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Piazzetta – O JOVEM PEDINTE

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Giovanni Battista Piazzetta (1682 – 1753) nasceu e morreu em Veneza, Itália. Seu pai Giacomo Piazzetta era gravador e escultor. Foi com ele que teve suas primeiras aulas. Tornou-se aluno de Antonio Molinari e depois de Giuseppe Maria Crespi que o influenciou muito com sua pintura de gênero e o seu estilo. Foi o artista de pintura religiosa mais procurado no século XVIII, em Veneza. À época, tinha como rival o pintor Giovanni Battista Tiepolo.  Além das pinturas religiosas, Piazzetta também criou cenas de gênero e ilustrações para livros. Seu trabalho possuía um traço amplo e solto com cores térreas e quentes, contrastando com o estilo colorido e claro visto em Veneza, mas à medida que amadurecia sua pintura ia se tornando mais clara. É tido como um dos mais importantes artistas da pintura veneziana do século XVIII.

A composição pertencente ao estilo rococó e intitulada O Jovem Pedinte ou ainda Menino Mendigo é uma obra do artista. O rapazola retratado diante de um fundo escuro apresenta bochechas salientes e olhos e cabelos escuros. Veste um colete vermelho sobre uma camisa branca de mangas compridas e fofas, aberta no peito. O vermelho forte do colete parece refletir sobre sua face. Na mão esquerda traz um cajado e na direita, suja, detém um rosário. No ombro esquerdo carrega um casaco marrom. Sobre o objeto escuro apoiado em seu braço direito pode-se ver um pedaço de pão. Embora o rapazola mostre-se forte, com um corpo robusto, vê-se que é ainda muito jovem.

Apesar de sua condição de pobreza, o garoto não apela para a compaixão do observador, a quem parece fitar.  Sua postura não denota humildade e nem devoção. Seu semblante traz um ar de dignidade em vez de decadência.

Ficha técnica
Ano: 1725/1730
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 67,7 x 54,7 cm        
Localização: Instituto de Arte, Chicago, EUA

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen

OS ABUSADOS PENSAMENTOS NEGATIVOS

 Autoria de LuDiasBH

A obsessão e a compulsão são comportamentos comuns na vida das pessoas que convivem com a ansiedade excessiva. Tais características estão sempre atreladas, ou seja, a compulsão é uma resposta à obsessão. A ideia fixa nasce da preocupação excessiva com alguma coisa, impedindo o indivíduo de desviar sua atenção e pensar em algo diferente. É aí que entram os chamados pensamentos negativos ou intrusivos.

O pensamento descontrolado e obcecado exerce uma pressão interna no doente, compelindo-o a realizar atos e a ter condutas considerados prejudiciais. Ao fixar e repetir um tipo de comportamento na mesma direção, ele acaba criando um círculo vicioso associado a gestos e atos compulsivos. Algumas seitas, totalmente descomprometidas com a Ciência, com o amor ao próximo e bom-senso, repassam inverdades ao aliar características do TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e de outras doenças emocionais a “perseguições do diabo”, causando, assim, um desserviço à causa e ampliando o sofrimento dos doentes. Isto sem falar naquelas que repudiam a ajuda médica sob a alegação de que “Quem cura é Deus”, levando muitas pessoas doentes mentais, sobretudo jovens, ao suicídio.

A psiquiatra Lúcia Milene de Oliveira fala a respeito do transtorno de ansiedade, grande responsável pelos pensamentos intrusivos: “Nele, os pensamentos obsessivos ficam martelando na cabeça da pessoa, mesmo sem ela concordar com eles, e os comportamentos compulsivos (repetitivos, exagerados e considerados estranhos pela sociedade) geralmente têm a intenção de neutralizar os pensamentos abusivos”, ou seja, a pessoa acha que, ao obedecer os pensamentos compulsivos, ela se verá livre deles, no entanto, o que se vê é um círculo vicioso, provando que a obsessão e a compulsão se correlacionam, aumentando o grau da ansiedade. Compulsão e obsessão também podem se manifestar no exagero relativo à alimentação, compras, limpeza, sexo, jogos e outros vícios.

Os pensamentos intrusivos aumentam a ansiedade e vice e versa. Faz-se necessário cortar esse elo que tanto mal faz ao doente, destruindo-lhe a autoconfiança ao aumentar seus medos e potencializar seu transtorno. Quando não tratada, a vítima desse transtorno mental pode ficar cada vez mais inquieta, impaciente e reclusa, tornando-se prisioneira de suas apreensões. E pior, os pensamentos indesejados tornam-se cada vez mais frequentes, ampliando os sintomas da ansiedade e contribuindo para o surgimento de transtornos ainda mais graves. Portanto, assim que eles se manifestarem, uma ida ao psiquiatra é importante para o diagnóstico do transtorno e tratamento. É bom saber também que todas as pessoas podem ter pensamentos negativos vez ou outra. O que difere é a importância que se dá a eles. Enquanto as pessoas equilibradas emocionalmente não fazem caso deles, as que vivenciam certos transtornos emocionais levam-nos ao pé da letra, obedecendo-os cegamente.

Existem algumas dicas que podem ajudar a conter os pensamentos intrusivos:

  1. Eles não são nossos senhores, portanto, não lhes dê importância, mas não os julgue com severidade e tampouco com rudeza. Procure mudar seu foco de atenção com naturalidade, sem querer eliminar os pensamentos ruins com um boticão. Segundo pesquisas científicas, a tentativa de eliminar um pensamento à força traz um efeito contrário. Veja-os apenas como uns “tolinhos mimados”, querendo roubar a sua atenção.
  2. Dedique um tempinho a esses pensamentos e racionalize. Estabeleça com eles um diálogo imaginário, mostrando-lhes como estão enganados ao querer manobrá-lo, pois você não se deixará levar por eles. Diga-lhes que é melhor cantar em outra freguesia, pois sua capacidade de racionalizar e sua autoestima estão em alta.
  3. Busque viver o melhor possível, mas um dia de cada vez, sem carregar fardos nas costas. Levante-se saudando o novo dia e agradecendo por ainda se encontrar vivo. Bote em ação suas boas qualidades. Veja o que faz melhor e mãos à obra. Quanto menos ociosa for a sua vida, menor tempo e espaço terá para ficar matutando coisas ruins. Lembre-se da lei física da ação e reação.
  4. Busque manter sua mente relaxada, evitando julgar seus pensamentos. Desanuvie essa cara de poucos amigos. Tire essa impressão ruim que dá aos outros de que anda de mal com a vida. Pratique a meditação, relaxando sua mente, e busque estar em estado de paz.
  5. Crie um diário onde registrará seus sentimentos e pensamentos. Ao exprimir o que sentiu e o que pensou estará pondo para fora suas emoções, inclusive as negativas. Isso o ajudará a entender melhor o que acontece em sua mente e verá depois como os pensamentos intrusos não passavam de tolas ilusões. O diário é importante até mesmo para você acompanhar sua saúde mental. Muitas vezes os pensamentos negativos são apenas frutos da insegurança, da baixa autoestima e do pessimismo e não de um transtorno mental.
  6. Apenda com o mindfulness (atenção plena no momento que está sendo vivido) ver texto no nosso site.

Nota: o quadro ilustrativo é parte de Noite Estrelada, obra de Van Gogh.

Fontes de pesquisa
Segredos da Mente
https://www.tecmundo.com.br/ciencia/16885-5-mitos-sobre-o-cerebro-que-voce-jurava-ser-
https://www.jrmcoaching.com.br/blog/lidando-com-pensamentos-intrusivos/

Cézanne – O MONTE SANTA VITÓRIA E…

Autoria de LuDiasBH


O pintor francês Paul Cézanne (1839 – 1906) era filho do exportador de chapéus Louis-Auguste Cézanne, que depois se tornou banqueiro, e de Anne-Elisabeth-Honorine Aubert, tendo nascido na pequena cidade de Aix-en-Provence. Teve duas irmãs, Marie e Anne, nutrindo uma relação mais forte com a primeira que sempre tomava o seu lado em relação ao autoritarismo do pai. Cézanne e Marie nasceram quando seus pais ainda mantinham uma relação secreta.

O artista nutria grande paixão pelo monte Santa Vitória, localizado a leste da cidade de Aix-en-Provence, no sul da França, sua cidade natal. O monte encontra-se presente em mais de 60 composições do artista, em seus mais diferentes ângulos. Cézanne chegava até mesmo a executar duas diferentes composições da mesma vista a um só tempo. Utilizava a sua presença para fazer seus experimentos com a pintura em busca de equilíbrio, solidez e profundidade, levando em conta a geometria oculta nas rochas, casas e vegetação.

A composição intitulada O Monte Santa Vitória e o Viaduto do Vale do rio Arc é uma das obras do artista com tal temática. Na pintura, o monte situa-se à esquerda, em segundo plano. Uma grande árvore, em primeiro plano, divide a tela ao meio. O artista, para dar vida às folhas da árvore, usou a técnica da hachura – pequenas linhas paralelas que dão a sensação de movimento nas folhas.

Uma estrada curvilínea leva o olhar do observador para dentro da paisagem. As árvores com seus troncos verticais equilibram-se com a estrutura vertical do viaduto – parecido com um aqueduto romano – que se inicia à direita em direção ao meio da tela. O artista trabalha a profundidade usando camadas de cores e formas ao construir os planos horizontais.

Ficha técnica
Ano: 1882
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 65,5 x 81,7 cm
Localização: Museu Metropolitano de Arte, Nova York, EUA

Fontes de Pesquisa:
História da arte no ocidente/ Editora Rideel
https://www.metmuseum.org/toah/works-of-art/29.100.64/

A ANSIEDADE QUE MALTRATA

 Autoria de LuDiasBH

 Ao me aceitar e me conhecer melhor foi que comecei a respeitar minha mente e meu corpo. (Ana Maria Mallmann)

A questão não é dar o foco principal à terapêutica empregada, e sim manter o olhar no sujeito da história, o Biocampo, que representa a própria vida do indivíduo. (Míria de Amorim)

Quando o organismo está em ressonância com suas memórias de saúde, ele também é capaz de se auto-organizar. Uma pessoa com um Biocampo estruturado tem potência para dialogar com os acontecimentos fortuitos da vida de maneira madura e equilibrada.  (Maristela Barenco)

Todos sabem que a ansiedade tanto está presente na vida dos seres humanos como na de outros animais que, assim como os humanos, são passíveis de inquietação, medo e frustração. O aumento da adrenalina – hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, cuja secreção é aumentada em situações de estresse, ansiedade, perigo ou qualquer outra situação que deixe o corpo em estado de alerta e pronto para reagir – no organismo é muitas vezes benéfico. Essa presença se dá através de um sinal liberado em resposta a um grande estresse físico ou mental e a situações de forte emoção. Somente se torna um problema quando passa a ser frequente e sem nenhum motivo que justifique sua produção exagerada.

O aceleramento da vida moderna tem contribuído para que a humanidade encontre-se cada vez mais ansiosa. O homem vem perdendo o contato com o seu eu interior, preocupado que está com os acontecimentos do mundo exterior. Dizer que ele deveria se afastar da problemática externa seria um descabimento, pois tudo reflete em seu modus vivendi (maneira de viver), uma vez que esses dois mundos interagem entre si. Contudo, o homem moderno pode trabalhar para manter seu cérebro mais tranquilo, beneficiando-se com hábitos saudáveis e posturas equilibradas. Precisa, sobretudo, abandonar a ideia de que pode comprar a saúde quando bem quiser, não precisando ter compromisso algum com o seu corpo. Ainda que a medicina avance cada vez mais, é muito mais fácil “prevenir do que remediar” no que diz respeito à saúde pessoal.

São muitos os meios que ajudam no equilíbrio do cérebro, controlando sensivelmente a ansiedade abusiva que chega com uma sensação de aflição, medo ou agonia, sem qualquer causa aparente. Essa ansiedade – responsável por causar um sofrimento desnecessário – pode ser equilibrada. Ainda que se faça uso de um antidepressivo, é precisa compreender que o medicamento não faz milagres sozinho, sendo necessário o comprometimento do doente no sentido de mudar velhos e nocivos hábitos de vida. Qualquer um pode colocar em ação tais meios que não exigem nenhum dispêndio de dinheiro, requerendo apenas um pouco de tempo e boa vontade para mudar costumes arraigados e viscerais. Vejamos alguns que ajudam no controle da ansiedade excessiva:

  1. Respiração – respire lenta e profundamente. Sinta o ar entrando e saindo dos pulmões, o abdômen dilatando-se e contraindo-se. Conte até três antes de expirar. Faça isso no mínimo dez vezes.
  2. Exercícios – a atividade física é cada vez mais recomendada para melhorar a qualidade de vida, uma vez que a endorfina ajuda no bem-estar, durando até 12 horas após sua prática. Deve ser feita, pelo menos, três vezes por semana. Escolha a atividade que melhor se adapta ao seu estilo.
  3. Meditação – técnica milenar que vem sendo cada vez mais recomendada na luta contra a ansiedade abusiva. Feche os olhos e foque-se na respiração. Apenas cinco minutos diários já ajudam no relaxamento. Baixe o aplicativo “5 minutos eu Medito”. (www.eumedito.org)
  4. Chás – algumas ervas apresentam propriedades calmantes: camomila, erva-cidreira, melissa, valeriana… Tome seu chá três vezes ao dia.
  5. Desconecte-se – desligar-se da internet durante algum tempo faz muito bem. Não se pode ser prisioneiro da tecnologia, vivendo em função dela o tempo todo. Converse com as pessoas à volta, interaja…
  6. Alimentação de qualidade – alguns cientistas dizem que o homem é aquilo que come. Uma alimentação saudável contribui para o bom funcionamento do organismo e, consequentemente, leva a uma vida mais tranquila. Diminua o uso de carne vermelha (coma no máximo três vezes por semana, se não conseguir excluí-la).
  7. Contato com a natureza – sempre que possível busque contato com a natureza, o que é de suma importância no combate ao estresse.
  8. Bichinhos em casa – pesquisas mostram que o contato com animais diminui o estresse. Bichinhos de estimação são altamente aconselháveis para ansiosos, estressados e depressivos. Adote um bichinho, há tantos abandonados por aí.
  9. Automassagem – durante o banho, ao passar o sabão, aproveite para massagear o seu corpo. Poderá fazer isso ao passar o creme hidratante ou óleo, após o banho. Demore mais tempo fazendo massagens nos pés. Escaldar os pés em água morna com bolinhas de gude no fundo da bacia é também muito relaxante. Acrescente à água umas gotinhas de óleo de lavanda ou de óleo de hortelã. Aproveite e escute sons relaxantes, usando apps como o “White Noise”, “Stop” ou “Breath & Think”
  10. Terapias – yoga, acupuntura e meditação são três das inúmeras terapias indicadas para diminuir a ansiedade.

Nota: A pintura Mulher e Pássaro é obra de Di Cavalcanti

Fontes de pesquisa
Segredos da Mente
https://www.tecmundo.com.br/ciencia/16885-5-mitos-sobre-o-cerebro-que-voce-jurava-ser-verdade.htm

Brescianino – VÊNUS ENTRE DOIS CUPIDOS

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Andrea del Brescianino (c. 1486 – c. 1525) também conhecido por Dei Piccinelli – pertenceu ao período renascentista, tendo trabalhado principalmente em Siena ao lado de seu irmão Raffaello. Foi aluno de Giovanni Battista Giusi. O apelido de “Brescianino” foi derivado do lugar onde nascera seu pai, um dançarino. Foi influenciado por Rafael, Fra Bartolomeo e Andrea del Sarto.

A composição intitulada Vênus entre dois Cupidos é uma obra do artista. Sua Vênus apresenta proporções perfeitas de acordo com o cânone de beleza do Classicismo em que se encaixava a deusa da beleza e do amor. Ela possui: proporções perfeitas, seu corpo possui correção anatômica e volumetria, além de ser mostrada numa postura encantadora, como se tivesse sido surpreendida pelo artista ao sair de um grande nicho.

Dois sapecas Cupidos postam-se atrás da deusa. Um deles segura o arco e o outro uma flecha de ouro. Vênus traz na mão direita, elevada até a altura de seus olhos, uma concha. Ali, através da superfície espelhada, contempla sua beleza. Ela curva delicadamente sua perna direita, deixando o pé atrás e o joelho para frente. A perna esquerda já se encontra fora do nicho.

Ficha técnica
Ano: c. 1520 – 1525
Técnica: óleoa sobre madeira
Dimensões: 150 x 66 cm
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fontes de pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal
Wikipédia

Rodin – OS CIDADÃOS DE CALAIS

Autoria de LuDiasBH

O francês Auguste René Rodin (1840 – 1917) é um dos mais notáveis escultores em bronze da modernidade. É tido como responsável pela escultura moderna, embora nunca tenha trabalhado para que isso acontecesse de fato, ou seja, jamais se rebelou contra o passado, até mesmo porque recebeu uma educação tradicional e ansiava pelo reconhecimento acadêmico. Nunca foi aceito pela tradicional escola de arte de Paris. Rodin, diferentemente dos escritores clássicos, não idealizava o corpo humano, baseando suas figuras em pessoas comuns. Costumava usar dançarinos e acrobatas como modelos. A naturalidade de suas figuras era tamanha que algumas pessoas chegavam a suspeitar que o artista baseava-se em moldes tirados dos modelos vivos. Suas obras repassavam uma grande dose de sensibilidade.
 
A escultura intitulada Os Cidadãos de Calais – também conhecida como Os Burgueses de Calais – é uma das mais famosas obras do artista que fez grandes trabalhos para instituições públicas, sendo este um dos mais bem sucedidos.

Este monumento tem um significado muito especial para o povo francês, pois representa seis cidadãos e líderes da cidade de Calais que se ofereceram para ser imolados durante a invasão inglesa, em 1347, durante a “Guerra dos Cem Anos”, com o objetivo de salvar a cidade. Eles são aqui apresentados como pessoas comuns, sem qualquer laivo de heroísmo o que causou polêmica à época da apresentação do monumento.

Os heroicos cidadãos estão vestidos com roupas rotas, levando consigo cordas com nós. Eustache de Saint-Pierre o mais velho e mais rico do grupo foi o responsável por entregar ao inimigo a chave da cidade. Rodin baseia-se, o mais fiel possível, no relato do cronista da época para executar sua obra.

Eustache de Saint-Pierre o líder do grupo é representado com a cabeça baixa e o rosto barbado, no meio. À sua esquerda, ereto e trazendo a boca fechada em uma linha apertada, Jean d’Aire traz nas mãos um grande conjunto de chaves. Os homens restantes são identificados como Andrieu d’Andres, Jean de Fiennes, Pierre e Jacques de Wissant.

Ao observar as seis figuras, podemos notar que elas mostram diferentes reações, traduzindo o momento cruciante em que se encontravam, certas de que seriam executadas, o que acabou não acontecendo em razão da intercessão da rainha inglesa. É também interessante notar que a composição em círculo de Rodin permitiu que nenhum dos homens fosse o ponto focal, permitindo que a escultura pudesse ser olhada de diferentes perspectivas.

Curiosidades

Segundo o escritor medieval Jean Froissart cronista francês do século XIV –, Edward III da Inglaterra ofereceu-se para poupar o povo da cidade, se seis de seus líderes se entregassem a ele, exigindo que saíssem com a cabeça e os pés nus e usassem cordas no pescoço e portassem as chaves da cidade e do castelo.

A corporação municipal da cidade de Calais convidou vários artistas, incluindo Rodin, para apresentarem um projeto com o objetivo de homenagear Eustache de Saint-Pierre. O projeto de Rodin, além de Eustache de Saint-Pierre, apresentava os outros cinco burgueses, sendo o escolhido. Os cidadãos de Rodin exibem sofrimento, em vez de glória, como alguns desejavam. Para o artista, eles mostram o heroísmo do auto sacrifício. Os cidadãos são imortalizados no momento em que deixavam a cidade. O escultor queria que o monumento ficasse no nível do chão, para um contato maior com as pessoas, mas esse foi instalado num pedestal alto, em frente ao Parc Richelieu, em Calais. Mais tarde, ao compreenderem o desejo de Rodin, a escultura foi colocada em frente à prefeitura da cidade, sobre uma base baixa.

Ficha técnica
Ano: modelada de 1884 a 1895
Altura: 209,6 × 238,8 × 241,3 cm
Material: bronze
Localização: Calais, France

Fontes de pesquisa
História da arte no ocidente/ Editora Rideel
https://www.khanacademy.org/humanities/ap-art-history/later-europe-and-americas/modernity-ap/a/rodin-the-burghers-of-calais