Pintores Brasileiros – DI CAVALCANTI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A nossa arte tem de ser como a nossa comida. O nosso ar, o nosso mar. Tem de ser reveladora de nossa cultura, pois a boa arte é sempre cultural e sua dimensão própria é a de participar um momento cultural. O artista verdadeiro torna-se moderno para a sua época: ele traz o novo, é o arauto de uma nova era. (Di Cavalcanti)

Sensual, mulherengo, bom prato, bom copo e um papo fabuloso. Positivamente, nuna seria um juiz, um bispo, um casto. Mas saberia respeitá-los. (Jayme Maurício)

A cultura não apaga os meus sentidos, sou sempre o vagabundo, o homem da madrugada, o amoroso de muitos amores. (Di Cavalcanti)

Di Cavalcanti é demasiado terra-a-terra, demasiado sensorial, demasiado materialista. (Mário Pedrosa)

Grande carioca, grande brasileiro, grande homem é também um grande amoroso e um grande boêmio. […] É assombrosa a quantidade e a variedade de suas relações humanas. Tem amigos entre políticos e operários, diplomatas e malandros, banqueiros e pobres-diabos, intelectuais e analfabetos, senhoras grã-finas e mulheres da gafieira. A vida, para ele, é um espetáculo variado, belo e fascinante, a que não se limita assistir de camarote, mas de que também participa, como um dos personagens mais ativos. ( Luiz Martins)

Emiliano de Albuquerque de Mello, o nosso famoso Di Cavalcanti, (1897 – 1976), nasceu na cidade do Rio de Janeiro. Seu pai era um tenente do exército que fazia parte da Guarda do Palácio Imperial e sua mãe era cunhada de José do Patrocínio. Foi na casa desse tio abolicionista, em meio à música clássica e à literatura, que o menino Didi cresceu.

Ainda criança, Di Cavalcanti já demonstrava seu talento com as letras e a caricatura. Começou a trabalhar muito cedo, com a morte do pai. Ao se mudar para São Paulo, entrou para a Faculdade de Direito, que nunca viria a concluir. Trabalhou em revistas e jornais e como ilustrador de livros de autores nacionais e internacionais. Aos 24 anos de idade, ele se casou com uma prima distante, Maria Cavalcanti.

Di Cavalcanti teve grande participação na Semana de Arte Moderna, coordenando o evento, criando peças gráficas e exibindo 12 de suas obras. Com a venda de algumas delas, o artista rumou para Paris, pois era o único que ainda não trabalhara no exterior, onde conheceu Blaise Cendais, Jean Cocteau, Sergio Milliet, Henri Matisse e Pablo Picasso, tornando-se grande amigo desse último. Ali também teve contato direto com a obra de grandes nomes da pintura do passado, como Lautrec, Pissarro, Manet, Renoir, Gauguin, Cézanne, Delacroix e El Greco. De Paris foi até à Itália, onde se encantou com as obras de grandes mestres, como Michelangelo e Leonardo da Vinci.

Ao retornar ao Brasil, Di passou a viver entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Influenciado pelas vanguardas europeias e engajado politicamente, Di usou na sua pintura a temática nacionalista aliada à questão social. Simplificou as formas de seus personagens, tornando-os curvilíneos e deu intensidade à cor. Fundou o Clube dos Artistas Modernos, ocasião em que passou a ter um relacionamento amoroso com Noêmia Mourão, uma de suas alunas de pintura.

Em razão de sua intensa participação política, tendo se filiado ao Partido Comunista, foi preso três vezes. Acabou se exilando em Paris, onde veio depois a receber a medalha de ouro por sua participação na Exposição Internacional de Artes Técnicas de Paris. O contato com o Expressionismo alemão, cujo enfoque era a crítica social, fortaleceu a vontade de Di em mostrar as mazelas políticas e sociais de seu país, apresentando temáticas relacionadas com o cotidiano do povo brasileiro: o samba, o carnaval, a boemia, as prostitutas, as favelas, as mulatas, o malandro, etc., sempre ambientadas na cidade do Rio de Janeiro.

Di retornou ao Brasil, após a invasão de Paris pelas forças nazistas. Ele se mostrou mais consciente ainda de que a arte devia ser vista como uma forma de participação social, pondo em destaque a identidade da gente de seu país. O artista fez sucesso não apenas no Brasil, como em outras partes do mundo: Argentina, Estados Unidos, Escócia, Uruguai, Inglaterra, etc. Nesse período, terminou o seu relacionamento com Noêmia e passou a viver com a inglesa Beryl Tucker Gilman, adotando Elizabeth Di Cavalcanti, filha dela. Mas o pintor teve muitos outros relacionamentos passageiros, tendo sido amante de muitas mulheres famosas.

Em 1953, juntamente com Alfredo Volpi, Di Cavalcanti recebeu o Prêmio de Melhor Pintor Nacional. E, em 1956, na Itália, ganhou o Primeiro Prêmio na Mostra Internacional de Arte Sacra de Trieste, com sua obra Crucificação, comprada pelo Instituto de Arte Litúrgica de Roma.

Em 1966, aos 69 anos, Di Cavalcanti, que completava cinquenta anos de arte, concorreu a uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL), mas não foi aceito. Em 1975, Di passou por duas cirurgias e uma terceira no ano seguinte. Morreu em 1976, aos 79 anos de idade, vitimado pela cirrose, deixando uma produção calculada em 9.000 obras, entre pinturas e desenhos. Sua arte está espalhada por todo o Brasil,  América Latina, Estados Unidos e Europa.

Di foi um artista polivalente: pintor, ilustrador, caricaturista, muralista, desenhista, jornalista, escritor e cenógrafo. Foi, sem dúvida, um dos maiores pintores brasileiros do século XX.

Para finalizar este breve texto sobre a vida de Emiliano Di Cavalcanti fica aqui o testemunho de Mario Schenber: “Na minha opinião, uma das coisas mais importantes em Di foi a sua contínua preocupação em fazer uma arte brasileira, ligada aos aspectos cotidianos da vida brasileira e procurando através deles definir a nossa identidade cultural. Esta tendência foi tão forte nele que não conheço qualquer trabalho de Di Cavalcanti que não a reflita, não reflita esta preocupação. Qualquer trabalho de Di, bom ou ruim, é um trabalho brasileiro.”

Fonte de pesquisa
Di Cavalcanti / Coleção Folha
Brazilian Arte VII

Nota: autorretrato do pintor

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ÔYAMA NA PROVÍNCIA DE SAGAMI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A estampa Ôyama na Província de Sagami é a número 12 da série A Montanha e o Mar Comparados a Lutadores, obra do artista japonês Hiroshige, feita em seu último ano de vida.

Aqui, Hiroshige retrata a queda de água no Monte Ôyama, local sagrado do xintoísmo, onde apenas os fieis masculinos podiam ir. Eles se banhavam na água fria, como o objetivo de livrar o corpo e a alma de todos os males. O local também era procurado pelos seguidores do shugendô (mistura do budismo esotérico e adoração da natureza).

Cinco figuras estão representadas na gravura. O deus Fudô Muôô está simbolizado por uma espada azul, à esquerda da composição, em volta da qual se enrola um dragão amarelo.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: c. 1858
Dimensões: 21,9 x 34,4 cm

Fonte de pesquisa
Hiroshige/ Editora Taschen

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Ianelli – BAMBUZAL

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Eu fechava os olhos e imaginava apenas as grandes massas, os volumes e a cor. O caminho para uma boa pintura é se desligar do supérfluo e buscar o essencial. (Arcangelo Ianelli)

Através das fendas, deixadas pelos troncos do cerrado bambuzal, é possível observar a paisagem que se estende em segundo plano. O caule das árvores possuem cores e larguras diferenciadas. A paisagem ao fundo é composta por duas casas, um campo verde, árvores e montanhas.

A verticalidade das árvores, que compõem o bambuzal, contrasta com a horizontalidade das casas, do campo e das montanhas. E, como o pintor busca apenas o essencial, as folhas do bambuzal não estão presentes na tela, mas apenas seus esguios troncos.

Esta é uma das pinturas mais famosas de Arcangelo Ianelli.

Ficha técnica
Ano: 1959
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 80 x 60 cm
Localização: Coleção particular

Fonte de pesquisa
Arcanjo Ianelli/ Coleção Folha

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CHINA – SUPERSTIÇÕES E JUDIAÇÕES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Com as mudanças operadas na China de hoje, os videntes e os astrólogos voltaram à cena, ainda com mais força. Assim como entre os indianos, os números, que são divididos entre os que trazem boa sorte e os que trazem mau agouro, passaram a influenciar a vida dos chineses. A numerologia e a astrologia estão em alta por todo o país. Vejamos algumas singularidades desse povo:

• O número 8, por exemplo, que simboliza riqueza e prosperidade, segundo a visão dos chineses, possui uma alta cotação no mercado. Um número de celular, que traz no final tal número, é muito cobiçado, sendo vendido por um alto preço, pois todo mundo quer enriquecer. Por sua vez, se traz o número 4, tido como maléfico, o preço despenca. Os edifícios não possuem a terminação 4 nos andares. Os números 6 e 9 também são muito apreciados.

• A consulta a um astrólogo, para definir a data melhor para um casamento, é muito comum na China. A seguir, vem a preparação para a concepção dos filhos, levando em conta o zodíaco chinês, sendo o dragão o mais importante dos signos.

• Nas comemorações do Ano Novo (não corresponde ano nosso), a mais importante data para o povo chinês, todos procuram estar juntos com a família. A China vira uma gigantesca estação. Os trens ficam tão cheios, que algumas pessoas fazem uso de fraldas descartáveis, pois chegar até o banheiro torna-se uma tarefa impossível. Neste evento não podem faltar o peixe, incluindo a cabeça e rabo, e o frango, também com a cabeça e os pés, ou seja, devem estar inteiros.

• Os chineses adoram comer e possuem uma rica culinária. Apesar das mudanças encontradas em todo o país, os palitos continuam imperando. A colher é usada apenas para sopa e, quando os alimentos não podem ser capturados com os palitos. Alguns usam os próprios palitos para se servirem dos pratos postos à mesa, o que seria para nós ocidentais, falta de higiene.

• Ao comer, os chineses fazem muito barulho à mesa, principalmente ao tomarem sopa. Arrotos são emitidos durante a refeição. É comum falar com a boca cheia de alimentos. Eles fumam, enquanto comem e também falam ao celular. Cospem espinhas de peixe, cascas, ossos e tudo que não engolem, diretamente na mesa, fora do prato.

• Os chineses comem de tudo (escorpiões, gafanhotos, bichos da seda, etc.) Mas o hábito de comer cachorros é para nós ocidentais repugnante. Para ampliar o absurdo, existe a crença no país de que a adrenalina torna a carne mais saborosa, o que leva a matar o animal com extrema crueldade. Eles os mantém em gaiolas, para serem mortos. Muitos tipos de animais são colocados vivos em água fervente (peixe, crustáceos, etc.)

• A medicina tradicional chinesa recomenda a bílis de urso para o tratamento de doenças do fígado e sistema biliar, embora já haja o produto sintético no mercado. Os animais são mantidos em jaulas, onde mal se movem e têm a bílis retirada duas vezes ao dia, através de canais abertos no abdome. Os coitados acabam doentes, com atrofia muscular, perda dos pelos e transtornos mentais. Haja judiação!

Fontes de pesquisa:
China, o Despertar do Dragão/ Luís Giffoni
Os Chineses/ Cláudia Trevisan

Nota: imagem copiada de aoikuwan.com

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CEREJEIRA EM FLOR…

Autoria de Lu Dias Carvalho

oki1234567891A estampa Cerejeira em Flor ao Final do Dia perto de Gotenyama faz parte da série Vistas Famosas da Capital do Oriente, do artista japonês Hiroshige. As cerejeiras em flor sempre despertaram o encantamento dos japoneses. E, ainda nos dias de hoje, observá-las é uma grande atração no país nipônico.

No reinado de Yoshime, o oitavo xógum, nas margens do rio Sumida, em Gotenyama, foram plantadas inúmeras cerejeiras, aonde as pessoas iam para admirá-las, não apenas na primavera, mas nas outras estações, pois ali aconteciam inúmeras atividades.

A estampa acima apresenta uma noite de primavera, com três cerejeiras floridas, numa pequena colina verde. Alguns visitantes estão próximos às árvores, e um deles lê uma das tabuletas afixadas.

Da colina são vistos apenas os telhados das casas. Um mar majestoso e calmo estende-se em segundo plano. Um grupo de embarcações encontra-se ancorado à esquerda, enquanto três barcos a vela, à direita, perfilam-se ao longe. Nuvens avermelhadas colorem todo o céu. Bem ao fundo, à esquerda, é possível divisar uma cidade.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: c. 1831
Dimensões: 22,1 x 35,9 cm

Fonte de pesquisa
Hiroshige/ Editora Taschen

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ORIENTE – CASAMENTO INFANTIL OU PEDOFILIA?

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O pai de Ayescha mandou que ela calçasse sapatos de salto para parecer mais alta e escondesse o rosto com um véu. Avisou que, se o prendessem, mataria Ayescha quando saísse da cadeia. (Cynthia Gorney/ National Geographic)

Se casar cedo oferecesse algum risco, Alá teria proibido. O que o próprio Alá não proibiu não podemos proibir. (Mohammed Al-Hamzi, parlamentar iemenita)

Segundo o ICRW (Centro Internacional de Pesquisa sobre a Mulher), qualquer casamento de menor de 18 anos é considerado casamento infantil.

O casamento infantil não é uma mácula apenas na história da Índia, pois ele acontece em várias partes do mundo. O Afeganistão, Iêmen e Etiópia encontram-se entre os países em que tal prática é uma constante, realizada com muito mais agressividade, pois as crianças tanto podem se casar com rapazes, viúvos ou homens que poderiam ser seus tios, pai ou avós. Em certas regiões da Etiópia entra em cena a figura do sequestrador que rouba e estupra a menina, e depois exige que ela seja sua esposa por direito. A vida de uma pequena (mulher de um modo geral) vale tão pouco nesses países, que uma noiva infantil tanto serve para saldar uma dívida, como para apaziguar uma intriga entre duas famílias.

Um evento de gala ocorreu em Gaza. O Hamas foi o patrocinador de um casamento em massa para 450 casais. A maioria dos noivos tinham idades compreendidas entre os 25 e os 30 anos enquanto as noivas, na sua maioria, tinham menos de dez anos. Tudo com a devida autorização da lei do islamismo radical. (Dezembro/2009)

No Iêmen, Ayescha, uma garotinha de 10 anos, casou-se com um homem barrigudo de 50 anos, sendo o casamento descrito como o de uma ratinha com um elefante. A pequenina ficou totalmente aterrorizada à vista do marido. Mesmo sendo avisada, a polícia local nada fez. Casos esdrúxulos como esse acontecem com o total consentimento dos pais. Existe até um trato entre os iemenitas, chamado “shigar”, que nada mais é que uma espécie de acordo entre dois homens, em que cada um oferece a filha como noiva ao outro.

É comum uma mulher chegar aos 26 anos já com quase uma dúzia de filhos, embora os riscos de um parto para as jovenzinhas sejam enormes. Ao engravidar precocemente, antes de estarem física e emocionalmente preparadas, meninas menores de 15 anos possuem cinco vezes mais probabilidades de morrer durante o parto ou a gravidez, do que mulheres mais velhas. Mortes associadas à gravidez são, em todo o mundo, a principal causa de mortalidade para meninas com idades entre 15 e 19. O parto prematuro pode trazer vários problemas para as mães: dilaceramento da parede vaginal, rupturas internas, e, inclusive, a fístula que leva à incontinência urinária.  As meninas com fístula são quase sempre abandonadas pelos esposos e depreciadas pela sociedade em que vivem, como se carregassem um cruel estigma. Os problemas emocionais são ainda mais graves. Além disso, são altas as taxas de mortalidade de bebês nascidos de mães menores de idade

Saiu nos jornais que uma noiva de um vilarejo deu entrada no hospital em Saana (Iêmen), quatro dias depois de seu casamento. Sofrera ruptura de órgãos internos por relações sexuais, segundo o pessoal do hospital. Morreu de hemorragia. Ela tinha 13 anos.  (Cynthia Gorney/ National Geographic)

Nota: Tahani (de rosa), 8 anos, e seu marido Majed, 27 anos.
Foto retirada da revista National Geographic

Fontes de Pesquisa
National Geographic/ Setembro/2011

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