Arquivo da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Valdés Leal – AS TENTAÇÕES DE SÃO JERÔNIMO

Autoria de LuDiasBH

O pintor e gravador barroco espanhol Juan de Valdés Leal (1622 – 1690) era filho de um ourives português e de uma sevilhana. Não existem informações sobre sua formação. Presume-se que tenha sido aluno de Antonio del Castillo Saavedra em Córdoba. Possuía uma oficina em sua casa, ali realizando seus primeiros trabalhos. Com o surgimento da epidemia de cólera em 1649, o artista mudou-se com sua família para Sevilha onde angariou uma boa clientela, ainda assim, sua precária economia acompanhou-o pelo resto da vida. Juan de Valdés  Leal possuía um estilo barroco tendendo para o tenebroso. Em seu estilo dramático ele valorizava mais a expressão do que a beleza. Sua arte possuía um desenho forte, uma cor brilhante, uma sensação de movimento e uma iluminação dramática. O artista é tido, ao lado de Murillo, como um dos mais renomados representantes da pintura barroca na Espanha.

A composição religiosa intitulada As Tentações de São Jerônimo é uma obra do artista. Fazia parte de uma grande encomenda (cerca de 18 telas) feita pelo mosteiro hieronimita de Buenavista e na qual estavam incluídos episódios da vida do santo, assim como retratos de corpo inteiro dos irmãos da ordem. A série tinha por objetivo decorar a sacristia do convento de São Jerônimo de Buenavista em Sevilha. A pintura segue a composição feita por Zurbarán para Guadalupe, contudo Valdés Leal dá um refinamento em sua obra que não se encontra presente no modelo que seguiu.

O pintor retrata uma das mais frequentes tentações que o santo sofreu durante sua permanência no deserto: a aparição de belas mulheres que dançavam com sensualidade à sua volta — conforme afirmou em uma de suas cartas. Para fugir da tentação, São Jerônimo volta-se para a imagem de Jesus Cristo na cruz e ergue os braços pedindo o afastamento daquele desejo. Ele é retratado quase se nu, ajoelhado, rejeitando as mulheres lascivas — dançando e tocando instrumentos atrás dele — com o gesto de suas mãos.

O santo está ajoelhado diante de uma rocha onde se vê um grande crucifixo, um livro aberto (Sagradas Escrituras), uma pedra e uma caveira que são seus atributos. No plano inferior encontram-se outros três livros — um deles aberto — próximos à assinatura do artista. Seu rosto denotando rejeição contrasta com a postura lasciva das mulheres que usam vestidos luxuosos. É interessante observar a descrição do ambiente da caverna onde o santo vive, assim como a paisagem do deserto ao fundo.

Ficha técnica
Ano: 1657
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 222 x 247 cm
Localização: Museu de Belas Artes, Sevilha, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.artehistoria.com/en/artwork/tentaciones-de-san-jerónimo

Valdés Leal – LIBERTAÇÃO DE SÃO PEDRO

Autoria de LuDiasBH

Esta é uma das pinturas mais ardentes e dinâmicas de Valdés Leal, destacando-se, acima de tudo, a figura do anjo, que é uma das melhores realizações da sua produção. (Enrique Valdivieso)

O pintor e gravador barroco espanhol Juan de Valdés Leal (1622 – 1690) era filho de um ourives português e de uma sevilhana. Não existem informações sobre sua formação. Presume-se que tenha sido aluno de Antonio del Castillo Saavedra em Córdoba. Possuía uma oficina em sua casa, ali realizando seus primeiros trabalhos. Com o surgimento da epidemia de cólera em 1649, o artista mudou-se com sua família para Sevilha, onde angariou uma boa clientela, mas ainda assim sua precária economia acompanhou-o pelo resto da vida. Juan de Valdés Leal possuía um estilo barroco tendendo para o tenebroso. Em seu estilo dramático, ele valorizava mais a expressão do que a beleza. Sua arte possuía um desenho forte, uma cor brilhante, uma sensação de movimento e uma iluminação dramática. O artista é tido, ao lado de Murillo, como um dos mais renomados representantes da pintura barroca na Espanha.

A composição religiosa intitulada Libertação de São Pedro é uma obra do artista em que predomina a teatralidade vista em outras pinturas suas da década de 1650. A cena mostra o apóstolo Pedro preso em sua cela, acompanhado de um guarda — sentado a sua frente — e um segundo de pé — atrás dele —, quando recebe a visita de um anjo. O santo faz um gesto piedoso de súplica em direção ao ser divinal. Sua face iluminada pela claridade angelical traz uma mistura de temor e tremor, corroborada com a mão alongada na mesma direção indicada pela mão direita do anjo.

A entrada do ser resplandecente na cela da prisão, com suas grandes asas totalmente abertas e túnica tremulante, caminhando com passos largos, cria um grande impacto na composição. A luminosidade do anjo que ilumina São Pedro contrasta com a escuridão do lugar, sendo os guardas da prisão engolidos pela sombra.

Ficha técnica
Ano: 1656
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 188 x 221 cm
Localização: Catedral, Sevilha, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
http://www.loyolaandnews.es/la-liberacion-de-san-pedro/

Valdés Leal – SÃO JOÃO EVANGELISTA E AS…

Autoria de LuDiasBH

Esta é uma das pinturas mais ardentes e dinâmicas de Valdés Leal, destacando-se, acima de tudo, a figura do anjo que é uma das melhores realizações da sua produção. (Enrique Valdivieso)

O pintor e gravador barroco espanhol Juan de Valdés Leal (1622 – 1690) era filho de um ourives português e de uma sevilhana. Não existem informações sobre sua formação. Presume-se que tenha sido aluno de Antonio del Castillo Saavedra em Córdoba. Possuía uma oficina em sua casa, ali realizando seus primeiros trabalhos. Com o surgimento da epidemia de cólera em 1649, o artista mudou-se com sua família para Sevilha. Juan de Valdés Leal possuía um estilo barroco tendendo para o tenebroso em que  valorizava mais a expressão do que a beleza. Sua arte possuía um desenho forte, uma cor brilhante, uma sensação de movimento e uma iluminação dramática.

A composição barroca intitulada São João Evangelista e as Marias a Caminho do Calvário — também conhecida como A Virgem com São João Evangelista e as Três Marias a Caminho do Calvário — é uma obra do artista espanhol.  A pintura é inspirada num texto do Evangelho e retrata uma passagem da história da Paixão de Cristo. Este é um de seus trabalhos mais emocionantes.

A cena acontece à margem da subida de Cristo ao monte Calvário. Ao tomarem conhecimento do destino do Salvador, as santas mulheres — dentre elas se encontra Maria, a mãe de Jesus — correm para o local da crucificação. Elas estão sendo guiadas por São João Evangelista que, à frente do grupo, aponta a direção, enquanto segura a mão da Virgem Maria. Enquanto o santo demonstra uma atitude mais enérgica, as mulheres mostram-se mais contidas, como se aceitassem o que está por vir. O pintor reflete, com grande intensidade, o sentimento de tristeza coletiva.

Em sua obra Valdés Leal representa com muita sensibilidade o medo, a ansiedade e o pesar de que é tomado o grupo, já prevendo o desenrolar dos cruéis acontecimentos. Ao envolver as figuras com luzes tempestuosas, ele reforça o presságio, dotando a cena de  mais emoção. É também brilhante a maneira pela qual o artista consegue passar para o observador a sensação de movimento, principalmente através do gesto largo do santo, aumentando ainda mais a dramaticidade da cena.

Ficha técnica
Ano: 1657/68
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 144 x 204 cm
Localização: Museu de Belas Arts, Sevilha, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.artehistoria.com/es/obra/virgen-con-san-juan-evangelista-y-las-tres-marías

Mestres da Pintura – JUAN VALDÉS LEAL

Autoria de LuDiasBH

O pintor e gravador barroco espanhol Juan de Valdés Leal (1622 – 1690) era filho do ourives português Fernando de Nisa e da sevilhana Antonia de Valdés Leal. Não existem informações sobre sua formação artística. Presume-se que tenha sido aluno de Antonio del Castillo Saavedra em Córdoba, onde se casou com Isabel Martínez de Morales, supostamente uma pintora de óleo, pertencente a uma ilustre família do lugar. Possuía uma oficina em sua casa, ali realizando seus primeiros trabalhos. Com o surgimento da epidemia de cólera em 1649, o artista deixou Córdoba, mudando-se com sua família para Sevilha onde angariou uma boa clientela, ainda assim, sua precária economia acompanhou-o pelo resto da vida.

Em 1654 ele foi encontrado novamente em Córdoba, onde em 26 de dezembro nomeou sua primeira filha Luisa Rafaela, a quem educou em pintura e gravura. Sua segunda filha, Eugenia María, nasceu em Sevilha. Pelo recenseamento de 1665 é também conhecido o nome de um oficial, Manuel de Toledo, de dezoito anos, residente com o artista. Seu filho Lucas nasceu em 1661, ano em que foi novamente nomeado examinador da guilda dos pintores e ao mesmo tempo ocupou o cargo de administrador da Irmandade de São Lucas. Juan de Valdés Leal foi eleito presidente da Academia por quatro anos.

O seu primeiro trabalho documentado em Sevilha foi em 1652. Refere-se a um grupo de pinturas feitas para o convento de Santa Clara em Carmona, entre as quais se destaca o “Retiro dos Sarracenos”. Também esteve em Madri, mas optou por ficar permanentemente em Sevilha. Fez uma série de seis obras para o mosteiro de San Jerônimo sobre a vida do santo, entre as quais estão “As tentações de São Jerônimo” e “A Flagelação de São Jerônimo” em que deixa patente a plenitude de seu estilo pessoal.

O artista possuía um estilo barroco tendendo para o tenebroso. Em seu estilo dramático, ele valorizava mais a expressão do que a beleza. Sua arte possuía um desenho forte, uma cor brilhante, uma sensação de movimento e uma iluminação dramática. Outra faceta importante do artista é a de gravador. É tido, ao lado de Murillo, como um dos mais renomados representantes da pintura barroca na Espanha.

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.arteespana.com/juandevaldesleal.htm

Murillo – A VELHA COM O MENINO

Autoria de LuDiasBH 

O pintor espanhol Bartolomé Esteban Murillo (1618 -1682) nasceu na cidade de Sevilha, uma das mais importantes cidades da Andaluzia. Seus pais eram muito pobres, mas ainda assim queriam que o filho tivesse uma vida melhor do que a deles, embora o país passasse por uma decadência política e econômica, contrastando com sua grandeza artística e cultural. Antes que o garoto completasse 11 anos, seus genitores faleceram, ficando o pequeno aos cuidados de um tio que, ao notar sua queda pelo desenho, levou-o ao estúdio do pintor Juan del Castillo, com quem ele estudou e trabalhou durante 10 anos, até que esse se mudou para Cádiz. O futuro pintor, cuja arte foi moldada em pintores e influências estrangeiras, viria a participar do clima cultural e conservador de Sevilha, imbuído de profundas raízes populares.

A composição intitulada A Velha com o Menino — também conhecida como Anciã Procura por Piolhos no Cabelo de um Menino — é uma obra de gênero do artista barroco. São cerca de 20 pinturas neste estilo, normalmente mostrando a pobreza dos personagens — geralmente meninos e meninas maltrapilhos. Existem provas de que Murillo teve contato com a pintura de gênero da arte do Norte,  estilo incomum na pintura espanhola. A pintura em questão diz respeito ao tema holandês que se refere à virtude do asseio.

A cena acontece num ambiente pobre, onde uma anciã traz um garotinho junto às suas pernas, enquanto cata os piolhos de sua cabeça. O garoto traz na mão esquerda um pedaço de pão e na boca um naco do alimento. Ele brinca com um cãozinho que posta as duas patinhas dianteiras em sua coxa direita e olha para ele, possivelmente esperando ganhar um pedação de seu pão. No local há uma mesa e um banquinho de madeira e dois vasos de cerâmica. Uma janela aberta mostra o exterior, onde é visto um céu azul com nuvens brancas.

Ficha técnica
Ano: c. 1670
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 147 x 113 cm
Localização: Alte Pinakothek, Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições

Murillo – A IMACULADA CONCEIÇÃO DE EL ESCORIAL

Autoria de LuDiasBH

O pintor espanhol Bartolomé Esteban Murillo (1618-1682) nasceu na cidade de Sevilha, uma das mais importantes cidades da Andaluzia. Seus pais eram muito pobres, mas ainda assim queriam que o filho tivesse uma vida melhor do que a deles, embora o país passasse por uma decadência política e econômica, contrastando com sua grandeza artística e cultural. Antes que o garoto completasse 11 anos seus genitores faleceram, ficando o pequeno aos cuidados de um tio que, ao notar sua queda pelo desenho, levou-o ao estúdio do pintor Juan del Castillo, com quem ele estudou e trabalhou durante 10 anos, até que esse se mudou para Cádiz. O futuro pintor, cuja arte foi moldada em pintores e influências estrangeiras, viria a participar do clima cultural e conservador de Sevilha, imbuído de profundas raízes populares.

A composição religiosa intitulada A Imaculada Conceição de El Escolrial — obra do artista barroco — é uma personificação da Virgem Maria como Imaculada Conceição. Diz respeito a um tema que era muito procurado pelos fieis de Sevilha/Espanha, onde a adoração da Virgem era profunda. Murillo fez inúmeras representações artísticas sobre ela, sendo esta uma das mais belas e mais de acordo com o espírito da época, ou seja, reduzida ao essencial. O artista abre mão dos elementos descritivos e simbólicos comumente encontrados em versões anteriores, quando a Virgem era acompanhada de excessivos símbolos marianos com o objetivo de expressar sua pureza. Nesta pintura estão presentes apenas o quarto crescente e os anjos. Anteriormente esta composição foi erroneamente identificada como a “Imaculada Conceição da Granja”

Uma jovem e adorável Virgem ocupa o centro da tela, subindo em direção ao céu. Ela veste um vestido branco e um manto azul. Traz as mãos entrelaçadas em pose de oração e os olhos erguidos para o alto. A seus pés está uma lua crescente e quatro querubins que levam rosas, lírios e uma folha de palmeira — referências à sua pureza e martírio. Sua impressionante beleza física expressa também a sua pureza.

O pintor emprega na composição um claro-escuro esfumaçado e uma luz suave e dourada. A Virgem é banhada por uma nebulosa de luz celestial dourada que empresta à pintura um calor e doçura incomuns. Alguns putti estão presentes na parte superior e na inferior da pintura. Os querubins que se encontram na parte superior parecem diluir-se em meio à densa nuvem e à luz resplandecente, o que foi atribuído à noção de ausência de peso objetivada por Murillo que se tornou uma grande influência para muitos artistas subsequentes na maneira de retratar a Virgem.

O artista espanhol conseguiu em sua pintura, alcançar dois importantes objetivos: representar a Imaculada Conceição de acordo com as expectativas da sociedade barroca da época e também criar uma imagem belíssima da Virgem, fazendo dela um símbolo de grande importância para o cristianismo. É bom lembrar que, quando o artista começou a pintar suas telas deslumbrantes com a imagem da Imaculada Conceição, seu culto já vinha ganhando um imenso vigor na Espanha há cerca de um século e meio, sendo que a identidade coletiva espanhola defendia que seus pais São Joaquim e Santa Ana conceberam-na sem o contato físico necessário para gerar outros mortais. Tratava-se de um tema genuinamente local, sendo a Espanha sua principal defensora.

Murillo foi o pintor responsável por criar uma representação da Imaculada Conceição capaz de expressar toda a força do fervor popular, tornando-se universalmente aclamado por sua habilidade. Produziu cerca de 20 versões do tema durante a sua vida, sendo esta pintura uma das mais marcantes e emocionantes.

Ficha técnica
Ano: c. 1665/70
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 206 x 144 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/the-immaculate-conception-of-el-escorial/10a7a263-cec9-4bbc-8385-6c8c1893b4dd
https://en.m.wikipedia.org/wiki/The_Immaculate_Conception_of_El_Escorial
https://www.artble.com/artists/bartolome_esteban_murillo/paintings/immaculate_conception_of_el_escorial