Autoria de Lu Dias Carvalho
Durante a Segunda Guerra Mundial Adolf Hitler aproveitou a invasão a outros países para botar a mão em suas obras de arte, ampliando as riquezas de seu império ou enriquecendo mais ainda sua suntuosa coleção artística. Para inserir o leitor no contexto das obras de “arte degenerada”, acrescento que o Führer era um medíocre estudante de artes, um pseudo artista, um recalcado.
As Joias do Sacro Império Romano-Germânico, compostas pela coroa (imagem acima), cetro, orbe e as espadas usadas nas cerimônias de coração dos imperadores foram surrupiadas pelos nazistas em 1938, após a anexação da Áustria ao império nazista. Também foi afanada a “Lança de Longino” (ver imagem acima) que, segundo a tradição da Igreja Católica, foi a arma usada pelo centurião romano Longinus para perfurar o tórax de Jesus Cristo durante a sua crucificação. A gravura à esquerda diz respeito à ponta da lança que é guardada em Viena/ Áustria.
É sabido que o ditador alemão nutria notória aversão pela arte moderna e dizia somente apreciar os quadros realistas e figurativos. Ele tinha todo o direito de fazer suas escolhas, só não tinha o de querer banir as obras modernistas do mundo. Sua onipotência começou a perseguir os artistas modernistas sob o argumento de que a arte moderna era uma “arte degenerada”, ainda que a Alemanha fosse um celeiro de vanguarda, berço de grandes nomes como Marx Ernest, Paul Klee, Otto Dix, dentre outros. Alguns dos artistas buscaram outros países, onde pudessem gozar de liberdade criativa, enquanto outros aposentaram seus pinceis e espátulas.
A Câmara de Cultura do Reich ordenou em 1939 que fossem queimados, diante da visão pública, quatro mil quadros tidos como modernistas. O mais indagativo, porém, era que esses não detinham nenhum valor comercial, mas onde se encontravam os demais que foram apreendidos? O fato é que os espertos nazistas separaram o joio do trigo. As obras censuradas, confiscadas dos países invadidos e das residências de judeus feito prisioneiros e mesmo dos museus alemães, consideradas “lixo” pelo regime nazista, deveriam ser vendidas, trazendo dinheiro para os cofres do regime.
O certo é que um grande número de obras de artistas renomados como Picasso, Renoir e Matisse, dentre outros, acabou desaparecendo. O responsável por transformá-las em dinheiro era o colecionador e mercador importante, Hildebrand Gurlitt. Mas ao término da Segunda Guerra Mundial ele alegou que as obras tinham sido queimadas no bombardeio feito pelos Aliados à cidade de Dresden em 1945. Mas passadas sete décadas após o bombardeio, a polícia alemã trouxe uma boa notícia para o mundo da arte: mais de 1400 obras confiscadas pelos nazistas foram encontradas num velho e sujo apartamento pertencente a Rolf Cornelius Gurlitt, filho de Hildebrand Gurlitt, funcionário nazista responsável pela venda de obras artísticas.
A descoberta desse conjunto de obras foi um tremendo golpe de sorte. O sujeito foi encontrado com 9 mil euros no bolso, ainda que não tivesse emprego e nem pagasse impostos. Para a polícia, ele deveria estar metido com falsificações ou tráfico de drogas. Foi grande a sua surpresa ao vasculhar o apartamento do meliante e deparar com um tesouro tão valioso para o bem da História da Arte.
Fontes de pesquisa
Aventura na História/ Editora Abril
As Relíquias Sagradas de Hitler/ Sidney D. Kirkpatrick
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