seria o suicídio um gesto ligado à genética ou tem a ver com a nossa personalidade e meio socioeconômico? Os números no Brasil estão crescendo e, particularmente, vejo o tema com preocupação. E o mais importante, o que devemos fazer frente a casos como este?

Dados divulgados pela BBC Brasil indicam que, entre 1980 e 2014, a taxa de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos aumentou 27% no Brasil. Estes dados são preocupantes e merecem um olhar atento de todos nós. Por que os jovens brasileiros estão cometendo suicídio no auge de sua juventude? Os números são tão assustadores que apenas num único ano, cerca de 1 milhão de pessoas no mundo tiraram a sua própria vida – aproximadamente uma morte a cada 40s. O suicídio encontra-se entre as dez primeiras causas de morte, sendo que por cada suicídio ocorrem outras 11 tentativas sem sucesso.

É importante frisar que mais de metade das pessoas que se suicidaram estavam deprimidas. Estima-se ainda que o risco de suicídio ao longo da vida em pessoas com perturbações do humor (principalmente depressão) é de 6% a 15%; com alcoolismo, de 7% a 15%; e com esquizofrenia, de 4% a 10%. De igual forma, é interessante notar que o suicídio raramente é uma decisão repentina. Na maioria dos casos, o suicídio é algo planejado – a pessoa constrói um plano, estabelece uma data, define um método e pensa nessa possibilidade ao longo de algum tempo, antes de tomar uma decisão definitiva. Existem sinais claros na maioria das vezes.

Quando detectar que algo não vai bem com algum conhecido seu siga alguns passos:

  • Primeiramente, seja um bom ouvinte – simplesmente ouça, com toda a atenção, não apenas os fatos, mas a dor, os medos e as inseguranças.
  • Nunca julgue, não dê conselhos ou opiniões próprias.
  • Reconheça o seu sofrimento, valorize o que é dito e demonstre que está disponível para ajuda-la. É fundamental que essa pessoa saiba e sinta o quão importante ela é e que a sua vida tem valor para alguém.
  • Demonstre empatia, procurando compreender as coisas não do seu ponto de vista, mas do ponto de vista do outro.
  • Ouça mais e fale menos, entretanto, não hesite em questionar abertamente se a ideia de suicídio é ou não uma opção. É importante que a pessoa saiba que a sua morte causaria sofrimento nas pessoas que a rodeiam, e haveria pessoas que sentiriam a sua falta.
  • Importante também é nunca deixar uma pessoa, com risco de suicídio, sozinha.
  • Incentive-a a pedir ajuda especializada – em um hospital, a um psicólogo ou psiquiatra.
  • Pode também indicar o Centro de Valorização da Vida (www.cvv.org.br), que fica à disposição da população para ajudar durante as 24 horas do dia.

Gosto de uma frase do escritor Paulo Coelho que diz: “Não desista. Geralmente é a última chave no chaveiro que abre a porta”.

CIDADE NÃO MAIS MARAVILHOSA…

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria do cartunista  Latuff

Nota: imagem copiada do “Blog do Garotinho”

Goya – A MARQUESA DE PONTEJOS

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

 Autoria de LuDiasBH

A extraordinária composição denominada A Marquesa de Pontejos é uma obra do pintor Francisco José de Goya y Lucientes, um dos grandes nomes da pintura espanhola. A retratada é Maria Ana de Pontejos e Sandoval, Marquesa de Pontejos. É provável que este retrato tenha sido pintado quando ela se casou com Francisco de Monino Y Redondo.

A marquesa, magra e pequena, encontra-se ao ar livre, de frente para o observador, diante de uma paisagem esmaecida, que realça a sua figura. Sua vestimenta, que para os dias de hoje parece excessivamente infantil, é composta por rendas, flores, fitas, véus, tecidos e laços, de acordo com os trajes das damas da aristocracia espanhola, à época, inspirados na moda da rainha francesa Maria Antonieta, que gostava de vestir-se como uma pastora. O enorme chapéu de palha é provavelmente inglês. Sua cintura fina está envolta por um laço de fita cor-de-rosa. Ela calça sapatos de saltos altos. Seu porte é ereto e seu olhar mostra-se distante, como se ela estivesse perdida em pensamentos.

O galho com um cravo e um botão que a marquesa segura delicadamente na mão direita é uma alusão ao amor, pois é provável que o retrato tenha acontecido na época em que se casou com o irmão do Conde Floriblanca, um dos mecenas de Goya. O cãozinho a seus pés, ornado com fitas e sinos, simboliza a fidelidade.

Ficha técnica
Ano: 1787

Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 211 x 126 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

http://www.artehistoria.com/v2/obras/1758.html
https://www.nga.gov/content/ngaweb/Collection/art-object-page.92.html