ARTE INGLESA NO SÉC. XVIII (Aula nº 75)

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Autoria de LuDiasBH

      
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Apesar de os países protestantes ficarem sensibilizados com o esplendor do Barroco, esses não se agregaram a tal estilo. A Inglaterra, por exemplo, não era chegada ao gosto e às concepções dos puritanos. Seu mais importante arquiteto foi Christopher Wren (1632-1723), responsável por reconstruir igrejas londrinas que pereceram no incêndio de 1666. Suas obras comprovam que ele foi influenciado pela arquitetura barroca, embora pautem pelo comedimento e pela sobriedade.

Ao invés de evocar visões grandiosas como as vistas nos templos católicos, a arquitetura protestante objetivava criar em seu interior grandes salas destinadas às reuniões. Essa foi uma época em que a Inglaterra contou com um número muito grande de construções, principalmente em meio à nobreza com moradias no campo, mas essas eram criadas sem as extravagâncias do estilo Barroco em que a dramaticidade era a tônica principal.

O protestantismo na Inglaterra atingiu negativamente escultores e pintores. A demanda por arte caiu assustadoramente. A pintura reduziu-se praticamente à produção de retratos e, para piorar para os pintores ingleses, tal busca era por artistas estrangeiros como Holbein e Van Dick, deixando os mestres nativos a ver navios.

O pintor inglês William Hogarth (1697-1764) compreendeu que, para atrair os puritanos ingleses, a arte deveria trazer uma finalidade clara. Baseando-se em tal premissa, ele passou a criar quadros (ver ilustração à esquerda) que mostrassem as recompensas da virtude e os castigos advindos do pecado, motor dos púlpitos.

O inglês Sir Joshua Reynolds (1723-1792) foi um renomado pintor inglês que atendia plenamente o gosto da sociedade elegante da Inglaterra da época. Ele acreditava que a grande arte estava ligada à imponência e à grandiosidade (ver ilustração central).

Thomas Gainsborough (1727-1788) foi o grande rival de Reynolds no campo do retratismo. Ele não gostava de ser convencional, mas espontâneo em sua arte. Tanto ele quanto Reynolds recebiam grandes encomendas de retratos, embora lhes agradasse pintar outras coisas, mas eram esses a grande fonte econômica para os pintores daquela época (ver ilustração à direita).

Os ingleses viram-se muito admirados no século XVIII por todos os povos da Europa, tanto pelas suas instituições como pela sua arte, período em que começava a decaída do mundo de ostentação dos aristocratas.

Ilustrações: 1. As crianças de Graham, 1742, William Hogarth / 2. Ladies Waldegrave, 1780, Sir Joshua Reynolds / 3. Filhas perseguindo uma borboleta, 1756, Thomas Gainsborough

Fonte de pesquisa
A História da Arte/ E. H. Gombrich

MEU MARIDO É BIPOLAR E ALCOÓLATRA

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Autoria de Marcela Gomes

Eu me envolvi com um homem quando eu tinha 15 anos e ele 25. Era um rapaz muito charmoso na época, inteligente e excêntrico, o que eu gostava nele. Tinha fama de beber e fazer uso de drogas, mas ao meu ver isso fazia parte do charme dele, já que eu era muito nova para entender as coisas. Foi amor à primeira vista!

Fui morar com ele em outro país, quando eu tinha 20 anos. Foi a melhor fase da minha vida, mas sempre tínhamos brigas terríveis por conta da bebida, quando ele ficava muito ciumento. Mas quando voltava à razão, tratava-me como uma princesa. Eu o amava loucamente e ele demonstrava o mesmo. Em razão das fortes brigas eu voltei para o Brasil e ele ficou por lá, porém aqui descobri que estava grávida dele. Ao saber, ele decidiu voltar para tentarmos a vida aqui em nosso país.

Minha gravidez foi o período mais difícil que vivi. O pai dele deu um apartamento para nós dois que nos casamos, mas ele não se adaptou àquela vida. Bebia o dobro, usava drogas em casa e tinha ataques violentos de ciúmes. Eu não podia sair para fazer uma caminhada que ele achava que estava no motel com alguém. Ele me abandonou no meio da minha gravidez e num ato impulsivo, viajou para a China, onde morávamos antes, apenas com a roupa do corpo. Sofri muito. Depois ele voltou, eu ganhei o bebê, mas as coisas só pioraram. Ele viajou e não mais voltou.

Meu esposo me abandonou com nosso filho de dois meses, sendo que minha família é de outra cidade. Eu entrei em depressão. O tempo passou e quando ele voltou foi morar em outro apartamento e não entrou em contato comigo, sendo diagnosticado depois como bipolar. Tempos depois voltou a me procurar e nós voltamos, mas não a morar na mesma casa. Estávamos casados, mas agíamos como namorados, pois a vida sob o mesmo teto não era suportável, devido aos maus hábitos dele. Ficamos por oito anos em casas separadas e mesmo assim era complicado demais. Foram muitas idas e vindas, mas eu ainda sentia algo por ele, acho que dependência emocional e financeira também. Ele despertava o pior em mim em nossas brigas.

Atualmente não nos falamos mais há três meses, desde que ele ameaçou me matar e matar o nosso filho em uma briga que tivemos, só porque o mandei parar de beber, pois eu queria dormir. Para mim foi o fim. Ele é alcoólatra, não é mais funcional, só faz beber o dia inteiro, desde que acorda até quando vai dormir. Está com ascite, inchado, deformado. Largou o psiquiatra faz tempos e se automedica. Toma os medicamentos com bebida alcoólica. Não toma banho por dias, nem escova os dentes. Só faz beber.

Ainda assim, eu sentia pena dele e tentava conviver com ele nos finais de semana. Mas para mim foi o fim, porque mexer comigo era uma coisa, mas mexer com o nosso filho é outra, de modo que meu coração endureceu. Ele não admite ser bipolar, apesar de ter sido diagnosticado. Não quer se tratar de acordo com as diretrizes dos médicos. Pensa que sabe mais que os especialistas no assunto. É triste ver alguém que você amou tanto acabar, tornar-se outro completamente diferente. Você sente saudades daquela pessoa, mas não a acha mais, é como se ela tivesse morrido…

Ilustração: O Bebedor de Absinto, Pablo Picasso

O BARROCO NA EUROPA CATÓLICA (Aula nº 74)

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Autoria de LuDiasBH

   

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A Igreja Romana, conforme vimos em estudos anteriores, usou o poder da arte a fim de ganhar seus adeptos através da emoção. O estilo Barroco em especial impressionava pela sua riqueza e dramaticidade. O mais interessante é que reis e príncipes europeus daquele mesmo período chegaram a conclusão semelhante, ou seja, perceberam que a arte poderia colocá-los em destaque, se usassem o poderio que detinham e, dessa maneira, eles poderiam ampliar sua ascendência sobre a mente de seus súditos.  Pensando assim, investiram com fervor nas diferentes formas de arte.

Achavam reis e príncipes que eles eram pessoas diferentes dos mortais comuns, pois representavam o direito divino (ainda vemos isso hoje em certas religiões e políticos). A opulência mostrada pela realeza era uma maneira de ela pairar acima do homem comum, devendo, portanto, ser amplamente usada. Luís XIV é um exemplo de ostentação dessa época. O Palácio de Versalhes (ver ilustração acima), edificado entre os anos de 1660 e 1680, é um exemplo da suntuosidade do monarca francês, sendo também desejado por outros reis e príncipes.

A vaidade e ostentação da nobreza fez com que o período em torno de 1700 fosse áureo para a arquitetura e para as artes de uma maneira geral. Ao serem projetados como edifícios, os palácios e as igrejas contavam com outras categorias de arte para decorá-los (pintores, escultores, decoradores, etc). A seguir vieram as cidades e áreas de campos, sendo impregnadas pelo fausto dos monarcas e suas cortes.  Aos artistas era dada ampla liberdade criativa. Eles eram livres para planejar e construir em pedras e estuque dourado o que lhes vinha pela cabeça.  Os projetos grandiosos muitas vezes engoliam todo o dinheiro orçado, ficando muitos deles inacabados. O fato é que esse surto de edificações grandiosas acabou modificando muitas cidades e paisagens da Europa católica.

As ideias do Barroco francês expandiram-se especialmente para a Áustria, Boêmia e sul da Alemanha. O arquiteto austríaco Lucas von Hildebrandt (1668-1745) foi um grande nome da época. Como os pintores e escultores nos países católicos estivessem quase sempre ligados às decorações de grandes edificações, as artes individuais perderam muito de sua importância particular, o que não foi o caso do mestre Antoine Watteau  (1684-172) que nasceu numa região de Flandres, quando essa já pertencia à França. Ele foi o responsável pelo surgimento do estilo Rococó, sobre o qual falaremos brevemente.  O movimento Barroco na Europa católica teve seu apogeu em torno de 1700 (século XVII).

Fonte de pesquisa
A História da Arte/ E.H. Gombrich

O CULTO DO STO. NOME DE JESUS (AULA nº 73 B)

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Autoria de LuDiasBH    

                         
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O pintor e desenhista italiano Giovanni Battista Gaulli (1639-1709), também conhecido como Baciccio, foi um dos grandes mestres do Barroco. Estudou com Rafael e Pietro de Cortona. Tornou-se o artista favorito do grande escultor e arquiteto Gian Lorenzo Bernini. Ficou famosos por seus afrescos e retratos, tendo realizado também obras mitológicas. Gostava de cores quentes e trabalhava muito bem a luz. Seu trabalho chamava a atenção pelo tratamento dramático da perspectiva, o que o levava a obter um estilo dinâmico que influenciou tanto os afrescos do Barroco romano quanto os movimentos artísticos posteriores. As decorações feitas em pintura nas paredes e no teto das igrejas barrocas tornavam-nas opulentas e grandiosas. Gaulli foi um dos grandes mestres desse tipo de trabalho e o principal pintor barroco romano da segunda metade do século XVII.

O ar fresco intitulado O Culto do Santo Nome de Jesus foi a obra que consagrou definitivamente esse grande artista, tornando-o um dos grandes elementos do Barroco decorativo. Trata-se de uma vasta composição que se situa no teto da igreja dos jesuítas em Roma, representando as hierarquias celestes. O trabalho é tão fenomenal que se tem a impressão de que a abóbada da igreja abriu-se, permitindo ao observador olhar diretamente para as glórias adentrando através de um imenso vão.

Anteriormente a Gaulli, Correggio também havia pintado o céu num teto em sua obra denominada “A Assunção da Virgem” (ilustração à direita), situada na catedral de Parma, contudo o resultado obtido por Gaulli é muito mais intenso e teatral.

O tema da obra é a adoração do Santo nome de Jesus, escrito em letras luminosas no centro da igreja. Em torno dele uma multidão de querubins Anjos e Santos observam arrebatados a luz. Mais abaixo e em profundo desespero vê-se a expulsão de legiões de demônios ou anjos caídos das regiões celestes.São inúmeros os personagens presentes na obra. Tem-se a impressão de que irão arrebentar a moldura do teto. Nuvens carregadas de santos e pecadores despencam se para o interior da igreja.

A fim de repassar a ilusão de que a pintura extravasa a moldura, Gaulli faz com que percamos a noção entre a realidade e o ilusório.

Ficha técnica
Ano: entre 1670 a 1683
Técnica: afresco
Localização: Teto da Igreja dos Jesuitas, Roma, Itália

Fonte de pesquisa
A História da Arte/ E. H. Gombrich

BIPOLARIDADE – JUNTOS SOMOS MAIS FORTES

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Autoria de Pedro Silva

Vendo os diversos depoimentos aqui editados, venho contar um pouco do meu passado e presente no convívio com uma esposa bipolar. Espero poder ajudar outras pessoas que se encontram em tal sofrimento.

Estou junto a minha esposa há cerca de 20 anos. Sempre nos demos bem. Claro que existem aquelas briguinhas de casal. Estamos casados há 11 anos e temos uma filha de 7 aninhos. Desde que a conheci, ela passava por depressões todos os anos. Ia ao médico que lhe receitava alguma medicação e passado um mês ficava bem, isso na altura dos 16 anos. Ao longo dos anos ela percorreu vários psiquiatras, psicólogos, de tudo um pouco. Receitavam variadas medicações, sendo que umas davam resultado outras nem por isso, mas o problema todo é que quando se sentia bem, deixava de tomar a medicação, e isto durante todos os anos.

As coisas começaram a agravar-se depois do nascimento de nossa filha. Logo depois de nascer a criança, ela começou com a depressão. Até um ano e meio tive de ser eu a fazer tudo para a criança, pois ela não estava em condições. Não é nada fácil cuidar da casa e da filha, nunca dormir para dar leite e tratar da menina e depois ter que sair para trabalhar de manhã. Foi um caminho complicado, mas no fundo sinto-me mais forte, porque tenho uma menina que adora o pai. Adorei fazer tudo isto em prol de minha filha.

Como disse anteriormente, a partir daí começou a complicar. A minha esposa começou a ter outros relacionamentos, deixava de nos ligar, alterava-se conosco, começava a mudar a sua maneira de ser, a comprar muitas roupas, a gastar o dinheiro todo, a usar roupas mais provocantes, quando então descobri o seu primeiro caso. Conversamos muito e consegui perdoá-la. Como todos nós sabemos não é fácil, mas fiz isso pela nossa família.  Eu amava muito a minha esposa, como ainda a amo.

Passou mais um ano e ela voltou a fazer tudo novamente depois de tantas promessas e de ir a várias consultas de terapias de casal. Foi tudo em vão. Eu estava desesperado, não suportava tanta dor pelo que estava a passar. A minha cabeça não aguentava mais. E mais uma vez consegui perdoá-la. Ela contava que não sabia explicar o porquê de fazer aquilo, de procurar outros homens. Dizua que era a adrenalina que não largava as pessoas. Eu ouvia as conversas. Ela era outra pessoa que eu não conhecia. Mais uma vez desculpei-a.

No meio dos anos continuava a ter depressões como sempre tinha, depois voltava a me trair. Andou nessa vida por cerca de 7 anos. Tudo isso que passei começou-me a afetar-me. Comecei a ter problemas de ansiedade e crises de pânico, coisa que nunca esperava ter por me sentir sempre forte. Passou a ser um desespero, porque já não dava atenção a minha filha que foi sempre a minha força. Depois de conversarmos novamente, antes de botarmos um ponto final na relação, ela se comprometeu a irmos a uma psicóloga e nessa conversa fomos aconselhados a buscar um psiquiatra. Senti-me melhor depois de falarmos com a psicóloga. Ela foi muito clara com a minha esposa, o que me deu alguma força.

Fomos a uma psiquiatra e contamos tudo o que se passava. Ela foi clara, dizendo que o problema da minha esposa era por ser bipolar. Não tinha nenhuma dúvida. Neste atual momento a minha esposa está a fazer o início da medicação e espero que dê resultados, para voltarmos a ser felizes. Só consegui passar por tudo isto por amá-la muito.  Por isso, compreendo todos vocês pelo que passaram. É uma dor insuportável, e não desejo isso a ninguém.

Desculpem o meu desabafo, vou dando notícias. Quero agradecer pelo excelente blogue que permite partilharmos a nossa dor. Juntos somos mais fortes!

Ilustração: Mulher Chorando, Pablo Picasso.

BERNINI – O ÊXTASE DE SANTA TERESA

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Autoria de LuDiasBH

A obra intitulada O Êxtase de Santa Teresa é um altar criado pelo artista para ornamentar a capela lateral de uma pequena igreja romana. O altar é dedicado a Santa Teresa, uma freira espanhola que viveu no século 16 e que foi canonizada. Ela descreveu suas visões místicas num livro muito conhecido. No meio dessas visões encontra-se o relato de um momento de êxtase, quando seu coração é transpassado por um anjo com uma candente flecha de ouro. Ela conta que é ao mesmo tempo tomada pela dor e pela bem aventurança. O artista italiano Gian Lorenzo Bernini representa exatamente esse momento da visão detalhada santa.

Santa Teresa está sentada numa nuvem, sendo arrebatada para o céu. Ascende em direção a caudais de luz que irrompem em forma de longos raios dourados. O anjo aproxima-se da santa, trazendo na mão direita uma flecha. Ela se mostra desfalecida e em estado de êxtase. A disposição dos elementos dispostos na obra repassa a impressão de que paira sem ter qualquer apoio na rica moldura do altar. Parece receber a luz de uma janela invisível, situada no alto.

Os artistas do Barroco, conforme sabemos, objetivavam suscitar sentimentos fervorosos e místicos. É impossível não ser tocado por tal obra. Não há qualquer contexto por parte do artista. O rosto da santa desmaiada não encontra qualquer paralelo em intensidade com obras anteriores à sua criação.

Segundo os críticos de arte, Bernini obteve uma intensidade tão grande de expressão facial jamais vista em arte. Mesmo a roupagem dos personagens dessa obra esculpida em mármore, com suas diversas dobraduras, era à época totalmente inovadora. O comum até então era permitir que caíssem em majestosas pregas, à consagrada maneira clássica, mas o artista faz com que elas revoluteiem, o que aumenta o efeito de movimento e excitação. Não tardaria para que tais efeitos fossem imitados em toda a Europa.

Ficha técnica
Ano: entre 1645 e 1652
Técnica: escultura em mármore
Dimensões: 350 cm de altura
Localização: Capela Camaro, Igreja de Santa Maria Della Vittoria, Roma

Fonte de pesquisa
A História da Arte/ E.H. Gombrich