Turner – VAPOR NUMA TEMPESTADE DE NEVE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Em Turner, a natureza reflete e expressa sempre as emoções do homem. Sentimo-nos pequenos e esmagados em face dos poderes que não podemos controlar, e somos compelidos a admirar o artista que tinha as forças da natureza sob seu domínio. (E.H. Gombrich)

A composição Vapor numa Tempestade é tida como uma das mais ousadas pinturas de Turner, onde ele apresenta um vapor em meio a uma violenta tempestade de neve, representando a luta do homem diante das forças da natureza, bem superiores às dele.

É impossível ter uma ideia de como é o vapor de Turner. Só o que podemos captar dele é que possui um casco escuro e traz uma bandeira, agitando-se no elevado mastro. Temos a sensação de que ele luta desesperadamente, para não soçobrar ante as forças gigantescas da natureza, numa luta desigual, contra um mar enraivecido e uma borrasca sinistra.

O observador não é seduzido por detalhes, ou tragado por uma luz ofuscante e pelas densas sombras da nuvem da tempestade. Sua atenção está direta na batalha que se trava. É quase possível sentir o barulho do vento e a trombada das ondas sobre a embarcação.

Ficha técnica
Ano: 1842
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 91,5 x 122 cm
Localização: Tate Gallery, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa
A história da arte/ E.H. Gombrich

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AUSTRÁLIA –ABORÍGENES E O AMOR À NATUREZA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Cabe aos homens preservar a terra na forma e na pureza em que foi deixada pelos espíritos ancestrais, sem modificá-la com violência, mas poupando-a na medida do possível. Pois a terra não é apenas uma reserva material; ela está santificada pelos espíritos dos antepassados. (Visão dos aborígenes)

Os aborígenes (do latim, ab origine: “desde o início”), habitantes primitivos do continente australiano, ali ainda vivem nos dias de hoje. Segundo estimativas, constituem 2% da população australiana. A maioria vive nas grandes cidades, embora muitos vivam em reservas. Alguns, remando contra a corrente da modernidade, tentam viver como seus antepassados há dez mil anos, sustentados pela caça e colheita, comendo frutos selvagens e se alimentando de pequenos animais.

Quando os ingleses chegaram à Austrália, encontraram um povo que diferia totalmente deles. Havia um abismo entre as duas culturas. A maioria dos aborígenes conhecia várias línguas e dialetos, tinha um grande conhecimento da botânica e da zoologia de cada região, habilidades na caça e na pesca e uma dieta mais variada do que a disponível para a maioria dos europeus. Mas tudo isso foi ignorado pelos ingleses, que os descreviam como pessoas miseráveis, preguiçosas, feias e muito parecidas com animais. Tornaram-se proscritos, caluniados e oprimidos dentro da própria terra. Tanto é que “primitivo” não significava apenas “original” e “natural”, mas, sobretudo, inferior e rude.

Como se não bastasse a violência da invasão, os ingleses foram se espalhando por toda a Austrália, levando consigo a varíola, o sarampo, a gripe e outras doenças até então desconhecidas daquela gente. A história diz que os principais conquistadores dos aborígenes foram a doença e a desmoralização. O racismo dos colonizadores levou-os a violar locais sagrados aborígenes e à caçada desses, meramente por prazer. Há relatos de que foram expulsos das terras produtivas pelos invasores, sendo obrigados a migrar para regiões desérticas. E que soldados ingleses envenenavam com arsênico a comida e a água potável das aldeias, dizimando vilas inteiras. O rum era oferecido gratuitamente, até que caíssem em coma alcoólico. Os ingleses aproveitavam-se do estado de embriaguez dos aborígenes, para fomentar guerras entre as aldeias, deixando que eles mesmos se aniquilassem.

Na cultura aborígene, as mulheres são grandes conhecedoras da natureza, possuem conhecimentos secretos, seus objetos sagrados e suas próprias cerimônias. Por serem coletoras, sabem com precisão a época de colheita de cada fruto e a serventia de cada  planta. Além disso, possuem um grande conhecimento sobre os animais, a ponto de saber quais vermes ou insetos são comestíveis. Têm uma especial predileção pelas formigas melíferas que podem chegar a dez centímetros de comprimento. Observam suas pegadas na areia e sabem exatamente onde se encontram. Também é comum alimentá-las com suco de açúcar, como quem cria animais domésticos, para que fiquem com o papo cheio de mel. Elas desenterram as formigas e degustam-nas.

As mulheres aborígenes não possuem o mesmo domínio dos homens na política e nos rituais. Em relação aos casamentos, a predominância é também dos homens. Somente eles possuem liberdade para a escolha da parceira. Mas elas possuem certas liberdades sexuais em relação a outros homens, assim como podem fazer curas. Aos velhos (apenas do sexo masculino) cabe a tarefa de zelar pelas leis. Mas às mulheres idosas é dado o conhecimento de alguns dos ritos secretos dos homens.

Os aborígenes acreditam que todo homem descende de um ser primordial determinado, que tanto pode ser um animal ou uma planta. As pessoas se denominam homem-canguru, homem-cobra, etc., de acordo com o clã. O totem para elas é sagrado, santificado e intocável. Tanto é que um animal totêmico não pode ser caçado, ferido ou morto. Ele é sempre representado nos rituais (danças e cânticos), para a conservação da própria espécie. Os casamentos são feitos entre segundos primos. Somente em condições extremas é possível a união entre clãs. Não existe um governo tribal. Quando necessário, os chefes familiares desempenham transitoriamente o papel de chefes locais. Os aborígenes não são guerreiros. Só recorrem à guerra em ocasiões raras, principalmente na aplicação da justiça.

Dentre os ritos observados pelos aborígenes australianos, o mais importante é aquele que celebra a iniciação: a criança passa a ser jovem e o jovem passa a ser homem. Os meninos são retirados da comunidade, sendo introduzidos, aos poucos, nos mistérios dos espíritos ancestrais da terra, da caça e da sexualidade, e são exigidas provas de coragem. Cicatrizes são adquiridas como sinais de beleza e força. Também passam pela circuncisão. As meninas são iniciadas separadamente, num rito próprio, pelas mães. São celebrados, sobretudo, os mistérios da vida feminina: menstruação, defloração, gravidez e parto.

A união dos aborígenes com a natureza é quase uma religião, a começar pelo nome do clã, que mostra o respeito que possuem pelos animais e plantas. A cultura caracteriza-se pela forte união de todos os seres com a natureza, o ser superior que integra tudo. O ser humano não é superior, mas partilha a natureza com os demais seres e todos são indispensáveis, devendo honrar a natureza em tudo o que fazem. São extremamente espiritualistas. Praticam a religião animista. Para eles, a Lua é um ser masculino, enquanto o Sol é uma figura feminina. A razão desta visão é a importância que dão à mulher, sem a qual não é possível a vida, e sem o Sol também não é possível a existência da vida na Terra. O céu e a terra possuem, separadamente, seuspoderes sobrenaturais. Os ancestrais vieram do chão sob a forma de homens ou animais. Depois de criarem tudo, e já cansados, alguns afundaram nas águas e outros foram levados para o céu.

Não resta dúvida de que a situação dos aborígenes vem melhorando, mas, se comparados à população branca, suas deficiências ainda são grandes. A partir de 1967 adquiriram equiparação jurídica com os brancos. Em 1992, eles obtiveram certo reconhecimento de seus antigos direitos territoriais, mas a integração entre as duas culturas ainda fica a desejar.

Os aborígenes australianos são nômades, caçadores e coletores de vegetais. No deserto, vivem em acampamentos temporários, perto dos locais onde existe água. Suas habitações funcionam apenas como refúgios. Erguem para-ventos com ramos e moitas e, se o solo for arenoso, fazem covas para ficarem mais protegidos do vento. Nas noites frias, dormem ao redor do fogo. O cão é o único animal doméstico que possuem.

Estudos realizados por cientistas da Universidade de Cambridge revelam que os aborígenes australianos têm a sua origem na África. Evidências de DNA mostram que descendem de migrantes africanos, há cerca de 50 mil anos, e evoluíram isolados na Oceania.

Fontes de Pesquisa:
Religiões do Mundo/ Hans Küng
Uma Breve História do Mundo/ Geoffreu Blainey

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DIVERGÊNCIAS E MÍDIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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É indiscutível que as pessoas diferem em suas habilidades e capacidades. Contudo, não se pode aceitar que elas divirjam quanto à ética, que jamais se contrapõe à diversidade de opinião. Não nos enganemos com aqueles que a ignoram, tomando por base a justificativa de que não existe a imparcialidade, pois mesmo a parcialidade é aceita pela ética, quando é parte sadia de um todo.

Tomemos como exemplo um julgamento no STF, em que não haja unanimidade na votação, ou um pleito eleitoral, quando a totalidade da população divide-se, não igualitariamente, e elege um candidato. Em ambos os casos não houve falta de ética. A parcialidade é danosa, quando não julga ou não opina com isenção e, mesmo consciente da injustiça praticada, dá trelas à malévola intenção, cujo resultado, ainda que iníquo, traz vantagens a terceiros.

Não é a conformidade ou a similaridade de opinião que torna a mídia imparcial. Mas sim, a consciência ética de que se está lidando, o mais perto possível, com a verdade. Ou o sentimento de se ter passado o mais correto para o seu público, oferecendo-lhe caminhos para fazer a sua própria escolha. Ou a certeza de não se ter trabalhado com meios escusos, traiçoeiros e mesquinhos, de modo a prejudicar outrem, propositadamente. A imparcialidade está na busca da verdade, mesmo quando as visões são antagônicas. Até que, a posteriori, seja encontrado um denominador comum. À mídia cabe dar igualdade de tratamento à busca da verdade. O que implicará num resultado final equânime. A mídia, grande poder existente dentro do país, deve dar o bom exemplo, para que outros órgãos sigam-na.

 As divergências podem e devem coexistir. Enriquecem o debate, democratizam o país. O que não se pode esperar é que uma ou outra corrente abra mão da ética, pois o interesse não pode, em função de sua paixão, transformar em verdade aquilo em que lhe é vantajoso acreditar, afirmar, induzir, convencer, quer lhe traga vantagem pessoal ou a pequenos grupos. Quando se trata do interesse coletivo, principalmente, as variações de opinião não podem ficar submissas às variações do favorecimento próprio. E é exatamente isso que não podemos esperar da mídia.

Nota: Imagem copiada de http://jaelmattos.blogspot.com.br

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ÁSIA – PIIS E AGARRA-MORTOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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As superstições são conhecidas desde os tempos mais remotos da história da humanidade, quando o homem ainda não possuía respostas científicas para muitas interrogações. Com a evolução da Ciência, muitas delas foram caindo por terra. No entanto, as superstições ainda estão arraigadas em muitas partes de nosso planeta, ditando comportamentos esdrúxulos.

Na Índia, China e Indonésia, as crendices ainda ocupam um lugar de destaque no dia a dia da maioria das pessoas. Em tais países é fácil encontrar, em cada rua, astrólogos, curandeiros, xamãs, quiromantes, pessoas que leem o futuro através do rosto, da palma das mãos ou dos pés, nas folhas de chá numa xícara, na borra de café que fica no fundo de uma xícara, etc. Desempenham, através da crença, um papel importante na vida de cada pessoa, assim como nos acontecimentos sociais, pois tudo depende de uma consulta a uma das fontes, desde o nome que se vai dar ao filho até a data de uma viagem.

Na Tailândia, alguns ainda acreditam que entre os humanos de carne e osso vivam seres invisíveis, os espíritos chamados de piis. E, para que esses permaneçam contentes, de modo a não amolar os mortais comuns, dedicam-lhes templos enfeitados com elefantes de madeira, bailarinas de gesso, um copinho cheio de álcool, colares de flores de jasmim e comida. Sempre que escavam a terra, para fazer uma casa ou abrir um poço, um altar é erguido em homenagem ao espírito da Terra, pedindo desculpa pelos distúrbios ocasionados a ele, e para pedir a sua proteção. Se cortam uma árvore, fazem uma liturgia para pedir ao pii da planta a permissão para usar o serrote contra ela. É uma pena que essa crença não tenha sido difundida em torno de nossas florestas e no coração dos arrancadores de árvores.

Na velha China, os adivinhos possuem um terreno muito fértil, mesmo nos tempos atuais, quando o país opta pelo capitalismo. Isso porque o sonho de cada chinês é ser rico, sendo que a grande maioria das preces dirigidas aos deuses é para pedir riqueza, e não espiritualidade, como muitos supõem.

Não é à toa que muitos ocidentais partem em busca do exotismo do Oriente, talvez cansados do excesso de “verdades conclusivas” encontradas nos países onde vivem. Ou quem sabe, não se sintam satisfeitos com as assertivas encontradas para suas indagações. Partem em busca do misticismo oriental com seus gurus e homens santos, até que a realidade os traz de volta. É fato que muitos ali permanecem para sempre.

A verdade é que, vivendo num mundo extremamente consumista, onde a ditadura da publicidade, da mídia e do prazer permeia-lhes a vida, muitas pessoas acabam por se tornar presas fáceis das profecias, ainda que jamais  venham a ser realizadas. Nem mesmo se dão conta de que, se o destino dependesse da borra do café ou das estrelas, bastaria que ficassem assentados, esperando o tempo passar. E ainda há gente que gasta dinheiro com búzios e coisa e tal. Melhor seria dar um trocadinho para as ciganas que “leem” a mão, pois assim estariam lhes matando a fome.

O mais engraçado em toda a história do exotismo é o nascimento de outra vertente, a comercial. Tempos atrás, sadhus, gurus e xamãs recusavam-se a tirar fotos, com medo de que a máquina fotográfica lhes roubasse a alma. Nos dias de hoje, eles exigem uma boa bufunfa em troca. A usura de cá está abalando os alicerces da falsa “espiritualidade” de lá. Este nosso mundo é mesmo muito aloprado.

Em Bangkok havia (e talvez ainda haja) furgões, que funcionavam com o nome de agarra-mortos. Conforme a crença popular daquelas bandas, quando uma pessoa morria violentamente, seu espírito não descansava em paz, se no horário da morte, o corpo ficasse mutilado, a menos que os ritos após a morte fossem efetuados imediatamente. Caso contrário, o espírito inquieto iria se juntar aos batalhões de espíritos vagantes e aos piis do mal. Por isso, os voluntários das associações budistas, circulavam pela cidade, recolhendo todos os corpos de vítimas de mortes violentas. Tentavam colocar juntas as partes do corpo e oficiar os ritos, para que as almas ficassem em paz para todo o sempre.

Acontece que o negócio dos agarra-mortos ficou tão lucrativo, que as instituições de caridade começaram a competir entre si. Quem chegasse primeiro era dono do cadáver. O que sempre acabava em briga para agarrar o morto. Muitas vezes, uma instituição levava um pedaço do corpo e outra levava a outra. Sem falar nos vivos que eram levados como mortos.

O mundo dos humanos é mesmo muito complexo. Morre doido quem tentar decifrar todos os encantamentos e superstições que existem nas suas inúmeras culturas. O mais engraçado é que, com o mundo sendo globalizado, todas elas se voltam para a extração do dinheiro, por mais atrasadas que possam parecer. Enquanto isso, os pobres tolos caem na esparrela.

Nota: Imagem copiada de http://www.luizberto.com/ai-dento-newton-silva

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ÁFRICA – TUAREGUES, OS FILHOS DO DESERTO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Os tuaregues são um grupo étnico da região do Saara. Trata-se de uma civilização bem excêntrica. A origem dessa gente parece perdida no tempo. Poderia ser egípcia, iemenita ou de uma antiga tribo europeia. A maioria dos estudiosos acredita se tratar de um povo berbere, os longínquos habitantes do Saara. Semi nômades, percorrem o deserto em camelos ou cavalos. Foram eles um dos primeiros povos a habitar o Saara. Mas atualmente vivem dispersos, enfrentando a repressão dos novos governantes, após a saída dos franceses.

A palavra árabe tuareg significa abandonados pelos deuses e lhes foi dada pelos europeus, para distingui-los de outros povos. Mas eles preferem chamar a si mesmos por Imouhar(en), Imashagen (Os Livres). Não se sabe ao certo quantos sãos os tuaregues. Calcula-se que exista cerca de um milhão deles, espalhados por Níger, Mali, Líbia, Burkina Fasso e Argélia.

A religião desse povo é uma mistura de islamismo e crenças ancestrais, relacionadas com o juun, o espírito da natureza. A língua falada pertence à raiz berbere. A maioria somente tem cultura oral. Usa também uma linguagem muda, para transmitir mensagens secretas.  No passado, só as mulheres tuaregues sabiam escrever.

Os homens não dispensam um véu índigo, que usam mesmo entre os familiares, e que serve para protegê-los contra o sol escaldante do deserto, das rajadas de areia e dos maus espíritos. Um turbante cobre-lhes todo o rosto, deixando apenas os olhos de fora. Diferentemente de outros povos berberes, os tuaregues não usam tatuagens. Homens e mulheres pintam os olhos com o kohl, pó negro de sulfato de antimônio. Os rapazes raspam a cabeça, deixando apenas uma espécie de crista no centro. O que servirá para que Alá os “arraste” ao paraíso, segundo a crença.

As mulheres, ao contrário das outras muçulmanas, não usam véus e possuem cabelos longos e trançados. São bem consideradas e pode ser delas a iniciativa do pedido de divórcio, caso se considerem maltratadas pelo marido. Em certas ocasiões, elas pintam o rosto de vermelho ou amarelo e os lábios de azul, formando uma espécie de máscara, que serve de enfeite e de símbolo mágico. Possuem autoridade no acampamento, pois os homens estão frequentemente ausentes, cumprindo suas atividades como pastores comerciantes ou guerreiros. Geralmente sabem escrever e são mais instruídas do que os homens. Participam dos conselhos e assembleias da linhagem e são consultadas nos assuntos da tribo.

A alimentação dos tuaregues tem sua base no leite e derivados. Só abatem animais nas grandes festas. Por sua resistência, o camelo é o animal preferido nas viagens pelo deserto. Possuem também ovelhas e cavalos. Os asnos vivem em liberdade e não têm valor comercial. Em sua maioria, os tuaregues vivem em tendas (imahan). Praticam a monogamia, embora um homem que faça uma longa viagem possa ter concubinas de castas inferiores.

Os tuaregues possuem cativos, iklan, compostos por descendentes dos antigos escravos. Embora, desde a dominação francesa, em finais do século XIX, não seja mais permitida a escravidão, eles continuam com seus escravos. Eventualmente, um homem livre pode se casar com uma mulher de sua servidão e, nesse caso, os filhos nascerão livres.  O amo possui poder de vida e morte sobre seus servos.

Antigamente, quando não eram pacíficos, os tuaregues cobravam altos pedágios dos viajantes que atravessavam o deserto. Assaltavam e massacravam aqueles que não pagassem. Dedicavam-se a saquear povos e a controlar as rotas do deserto. Eram chamados de Os Bandoleiros do Deserto.  A organização social desse grupo é típica dos povos pastores e guerreiros, em que a nobreza de sangue é muito importante.

Em 1946, quando o deserto foi dividido entre pequenos países, os tuaregues entraram em guerra por liberdade, quando cerca de quarenta mil foram mortos, incluindo mulheres e crianças. A independência das antigas colônias africanas deu origem a uma verdadeira tragédia. Os novos governantes não chegaram ao poder através do triunfo guerreiro, conforme a tradição desse grupo e, por isso, sua autoridade não foi aceita pelos tuaregues. Muitos escravos passaram a ser senhores em seus novos domínios, com as mudanças efetuadas com a divisão do deserto.

Nos dias atuais, os tuaregues dedicam-se à música, ao artesanato e ao pastoreio de animais como o dromedário (mamífero ativo da região nordeste da África e da porção oeste da Ásia. Possui apenas uma corcova no dorso, e cujo pescoço é mais curto do que o do camelo), animal doméstico usado como montaria e besta de carga.

Atualmente, esses guerreiros valentes, antigos senhores dos desertos, não passam de uma minoria oprimida, sobretudo por carregarem um espírito independente. Muitos vivem distantes de seu habitat, deslocados num mundo que não compreendem. Grande parte deles foi para as grandes cidades africanas da região. Os ricos formaram uma nova classe: a burguesia urbana. Os pobres se viram obrigados a mendigar ou vender objetos de madeira e couro nas entradas dos hotéis. Alguns descobriram profissões mais modernas, como as de mecânico ou guia de turismo.  Muitas jovens tuaregues caíram na prostituição.

O povo Tuareg recusa-se a aceitar as fronteiras de cinco estados – Argélia, Mali, Líbia, Níger e Burkina Fasso -, estabelecidas nos tempos coloniais, em territórios que sempre lhes pertenceram. Expulsos da Argélia em 1986, e obrigados a sair da Líbia em 1990,  refugiaram-se no Níger e no Mali, onde criaram vários problemas e passaram a  sofrer a dura reação dos governantes locais. Houve matanças e verdadeiros genocídios.

Para os povos sedentários é muito difícil compreender a vida nômade da gente Tuareg, que ainda não teve a oportunidade de encontrar um território para si e, que se sente lesada nos seus direitos, por ter sido expulsa de uma região que lhes pertencia há séculos. Eles precisam de um lugar onde possam viver, conservando o estilo de vida que lhes é peculiar, desde os tempos mais remotos.

Nota: Imagem copiada de http://revistaplaneta.terra.com.br

Fonte de Pesquisa:
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Tuareg/ Albeto Vázquez Figueroa

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CRACK: FISSURA E TUIM

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O Aurélio define o crack como uma “Substância sólida, cristalina, obtida pelo tratamento de um sal de cocaína, ou de pasta impura que o contém, com bicarbonato de sódio. Essa droga, tóxica e ilegal, pode ser fumada, o que intensifica a ação do princípio ativo, que é a cocaína, com os seus efeitos danosos à saúde, e a ânsia por drogar-se novamente.”.

O crack é hoje a droga mais danosa, e vem penetrando com avidez em todas as classes sociais, produzindo uma legião de mortos-vivos. A sua investida em todos os patamares da pirâmide social brasileira tem preocupado o governo e autoridades no assunto. Muitos pais ainda não percebem o que acontece com os filhos, embora haja uma epidemia no Brasil (e no mundo), que ultrapassa todas as condições socioeconômicas. Hoje é totalmente falsa a ideia de que os usuários de crack são pessoas pobres. Na verdade, é o crack que os empobrece e marginaliza. Psiquiatras e especialistas em dependência química relatam que recebem em suas clínicas pessoas das mais diversas profissões.

A família, ao perceber os primeiros sinais de que o filho está usando crack, precisa tomar medidas, mesmo que dolorosas. Não tomar uma atitude só agrava a situação que, com o correr dos dias, vai se tornando insustentável para o usuário do crack e para aqueles que o rodeiam. Transformando  o usuário num caso crônico e a vida dos que o rodeiam num inferno.

O mais trágico é que, com a vida corrida que os pais levam, parecendo ter perdido as rédeas da existência, a descoberta de que os filhos usam drogas só é notada depois de muito tempo. O mais desolador é descobrir que meninos e meninas, antes mesmo de entrarem na puberdade, já estão se transformando em usuários em potencial. Ainda acontece que certos pais, inocentes ou irresponsáveis, creditam o fato à difícil fase da adolescência e, que, passada tal fase, tudo voltará ao normal.

A inobservância dos pais em relação às mudanças operadas nos filhos traz consequências desastrosas, pois quanto mais cedo eles descobrirem as causas, mais fácil será a correção, rompendo o vínculo com a droga. É preciso que estejam cientes de que a dependência é uma doença crônica, e busquem por ajuda. Para a OMS (Organização Mundial da Saúde) a dependência química é uma doença grave, que não tem cura, e não há remédios, portanto, que evitem recaídas. Daí a necessidade de que os doentes tenham acompanhamento constante de profissionais no assunto e, especialmente, contem com a ajuda da família. Segundo especialistas no ramo, a internação numa clínica, recurso extremo, só deve ser levado em conta, quando todas as outras formas de luta falharem.

Outra faceta preocupante no uso de drogas ilícitas, dentre elas o crack, é que os usuários novos “no pedaço” trabalham com a convicção de que podem abrir mão delas, sempre que assim o quiserem. Ledo engano! Não existe um método capaz de apontar os indivíduos que se tornarão dependentes ou não de tais drogas. A coisa funciona como uma roleta russa. Usar drogas como saída para as frustrações é acrescentar mais sofrimento à própria vida, numa escalada ascendente.

O crack é campeão no ranking das drogas não liberadas, batendo a maconha, as drogas sintéticas e a cocaína. Hoje, as internações em decorrência do uso do crack correspondem a quase 100% dos viciados. E, para muitos estudiosos, é a droga que vicia em menos tempo e que mais rapidamente destroça seu usuário. Por causa da alta combinação de efeitos maléficos, tais usuários têm uma expectativa de vida bem reduzida. Portanto, o combate ao crack deve ganhar prioridade, pois age diferentemente de todas as drogas até então conhecidas, comungam as autoridades mundiais.

Mas, que estratégia foi usada para que tal erva daninha se disseminasse tanto? A maldita “venda casada” que pode ser resumida assim: à medida que o crack foi chegando às mãos dos traficantes, esses passaram a só vender a maconha, se os usuários comprassem junto pedras de crack. Por ser bem mais barata e produzir um “barato” rapidamente, os jovens foram deixando a maconha de lado, optando pelas pedras.

A rapidez com que o crack mata seu usuário poderia parecer, à primeira vista, um mau negócio para os traficantes, ao fazerem uso da “venda casada”, uma vez que o mercado definha. Mas não é bem assim. Os do ramo são especialistas no assunto e não jogam para perder. Possuem objetivos a curto, médio e longo prazo, como quaisquer outros empresários. Se eles perdem com o óbito de sua clientela, ganham na margem estratosférica do lucro obtido. Morreu um, uma dezena de outros ocupa o seu lugar, pois a droga é extremamente viciante e barata.

Outra explicação para a disseminação do crack está no sucesso da política mundial de repressão ao tráfico de cocaína – dizem as autoridades. Mas também alegam que o subproduto da cocaína é estarrecedor no seu grau de destruição do usuário. Quem usa crack não mais se satisfaz com outras drogas. E o consumo é cada vez mais precoce por parte dos fregueses.

Os usuários das classes mais abastadas não contatam diretamente os traficantes, para manterem em sigilo a identidade. Fazem seus contatos através de “mulas” ou “aviõezinhos”, garotos carentes que cobram pelo serviço e, com o dinheiro recebido, compram pedras para o uso próprio, aumentando o contingente de utentes.

Segundo especialistas, o crack afeta a região frontal do cérebro, responsável pelo pensamento e controle dos impulsos. O que torna seus usuários violentos e impulsivos. Em pouco tempo, eles se isolam e abandonam tudo, para viverem em função da droga. Quando não mais possuem dinheiro ou bens para serem vendidos, passam a roubar, sem medir consequências, elevando o índice de homicídios.

Os caminhos do crack

1- Mistura feita da pasta base de cocaína com água e bicarbonato de sódio, vendido na forma de pedras e fumado em cachimbo.

2- Ao ser acesa, a pedra elimina uma fumaça, que é a cocaína pura, em alta concentração que, ao ser inalada, segue diretamente para os pulmões.

3- Através dos alvéolos pulmonares a fumaça cai na circulação sanguínea, chegando ao cérebro. A baforada chega ao sistema nervoso em apenas 12 segundos, onde começa a fazer efeito.

4- No sistema nervoso central, a droga age sobre os neurônios e bloqueia a absorção da dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer. O que mantém a substância química por mais tempo no espaço entre os neurônios, aumentando o prazer. É o “tuim” (taquicardia, euforia, desinibição, agitação e bem-estar).

5- Mas a alegria dura pouco, pois em 10 a 15 minutos o cérebro “percebe” o excesso de receptores e diminui sua quantidade. Aí vem a fase da depressão e da “fissura” (a vontade incontrolável de fumar novamente a droga).

Alerta: o número de dependentes de crack com renda acima de 20 salários mínimos cresceu 155%.

Nota: A droga diminui o apetite, fazendo com que o usuário emagreça cerca de 10 kg em apenas um mês. Veja um exemplo acima, de como o rosto de uma usuária de crack se definhou em fotos tiradas nas ocasiões em que ela foi presa, dos 29 aos 37 anos. (http://www.brasilescola.com/quimica/quimica-crack.htm)

Caps-AD – centro especializado em tratamento de drogas do Ministério da Saúde.

Fonte de pesquisa:
Revista Época/ nº 630

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