Frans Post – PAISAGEM COM TAMANDUÁ
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

O pintor holandês Frans Post (1612-1680) veio para o Brasil na comitiva do conde Maurício de Nassau, quando esse aqui esteve com o objetivo de governar as terras conquistadas pela Holanda, no Nordeste do Brasil. Frans Post foi o primeiro paisagista do Brasil do século XVII, tendo aqui passado sete anos. A sua importância está no fato de que suas paisagens foram os primeiros registros pintados in loco, uma vez que as gravuras e os desenhos que se tinha de nosso país eram feitos a partir de depoimentos dos viajantes que aqui vinham.

A pintura intitulada Paisagem com Tamanduá, assim como todas as obras do pintor holandês feitas no Brasil, é de fundamental importância para nós brasileiros, por ter sido ele o primeiro artista europeu a retratar nossa terra e a vida nos trópicos, servindo, portanto, de raríssimos documentos. Mesmo após deixar o Brasil, Frans Post continuou pintando paisagens brasileiras, baseando-se em desenhos e esboços feitos aqui, sem se esquecer dos animais típicos de nosso país, como tatus, tamanduás, serpentes, como é o caso desta paisagem, etc.

A composição acima apresentada mostra um grupo de pessoas negras, composto por mulheres, homens e crianças, com suas roupas brancas e balaios. No meio encontra-se um homem vestido como um feitor. As crianças e três escravos encontram-se com o torso nu. Dois belos coqueiros, um de cada lado, postam-se na entrada do grupo em direção às casas ao fundo. Uma vegetação típica do nordeste brasileiro espalha-se pela paisagem, assim como um rio (ou lago) de águas azuis. Um alto céu azul com nuvens brancas cobre toda a paisagem. Montanhas de um azul-acizentado delineiam o horizonte.

Ficha técnica
Ano: 1660 – 1680
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 56 x 79 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

AS CORES E SEUS EFEITOS
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele nos fala sobre as maravilhas das cores.

Vermelho

Efeitos orgânicos:
É estimulante por excelência. É dilatante, expansivo, acentuando o impulso ortossimpático. Atua principalmente sobre a circulação sanguínea e sobre o sistema nervoso, sempre no sentido de amplificar as funções. Sua presença gera vigor físico e resistência. É indicado aos debilitados, neurastênicos e anêmicos. É preciso ter cuidado para que seu excesso ou a carência não perturbe o organismo. Seu excesso pode ser equilibrado pela cor de efeito antagônico: o verde. É neuroanaléptico. Vale por um anfetamínico, portanto rajasifica o corpo.

Efeitos psicoespirituais:
Estimula o desejo. Em excesso, desperta a ira. Inspira imagens veementes e excitantes; inspira ideias de otimismo, entusiasmo, virilidade, autoconfiança. Gera pensamentos animosos e sentimentos fogosos. Administrado com parcimônia desperta paciência. Atua através do plexo coronário. Está relacionado com desejo, dinamismo, conquista e domínio. É um psicoanaléptico, antidepressivo, um rajasificante psíquico.

Laranja

Efeitos orgânicos:
Age sobre as funções cerebrais e endócrinas. Estimula os processos de nutrição. Dá vitalidade. Indicado nos estados de desnutrição. Menos rajasificante do que o vermelho.

 Efeitos psicoespirituais:
Dá exuberância às atividades mentais. Tende a equilibrar as faculdades de percepção. Atua através do plexo cardíaco. Desperta pensamentos positivos em relação à saúde, portanto, é indicado a hipocondríacos e histéricos. Tem sido tomado como o símbolo da sabedoria. Em excesso, favorece o orgulho, e sua escassez, naturalmente, a modéstia e a humildade. É psicoanaléptico.

Amarelo

Efeitos orgânicos:
Sua atuação mais enérgica é sobre o processo de evacuação, como laxante. Toda substância amarela do organismo lhe é muito sensível, com especialidade os intestinos, o fígado e o cerebelo.

Efeitos psicoespirituais:
Pode despertar paixões negativas, tais como rancor, ressentimento, inveja, ciúme, ostentação – uma gama considerável de sentimentos egoísticos. Em boas proporções, dá claridade à mente, desenvolve o espírito lógico e a intuição. É símbolo do conhecimento. Favorece a prudência. Em escassez, dá lugar à preguiça e à inconstância. Atua através do plexo solar. É cor alegre e levanta o ânimo deprimido. Antidepressiva.

 Verde

Efeitos orgânicos:
Associado ao cálcio é o elemento mais sedante de todo o espectro, portanto muito indicado aos agitados, insones e ansiosos. É de natureza refrescante e calmante, favorece a ação do corpo pituitário na ativação do crescimento. É dos mais neurolépticos. Tem efeito de um barbitúrico. Indicado, portanto, para os excitados.

 Efeitos psicoespirituais:
Otimismo, confiança, serenidade são estados que suscita. Inspira ideias de progresso, de abundância de meios materiais, de vitória. Simboliza a fecundidade, a prosperidade e o ganho. Favorece o automatismo relacionado com o trabalho. O excesso dá nascimento à caridade. A falta, à inveja. Atua através do plexo esplênico. Deve ser usado para sativizar a personalidade e o comportamento.

Azul

 Efeitos orgânicos:
É tônico, suavizante, sativizante, confortador, refrescante. Tem a maior afinidade com os ácidos do corpo e com os processos bioquímicos. É indicado no tratamento dos aflitos,  dos ansiosos e dos agitados.

 Efeitos psicoespirituais:
Inspira ideias de fé e lealdade. Conforta. Reduz a irritação nervosa, os desvarios passionais e emoções violentas. Inspira emoções profundas e indizíveis de fé nos poderes ocultos. Suscita a devoção. Simboliza a piedade. Em excesso faz surgir a fecundidade, bem como a castidade. Sua carência leva à esterilidade e à luxúria. Tranquiliza e dá fé nas forças do bem. Facilita os automatismos mentais relacionados com o amor. Atua através do plexo sacro. Indicado para todos que desejam mais sabedoria, pureza, amor e santidade.

Anil

 Efeitos orgânicos:
Interfere com a sensibilidade geral, com os corpúsculos do sangue e com o fluxo nervoso. Atua nos processos vitais celulares. Sua influência é mais poderosa nas pessoas idosas. Desenvolve a resistência da pele contra as inclemências ambientais.

 Efeitos psicoespirituais:
É apaziguante e sativizante. Inspira simplicidade, modéstia, grandeza moral, respeito e dignidade. Estimula as funções do intelecto. Agindo através do plexo frontal é “a cor que tem maior influência no mecanismo cerebral, nas coisas do espírito”. Simboliza o respeito e a reverência. Seu excesso dá lugar à gula. Sua falta, à concupiscência.

Violeta

 Efeitos orgânicos:
Sua influência é maior sobre os líquidos da coluna vertebral. Está diretamente ligado ao simpático, regulando suas funções. É conveniente às vítimas de distonias neurovegetativas. Estimula a combustão e o desdobramento químico das substâncias. É marcadamente benéfico na digestão e assimilação. Uma de suas franjas – a ultravioleta – ativa o metabolismo do cálcio e produção de hormônios.

 Efeitos psicoespirituais:
Age mediante o plexo laríngeo. Sativizante. É inspirador de pensamentos místicos, sentimentos de ternura, de liberdade, de amabilidade e de tolerância. Favorece a expressão da vida interior e a produção artística. É sumamente magnético. Desenvolve emoção estética e sensibilidade para o belo. Inspira êxito e consagração. Desenvolve o entendimento e conduz à adoração e à ânsia pela comunhão com o transcendente. Desperta o apelo ao que está além do mundo fenomênico. Simboliza o entendimento. Seu excesso leva à generosidade e à esperança. Sua carência, à avareza e ao ciúme.

Preto e branco não são cores do espectro. Preto é ausência de cor. Branco é a síntese das sete cores. O branco atua como condutor de calor. É esta a principal razão pela qual, nos climas quentes, é indicado para a vestimenta. Inspira pensamentos de pureza e inocência. O preto é mau condutor de energia térmica. Exantema e outras enfermidades da pele podem ser curadas com a simples obscuridade. Mental e espiritualmente age no sentido de entristecer e reduzir a vitalidade. Simboliza o Universo.

Não podemos nós, já que estamos pretendendo por todos os meios evitar ou corrigir distúrbios nervosos, desprezar as experiências feitas pela ciência ocidental no que diz respeito à influência das cores. O que proponho a você, para melhorar seu estado psíquico – espiritual ou mesmo orgânico – é que saiba tirar proveitos sedativos do verde quando se sentir irritado, inquieto, agressivo ou do efeito estimulante do vermelho nos dias em que se sentir deprimido, astênico, desanimado…

Quero que saiba escolher cores suaves e calmantes, cores como o roxo, que induzem aos voos espirituais para seu ambiente de meditação. Quero que saiba escolher inteligentemente a decoração de seus ambientes, de forma que não venha agravar seus males ou criá-los. Tenho visto barbaridades em matéria de ambiente onde vivem nervosos! Cores há que fatigam e irritam até mesmo quem é normal. O ambiente, seja de trabalho, de recreio ou o lar, precisa ser planejado de acordo com a saúde dos nervos, de forma que nos sintamos bem, alegres, felizes, repousados e convidados a ficar.

É possível ficar nervoso quando estamos sentados diante do mar, escutando sua monótona e repousante música? É possível continuar instáveis, irritados, cheios de medo ou fatigados, quando, sentados na grama, deixamo-nos abertos à carícia da brisa, à contemplação da planície, da mata, do serro, do rio, enquanto bebemos a sonoridade do ambiente? O azul do mar, o verde da floresta, o vermelhão do dia que se levanta, o anil de um céu de primavera, o matiz do canteiro de flores roxas tudo isto deve ser incluído em nossa cromoterapia natural. O principal desta cromoterapia despretensiosa é que você aprenda a ter sensibilidade diante da beleza. Há beleza em tudo.

Leia também: CONHECENDO A CROMOTERAPIA

*O livro “Yoga para Nervosos” encontra-se em PDF no Google.

Nota: imagem copiada de Tio Bill

Picasso – TOALETE
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

Não procuro, encontro. (Pablo Picasso)

 Não existe arte abstrata, é necessário começar sempre por alguma coisa: mas, em seguida, pode-se retirar toda a aparência da realidade, porque a ideia do objeto deixou uma marca indelével. (Pablo Picasso)

O espanhol Pablo Ruiz Picasso (1881 – 1973) nasceu em Málaga, na Espanha. Era filho de José Ruiz Basco e Maria Picasso y Lopez. Começou a desenhar aos sete anos de idade sob a supervisão de seu pai, professor de desenho. A seguir, sua família mudou-se para La Coruña. Aos 14 anos, ele foi para Barcelona com a família, vindo a estudar na Escola de Belas Artes, firmando-se como pintor.

A composição intitulada Toalete é um estudo preparatório para o quadro que se encontra na Albright Art Galery de Buffalo (EUA). Este estudo encontra-se no acervo do MASP desde 1953.

No quadro estão duas mulheres. A primeira, usando vestes azul e vermelha, segura o espelho na altura no peito para que a outra se olhe. A segunda, completamente nua, arruma os cabelos. O pintor fez outros trabalhos com este mesmo tema.

Ficha técnica
Ano: 1906
Técnica: óleo sobre tela sobre papelão
Dimensões: 53 x 31 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

CONHECENDO A CROMOTERAPIA
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele nos fala sobre o agir das cores em nosso corpo.

Ninguém pode negar que a cor de um ambiente afeta o ânimo que o torna mais ou menos agradável, calmante, desagradável, excitante… Poucos, a não ser os que tenham dedicado um pouco de atenção ao estudo da cromoterapia, poderão, no entanto, avaliar o quanto somos sujeitos à ação das várias taxas de vibrações que nos envolvem a cada instante.

A luz solar é formada por ondas vibratórias de variados comprimentos, cada uma das quais preenche seu papel na manutenção do equilíbrio energético do planeta e consequentemente da vida. Dessas ondas, as que têm comprimento acima de 410 e abaixo de 718 são captadas por nossos olhos e as chamamos de cores. Elas constituem, portanto, a parte visível do espectro e se dispõem na seguinte sequência; violeta, anil, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. São as cores principais do arco-íris.

Além desta parte visível, outro mundo vibratório que os olhos não captam, atinge-nos. Algumas ondas são absorvidas e utilizadas na própria epiderme, outras vão a camadas mais profundas da pele; para outras, o sangue ou um determinado plexo nervoso são receptores específicos. Há finalmente aquelas às quais somos como que transparentes, pois nos atravessam como se fôssemos de vidro. Existem raios que liquidam com bactérias patogênicas. Outros, como os raios ultravioletas, incidindo sobre gorduras naturais da pele, produzem agentes antirraquíticos (vitamina D). Outros tostam a epiderme, enquanto alguns são apenas térmicos, como os infravermelhos.

As radiações visíveis ou cores são as que nos interessam, assim mesmo tanto quanto contribuam para a saúde mental e psicossomática. A cromoterapia é a ciência que, se aproveitando das técnicas de decomposição da luz branca solar, toma uma ou mais delas como agentes terapêuticos específicos. As cores são utilizadas segundo várias técnicas tais como:

  • banhos de cores puras (com auxílio de lâmpadas ou emprego de vidros coloridos, ou panos estendidos, ou prismas);
  • b) água irradiada (seja utilizando garrafas coloridas, irradiação com vidros. . . )
  • c) pintura de ambientes e uso na indumentária.

Por razões óbvias restringir-nos-emos apenas aos últimos recursos. É pouco dizer que o vermelho é cor “quente e excitante”, que o azul é “frio e calmante”, que o amarelo é “alegre”… Vamo-nos aproveitar de um estudo de Iglesias Janeiro (Auto Superacion Integral) e ganharmos um pouco mais de conhecimento sobre a influência do mundo colorido sobre o organismo, sobre a mente, bem como sobre nossos níveis espirituais. Do que aprendermos, podemos tomar providência no sentido de evitar a cor malfazeja ou procurar a que nos convém, segundo nosso caso particular, segundo o que desejamos que ela faça em nosso benefício. Nesta magia das cores, portanto, é indispensável que conheçamos o que cada uma vale para o organismo e para o plano psíquico-espiritual.

Os conhecimentos sobre a influência das cores em nossa vida, não os encontrei na literatura propriamente ligada ao Yoga ou aos Vedas. Minha conclusão é a de que, os Mestres da Índia, muitos dos quais, por extrema pobreza e indiferença pelos aspectos exteriores, usam vestes sumárias, despreocupados com seu matiz. Contudo, não podemos nós, já que estamos pretendendo por todos os meios evitar ou corrigir distúrbios nervosos, desprezar as experiências feitas pela ciência ocidental. Não devemos também desconhecer que a ritualística religiosa de qualquer tempo e em todos os templos explorou a sensibilidade psíquica às cores.

Os prédios, os altares, os paramentos sacerdotais, através das cores e das formas, ao lado de outros estímulos, como a música e as essências aromáticas, atuam magicamente sobre as emoções e sentimentos dos crentes. Iglesias faz referência a uma técnica psiquiátrica que, segundo ele, foi usada na reedificação mental de soldados vítimas de shock (comoção de medo) nos campos de batalha da última guerra mundial. Chama-se aurorátono e consiste num “influxo da maravilha das cores e sons que comovem o ânimo do paciente”, com o que “sua psique revive as noções primárias vinculadas ao poder criador de quem vê e ouve, e pouco a pouco se sobrepõe à conturbação sofrida, terminando por olvidar o deprimente e os efeitos físicos e mentais que o acompanham”.

Vejam o valor e efeito de cada co no próximo texto.

Leia também: AS CORES E SEUS EFEITOS

*O livro “Yoga para Nervosos” encontra-se em PDF no Google.

Nota: imagem copiada de Dicas de Massagem

Piero de Cosimo – MADONA COM MENINO JESUS…
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasH

O pintor italiano Piero di Cosimo (1462 – 1521), cujo nome original era Piero di Lorenzo, nasceu e morreu na cidade de Florença. Ali estudou com Cosimo Rosseli, tendo inclusive trabalhado com seu mestre nos afrescos da Capela Sistina, em Roma, onde pintou O Sermão de Cristo (imagem acima), que se tornou a sua primeira obra conhecida. Foi em homenagem ao seu mestre que adotou o sobrenome Cosimo.

A composição Madona com Menino Jesus e São João também conhecida como Virgem com Menino, São João Batista Criança e um Anjo é obra do artista. Encontra-se em solo brasileiro, sendo um dos quadros mais importantes do MASP, tendo sido incorporado à sua coleção em maio de 1951. Em razão do estado de deterioração em que se encontrava, esta obra retornou à Itália, onde passou por uma restauração. À época, um mecenas brasileiro de apenas 25 anos pagou 55 mil dólares, arcando com o transporte e o seguro do tondo, ao tomar conhecimento, numa aula de história da arte, sobre seu lamentável estado de danificação.

A composição é pintada com cores muito suaves e cheia de movimentos. Apresenta a Virgem ainda adolescente, carregando no braço esquerdo o seu Menino, enquanto acaricia o pequenino e gorducho João Batista que caminha à sua direita.

O Menino Jesus, nu, descansa seu braço esquerdo no livro de orações e faz o gesto de abençoar com o direito levantado. O pequeno João carrega na mão a Cruz, um de seus atributos, tendo o olhar de Maria voltado para ele.  As personagens encontram-se diante de um grupo de pedras, num terreno onde grassam flores e cogumelos.

À direita, o anjo, agachado, tem nas mãos lírios brancos, símbolo da pureza da Virgem. Seus olhos estão fixos no Menino Jesus. À esquerda, um melro (o mesmo que graúna) traz a cabeça voltada para uma enorme lagarta. Entre ele e o grupo posiciona-se uma árvore com o tronco cortado, enquanto um pequeno galho ganha vida, o que é também uma simbologia da Paixão de Cristo, pois mesmo morto Ele renascerá. Ao fundo, desenrola-se uma bela paisagem verde com água e construções. Mais distante vê-se uma paisagem azulada com montanhas e planícies.

Segundo estudiosos de arte trata-se da única representação da Virgem onde aparece uma lagarta que, segundo a visão de um entomólogo da URFG “é mais precisamente uma mariposa-caveira”. Ele mesmo questiona qual seria a intenção do artista “ao pintar uma lagarta, cujo adulto exibe o símbolo da morte, numa cena religiosa como esta”. Teria por finalidade enfatizar o destino trágico do Menino Jesus? – questiona ele.

Ficha técnica
Ano: c.1500/1510
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 129 cm de diâmetro
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/10/1690571-obra-renascentista-retorna-ao-masp-e-sera-exposta-em-dezembro.shtml

SOFRIMENTO X FELICIDADE
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele nos fala sobre sofrimento e felicidade.

Em relação ao problema sofrimento/felicidade, os filósofos se dividem em otimistas e pessimistas. Os primeiros afirmam ser a dor real, universal e existente por si mesma, enquanto o prazer ou a felicidade não passa de simples ausência dela. Os otimistas, ao contrário, acham ser a dor tão somente a falta da felicidade, tal como a sombra que só existe quando e onde falta a luz. Os primeiros veem o mundo com um desastrado desterro e o existir, em si mesmo, um sofrer incessante e sem esperança “neste vale de lágrimas”. Há muito mais pessimistas do que otimistas. O que mais se ouve são reclamações, lamentos e ais. Há muito mais rostos tristes do que sorridentes. Há muito menos indivíduos corajosos e afirmativos do que amedrontados e negativos. É raro encontrar quem tenha paz e seja autossuficiente em seu contentamento.

Não estou querendo catequizar ninguém para um otimismo piegas e enganoso. A filosofia yogui poderá até ser chamada pessimista, quando mostra ser este mundo maiávico (ilusório) feito de experiência dolorosa, concluindo que viver é conviver com a dor. A mesma filosofia pode ser chamada, no entanto, otimista ao ensinar um remédio para a dor da existência. Há não só uma salvação, mas também uma explicação para a dor. Tanto há um modo de amenizar, como de evitar o sofrimento. Yoga é, portanto, uma filosofia da Realidade: nem pessimista nem otimista. Afirma ser a Realidade, em sua manifestação ilusória, feita de opostos: luz e sombra; alegria e tristeza; riqueza e pobreza; fome e saciedade; altos e baixos; dias de sol e dias de chuva; rigor de inverno e de verão; umidade e secura; trigais e espinheiros; desertos e florestas; guerra e paz; harmonia e discórdia; berço e esquife; cair e levantar-se, crime e amor. . . São opostos e complementares. Um não existe sem o outro. Nos extremos de um, o outro nasce. Sucedem-se e coexistem. Estão aqui e além. Fora e dentro.

O yoguin é permanentemente sereno e equânime, isolado da dualidade, longe do alcance das fugazes manifestações do Real. Para ele, tudo é necessário e nada indispensável. Sabe conquistar o positivo, mas não se perturba, se o perde. Sabe evitar o negativo, mas não se apavora quando por ele é apanhado. Sabe gozar o dia quente e aproveitar a noite de chuva. Vê na dor não ameaça ou desgraça, mas um desafio ao próprio crescimento: à evolução. A angústia – este privilégio do bicho-homem – não é infelicidade em si, senão na medida em que o angustiado, por ignorância e autopiedade, enfrenta-a em mísero estado de medo e infelicidade. Para o yoguin, angústia é saudade da Perfeição, da Plenitude, do Amor Universal Onipresente. Sem o desafio e a convocação, representados pela angústia, o jiva (alma individual em evolução) se perderá, totalmente alienado, nesta existência maiávica (ilusória), onde os prazeres são muitos, mas decepcionantes. A vitória sobre a angústia, em última e definitiva instância, consiste em a alma individual em evolução (jiva) integrar-se à Alma Universal (Paramatman).

A dor em todas suas nuances e níveis é filha do pecado (erro) e neta da ignorância. A filosofia yogui diz igualmente que, por ignorância (avidya), o homem causa a si mesmo os piores danos, seus próprios sofrimentos. Esta é a chamada lei do karma, isto é, a lei da causalidade, segundo mesmo o bem ou o mal, a bem-aventurança ou a desgraça, como consequência dos atos que se praticar. O homem peca porque é ignorante. Ele ignora a Realidade de Deus. Ignora que ele e o Pai são um só. Ignora que ele e o próximo (e até mesmo seu inimigo) também são um só. Ignora a lei do karma e que ele, consequentemente, é o artífice de seu próprio destino.

O homem vive sob a convicção de ser um degradado, um cão sem dono, uma presa das enfermidades, mas achando ter o direito de vir a ser feliz de qualquer modo, até mesmo à custa do sofrimento dos “outros”. Por ignorância, crê num Deus antropomórfico a quem recorre somente nas horas de necessidade. Por ignorância já não acredita num Deus que não tem atendido as suas orações egoístas. Sendo ignorante, tem a ilusão de impunemente poder fazer todas as formas de maldades, desde que “ninguém fique sabendo que foi ele o autor”. Por ignorância, tem cometido, vem cometendo e cometerá toda sorte de violências contra a infalível lei do karma e, portanto, contra si mesmo, embora enganosamente queira ferir os outros. Por ignorância, cria para si mesmo as algemas de seus distúrbios neuróticos e os desesperos de sua alienação.

A filosofia do yoguin faculta-o a optar por ser bom ou ser mau, pelo viver enfermo ou sadio, pelo efêmero ou pelo Eterno, dedicar-se às coisas finitas ou ao Infinito. Dá-lhe sabedoria (vidya), com a qual pode, algum dia, deslumbrar-se na contemplação do Absoluto. A isto é que poderíamos chamar vidyaterapia ou a cura pela sabedoria. No ocidente, logoterapia. Estudando, meditando sobre e vivenciando no quotidiano e em toda a vida a libertadora Yoga Brahtna Vidya (Ciência Sintética do Absoluto), cada um de nós vai podendo evitar erros e consequentes sofrimentos. Ao mesmo tempo, sabedor das consequências kármicas de seus pensamentos, desejos e ações, o yoguin trata de semear na mente, no corpo e para o futuro, as sementes próprias à colheita de paz, alegria, serenidade, saúde, vitória, resistência…

A metafísica yogui desinteressa-se pela consideração do pecado. Não incute no homem que é pecador. Não se ocupa em falar sobre o mal. Ensina o caminho do bem. Não fala de castigos ao malvado. Anuncia promessas de libertação àquele que sofre.

*Esse livro é encontrado em PDF no Google.

Nota: Retrato do Dr. Gachet, obra de Van Gogh