Ianelli – PIC NIC

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Na sua composição Pic Nic, Arcangelo Ianelli, pintor brasileiro, retrata sua família. Em primeiro plano estão representadas sua esposa Dirce, grávida do segundo filho, a filha Katia acompanhada de sua prima. Todas as personagens estão vestidas de branco, postadas sobre uma toalha também de cor branca.

Dirce está assentada à esquerda, no pequeno grupo; Katia encontra-se de pé, ligeiramente inclinada sobre a mãe, à sua esquerda, enquanto a outra garota está deitada de frente para mãe e filha, com a cabeça escorada no braço, tendo atrás de si uma cesta.

Um chapéu encontra-se diante das figuras. Como Dirce traz o seu à cabeça, pertence certamente a uma das garotas. Ao fundo está um campo verde, com três diminutas árvores. Mais distante estão as montanhas.

Ficha técnica
Ano: 1950
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 38 x 46 cm
Localização: Coleção particular

Fonte de pesquisa
Arcanjo Ianelli/ Coleção Folha

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TÔKAIDÔ – MINAKUCHI

Autoria de Lu Dias Carvalho

tv12Hokusai fez cerca de 500 desenhos para sete séries que tinham relação com a estrada Tôkaidô. Os temas centrais das estampas são as atitudes e as atividades humanas. O artista concentrou seu interesse, principalmente, na aparência e no modo de agir dos viajantes, assim como nos ofícios dos habitantes locais.

Os viajantes das sete séries são normalmente monges, andarilhos, carregadores, serviçais e senhores com um só ajudante.

Nesta estampa, 53 Estações da Estrada Tôkaidô-Minakuchi, detalhada e cheia de inúmeras informações, estão presentes cinco figuras. Três delas, sendo um homem e duas mulheres, estão dentro de um albergue, enquanto na calçada passam um senhor e seu carregador. Uma grande árvore encontra-se à frente da hospedaria.

Um homem está assentado, numa plataforma mais alta, sobre a qual se encontra uma almofada, enquanto as duas mulheres, num plano inferior, labutam numa tina, possivelmente lavando roupas. O trio traz o olhar direcionado para os dois passantes, que de alguma forma chamou-lhes a atenção.

O viandante, que parece mais velho, leva um apoio e segue à frente do carregador, que anda com passos largos, e, cuja ínfima vestimenta demonstra que pertence a uma baixa posição social. Ele deve se manter sempre atrás de seu senhor.

A estrada de Tôkaidô (Estrada do mar do Leste) tinha 53 pontos de parada e muitos albergues para atender os viajores. Essas estações formaram os núcleos de futuras cidades japonesas. Cada quilômetro era assinalado por um marco de pedra. O título, portanto, está ligado ao número desses pontos de parada.

Ficha técnica
Artista: Katsushika Hokusai (1760 – 1849)
Dimensão: 21,1 x 16,4 cm
Data: c.1810

Fontes de pesquisa
O Japão / Editora Globo
Ukiyo-e / Instituto Moreira Salles

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JAPÃO – UMA HISTÓRIA MACABRA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Sogen Kato é o homem mais velho do Japão, país aclamado pela longevidade de sua gente e pelo carinho que dedica aos idosos e às crianças. É também o país das maravilhosas cerejeiras, que florescem em março, após a partida do intenso inverno, embelezando todo o arquipélago do Sol Nascente. Mas elas são tão efêmeras, com é a nossa crença de que ali vivem os humanos mais imaculados do planeta Terra.

A crueldade dos nipônicos já é conhecida através da caça às baleias e aos golfinhos, transformada, literalmente, num mar de sangue. E pior, o país usa de subterfúgio para matar centenas desses mamíferos anualmente, aproveitando-se de uma brecha em um acordo internacional de 1986 que, apesar de proibir a caça comercial, permite a prática para fins de pesquisa. Ou seja, ludibriam o acordo para justificar a matança. O meu leitor querido poderá estar pensando que amanheci meio abilolada, pois deixei o personagem central perdido lá no início desta história. Em parte, é verdade, mas tenho apenas o intuito de prepará-lo para o que virá a seguir.

Hoje é dia de aniversário de Sogen Kato. O bom velhinho completou 111 primaveras. Ou seriam cerejeiras? Os funcionários da prefeitura de Tóquio são instados a visitar o ancião mais velho da capital do país. Vão até a sua casa, mas ele não os quer receber. A família entra e sai tentando convencer o pirracentinho, mas nem uma legião de kami conseguiria removê-lo de sua decisão. Quer passar os seus 111 anos apenas com os seus entes queridos que tão bem zelam por ele. Nada de formalidades governamentais. Os funcionários, se quiserem, que vão visitar outros velhinhos. A família explica e explica, mas os burocratas são ciosos no cumprimento de seus deveres. Poxa, eles bem que poderiam respeitar o desejo de Sogen Kato. Para que tanta pertinência com alguém que não precisa de quase nada neste velho mundo? A insistência incomoda os parentes que não arredam pé para atender o patriarca.

Quando tudo parecia resolvido, a polícia bate à porta da família em questão, que não a abre. Acha que o velhinho tem todo o direito de ser atendido em seu desejo. A lei não se dá por vencida e invade a casa da família de classe média. E lá, no seu quarto enfeitado com lanternas vermelhas e brancas, e com um perfumado altar dedicado a Buda, está Sogen Kato todo arrumadinho e cheirando a cerejeira, na sua cama de pinho, sem um fio de cabelo fora do lugar, estampando no rosto um meio sorriso. Pede aos funcionários que se aproximem dele e lhes beijem as mãos. Depois pede à filha que lhes sirva uma dose de saquê (bebida fabricada pela fermentação do arroz e tomada geralmente quente e em grandes comemorações) com bolinhos de feijão.

Não! Peço ao leitor que apague o parágrafo acima. Não foi nada disso. Tomei mais saquê do que deveria. Na verdade, Sogen Kato não passava de um cadáver empoeirado, vestido com um pijama e coberto com um cobertor, tendo ao lado um jornal datado de 5 de janeiro de 1978. Segundo os legistas, o mais velho ancião de Tóquio já estava morto havia 32 anos. A múmia do vovozinho dividia a casa com a filha de 81 anos, o marido dela, de 83, e seus dois netinhos. Isso é que é amor! Coitadinha da família, não tinha culpa nenhuma e tampouco tinha conhecimento do ocorrido. Por isso, não devemos julgar sem conhecimento de causa. Imagine o leitor que, ao ser interrogada, a inocente netinha de 53 anos disse à polícia invasiva que, há alguns anos, vinha “desconfiando” que o vovô estivesse morto, mas não tinha certeza. Coitadinha! E arrematou:

– Ninguém entrou no quarto, desde que ele se trancou ali, para se tornar um Buda vivo.

Não posso omitir que o velhinho recebia 1.617 dólares de aposentadoria, mensalmente, em sua conta, que era movimentada pela família, já que Sogen Kato não tinha mais energia para fazer tal tarefa.  E sua história levou a outras, pois dias mais tarde, próximo à casa do finado, policiais encontraram o filho de um homem de 103 anos, “desaparecido” há 38 anos, que continuava a receber a pensão do pai. Mas ele se mostrou muito respeitoso e preocupado com o seu genitor, explicando com muita sabedoria:

– Continuo recebendo a pensão, para a eventualidade de um dia ele voltar para casa.

No que estava muito certo, pois um homem prevenido vale por dois. Vai que o velhinho volta e ainda traz consigo uma mulher e mais meia dúzia de filhos… É melhor prevenir do que remediar. O fato é que os dois casos deixaram o governo japonês com a pulga na orelha. E, para não levar a pecha de babão, resolveu se intrometer na vida de todos os centenários. Fez 100 anos? Pimba! Lá está um funcionário batendo à porta para levar flores e um prato de doce de feijão azuki, mas que só podem ser entregues na mão do aniversariante. Mas que falta de confiança na família, minha gente!

Num intervalo de poucos dias, a busca pelos centenários contabilizou 280 idosos mortos ou desaparecidos, embora estivessem cadastrados como “vivinhos da silva”. E outros 840 estavam sendo investigados. Mas mais macabras são as aposentadorias imorais vistas em nosso país, que atingem mulheres e filhos de certas categorias. Elas nunca lavaram uma xícara em prol de seu país. As aposentadorias políticas são um desrespeito ao trabalhador. O Brasil, desde a sua época de colônia, tem sido pródigo com uma chusma de lesa-pátria. No Japão, pelo menos, medidas são tomadas e os salafrários punidos – pensará o leitor, com toda a razão.

Nota: Caveira num Nicho – Barthel Bruyn

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Pintores Brasileiros – ARCANGELO IANELLI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Enganam-se os que julgam que um quadro colorido é aquele que contém variedades e acúmulo de cores dominando uma superfície mal disposta. A sutileza e elaboração da própria cor, quando criada pelo verdadeiro artista, poderá conter uma riqueza infinita de matizes dentro de um só azul ou de um só gris. A cor é suficiente para construir e expressar nosso universo. Difícil é saber como usá-la. (Arcangelo Ianelli)

Não se pode apenas colorir um desenho, é preciso expressar também valores plásticos que a pintura requer, caso contrário está-se diante de uma simples ilustração colorida. (Arcangelo Ianelli)

A cor é suficiente para construir e expressar o universo. (Ianelli)

O artista brasileiro Arcangelo Ianelli (1922-2009), nascido na cidade de São Paulo, era filho de imigrantes italianos, tendo perdido a mãe quando ela tinha 49 anos. Seu contato com a arte deu-se a partir dos sete anos, época em que estudou interno numa escola católica, onde passou a desenhar. Quando começou a trabalhar, aproveitava as horas vagas para estudar pintura, vindo a ingressar posteriormente na Associação Paulista de Belas Artes, onde conheceu vários artistas também de origem italiana. Nos finais de semana, eles seguiam juntos para pintar nos arredores da cidade de São Paulo.

Aos 24 anos de idade, o pintor casou-se com Dirce Ianelli, época em que passou a dedicar integralmente à pintura. Com ela teve os filhos Katia e Rubens. Viajou com a família, durante dois anos, pela Europa, com exposições itinerantes, período em que aproveitou também para estudar arte. De Roma foi para Paris, onde morou alguns meses.

A toxidade das tintas trouxe problemas para a saúde de Arcangelo Ianelli, que teve que abrir mão do uso da tinta a óleo por um bom tempo, passando a trabalhar com têmpera, guache e pastel. Participou de onze Bienais de Arte no Brasil, Colômbia, Venezuela e México, e várias mostras. Teve também seus trabalhos expostos nos Estados Unidos, além de participar de inúmeras exposições internacionais.

O estilo de Ianelli foi muito diversificado: cenas cotidianas, paisagens urbanas, naturezas mortas, abstracionismo e abstracionismo geométrico. Fez parte do Grupo Guanabara, do qual participaram os artistas Manabu Mabe, Yoshiya Takaoka e Tikashi Fukushima. Além de pintor, Ianelli foi também escultor, ilustrador e desenhista. Para ele, a arte deveria ser a base da educação. Faleceu em 2009, aos 87 anos, deixando um rico acervo de desenhos, gravuras, relevos, esculturas e pasteis.

Fontes de pesquisa
Arcangelo Ianelli/ Coleção Folha
http://www.mercadoarte.com.br/artigos/artistas/arcangelo-ianelli

Nota: retrato de Arcangelo Ianelli – óleo sobre tela, 0,80 x 1,00 m – 1983/ Acervo do Museu de Arte Brasileira (MAB)

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MONTE FUJI E MONTE ASHITAKA…

Autoria de Lu Dias Carvalho

mosca123A estampa Monte Fuji e Monte Ashitaka Vistos da Estação Hara faz parte da série Vistas Famosas das 53 Estações, obra do artista japonês Hiroshige.

“Hara” em japonês significa uma paisagem cuja altitude varia entre 300 a 500 metros, onde crescem principalmente arbustos e bambus anões. Ao fundo da paisagem, localiza-se o majestoso Monte Fuji todo coberto de neve. Muitas figuras encontram-se no local, dentre elas estão viajantes e carregadores.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1855
Dimensões: 34,3 x 22,6 cm

Fontes de pesquisa
Hiroshige/ Taschen
O Japão/ Editora Globo

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JAPÃO – O QUE É UM BURAKUMIN?

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Para a maioria dos leitores, Burakumin é um nome totalmente desconhecido, de modo que não faz a menor ideia de onde vem. Mas não será por muito tempo mais. Portanto, amigos, apertem os cintos e arregalem os olhos. Quem diria?! E se alguém pensa que os párias vivem apenas na Índia, atrelados ao atraso do terceiro mundo, está redondamente enganado. Os Burakumin, também conhecidos como Semmin, Hinin (não-humanos) Eta ou Yotsunin (os que andam de quatro) são os párias japoneses. Como os nossos já conhecidos dalits indianos, também são tidos como impuros e, consequentemente, inferiores, não tendo permissão para se misturar à sociedade “normal”, encontrando-se isolados dentro do próprio país do Sol Nascente.

Numa época em que o mundo tornou-se uma Torre de Babel e que parte da humanidade vive como nômades, é possível imaginarmos que os Burakumin sejam pessoas de outra etnia que não a japonesa. Mas não! Os intocáveis descritos aqui são étnica e culturalmente japoneses, não havendo nada que os diferencie dos demais, a não ser os seus ancestrais. Em 1974 eram por volta de mais de três milhões de almas, já que outras tantas escondem a sua origem, para evitar o preconceito que é violento, sob todos os pontos de vista. Como os Barakumin surgiram? Dizem os historiadores que existem três diferentes versões:

1ª – são descendentes dos aborígenes, povos primitivos do Japão, que foram dominados pelos que chegaram ao país, posteriormente;
2ª – são descendentes de imigrantes filipinos e coreanos;
3ª – são pessoas que, há muitas e muitas gerações passadas, foram encarregadas de matar, limpar e preparar os animais para o consumo. E, com o tempo, também passaram a cuidar dos corpos dos mortos, preparando-os para os funerais. No meio do século XVIII, Atsutane Hirata, o reformador do xintoísmo (religião principal do Japão), escreveu que os Burakumin eram impuros e inferiores, devendo permanecer separados da sociedade e impedidos de entrar nos templos. Decreto cumprido até os dias de hoje!

O xintoísmo já trazia a noção de poluição associada à morte e, com a chegada de outra religião, o budismo, no século VI d.C., reforçando esse mesmo preconceito, assim como a proibição do consumo de certos animais, a situação dos Burakumin só fez complicar. Como parte da segregação, eles passaram a ser mantidos em bairros ou vilas, chamados de “Buraku” (significa “vila” em japonês) e, como no caso dos dalits, totalmente desdenhados pela sociedade, sendo obrigados a viverem isolados e a casarem entre si.

A pergunta que nos vem à mente é: como é possível que, passados tantos séculos, os japoneses ainda conseguem saber quem é um Burakumin? Consta que a lista sobre as famílias dos Burakumin, feita no século VII, vem sendo atualizada por detetives particulares. A seguir, são reproduzidas e vendidas a um grande número de companhias japonesas, que as usam para identificar os Burakumin, de modo a excluí-los dos empregos. Tal listagem, muitas vezes, é consultada por famílias, para conhecerem a origem de seus possíveis novos membros, em caso de casamentos.

Embora tal prática ainda tenha sequência em pleno século XXI, o governo japonês, em 1871, por decreto, transformou os Burakumin em pessoas comuns. Tanto lá como cá, sabemos que sem fornecer os meios para a educação de um povo, torna-se impossível esperar por mudanças de fato. E leis, que ficam somente no papel, são desprezíveis. Por isso, sem ajuda financeira e educação, os Burakumin continuam sendo vistos como Burakumin. Tampouco o xintoísmo e o budismo fizeram algo para mudar a vida dessas pessoas, perpetuando a posição de subalternidade delas, cuja situação pouco mudou nos dias de hoje. Normalmente, os trabalhadores são empregados em empresas que trabalham com carne, pertencentes a pessoas mais pobres. Suas crianças sofrem discriminação nas escolas, onde são chamadas com nomes relacionados a animais. Contudo, os Burakumin legaram à cultura japonesa grandes artistas, criadores do teatro noh , kabuki e kyogen e escritores como Mishima e Kenji Nakagami.

Desde 1980, mais e mais jovens Burakumin vêm se organizando e protestando contra a discriminação social em que vivem. Movimentos com vários objetivos, que vão desde a “libertação” para incentivar a integração, têm tentado pôr um fim à situação.

Nota: Imagem copiada de http://sjnsociologyblog.wordpress.com

Fontes de pesquisa:
 Japão/ Louis Frédérica
http://www.espacoacademico.com.br

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