Arquivo da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Pieter Bruegel, o Velho – A VOLTA DA MANADA

Autoria de LuDiasBH

A composição denominada A Volta da Manada é uma pintura do artista holandês Pieter Bruegel, o Velho. Faz parte de uma série de seis pinturas que retratam períodos do ano, encomendadas por um comerciante da Antuérpia. Cinco delas ainda sobrevivem (O Dia Escuro, Caçadores na Neve, Colheita de Feno, Os Ceifeiros e o Mastro de Maio, existindo do último apenas cópias feitas pelo filho do artista).

Presume-se que este quadro represente o mês de outubro ou novembro (ou os dois), mostrando uma paisagem de outono, como se vê no contraste entre as cores quentes da vegetação, composta por árvores desfolhadas, e as cores frias do céu que se mostra mais escuro do lado direito, onde há uma maior concentração de nuvens, prenunciando tempestade. A paisagem escarpada apresenta algumas edificações e mostra pessoas trabalhando na lavoura à direita. Um rio com algumas embarcações corta o cenário. Animais são vistos no campo a pastar. Uma ave solitária é vista no galho mais alto, à esquerda.

O artista, que gostava de pinturas retratando paisagens ou cenas camponesas, mostra aqui uma manada de vacas, sendo conduzida pelos vaqueiros que empunham grandes paus para tangê-la, levando o rebanho à aldeia no topo da colina. Os seis vaqueiros e o gado encontram-se numa colina, regressando da pastagem. Animais e homens possuem praticamente as mesmas cores. Eles formam uma larga curva que é quebrada por uma árvore isolada à direita e um grupo de árvores à esquerda.

Ficha técnica
Ano: 1565
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 117 x 159 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.wga.hu/html_m/b/bruegel/pieter_e/07/21novemb.html

Van Gogh – RETRATO DE PÈRE TANGUY

Autoria de LuDiasBH

É um companheiro divertido e bondoso e penso muitas vezes nele. Não te esqueças de dar-lhe os meus cumprimentos e de dizer-lhe que se precisar de quadros para sua mostra, pode levar daqui alguns – de fato, os melhores. (Van Gogh em carta ao seu irmão Theo)

Se eu viver por muito tempo, eu me tornarei uma espécie de pai velho Tanguy. (Van Gogh)

O genial pintor holandês Vincent van Gogh (1853–1890) é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes nomes da pintura universal. Contudo, não é fácil falar sobre ele, pois suas paixões e sentimentos estão ligados à arte de tal forma que não é possível ater-se a seu trabalho sem mergulhar na nobreza de sua alma impregnada de nobres ideais, aos quais se entregou a ponto de sacrificar a própria vida, pois nele tudo funcionava como um todo indivisível e exacerbante ao extremo. Infelizmente a sua genialidade artística só foi reconhecida após sua morte.

A composição intitulada Retrato de Père (Pai) Tanguy é uma obra do artista. Ele pintou três diferentes retratos de seu amigo, sendo este o último deles. Julien Tanguy – conhecido por todos aqueles que frequentavam a sua loja de material de pintura e sua pequena galeria de arte como “Père Tanguy” – era um socialista, comerciante de tintas e quadros. Homem extremamente generoso, sobretudo com os artistas pobres, aceitava seus quadros como pagamento pelas dívidas feitas com a compra de materiais de pintura. Além disso, oferecia seu espaço como local de encontro dos pintores, para exposição de suas pinturas e local de venda. Sua pequena galeria de arte ficava do lado da loja de material de pintura.

Van Gogh em sua pintura retrata Père Tanguy sentado de frente para o observador, com as mãos entrelaçadas, apoiadas no torso inferior.  Ele se mostra calmo e um leve sorriso enfeita seus lábios. Alguns historiadores de arte apontam para sua postura de Buda, um tipo de sábio japonês. A parede que serve de fundo está repleta de gravuras japonesas, compradas pelo artista. Numa delas está a representação do Monte Fuji, logo atrás do chapéu do retratado. É possível que este símbolo sagrado dos japoneses represente aqui a dignidade e a humanidade de Tanguy, tão apreciadas pelo artista.

Tanguy é visto como um sábio pertencente ao universo japonês que o artista tanto admirava. Atores do Kabuqui e cerejeiras em flor também estão presentes na parede. Dizem que, enquanto viveu, Julien Tanguy jamais abriu mão desta pintura. Após sua morte ela foi vendida por sua família a August Rodin, encontrando-se atualmente no museu que homenageia o escultor.

Ficha técnica
Ano: 1887
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 92 x 75 cm              
Localização: Museu Rodin, Paris, França

 Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
Grandes Mestres/ Abril Coleções
http://www.galleryintell.com/artex/portrait-of-pere-tanguy-by-vincent-van-gogh/

Mestres da Pintura – ANNIBALE CARRACCI

 Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Annibale Carracci (1560-1609), nascido em Bologna, era oriundo de uma família de artesãos. Seus ancestrais eram alfaiates. Seu irmão Agostino (1557-1602) formou-se como gravador e pintor. Annibale começou trabalhando na alfaiataria, mas depois seguiu os passos do irmão mais velho, com quem trabalhou na oficina do primo Ludovico Carracci em Bolonha, o que leva a crer que esse tenha sido seu professor. Os três fundaram uma escola artística chamada Academia degli Incamminati (Academia do Caminho), sendo Ludovico o dirigente da escola conhecido por sua rejeição ao estilo maneirista. Os três Carracci trabalhavam ativamente com tudo o que lhes fosse encomendado, sendo Annibale o mais criativo do grupo. Os três artistas trabalharam juntos na decoração do Palazzo Fava em sua cidade natal. Em muitas das primeiras obras de Bolonha, é difícil distinguir as contribuições individuais de cada um deles, pois carregam apenas a assinatura “Carracci”, o que pode sugerir que os três participaram.

Annibale Carracci viajou para Parma, onde estudou o estilo de Correggio e depois para Veneza, onde se encontrou com o seu irmão Agostino. Estudou a arte de Veneza e encantou-se em Roma com as obras de Rafael. Conheceu as obras de Corregio, Ticiano e Michelangelo, tendo se inspirado no trabalho desses artistas.  Fez um profundo estudo da natureza, ao qual agregou novas ideias. Criou um estilo direto, claro e harmonioso. Foi rival de Caravaggio, tendo sido, à sua época, o principal pintor de Roma. A sua obra reflete o conhecimento da arte da Antiguidade e do Alto Renascimento, tendo se libertado da corrente maneirista, seu ponto de partida. Sua obra possui um arranjo simples e harmonioso que lembra a arte renascentista, contudo está imbuída de grande apelo emocional

Os mais importantes trabalhos de Carracci estão em afrescos. Entre os seus primeiros contemporâneos ele é visto como um inovador, ao reviver o visual de afrescos de Michelangelo e postular uma paisagem pictórica vividamente brilhante que vinha sendo progressivamente esquecida por um emaranhado de maneirismos. Se Michelangelo era capaz de curvar e contorcer o corpo humano em qualquer perspectiva possível, Carracci, nos afrescos de Farnese, ensinou como fazê-lo dançar. As fronteiras do “teto”, grandes extensões de parede a serem decoradas, durante as décadas posteriores seriam preenchidas pelo brilhantismo monumental dos seguidores de Carracci.

Carracci possuía uma temática incrivelmente diversificada: paisagens, cenas e retratos, incluindo uma série de autorretratos. Foi um dos primeiros pintores italianos a produzir telas nas quais a paisagem tinha prioridade sobre as figuras, como na sua encantadora composição intitulada A Fuga para o Egito. Nesse gênero Carracci foi acompanhado por Domenichino, seu aluno predileto, e Lorraine. É descrito por seus biógrafos como descuidado com as vestimentas e obcecado pelo trabalho. Segundo uma carta do cardeal Odoarde Farnese, Carracci, o artista possuía um “pesado humor melancólico”. Não se sabe o que o levou a aposentar os seus pincéis tão cedo. Faleceu em 1609.

Annibale Carracci foi muito importante para a história da pintura, não somente pelos seus afrescos, mas também como pintor de retábulos barrocos. Recebeu elogios de grandes nomes da arte como Bernini, Poussin e Rubens. Entre os seus assistentes e alunos surgiram grandes nomes, como: Domenichino, Francesco Albani, Giovanni Lanfranco, Domenico Viola, Guido Reni, Sisto Badalocchio e outros mais.

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Konemann
Obras-primas da pintura ocidental/ Taschen

Carracci – A LAMENTAÇÃO DE CRISTO

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Annibale Carracci (1560-1609), nascido em Bologna, era oriundo de uma família de artesãos. Seus ancestrais eram alfaiates. Seu irmão Agostino (1557-1602) formou-se como gravador e pintor. Annibale começou trabalhando na alfaiataria, mas depois seguiu os passos do irmão mais velho, com quem trabalhou na oficina do primo Ludovico Carracci em Bolonha, o que leva a crer que esse tenha sido seu professor. Os três fundaram uma escola artística chamada Academia degli Incamminati (Academia do Caminho), sendo Ludovico o dirigente da escola e também conhecido por sua rejeição ao estilo maneirista. Annibale era o mais criativo do grupo. Os três artistas trabalharam juntos na decoração do Palazzo Fava em sua cidade natal. Em muitas das primeiras obras de Bolonha é difícil distinguir as contribuições individuais de cada um deles, pois carregam apenas a assinatura “Carracci”, o que pode sugerir que os três participaram.

A composição intitulada A Lamentação de Cristo é uma criação de Annibale Carracci. Trata-se de uma obra em que o artista usou a monumentalidade, ao narrar um episódio da Paixão de Cristo, e que pode chegar ao nível de “A Deposição no Túmulo” do mestre Caravaggio. No trabalho de ambos se destaca um profundo sentido de gravidade a determinar o caráter da pungente cena.

A composição apresenta cinco personagens: Cristo Morto, sua mãe Maria, Maria Madalena (uma das seguidoras mais dedicadas de Cristo), Maria de Cleófas (tia de Jesus, irmã de Maria de Nazaré, casada com Cleófas) e Maria Salomé (esposa de Zebedeu e mãe de Tiago e João).

As quatro mulheres apresentam-se numa postura de grande sofrimento. Mesmo aquela que se encontra de pé no centro da composição não se mostra ereta, mas se dobra, com os braços abertos na direção a Maria desmaiada e amparada por uma outra mulher. A parte superior do corpo pálido de Cristo está amparada pelo colo de sua mãe e a inferior encontra-se no chão, sobre um lençol branco.  

Carracci estrutura  as figuras em sua composição em diferentes posições: reclinadas, agachadas, vergadas e paradas. As três figuras, à direita, estão dispostas gradualmente, uma atrás da outra.

Ficha técnica
Ano: 1606
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 92,8 cm x 103,2 cm
Localização: National Gallery, Londres, Inglaterra

Fontes de pesquisa
Obras-primas da arte ocidental/ Taschen
1000 obras-primas da pintura europeia/ Konemann

Carracci – O COMEDOR DE FEIJÃO

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Annibale Carracci (1560-1609), nascido em Bologna, era oriundo de uma família de artesãos. Seus ancestrais eram alfaiates. Seu irmão Agostino (1557-1602) formou-se como gravador e pintor. Annibale começou trabalhando na alfaiataria, mas depois seguiu os passos do irmão mais velho, com quem trabalhou na oficina do primo Ludovico Carracci em Bolonha, o que leva a crer que esse tenha sido seu professor. Os três fundaram uma escola artística chamada Academia degli Incamminati (Academia do Caminho), sendo Ludovico o dirigente da escola, conhecido por sua rejeição ao estilo maneirista. Annibale era o mais criativo do grupo. Os três artistas trabalharam juntos na decoração do Palazzo Fava em sua cidade natal. Em muitas das primeiras obras de Bolonha, é difícil distinguir as contribuições individuais de cada um deles, pois carregam apenas a assinatura “Carracci”, o que pode sugerir que os três participaram.

A composição intitulada O Comedor de Feijão é uma obra de Annibale Carracci. Nela o artista mostra a sua abertura em relação às tendências realistas da pintura de gênero do Norte europeu. Muitas de suas obras retratam a vida de pessoas simples. Esse foi também um período em que artistas e compradores passaram a mostrar interesse por composições sobre a vida cotidiana da gente simples, nascendo, assim, a chamada “cena de gênero” que já vinha aparecendo nas tapeçarias do século XV.

Para criar a composição acima, Carracci considerou uma estrutura de composição bem comum, optando por pinceladas cruas e simples, fazendo uso de tons de terra. Ele apresenta um homem simples – um camponês ou trabalhador rural – sentado à mesa, fazendo a sua refeição. Usa uma colher de madeira para comer seus feijões. A mesa está coberta com uma toalha branca. Sobre ela, num alinhamento simples, estão: a tigela com feijões, cebolas, pão, um prato com torta de vegetais, um copo pela metade e um vaso listrado de cerâmica. Tudo ali é singelo.

O homem usa roupas modestas e traz sobre a cabeça um chapéu de palha. Possui maneiras rudes e parece comer avidamente. Olha furtivamente para o observador e traz a boca aberta. O pintor não foge à dura realidade do retratado tanto em sua técnica pictórica quanto na abordagem artística. As cores sem brilho em tons de terra são depositadas na tela em pinceladas grossas e irregulares.  Annibale Carracci,  deliberadamente, não acrescentou a ela qualquer artifício ou habilidade. Assim, tudo nela é modesto, é simples, até mesmo o modo como foi criada.

Ficha técnica
Ano: c.1580-1590
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 57 cm x 68 cm
Localização: Galeria de Colonna, Roma, Itália

Fontes de pesquisa
Obras-primas da arte ocidental/ Taschen
1000 obras-primas da pintura europeia/ Konemann

Van der Goes – A CAÍDA E REDENÇÃO DO HOMEM

Autoria de LuDiasBH

O pintor flamengo Hugo van der Goes (1443-1482) é tido como um dos mais importantes pintores flamengos da segunda metade do século XV. Não se sabe muito sobre os primeiros anos de sua vida. Trabalhou como mestre na associação dos pintores de Gante, onde nasceu. Participou da decoração do casamento de Carlos, o Temerário, possivelmente ao lado de Hans Memling e Petrus Christus. Suas pinturas atendiam especificamente ao que era definido pelos clientes, quer eclesiásticos ou seculares. Entrou para o Convento de Roode, sendo ordenado como irmão laico, e nesse local  passou os últimos anos de sua vida. Mesmo tendo feito votos de pobreza, castidade e obediência, não abandonou a pintura. Segundo o irmão Gaspar Ofhuys, ele tinha crises de melancolia, possivelmente depressão, acompanhadas de crises de culpa, tendo sido acometido também por alucinações religiosas. Alguns estudiosos aludem ao fato de sua arte mostrar tensão e austeridade.

A composição religiosa intitulada Caída e Redenção do Homem ou ainda O Díptico de Viena é uma obra do artista. O lado direito do díptico é intitulado “Lamentação pelo Cristo Morto” e o esquerdo é chamado de “Pecado Original”. A conexão entre as duas partes é explicada pela teologia cristã, como sendo o pecado de Adão e Eva o responsável por separar Deus da Humanidade e, por isso, foi necessário o sacrifício de Jesus Cristo para que ela fosse salva.

A pintura intitulada “Pecado Original” apresenta Adão e Eva no Paraíso, debaixo de um pé de macieira, sendo tentados pelo demônio. O pintor retrata o casal com corpos delgados e contornados, mas sem uma beleza chamativa. Ambos se encontram nus. O magricela Adão esconde sua genitália com a mão direita, enquanto Eva, com sua barriguinha protuberante, tem a sua genitália coberta por uma flor azul. Ela segura uma maçã, enquanto colhe outra. Uma grande salamandra com cabeça de mulher e pés de aves aquáticas, representando o demônio, encontra-se de pé ao lado da macieira, observando o gesto de Eva.

A pintura denominada “Lamentação pelo Cristo Morto” traz a figura de Jesus, postado sobre uma mortalha branca, envolta por nove pessoas em profundo desalento. Aglomeradas em torno do Mestre, elas formam um vigoroso movimento diagonal. A coroa de espinhos jaz no chão. Ao fundo vê-se o Monte Calvário, onde se encontra a cruz da crucificação. O céu mostra-se escuro e nublado.

O verso do painel esquerdo traz a pintura da imagem de Santa Genoveva, enquanto o do painel direito traz vestígios de um brasão de armas, onde se vê um escudo com uma águia negra e o vestígio dos pés de dois apoiantes.

Ficha técnica
Ano: c. 1479
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 33,5 x 23 cm (medida dos dois quadros)
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
https://artsandculture.google.com/asset/the-fall-of-man-and-the-lamentation