TÔKAIDÔ – KAWASAKI (I)

Autoria de Lu Dias Carvalhotv1234

Kawasaki era a segunda estação da estrada Tôkaidô, a partir de Nihombashi, que ligava a cidade de Edo a Kyôto (Quioto), capital do Japão imperial. Edo, por sua vez,  era o antigo nome da cidade de Tóquio, usado entre 1180 e 1868.

Nesta estampa, 53 Estações da Estrada Tôkaidô-Kawasaki, de Iroshige, estão presentes 15 figuras:

• Em primeiro plano, está um grupo de seis elementos, conduzido por um remador, num barco de travessia do rio Rokugô, hoje conhecido como Tama. Ali se encontram comerciantes e mulheres elegantes com suas piteiras.

• Do outro lado do rio, em segundo plano, um novo grupo, com cargas e palanquins, espera sua vez de ser atravessado. Um homem com poucas vestes está de cócoras na areia.

• Muitas casas e árvores estendem-se na beira do rio. Uma figura mostra-se visível no que parece ser uma barraca, onde se vende coisas.

• Ao fundo, estende-se uma imensa região alagada. Uma revoada de pássaros cruza os céus.

Ficha técnica
Artista: Utagawa Iroshige (1797 – 1858)
Dimensão: 24,7 x 35,5 cm
Data: c.1834

Fontes de pesquisa
O Japão / Editora Globo
Ukiyo-e / Instituto Moreira Salles

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Tarsila – SEGUNDA CLASSE

Autoria de Lu Dias Carvalho
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Até então, a pintora Tarsila do Amaral era dona de uma invejável situação financeira, mas em 1930, com a crise mundial de 1929, ela se viu numa situação precária. Nessa época, vivia com o psiquiatra Osório César. Foi nesse período que conheceu o socialismo de perto, ao fazer uma viagem à União Soviética. Ao regressar, foi presa por um período de um mês, por participar de reuniões de esquerda e por ter feito uma viagem a um país comunista. Para se manter, a artista recebeu encomendas de retratos, fez ilustrações e começou a escrever para jornais.

A ida à União Soviética e o contato com a esquerda despertou em Tarsila, que sempre fizera parte da elite do país, preocupações sociais. Foi nessa época que realizou duas importantes obras: Segunda Classe e Operários.

Nessa fase, chamada de Fase Social, Tarsila passou a questionar os problemas advindos da industrialização e do capitalismo, que geram riquezas, mas não para aqueles que trabalham, pois esses continuam pobres e desesperançados, sem acesso aos bens e à educação.

Na sua composição Segunda Classe, a artista mostra o êxodo rural que se segue, quando as famílias deixam o interior em busca de emprego na cidade grande. Elas vêm de várias regiões do interior do país, trazendo o sonho de emprego, mas também a tristeza dos parentes e amigos deixados para trás e a incerteza de que possam vir a ter uma vida melhor.

Na composição Segunda Classe estão presentes 14 figuras, sendo seis crianças, três homens e cinco mulheres. Todos se mostram tristes e desesperançados. Numa das janelas está uma mulher com um bebê e na outra um homem mais idoso, de barba.

Atrás da família, já fora do trem, composta por 11 personagens, está o vagão de segunda classe que a trouxe. Com exceção daquela que parece a mais velha da família, que se encontra no meio do grupo, segurando uma criança vestida de branco, as demais mulheres parecem querer se esconder atrás dos homens. As crianças, por sua vez, mostram-se tímidas e amedrontadas. Todos parecem se perguntar sobre o que a vida lhes aguarda nesse novo mundo, tão diferente daquilo que viveram até então.

Ficha técnica: 1933
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 110 x 151 cm
Localização: coleção particular, São Paulo, Brasil

 Fonte de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Coleção Folha

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TÔKAIDÔ – AKASAKA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Kawasaki era a 36ª estação da estrada Tôkaidô, que ligava a cidade de Edo a Kyôto (Quioto), capital do Japão imperial, que contava com 53 pontos de parada. Edo era o antigo nome da cidade de Tóquio, usado entre 1180 e 1868.

Na beira dessa importante estrada ficavam inúmeras pousadas com a finalidade de receber os viajantes. A estampa 53 Estações da Estrada Tôkaidô-Akasaka, de Iroshige, mostra uma pousada de dois andares, à hora da refeição.

Na estampa estão presentes sete animadas personagens, divididas em dois aposentos, e as pernas de uma oitava, que desce as escadas, à esquerda da composição. No aposento da esquerda, três homens estão a comer, enquanto no da direita, três mulheres servem a refeição. Na varanda da pousada, um hóspede, com uma toalha ao ombro, deixa o banho e se dirige para dentro.

Na frente da hospedaria está presente uma palmeira enfeitada com um boneco azul, possivelmente algum ser mitológico da tradição local.

Ficha técnica
Artista: Utagawa Iroshige (1797 – 1858)
Dimensão: 24,7 x 35,5 cm
Data: c.1834

Fontes de pesquisa
O Japão / Editora Globo
Ukiyo-e / Instituto Moreira Salles

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ÍNDIA – OS STANDING BABAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Meus queridos leitores, confesso que há muito tempo não lia um livro tão bom quanto Shantaram, do escritor australiano Gregory David Roberts. O romance épico, primeira obra do autor (2003), passa na cidade indiana de Bombaim (Índia), num cenário de “mendigos, gângsteres, prostitutas, homens santos, soldados, atores, indianos e exilados de outros países, que procuram o que não podem encontrar em nenhum outro lugar”, com uma trama extremamente bem tecida.

A Índia é, na verdade, um país onde as surpresas nunca se esgotam. Jamais poderia imaginar que um ser humano pudesse optar por ideias tão estapafúrdias, com o objetivo de encontrar a iluminação espiritual seguindo certos comportamentos esdrúxulos, renegando o próprio corpo, bem maior da vida. Vocês já devem estar ansiosos, para que eu entre no assunto e pare de delongar, no que serão prontamente atendidos. Vamos à informação central deste texto.

Os Standing Babas são homens que fizeram um dos mais inusitados juramentos existentes no planeta.  Juraram nunca se sentar ou se deitar.  Não por algumas semanas ou meses, mas pelo resto da vida, segundo alguns, ou durante 12 anos, segundo outras fontes. Isso não vem ao caso, pois um dia inteiro de pé já dá calafrios. Só de pensar nessa possibilidade, as minhas pernas cambaleiam sem forças. Eles permanecem em pé, dia e noite, noite e dia. Fazem tudo de pé, até mesmo suas necessidades fisiológicas. Como os excrementos caem pelo chão, sem se resvalarem pelas pernas dos ascetas, é outra interrogação.

Alguns devem estar questionando que é impossível alguém dormir de pé. Chegando à conclusão óbvia de que esses homens não dormem. Mas pode um ser humano ficar sem dormir? Não enlouqueceria? Os Standing Babas dormem, sim! Eles dormem em pé. Como? Suspensos por arreios que diminuem o peso sobre as pernas, evitando que caíam, enquanto dormem. Mas, que bem isso traria para o dono do corpo e para a humanidade? Tanto suplício poderia contribuir para a iluminação? A dor excessiva não embota a mente, tornando-a ainda mais estúpida?

Segundo o escritor David Gregory, nos primeiros cinco a dez anos, as pernas da pessoa, que se imola em tal posição, incham assustadoramente, ao ter que suportar o peso do corpo. O sangue circula lentamente pelas veias extenuadas e músculos endurecidos. As pernas enchem-se de ulcerações e ficam enormes, parecidas com as dos portadores de elefantíase, deformadas e cobertas por furúnculos de veias inflamadas. Os pés ficam parecidos com  as patas dos elefantes. Passado esse tempo, as pernas vão afinando, até que restem apenas os ossos cobertos por uma pele fina, marcada por um emaranhado de veias secas. Ninguém duvida de que a dor é terrível e infindável, como se espadas e espinhos adentrassem nos membros inferiores, a cada passo dado.

Diz ainda o autor que alguns dos Standing Babas fizeram o juramento quando eram adolescentes, com 16 ou 17 anos de idade. Contam eles que foram chamados por vocação. Dentre eles, existem homens que vieram dos mais diferentes tipos de vida: negociantes, libertinos, ladrões, assassinos, mafiosos, latifundiários, etc. Todos renunciaram ao mundo, preparando-se para a morte e a próxima reencarnação, conforme prega o hinduísmo. Todos buscam a expiação na agonia do voto. Dizem não ter compromisso com o mundo terreno, mas com o divino. Será que algum ser superior fez o homem para se sujeitar a isso? Onde estaria então, a beleza de sua criação?

Nota: Imagem copiada de http://remainsofthedesi.wordpress.com

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Tarsila – OPERÁRIOS

Autoria de Lu Dias CarvalhoTarsila123456

Ela, como artista, colocara-se marginalmente à camada social a que pertencia. Isto sem jamais deixar de ser individualizada na sua criação e no seu esforço. Sua personalidade continuou a mesma. (Patrícia Galvão/ Pagu)

Até então a pintora Tarsila do Amaral era dona de uma invejável situação financeira, mas em 1930, com a crise mundial iniciada em 1929, ela se viu numa situação precária. Nessa época já vivia com o psiquiatra Osório César. Foi nesse período que conheceu o socialismo e fez uma viagem à União Soviética, onde realizou uma exposição no Museu de Arte Moderna Ocidental, tomando ciência dos problemas sociais. Compra vários cartazes soviéticos. Ao regressar, foi presa por um período de um mês por participar de reuniões de esquerda e por ter feito uma viagem a um país comunista. Para se manter a artista recebeu encomendas de retratos, fez ilustrações e começou a escrever para jornais.

A ida à União Soviética e o contato com a esquerda despertou na artista – que sempre fizera parte da elite do país – preocupações sociais. Foi nessa época, 1933, que realizou suas duas importantes obras sociais: Operários (a primeira tela de teor social no Brasil) e Segunda Classe, expostas no Primeiro Salão Paulista de Belas Artes. Nessas composições ela não mais usa os tons exuberantes e alegres de sua fase Pau-Brasil e nem a densidade da fase  Antropofágica. Tampouco demonstra qualquer tipo de ânsia ou agitação.

Na sua composição Operários, a artista não se deixa inebriar pelo mundo novo que a industrialização traz. Tarsila usa tons acinzentados, tanto para o rosto como para a paisagem de fundo, onde está visível a fábrica com seus escritórios e suas chaminés, uma delas soltando fumaça. Um certo embaçamento parece cobrir toda a composição piramidal. A maioria dos retratados são desconhecidos, segundo a artista, seu objetivo era retratar uma diversidade de gêneros, etnias e idades.

As cabeças dos operários formam uma pirâmide, que parte da base da tela e vai até a parte superior. É composta pela cabeça de 51 operários, entre homens e mulheres das mais diferentes regiões do país, idades e etnias, alguns filhos da terra e outros imigrantes. Segundo a artista, ela usou fotografias para pintar alguns rostos, enquanto outros foram pintados de memória.

Todos os trabalhadores estão sérios, sem nenhum laivo de alegria, além de aparentarem cansaço. São vistos meramente como números, massificados, numa identidade única. A época condizia com a industrialização brasileira, principalmente em São Paulo. Era o governo de Getúlio Vargas. Esta pintura é uma das mais estudadas nas escolas do país, além de ser vista em concursos e vestibulares. Abaixo o comentário do leitor Kevin:

O quadro “Operários”, pintado por Tarsila do Amaral em 1933, retrata inúmeras etnias: negros, pardos, brancos, judeus, orientais, índios, europeus, asiáticos e latino americanos, de classes trabalhadoras vindas de várias partes do Brasil e de todo mundo para o trabalho nas indústrias, algo que contribuiu para o desenvolvimento industrial do nosso país. É uma arte genuinamente verde-amarela, um verdadeiro painel de nosso povo, o mesmo povo que veio dos quatro cantos do mundo para o trabalho industrial em nossas fábricas, que começavam a transformar a paisagem brasileira. É um grande marco na obra de Tarsila. “Operários” funciona como ponto de início para falar do surgimento das grandes cidades brasileiras. Ele reflete sobre a disciplina de artes e língua portuguesa, portanto, diversos professores usam essa obra, a fim de que os alunos descubram qual é a etinia de cada trabalhador. A mensagem, porém, não é mais de beleza reluzente. É de miséria e dor. Cada um deles exibe, de modo marcante, a sua própria tristeza. Algumas delas, a artista constrói, inclusive, com base nos traços de pessoas conhecidas. Há força em cada uma dessas expressões que fitam, de frente e corajosamente, o espectador.

Ficha técnica
Ano: 1933
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 150 x 205 cm
Localização: Acervo dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Coleção Folha
Tarsila do Amaral/ Folha Grandes Pintores
Tarsila, sua obra e seu tempo/ Aracy. A. Amaral

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AGUACEIRO SÚBITO…

Autoria de Lu Dias Carvalho

 mosca12A estampa Aguaceiro Súbito sobre a Ponte Ôhashi perto de Atake faz parte da série do pintor japonês Hiroshige, denominada 100 Vistas Famosas do Edo.

A estampa apresenta a Ponte Ôhashi, sobre o Rio Sumida. Toda a região encontra-se debaixo de uma intensa chuva de verão. Na margem oposta do rio está Atake, onde ficavam os abrigos para os barcos do xogum (chefe militar no Japão de até meados do século XIX).

Sobre a ponte estão seis pessoas, que foram surpreendidas com a chuva repentina. Elas andam apressadamente, debaixo de suas sombrinhas e chapéus. Uma das figuras cobre-se com um pano. Três vão para a esquerda e outras três para a direita.

O céu encontra-se carregado com nuvens escuras. A chuva é representada por linhas fortes e finas, que se cruzam em alguns pontos, formando uma tênue cortina sobre toda a composição. Nas águas azuis do rio, um barqueiro desliza em direção contrária à da ponte.

O pintor holandês Vincent van Gogh fez uma cópia, em 1887, da Ponte Ôshi sob a chuva primaveril.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1857
Dimensões: 37,4 x 25,6 cm

Fonte de pesquisa
Hiroshige/ Taschen

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