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VÍRUS DA ARTE & CIA – Lu Dias Carvalho

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Categoria: Animal Social

O homem é um animal social, por isso é, ao mesmo tempo, influenciado e influenciador. É preciso conhecer os meandros de sua natureza animal e humana.

CRIANÇA E TECNOLOGIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

    É incrível como o ser humano foi sempre afeito a crendices e superstições, não importando a sua etnia ou cultura. O homo sapiens, na verdade, não é tão sábio assim. Mas ainda que isso pareça arraigado na cultura humana, já há mostras de que as novas gerações tendem a ser menos tolas. Prova disso foi o papo que tive com meu netinho de seis anos, dois anos atrás, quando lhe pedi que me falasse sobre o que mais o amedrontava. Ele pensou, pensou, vagou de um lado para outro, como se estivesse em busca de uma solução para salvar o planeta do aquecimento global, e disparou: “Dindinha, o meu maior medo é ir para um lugar onde não há internet”. Como a resposta não me agradasse, pois iria escrever sobre medos e mitos infantis, tentei direcionar o assunto, dando-lhe outro viés: “Não, meu amor, estou falando de mula-sem-cabeça, lobisomem, saci-pererê…”. Ele me olhou nos olhos, estupefato, e disse-me: “O que é isso, dindinha, isto é folclore, crença popular, sem um pingo de verdade. Poxa! Você está precisando de se informar mais”. Se é verdade que fiquei feliz com a sua resposta, também me entristeceu o fato de um garotinho de seis anos já ser dependente da internet. Qual dos males seria o pior? Confesso que ainda não sei!

    A verdade é que a tecnologia avança em todos os lares, para o bem ou para o mal da humanidade, dependo do modo como é usada. O homem, cada vez mais, vem se transformando num ciborgue (ser que possui partes orgânicas e partes artificiais). O celular virou uma parte de seu corpo. No caso do ciborgue, por enquanto, tais acréscimos têm por finalidade reativar uma função perdida ou ampliar a capacidade humana, mas no futuro poderemos ter super-humanos a dominar os mais fracos. Falei tudo isto para contar a minha surpresa com a minha netinha de seis anos, à época, na sua interação com a tão conhecida “Alexa”. Ela e o irmão estavam curiosos para conhecer a nova moradora da casa de seus avós. Ali chegaram cheio de curiosidades, ávidos por terem suas perguntas respondidas. Foi preciso colocar um tempo para que um não atropelasse o outro. Contudo, a dona Alexa só respondia ao garoto. A menininha perguntava e perguntava, mas sempre sem resposta. Indignada, ela deu o grito: “Alexa, você só responde as perguntas do meu irmão. Isto é muito feio. Você é mulher e mulher é amiga de outra mulher. Não estou gostando nada de você, sua tolinha” e saiu fazendo muxoxos. Só um tempo depois é que descobrimos que a sua janelinha, formada pela falta de dois dentes, não lhe permitia falar corretamente o nome da exigente IA.

   Como escrevo para crianças, estou sempre de olho nos meus netinhos. A passagem mais recente foi o debate travado entre eles e o Gemini (IA). A garotinha, ao ver o seu dindinho fazendo perguntas ao Gemini, esperou um momento propício para lançar mão do celular (é proibido o seu uso). “Conversavam” como se fossem duas boas amigas. Tudo ia bem, até a hora em que ela começou a falar dos defeitos do irmão, com a anuência da IA que repetia tudo e dava conselhos. Quando ela pediu para chamar o maninho de “Zé Ruela” e a IA o fez, o caldo entornou. Ele gritava para a IA chamá-la de “Maria Ruela” e ela obedecia prontamente. Num determinado momento só se ouvia “Zé Ruela”, “Maria Ruela”… Antes que o sistema entrasse em pane, imagino eu, a mãe apareceu e catou o celular, deixando os dois tecnológicos brigões no boca a boca que perdurou por um bom tempo, até que foram chamados para o lanche da tarde, quando tudo voltou ao normal, embalado por um suquinho de maracujá e pão de queijo. E a dindinha vendo tudo, sem interferir, pois ali estava a sua fonte de pesquisa, embora ouvisse a reprimenda: “Minha mãe vê os dois com o celular e não faz nada!”. E eu sou louca de botar fim na minha diversão? Claro que não!

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Autor Lu Dias CarvalhoPublicado em 12/01/202614/01/2026Categorias Animal SocialDeixe um comentário em CRIANÇA E TECNOLOGIA

O HOMEM E SUAS CRENDICES

Autoria de Lu Dias Carvalho

    Recentemente escrevi o livro de memórias de minha encantadora tia Davina, intitulado “Marcas de Minhas Vivências”, para comemorar os seus 96 anos de vida. Nem é preciso dizer que naveguei por um mundo desconhecido, principalmente ao relatar o período de sua infância e juventude. Numa de suas passagens, conta a minha tia que, naqueles tempos, acreditavam os pais e avós que botar uma lagartixa viva dentro de uma panela com água fervente e depois tomar o caldo impedia a criança de ter sarampo, doença que fazia muitas vítimas entre os pequeninos. Eu fiquei matutando na matança dos inocentes bichinhos, aos quais imputavam um poder curativo que não tinham, e no sofrimento das crianças, entremeado pela repugnância, ao tomar o bizarro líquido, e na compaixão que sentiam por aqueles serzinhos indefesos. Tudo não passava de uma crença que, passada de boca em boca, atingira toda a comunidade e adjacências. As lagartixas morriam cruelmente por causa de um mito.

    As crenças estão presentes em toda a história da humanidade. Aquele que ousa navegar pelos costumes antigos, mais especialmente pelos da Idade Média, depara com um sem conta de absurdos, embora ainda os tenhamos nos dias de hoje, só que em escala bem menor. Quem nunca ouviu falar que a nudez era vista como pecaminosa? Aquele que ficasse nu estava predisposto a ser moradia dos maus espíritos que, por sua vez, eram os supostos responsáveis por toda sorte de doenças. As pessoas abominavam o banho para evitarem o contato com próprio corpo. As partes do corpo que recebiam a boa e salvadora água eram as mãos, rosto e pés. Assim, não é de estranhar que um cheiro nauseabundo tomasse conta de todos, pois as tais partes pecaminosas eram exatamente as que mais necessitavam de água. Assim descreveu o escritor alemão Patrick Suskind: “Fediam o camponês e o padre, o aprendiz e a mulher do mestre, fedia a nobreza toda, até o rei fedia como um animal de rapina, e a rainha como uma cabra velha, tanto no verão quanto no inverno”. Não era para menos!

    O que levou homens e mulheres a esse comportamento senão a crença doentia em espíritos maus? A verdade é que esses espíritos, caso existissem, não causavam mal algum, mas a falta de banho ocasionava um sem conta de doenças. Todos seguiam ardorosamente a teoria de que a nudez “pecadora e desprezível” era a morada do mal. Somente muitos e muitos anos depois é que a Ciência explicou que os tais espíritos maus não passavam de micróbios (bactérias, vírus, fungos, etc.). Naquela época, o saber, ainda que rudimentar, era privilégio de uns poucos privilegiados. As superstições – filhas das falsas verdades, advindas da falta de embasamento científico – grassavam como areia no deserto. Se ainda hoje, com as Inteligências Artificiais (Gemini, Copilot, DeepSeek, chat GPT, etc) pululando pelo planeta Terra, existem aqueles que se apegam às crenças e superstições, sem delas arredar pé, o que teria sido nos tempos idos? Havia tantos enganos quanto o número de estrelas no céu. A verdade nua e crua é que cada época tem o seu rol de nonsense, a exemplo da era vitoriana, período em que os médicos – sim, os médicos – alertavam as mulheres para o perigo de lerem romances e ficarem estéreis ou loucas. O mais engraçado nessa história é que aos homens tais leituras nenhum mal faziam.

Fonte de pesquisa: O Animal Social – Elliot Aronson e Joshua Aronson

 

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Autor Lu Dias CarvalhoPublicado em 05/01/202606/01/2026Categorias Animal Social16 comentários em O HOMEM E SUAS CRENDICES

INTERAÇÕES SOCIAIS

Autoria de Lu Dias Carvalho

    O conhecimento da psicologia social é de fundamental importância no estudo das interações sociais. Não se trata do conhecido “disse me disse”, mas de um estudo científico que tem como objetivo analisar a influência, real ou imaginária, que nós, humanos, exercemos uns sobre os outros no campo dos pensamentos, englobando emoções, crenças e comportamentos. Não passa de um tolo aquele que sopra aos quatro ventos que ninguém exerce influência alguma sobre si. Exerce, sim, e como! O pior é quando, apesar de todas as evidências, o sujeito renega a verdade de que é um subproduto de certas teorias espalhadas em seu entorno. Está tão crédulo no que lhe repassaram que não se dá ao trabalho de buscar a verdade. Portanto, um melhor conhecimento sobre a psicologia social fará um bem danado a todos aqueles que acham que são os únicos responsáveis pelas suas decisões. Mas que ledo engano!

   É fato que a população mundial cresce assustadoramente. Está estimada hoje em 8,26 bilhões de almas espalhadas pelo planeta Terra. A qualquer hora o planeta despenca no vácuo do Universo (brincadeira). As pessoas são, cada vez mais, levadas a interagir umas com as outras, tecendo juízos sobre aquelas com as quais se relacionam quer positiva ou negativamente. Baseiam-se, na maioria das vezes, na chamada sabedoria convencional, o que as leva, vezes sem conta, a darem com os burros n’água. Nunca se sabe, de fato, a verdade que cada um traz dentro de si. Psicólogos sociais amadores – que somos todos nós –, temos que atentar para a cautela, seguindo um ditado tão conhecido em nossa terra: “Devagar com o andor que o santo é de barro”. Nada de ir com muita sede ao pote, ao avaliar ou confrontar alguém. Como dizia a minha vó, cautela e caldo de legumes não fazem mal a ninguém. Um momento, sei que o ditado reza “caldo de galinha”, mas, como sou avessa à morte de animais, peço licença aos nossos antigos mestres para mexer nesse velho dito popular.

    O nosso conhecimento de “bem” e “mal” é bem personalístico. Somos como o sujeito da fábula dos “Dois Alforjes”, que carregava os defeitos dos outros na parte da frente e os seus na parte de trás. Imaginamos ser sempre “pessoas maravilhosas”, como se não seguíssemos à risca o ensinamento do Rabino Hillel, século I a.C., que dizia: “Se eu não for por mim, quem o será?”. Não sei você, mas eu nunca conheci alguém que fosse bom o tempo todo, tampouco mau. Em todos nós há laivos de generosidade a brotar, ainda que a nossa terra esteja bem ressequida, assim como laivos de maldade. O pressuposto de que nunca adotamos comportamentos questionáveis, insensatos ou cruéis não passa de balela. Alguns há que, psicologicamente doentes, praticam-nos certos de que são criaturas divinas, a exemplo do líder religioso Jim Jones (EUA/1977), prova cabal de que a influência social atua fortemente sobre as pessoas, modificando-lhes o comportamento, impedindo-as, muitas vezes, de enxergar a vida com os próprios olhos, embora pensem que o fazem.

Fonte de pesquisa: O Animal Social / Elliot Aronson e Joshua Aronson

     

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Autor Lu Dias CarvalhoPublicado em 01/01/202602/01/2026Categorias Animal Social6 comentários em INTERAÇÕES SOCIAIS

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