Pietro Bernini – SÁTIRO COMBATENTE
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

A escultura em mármore intitulada Sátiro Combatente é a cópia de um original em bronze criado durante o período helenístico. Recentemente foi restaurada, ocasião em que revelou que pode ter sofrido uma restauração no início da segunda década do século XVII pelos famosos escultores Pietro (1562 – 1629) e Gianlorenzo Bernini (pai e filho).

O sátiro – divindade silvestre relacionada a Dionísio, deus do vinho na mitologia grega – traz apenas uma folha de parreira ocultando a sua genitália. Ele se encontra de pé, tem o corpo musculoso, sem chifres e as tradicionais pernas de bode. Sua mão direita erguida brande no ar seu bastão pastoril. Na mitologia, os sátiros eram famosos por perseguirem as ninfas sempre em busca de jogos de amor.

Ficha técnica
Arte greco-romana
Ano: c. 120 – 140 d.C.
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fonte de Pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal

COMBATE AO ESTRESSE POR CALOR
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria do Dr. Telmo Diniz

Quando exposto a temperaturas elevadas, o corpo humano sente dificuldade para se adaptar.

Certamente você já ouviu falar de estresse emocional, entretanto, ouvir sobre Estresse por Calor (EC) é pouco provável. Conhecido também por “estresse térmico”, ocorre comumente no verão, justamente a época em que todos nós, brasileiros, estamos sofrendo com as altas temperaturas. Vamos, então, entender o que é Estresse por Calor e o que podemos fazer quando ele ocorre.

É um tema mais comentado no meio de criações bovinas e de outros animais, dado que eles também sofrem com as altas temperaturas. Porém, em novembro do ano passado, um relatório publicado pela revista científica britânica “The Lancet” fez um alerta justamente sobre o problema, dando conta sobre as graves consequências das ondas de calor para a saúde humana. A publicação cita problemas físicos gerados pelo aumento das temperaturas como o estresse por calor, insuficiência cardíaca e a lesão renal aguda por desidratação.

Quando exposto a temperaturas elevadas, o corpo humano sente dificuldade para se adaptar. Durante o período em que o corpo recebe uma sobrecarga de temperatura e não consegue fazer este tipo de adaptação, pode ocorrer queda da pressão arterial, fadiga, exaustão e, em alguns casos, desidratação intensa. O corpo tenta se ajustar às temperaturas externas, inclusive à noite – na hora do repouso – e, caso não consiga o necessário equilíbrio térmico, o sono estará prejudicado, e o cansaço no dia seguinte é certo. Em geral, qualquer ambiente ou circunstância que exponha o corpo a fontes de calor superiores a 35ºC pode causar mudanças físicas e mentais na pessoa.

Com a busca pela regulação da temperatura, ocorre perda progressiva de energia. E quem mais sofre com o estresse térmico são as crianças, pois ainda não estão com todo o sistema pronto; os idosos, por já terem patologias crônicas associadas; e, por último, as gestantes, devido às alterações hormonais. A melhor forma para saber se você está desidratado é observando o seu xixi. Caso esteja com a urina com cor muito amarelada e cheiro forte é bom começar a intensificar a hidratação. Com grande frequência podemos confundir esse tipo de característica com uma infecção urinária. Não tente fazer diagnóstico, beba água!

O conforto térmico já é estudado em vários ambientes e em especial no trabalho. Ele encontra-se inserido no conforto ambiental, de que também fazem parte o conforto visual, o conforto acústico e a qualidade do ar. Portanto, pense em como está o ambiente da sua casa e do seu trabalho. É de suma importância, não só para o seu conforto, mas para sua saúde e para ter uma maior produtividade.

Nesse período é de suma importância intensificar os hábitos saudáveis, o que inclui alimentação equilibrada, preferencialmente com pouco sal, boa hidratação, atividade física somente nos horários recomendados, roupas leves de algodão, recursos como o ventilador ou ar-condicionado, além de evitar o consumo de álcool; sempre com o objetivo de aumentar o conforto térmico e, por consequência, procurando bem-estar.

Nota: Mulata, obra de Di Cavalcanti

 

Hasegawa Tôhaku – PINHEIROS
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

A ilustração intitulada Pinheiros é obra do pintor japonês Hasegawa Tôhaku (1539 – 1610). O artista foi aluno de Kanô Eitoku e sucessor estilístico de Sesshû Tôyô. Gostava de pintar, como os pintores chineses, macacos e pinheiros para a decoração de janelas, portas ou divisórias corrediças que permitiam a comunicação entre várias partes uma casa e que eram usadas como suportes ideias para pinturas decorativas. Foi responsável por produzir em seu país umas das originais adaptações da pintura a tinta nanquim. Os filhos também eram pintores.

A composição acima é uma das obras-primas do artista – especializado em paisagens e composições de plantas e animais – representando as famosas “florestas de Kyoto”. Em sua pintura ele apresenta um grupo de pinheiros em meio à neblina da madrugada. Esta obra – ilustrativa do estilo do pintor – serve como amostra da contribuição da pintura japonesa ao conceito de pintura em branco e preto. Com sutis nuanças de cinza, os artistas japoneses conseguiram atingir efeitos maravilhosos de pura luz.

Ficha técnica
Ano: fim do séc. XVI a início do séc. XVII
Autor: Hasegawa Tôhaku
Período Momoyama
Dimensões: 155x 345,1 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

O MAL FEITO AOS ANIMAIS RETORNA AOS HOMENS
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Marguerite Yourcenar


Vivemos num grande ecossistema que é o planeta Terra, onde os reinos animais e vegetais convivem numa fantástica simbiose. O homem é o único ser no planeta que é capaz de alterar toda a diversidade, destruindo seu habitat como se não fizesse parte desta teia da vida. (Hernando Martins)

Uma teoria diferente viria pôr-se a serviço daqueles para quem o animal não merece qualquer auxílio e encontra-se destituído da dignidade que, em princípio, pelo menos, e no papel, concedemos a todos os homens. Na França e nos países influenciados pela cultura francesa, o animal-má­quina de Descartes tornou-se artigo de fé tanto mais fácil de ser aceito quanto favorecia a exploração e a indiferença. Também aqui podemos perguntar se a asserção de Descartes não terá sido aceita em seu nível mais baixo.

O animal-máquina, de acordo, mas em pé de igualdade com o próprio homem que não passa também de máquina, destinada a produzir e a ordenar ações, pulsões e reações que constituem as sensações de calor e frio, fome e satisfação digestiva, os impulsos sexuais, bem como a dor, o cansaço, o terror, que os animais experimentam da mesma forma como nós. O animal é máquina; homem também, e foi sem dúvida o temor de blasfemar contra a alma imortal que impediu Descartes de ir abertamente longe nessa hipótese, quando teria estabelecido as bases de uma fisiologia e de uma zoologia autênticas. Leonardo da Vinci, se Des­cartes tivesse podido conhecer seus Cadernos, ter-lhe-ia segredado que, em última análise, o próprio Deus é o “primeiro motor”.

Evoquei um tanto longamente o drama do animal e suas causas primeiras. No estado atual da questão, numa época em que nossos abusos se agravam nesse ponto como em tantos outros, podemo-nos perguntar se uma Declaração dos Direitos do Animal iria ser útil. Acolho-a de bom grado, mas já ouço algu­mas boas almas que murmuram: “Há quase duzentos anos foi proclamada a Declaração dos Direitos do Homem, e o que resul­tou daí?

Nenhuma época tem sido mais concentracionária, mais levada às destruições maciças de vidas humanas, mais pronta a degradar, até nas próprias vítimas, a noção de humanidade. Seria o caso de se promulgar em favor do animal um outro documento desse tipo, que será – já que o homem em si mes­mo não terá mudado – tão inútil quanto a Declaração dos Direitos do Homem?” Creio que sim. Creio que sempre con­vém promulgar ou reafirmar as Leis verdadeiras que não dei­xarão por isso de ser menos infringidas, mas que provocarão por vezes no transgressor o sentimento de haver agido mal. “Não matarás.” Toda a história, de que tanto nos orgulhamos, é uma perpétua infração dessa lei.

“Não farás os animais sofrerem, ou tudo farás para que sofram o menos possível. Eles têm seus direitos e sua digni­dade como tu mesmo”, é sem dúvida uma admoestação bas­tante modesta; no estado atual dos espíritos, ela é, ai de nós, quase subversiva. Sejamos subversivos. Revoltemo-nos contra a ignorância, a indiferença, a crueldade que aliás se voltam tão frequentemente contra o homem depois de terem-nas exercido grandemente sobre os animais. Lembremo-nos, pois é necessário estarmos sempre nos chamando a atenção, que haveria menos crianças mártires se tivesse havido menos animais torturados; menos vagões lacrados levando para a morte as vítimas de uma ditadura qualquer, se não tivéssemos nos acostumado com os furgões em que os animais agonizam sem alimentação e sem água a caminho dos matadouros; menos caça humana teria sido abatida a tiros se o gosto e o hábito de matar não fosse o apanágio dos caçadores. E, na humilde medida do possível, mudemos (quer dizer, melhoremos se possível) a vida.

Nota: texto extraído do livro “O Tempo, Esse Grande Escultor”/ Edit. Nova Fronteira

Imagem copiada de https://www.festaeoferta.com.br

Antonio Susini – TOURO FARNESE
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

A escultura em bronze intitulada Touro Farnese é uma obra criada pelo artista italiano Antonio Susini (? – f. 1680) que foi aluno do famoso escultor Giambologna. Após a morte de seu mestre, ele continuou fundindo peças a partir dos moldes originais deixados por ele, mas também deu continuidade à sua discreta obra.

A peça acima foi feita a partir de uma cópia em pequeno formato do famoso “Touro Farnese”, que por sua vez é também uma cópia romana, mas já muito modificada em relação ao original, datado de fins do século II, tendo sido atribuído aos artistas Apolônio e Taurisco de Rodes.

O artista retrata o suplício de Dirce que na mitologia grega era uma ninfa, esposa de Lico e sacerdotisa do deus Dionísio. Seu marido era um usurpador do reino de Tebas. Com eles morava a bela Antíope, filha do rei de Tebas, expulsa de casa por ter ficado grávida de Zeus e dado à luz gêmeos. Dirce passou a maltratar Antíope, sobrinha de seu esposo, tratando-a como escrava. Antíope conseguiu fugir e seus dois filhos (Anfíon e Zetos), para vingar a mãe, destronou Lico e ataram Dirce aos chifres de um touro que a arrastou até à morte.

A escultura é composta pelo touro e pelos irmãos Anfíon e Zetos que amarram uma corda em seus chifres. Dirce encontra-se, à esquerda, com as mãos para cima. O copista romano acrescentou as figuras de Antíope, em pé à direita, e a de um pastor, à esquerda, sentado na pedra próximo a um cão. O pastor personifica o Monte Citeron.

Ficha técnica
Arte romana
Ano: 1613
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fonte de Pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal

A PERVERSA MATÉRIA PRIMA ANIMAL
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Marguerite Yourcenar

A horrível matéria­ prima animal é um produto novo, como a floresta aniquilada que fornece a pasta necessária aos nossos jornais diários e hebdomadários, repletos de anúncios e de falsas notícias; como os oceanos em que os peixes são sacrificados aos petroleiros.

Durante milênios, o homem tem considerado o animal como propriedade sua, só que subsistia um estreito contato entre ambos. O cavaleiro amava, embora dela abusando, a sua mon­taria; o caçador de antigamente conhecia as condições de vida de sua caça, e “amava” à sua maneira os animais que se sen­tia glorioso em abater. Uma espécie de familiaridade se entre­meava com o horror: a vaca enviada ao matadouro depois de totalmente exaurida de seu leite, o porquinho que era sangra­do no Natal (a mulher do camponês da Idade Média sentava-se tradicionalmente sobre as patas do animal para impedi-lo de espernear), eram a princípio “os pobres animais” para os quais se ia cortar capim ou se preparava uma ração de restos.

Para muitas mulheres do campo, a vaca contra a qual se apoiavam para ordenhar era uma espécie de amiga muda. Os coelhos nas gaiolas não estavam mais que a dois passos do guarda-comida onde iriam acabar, “picadinhos como carne de pastel”, mas enquanto isso não ocorria, eram animais que gostávamos de ver remexendo as narinas róseas quando através das grades lhes estendíamos uma folha de alface.

Modificamos tudo isto: as crianças das cidades jamais vi­ram uma vaca ou uma ovelha; e não podemos amar estes seres dos quais nunca tivemos ocasião de nos aproximar ou a que jamais acariciamos. O cavalo, para um parisiense, não passa desse animal mitológico, dopado e arrastado além de suas for­ças, que nos faz ganhar algum dinheiro quando acertamos no páreo de um “grande prêmio”.

Exposta em fatias cuidadosa­mente envoltas em papel celofane num supermercado, ou con­servada em latas, a carne deixa de ser sentida como tendo sido a de um animal vivo. Ousamos mesmo dizer que nossos açou­gues, onde pendem de ganchos quartos de animais que mal se acabaram de abater, de aspecto tão atroz para quem não está acostumado a isto a ponto de certos amigos meus, estrangeiros, mudarem de calçada, em Paris, quando os percebem de longe, talvez até sejam um bem, na medida em que testemunham a violência que o homem inflige aos animais.

 Da mesma forma, os casacos de pele apresentados com cuidados especiais nas vitrines das grandes peleterias parecem estar a mil léguas da foca trucidada na banquisa, a golpes de matraca, ou da nútria que apanhada na armadilha rói a pata tentando recuperar a liberdade.

A bela mulher que se maquia não sabe que seus cosméticos foram testados em coelhos ou cobaias que morreram sacrificados ou cegos. A inconsciência, e consequentemente a boa consciência, do comprador ou da com­pradora é total, como é total, por ignorância do que se fala e por falta de imaginação, a inocência dos que se dão ao traba­lho de justificar os gulags* de toda espécie, ou daqueles que preconizam o emprego da arma atômica. Uma civilização que cada vez mais se distancia do real tende a fazer cada vez mais vítimas, inclusive a si própria.

*campos de trabalhos forçados.

Nota: texto extraído do livro “O Tempo, Esse Grande Escultor”/ Edit. Nova Fronteira

Imagem copiada de https://www.festaeoferta.com.br