Daumier – OS EMIGRANTES

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor realista francês Honoré Daumier (1808-1879) entrou aos 14 anos de idade para o atelier de Alexandre Lenoir, um antigo aluno de Jacques-Louis David. Também estudou escultura antiga no Louvre e as obras de Ticiano e Rubens. A liberdade de expressão chegou à França após a Revolução de 1830, o que sinalizou para que a arte da caricatura política se tornasse livre e ganhasse grande importância. Como era um grande admirador da República, Daumier passou a trabalhar com esse tipo de caricatura, principalmente com as que satirizavam o rei Luís Felipe. Ficou seis meses na prisão por causa de uma delas.

Daumier iniciou a pintura de quadros aos 37 anos de idade, vindo a transformar-se no maior representante do Realismo Social na pintura. Sua capacidade de síntese era tamanha que nenhum outro pintor do século XIX conseguiu igualá-lo. Morreu na miséria e quase cego numa casa que lhe foi dada por Jean-Baptiste Camille Corot. Apesar de ser visto como um exímio gravurista, foi também um dos mais importantes pintores do século XIX.

A composição intitulada Os Emigrantes, também conhecida como Os Fugitivos, é uma obra do artista que apresenta um grupo de esmolambados numa paisagem isolada, árida e com altas dunas. O grupo caminha debaixo de um céu pesado de nuvens criadas em sombreados de castanho. Tudo ali remete ao isolamento, desamparo e desespero. Não se sabe quem são ou para onde vão aquelas pessoas. A marcha inicia-se à direita em diagonal, passando pelo meio e atingindo a lateral esquerda da composição, repassando a impressão de que se estenderá para muito longe, bem além da moldura do quadro. O que o observador sente é que existe naquele grupo um profundo sentimento de abandono e inquietação.

Daumier, minimalista como sempre, elimina todas as convenções artísticas em sua obra. Busca apenas o estritamente necessário para se fazer entendido. Suas figuras se reduzem a nevoentas e toscas massas sem formas definidas, parecidas com o barro da paisagem onde se inserem. O observador depara-se apenas com o grosso perfil preto e o contraste de luz e sombra, tornando irreconhecível e anônimo cada membro do grupo. A coluna de figuras recurvadas, toscamente desenhadas, atravessa a paisagem de dunas. Na composição predominam os tons de amarelo e castanho. O claro-escuro aguça a dramaticidade da cena.

A origem deste quadro pungente, juntamente com Os Refugiados e Os Prisioneiros, está na crueldade com que o monarca francês Luís Filipe esmigalhou a rebelião de trabalhadores em junho de 1848, levando à morte milhares de pessoas e fazendo outras tantas prisioneiras. Cerca de quatro mil indivíduos foram deportados para Argélia.

Ficha técnica
Ano: 1852/1855
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 16,2 cm x 28,7 cm
Localização: Museu Nacional do Louvre, Paris, França

Fonte de pesquisa
Obras-primas da pintura ocidental/ Taschen
https://www-artble-com.translate.goog/artists/honore_daumier/paintings/don_quixote?_x_tr_sl=en&_x_tr

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