PEREGRINAÇÃO AO SANTUÁRIO…

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O tríptico (composto de três partes) Peregrinação ao Santuário da Deusa Benzaiten na Gruta perto de Enoshima na Província de Sagami apresenta uma ilha rochosa, cheia de fieis, que têm como objetivo tocar a colorida estátua da deusa Benzaiten, numa gruta aberta aos peregrinos, uma vez a cada seis anos.

Inúmeras pessoas espalham-se pela pequena ilha. Algumas delas carregam seus guarda-sóis coloridos, abertos ou fechados, enquanto outras usam chapéus.

A ilha de Enoshima encontrava-se a cerca de 40 quilômetros de Edo (atualmente Tóquio), com vistas para o Monte Fuji.

A deusa budista Benzaiten era a protetora dos músicos e cantores. Por isso, diferentes grupos de músicos estão presentes na composição. Eles diferem entre si pelas cores dos quimonos e pelos emblemas nos guarda-sóis.

As ondas batem intrépidas nas rochas. Três figuras nuas tomam banho. Numa rocha, um pouco separada da principal, três mulheres estão em volta de uma toalha vermelha, enquanto outras duas pescam. Duas figuras deslizam em meio às ondas, à esquerda, num pequeno barco.

Inúmeros barcos são vistos em torno da ilha rochosa. Ao fundo, à direita, aparece o imponente Monte Fuji.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: c. 1850
Dimensões: 36,6 x 74,4 cm

Fonte de pesquisa
Hiroshige/ Editora Taschen

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Tarsila – ANTROPOFAGIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

Tarsila12345   (Faça o curso gratuito de História da Arte, acessando: ÍNDICE – HISTÓRIA DA ARTE)

Os contornos inchados das plantas, os pés agigantados das figuras, o seio que atende ao inexorável apelo da gravidade: tudo é raiz. O embasamento que vem do fundo, do passado, daquilo que vegeta no substrato do ser.  (Rafael Cardoso)

Filhos do sol, mãe dos viventes, […]. Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo. (Manifesto Antropofágico)

Para fazer a sua composição Antropofagia a pintora brasileira Tarsila do Amaral concebeu uma criativa união de dois trabalhos anteriores: A Negra (1923) e Abaporu (1928), como se aqueles seres colossais fossem interdependentes, um interligado ao outro. É impossível o entendimento desta obra através de uma leitura convencional,  aquela que é feita na análise dos detalhes. O observador deve optar por outro nível conceitual, pois as duas formas brutas, apresentadas pela artista, reportam ao estado primitivo.

A obra Antropofagia — a mais importante da fase antropofágica da pintora — é praticamente a fusão das duas pinturas citadas acima. A cabeça da negra tornou-se diminuta em sintonia com a de seu companheiro. O braço que sustentava o seio está agora escondido atrás da perna direita, enquanto o seio é sustentado pela perna do outro ser que escora a sua e que toca graciosamente o chão. A perna esquerda da Negra está encoberta pela perna do Abaporu que se encontra em posição inversa. Ele não mais se encontra na pose de pensador. A mão que sustentava sua cabeça, encontra-se agora descansando na perna. Ele se inclina para a Negra, como se estivesse dialogando com ela.

Os dois seres entrelaçados possuem cabeças diminutas e sem faces num corpo gigantesco, o que leva à ausência de pensamentos, pois encontram-se na forma primitiva, totalmente ligados às raízes. Eles ganham a vida como fazem as plantas — absorvendo a energia da terra e do sol. À sua palheta nacionalista (verde, amarelo, azul e branco) Tarsila soma o ocre avermelhado que compõe a pele das figuras e que mais se parece com argila.

A união dos dois personagens exclui-os da condição de mito, integrando-os à paisagem. Ao fundo a artista faz a junção do cactos e do sol, presentes na obra Abaporu, com a bananeira, presente na composição A Negra. Segundo o historiador da arte Rafael Cardoso, “Em Antropofagia as coisas não se transformam, elas apenas são; subsistem, com uma terrível e sólida permanência que as ancora no chão”. Se o homem é visto como o irmão gêmeo do Abaporu, a mulher, por sua vez, traz consigo o seio caído da Negra.

Ficha técnica
Ano: 1929
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 126 x 142 cm
Localização: Acervo da Fundação José e Paulina Nemirovsky, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Coleção Folha
A arte brasileira em 25 quadros/ Rafael Cardoso
Brazilian Art VII

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TÔKAIDÔ – ISHIBE

Autoria de Lu Dias Carvalho

tv123O pintor japonês Hokusai fez cerca de 500 desenhos para sete séries, que tinham relação com a estrada de Tôkaidô. Os temas centrais das estampas são as atitudes e as atividades humanas. O artista concentra seu interesse, principalmente, na aparência e no modo de agir dos viajantes, assim como nos ofícios dos habitantes locais.

Os viajantes das sete séries são normalmente monges, andarilhos, carregadores, serviçais e senhores com um só ajudante.

A estrada de Tôkaidô (Estrada do mar do Leste) tinha 53 pontos de parada e muitos albergues para atender os viajores. Essas estações formaram os núcleos de futuras cidades japonesas. Cada quilômetro era assinalado por um marco de pedra. O título, portanto, está ligado ao número desses pontos de parada.

Nesta estampa, 53 Estações da Estrada Tôkaidô-Ishibi, detalhada e cheia de inúmeras informações, estão presentes três figuras em destaque, estando duas delas sobre uma pequena ponte, em primeiro plano, e a terceira iniciando a travessia. Apenas uma delas usa chapéu, mostra-se mais bem vestida e leva uma espada. Os outros dois personagens são, possivelmente, seus serviçais, e se mostram bem alegres.

Ao fundo, descortina-se uma paisagem com árvores e montanhas. São vistas também três cabanas e um quarto elemento entre elas.

Ficha técnica
Artista: Katsushika Hokusai (1760 – 1849)
Dimensão: 21,1 x 16,4 cm
Data: c.1810

 Fontes de pesquisa
O Japão / Editora Globo
Ukiyo-e / Instituto Moreira Salles

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ÍNDIA – UM MOSAÍCO DE ETNIAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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É muito comum ouvirmos certos meios de comunicação tecerem loas ao mosaico indiano, com suas diferentes etnias e culturas, dizendo que tudo ali convive na mais absoluta harmonia. O que não passa de blá-blá-blá de quem vê o país apenas sob a aura do exotismo, pois na verdade, esse diferencial é um dos pontos mais agudos na manutenção integral do território indiano, pois as etnias foram sempre causa de guerras internas no país, causando banhos de sangue em muitas regiões, bastando que uma julgue que seu templo foi profanado. Aproximadamente 7% do total da população indiana pertencem a mais de 300 tribos catalogadas.

A origem exata da maior parte do povo indiano é impossível de ser determinada, por conta da grande variedade de raças e culturas invasoras que foram assimiladas no subcontinente. Muitas das etnias indianas, que mais parecem uma colcha de retalhos, jamais aceitaram a dominação por parte de outras. Calcula-se que existem na Índia 1.652 línguas vernáculas (sem agregação de estrangeirismos) e 67 línguas de ensino escolar em diversos níveis. A Constituição de 1950 tornou o híndi, escrito em ortografia devanágari, a língua oficial do país e enumerou as 15 línguas oficiais regionais: assamês, bengali, gujarati (ou gujerat), hindi, kanara, caxemira, malaiala, marathi, oriya, pendjabi, sânscrito, sindhi, tâmil, telugu e urdu. No entanto, o híndi encontrou certa resistência, particularmente nos estados do sul e em Bengala, o que conduziu à manutenção do inglês, como segunda língua privilegiada, de elite, que permite os contatos internacionais e a obtenção dos melhores empregos.

Os parsis (“persas” na língua gujerat) vieram da Pérsia e se estabeleceram na Índia, na região do Gujarate, por volta de 1000 anos atrás, devido à perseguição religiosa no país de origem, e hoje são caracterizados por sua religião e costumes. A comunidade parse possui mais mulheres do que homens, primeiro, porque ela não mata os fetos e bebês femininos e, segundo, porque os homens morrem antes das mulheres, portanto há muitas viúvas. 97.9 % dos parses são alfabetizados e a maioria mora nas cidades, embora os professores ainda partam do pressuposto de que as garotas usam a faculdade para encontrar um marido. Os pais acham que a inteligência numa mulher é um desperdício, na constituição de uma família. Também preferem as moças de pele mais clara, para casarem com os filhos.

Os parses são bem mais liberais do que os hindus na escolha dos casamentos, mas o futuro de suas garotas também é usado como moeda de troca. É muito comum as mulheres dizerem que “sempre que os homens fecham um acordo de cavalheiros, são as mulheres que acabam sofrendo, de modo que as filhas são sempre o cordeiro do sacrifício”. Enquanto as mulheres hindus ameaçam se jogar no poço com uma pedra no pescoço, as parses ameaçam se jogar no fosso do Templo do Fogo. Na sociedade parse também reina o medo de que uma mulher revoltada possa colocar veneno na comida do marido. Entre eles, as sogras também fazem parte do cardápio da hostilidade à nora, pois o filho ao se casar leva a mulher para morar com a mãe. Muitas são umas jararacas, que além de governar o filho ainda o fazem com a nora. Os parses veem os hindus e muçulmanos como grandes inimigos. Temem que se ajuntem para um dia governar a Índia, expulsando as outras etnias.

Cerimônia perse de boas-vindas ao bebê:

  • tikka, um pó vermelho é passado na testa da criança;
  • a seguir circunda a cabecinha do bebê com um ovo cru;
  • que depois é quebrado na soleira da porta;
  • um coco seco é partido na soleira de entrada;
  • a casa então está pronta para receber o novo hóspede;
  • quem carrega o bebê deve entrar com o pé direito.

Avesta é o principal texto religioso do zoroastrismo, religião dos parses, e seus templos religiosos recebem o nome de Templos de Fogo, pois o fogo ali jamais pode ser apagado, sua chama precisa arder perpetuamente. A tradição não permite que pessoas que não sejam parses assistam às cerimônias fúnebres. E os dastoors são contratados para rezarem nos funerais. Na Índia, os parses são reconhecidos pelas suas contribuições à sociedade nos aspectos econômico, educativo e caritativo. Muitos vivem em Mumbai (Bombaim) e têm tendência para praticar a endogamia (casamento entre indivíduos do mesmo grupo, seja esse definido com base em parentesco, residência, território, classe, casta, etnia, língua, ou por qualquer outro critério).

Letreiro à entrada do recinto reservado aos Parses:
“Este lugar sagrado pertence à comunidade dos Parses e, por isso mesmo, não é permitida a entrada senão por motivos religiosos.”

Uma das orações diárias dos Parses é:
“Oramos a Deus para erradicar toda a miséria do mundo: que a compreensão triunfe sobre a ignorância, que a generosidade triunfe sobre a indiferença, que a confiança triunfe sobre o desprezo, e que a verdade triunfe sobre a falsidade.”

Nota: Imagem copiada de http://www.passeiweb.com

Fontes de pesquisa:
Um Lugar para Todos/ Thrity Umrigar
Blog Indi(a)gestão

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Tarsila – ABAPORU

Autoria de Lu Dias Carvalho

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É o homem plantado na terra. (Oswald de Andrade)

Segui apenas uma inspiração sem nunca prever os seus resultados. Abaporu é uma figura solitária monstruosa, pés imensos, sentada em uma planície verde, braço dobrado repousando num joelho, a mão sustentando o peso pena da cabecinha minúscula, em frente a um cacto explodindo uma flor absurda. (Tarsila do Amaral)

A composição Abaporu foi presenteada por Tarsila do Amaral a seu namorado Oswald de Andrade, no dia de seu aniversário, ficando o escritor muito impressionado com a pintura que até então não tinha um nome. Durante as discussões para nominar a obra, Oswald e seu amigo, o poeta Raul Bopp, concluíram que se tratava de um ser de profundas raízes com a terra, ou seja, um antropófago. Ao consultarem o dicionário tupi-guarani do pai de Tarsila, acabaram chegando ao nome de “Abaporu” (Aba: homem; poru: que come) cuja tradução era “homem que come carne humana” ou “homem que come gente”.

Esta obra foi responsável por dar início à Fase Antropofágica de Tarsila. Na composição A Negra, anterior a esta obra, a pintora já mostrava preocupação com suas raízes. Pode-se dizer que as duas obras são parentes, sob o ponto de vista estilístico. Para a artista, este personagem estava relacionado com as histórias, que ouvira em sua infância, contadas pelas pretas velhas da fazenda, onde passou a infância. As pinturas “Abaporu” e A Negra levam em conta o mesmo estilo. Elas se fundem harmoniosamente no quadro Antropofagia, criado em 1929, recebendo o mesmo tratamento no que diz respeito à cor, à superfície e ao fundo da tela, onde se projeta a flora comum à obra da artista, pertencente unicamente a ela.

O tamanho monstruoso do corpo da figura presente em Abaporu, bem além da realidade, em contraponto com sua minúscula cabeça de alfinete, valoriza o trabalho braçal em detrimento do mental. Expressa uma natureza bruta, bem mais forte e dominadora do que o mundo das ideias. Seu pé direito (o esquerdo encontra-se escondido) e mão direita gigantescos mostram a sua ligação com a terra. A figura está posicionada ao lado de um cacto verde-escuro, havendo, entre ela e a planta, um enorme sol que se parece com gomos de laranja ou com uma flor. O personagem e o cacto possuem a mesma origem, pois ambos nascem do mesmo chão, são feitos da mesma matéria, distintos apenas pela cor.

As cores empregadas na composição: céu azul, sol (ou flor) amarelo e mata verde remetem às cores do país. “Tudo ali, sobe à tona como partículas do inconsciente coletivo, tudo vira víscera do Brasil. A bandeira fora desfraldada e vibrava a pleno vento.”, assim se exprime o crítico Roberto Pontual em “Entre Dois Séculos/ Arte Brasileira do Século XX.

O Abaporu inspirou Oswald de Andrade a escrever o Manifesto Antropofágico, cujo movimento tinha como objetivo apreender a cultura europeia, transformando-a em algo tipicamente brasileiro. Trata-se hoje da tela brasileira com maior valor no mercado de arte nacional, e uma das mais importantes produzidas por um artista brasileiro. Foi a pintura mais cara vendida no Brasil, encontrando-se na Argentina.

Explicação de Tarsila sobre a obra (trechos tirados de uma entrevista com a pintora):

Eu quis fazer um quadro que assustasse o Oswald, que fosse uma coisa mesmo fora do comum. O “Abaporu” era aquela figura monstruosa, a cabecinha, o bracinho fino apoiado no cotovelo, aquelas pernas compridas, enormes, e junto tinha um cacto que dava a impressão de um sol, como se fosse também uma flor, e ao mesmo tempo um sol. Quando o Oswald viu o quadro, ficou assustadíssimo e perguntou: “Mas o que é isso? Que coisa extraordinária.” Telefonou para o Raul Bopp e disse: “Venha imediatamente aqui pra você ver uma coisa!” O Bopp assustou-se também e o Oswald disse: “Isso é como se fosse um selvagem, uma coisa do mato”, e o Bopp foi da mesma opinião. Aí eu quis dar um nome selvagem também ao quadro, porque eu tinha um dicionário de Montoia, um padre jesuíta, que dava tudo.

Eu gosto de inventar formas de coisas que eu nunca vi na vida, mas não sabia por que que eu tinha feito o “Abaporu” daquela forma. Eu me perguntava: Mas como é que eu fiz isto? Depois uma amiga me dizia: “Sempre que eu vejo “Abaporu”, eu me lembro de uns pesadelos que eu tenho.”. Então liguei uma coisa a outra, devia ser uma lembrança psíquica ou qualquer coisa assim, e me lembrei de quando éramos crianças na fazenda. Naquele tempo tinha muita facilidade de empregadas, aquelas pretas que trabalhavam para nós na fazenda; depois do jantar elas reuniam a criançada para contar histórias de assombração. Iam contando da assombração que estava no forro da casa, eu tinha muito medo, a gente ficava ouvindo, elas diziam: “Daqui a pouco da abertura vai cair um braço, vai cair uma perna”, e nunca esperávamos cair a cabeça, abríamos a porta correndo e nem queríamos saber de ver cair a assombração inteira. Quem sabe o “Abaporu” é um reflexo disso?

Ficha técnica
Ano: 1928
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 85 x 73 cm
Localização: Acervo do Museo de Arte Latino Americano de Buenso Aires, Fundación Constantini, Argentina

Fontes de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Coleção Folha
Tarsila – sua obra e seu tempo/ Aracy A. Amaral
Brazialian Art VII

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CHINA – OS CHINESES E SEUS HÁBITOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Agora que a China abriu-se para o mundo, depois de décadas de isolamento, nossa curiosidade em relação ao seu povo está podendo ser satisfeita. Em razão do grande isolamento em que viveram os chineses, criou-se uma imagem errônea sobre eles, uma espécie de idealização do jeito de viver oriental. Veremos agora o quão contraditório é este pensamento:

• Tudo na China é escrito em números de muitos dígitos. Só para se ter uma ideia do contingente humano que habita aquele país, sua população corresponde a sete vezes à brasileira. É gente saindo pelo ladrão.
• A filosofia confucionista possui grande importância na vida dos chineses, sendo responsável pela unidade do país. Encontra-se presente desde a vida em família, centrada na reverência aos mais velhos, até na condução política do país.
• Ao contrário do que imaginamos, os chineses estão bem longe do equilíbrio imaginados por nós. Eles são barulhentos, principalmente se estão em grupos, curiosos, gostam de cantar, jogar, dançar e são bons de garfo. Para se ter uma ideia de como são ruidosos, os funerais são realizados com música e fogos de artifícios, cujo objetivo e afugentar os espíritos do mal.
• O povo chinês é muito voltado para a vida ao ar-livre. Eles se encontram nas calçadas e praças com a finalidade de realizar vários tipos de atividades: conversar, dançar, fazer ginástica, etc. Mesmo nas calçadas, é comum encontrá-los de pijama e chinelo, comendo, ou lavando o cabelo.
• Ao contrário do que é para nós, a cor vermelha, predileta do povo chinês, é indicadora de “positivo”, enquanto a verde significa “negativo”. O vermelho é também a cor das roupas íntimas no Ano Novo chinês. Antigamente era a cor dos vestidos de noiva, também, mas a ocidentalização está levando ao uso da cor branca que, para os chineses, simboliza a cor da morte, sendo muito usada nos enterros.
• Certos comportamentos chineses espantam o turista ocidental, pois são tidos no Ocidente como nocivos: cuspir no chão, fazer barulho para comer, limpar a garganta fazendo ruídos altos, furar fila e jogar lixo na rua.
• Gentilezas não são o forte dos chineses. Os pedestres não têm vez em relação aos motorizados. Eles não possuem paciência para esperar as pessoas saírem do elevador ou metrô, para depois entrarem. Apertam o botão do elevador antes de todos entrarem. Empurram. Falam alto no celular. Não cedem a vez a outras pessoas, etc.
• Os chineses são demasiadamente consumistas. Se Mao Tsé-tung ressuscitasse hoje, não iria acreditar, ao ver o grau de competição e ambição que assola esse país comunista. As cirurgias plásticas espalham-se por toda a China, em busca do modelo de beleza ocidental: olhos grandes, nariz afilado e seios grandes.
• O povo chinês tem preferência pela pele branca, que é sinônimo de status. Além da diversidade de cremes para clareá-la, os espaços de beleza andam sempre lotados. Os concursos de beleza são prestigiados em todo o país.
• O esporte mais popular da China é o basquete. E o café vem desbancando o chá, embora os chineses tenham inventado o último. Os carros transformaram-se em símbolos de status e a competição é grande para se ter o melhor. Não há constrangimento em se mostrar que é rico. Ao contrário.
• Os novos ricos apelam para o exagero e a suntuosidade. O uso excessivo de dourados, brilhos e enfeites excessivos na decoração acaba desaguando na cafonice.
• Nos aviões, os chineses nem sempre são uma boa companhia. São barulhentos, muito faladores, muitas vezes levam comida para comer a bordo, são impacientes tanto no embarque quanto no desembarque. Mal o avião pousa, eles já estão de pé, apanhando a bagagem e ligando seus celulares.

Fontes de pesquisa:
China, o Despertar do Dragão/ Luís Giffoni
Os Chineses/ Cláudia Trevisan

Nota: imagem copiada de galeria.colorir.com

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