Arquivo da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Giorgio Morandi – A CASA ROSA

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Giorgio Morandi (1890 – 1964) veio de uma família muito modesta da cidade de Bolonha, onde nasceu. Seu pai Andrea era um pequeno comerciante e sua mãe Maria Maccaferri dona de casa. Foi o primeiro de cinco irmãos.  Após os estudos regulares, ele trabalhou no escritório de seu pai por um tempo. Embora sua cidade fosse desprovida de tradições artísticas, ali havia uma Academia de Belas Artes, onde o rapazinho veio a estudar, mesmo percebendo que o ensino ministrado pela academia era muito limitado. Passou a completar sua instrução com a leitura de livros e revistas de arte, vindas da França, pois naquela época a Itália vivia um período de relativa obscuridade.

A pintura denominada “A Casa Rosa” é uma obra do artista. A casa apresenta muros rosados, uma vegetação simples e o céu quase sem cor. A paisagem faz imaginar uma existência tranquila e mais interiorizada. O artista deixa patente que não o assunto que lhe interessa, mas, sim, as formas, as cores e o valor plástico das coisas. O objeto pintado sempre tem algo a dizer, em razão da visão sensível que ele traz da realidade.

Assim como os utensílios pintados por Morandi, a paisagem é sempre anônima em suas obras. Tudo tem um valor especial que toca a sua sensibilidade.

Ficha técnica
Ano: 1925
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 42 x 45 cm
Localização: Coleção Particular

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Mestres da Pintura – GIORGIO MORANDI

Autoria de LuDiasBH

O pintor que nos dá a impressão de ter verdadeiramente santificado a realidade é Giorgio Morandi. (De Chirico)

Morandi se comove na ação de pintar e nela se concentra com muito amor e sentimento, dedicados com igual intensidade a cada centímetro do quadro. (Alberto Martini)

O pintor italiano Giorgio Morandi (1890 – 1964) veio de uma família muito modesta da cidade de Bolonha, onde nasceu. Seu pai Andrea era um pequeno comerciante e sua mãe Maria Maccaferri dona de casa. Foi o primeiro de cinco irmãos.  Após os estudos regulares, trabalhou no escritório de seu pai por um tempo. Embora sua cidade fosse desprovida de tradições artísticas, ali havia uma Academia de Belas Artes, onde o rapazinho veio a estudar, mesmo percebendo que o ensino ministrado pela academia era muito limitado. Ele passou a completar sua instrução com a leitura de livros e revistas de arte, vindas da França, pois naquela época a Itália vivia um período de relativa obscuridade.

Mesmo seu país tendo pouco conhecimento sobre o Impressionismo que imperava na França, Morandi, ainda muito jovem, lia tudo que encontrava sobre o assunto. Foi assim que entrou em contato com o trabalho de Seurat, Cézanne, Rousseau, Picasso, Dérain e Braque. Ao visitar as telas de Renoir, na Bienal de Veneza, Morandi encantou-se com elas. Na cidade de Florença ele observou e estudou o trabalho dos mestres da Renascença: Giotto, Masaccio e Paolo Ucello. Em Roma, ao visitar a Exposição Internacional, ficou conhecendo as primeiras obras de Monet, mestre do Impressionismo. Contudo, embora buscasse aprender com os outros pintores, seu grande interesse era pelo trabalho de Cézanne.

Morandi participou em Roma da Primeira Exposição Livre Futurista, onde expôs seu trabalho pela primeira vez, aos 24 anos de idade, embora esse não estivesse ligado ao movimento e às suas concepções, objetivando apenas opor-se à tradição acadêmica. Também expôs em Bolonha, onde passou a ensinar desenho nas escolas. Porém, no ano seguinte, foi mobilizado para a guerra, mas acabou sendo reformado em razão de uma doença grave. Sua vida pessoal era rotineira e muito simples. Dedicava-se ao trabalho e à meditação na calmaria da velha casa familiar, sendo muito moroso na criação de suas obras, levando um a dois anos na feitura de uma tela. Fazia suas pinturas no estúdio, passeava à tarde e ia à escola dar aulas de desenho. Levando uma vida muito modesta, o pintor jamais teve dinheiro para longas viagens, não tendo conhecido nem Paris.

O artista, dono de um estilo em que a realidade do objeto, colhida em toda a sua pureza, era o mistério, atingiu sua maturidade com a pintura “Garrafa com Fruteira” em 1916, aos 26 anos de idade. Dois anos depois passou pelo período “metafísico”, mas voltou ao seu estilo tradicional, influenciado por Chardin (importante colorista francês do século XVIII, famoso por suas naturezas-mortas e interiores domésticos) e Corot (pintor conhecido por suas paisagens poéticas e retratos femininos). Participou de uma exposição em Berlim, ao lado de Chirico e Carrá. Já famoso tanto na Itália quanto no exterior, ganhou o prêmio da IV Bienal de São Paulo, em 1957.  Morreu aos 74 anos no mesmo lugar onde nasceu.

Morandi – um dos maiores nomes da arte italiana do século XX – foi um muito comprometido com seu trabalho que passou praticamente ignorado no seu país, envolvido à época com o fascismo. Ele era o poeta das coisas simples e da intimidade, sendo sempre fiel a si mesmo. Seus temas prediletos eram garrafas, utensílios de cozinha, flores e paisagens. Encontrava-se entre os poucos artistas capazes de ver beleza e poesia nos objetos domésticos, personagens comuns do cotidiano.  Sobre o trabalho do pintor expressa o crítico Alberto Martine: “O amor às coisas pequenas, infelizmente sempre desprezadas na Itália, poderá explicar a poesia sentida e murmurada que captamos ao admirar esses objetos de tão irrelevante valor material, que só valem enquanto desejados pelo espírito e ligados a uma saudade”.

Fonte de pesquisa:
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural

Konrad Witz – A ANUNCIAÇÃO

Autoria de LuDiasBH

O pintor Konrad Witz (1400 – 1445) nasceu como alemão, mas morreu como cidadão suíço, embora os dois países ainda o disputem como filho. Tanto pode ser encontrado como um “mestre da pintura alemã” ou como o “principal nome da escola suíça”. Seu nome aparece pela primeira vez em 1434, ao ser aceito pela guilda de pintores de Basileia, tendo se tornado cidadão daquela cidade no ano seguinte. Foi contemporâneo de Masaccio e Jan van Eyck. Suas figuras esculpidas e o seu interesse pela perspectiva e pelo realismo da paisagem de fundo tornam-no, ao lado dos contemporâneos citados, um dos nomes importantes da nova arte.

A composição religiosa intitulada A Anunciação é uma obra do artista que, mesmo vivendo na difícil época medieval, foi capaz de enfrentar os preconceitos de então. Trata-se de um painel de Nuremberg que faz parte de um retábulo dedicado à Virgem Maria, mas do qual não se encontra nenhum documento. O anjo apresenta-se à Virgem para anunciar-lhe que fora escolhida como a mãe do Salvador.

A cena acontece num quarto humilde de uma casa modesta, sem mobília e que traz a janela aberta. A Virgem encontra-se em oração num cômodo rústico e vazio . Traz nas mãos um grande livro de capa vermelha e volta seu olhar para baixo, com a entrada do anjo, como se tivesse pressentido sua chegada. A parede ao fundo mostra painéis e caixilhos de madeira. Vemos também traves, vigas, encaixes, junturas e pregos. Não há qualquer traço do subjetivismo fantástico.

A simplicidade da anunciação de Konraz Witz distancia-a das italianas – quase sempre majestosas – e das elegantes anunciações flamengas. Mesmo vivendo numa época em que os seres divinos (anjos, arcanjos, santos e santas) deveriam ser mostrados luxuosamente vestidos em ouro e no esplendor da glória, o artista ousou representar a Virgem como uma plebeia, uma pessoa comum.

Ficha técnica
Ano: c.1440
Técnica: tempera sobre madeira
Dimensões: 157 x 120 cm
Localização: Germanisches Nationalmuseum, Nuremberga

Fontes de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Géricault – RETRATO DE NEGRO

Autoria de LuDiasBH

O sensível pintor francês Jean-Louis-André Théodore Géricault (1791 – 1824), filho do advogado e comerciante Georges Nicolas e de Louise Jean-Marie Carruel, foi um dos mais famosos, autênticos e expressivos artistas do estilo romântico em seu início, na França. Sua mãe era uma mulher inteligente e culta. Desde a infância Géricault demonstrava interesse pelos desenhos e cavalos. A família mudou-se para Paris e sua mãe faleceu quando ele tinha dez anos, deixando-lhe uma renda anual. Na capital francesa o futuro artista tornou-se esportista, elegante e educado, frequentando os ambientes mais sofisticados. Embora seu pai não aprovasse a sua opção pela pintura, um tio materno resolveu o impasse, ao chamar o sobrinho para trabalhar com ele no comércio, mas lhe deixando um bom tempo livre para dedicar-se à pintura.

A composição intitulada Retrato de Negro é também uma das obras do artista que nutria grande solidariedade, preocupação racial e simpatia pelo movimento abolicionista. No período de 1822 a 1823 – dois anos antes de sua morte – ele pintou inúmeros retratos de negros. Pretendia criar uma grande tela evidenciando o tráfico negreiro, voltando o seu foco de pintor humanista para os dramas desses personagens, mas sua morte prematura, aos 32 anos, frustrou seus sonhos.

Géricault, neste retrato – iria fazer parte de sua ambicionada tela sobre o tráfico negreiro –, faz com que, através de suas pinceladas, os olhos do personagem falem. Neles estão contidos suas saudades e o sonho nostálgico, ainda que sem esperança, de um dia saborear a liberdade. A composição repassa uma grande simpatia do pintor pelo retratado.

Ficha técnica
Ano: 1822/1823
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 45 x 37 cm
Localização: Museu Drenon, Châlon-sur-Saône, França

Fontes de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Géricault – A INSANIDADE MENTAL

Autoria de LuDiasBH

           

O sensível pintor francês Jean-Louis-André Théodore Géricault (1791 – 1824), filho do advogado e comerciante Georges Nicolas e de Louise Jean-Marie Carruel, foi um dos mais famosos, autênticos e expressivos artistas do estilo romântico em seu início, na França. Sua mãe era uma mulher inteligente e culta. Desde a sua infância Géricault demonstrava interesse pelos desenhos e cavalos. Sua família mudou-se para Paris e sua mãe faleceu quando o garoto tinha apenas dez anos de idade, deixando-lhe uma renda anual. Na capital francesa o futuro artista tornou-se esportista, elegante e educado, frequentando os ambientes mais sofisticados. Embora seu pai não aprovasse a sua opção pela pintura, um tio materno resolveu o impasse, ao chamar o sobrinho para trabalhar com ele no comércio, mas lhe deixando um bom tempo livre para dedicar-se à pintura.

Em seus dois últimos anos de vida (1822/1823) o artista pintou dez telas – estando cinco delas desaparecidas – sob a orientação do psiquiatra social Dr. Georget, no manicômio de Paris/França. Todas trazem a mesma temática: a insanidade mental e uma crítica clara à vida cheia de competições, invejas, buscas pelo falso poder e glórias, quando tudo é tão passageiro.

Os insanos apresentados pelo trabalho de Géricault não são vistos como criaturas bizarras, com esgares grotescos, mas carregam apenas – em maior grau – o comportamento patológico das atitudes humanas tidas como normais, mas que neles se mostram exacerbadas. Não existe a preocupação do pintor em mostrar um estudo científico dos transtornos mentais, seu foco é o drama humano da infelicidade contida na vida das pessoas, principalmente na busca obsessiva pelo falso poder e glórias.

É plausível que a visão do artista fosse ainda muito fraca no que diz respeito à ciência relativa à insanidade mental, numa época em que muito pouco havia sido descoberto. Mesmo assim ele tentou adaptar sua pintura à orientação do psiquiatra Dr. Georget, para quem a loucura era apenas um fenômeno moderno, uma consequência dos avanços sociais. Géricault mostrou apenas as causas visíveis que podem ser responsáveis pelos transtornos mentais: o sacrifício em busca do poder, da fortuna e do prestígio pessoal. Para ele, portanto, o alienado mental era, antes de tudo, uma vítima de si mesmo, ao não conter os ídolos tão exigentes e obsessivos que traz em si: riqueza, poder, prestígio e glorificação.

Os retratos acima, feitos dentro de uma perspectiva realística, ainda assim não isentos de compaixão e solidariedade apresentam:

  • Alienada Monomaníaca pelo Jogo
  • Alienado Afetado de Cleptomania
  • Alienada Monomaníaca pela Inveja
  • Alienado Monomaníaco pela Glória Militar

Ficha técnica

  • 77 x 64 cm/ Museu do Louvre, França, Paris
  • 60 x 50 cm/ Museu de Belas Artes, Gand, França
  • 72 x 58 cm/ Museu de Belas Artes, Lion, França
  • 86 x 65 cm/ Museu Kunst, Winterthur, Suíça

Fontes de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Caravaggio – DAVI COM A CABEÇA DE GOLIAS

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571 – 1610) nasceu no povoado de Caravaggio, cujo nome acabou por incorporar-se a seu nome. Também existe a hipótese de que tenha nascido em Milão. Era filho de Fermo Meresi, arquiteto e decorador de Francisco Sforza e de Lucia Aratori. Aos cinco anos de idade vivia em Milão com seus pais, cidade ocupada pela Espanha. Além das tensões geradas pela ocupação estrangeira, a fome e a peste também se faziam presentes. Em razão da peste, a família do futuro pintor retornou ao povoado de Caravaggio que também acabou sendo alcançado pela doença que ceifou a vida do pai, do avô e do tio do garoto. Lucia, a mãe, optou por permanecer ali com os filhos, distanciando-se do fanatismo religioso e da violência política que se espalhavam por Milão.

A composição intitulada Davi com a Cabeça de Golias é uma obra do artista barroco. Retrata um tema do Velho Testamento, do qual o pintor fez três versões, sendo esta a mais serena delas e também a mais original. Caravaggio não representa Davi como um herói e tampouco Golias é visto como um monstro da maldade. As formas firmes e brilhantes sobressaem com o fundo escuro da tela.

O jovem Davi, usando roupas simples que deixam seu peito direito nu, traz um saco às costas e a espada atrás do pescoço, equilibrando-se sobre seu ombro esquerdo. Sua mão esquerda, estendida para frente, segura a cabeça de Golias pelos cabelos. O jovem traz a cabeça do gigante afastada de si, como se quisesse mantê-la bem longe. Ele parece ainda não se dar conta do que acabara de fazer, sendo que sua expressão não denota júbilo, mas tristeza e certa compaixão.

Ficha técnica
Ano: c. 1606
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 90 x 115,5 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador