Arquivo da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Lichtenstein – BALDE ACIONADO COM PÉ

Autoria de LuDiasBH

O pintor estadunidense Roy Lichtenstein (1923–1997) nasceu numa família de classe média alta. Seu contato informal com a pintura teve início em sua adolescência, em casa, época em que também passou a demonstrar interesse pelo jazz, como mostram os muitos retratos de músicos tocando seus instrumentos, pintados por ele. Seu contato formal com arte deu-se quando tinha 16 anos de idade, ao frequentar as aulas da Liga dos Estudantes de Arte, sob a direção de Reginald Marsh. Seu objetivo era ser um artista. Foi depois para a School of Fine Arts da Ohio State University – uma das poucas instituições do país que possibilitavam a licenciatura em Belas-artes. Ali recebeu influência de seu mestre Hoyt L. Sherman, dando início aos trabalhos expressionistas.

A composição intitulada Balde Acionado com Pé é uma obra divertida do artista que possivelmente a retirou de algum folheto de instruções referente ao produto. É composta por dois painéis, sendo que a figura humana não é o elemento principal, mas a lixeira.

O primeiro painel mostra uma perna feminina, colocando em evidência um pedaço de saia em xadrez vermelho que penetra na imagem pelo lado esquerdo e em diagonal.  O pé calçando um sapato de salto alto e bico redondo, enfeitado com um laço, está prestes a pressionar o pedal do balde florido.

O segundo painel mostra o balde sendo pressionado  (pelo menos é esta a sensação repassada ao observador) pelo pé, pois mostra a tampa do recipiente levantada, como acontece quando o pedal é pressionado. É realmente impressionante como algo tão simples (um recipiente para lixo) tenha resultado em algo tão belo requintado.

Ficha técnica
Ano: 1961
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 82,5 x 134,6 cm
Localização: Coleção Robert Fraser

Fontes de pesquisa
Lichtenstein/ Editora Taschen

Giovanni Bellini – MADONA ENTRONIZADA COM…

Autoria de LuDiasBH

                                                    (Clique na obra para ampliá-la.)

O pintor italiano Giovanni Bellini (c.1430-1516) nasceu em Veneza numa família de artistas. Era também conhecido pelo apelido de Giambellino. Seu irmão mais velho, Gentile Bellini, era também pintor.  Teve o pai – o respeitado pintor Jacopo Bellini – responsável por levar o Renascimento a Veneza, como primeiro mestre, tendo se dedicado intensamente a transformar seus dois filhos em importantes pintores. Giovanni tornou-se depois aluno de Andrea Mantegna, seu cunhado, que influenciaria grandemente sua arte. Ele era muito inteligente e criativo, além de dominar o uso de cores e luminosidade, também compreendia a natureza com apuro. Graças a ele foi instituído o costume de realizar retratos em Veneza. O foco de seu trabalho foi Veneza, onde teve sua própria oficina, nomeado pintor oficial da cidade. Teve como aluno Ticiano, Giorgione, Lorenzo Lotto, entre outros grandes nomes da pintura veneziana.

A obra intitulada Madona Entronizada com o Menino e os Santos (e também chamada de o Retábulo de São Zacarias) é um trabalho do pintor renascentista, tendo sido criado para ornamentar o altar mor da pequena igreja de São Zacarias, situada na cidade de Veneza. É um dos grandes retábulos venezianos do século XVI. Assim como a maior parte dos pintores de sua cidade, ele via na cor um dos principais elementos para unir as figuras e formas de uma pintura num único padrão. A pintura é luminosa e reluzente. Ele botou as figuras numa abside com aberturas laterais para repassar a ilusão de que a luz que entrava pelas laterais parecesse mais com a luz do dia.

O retábulo constitui um nicho arquitetônico completo com teto abobadado, debaixo do qual encontram-se os personagens, tendo o pintor baseado sua composição no agrupamento padrão de pirâmide – popular na arte renascentista –, colocando as figuras mais importantes – a Virgem e o Menino – no ápice da pirâmide. A Virgem Mãe é a figura central da composição. No colo traz o seu Menino. Ela se encontra entronizada num nicho de mármore. Uma atmosfera quente e dourada espalha-se pelo local. O Menino Jesus apresenta-se nu e de pé no colo da Mãe. Sua pele é extremamente branca. Ele levanta sua mãozinha direita para abençoar os devotos ali presentes, enquanto os observa com os olhos voltados para baixo, assim como a Virgem.  Sobre o altar vê-se a cabeça de Cristo com a coroa de espinhos.

Um anjo, sentado aos pés do trono de Maria e seu Menino, toca seu violino com suavidade, como mostra seu gestual. Quatro santos apresentam-se simetricamente nas laterais do altar. À esquerda estão Santa Catarina de Alexandria com a palma do martírio e a roda quebrada, vista a seu lado, e São Pedro Apóstolo com suas chaves e um grande livro de capa vermelha. À direita encontram-se Santa Lúcia (ou Luzia, conhecida por ter sido cegada) segurando uma tigela com seus dois olhos e São Jerônimo – o erudito que traduziu a Bíblia para o Latim – lendo um livro. Os dois santos estão de costas para o altar.

As laterais abertas da obra deixam à vista parte da paisagem. O ovo dependurado acima da cabeça da Virgem simboliza a criação. Não há interação entre os personagens, todos trazem os olhos voltados para baixo.  Apenas o anjo músico, com seu olhar direcionado ao longe, convida o espectador a entrar na cena. As figuras sagradas mostram-se meditativas e distantes e suas vestes são ricamente coloridas.

Giovanni Bellini dotou sua madona de muita serenidade e dignidade e, de certa forma, fugiu um pouco da tradição bizantina que costumava ladear rigidamente a imagem da Virgem com a figura de santos. Aqui os personagens parecem reais, mas, contudo, sem eliminar seu caráter de sagrado.

É a primeira obra do artista em que a influência de Giorgione está presente, iniciando a última fase da carreira do artista – a da tonalidade. O espaço arquitetônico ilusionista é grandioso. O resultado final apresenta um agrupamento de cinco figuras em torno da Virgem e do Menino Jesus, todas autocontidas e conscientes da presença divina. O artista foi responsável por um grande número de pinturas religiosas com a Virgem e o Menino, das quais mais de 60 sobrevivem até hoje.

Obs.:

  • Este tipo de imagem – santos e anjos agrupados em torno de uma Madona Entronizada – é conhecido como uma “conversa sagrada” (sacra conversazione), uma forma de arte cristã lançada por Giotto (1267-1337) e seus seguidores, mas devidamente estabelecida durante o Renascimento em Florença por artistas como Fra Angelico (1400-55), Fra Filippo Lippi(1406-69) e Domenico Veneziano (1410-61). (Visual-arts-cork)
  • O crítico de arte vitoriano John Ruskin considerou a pintura uma das “duas melhores do mundo”.

Ficha técnica
Ano: 1505
Técnica: óleo sobre madeira transferido para tela
Dimensões: 402 cm x 273
Localização: Igreja de São Zacarias, Veneza, Itália

Fonte de pesquisa
A História da Arte/ E. H. Gombrich
http://www.visual-arts-cork.com/famous-paintings/san-zaccaria-altarpiece.htm

 

Botero – N. SRA. DE CAJICÁ

Autoria de LuDiasBH

Embora Botero não submeta suas imagens religiosas à prova de ironia ou ceticismo, suas pinturas e desenhos não são feitos com o mesmo senso de fé inquestionável daqueles de que se inspirou. A posição de Botero é sempre a de um artista do final do século XX revisitando temas religiosos, completamente ciente do abismo que existe em nosso tempo entre a fé cega na doutrina religiosa e as dúvidas inevitáveis impostas pelo mundo secular de hoje. (Edward Sullivan)

O artista figurativo e escultor colombiano Fernando Botero Angulo nasceu na Colômbia em 1932. É o segundo dos três filhos do vendedor Davi Botero e da costureira Flora Angulo. Aos quatro anos de idade perdeu o pai, vitimado por um ataque cardíaco, ficando aos cuidados da mãe e de um tio que teve um papel fundamental em sua vida, tendo o colocado numa escola para toureiros por um período de dois anos, embora ele preferisse a arte no papel. Enquanto crescia, o garoto sentia-se cada vez mais fascinado pelo Barroco, estilo que via nas igrejas coloniais e na vida de Medellín. Aos 16 anos o jovem viu suas primeiras ilustrações serem publicadas no suplemento dominical do jornal “El Colombiano”. Exibiu seu trabalho pela primeira vez, aos 16 anos de idade. Em Bogotá teve 25 de suas obras expostas pelo fotógrafo Leo Matiz em seu atelier. Antes de completar um ano em relação ao evento anterior, Leo Matiz fez nova exposição com obras do artista, obtendo grande sucesso.

A pintura icônica intitulada Nossa Senhora de Cajicá é uma obra do artista. O nome Cajicá refere-se a um pequeno município da província de Cundinamarca, próximo a Bogotá, local em que o artista é dono de uma fazenda com casa de campo. Assim como todas as suas figuras, a Virgem Maria também é mostrada como uma figura gorducha. Ela carrega nos braços o seu Menino, também obeso, a quem oferta uma maçã retirada da árvore atrás dela. Ele traz na mão esquerda uma bandeira colombiana, o que mostra o quanto o artista é ligado à identidade de seu país.

A Virgem Maria parece flutuar no meio da pintura, em frente a uma árvore, como se estivesse sentada em um nicho de altar, olhando com gravidade por cima dos olhos do observador. Ela traz o pé esquerdo sobre uma serpente negra que aparece na base da obra, quase que de uma ponta a outra da composição, o que também contribui para expressar o seu tamanho colossal. As pequeninas figuras de monges liliputianos de aparência engraçada, bispos, freiras e coroinhas que a cercam favorecem ainda mais a sua monumentalidade.

A composição é piramidal e apresenta cores vibrantes e luminosas. Mais acima, à direita, um braço com um lírio branco na mão, símbolo da pureza de Maria, sobressai em meio a nuvens escuras. Nesta pintura o artista, mais uma vez, recria com sabedoria a história da arte para dar uma nova vida aos gêneros clássicos.

Ficha técnica
Ano: 1972
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 234,4 cm x 181,8 cm
Localização: Museu de Antióquia, Medelín, Colômbia

Fontes de pesquisa
O livro das artes/ Martins Fontes
https://www.sothebys.com/en/auctions/ecatalogue/2010/latin-american-paintings-n08681/lot.24.html

Lichtenstein – NASCER DO SOL

Autoria de LuDiasBH

O pintor estadunidense Roy Lichtenstein (1923–1997) nasceu numa família de classe média alta. Seu contato informal com a pintura teve início em sua adolescência — em casa —, época em que também passou a demonstrar interesse pelo jazz, como mostram os muitos retratos, pintados por ele, com músicos tocando seus instrumentos. Seu contato formal com arte deu-se quando tinha 16 anos de idade, ao frequentar as aulas da Liga dos Estudantes de Arte sob a direção de Reginald Marsh. Seu objetivo era ser um artista. Foi depois para a School of Fine Arts da Ohio State University — uma das poucas instituições do país que possibilitavam a licenciatura em belas-artes. Ali recebeu influência de seu mestre Hoyt L. Sherman, dando início aos seus trabalhos expressionistas.

A composição intitulada Nascer do Sol é uma obra do artista, criada em offset em vermelho, azul e amarelo. Ele iniciou seu trabalho pop, inspirado nos quadrinhos, usando inicialmente a paisagem. Ainda que viesse a tomar outro rumo em relação a esta temática, Lichtenstein jamais a abandonou, usando-a com certa regularidade. Em sua obra ele suprime os contornos pretos, deixando no lugar faixas de cor sólida e agrupamentos com o objetivo de definir o espaço pictórico composto pelo oceano, montanhas e céus.

As paisagens pintadas originaram dos cenários de desenhos animados, como mostra este nascer exuberante do sol. Nela estão presentes os pontos de meio-tom duráveis — conhecidos como o pontilhado de Benday — que veio a tornar-se uma característica de sua arte. Essa obra representativa ainda se encontra longe dos trabalhos totalmente abstratos que o artista viria a criar.

Ficha técnica
Ano: 1965
Técnica: litografia em offset
Dimensões: 46,7 x 62 cm
Localização: Museu Ludwing, Colonia, Alemanha

Fontes de pesquisa
Lichtenstein/ Editora Taschen
https://www.roylichtenstein.com/sunrise.jsp

Ticiano – NOSSA SENHORA COM SANTOS E…

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Ticiano Vecellio deixou visível a sua marca através de sua acuidade psicológica, de seu desenho seguro e da riqueza do seu colorido tanto em seus personagens reais como em suas figuras mitológicas ou religiosas. Foi o mestre renascentista da cor e o maior pintor da escola veneziana. Segundo alguns de seus estudiosos, a manipulação que fazia da tinta igualava a mestria de Michelangelo no desenho. Foi também um dos primeiros pintores a assinar a sua arte. Ficou famoso pelo uso da cor, tornando-se o colorista mais original de seu tempo. Tal habilidade permitiu que ele ignorasse todas as regras da composição edificadas pelo tempo ao criar a unidade de suas pinturas. Usava muito o ultramarino, cor feita com lápis-lazúli. À época, tal calcário que contém o mineral de nome lazurita era mais caro do que o ouro. Como trabalhava para uma clientela rica, o pintor podia comprar a tinta vinda das mais caras fontes.

A composição intitulada Nossa Senhora com Santos e Membros da Família Pesaro é um retábulo do artista, sendo uma grande marca do período renascentista. Tinha por objetivo ser doado à igreja de Santa Maria dei Frari (Veneza) pelo nobre veneziano Jacopo Pesaro, líder de um grupo militar, como uma prova de sua gratidão pela vitória obtida contra os turcos. Esta pintura repassa ao observador a ilusão de que, ao entrar na igreja e a vir acima do altar lateral à sua esquerda, ele está subindo e entrando nela. Esta obra foi responsável por uma evolução nas técnicas de pintura. A habilidade técnica e inovadora de Ticiano deu um impulso ao mundo da arte e uma notável contribuição para a Renascença.

Observem como o artista quebra uma regra da pintura cristã, ao retirar a Virgem Maria e seu Menino do centro do quadro, postando-os à direita. O lugar é ocupado por São Pedro que usa uma túnica azul e um manto dourado, sentado diante da Virgem e da Criança. Sua chave — simbolizando sua dignidade — foi postada nos degraus do trono. São Francisco, com seu hábito de monge e braços abertos, encontra-se próximo de Maria e Jesus. Os estigmas (chagas da cruz) em suas mãos são seus atributos. Atrás dele se vê outro irmão de ordem. Eles ali se encontram como participantes ativos da cena. Jesus, a Virgem Maria e os santos são mostrados como seres humanos normais, em vez de serem aumentados e proeminentes, como acontecia antes.

Os doadores encontram-se ajoelhados aos pés do trono. Jacopo Pesaro encontra-se de joelhos em frente à Virgem e seu Menino, à esquerda, demonstrando grande fervor. Ao seu lado esquerdo e próximo a São Pedro está um alferes porta-bandeira, usando uma armadura e levando um prisioneiro turco que usa um imenso turbante branco. É possível que a presença do homem turco simbolize que o nobre veneziano esteja levando os turcos para o cristianismo (representado pela Virgem e Jesus) e para a Igreja Católica (representada por São Pedro, o primeiro chefe da Igreja Católica). O restante da família encontra-se ajoelhada à direita, sendo que uma criança de roupa prateada traz os olhos fixos no observador. A Virgem e São Pedro olham com compassividade para o nobre, enquanto o Menino brinca com o véu branco de sua Mãe e São Francisco, com o rosto voltado para ele, chama a sua atenção para o restante da família Pesaro.

A cena acontece num pátio aberto, tendo ao fundo duas imensas colunas que se perdem de vista em direção ao céu, ultrapassando uma nuvem escura onde dois pequeninos anjos tentam levantar uma cruz, numa referência à Paixão de Cristo. Mais distante, ao fundo, nuvens brancas perambulam por um céu azul. Embora Ticiano não tenha usado simetria em sua obra, a composição é harmônica em seu conjunto e extremamente animada. O projeto arquitetônico emoldura a cena. O ar, a luz e as cores são responsáveis pela uniformização da cena. Um estandarte com cores ricas e quentes contrabalança com a figura da Virgem Maria. Sua presença traz grande beleza à composição. Também chama a atenção a cor e a textura do manto cor de vinho do homem ajoelhado em primeiro plano e que contrasta com o manto dourado de São Pedro.

Ficha técnica
Ano – 1519/1526
Dimensões – 478 cm x 266 cm
Técnica – óleo sobre tela
Localização – Igreja de Santa Maria dei Frari, Veneza, Itália

Fontes de pesquisa
A História da Arte/ E.H. Gombrich
https://sites.google.com/site/pesaromadonna156/a-background-of-the-pesaro-madonna

Fouquet – CARLOS VII, REI DA FRANÇA

Autoria de LuDias BH

O francês Jean Fouquet (c.1420– c.1480), foi o mais importante pintor francês do século XV, início do Renascimento, segundo fontes documentais dos séculos XV e XVI. Mas pouco ou quase nada se sabe sobre sua juventude e formação, pois são pouquíssimas as informações encontradas sobre sua vida e obra. Sabe-se que foi bem conceituado no seu país e fora de suas fronteiras à época. Influências da pintura flamenga são encontradas nas obras do artista, assim como fica evidente nelas o seu amor pela natureza e o esmero usado nos detalhes. Acredita-se que, quando esteve em Florença, ele tenha se relacionado com Fra Angelico, Paolo Ucello e Masolino.

A composição Carlos VII, Rei da França deixa evidente o quão Fouquet levava a sério o retratismo flamengo, principalmente no que diz respeito à representação maravilhosamente elaborada dos tecidos, como vemos aqui na roupagem vermelha do rei francês, toda pregueada e com gola e punhos de pele. Suas volumosas ombreiras tornam o peito do soberano ainda maior. Esta pintura é muito marcante, pois dá início a este tipo de retrato na França, sendo o mais antigo dos retratos no Ocidente. O rei é apresentado em três quartos de corpo, diante de um fundo verde luminoso, usando uma suntuosa veste vermelha, mas sem nenhum atributo que possa indicar sua posição de rei. O feitio marcante de seu rosto apresenta olhos pequenos, já com olheiras e pálpebras caídas, nariz grande, boca carnuda e um furo no queixo redondo, já com as rugas da idade. Suas sobrancelhas arqueadas estão de acordo com a moda da época.

Ao que nos parece, o rei encontra-se ajoelhado, como se estivesse a olhar para fora de uma janela, provavelmente de uma capela, ladeado por duas partes de uma cortina verde-claro, recolhidas à esquerda e à direita.  É de supor que ele esteja fazendo parte de uma cerimônia religiosa, tamanha é a sua concentração e seriedade. Também pode se tratar de um retrato votivo (ofertado em razão de um voto ou promessa), se for levada em conta a inscrição “trè victorieux” (muito vitorioso), inscrita na moldura que acompanha o retrato, mas não mostrada aqui. A representação do espaço onde o rei Carlos VII encontra-se é mínima, e as cores sobrepostas e o rigor das formas geométricas fazem com que ele se apresente autoritário e severo, mas também meio cansado.

Partindo do pressuposto de que o rei encontra-se ajoelhado, seus braços, com as mãos entrelaçadas, apoiam-se numa volumosa almofada amarela, decorada com folhas e flores marrons. Seu rosto está banhado sutilmente pela luz que também destaca os adornos de seu chapéu azul-escuro, além de realçar as cortinas de um verde-claro, contrapondo-se ao verde-escuro do fundo.

Ficha técnica
Ano: c. 1445/50
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 86 x 71 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.louvre.fr/oeuvre-notices/charles-vii-1403-1461-roi-de-france