AÇÚCAR – O DOCE AMARGO

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Autoria de Sérgio Puppin*

A Humanidade evoluiu durante milhares de anos nutrindo-se dos alimentos que a natureza lhe oferecia. E quais foram os alimentos responsáveis por nossa evolução através dos tempos? Simplesmente aqueles que estavam ao alcance da mão: frutas, raízes, frutos do mar, aves, ovos, carnes em geral, gorduras e leite. O homem depois de descobrir que alimentos lavados na água do mar ganhavam um sabor especial, incorporou o sal à sua dieta. Em contrapartida, verificou que o mel conferia um sabor doce aos alimentos – e este passou a ser o seu adoçante. E assim, como temperos e condimentos, o homem foi selecionando gradualmente o que hoje se tornou requinte nas melhores cozinhas do mundo.

Apesar de na Antiguidade a vida média das pessoas ser menor devido às duras condições de existência, muitas das doenças que atualmente são quase epidêmicas, naquele tempo eram menos frequentes, dentre elas as doenças cardiovasculares e o próprio câncer. Há menos de dez mil anos o homem dominou o cultivo das sementes, dando início à agricultura moderna. Há menos de mil anos conseguiu extrair o açúcar da natureza e há pouco mais de 400 anos praticamente universalizou seu consumo. Certamente este foi um dos principais fatores da disseminação da obesidade, do diabetes e outras doenças crônicas.

Atualmente a bioquímica humana revela que o coração é dependente de gorduras, proteínas, vitaminas e sais minerais, mas de nem um miligrama sequer de açúcar. Por outro lado, o cérebro necessita da glicose proveniente dos alimentos. Por que então não ingerir grandes quantidades de açúcar para nutrir nosso cérebro? A glicose, leia-se o açúcar dos alimentos, não faz mal à saúde. O problema está no açúcar refinado. Durante o refino, inúmeros produtos químicos são utilizados para que o veneno doce fique branco, bem solto e bonito. Nesta hora, as fibras, os sais minerais, as proteínas e demais nutrientes são eliminados e o que sobra é um produto químico que é apenas calorias vazias. Afora isso, o consumo de açúcar produz um estado de superacidez que desmineraliza o organismo. O corpo então passa a ter falta de cálcio, magnésio, zinco, cobre e selênio, dentre outros nutrientes.

A sacarose é constituída de duas moléculas, uma de glicose e outra de frutose. A glicose que o açúcar refinado fornece à dieta é supérflua e nociva; a frutose, por sua vez, é a matéria-prima para formar colesterol. Assim, o açúcar refinado contribui duplamente para elevar o colesterol, já que a glicose estimula a produção de insulina e esta sinaliza para maior produção de colesterol pelo fígado. Para aqueles que consideram o colesterol um verdadeiro assassino culpado pelas doenças cardiovasculares, lembro que tanto a hiperinsulinemia quanto a hiperglicemia, fenômenos exacerbados pelo consumo de açúcar – são fatores maléficos mais importantes do que o colesterol. Por isso há uma tendência entre os médicos a recomendar taxas de glicose abaixo de 100 mg/dl e de insulina inferiores a 8 moUI/ml.

O culto do açúcar se inicia ainda nos primeiros dias de vida, quando as mamães mergulham as chupetas no açucareiro para acalmar os bebês e evitar que chorem. E continua ao longo da infância sendo estimulado pelos pais que oferecem doces e balas aos seus filhos, como presentes e prêmios. Sem contar com a televisão, que nos bombardeia com anúncios sedutores para induzir-nos a consumir esse doce que nos mata. Tornar-se escravo dele é muito fácil, pois sua absorção é extremamente rápida, logo alcançando o cérebro, onde juntamente com a insulina libera triptofano, que se converte em serotonina, a qual tem ação tranquilizante. Por isso é que quando uma pessoa está nervosa logo se oferece um copo de água com açúcar, que acalma.

Este livro intitulado “O LIVRO NEGRO DO AÇÚCAR” dá continuidade à luta iniciada com a obra “Sugar Blues” de William Dufty. Fernando Carvalho, porém, atualiza e confere mais consistência e dureza à crítica do açúcar feita pelo autor americano. Escrita num estilo franco e corajoso sua obra é um verdadeiro desafio aos homens e instituições responsáveis pela saúde pública em nosso país.

De forma didática, às vezes um tanto menos doce, mas com um toque de humor, o autor expõe a saga do açúcar desde seu advento na história, e sua evolução através dos tempos; mostra como o açúcar hoje impregna e encontra-se oculto nos mais diversos produtos, sobretudo nos alimentos industrializados. Seu livro é um verdadeiro eu acuso! Um alerta para as consequências desastrosas dessa situação. Fernando Carvalho defende a tese de que o açúcar, apenas ele, é o aditivo químico responsável pelo caráter patogênico da dieta humana e propõe, nada menos, que ele seja abolido da mesa com açucareiro e tudo. Parte da comunidade médico-científica e dos profissionais de saúde será tomada de surpresa.

Fruto de um trabalho de pesquisa bem documentado, o alvo deste livro é o público em geral, mas tenho a certeza de que sua leitura proporcionará mesmo aos médicos e nutricionistas importantes esclarecimentos. Uma obra que efetivamente contribuirá para SALVAR MUITAS VIDAS!

*Sérgio Puppin, cardiologista e nutrólogo, é professor do Curso de Geriatria e Gerontologia da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, membro da Academia de Ciências de N ova York e autor dos livros Doenças cardiovasculares, verdades e mitos e Ovo, o mito do colesterol.

6 comentaram em “AÇÚCAR – O DOCE AMARGO

  1. Fernando Carvalho

    Queridos amigas e amigos do Vírus da Arte, algumas observações:

    – Esta imagem de capa usada pela Lu é a capa que o principal pirata criou para meu livro. A capa original é preta escrita açúcar na parte superior da capa e no meio tem uma caricatura de um crânio de autoria de Cássio Loredano. O pirata vendia pelo Mercado Livre a princípio como CD, depois evoluiu para e-book.

    – Uma vez me dirigi ao Mercado Livre para denunciar o fato, me responderam que pediram para que a cópia pirata fosse retirada, mas o pirata fez como um bom camelô, quando o rapa se aproximou ele retirou a mercadoria, depois que o rapa passou ele voltou ao trabalho.

    -Agora vejam que coisa interessante, uma professora de educação física de Brasília descobriu meu livro com o pirata e adotou a obra em sala de aula. E ela usa a capa do pirata. Decidi deixar o pirata em paz e ainda sou grato a ele por ter ajudado a divulgar minha obra.

    – Uma curiosidade. Quando me dirigi ao consultório do doutor Puppin para pedir o prefácio, fui atendido pela esposa dele que não se encontrava. Disse-lhe que escrevera um livro sobre o açúcar e queria pedir um prefácio ao Dr Puppin. Ela me respondeu “Nós somos contra o açúcar’. Respondi-lhe: “Por isso mesmo…”.

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  2. Mário Mendonça

    Lu

    O “pó branco que vicia” foi fomentado no Brasil, extraído a suor e sangue pela negritude que sempre foi explorada no patropi! Infelizmente não vemos isso nos livros escolares, que precisam ser revisados!

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    1. Lu Dias Carvalho Autor do post

      Mário

      O açúcar aqui foi um dos motivos da vinda da África de nossos irmãos negros. Vergonha!

      “O açúcar nasceu na Ásia no século 5, atravessou continentes, já foi artigo de luxo na Europa e chegou ao Brasil no século 16, onde, até hoje, exerce importante papel na economia do país. Nesta série de reportagens, vamos contar um pouco dessa história”. Veja o artigo:

      https://www.copersucar.com.br/noticias/como-o-acucar-chegou-ao-brasil-copersucar/

      Abraços,

      Lu

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  3. Lu Dias Carvalho Autor do post

    Excelente artigo do cardiologista Sérgio Puppin, retirado do livro “O Livro Negro do Açúcar” (presente em PDF no Google), obra do autor Fernando Carvalho.

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