O BAILE DO PÓ ROYAL

Autoria de Lu Dias CarvalhocccaaaO Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, realizado em Belo Horizonte, e já na sua terceira edição, elege todo ano as melhores marchinhas do Carnaval mineiro. Foram inscritas 119 marchinhas, em 2014. Um corpo de cinco jurados foi responsável por escolher as três melhores e o público presente, estimado em mil foliões, definiu a ordem de premiação. Foi o povo dando o tom!

As três primeiras colocadas são:

1º lugar: Baile do Pó Royal
2º lugar: Pula Catraca
3º lugar: Carnaval

Tudo estaria dentro da mais perfeita normalidade, se a marchinha campeã, Baile do Pó Royal, não tivesse sido inspirada na apreensão da aeronave dos Perrela, das Minas Gerais. Isto mesmo! Ela faz uma paródia daquele caso que ocupou a mídia por um bom tempo, no final do ano passado, e que envolveu o helicóptero do senador mineiro Zezé Perrela, preso (o helicóptero e não o dono) com mais de 400 quilos daquele pó proibidíssimo – cocaína.

É engraçado, não é, prender coisas que não possuem vida própria? Mas o coitado do helicóptero ficou lá no xilindró, sendo torturado, vasculhado de cabo a rabo. As autoridades competentes buscavam por carreirinhas que levassem ao pó. Encontraram os responsáveis? Sim! Chegou-se à conclusão que foi o próprio helicóptero o vilão da história. O bandido desceu em terras perigosas, entupiu-se do tal pó, e que mico, e se bandeou para o Espírito Santo, onde foi pego com a boca no saco do pó que não tem nada de royal. Danada de boba essa tal de aeronave, que acabou ficando sozinha no frigir dos ovos. Vai coisa parva, saiba que galinha que acompanha pato morre afogada.

Voltando ao Baile do Pó Royal, que não é para bolo e, que promete ser o grande sucesso do Carnaval de Belô, a marchinha foi composta por Alfredo Jackson, Joilson Cachaça e Thiago Dibeto, tendo como intérpretes: Gustavo Maguá, Oleives, Thiago Dibeto e Vitor Velloso. Vixe Maria! Será que essa gente toda cabe na aeronave dos Perrela? Soube que, com os 5 mil reais do prêmio, os moços querem comprar o helicóptero… mas sem o pó, pois isso é coisa para “peixes graúdos”.

No próximo sábado, dia 22 de fevereiro, os vitoriosos do Baile do Pó Royal apresentam-se no desfile da Banda Mole, que se realizará na Avenida Afonso Pena, no centro da capital mineira. Mas o Baile do Pó Royal já é sucesso absoluto na internet. Como aposto que o leitor, que ainda não conhece a marchinha, está louquinho para ouvi-la, aqui está a letra e, logo abaixo, o link.

Mas corra, antes que certa dama do governo mineiro, mais poderosa nas terras do “uai” do que foi Margareth Tatcher na Inglaterra, dê ordens para que o link seja removido.

O Baile do Pó Royal

Deixaram o Pó Royal cair no chão
em pleno baile de carnaval.
Achei que ia rolar a confusão,
mas a turma achou legal.

O pó chegou voando no salão,
que farra sensacional!
Deu até notícia na televisão,
virou Baile do Pó Royal.

O pó rela no pé
o pé rela no pó
O pó rela no pé
o pé rela no pó

Esse pó é de quem tô pesando?
Ah é sim, ah é sim!
Você sabe, eu também sei de cor.
Ah é sim, ah é sim!
Não espalha que vai ser melhor.

Nota: ouçam a música: https://www.youtube.com/watch?v=6cCTG6SzijY&feature=kp

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EXISTEM PROMOÇÕES NO BRASIL?

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Os mês de fevereiro, nas grandes cidades brasileiras, principalmente nas metrópoles, é sem dúvida a melhor época para se comprar. São muitos os motivos que levam os comerciantes a abaixarem, ainda que minimamente, seus preços: sobra de mercadorias do Natal, a primazia dada aos objetos escolares em detrimento de outros itens, muita compra no exterior, os gastos inevitáveis com IPTU, IPVA e outros impostos, a volta das férias com as finanças em baixa, Carnaval e a mudança de estação, dentre outros. Assim, quem pode aguardar mais tempo para comprar, muitas vezes, obtém preços menos exorbitantes. Mas é preciso muito cuidado para não cair na armadilha das promoções. O consumidor brasileiro precisa ficar atento às manobras do mercado, pois de bobos os nossos comerciantes não possuem nada.

A cada ano, as táticas para atrair os clientes modificam-se. No ano passado, proliferaram os termos em inglês, como se isso indicasse o “chiquetê” das lojas, que na verdade não são chiques e nem miques. Era um tal de “for sale”, “on sale”, “sell-off”, “reduced price”, “all sales” e por aí vai o besteirol, como se nós, brasileiros, fôssemos obrigados a dominar a língua inglesa. Digo nós, porque os estrangeiros gostam mesmo é das feirinhas típicas, passando longe dos shoppings. Na verdade, isso nada mais é que um esnobismo idiota, coisa de colonialismo, mesmo. O nome de certos estabelecimentos merece um capítulo à parte.

A última novidade nas propagandas promocionais, principalmente nos shoppings, e isso em letras garrafais, é “Promoção – até 70%”. Obá! Acalme-se, senhor ou senhora cliente. Não vá com tanta sede ao pote, pois, para enganar nossos olhos, o “até” (ou o a partir) vem minúsculo, imperceptível, magricelo, anêmico e caguincha. O coitado aparece todo espremidinho, desmilinguido, insultado e humilhado em meio a um monte de letras graúdas, bonitonas, gorduchas, salientes e muito bem alimentadas e vestidas por tintas coloridas. E o “até”, ali no meio, morrendo sufocado, coitadinho.

Ontem, eu resolvi perambular por alguns shoppings, tentando garimpar coisas boas e “menos caras”, pois liquidação neste país é quase sempre para “inglês ver”.  Sôfregos, meus olhos percorriam os anúncios dos preços paradisíacos. E lá estava, na maioria das lojas, o apelo estampado em letras garrafais: “Promoção até 70%”. Mas o “até” estava tão mirrado, que meus olhos e minha percepção expurgaram-no, jogando-o de escanteio, contribuindo ainda mais para o seu complexo de inferioridade. O que disso resultou, eu lhes conto depois.

Existem também certas lojas que aderiram a uma nova mentira promocional do “Compre uma peça e leve outra de graça”. Mentira deslavada. As duas saem com um desconto de 30%, no total. Ou seja, você, se não souber um pouco de matemática, cai no conto do vigário. O que querem, na verdade, é empurrar, no mínimo, duas unidades ao cliente. E pior, há pessoas que acreditam nesse falso milagre, nessa bondade suprema. Outras lojas, apenas colocam a palavra “promoção” na peça, conservando o mesmo preço de antes, na maior cara de pau e sem-vergonhice.

O consumidor também precisa saber que ele tem direito a trocas, indiferentemente de a mercadoria ser promocional ou não. Aqueles avisos diante dos caixas, dizendo que não trocam mercadorias de promoção, não valem nada diante do Código do Consumidor. Ameace ir ao Procon e logo será atendido. Foi isso que fiz numa determinada loja.

Para encurtar a história de meu desencanto, não encontrei um só lugar onde funcionasse o extraterrestre “70%” (havia até propaganda de 80%) Tudo estava, no máximo, 30% menos caro. Foi então que resolvi tirar a prova dos nove: comecei a questionar os minúsculos descontos, em comparação com a publicidade enganosa. Mas a resposta vinha na ponta da língua dos vendedores. Vejam o diálogo:

LD – Gostaria de ver os produtos com 70% de descontos.
Vendedor(a) –  Infelizmente, já acabaram todos!

LD – Então me mostre alguns com 40, 50 ou 60%.
Vendedor(a) – Os produtos com esses descontos acabaram logo no início das promoções. Estamos agora só com os de 30% para baixo.

LD – Mas na propaganda colada ao vidro não está dizendo isso! Olhe lá!
Vendedor(a) – É que ainda não tivemos tempo de retirá-la.

Trocando em miúdos, o cliente brasileiro ainda é desrespeitado, tratado como se fosse um idiota. Portanto, meu caro leitor e consumidor, olho vivo. Não caia na esparrela de certas promoções para “inglês ver”. Se não cumprirem o que está na propaganda, mude para outra loja e deixe aquela às moscas, pois, para elas, as moscas, o “até” e o “a partir” não farão diferença alguma, somente lhes acrescentarão uns cocozinhos, mas para o seu bolso, farão uma tremenda diferença. Olhem apenas para o humilhado “até” (ou “a partir”), vire-lhe as costas, e diga para si mesmo:

Até outro dia, meu camarada! Vou (a) partir para outra! Off!

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Gauguin – A VISÃO DEPOIS DO SERMÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho guin1

Para mim, neste quadro a paisagem e a luta existem apenas na imaginação das pessoas rezando, como resultado do sermão. (Gauguin)

Creio ter alcançado nos rostos uma grande simplicidade rústica e supersticiosa. O conjunto é muito austero. (Gauguin)

O quadro de Gauguin intitulado A Visão depois do Sermão, também conhecido como A Luta de Jacó com um Anjo, tem como temática uma passagem do Gênesis. Para alguns críticos sua nova temática marca a passagem da pintura do artista da fase impressionista para a simbolista.

No lado esquerdo da composição em primeiro plano há um grupo de majestosas mulheres bretãs rezando. Algumas delas estão de costas para o observador. No lado direito é possível ver um perfil semelhante ao do pintor, única figura masculina mostrada em meio ao grupo de mulheres que ora em razão da luta de Jacó com o anjo. O que pode ser traduzido como a luta do homem contra o diabo ou contra si mesmo.

O embate acontece debaixo de uma macieira, num chão de cor vermelha. O grupo de bretãos reza, enquanto a peleja acontece. O tronco forte da macieira atravessa em diagonal o quadro, interpondo-se entre os devotos e os lutadores, delimitando o espaço entre o real e o imaginário.

As mulheres vestem roupas tradicionais da Bretanha: vestidos pretos, aventais e toucas brancas, cujas pontas e fitas caem-lhes pelas costas. O anjo, vestido de azul, trazendo enormes asas amarelas abertas, subjuga Jacó que usa uma túnica verde. Ao fundo, na parte superior esquerda, duas mulheres, vestidas como as demais, estão assentadas com as mãos cruzadas sobre o colo, acompanhando a luta. As cores da composição são fortes e contrastantes.

Já nesta obra Gauguin inicia o novo conceito que passa a ter sobre a pintura: o sintetismo. Tanto a paisagem quanto os personagens são feitos com manchas de cor delimitadas, contornadas com um sutil traço preto, diferentemente dos impressionistas que usavam as pinceladas para demarcar o espaço. Também fica explícita na luta entre Jacó e o anjo a influência dos lutadores de sumô do pintor japonês Hokusai.

A Visão depois do Sermão manifesta a maneira de ver a arte por parte de Gauguin: simbólica, sintética, subjetiva e decorativa. Em suma: o antinaturalismo. À cena real, composta pelo grupo saindo da igreja, ajunta-se a simbólica, que é a luta entre Jacó e o anjo.

Ficha técnica:
Ano: 1888
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 73 x 93 cm
Localização: National Gallery of Scotland, Edimburgo, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa
Gauguin/ Coleção Folha
Gauguin/ Abril Coleções
Gauguin/ Art Book
Gauguin/ Taschen

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LINGUAGEM E PENSAMENTO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. (Evangelho de São João)

A linguagem é sem dúvida o maior avanço da história da humanidade. Foi ela que impulsionou o homem a chegar até o domínio da mais alta tecnologia que abunda em nosso tempo. Sem ela, transitaríamos apenas no universo dos objetos e das sensações físicas, sem deles abstrairmos qualquer coisa de diferente, acorrentados à realidade existencial do palpável. O cérebro, encerrado no seu universo concretista, nada conceberia sobre qualidades. Possivelmente não haveria nem o bem e tampouco o mal, pois são frutos de valores morais e éticos que requerem premissas. Nossos olhos seriam meramente câmeras fotográficas do cotidiano material. Mas o Verbo ganhou luz para abrilhantar e aprimorar a mente humana. E assim tem sido através dos tempos.

A ciência ainda não conseguiu precisar quando se originou a linguagem, embora seja esta uma das questões mais buscadas pelo homem, levando em conta a importância que ela possui na existência do indivíduo, inserindo-o no mundo e fazendo com que nele possa interagir, influenciando e sendo influenciado. O verbo é a matéria-prima do pensamento, instrumento de trabalho de suma necessidade para a espécie humana, numa relação de causa e efeito. De modo que o produto final é assaz dependente da qualidade da ferramenta usada. Podemos ver isso através da história da humanidade. Não foram poucas as vezes em que as palavras mudaram radicalmente o curso da História de um povo, sendo muito mais eficazes do que as armas bélicas.

Cada palavra carrega sua história através do tempo. Algumas sofrem mudanças profundas, outras permanecem intactas, e outras tantas são tão complexas e inexplicáveis quanto a alma humana. Através da palavra escrita nós podemos nos mergulhar no longínquo passado e sorver a sabedoria de ilustres homens e mulheres que pela Terra passaram, pois ela se estende além da vida humana. Podemos, portanto, rever o passado, entrar no âmago do presente e nos prepararmos para o futuro.

As palavras são pontos de crochê que formam teias – a linguagem, e permeiam a vida. Alguns as tecem com habilidade, sabendo quão toscos e frágeis podem ser os pontos, se o tecelão não manejar a linha de seus pensamentos com o devido cuidado. Outros são aprisionados na própria estrutura de sua teia, por não terem cuidado ao manejar o tear. As palavras concebem vida, mas também a retiram. Por isso, o encadeamento tem que ser bem feito, quer na estrutura quer no conceito. Palavras e sentenças devem ser alicerçadas pela humildade, pelo bom senso e pela sabedoria. Se o predicado é tudo aquilo que se afirma sobre o sujeito, logo, as palavras quando ditas por nós, expressam o que somos, pois, segundo alguns, nós somos aquilo que pensamos, e, logicamente “o que falamos”.

A concatenação das palavras é o retrato fiel da mente humana, por mais que esta se orne de diferentes máscaras. A mente descortina toda a sua realidade ao exprimir suas emoções e ao expor sua razão através da linguagem. E, se às vezes não se mostra clara, basta apenas que se leia nas entrelinhas e lá estará a sua identidade pessoal, o seu espírito despido de astúcia e engodo. E a proposição torna-se irremediavelmente falsa, pois não resiste a uma análise mais apurada, pois linguagem e pensamento são como irmãos siameses. Continente e conteúdo. A linguagem é o instrumento que a mente usa para dar vida a seu conteúdo.

Nota: Imagem copiada de http://decom.cesnors.ufsm.br

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Gauguin – O PINTOR E SUA ARTE

 Autoria de Lu Dias Carvalhogauguin12

Quero fazer uma arte simples, muito simples. Para isso, preciso recuperar minhas forças em contato com a natureza virgem, ver apenas como os selvagens vivem a sua vida, sem nenhuma preocupação, com a simplicidade de uma criança que traduz as fantasias da mente, com o único meio real e eficaz: aqueles da arte primitiva. (Gauguin)

Pouco a pouco, a civilização sai de mim. Estou começando a pensar com simplicidade e a ter apenas um resto de intolerância para com os outros – começo até a amá-los. Gosto de toda a felicidade dos seres humanos de vida livre e dos animais. Fujo do artificial e entro na natureza: com a certeza de um amanhã similar a hoje, tão livre e tão belo, a paz vem a mim. Minha vida corre naturalmente e não tenho mais pensamentos vazios. (Gauguin)

Depois de Gauguin, a pintura deixou de ser um simples instrumento de descrição e conhecimento da natureza, e se converteu também na abstração dessa mesma natureza, em expressão livre das emoções e da imaginação do artista. (ArtBook/ Gauguin)

Paul Gauguin estreou na pintura aos 28 anos de idade. Começou colecionando obras dos pintores impressionistas, usando a pintura como passatempo. Também gostava de estudar os velhos mestres no Louvre. Suas primeiras obras tratavam de temas ligados à vida familiar. Mas tinha em casa a indiferença da mulher, Mette, que não compartilhava de sua euforia pela arte.

Era na índole índia que se dava a busca do artista pelo primitivo, pois, para ele, o essencial era o valor simbólico das linhas, que indicavam a estrutura primária da realidade. Não mais se prendia à simples imitação da natureza. Por isso, acabou perdendo o apoio de amigos como Theo e Degas, que não foram capazes de compreender sua nova pintura simbólico-abstrata. E, por não receber o sucesso que julgava merecer, foi se tornando um crítico cada vez mais ácido da civilização que o ignorava. O pintor abraçou uma nova concepção pictórica: o sintetismo (as formas são simplificadas, sendo a ideia mais importante do que a realidade. São usadas linhas grossas e traços escuros que delimitam as formas, criando compartimentos de cor).

Gauguin passou por momentos dramáticos, quando se viu distanciado dos filhos e vitimado pela indiferença da mulher, que não aceitava a sua dedicação extremada à pintura. Aliado a isso, não contava com o apoio dos amigos, que não aceitavam sua nova maneira de pintar. Somente a aceitação de um grupo pequeno de pintores, em Le Pouldin, na costa da Bretanha, serviu-lhe de incentivo. Em certos períodos da arte do pintor, as paisagens marinhas, as naturezas-mortas e a vida no campo lembram a xilogravura japonesa de Hokusai, Hiroshige e Kuniyoshi, talvez pela convivência com Van Gogh, admirador e colecionador desse tipo de arte japonesa.

Quando esteve em Mateia, próxima a Papeete, capital do Taiti, Gauguin uniu-se a uma garota maori, Techura, que trouxe muita inspiração para seus quadros, ambientados na cabana em que juntos viveram. Essas obras acabaram atraindo os simbolistas. O pintor era também um grande ceramista. Aprendeu com Ernest Chaplet, um hábil ceramista, o uso de técnicas japonesas de cozimento em fogo vivo, e com Bracquemond  aprendeu a arte do entalhe. Também se dedicou à fundição em bronze. Suas criativas obras mostraram-se extravagantes para o público da época, trazendo para o artista pouco lucro. Também foi notável na escultura, que trazia influência das culturas pré-colombianas e da arte japonesa.

Em seu estilo sintético, Gauguin simplificava a realidade, pintando de memória, pois não era mais necessário pintar do natural. Enquanto os impressionistas pintavam postando-se diante do objeto, ele o fazia através da imaginação, sem se ater à forma e às cores da realidade. Tinha liberdade plena para sintetizar aquilo que lhe ditava suas emoções, ou seja, aquilo que elas suscitavam na sua memória.  Não tinha preocupação com a perspectiva, os matizes, as sombras ou os claros-escuros. A tinta era espalhada por superfícies planas, delimitadas por contornos escuros.  Segundo alguns, era o início do longo caminho que levaria, tempos depois, ao nascimento da arte abstrata. Gostava da natureza selvagem e dos fortes contrastes. Mas seus quadros não eram bem aceitos no mercado. A maioria dos críticos e do público parecia não compreender sua arte.

Logo após as primeiras mostras póstumas do pintor, ficou evidente que sua obra exerceria uma grande influência na arte do século XX. Os nabis (grupo de artistas da segunda geração simbolista, cujo nome significa “profetas”, “inspirados”) proclamaram-se seus discípulos. Também ganhou a admiração de pintores como Pablo Picasso e Henri Matisse, assim como dos expressionistas alemães. Pouco antes de morrer, Gauguin recebeu uma carta do amigo Manfred que dizia:

“Presentemente o senhor é o artista fascinante e misterioso que envia do Taiti as suas obras, confusas, mas inigualáveis. São criações de um grande homem, que parece praticamente desaparecido do mundo. O senhor goza da imunidade dos Grandes já mortos, entrou na história da arte.”.

Gauguin é tido como um dos pioneiros do Modernismo, ao evidenciar a ligação entre a arte e a vida, o que viria a dominar o mundo pictórico do século XX, ficando patente a sua advertência:

Um conselho, não copiem muito a natureza. A arte é uma abstração. Preocupem-se mais com a criação do que com o resultado.

Nota:  Mulheres do Taiti (1891)/ Gauguin

Fontes de pesquisa
Gauguin/ Coleção Folha
Gauguin/ Abril Coleções
Gauguin/ Art Book
Gauguin/ Taschen

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CIDADE MARAVILHOSA

Autoria de Edward Chaddad

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Não poderia discorrer sobre as marchinhas de carnaval e deixar de mencionar esta obra prima, que correu o mundo e foi a porta-estandarte, o abre-alas, aquela que chamou a atenção de todos para as belezas da cidade do Rio de Janeiro.

Cidade Maravilhosa é uma música apaixonante, mesmo para o marinheiro de primeira viagem que, ao ouvi-la, sai contente, feliz, vibrando como se fosse um carioca. Seu autor foi André Filho, que a compôs para um festival, mas que se tornou sucesso no Carnaval de 1935.

Dizem que o compositor se inspirou em um texto de Coelho Neto, que adjetivou o Rio de Janeiro de “Cidade Maravilhosa”, em 1908. Há quem afirme ter ele se inspirado no programa  “Crônicas da Cidade Maravilhosa”, apresentado por César Ladeira, onde esse lia textos de Genolino Amado.

A primeira gravação de Cidade Maravilhosa foi feita por Aurora Miranda, irmã de Carmen Miranda, que a divulgou em suas apresentações. Depois, surgiram centenas e centenas de novas gravações, não só no Brasil, mas em todo o mundo. É uma melodia que nos deu, no exterior, uma imagem admirável e emocionante, acabando por ajudar o Rio de Janeiro a sediar as Olimpíadas de 2016.

O compositor André Filho foi muito feliz nesta composição e sua música traduz de forma exata e sublime o que é o Rio de Janeiro, uma das maravilhas do nosso planeta, tanto é que esta marchinha passou a ser o Hino Oficial do Município do Rio de Janeiro.

Perdoem-me os cariocas, mas esta música não é só do Rio. Ela é do Brasil!
Perdoem-me, meus irmãos brasileiros, mas não é só do Brasil. Ela é do mundo!
Trata-se de uma música universal.

Vejam abaixo a letra e dois links com a música:

CIDADE MARAVILHOSA
Autor: André Filho

Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil!
Berço do samba e das lindas canções,
que vivem n´alma da gente.
És o altar dos nossos corações,
que cantam alegremente!
Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil,
Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil!
Jardim florido de amor e saudade,
Terra que a todos seduz,
Que Deus te cubra de felicidade,
Ninho de sonho e de luz!
Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil.

Ouçam-na na voz de Aurora Miranda, na sua gravação original:
http://youtu.be/mv_8fEi5JiQ

E por que não, em ritmo de plena folia?
https://www.youtube.com/watch?v=2IrP7rklLuk

Nota: imagem copiada de www.ldlturismo.com.br

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