Arquivo da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Veronese – LUCRÉCIA APUNHALANDO-SE

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Paolo Caliari (1528-1588), mais conhecido pelo nome de Paolo Veronese, ou simplesmente Veronese, como lhe chamavam os amigos, é tido como um dos grandes artistas de Veneza. Foi educado em sua cidade natal, sendo seu pai, o cortador de pedras Gabriel Caliari, o seu primeiro mestre, ensinando-lhe a modelar o barro. Mas ao perceber o talento do filho para o desenho, enviou-o para o pintor Antonio Badile, aluno de Ticiano.  Veronese tornou-se grande amigo do pintor Battista Zelotti que também estudara com Ticiano.  Com ele foi tentar a sorte em Siena. Naquela cidade os dois amigos tiveram a sorte de arranjar serviço com um nobre que lhes confiou a ornamentação de seu palácio. Esse trabalho foi muito importante para Veronese, pois aprendeu com seu amigo Zelotti importantes lições sobre o uso da cor e da composição, ensinadas pelo mestre Ticiano.

A composição intitulada Lucrécia Apunhalando-se é uma obra-prima do artista, executada nos seus derradeiros anos de vida. Apresenta a suntuosa figura de Lucrécia, saída de um fundo escuro, inclinada para a sua direita e ornada de ricas joias. Ela é alumiada por uma luz oculta, responsável por dar ênfase à sua pele, aos cachos dos cabelos louros adornados com joias, à blusa que lhe cai pelos ombros e ao cachecol de seda verde-oliva, enquanto o punhal que dará fim à sua vida fica oculto pela sombra.

Conta a história que Lucrécia era a esposa virtuosa de Lucius Tarquinius Collatinus e que, ao ser estuprada por Sextus Tarquinius, optou por cometer suicídio, pois não poderia viver com aquela vergonha, o que garantiu à lendária dama romana um lugar na série de grandes mulheres da pintura europeia, especialmente nos círculos da corte, onde elas eram retratadas como exemplos de virtude.

Ficha técnica
Ano: 1580
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 109 x 91 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Weyden – A VIRGEM E O MENINO

Autoria de Lu Dias Carvalho

Na composição A Virgem e o Menino, do pintor Roger van der Weyden, Maria está majestaticamente assentada com o seu Menino no colo.

Maria, ricamente vestida, simboliza A Virgem do Leite, ao trazer o seio direito descoberto. Ela enlaça o filho com a mão direita, sem tampar totalmente sua genitália. Suas mãos estão em posição de preces. Esta composição foi considerada imoral pela Contra Reforma.

O Menino está nu, assentado sobre um pano branco no colo da mãe. No braço direito dobrado sobre o corpo,  sua mãozinha traz dois dedos erguidos, como se estivesse a abençoar, enquanto a esquerda segura a ponta do pequeno lençol. Sua nudez simboliza a sua humanidade, pois o dogma da Encarnação diz que “O filho de Deus veio ao mundo inteiro em todas as partes que constituem um homem.”.

Dados técnicos
Ano: c.1460
Técnica: painel
Dimensões: 49 x 31 cm
Localização: Musée des Beaux – Artes, Caen, França

Fonte de pesquisa
Cristo na Arte/ Manuel Jover

Velázquez – A INFANTA MARGARIDA…

Autoria de Lu Dias Carvalho

                         

O pintor espanhol Diego da Silva Velázquez (1599-1660) encontra-se no rol dos maiores pintores da história da arte. Seus pais, Juan Rodríquez da Silva e Jerónima Velázquez, ambos de Sevilha/Espanha, faziam parte da pequena nobreza e gozavam de pequeno prestígio social e político. Ao descobrirem o talento do primogênito da família para o desenho, tudo fizeram para encaminhá-lo em sua vocação.

Aqui apresentamos duas obras do artista intituladas:1. A Infanta Margarida com a Idade de Três Anos ou a Infanta Margarida com Vestido Cor-de-rosa; 2. A Infanta Margarida com a Idade de Oito Anos, também conhecido como Infanta Margarida num Vestido Azul. É provável que o retrato da Infanta com a idade de três anos tenha sido o primeiro de muitos retratos que Velázquez fez sobre ela. O segundo foi feito um ano antes da morte do artista.

No primeiro retrato, a princesa, ainda bebê, tem um rosto rechonchudo e corado, com grandes olhos escuros. Ela se encontra de pé, trazendo a mão esquerda apoiada numa pomposa mesa forrada com tecido azul. Um vaso com flores quebra a severidade da mesa. O fundo suavemente sombreado contrasta com o tapete preto e vermelho, atenuado pelos tons verde e cinza vistos no vestido da menina.

No segundo retrato, o artista restringe sua paleta a tons azuis, prateados, brancos e marrons. Estão presentes várias texturas no vestido de seda, renda na gola, corrente de ouro, capa de pele (na mão da princesa). A Infanta, com expressão solene, posa para o retrato oficial que seria remetido a seu tio, o Imperador Leopoldo I, com quem viria a  casar-se aos 16 anos de idade. Ao fundo vê-se uma mesa de console alta com um espelho atrás. É tido como o retrato mais sensacional que Velázquez fez da garotinha imperial que morreria muito jovem.

Nota: A Infanta Margarida faleceu meses antes de completar vinte e dois anos, em consequência de um parto prematuro. Possuía uma saúde frágil, triste herança de décadas de casamentos consanguíneos entre os Habsburgo.

Ficha técnica das obras
Ano: 1653
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 127,5 x 99,5 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Ano: 1659
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 127 x 107,3 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Carpaccio – SANTO AGOSTINHO NO ESTÚDIO

Autoria de Lu Dias Carvalho
                                           (Clique na imagem para ampliá-la.)

O pintor italiano Vittore Carpaccio (c. 1465–1525/26) era filho de um comerciante de peles. É tido como um dos grandes nomes do Renascimento veneziano. Foi assistente de Gentile Bellini e possivelmente seu aluno, tendo ajudado seu irmão Giovanni Bellini a decorar o palácio Ducal, mas sua obra foi destruída no incêndio de 1577. Além destes dois grandes nomes da pintura italiana, Carpaccio também foi influenciado por Antonello da Messina. Infelizmente se conhece muito pouco da vida do pintor.

A composição intitulada Santo Agostinho no Estúdio é uma obra do artista. Foi executada com o objetivo de decorar a Scuola degli Schiavoni e faz parte de um conjunto de nove obras, configurando o segundo ciclo do artista, quando ele se encontrava no auge de seu talento, realizando criações excepcionais, tanto no manejo das cores quanto na descrição das cenas. Coube a Carpaccio decorar a sede da associação com obras ilustrativas da vida dos santos: São Jorge, São Trifão e São Jerônimo.

A obra conhecida como Santo Agostinho no Estúdio é a mais importante da série, sendo riquíssima em detalhes, algo jamais visto na história da pintura veneziana. O ambiente onde o santo se encontra está cheio de pormenores. Inúmeros objetos são vistos, não a esmo, mas cuidadosamente analisados pelo pintor e que representam, ao mesmo tempo, um símbolo visual e uma forma perfeita.

A presença de São Jerônimo na obra dá-se através do raio de luz envolvendo tudo, a penetrar pela janela do estúdio de santo Agostinho, a fim de anunciar-lhe sua morte que se encontra próxima e subida ao céu.  O cãozinho e o santo observam extasiados a luz que incide sobre o ambiente.

Ficha técnica
Ano: c.1503
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 144 x 208 cm
Localização: Schuola di San Giorgio degli Schiavoni, Veneza, Itália

Fontes de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Géricault – O OFICIAL DOS CAÇADORES…

Autoria de Lu Dias Carvalho

O sensível pintor francês Jean-Louis-André Théodore Géricault (1791–1824), filho do advogado e comerciante Georges Nicolas e de Louise Jean-Marie Carruel, foi um dos mais famosos, autênticos e expressivos artistas do estilo Romântico em seu início na França. Sua mãe era inteligente e culta. Desde a sua infância Géricault demonstrava interesse pelos desenhos e cavalos. Sua família mudou-se para Paris e sua mãe faleceu quando o garoto tinha dez anos, deixando-lhe uma renda anual. Na capital francesa, o futuro artista tornou-se esportista, elegante e educado, frequentando os ambientes mais sofisticados. Embora seu pai não aprovasse sua opção pela pintura, um tio materno resolveu o impasse, ao chamar o sobrinho para trabalhar com ele no comércio, mas lhe deixando um bom tempo livre para dedicar-se à pintura.

A composição O Oficial dos Caçadores a Cavalo Durante a Carga é uma obra do artista. Com esta obra ele expõe, pela primeira vez, em 1812, no Salão, mas como a obra em nada lembrava a pintura neoclássica, recebe uma acolhida hostil por parte do júri, o que leva o pintor até a pensar em destruí-la.

A pintura apresenta um soldado montado num cavalo branco, trazendo uma espada desembainhada e levantada na mão direita. A composição é cheia de inquietação, de movimentos e de cores brilhantes, trazendo o fundo o mesmo clima.

Ficha técnica
Ano: 1812
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 53 x 40 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Magritte – O JÓQUEI PERDIDO (1940)

Autoria de Lu Dias Carvalho

A mente ama o desconhecido. Ela adora imagens cujo significado é desconhecido. (René Magritte)

O desenhista, ilustrador e pintor belga René François Ghislain Magritte (1898–1967) era filho de Léopold Magritte – alfaiate e comerciante têxtil – e Régina. Ingressou ainda muito novo na Académie Royale des Beaux-Arts/Bruxelas (1916 a 1918), ali permanecendo apenas dois anos, pois achava as aulas improdutivas e pouco inspiradoras. Começou a pintar aos 12 anos de idade. Suas primeiras pinturas – datadas de cerca de 1915 – eram de estilo impressionista. Já as que criou durante os anos de 1918 a 1924 receberam influência do Futurismo e do Cubismo figurativo de Metzinger. Era um homem agnóstico, taciturno e aparentemente tímido que cultivava opiniões políticas de esquerda. 

A composição intitulada O Jóquei Perdido é uma obra do artista. Trata-se de sua primeira obra à qual permitiu receber o rótulo de “surrealista”, embora obras anteriores já mostrassem características do estilo que viria a torná-lo reconhecido. Magritte tinha a corrida de cavalo, com o cavaleiro perdido numa paisagem ilógica, como um de seus temas prediletos. Fez muitas pinturas com essa mesma temática, apenas mudando ligeiramente suas versões.

A pintura apresenta um jóquei montado em seu cavalo, perdido num mundo totalmente irreal em que o tronco das cinco árvores (em formato de bilboquê) é feito de pauta musical. Seus galhos despidos de folhas parecem os chifres de um veado-galheiro. Ele se encontra num palco coberto de madeira, tendo como piso um pano branco riscado com finas linhas geométricas, e enquadrado por cortinas escuras – cenário de teatro comum às primeiras criações do artista. Imaginam alguns que a presença de pautas musicais é uma homenagem ao pianista e compositor Mesens e a seu irmão Paul – músico que estudou com Mesens.  

A árvore bilboquê à direita, próxima à cortina, encontra-se numa posição surreal, pois ao mesmo tempo em que se mostra atrás da cortina, também se apresenta à sua frente.

Ficha técnica
Ano: 1926
Técnica: colagem
Dimensões: não encontradas
Localização: coleção privada

Fontes de pesquisa
Magritte/ Editora Taschen
https://www.renemagritte.org/the-lost-jockey.jsp