Arquivo da categoria: Livros

Assuntos diversos

MEDITAÇÕES  – MARCO AURÉLIO

Autoria de Lu Dias Carvalho

Um dos livros que li no presente mês foi “Meditações”, escrito por Marco Aurélio, imperador romano – 4º imperador da dinastia dos Antoninos – que viveu no século II. Era senhor de uma refinada educação, nutrindo grande interesse pela filosofia. Apesar de já haver passado 19 séculos, seus pensamentos parecem ter sido escritos em nossos dias. Vejamos algumas citações do imperador sobre o que lhe fora ensinado:

  • Meu avô ensinou-me a boa moral e a dominar meu temperamento.
  • Minha mãe ensinou-me a piedade e a simplicidade na maneira de viver.
  • O meu bisavô descreveu-me a importância da educação e dos bons professores.
  • Com meu governador aprendi a valorizar o trabalho e a trabalhar com as minhas próprias mãos.
  • Diogneto (ver Carta a Diogneto) ensinou-me a não perder tempo com coisas insignificantes; a não dar importância àqueles que apregoam encantamentos e expulsão de demônios e coisas desse tipo; a não criar animais para lutar; a aceitar a liberdade de expressão; e a tornar-me chegado à filosofia.
  • Rusticus (cônsul romano) induziu-me a refinar o caráter e a disciplina; a mostrar-me disposto à reconciliação com aqueles que me ofenderam; a não aceitar o entendimento raso de um livro; e a ter cuidado com os que falam demais.
  • Apolônio (filósofo do mundo greco-romano) ensinou-me sobre a liberdade da vontade e a firmeza do propósito; e a não dar valor algum a quem não esteja imbuído pela razão.
  • Sexto (médico e filósofo grego) ensinou-me a viver em consonância com a natureza; a ter seriedade, mas sem afetação; a apreciar os amigos, mas relevar os ignorantes e aqueles que formam opiniões sem fundamento.
  • Fronto (gramático, retórico e advogado romano) instruiu-me a olhar com atenção a inveja, a duplicidade de comportamento e a hipocrisia que carrega um tirano.
  • Severus (irmão do imperador) ensinou-me a prezar meus familiares, a verdade e a justiça; a conscientizar-me sobre a necessidade de vigilância sobre mim mesmo; e a fazer prevalecer um regime em que haja a mesma lei para todos e os direitos sejam iguais.
  • Meu pai mostrou-me a não ter vanglória nas coisas que os homens chamam de honrarias e glórias. Aprendi com ele a olhar para o que deveria ser feito e jamais para a fama ou glória que é alcançada pelos atos de um homem. Aprendi que é possível um homem habitar um palácio e não viver como um deus, mas aproximar-se do popular, respeitando aquilo que deve ser feito para o bem público de uma maneira que convém a um governante.

Fonte de pesquisa:
Meditações/ Marco Aurélio/ Editora Pé da Letra

Historiando Fábulas – A CABEÇA E O RABO DA COBRA

Autoria de Lu Dias Carvalho

A jiboiaçu rastejava preguiçosamente próxima à margem de certo rio amazônico, quando sua cabeça e cauda entraram num embate que foge a qualquer encadeamento lógico. O que poderia levar as duas partes de um mesmíssimo corpo a um enfrenta- mento tão irracional, como se diferentes seres fossem? Se ambas dependiam de reciprocidade, que bobagem era aquela de caírem numa altercação?

Um urutau que a tudo observava com esmerada atenção, decifrou a causa da quizila: a cabeça queria seguir adiante em busca de alimento, mas o rabo desejava um lugar fresco para descansar e em razão disso uma discussão travou-se entre as duas partes. Os bichos confabulavam, dizendo que aquilo era coisa de fim do mundo. Alguns até apostavam para ver como acabaria aquela bizarra rusga. Irritado, o rabo falou para a cabeça:

— Você está sempre a tomar a direção de tudo, enquanto eu, sempre na retaguarda, só faço obedecer. Tenho sido seu escravo, enquanto você goza de plena liberdade para agir. Soberba, nem ao menos olha para trás para ver como me encontro, achando que onde entra a cabeça também passa o rabo. O que é verdade no meu caso, mas muitas vezes por ali passo todo escalavrado, batendo numa coisa e noutra ao longo do trajeto. Clamo aos deuses para que a justiça se faça de imediato.

O grande Júpiter — também conhecido por Zeus pelos gregos antigos — passeava sobranceiro pelos céus, até que uma viração levou aos seus ouvidos os rogos do rabo. Achou aquela solicitação bem esquisita, totalmente desprovida de bom senso. Jamais recebera ou ouvira falar de pedido semelhante, mas resolveu atendê-lo — muito mais por diversão do que por sensatez —, queria saber como um rabo poderia servir de guia à cabeça. Assentou – se numa nuvem e pôs-se a observar a cena.

O rabo ia à frente, sem enxergar um palmo adiante do nariz — se nariz tivesse —, trombando aqui, escorregando acolá, sem rumo e nem prumo, enquanto a cabeça — enlouquecida e desgovernada — seguia atrás, mal se mantendo erguida, enquanto os bichos arregalavam os olhos sem saber no que iria dar aquela danura. O perturbado e zureta rabo, não tendo visto o despenhadeiro, por suas encostas escorregou-se. O corpo da jiboiaçu desceu destrambelhado e, ao final de muitos metros, cabeça e rabo separaram-se para sempre… Esfacelados!

Moral da História

O exercício de liderança exige bem mais que apenas se postar à frente.

Moral da História
A precaução é uma das mais importantes vertentes da sabedoria.

Livro à venda
Capa dura, 545 páginas, 170 fábulas (incluindo apólogos)
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O RATO E A RATOEIRA

Autoria de Lu Dias Carvalho

Diferentes tipos de cereais enchiam o celeiro de certo fazendeiro. De uma feita,  ele  notou que um rato andava zanzando por ali, porque muitas espigas de milho encontravam-se roídas. Era preciso pegá-lo antes que proliferasse, aca- bando com suas valiosas provisões. Aqueles bichinhos procriavam logo após o terceiro mês de vida, sendo que o tempo de gestação era curto, durando em média 22 dias, podendo a fêmea parir entre cinco e 12 filhotes por vez — o que não era pouco.

O homem comprou na cidade uma potente ratoeira. Em casa armou-a com um pedaço de queijo e botou-a próxima ao balaio com milho.

O rato que não era tolo, ficou a espreitar a entrada do fazendeiro no celeiro, pois sentira de longe o cheiro do queijo — guloseima que muito apreciava — e pôs-se a espiar seus passos. Ao notar que o objeto deixado era uma ratoeira — armadilha muito conhecida de sua espécie —, sentiu-se amedrontado. O roedor tinha ciência de que era preciso contar aos bichos sobre o que avistara, antes que algum deles caísse na esparrela. E foi exatamente o que o espertinho fez:

– Amigos, um grande perigo nos ronda na figura de uma maldita ratoeira. Temos que dar um jeito de eliminá-la, antes que nos mate. Unamo-nos e tratemos de dar a ela um fim imediatamente.

– Uma ratoeira não é um problema para mim — falou a galinha.

– Tampouco para mim! — exclamou o porco.

– O que uma ratoeira poderá me fazer de mal? — inquiriu a vaca.

– O rato quer salvar a pele às nossas custas — debochou a ovelha.

O roedor nada pode fazer, senão voltar para casa abatido com a omissão dos companheiros de fazenda. À noite, porém, a mulher do fazendeiro ouviu um barulho e correu para ver se o rato fora preso na armadilha, mas ali estava uma cobra venenosa presa pelo rabo e que acabou por picá-la.

As criadas deram à mulher uma canja de galinha, pois ela se encontrava acamada e fraca. Para suprir a fome dos amigos visitantes, mataram o porco. E com a morte da desafortunada mulher que não resistiu ao veneno da víbora foram sacrificadas a ovelha e a vaca para alimentar todas as gentes que vieram participar do funeral.

Moral da História:
O problema de um pode estar fortemente atrelado ao dos demais.

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Historiando Fábulas – A BORBOLETA E A CHAMA

Autoria de Lu Dias Carvalho

Uma borboleta cismou de conhecer outras paragens. Os insetos diziam-lhe que tal aventura seria muito perigosa em razão de sua fragilidade. Ela lhes explicou que trazia nas asas um desenho semelhante ao rosto de uma coruja com grandes olhos abertos, o que amedrontaria seus predadores — tratava-se de um mimetismo para que dela se esquivassem. Assim, a borboleta-coruja que sempre vivera no recôndito da floresta tropical brasileira partiu com mala e cuia em busca de outros ares, a fim de agregar novos conhecimentos à sua vida.

O inseto voou ao longo de muitos crepúsculos, até avistar uma luz resplandecente que se desdobrava em vários halos dourados, quedando-se ele em encantamento, pois nunca vira nada igual. Conhecera apenas   o luzir dos vaga-lumes e os poucos raios solares que se adentravam nos entremeios da densa selva. Pôs-se a voar ainda mais rapidamente para vê-la de perto, antes que findasse seu curto ciclo de vida.

Ao aproximar-se da luz, a borboleta-coruja sentiu o desejo de tocá-la — como fazia com as flores —, mas, ao achegar-se à chama, foi envolvida por um intenso calor que lhe chamuscou as pontas das asas, fazendo-a cair estonteada. Não conseguia entender o que estava acontecendo. Algo tão encantador jamais lhe poderia fazer mal. Talvez estivesse hipnotizada por sua fascinação. Tentaria de novo, ainda que meio enfraquecida, pois não enfrentara os perigos da noite em vão.

Na sua segunda investida, a borboleta-coruja deu duas voltas em torno da chama, mas, por precaução, manteve dela certa distância. Nada lhe aconteceu. Resolveu aproximar-se mais no intuito de pousar sobre ela. Roçá-la com suas patinhas foi o suficiente para que tombasse agonizante, lamentando sua estupidez e rogando às forças da natureza que destruíssem aquele ser cruel, pois o que tinha em beleza duplicava-se em crueldade. Compungida, a chama tentou alentá-la, dizendo-lhe:

— Minha ingênua borboleta, não se pode abrir mão da prudência em qualquer que seja a fase da vida. É preciso moderação. Observe a busca insana e insensata do homem por bens e poder, o que acaba por levá-lo à ruína. Quem também se aproxima de mim sem cautela, acaba se queimando. A culpa não é minha, pequenina, mas da ambição desmedida do sujeito da ação. Lamento muito a sua morte, mas nada posso fazer!

Moral da História
A precaução é uma das mais importantes vertentes da sabedoria.

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HISTORIANDO FÁBULAS

Autoria do Prof. Rodolpho Caniato

É com grande satisfação que faço a abertura do livro Historiando Fábulas da escritora Lu Dias Carvalho, grande militante das letras e das artes. É notável a sensibilidade da autora para “sintonizar” as diversas “frequências” em que as palavras “guardam” suas “mensagens”. Em seu livro “Historiando Fábulas”, o leitor irá encontrar significados nunca dantes “navegados” nas fábulas dos grandes mestres do gênero, recontadas por ela numa linguagem transposta para o nosso tempo — sempre acrescentando algo de novo.

É curioso como através de tantos séculos chegaram até nós e continuam vivas aquelas “clássicas” fábulas, como as atribuídas a Esopo — o grego do Séc. VI a.C. — ou as de Fedro — o romano contemporâneo de Tibério e de Nero — e até mesmo as “novas” de La Fontaine — o francês contemporâneo de Isaac Newton (Séc. X VII) e protegido do “delfim” de França —, mesmo essas clássicas aqui ganham um gosto novo e diferente. Há nestas um ingrediente de “causo”, uma mineirice que as torna mais gostosas; mais adequadas para serem desfrutadas ao pé do nosso fogão a lenha e do café com bolo de milho ou pão de queijo.

A fábula está entre as mais ancestrais das artes humanas. Talvez tão velha quanto os primeiros mitos de origem de nossa própria espécie. É certamente a mais velha das formas de literatura. Contar histórias deve ter precedido a mais remota literatura escrita. A fábula poderia ser tomada como uma das manifestações que distinguem a espécie humana das demais que habitam o nosso planetinha Terra. É uma atividade autenti- camente “humana”, manifestação dos “valores” que o homem descobriu ou criou. Antes da fábula, só o episó- dio do “espelho”, ou melhor, do reflexo na água, pode ter sido mais ancestral e significativo.

Durante milênios o homem pode ter visto sua imagem refletida na água sem se dar conta de que “aquele sou eu”. Esse “momento” do reconhecimento de si próprio deve ter sido a grande “virada” da espécie: o início, o “pecado original”. O “esse sou eu” visto de “fora”, deve ter mudado os indivíduos em sua visão de si mesmos e a dos “outros”. Talvez tenha a ver com isso a ideia de “pecado original”, a capacidade de olhar para si próprio, visto de “fora”: o refletir sobre si mesmo — afinal essa é uma das pretensões e objetivo da fábula na sua moral.

 Outro aspecto curioso relacionado às fabulas é que, tanto quanto sabemos em nossa cultura ocidental, elas fazem sua aparição formal com Esopo — no Séc. V a.C. —, embora sua origem mais remota seja — já naqueles dias — atribuída a assírios e babilônios. É desse mesmo cenário e nesse mesmo tempo que a civilização grega parece herdar e começar a organizar e incrementar a herança de assírios e babilônios nos conhecimentos de astronomia. Esopo, Pitágoras e Anaxágoras estão muito próximos nesse cenário e no tempo, além de viverem logo depois de Anaximandro — o explicador dos eclipses. O que fica evidente é que tanto na fábula, Esopo, quanto na astronomia, Anaximandro, são e se dizem herdeiros da cultura mesopotâmica de assírios e babilônios.

Uma das heranças babilônicas mais importantes e mais remotas para a astronomia é a descoberta do “caminho” aparente do Sol e dos planetas por uma estreita faixa do céu a que se chamou de eclíptica. Essa faixa foi dividida — ainda pelos babilônios — em doze partes iguais e a cada uma delas foi dado o nome de uma figura mítica, sugerida pela configuração das estrelas naquele lugar. Essa figura mítica é quase sempre a de algum animal. É quase inevitável, portanto, a associação de uma remota origem comum entre a fábula e a astronomia. Com La Fontaine — companheiro de Racine e de Rabelais — “FABLES”, na forma de poesia, atinge o mais alto grau de prestígio na literatura. Ainda contribuiu para o grande prestígio da fábula o fato de aquela grande edição — dedicada ao jovem Delphim Luis X IV — ter sido decorada com as belas gravuras de Oudry, o pintor da corte da França.

Enfim, desde origens tão remotas as fábulas representam importante forma de expressão, de sabedoria e de preceitos de moral que se materializaram em episódios de fácil entendimento, envolvendo animais para que os homens sintam-se “a salvo”. Essas assumem cores, valores e sabores peculiares nos diferentes meios e culturas. Neste caso — o de nossa mineiríssima autora Lu Dias Carvalho —, elas representam contribuição para uma gostosa leitura, juntando aos preceitos de moral vários sabores novos e bem brasileiros, além de tornar ainda mais popular este gênero fantástico da literatura.

Contato para compra: ludiasbh@gmail.com

A DESCOBERTA DOS CRIZINLINS

Autoria de Lu Dias Carvalho

“Quanto mais cedo se conhece o perigo, maiores são as chances de se distanciar dele.”

Foi acreditando nisso que o escritor Francisco Carvalho, mineiro de Pará de Minas, resolveu escrever a obra que dá nome ao título: “A Descoberta dos Crizinlins”. Trata-se de uma fábula que se desenrola no interior do nosso país, com nomes e personagens genuinamente brasileiros (Caxiri, Iandê, Aranda, Tainá e Xauim), tendo como proposta, além do entretenimento, alertar as crianças sobre o real perigo do uso de drogas. Que o digam os seus inúmeros personagens. Abaixo encontra-se uma sinopse da história.

Em uma ilha escondida entre os rios da maior floresta do mundo. Os animais levavam uma vida pacata e sem maiores preocupações. E nem poderia ser diferente. Ali, ninguém sabia o porquê, mas quem reinava soberano era o bicho-preguiça Angatu, que tinha o respeito e a consideração de todos.

Apesar de quase nunca se estressar, a responsabilidade do cargo acabou lhe causando alguns desgastes emocionais. Foi quando, para surpresa de todos, ele se viu forçado a tirar umas férias. Surgiu então a necessidade de escolher o seu substituto. Essa questão seria decidida através da realização de uma maratona de três jogos, onde o vencedor teria como prêmio a oportunidade de assumir o trono, durante o período em que o mandatário estaria ausente.

Dois candidatos aceitaram o desafio: Caxiri, o gato selvagem, e o quati vermelho de cauda anelada, que se chamava Iandê. Durante o desenrolar dos jogos aconteceram fatos estranhos que culminaram com a descoberta da existência de drogas e dos perigos que elas representam.

O livro acaba de ser lançado pela Kotter Editorial, e já pode ser adquirido através do link https://kotter.com.br/loja/a-descoberta-dos-crizinlins-francisco-paiva-de-carvalho/