Arquivo da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Francesco Albani – O RAPTO DE EUROPA

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada Rapto de Europa é uma obra do pintor barroco italiano Francesco Albani (1578-1660) que nela representa um acontecimento da mitologia grega. Gostava de pintar objetos idílicos de antigos mitos ou representações. Ele trabalhou tanto com assuntos mitológicos e alegóricos quanto assuntos piedosos, como mostram os 45 retábulos criados por ele.

O artista apresenta em sua obra o momento em que Zeus — o deus dos deuses — depois de apaixonar-se pela bela princesa Europa, filha do rei da Fenícia, rouba-a. Para enganá-la e aproximar-se dela, ele toma a forma de um touro branco. Inocentemente, ela monta em seu dorso, deixando-se levar por ele. Só que Zeus leva-a para Creta.

Sete seres alados acompanham Europa e o touro, sendo que uma ave parece indicar o caminho. O deus Hermes — o mensageiro dos deuses — segue-os. Na margem os amigos da princesa mostram-se preocupados ao vê-la distanciar-se cada vez mais.

Ficha técnica
Ano: c. 1639
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 76,3 x 97 cm
Localização: Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

Fonte de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch

Varonese – O RAPTO DE EUROPA

Autoria de LuDiasBH

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O pintor italiano Paolo Caliari (1528-1588), mais conhecido pelo nome de Paolo Veronese, ou simplesmente Veronese, como lhe chamavam os amigos, é tido como um dos grandes artistas de Veneza. Nasceu na cidade de Verona que era uma província de Veneza à época. Foi educado em sua cidade natal, sendo seu pai, o cortador de pedras Gabriel Caliari, o seu primeiro mestre, ensinando-lhe a modelar o barro. Mas ao perceber o talento do filho para o desenho, enviou-o para o pintor Antonio Badile, aluno de Ticiano.  Veronese tornou-se grande amigo do pintor Battista Zelotti, que também estudara com Ticiano.  Com ele foi tentar a sorte em Siena. Naquela cidade, os dois amigos tiveram a sorte de arranjar serviço com um nobre que lhes confiou a ornamentação de seu palácio. Esse trabalho foi muito importante para Veronese, pois aprendeu com o amigo importantes lições sobre o uso da cor e da composição, ensinadas pelo mestre Ticiano.

A pintura denominada O Rapto de Europa é uma obra do pintor italiano Paolo Varonese que inclui em seus trabalhos inúmeras narrativas mitológicas, como a vista acima.

Varonese pinta a cena mitológica em que a princesa Europa sobe no dorso de um boi — que não é outro senão o próprio Zeus. Três criadas ajudam-na, enquanto uma terceira observa os três pequenos cupidos colhendo flores ou as atirando no grupo. Um deles traz uma guirlanda na mão. Mais adiante, no caminho que leva ao mar, vemos outros cupidos e figuras humanas. É por este caminho que Europa será levada, até alcançar o mar.

Segundo a mitologia grega, Júpiter (Zeus em grego) — o deus dos deuses — rapta a princesa Europa, depois de apaixonar-se por ela. Para enganá-la, ele toma a forma de um touro branco, aproximando-se dela. Inocentemente ela monta em seu dorso, deixando-se levar por ele. Só que Zeus leva-a para Creta, onde a possui.

Ficha técnica
Ano: c. 1580-1585
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 240 x 303 cm
Localização: Palazzo Ducale, Veneza, Itália

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

Kandinsky – A LUDWIGSKIRCHE EM MUNIQUE

Autoria de LuDiasBH

O pintor russo, gravurista e teórico de arte e um dos fundadores do abstracionismo, Wassaly Kandinsky (1866-1944), nasceu em Moscou em meio a uma próspera família de burgueses, sendo seu pai um rico comerciante de chá. Sua avó era de origem alemã, tendo lhe ensinado o alemão como primeiro idioma. Quando tinha cinco anos de idade, ele teve que lidar com a separação dos pais, ficando sob os cuidados de sua tia Elizaveta Ticheeva, responsável por sua educação. Ela não apenas propiciou o contato do futuro artista com a espiritualidade como lhe transmitiu conhecimentos musicais e o fez conhecer os contos russos que possibilitaram sua relação com as lendas e tradições do povo russo. Inicialmente, Kandinsky foi direcionado para a música, embora também tenha recebido aulas de desenho.

A composição intitulada A Ludwigskirche em Munique é uma obra do artista em que as cores tornam-se o principal elemento. O artista apresenta uma multidão de pessoas numa procissão dominical, próximas a grandiosas paredes com arcos escuros em forma de semicírculos, diante de Ludwigskirche em Munique. Os fieis estão reunidos debaixo do pórtico da igreja de São Ludwig que traz as suas portas abertas, preparando-se para a procissão que começa a formar-se. Um grupo de sacerdotes em frente à entrada da igreja brilha sob a luz do sol.

Kandinsky usou o fundo escuro jogando sobre ele pequenas manchas de cor (pontilhismo), muitas delas não figurativas, fazendo com que a obra se pareça com uma decoração abstrata.

Ficha técnica
Ano: 1908
Técnica: óleo sobre cartão
Dimensões: 67,3 x 96 cm  
Localização: Museu Thyssen-Bornemisza, Madri, Espanha

 Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
https://www.wassilykandinsky.net/work-223.php
https://www.museothyssen.org/en/collection/artists/kandinsky-wassily/ludwigskirche-

Velázquez – O DEUS MARTE

 Autoria de LuDiasBH

O pintor espanhol Diego da Silva Velázquez (1599–1660) encontra-se no rol dos maiores pintores da história da arte. Seus pais, Juan Rodríquez da Silva e Jerónima Velázquez, ambos de Sevilha, faziam parte da pequena nobreza e gozavam de pequeno prestígio social e político. Ao descobrirem o talento do primogênito da família para o desenho, tudo fizeram para encaminhá-lo em sua vocação. Aos dez anos de idade o menino foi estudar com o pintor Francisco Herrera, o Velho, mas ali ficou poucos meses, pois não se agradou do jeito do mestre. A seguir, ele foi estudar com o renomado pintor Francisco Pacheco de erudição humanista e em cujo ateliê reunia-se o grosso da intelectualidade, o que muito contribui para a sua formação.

A composição intitulada O Deus Marte — e também Marte Descansando — é uma obra do artista que nela mostra a sua maestria como retratista de temas imaginários. Velázquez retrata Marte — o deus romano da guerra e guardião da agricultura — em tamanho real, com grande realismo, mas não se sabe se o artista usou um modelo vivo. O mito é mostrado como um homem de meia idade, cuja pele já mostra dobras na barriga. Ele se encontra em sua cama desarrumada, de frente para o observador, com a mão direita segurando o queixo. Seu corpo está bem centrado na composição. A ponta do elmo ocupa o centro da parte superior da tela. A pintura segue a ordem iconográfica da esquerda para a direita — ritmo de Velazquez.

A figura escultural de Marte sentada em seu leito desarrumado é retratada em escala humana e em atitude de repouso sobre um fundo escuro. Traz o corpo nu, exceto pela tanga azul e pelo manto vermelho que lhe cobrem os quadris — ambos feitos com os lençóis da cama. É possível perceber que a tanga cobria originalmente um espaço maior da perna esquerda e seguia o contorno da direita. Um grande bigode adorna seu rosto, contribuindo para realçar ainda mais a sua melancolia. Na cabeça ele traz seu capacete, cuja viseira abaixada faz sombra em seu rosto. Segura com certa relutância na mão direita, escondida sob o manto vermelho, um cajado apoiado no chão. A seus pés estão o escudo, a espada e o resto da armadura, aparentemente ali jogados. Tais atributos bélicos são responsáveis por sua identificação

Alguns críticos de arte veem na situação embaraçosa e intrigante do mito uma relação com Vênus — deusa do amor —, sua amante, cuja traição foi descoberta por Vulcano, seu marido. Marte estaria tentando compreender o fim intempestivo de seu relacionamento. Esta pintura trata-se de uma representação satírica do deus.

Obs.: Muito se tem falado sobre a relação desta pintura com duas esplêndidas esculturas, muito familiares aos artistas no século XVII: Ludovisi Ares (uma cópia romana de um original grego) e Il pensieroso (O pensador) — uma das esculturas de Michelangelo. A pintura de Velázquez, no entanto, revela um desejo claro de representar carne viva com sangue correndo em suas veias, ao invés de imitar pedra esculpida. O pintor construiu sua figura fundamentalmente com base na cor e não na linha, com pinceladas livres e generosas produzindo contornos maravilhosamente difusos.  (Museu del Prado)

Ficha técnica
Ano: c. 1640
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 167 x 97 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/mars/ec55aa06-b32e-481

Ribera – MARTÍRIO DE SANTO ANDRÉ

Autoria de LuDiasBH

O pintor Jusepe de Ribera (159–1652) embora tenha nascido na Espanha, mudou-se muito jovem para a Itália, tendo, portanto, dupla nacionalidade, sendo reivindicado pelos dois países. Entre os italianos recebeu o apelido de “Lo Spagnoletto” (O Espanholinho) em razão de sua pequena estatura. Foi influenciado pela arte de Corregio e de Caravaggio. Foi muito admirado pelos patronos e colecionadores espanhóis, sendo tido, portanto, como um dos mais famosos pintores espanhóis do século XVII, embora não tenha voltado ao seu país de origem. Pintou sobretudo obras religiosas. Foi professor de Luca Giordano, entre outros.

A composição intitulada Martírio de Santo André é uma obra do artista que se manifesta como um pintor maduro de temas religiosos. Ele toma como influência a “Crucificação de São Pedro”, obra de Caravaggio, pintor que abre mão dos tipos idealizados para fazer uso de pessoas do povo. Ribera fez muitas pinturas usando o “martírio”, mas sempre inovando para que não ficassem repetidas em razão da alta demanda. Chegou a ter a reputação de “especialista em martírios”, tantas foram as obras que fez, no entanto, ele procurava destacar a fé das vítimas em vez do processo doloroso do martírio em si mesmo.

A cena mostra o momento antes da crucificação que acontece num ambiente escuro, parecido com uma caverna. Santo André (irmão do apóstolo Pedro), seminu, ocupa o primeiro plano. Seu corpo magro e frágil com a pele enrugada e os músculos tensos é iluminado por uma forte luz, contrastando com a escuridão presente no restante da tela.

À direita de Santo André, usando uma bandana rota na cabeça, está o carrasco — representado como uma figura do povo. Ele amarra uma corda nos pés do santo, preparando-o para a sua tortura e morte. Outra grande figura (aparentemente um padre) encontra-se acima do santo, trazendo nas mãos um ídolo pagão, enquanto outra figura ergue as suas costas. Através de uma pequena abertura à direita é possível ver um pequeno grupo de pessoas, vistas a meio corpo, que acompanham o sacrifício. Duas lanças são vistas ao fundo. O santo — inteiramente resignado com a própria morte — não oferece qualquer tipo de resistência, soltando os braços a fim de facilitar o serviço de seus verdugos.

Ficha técnica
Ano: 1628
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 285 x 209 cm
Localização: Museum of Fine Arts, Budapeste, Hungria

Fonte de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.wga.hu/html_m/r/ribera/1/s_andrew.html

Ribera – O SENTIDO DO PALADAR

Autoria de LuDiasBH


O pintor Jusepe de Ribera (1591 – 1652) embora tenha nascido na Espanha mudou-se muito jovem para a Itália, tendo, portanto, dupla nacionalidade, sendo reivindicado pelos dois países. Entre os italianos recebeu o apelido de “Lo Spagnoletto” (O Espanholinho) em razão de sua pequena estatura. Foi influenciado pela arte de Corregio e de Caravaggio. Foi muito admirado pelos patronos e colecionadores espanhóis, sendo tido como um dos mais famosos pintores espanhóis do século XVII, embora não tenha voltado ao seu país de origem. Pintou, sobretudo, obras religiosas. Foi professor de Luca Giordano, entre outros.

A composição intitulada O Sentido do Paladar é uma obra do artista baseada no tema popular sobre os cinco sentidos. Faz parte de suas primeiras obras. Tal série não se encontra completa, infelizmente “A Audição” encontra-se perdida. Este tipo de tema tornou-se muito popular nos Países Baixos, no fim do século XVI, visto como alegoria, diferentemente de Ribera que o retratava tal como era, usando uma abordagem direta e naturalística.

O retratado é uma figura gorducha usando uma camisa encardida com uma fileira de botões. Ele se encontra sentado, tem o nariz e as bochechas avermelhadas e o dedo indicador da mão esquerda inchado. Tem à sua frente, sobre uma mesa de madeira, uma tigela de enguias (alguns dizem ser macarrão) e uma jarra com vinho — elementos principais de naturezas-mortas (tipo de pintura). O comilão traz na mão direita uma taça de vinho, enquanto segura a jarra com avidez. Seu olhar dirige-se ao observador, como se o convidasse para fazer parte da refeição. Pergunta-se qual seria a finalidade de mostrar o dedo inchado. Seria artrite gotosa ou uma crítica ao excesso de glutonaria em todos os níveis da sociedade?

Na composição de Ribera são encontradas várias influências que vão desde as figuras isoladas das pinturas de genêro de Caravaggio, a Vicenzo Campi e Annibale Carracci. O pintor fazia uso de modelos de diferentes correntes artísticas. Ele se mostrava interessado pelas pessoas, até mesmo suas pinturas religiosas são impregnadas de humanidade e honestidade.

Ficha técnica
Ano: 1613/16
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 117 x 88 cm
Localização: Wadsworth Atheneum, Connecticut, EUA

Fonte de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2405457717300220