LAPINHA

Autoria de Lu Dias Carvalho

Elis

A I Bienal do Samba da TV Record foi realizada em 1968, uma vez que vários compositores de samba encontravam-se chateados com os lugares reservados ao samba nos festivais de então, que sempre ocupavam as piores posições.

A I Bienal do Samba seguiria um processo diferente do que acontecia nos festivais. Uma comissão composta por 15 membros , sendo nove cariocas e seis paulistas, convidaria 36 compositores, escolhidos pelo trabalho já apresentado, e cada um deles deveria apresentar um samba inédito. A preferência seria dada aos compositores da velha guarda, havendo espaço também para os novos, como Chico Buarque, Zé Keti, Paulinho da Viola, Edu Lobo, Tom Jobim, etc. O prêmio atingiria até a 6ª colocação.

Na primeira apresentação para a seleção das músicas que concorreriam aos prêmios, Elis Regina defendeu Lapinha, de Baden Powell e César Camargo Mariano, acompanhada pelos Originais do Samba. Foi amor à primeira vista com a plateia. Vieram a seguir os cantores Isaurinha Garcia, Germano Mathias, Milton Nascimento, Zé Keti, Demônios da Garoa, Chico Buarque e Toquinho, Noite Ilustrada e Jair Rodrigues, cada um defendendo um respectivo samba. O público aplaudia alguns e vaiava outros, como sempre acontecia nos festivais.

Na primeira fase, os quatro sambas classificados foram:

Lapinha – (Baden Powell e Paulo Cesar Pinheiro) – interpretado por Elis Regina
Bom Tempo – (Chico Buarque) – interpretado pelo próprio Chico Buarque
Marina – (Synval Silva) – interpretado por Noite Ilustrada
Foi ela – (Zé Keti) – interpretada por Zé Keti e o Coral Bach que seria substituído por:
Coisas do Mundo, Minha Nega (Paulinho da Viola) – interpretado por Jair Rodrigues

A plateia chiou com a ausência do samba Mulher, Patrão e Cachaça – (Adoniran Barbosa) defendido pelos Demônios da Garoa. A cantora Aracy de Almeida homenageou Noel Rosa, ao cantar X do Problema, Feitiço da Vila e Com que Roupa.

Na segunda fase, foram classificados os sambas:

Tive Sim (Cartola) – defendido por Cyro Monteiro
Quando a Polícia Chegar (João da Baiana) – defendido por Clementina de Jesus
Quem Dera (Sidney Miller) – defendido por MPB4
Luandaluar (Sérgio Ricardo) – defendido por Marília Medalha

O pianista e compositor Sinhô foi o homenageado da segunda fase da I Bienal do Samba. Chico Buarque, seu grande fã, cantou alguns de seus sambas, como Gosto que me Enrosco e Jura.

Como parte de Foi Ela, samba de Zé Keti, classificado na primeira eliminatória, fizesse parte da trilha do filme Rio, Zona Norte (1957), ele foi desclassificado, entrando em seu lugar Coisas do Mundo, Minha Nega (Paulinho da Viola) defendido por Jair Rodrigues.

A terceira eliminatória classificou os sambas:

Rainha Porta Bandeira (Edu Lobo) – cantado por Márcia e Edu
Canto Chorado (Billy Blanco) – cantado por Jair Rodrigues
Protesto Meu Amor (Pixinguinha) – cantado por Clementina de Jesus
Pressentimento (Elton Medeiro e Hermínio Bello de Carvalho) – cantado por  Marília Medalha

Ary Barroso foi o homenageado da terceira fase da I Bienal do Samba, com alguns de  seus sambas interpretados por Cyro Monteiro.

Uma vez pronto o resultado das três eliminatórias, deu-se a finalíssima. A plateia já se via dividida entre as interpretações de Elis Regina e Jair Rodrigues, além de outros grupos que ostentavam faixas com o nome de suas canções escolhidas.

Ao somarem os votos, os jurados perceberam que os sambas Lapinha, de Baden Powell, defendido por Elis Regina e Os Originais do Samba e Bom Tempo, de Chico Buarque, defendido por ele mesmo, estavam empatados. Houve nova votação e, no desempate, o 1º lugar ficou com Lapinha.

Classificação dos sambas vencedores, em ordem decrescente:

Coisas do Mundo, Minha Nega
Tive Sim
Canto Chorado
Pressentimento
Bom Tempo
Lapinha

Agora conheçam a letra e ouçam o samba Lapinha, na voz maravilhosa de Elis Regina:

Lapinha
Autoria: Baden Powell e Paulo César Pinheiro
Intérprete: Elis Regina

Quando eu morrer me enterre na Lapinha,
Quando eu morrer me enterre na Lapinha
Calça, culote, paletó almofadinha
Calça, culote, paletó almofadinha
Vai meu lamento vai contar
Toda tristeza de viver
Ai a verdade sempre trai
E às vezes traz um mal a mais
Ai só me fez dilacerar
Ver tanta gente se entregar
Mas não me conformei
Indo contra lei
Sei que não me arrependi
Tenho um pedido só
Último talvez, antes de partir
Quando eu morrer me enterre na Lapinha,
Quando eu morrer me enterre na Lapinha
Calça, culote, paletó almofadinha
Calça, culote, paletó almofadinha
Sai minha mágoa
Sai de mim
Há tanto coração ruim
Ai é tão desesperador
O amor perder do desamor
Ah tanto erro eu vi, lutei
E como perdedor gritei
Que eu sou um homem só
Sem saber mudar
Nunca mais vou lastimar
Tenho um pedido só
Último talvez, antes de partir
Quando eu morrer me enterre na Lapinha,
Quando eu morrer me enterre na Lapinha
Calça, culote, paletó almofadinha
Calça, culote, paletó almofadinha
Adeus Bahia, zum-zum-zum
Cordão de ouro
Eu vou partir porque mataram meu besouro

https://www.youtube.com/watch?v=UXPNfPhVIGg/

Fontes de pesquisa
A era dos festivais/ Zuza Homem de Mello
Uma noite em 67/ Renato Terra e Ricardo Calil
Chico Buarque/ Wagner Homem

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FENG SHUI – COMBATE AO EXCESSO DE PAPEL

Autoria de Lu Dias Carvalho

pap

Pensava-se que, com a era eletrônica, a quantidade de papel seria drasticamente reduzida. O que não aconteceu. Por isso, o tema de hoje leva em conta o papel, que continua a nos fazer companhia.

  • Livros – todas as pessoas de mente indagadora são apegadas a eles. Mas devemos tentar corrigir certo problema: o apego aos livros velhos impede-nos de criar espaço para que novas ideias entrem em nossa vida, e que muitas de nossas crenças sejam mudadas, em virtude dos progressos da Ciência, que tem desmascarado muitas coisas. Quem se apega a livros velhos, fica com as ideias emboloradas como eles.

O livro não pode funcionar como o substituto de um relacionamento com outros indivíduos, ignorando outros interesses. E que os solteiros levem isso em conta. Você poderá doar seus livros velhos a muitas bibliotecas de bairro. Assim não estará a perdê-los, mas a enriquecer outras pessoas.

  • Revistas, jornais e recortes – precisamos continuar aprendendo a cada dia de nossa vida. Mas, em virtude da quantidade de material que nos chega às mãos, precisamos ser mais seletivos. Precisamos fazer triagens periódicas, livrando-nos de informações, que para nada mais significam. Perderam a validade. Doemos nossas revistas para hospitais, creches, bibliotecas comunitárias, escolas ou reciclemo-nas, em vez de empilhá-las e ficar ocupando espaço, juntando poeira e energia negativa.

Jornais velhos, cujo papel é sempre inferior ao das revistas e livros, amarelam-se com o tempo e passam uma sensação ruim de desleixo e mesquinhez de quem os retém, além de serem um bom prato para as traças e para as alergias.

  • Material sentimental – aqui incluímos lembranças de casamento, cartões de congratulações, postais, papéis de doces, fitinhas e um monte de bugigangas.  Nesse caso, conservemos apenas aquilo que tem uma relação boa de afeto conosco. Descartemos o resto. Há muitas coisas que não merecem ser relembradas.
  • Fotos – elas também possuem energia. Façamos montagens coloridas, cartões postais, etc. Não guardemos fotos que nos relembrem tempos ruins do passado. Limpemos o espaço para que algo novo e bem melhor entre na nossa vida.
  • Escrivaninha – mantenhamos sobre ela o mínimo possível de objetos. Foi-se o tempo em que a presença de muitos livros e papéis simbolizava intelectualidade. Arrumemos esse nosso espaço todas às vezes que acabarmos nosso trabalho. Excesso de papel passa-nos a sensação de desordem e fracasso. Retiremos os objetos que não têm valor algum ou que não precisam mais ser usados. Coloquemos tudo numa gaveta ou em uma prateleira à parte, até que possamos nos desfazer deles.
  • Grandes bugigangas – coisas grandes, das quais nos recusamos a abrir mão (brinquedos que não mais são usados, incluindo os bichinhos de pelúcia, guarda-roupa velho, sofás velhos, esfarrapados e sujos, guarda-louça super ultrapassado, piano velho e quebrado, mesas enferrujadas, aparelhos de televisão e computadores estragados, etc.) funcionam como lixo absorvedor de energia em nossa casa, impedindo que não haja espaço para as pessoas e objetos novos, dando a entender que a nossa vida está encolhendo, além de trazer uma impressão ruim para quem nos visita. É preciso de novos espaços, para novas oportunidades.

Doemos tudo isso para pessoas necessitadas ou vendamos para lojas de objetos usados. Provavelmente nos perguntaremos depois: como conseguimos viver com aqueles trastes, durante tantos anos de nossa vida? O espaço limpo é fundamental no ambiente.

Controle da papelada

  • Descarte diariamente toda a papelada supérflua.
  • Nunca anote mensagens, recados, e-mails, número de telefone em pedacinhos soltos de papel. Tenha uma agenda e depois transfira informações importantes para o sistema de arquivos de seu computador.
  • Use o quadro de avisos apenas para assuntos em vigor. Escreva os demais lembretes na sua agenda. Montes de anotações soltas e de lembretes dissipam a sua energia.
  • Atualize a sua papelada financeira, o que traz prosperidade. Procure pagar suas contas dentro do prazo. Cumpra os seus compromissos dentro do tempo.
  • Procure ser atencioso com as pessoas. Ao receber um e-mail, procure dar a resposta no mesmo. Envie-a imediatamente, pois assim a pessoa saberá que recebeu a sua atenção especial e que ela é importante para você.
  • Deixe sempre uma cesta de lixo para papel perto de você. Esvazie-a todos os dias.

Nota: Imagem copiada de http://deliciadecasa.com.br

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ÍNDIA – AS MULHERES NA CULTURA INDIANA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Não deve ser fácil para uma mulher ocidental viver num país cheio de crenças, superstições e rituais, onde ela só pode pronunciar o nome do marido no dia do casamento e jamais poderá chamar sua sogra pelo nome. É exatamente isso o que acontece na Índia, além de outras coisas totalmente fora do comum para nós ocidentais.

Uma moça (ou menina) não pode escolher seu pretendente, pois o compromisso da união é com a casta a que pertence e não com seus sentimentos. E, para protegê-la contra a esperteza do coração, nada melhor que lhe providenciar um casamento, o quanto mais jovem possível, como fazem os pais. Por isso, vemos tantas crianças viúvas, sofrendo o martírio do afastamento social, porque o jovem marido morreu, ainda que não tenham vivido um dia juntos. Mesmo assim, elas são feitas viúvas e desligadas da sociedade.

 A esposa vai morar na casa do marido, junto com os sogros e toda a família, servindo aos caprichos da sogra. Deve deixar suas roupas usadas para trás, levando apenas as novas. Essa é uma forma de não ficar apegada à vida anterior e levar sorte para a nova. O mais engraçado nessa superstição é que o marido não abre mão de coisa alguma. A mulher precisa se livrar do apego, mas o homem jamais. A esposa ainda deve usar o mangala (um colar que representa o compromisso de união, fidelidade, lealdade e boa sorte), também é um meio de mostrar que está casada. O mangala deve corresponder às nossas alianças.

A situação da viúva é uma aberração, pois o Código de Manu mais parece um instrumento de flagelo em sua vida. As leis embutidas em tal código dizem que, para honrar a memória do marido, uma viúva “decente” e exemplo moral para toda a família, jamais poderá conhecer o suor de outro corpo. Tem que definhar sozinha, honrando a memória do “digníssimo”, mesmo que esse tenha sido um carrasco em vida. Ela deve ser a personificação do bom exemplo, que é ser uma esposa ideal e devotada.

Mais terrível era a prática do Sati (Sutee), costume antigo que obrigava a viúva a ser queimada na pira, junto com o corpo do marido. Esse costume teve início durante as invasões islâmicas, quando as viúvas eram queimadas com o esposo, para não servirem ao invasor. Mas, depois, tal absurdeza passou a ser normal na vida da mulher hindu. Mesmo que a Constituição indiana nada reze sobre a proibição de uma viúva casar-se de novo, o costume continua. A prática do Sati foi rigorosamente proibida, mas algumas mulheres, principalmente nas aldeias, ainda fogem da lei e a praticam.

Segundo certos historiadores, a prática do Sati pode ter surgido de uma das causas:

  • o fato de o homem querer se proteger contra a mulher, com medo de ser assassinado, principalmente via envenenamento, numa sociedade onde a escolha do companheiro é feita pelos pais, ou seja, imposta, muitas vezes com uma cruel desproporção de idade (velho + criança);
  • o desinteresse da família do falecido em manter a viúva, que sempre foi vista como um peso morto (pois é a família que fica com todos os bens do filho morto).

Grande parte das viúvas, ainda nos dias de hoje, perde o seu prestígio dentro da sociedade hindu, passando por toda sorte de dificuldades. Ou elas ficam na casa da sogra como trastes velhos ou na “casa das viúvas”, vivendo do que mendigam às margens do Rio Ganges. Devem usar o sári de cor branca, cuja cor só é notada, quando a viúva goza de uma boa posição (normalmente nas classes altas) junto à família, pois as esmolambadas viúvas do Ganges parecem vestir a cor cinza, de tão encardidas que são suas vestes.

Na Índia existem bem mais meninos do que meninas, fato raro em quase todo o mundo. E a resposta está no fetocídio (retirada ou expulsão do feto, por livre vontade), apesar de proibido por lei (já sabemos que as leis na Índia são tão obedecidas, quanto as que vigoram no trânsito do país). O fetocídio agravou-se com a utilização do exame de ultrassonografia nas mulheres grávidas, pois ficam conhecendo o sexo do bebê com antecedência. Sendo menina, os pais pedem a sua retirada aos médicos, como se tratasse de um cancro. Mesmo nas classes mais altas, a visão é a mesma. As famílias continuam prestigiando o nascimento do sexo masculino, sendo uma tristeza para a linhagem,  ganhar só meninas.

O fato é tão grave, a ponto de o governo do país já se preocupar com tal desproporção entre os sexos. E, como medida radical, o exame só pode ser feito em mulheres que tragam risco na gravidez. Mesmo assim, muitos médicos praticam o aborto seletivo, infringindo a lei. Nas camadas que não podem pagar um obstetra, a criança (menina), na maioria das vezes, é jogada no Rio Ganges logo após o nascimento. O mais triste é saber que, em qualquer um dos casos, a decisão é tomada pelo marido, sem que a mulher possa participar, pois sua subserviência a ele não permite contestação. Quer queira ou não, terá que obedecer. A escassez de mulheres na população indiana já está levando ao compartilhamento de esposa. É comum o irmão mais velho compartilhar sua esposa com os mais novos e com os primos.

Ser rechaçada significa que a mulher não será aceita por nenhum pretendente, normalmente por problemas de ordem moral. Como as famílias hindus não aprovam que os filhos fiquem solteiros, ficar encravada é uma triste sina. A vítima será humilhada por todos os entes familiares. A presença de mulheres nos funerais de cremação é impedida. A justificativa é de que elas são muito frágeis na demonstração de seus sentimentos, fato que atrasa a reencarnação do falecido. Penso que elas choram muito  mais por pensarem no destino de viúvas que as aguarda.

Nota: Imagem copiada de http://cinema-indiano-bollywood.blogspot.com.br

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UM QUADRO DE FRANZ JOSEF WIDMAR

Autoria de Alfredo Domingos

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Esta é uma obra especial para mim. Ela foi encomendada, por minha mãe, Maria José, diretamente ao artista, no final dos anos 1960. Concluindo a decoração da casa nova, ela contratou o artista plástico Franz Josef Widmar (1915-1995), de assinatura artística “Widmarfranz”, austríaco de nascimento, radicado no Rio de Janeiro, em pleno exercício das atividades profissionais.

O pintor foi um dos últimos remanescentes do chamado Círculo de Viena (movimento artístico que floresceu na capital austríaca no século passado). Aluno do mestre expressionista Oskar Kokoschka (1886-1980), na Academia de Belas Artes de Viena, e diplomado em filosofia pela Universidade de Innsbruck, Franz foi um dos últimos representantes do expressionismo romântico, do qual Kokoschka foi grande expoente.

A técnica do pintor era aproveitar placas de fibras de madeira e lançar a sua arte. Na época da encomenda, a sua grande inspiração eram os motivos brasileiros. E foi munido dessa paixão pelas terras de cá, que desenvolveu o projeto da obra. Apresentou alguns desenhos experimentais à minha mãe, que não se fez de rogada e, praticamente, ajudou na concepção. Presenciei, então, a gestação e o nascer deste quadro. O local para a sua permanência foi escolhido com todo o carinho. Ele foi posto bem no centro de uma parede revestida de madeira, reinando sobre um aparador, ornamentando a sala de jantar da família.

Há uma peculiaridade a revelar. Em função da sua localização privilegiada, quase todas as fotos tiradas na tal sala, durante décadas, têm a obra de Widmarfranz compondo o cenário. Ela se portou impávida, criativa e rigorosamente brasileira.

Tratemos, agora, da arte:

Foi feita em “Eucatex”, num tamanho portentoso, conforme consta da ficha técnica, e magnificamente colorida. O artista abusou propositalmente das cores, para bem representar o nosso país, de acordo com o seu próprio depoimento. Via um Brasil luminoso, exagerado nas cores. Nesse diapasão, colocou um radioso sol, um tanto avermelhado, de duas bordas, no centro da tela. Indo chocar-se com o sol, está o Pão de Açúcar, uno, poderoso, traçado para envolver os três vasos marajoaras.

No sopé do morro e em volta dos vasos, estão as frutas tropicais, imponentes, derramando beleza e grandeza. Observa-se, como exemplo, que o mamão, à esquerda, ocupa um espaço substancial, se comparado com o morro e os vasos. Parece, vale reparar, que tudo brota grandioso da terra, do solo brasileiro, não definido por uma única cor; que coisa, hein?!

Na base da tela, há a informação da presença das águas brasileiras, em diferentes tons de azul. Ao fundo, não sem importância, está o conjunto das nossas montanhas, confundindo-se com o céu, que não é tão azul nem tão uniforme.

É importante observar o transpasse, a sobreposição, das figuras, marcadas com fortes e leves contornos, ao mesmo tempo. Dá para pensar que Widmarfranz quis dar transparência, no meio de pesados e significativos elementos. As cores são múltiplas, mas não são fortes. Há um esmaecimento natural das cores, na técnica do artista. Nada é tão presente que não seja suave!

Este quadro, ao qual não foi dado nome, é admirável, e, ao ser analisado nos detalhes, oferecerá, a cada momento, uma novidade.

A maior e mais completa coleção do mundo de quadros do pintor Franz Josef Widmar (mais de quinhentas obras), que compõe o projeto “Museu Franz Josef Widmar”, pode ser admirada, em exposição permanente, na Fundação Brasilea. Essa iniciativa partiu de Walter Wüthrich, amigo e entusiasta do trabalho do pintor, que após a morte de Franz adquiriu o restante das obras da própria viúva.

Registra-se que o nome da Fundação combina “Brasil” com a “Basileia”, onde ela se encontra, à beira do rio Reno, no triângulo formado por Suíça, França e Alemanha. Ali, o coração tupiniquim pulsa intensamente.

Na paisagem portuária da Basileia, desde 2003, destaca-se uma edificação diferente, coberta de placas acrílicas verdes, acenando com uma Bandeira do Brasil, símbolo do que se realiza no interior do prédio: intercâmbio artístico e cultural entre o Brasil e a Suíça.

Ficha técnica
Ano: 1960
Dimensões: 70 x 80 cm
Técnica: óleo sobre madeira
Localização: acervo particular de Maria José de Faria Costa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil

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CHINA – COMO VIVEM OS CHINESES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Embora seja o quarto país do mundo em extensão territorial, a China é pobre em terras agricultáveis, pois grande parte de seu território é formada por montanhas e desertos. Apenas um quinto de seu tamanho é arável, contrastando com sua densidade populacional.

Os chineses tiveram que mudar seus hábitos para se adequarem a tão pouco espaço. Uma das mudanças foi a proibição dos cemitérios, de modo que os corpos são atualmente cremados. Como a cultura chinesa é muito ligada aos ancestrais, os familiares guardam as cinzas de seus mortos, durante várias gerações, em altares dentro de casa. Todos os dias acendem-lhes incenso e pedem orientação para todos os tipos de problemas. Como veem, na China nem os mortos descansam.

 A maioria do povo chinês é extremamente mística. Vê fantasmas por todos os lados. Antigamente, a entrada das casas e templos era construída em zigue-zague ou em ângulos retos, para deter os espectros, pois, no conceito chinês, esses não conseguem atravessar esquinas. Os nossos fantasmas são bem diferentes dos deles: atravessam portas blindadas, recebem propinas e não têm medo de gabinetes fechados, com esquinas ou sem esquinas.

O governo chinês, para deter o perigo de uma superpopulação, teve que inserir no país a política de um filho por família, . O mais triste nesta história é que as meninas, assim como em outras culturas asiáticas, foram sempre preteridas, principalmente entre os camponeses. Por isso, eram abandonadas à própria sorte ou mortas. O resultado de tal comportamento gerou um déficit de mulheres no país. Milhões de homens já não conseguem encontrar esposas. Pelo visto, o castigo veio a jato. Apesar de toda a modernização chinesa, as mulheres ainda são consideradas inferiores aos homens.

Assim como acontece no Japão, os jovens chineses, frutos do milagre econômico, estão abandonando costumes milenares, como a obediência extremada aos pais, o respeito aos idosos e autoridades, para adotarem a cultura ocidental, principalmente a dos estadunidenses. O rap, hip hop, tecno, funk e outros ritmos modernos são bem aceitos por eles. O combate ao uso e tráfico de drogas é acirrado no país, com fuzilamento para os que desrespeitam as leis. Portanto, não é comum encontrá-las entre eles.

A comida chinesa é uma das maravilhas da gastronomia mundial, contudo, vem perdendo espaço para o fast food, o que é lamentável. A carne de cachorro faz parte do cardápio do país há milênios. Dizem que o freguês, candidato ao prato canino, pode até escolher a raça. Que eles comam escorpiões, ratos fritos, farofa de cupim e cobras, tudo bem, mas devorar os fiéis amigos do homem, isso não. Fico com o coração doído só de pensar nisso. Que loucura!

Cenas amorosas ainda são vistas pelos chineses com certa discrição, sendo difícil ver pessoas sendo acariciadas na rua ou em outros locais públicos. O que não quer dizer que eles não sejam calientes na alcova, se levado em conta o número de comprimidos de Viagra vendidos no país,  desbancando o milenar ginseng e os cornos do rinoceronte, usados como afrodisíaco. O mamífero ungulado, perissodáctilo, ceratomorfo, rinocerotídeo agradece à Pfizer por lhe prolongar a vida.

O Viagra é produzido em fabriquetas de fundo de quintal, sendo vendido por um quinto do preço comercializado no Tio Sam. Se o estresse abaixa a guarda dos chineses, o Viagra supre o déficit. O grande filósofo Confúcio já dizia que “a mulher bem tratada escapa ao controle e, se mantida à distância, fica ressentida”. A verdade é que a mulher chinesa, durante milênios, funcionou apenas como procriadora de filhos machos, de preferência, e como cidadã de segunda categoria. Hoje estão presentes nas fábricas e noutras fontes de trabalhos. E como o artigo está escasso, imagino que comecem a ser olhadas com outros olhos.

A China de Mao mudou radicalmente, e o comunismo vem esquecendo suas origens. Os chineses cheios da grana vivem suntuosamente, e discriminam os mais pobres, principalmente os camponeses. O abismo entre a China rural e a urbana é cada vez mais visível.

É fato que nenhum povo tem se saído tão bem com a globalização quanto o chinês, apesar das nuvens de poluição que pairam sobre o país. Além de manter um comércio extremamente rentável, ainda tira proveito de tudo, quer vendendo ninharias, cópias ou satélites. Em todo o mundo se tem dito que os chineses transformaram a falsificação numa arte, copiando tudo com perfeição, sem dar bolas para a legalidade. Seus navios, verdadeiras fábricas móveis, permanecem fora das águas territoriais dos países, para produzir as mercadorias, e vendê-las com mais facilidade. Existem estimativas de que um terço do mercado mundial de falsificações é proveniente da China, incluindo a clonagem das histórias de Harry Porter. Mas não foram eles que inventaram a impressão e o dinheiro de papel?  O que significa que foram alunos bem aplicados…

Fonte de pesquisa:
China, o Despertar do Dragão/ Luís Giffoni

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EXISTE LIVRE-ARBÍTRIO?

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Nossas decisões são programadas automaticamente a partir do que trazemos em nossa carga genética e das experiências de vida que tivemos. Quando uma questão chega à nossa consciência, ela já havia sido previamente decidida em uma parte de nossa mente a que não tivemos acesso. (Michael Gazzaniga)

Você pode pensar que fez escolhas, mas sua decisão tanto de ler este texto quanto de comer ovos ou pão no café da manhã foi tomada bem antes de você pensar sobre isso. (Jerry Coyne)

Os que creem na liberdade de escolha aprendem a lidar melhor com as próprias emoções e são mais caridosos. (Thomas Nadelhoffer)

O risco, quando não se crê na liberdade de escolha, está na punição, ao produzir uma obediência externa, mas não uma consciência ética interna, reflexiva. (Ranato Janine Ribeiro)

Essa não! Eu que pensava ser dona absoluta das minhas ações e agora vem a dona neurociência dizer-me que não é bem assim, que nenhuma escolha é livre e consciente e, portanto, não existe livre-arbítrio. Estou embasbacada! Quer dizer então que o meu cérebro é o senhor absoluto das minhas vontades, ou melhor, das vontades dele. E pior, ele me engana todo o tempo, de modo que penso estar tomando decisões, fazendo escolhas, quando na verdade ele já as tomou automaticamente, sem a minha permissão. E ainda me dizem por aí que sou responsável pelas minhas ações.

Segundo o neurocientista Michael Gazzaniga, professor da Universidade da Califórnia, apoiado por uma ala de colegas, “o hemisfério esquerdo de nosso cérebro é o responsável por trazer significados às nossas experiências, memórias e fragmentos de informação e, inclusive, às nossas decisões”, criando explicações para tudo que nos acontece, mas a função de deliberação cabe ao hemisfério direito de nosso cérebro, “onde estão gravadas as informações genéticas e de vivências anteriores, sendo a escolha feita por base em padrões já existentes”. É demais!

O nosso hemisfério esquerdo, responsável por dar sentido ao que fazemos, também é um manipulador. Quantas vezes já compramos algo de que não necessitamos, mas uma desculpa qualquer acalma a nossa aflição de estar gastando desnecessariamente. Seria a razão ou nosso cérebro espertíssimo? Quer dizer que, quando nasci, minha massa cinzenta já estava toda programada, geneticamente falando? Ou que trago uma programação daquilo que viveram várias gerações de meus antepassados, além de plagiar o comportamento de meus genitores e de outras pessoas ligadas a mim, como bagagem para minhas escolhas? Quer dizer que eu já tinha um computador, antes de comprar o meu notebook? Confesso que estou ficando abilolada.

E eu, que sempre lutei para fazer tudo com o máximo de consciência, medindo e remedindo minhas ações, refletindo sobre minhas decisões e coisa e tal, e agora a neurociência vem me dizer que “O cérebro guia o comportamento de maneira conveniente. Não importa se a consciência está envolvida na tomada de decisão. E na maior parte do tempo, ela não está.”. Ou seja, meu cérebro sabe o porquê de ter tomado essa ou aquela decisão, enquanto eu fico boiando na minha santa ignorância. Eu cá tentando me explicar e o danadinho rindo de mim, por cima.

Calma meu caro leitor, nem todo neurocientista está de acordo com o fato de não termos o livre-arbítrio, alegando que muitas experiências e estudos ainda precisam ser feitos. Assim, Santo Agostinho, que foi o primeiro a propagar o livre-arbítrio, defendendo que Deus criou o homem livre, com direito às suas próprias escolhas, continua em alta. E isso para o bem da vida humana. Imagine o leitor, se de uma hora para outra, ficasse realmente provado que o homem é teleguiado pelo cérebro e, portanto, incapaz de fazer escolhas… Haveria um tsunami na vida da humanidade. As religiões naufragariam sem o chamado “pecado”. As leis tornar-se-iam inviáveis. A justiça estaria totalmente desfocada. As pessoas não se sentiriam responsáveis por suas ações. Haveria apenas vítimas. Em lugar de cadeias, haveria apenas clínicas de tratamento, pois os indivíduos não responderiam por suas ações, sendo vistos como doentes, reféns do próprio cérebro.

O pesquisador da neurociência, Michael Gazzanig, responsável pela crença de que o livre-arbítrio não existe, alivia minhas preocupações:

– Embora nossa consciência não esteja no comando como pensávamos, nosso cérebro automático é capaz de aprender regras sociais. Inclusive, elas ajudam a criar as experiências que vão proporcionar as nossas decisões futuras, mesmo que elas sejam automáticas.

Ah! Ainda bem!

Fonte de pesquisa:
Revista Galileu/ Abril de 2013

Nota: Imagem copiada de tribunadonorte.com.br

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