Magritte – O IMPÉRIO DAS LUZES

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O desenhista, ilustrador e pintor belga René François Ghislain Magritte (1898-1967) era filho de Léopold Magritte – alfaiate e comerciante têxtil – e Régina. Ingressou ainda muito novo na Académie Royale des Beaux-Arts/Bruxelas (1916 a 1918), ali permanecendo apenas dois anos, pois achava as aulas improdutivas e pouco inspiradoras. Começou a pintar aos 12 anos de idade. Suas primeiras pinturas, datadas de cerca de 1915, eram de estilo impressionista. Já as que ele criou durante os anos de 1918 a 1924 receberam influência do Futurismo e do Cubismo figurativo de Metzinger. Era um homem agnóstico, taciturno e aparentemente tímido que cultivava opiniões políticas de esquerda. 

O artista fez, entre 1949 e 1954, uma série de pinturas a óleo, usando o título de O Império das Luzes, todas ligeiramente diferentes umas das outras. Na série ele apresenta a imagem de uma rua noturna, iluminada apenas por uma fonte de luz artificial. Completa a tela um belo céu diurno de fundo azul com nuvens brancas esvoaçantes.

A composição acima intitulada O Império das Luzes – possivelmente a obra mais conhecida de René Magritte, apresenta uma cena noturna, mas tendo a cobri-la um céu diurno. Embora à primeira vista possa parecer comum, dentro de um padrão extremamente realista, uma observação mais aguçada mostra que se trata de algo surreal. Como uma paisagem noturna poderia apresentar um céu azul com nuvens brancas? Dia e noite se completam nesta indagadora composição. A justaposição fundindo dia e noite é o único elemento de fantasia presente.

Não é detectado na pintura qualquer tipo de emoção humana. Tudo é retratado impessoalmente. A casa encontra-se na escuridão, tendo uma pequena fração dela iluminada pela luz que vem da lâmpada da rua que divide a composição ao meio. Duas janelas estão iluminadas por uma luz que vem de dentro da residência aparentemente vazia.

O céu, embora luminoso e belo, mostra-se frio e indiferente, apresentando uma luz inquietante. Por sua vez, a escuridão apresentada abaixo dele parece amedrontadora. A pintura não repassa nenhum sentimento, mostrando-se totalmente impessoal, estando em sintonia com o movimento artístico surrealista da época.

Nota: esta pintura figura como uma imagem do filme “O Exorcista” (1973). No filme o padre Merrin aparece debaixo da lâmpada solitária, fora da casa da família MacNeil.

Ficha técnica
Ano: 1954
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 195,4 x 131,2
Localização: Coleção Peggy Guggenheim, Veneza, Itália

Fontes de pesquisa
Magritte/ Editora Taschen
https://www.guggenheim.org/artwork/2594
http://www.rene-magritte.com/empire-of-light/

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