Jacopo Pontormo – A CEIA EM EMAÚS

Autoria de LuDiasBH

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A composição A Ceia em Emaús é uma obra do pintor italiano Pontormo (1494-1557), cujo nome original era Jacopo Carruci, sendo “Pontormo” o local de seu nascimento. Teve um contato inicial com Leonardo da Vinci e Piero di Cosimo, mas foi aluno, provavelmente, de Fra Bartolomeo e de Andrea del Sarto. Foi influenciado pela obra de Albrecht Dürer, por quem nutria grande admiração e seguiu o modelo de Michelangelo. Assim como Rosso Florentino, Pontormo tornou-se o expoente máximo do Maneirismo, com seus trabalhos dramáticos e expressivos.

O artista fez esta gigantesca tela para ornamentar o mosteiro de Certoza del Galluzzo, no sul de Florença, onde ele se refugiou para fugir da peste que minava a cidade. Em sua tela, Pontormo relata a passagem bíblica que fala sobre o encontro de Cristo ressuscitado com dois de seus apóstolos, a caminho da aldeia de Emaús, não sendo por eles reconhecido. Mas o Mestre revelou-se quando se encontrava à mesa com esses (Lucas: 24:13-33).

Jesus Cristo encontra-se sentado, diante de uma mesa redonda, forrada com uma toalha branca. Ele olha diretamente para o observador, como se também o abençoasse, embora aparente estar distante em seus pensamentos. Mostra-se piedoso e cheio de amor. Usa uma túnica azul, que cai sobre seus ombros e peito, formando um decote em V. Na mão esquerda traz o pão partido ao meio, e abençoa com a direita. Acima dele está o Olho da Providência, dentro de um triângulo azul, que se encontra sobre um círculo dourado de luz. O Olho volta-se para baixo, acompanhado o encontro entre Jesus e seus dois discípulos.

O triângulo com o Olho da Providência é o ponto mais elevado do triângulo, formado pelos dois apóstolos e a extremidade da toalha branca, com a figura de Cristo, vestida de azul, dentro, que por sua vez forma um segundo triângulo, ou seja, há um triângulo dentro de outro.

Dois discípulos estão sentados em bancos de madeira, à mesa, um ao lado do outro. Seus pés rudes e descalços estão à vista. O discípulo da esquerda enche seu copo com vinho, enquanto o da direita segura um pão e fita Jesus. Ao grupo foi agregada a presença de cinco monges cartuxos (eles foram os responsáveis pela encomenda da obra). Dois deles estão de pé, de corpo inteiro, cada um ao lado de Cristo à mesa. O da esquerda também se encontra em postura de bênção, tendo dois outro atrás dele, dos quais só se vê a cabeça e uma mão. O da direita está ereto, voltado para o observador. Atrás dele está um monge com uma taça na mão.

Todas as figuras têm corpos alongados e cabeças finas, característica do estilo maneirista do pintor. A pintura repassa a impressão de arte primitiva. Excetuando Jesus, que traz um halo acima da cabeça, simbolizando sua divindidade, as demais figuras são retratadas como pessoas pobres e comuns. O tema tem a ver com a realidade humana.

A forma oval da mesa permitiu ao pintor agregar com facilidade as figuras em torno dela. Os tons marrons-claros e o amarelo são dominantes, mas em perfeita sintonia com os puros: o azul do manto de Jesus, ao meio; o vermelho do manto de um dos apóstolos, à esquerda; e o verde do manto do outro; à direita. Há uma certa melancolia na composição.

Sobre a mesa encontram-se um prato de metal, duas facas, uma garrafa e uma taça. Na parte inferior esquerda, atrás do banco, está um cãozinho, e na direita, abaixo do banco, vê-se o rosto de um gato, ambos fitando o observador.  Cristo e o apóstolo à direita trazem a mão direita sobre a mesa, segurando um pão, formando uma bela simetria.

Nota: O Olho da Providência, também conhecido por “Olho de Deus”, simboliza a presença de Deus, tendo sido usado durante muitos séculos. Encontra-se presente na moeda americana. O que aparece na pintura é tido como um acréscimo posterior, provavelmente feito pelo pintor Jacopo da Empoli.

Ficha técnica
Ano: c. 1525
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 230 x 175 cm
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

GUIGNARD, A ARTE E OS AMIGOS

Autoria do Prof. Pierre Santos

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Guignard era mágico para ensinar. Ele falava pouco, tinha vergonha por causa do lábio leporino, pois as pessoas não o entendiam bem. Ensinava mais por gestos. Era incrível seu domínio de linguagem gestual. Ele conseguia transmitir ideias com uma naturalidade muito grande. Gostava de dar aulas em meio à paisagem, com os alunos pintando no Parque Municipal de Belo Horizonte, sob seu olhar atento.

O artista, com a sua ação e atitude, transmitiu uma forma própria de ver a arte, que impregnou a todos os que tiveram a oportunidade de conviver com ele. Formou realmente uma escola. Se nós temos no Brasil uma escola de arte no sentido acadêmico, essa é a de Guignard, o mestre que trouxe o modernismo para Minas Gerais. A influência dele também está presente na Escola de Arte da FAOP, em Ouro Preto. Ela foi criada nesse ambiente, com essa perspectiva. Guignard é um dos grandes representantes do expressionismo lírico no mundo. Ele fez algo que ninguém tinha feito em matéria de poesia dentro da pintura. Por onde passava, sempre deixava sua marca, sua alma.

Juscelino Kubitschek era prefeito de Belo Horizonte quando trouxe Guignard para a cidade. No ano seguinte foi eleito Otacílio Negrão de Lima, e a primeira coisa que fez, ao assumir o cargo, foi cortar o salário do artista. Nessa época, a arte moderna era muito pouco valorizada. A  turma de alunos do artista reunia-se, cotizava pensão e comida para cobrir suas despesas cotidianas. O Dr. Hélio Hermeto entrou com uma ação judicial contra a PBH, exigindo os pagamentos, que o pintor passou a receber até o fim da vida. Era um salário insuficiente para assegurar condições dignas de sobrevivência. Talvez o correspondente a dois salários mínimos atuais. Guignard era convidado para ir a muitos lugares. Nunca me lembro de tê-lo visto mal vestido. As camisas eram impecavelmente limpas e engomadas. Terno e gravata borboleta, sempre. Ele pintava e não caía uma gota de tinta na roupa ou no chão. Era um milagre conseguir tudo isso.

A arte de Guignard era desconhecida do povo, mas reconhecida por uma elite de médicos, professores e amigos que adquiriam quadros para ajudá-lo, inclusive o próprio Juscelino Kubitschek. Houve época em que ele, Augusto Degois, Vicente Abreu e eu nos reuníamos sempre na Casa do Chopp para bater papo. Ele nunca nos deixava pagar. Dava um jeito de pagar antes e, quando não tinha dinheiro, ficava por nossa conta. Aí ele não gostava: “Ah… vocês me traíram!” Era o jeito dele. Certo dia ele sumiu. Uma noite não veio, nem na outra. Pensamos que estaria doente. Fomos à pensão onde morava. Batemos à sua porta, não houve resposta. Senti um cheiro estranho vindo do quarto. Quando abrimos e acendemos a luz, ele estava roxo, emborcado em cima do cavalete, praticamente em coma. Pegamo-lo, pusemos dentro de um carro e o levamos para a Santa Casa, onde ficou mais de uma semana. Intoxicação por bebida. Ele exagerava na bebida e às vezes tinha que ser internado. Fomos visitá-lo, mas não pudemos entrar. Só Yara Tupinambá subiu. E ele fez um bilhete: “Turma do barulho, obrigado por vocês terem vindo.”.

Nota: Imagem copiada de www.pinturabrasileira.com

ALFRED HITCHCOCK, O MESTRE DO SUSPENSE

Autoria de LuDiasBH  alfrehit

O cineasta britânico Alfred Hitchcock (1899-1980) ficou conhecido pela alcunha de o “Mestre do Suspense”. A complexidade que carregava em si foi transposta para suas 54 obras, que penetram nos meandros mais obscuros da alma humana. Seus filmes, de modo geral, retira a visão comum de cinema, como de caráter comercial e industrial, para transformá-lo em arte.

Desde garoto, Hitchcock era atraído pelo oculto. Criado numa família de católicos tradicionais, tendo estudado num rigoroso colégio de jesuítas,  com forte repressão aos desejos sexuais, não é de espantar-se com o fato de que o menino crescesse vendo pecado em tudo. Além disso, ele devorava histórias de mistérios. Tudo isso contribui para que o mestre manipulasse com perícia o sentimento do medo em suas obras.

Alfred Hitchcock criou uma marca registrada em seus filmes: seu aparecimento rápido em alguma cena. Os fãs do cineasta já ficam a sua procura, desde o início do filme. Em sua filmografia podemos destacar: “O Homem que Sabia Demais”, “A Dama Oculta”, “Rebecca, a Mulher Inesquecível”, “Correspondente Estrangeiro”, “Suspeita”, “Um Barco e Nove Destinos”, “Quando Fala o Coração”, “Interlúdio”, “Pacto Sinistro”, “Disque M para Matar”, “Janela Indiscreta”, “Ladrão de Casaca”, “Um Corpo que Cai”, “Intriga Internacional”, “Psicose”, “Os Pássaros” e “Trama Macabra”, entre outros.

A foto acima mostra o diretor brincando com os netos, em 1960.

Fonte da fotografia:
http://noticiastln.com/23-fotos-historicas-muy-raras-que-te-dejaran-sin-palabras/

Giuseppe Arcimboldo – QUATRO ESTAÇÕES EM UMA CABEÇA

Autoria de LuDiasBH

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A composição Quatro Estações em Uma Cabeça é uma obra do famoso pintor italiano Giuseppe Arcimboldo, retratista oficial na corte dos Habsburgos. Encontra-se entre as últimas pinturas feitas pelo artista. Foi dada como presente a Gregorio Comanini, poeta e historiador italiano.

Em sua obra, o artista retrata um homem idoso, meio de perfil. Ele é representado pelo tronco de uma árvore, velha e desfolhada, numa referência à estação invernal. As flores, em meios aos molhes dourados de trigo, que enfeitam seu torso escuro e ombro esquerdo, referem-se à primavera. Muitas frutas, dentre elas cerejas e ameixas, assim como o trigo, distribuídas por sua cabeça simbolizam o verão, enquanto as maçãs e uvas referem-se ao outono.

Muitos se perguntam se este quadro não seria um autorretrato do pintor, ao chegar ao fim de sua carreira, tendo ele passado por todas as estações da vida. Seria o inverno da vida, no qual são lembradas todas as estações pelas quais passa o ser humano?

Distribuição dos elementos da pintura:

  • um tronco escuro, nodoso e enrugado, representa o peito e a cabeça;
  • a boca e os olhos são representados por orifícios na madeira;
  • um ramo saliente e com pequenos nódulos, como se fossem verrugas, representam o nariz;
  • uma pequena moita de musgo e tocos de finos galhos representam a barba;
  • a testa é composta por tocos de galhos, enquanto galhos grandes parecem-se com chifres;
  • desprovida de folhas, flores e frutos, esta árvore-coto representa o inverno, mas ao acrescentar-lhe os outros elementos, simboliza as quatro estações;

Um dos galhos (o do meio), que se encontram na cabeça do homem idoso, traz escrita a assinatura do pintor “ARCIMBOLDUS P.”

Ficha técnica
Ano: 1590
Técnica: óleo sobre madeira de álamo
Dimensões: 60 x 45 cm
Localização: coleção particular

Fontes de pesquisa
http://www.wga.hu/html_m/a/arcimbol/3allegor/5season.html
https://www.nga.gov/exhibitions/2010/arcimboldo/arcimboldo_brochure

Pintores Brasileiros – ALBERTO DA VEIGA GUIGNARD

Autoria de LuDiasBH

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Eterna criança grande, Guignard conservou a ingenuidade, o lirismo e a frescura da infância, como se a vida e o tempo tivessem por ele passado impunemente, deixando-o intacto. (Lúcia Machado de Almeida)

 Guignard sempre pintou o que estava perto, a realidade ao seu redor. Pintou os frutos sobre a mesa, as flores junto à janela, retratou amigos e visitantes, pintou os instrumentos de trabalho no ateliê, a música que ouvia, desenhou a mesa do bar que frequentava e, nos cardápios dos restaurantes, pintou a paisagem. Em Itatiaia pintou a serra e o vale, em Ouro Preto, a montanha e o casario. Mais: transformou essa mesma realidade. (Frederico Morais)

Guignard vale-se de um desenho insinuante e grácil, que possui importância ascendente em relação à cor, aplicada com leves dosagens ao suporte. (…) Ele se caracterizou, sobretudo, como paisagista, estimulado por alguns sítios e regiões, desde os seus primeiros tempos de retorno ao Rio, quando pintou quadros representando o Jardim Botânico. Salientam-se bem mais tarde ternas vistas com perspectiva aérea das cidades barrocas mineiras, envoltas num véu de fantasia. Os balões da noite junina apoderam-se do céu atrás das montanhas. Com sua linha de alta precisão e seus tons nuançados, valeu-se sempre de apurado senso decorativo. (Walter Zanini)

O pintor, professor, desenhista, ilustrador e gravador brasileiro Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) nasceu na cidade de Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro. O bebê Guignard nasceu com lábio leporino, o que trouxe grandes preocupações para seus pais. Quando ainda era criança perdeu o pai, vindo a mãe a contrair novas núpcias com certo alemão, bem mais jovem do que ela, que ostentava o título de barão, embora sem dinheiro. A família mudou-se para a Alemanha, quando Guignard contava com onze anos de idade. Ele permaneceu na Europa até os 33 anos. Segundo Frederico Morais, “Guignard provinha de uma família abastada, tendo tido uma infância e juventude bem tranquilas financeiramente falando, porém, ao retornar ao Brasil passou a viver sempre sozinho e com seus parcos recursos, morou, de início, em quartos e pensões, nunca permanecendo muito tempo em nenhum deles.”.

A fenda no palato do artista trouxe-lhe, ao longo da vida, grandes sofrimentos. Por não ter passado por uma cirurgia eficiente, ao comer, Guignard via certos alimentos serem expelidos pelas narinas, sem falar no corrimento nasal que o acompanhava permanentemente. Ele jamais escondeu essa deficiência, tanto é que ela aparece nos seus autorretratos. Ao retratá-la em algumas figuras de Cristo (ver pintura acima) e noutras pinturas religiosas, era como se comparasse o sofrimento desses com o seu.

Guignard teve uma boa formação, estudando na Academia de Belas-Artes de Munique, na Alemanha, e na Academia de Belas-Artes de Florença, na Itália. Teve como mestres dois nomes importantes: Herman Groeber e Adolf Engeler. Ao retornar ao Brasil, na década de 20, tendo concluído seu aprendizado técnico na Europa, foi morar na cidade do Rio de Janeiro, que pintou em muitas de suas obras. Tornou-se um nome importante ao lado de Candido Portinari, Ismael Nery e Cícero Dias. Em 1944, o artista foi convidado pelo prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, para criar um curso de desenho e pintura no recém-criado Instituto de Belas-Artes. Foi amor à primeira vista pela cidade, para onde mudou e adotou como sua.

O pintor tinha fascinação pelas montanhas de Minas Gerais, pelo seu céu e cores, que inúmeras vezes retratou em suas paisagens, e pela gente mineira. Teve um grande peso na formação de novos artistas, ao cortar os laços com a linguagem acadêmica, ajudando a firmar o modernismo nas artes plásticas do estado mineiro. Segundo o escritor Olívio Tavares de Araújo, em “A Poesia Intacta”, “É possível que, sem o retorno ao Brasil e sem a posterior mudança para Minas Gerais, a obra de Guignard não tivesse chegado às alturas que chegou.”, com sua pintura repleta de poesia. O artista também gostava de aformosear sua pintura, como relata a historiador da arte Rodrigo Naves: “Em sua pintura, o decorativo está presente nos retratos, nos arranjos florais, nas estampas das roupas e em toda ornamentação em torno de seus modelos femininos, além de tetos, painéis, móveis e objetos que pintou.”.

Guignard expandiu sua arte para todos os gêneros da pintura. Pintou paisagens, retratos, naturezas-mortas, pinturas de gênero e pintura religiosa, assim como temas alegóricos. Foi aquilo que se pode chamar “um artista completo”. Muitas vezes, empregava dois gêneros diferentes numa mesma obra, a exemplo de naturezas-mortas com paisagem em segundo plano. Alguns críticos de sua obra consideram que foi no gênero do retrato que ele foi mais fecundante e, que perfazem a maior parte de sua criação. Foi nesse gênero que recebeu, em 1940, o prêmio de viagem ao país, com a obra “As Gêmeas”. A tela retrata duas irmãs gêmeas, sentadas num sofá e, como não poderia deixar de ser, uma paisagem ao fundo, representando o bairro carioca de Laranjeiras.

Alberto da Veiga Guignard morreu em 1962, aos 66 anos de idade, tendo sido enterrado na Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. Numa homenagem ao grande artista, a Escola Guignard, na capital mineira, leva o seu nome.

Nota: 1. autorretrato do artista; 2. Cristo, 1950, Coleção Mário Silésio

Fontes de pesquisa
Brazialian Art VII
https://www.escritoriodearte.com/artista/alberto-da-veiga-guignard/

Agnolo Bronzino – LAMENTAÇÃO

Autoria de LuDiasBH

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A pintura Lamentação, também conhecida como Pietá, é uma obra do pintor italiano Agnolo Bronzino (1503-1572), também chamado de Agnolo di Cosimo ou Agnolo Tori, um dos mais conhecidos representantes do Maneirismo florentino. Teve como mestres os artistas Raffellino del Garbo e Jacopo Pontormo, sendo posteriormente influenciado por Michelangelo, tendo conhecido sua obras em sua visita a Roma. Foi pintor da corte da poderosa família Medici. Pintou temas religiosos, alegóricos e retratos.

Na pintura, em primeiro plano, encontram-se bem próximos ao observador, a Virgem Maria, Maria Madalena, ambas ajoelhadas, e Jesus Cristo, morto, após a descida da cruz. A composição monumental e o realismo visto nas três figuras mostram a influência de Michelangelo e de Pontormo sobre o artista, cuja pintura transmite um profundo sentimento de piedade.

O corpo de Cristo, sentado e tombado para trás, já rígido e arroxeado, encontra-se depositado sobre um lençol. Um manto verde cobre-lhe os quadris. A mão direita de Maria ampara-lhe a cabeça, e a esquerda segura seu braço esquerdo, enquanto o direito jaz sobre o lençol, com a palma da mão voltada para cima. Maria Madalena firma as pernas inertes de seu amado Mestre. Todas as três figuras trazem uma auréola acima da cabeça, o que comprova a divindade das mesmas.

A Virgem Maria usa pesadas vestes que lhe deixam apenas o rosto e as mãos a descoberto. De seu semblante emana uma pungente dor. Maria Madalena, cuja cabeça descoberta toca o ombro da Virgem, também revela tristeza. Ambas trazem a cabeça e o corpo inclinados em direção à cabeça de Cristo. Próximo a Maria Madalena, abaixo das pernas dobradas de Cristo, formando um triângulo, está um vaso com unguento, principal atributo da santa.

Ao fundo vê-se uma paisagem com árvores e colinas estilizadas. À esquerda está o calvário, com três cruzes armadas.

Ficha técnica
Ano: c. 1530
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 105 x 100 cm
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann