Turner – BARCO APROXIMANDO-SE DA COSTA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Turner também teve visões de um mundo fantástico, banhado de luz e resplendente beleza, mas, em vez de calmo, o seu era um mundo cheio de movimento, em vez de harmonias singelas, exibia aparatoso deslumbramento. (E.H. Gombrich)

A composição Barco Aproximando-se da Costa encontra-se entre as do final da carreira de Turner. A abordagem que faz aqui da luz, da atmosfera, da cor, do movimento dramático e da emoção mostra o porquê de ter tantos seguidores, desde os impressionistas até os expressionistas abstratos, e de ter impulsionado vários movimentos artísticos. A busca do artista pelo sublime reflete-se nas suas obras tardias.

Nesta tela, Turner coloca o sol como centro do tema. Ele gera uma voragem refulgente, como se consumisse tudo em derredor, até mesmo os barcos a vela que parecem fugir em busca da costa. A cor é responsável por dimensionar a força dos fenômenos naturais. O brilho auriginoso do sol toma conta de toda a tela, invadindo todos os espaços, até mesmo as águas de azul profundo, que são divididas em duas partes, recebendo as ondas de um amarelo-laranja. O céu é uma mistura de branco, amarelo, laranja, azul e cinza.

É interessante notar que o pintor, para repassar a ideia da impetuosidade de que foi tomada a natureza, trabalhou a tela com agressividade, ao espalhar suas pinceladas.

Ficha técnica
Ano: c.1840-45
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: não encontrada
Localização: Tate Gallery, Londres, Reino Unido

Fonte de pesquisa
Os pintores mais influentes do mundo/ Editora Girassol

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Mestres da Pintura – JOSEPH M. WILLIAM TURNER

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O inglês Joseph Mallord William Turner (1775-1851) nasceu em Londres. Aos 14 anos de idade passou a trabalhar com o desenhista arquitetônico Thomas Malton que chegou a concluir que o garoto jamais seria um artista, mas ele foi no mesmo ano aceito na Escola da Academia Real de Artes, em Londres, onde ganhou a admiração de seus colegas. Aos 15 anos, Turner expôs suas primeiras aquarelas na referida academia. Aos 25 anos já era Membro Associado, período em que visitou, pela primeira vez, outros países do continente europeu, estudando em Paris, no Louvre, os Antigos Mestres, dando destaque às paisagens holandesas e composições de Claude Lorrain. A visita de Turner a outros países, inclusive à Itália, mudou radicalmente seu estilo, quando passou para as criações visionárias.

Em 1807, o pintor inglês tornou-se professor de perspectiva na Academia Real de Artes. Aos 70 anos tornou-se presidente interino da mesma academia, fazendo ali sua última exposição em 1850. Morreu aos 76 anos de idade. Turner que viveu numa época muito criativa para todas as formas de arte, foi um dos mais brilhantes pintores românticos, tendo criado um tratamento revolucionário na pintura de paisagens através de temas românticos, mas cheios de dramaticidade. A abstração vista em muitas de suas obras antecipou a arte do século XX.

Turner era um grande admirador dos pintores de paisagens Claude Lorrain e Thomas Girtin. Sobre o último chegou a declarar: “Se Girtin tivesse vivido mais, eu estaria na miséria.” Por sua vez, Turner inspirou James Abbott McNeil Whistler, Claude Monet, Louise Bourgeois, Cy Twombly, dentre outros. Influenciou desde os impressionistas até os expressionistas abstratos. É considerado um dos mais notáveis precursores do impressionismo. É sem dúvida o mais importante e conhecido pintor de paisagens do século 19, vindo a seguir o pintor John Constable (já estudado aqui). Ambos percebiam o mundo de uma maneira diferente. Pintou cidade e campo, montanhas, naufrágios, etc. Embora obtivesse grande sucesso em seu trabalho, Turner vivia recluso em sua vida pessoal.

Quando já se encontrava no final de sua carreira, as composições de Turner  passaram a ser mais expressivas e coloridas, dando forma visual à assombrosa e demolidora força da natureza, com um jeito diferente de olhar o mundo. A partir de suas experiências com cor e luz, seu estilo evoluiu tanto, a ponto de chegar à abstração. Ele não queria apenas olhar a natureza, mas passar a sensação de experimentá-la e senti-la. Maravilhoso!

Fontes de pesquisa
Os pintores mais influentes do mundo/ Editora Girassol
1000 obras-primas da pintura europeia/ Editora Könemann
A arte em detalhes/ Publifolha
A História da arte/ E.H. Gombrich

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ÁFRICA – ALBINISMO E FEITIÇARIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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É lamentável saber que nem todos os que vivem no século XXI usufruem da tecnologia e da modernidade que ele oferece. Embora muitos imaginem que o mundo todo seja hoje uma aldeia globalizada, as coisas não são bem assim. Muitos povos ainda vivem num estado de primitivismo inconcebível para os nossos tempos.

O preconceito, filho da intolerância, foi sempre uma nódoa na história de nossa civilização. E mais cruel ele se torna, quando se alia às superstições, justificando os mais bizarros e hediondos comportamentos. Dentre as crueldades que ainda perduram na história da humanidade, podemos citar a situação dos albinos (saruê) na Tanzânia e no Burundi, África Ocidental.  Ali, reza uma cruel superstição que os albinos devem ser mortos, o corpo retalhado e, posteriormente, suas partes vendidas a feiticeiros locais, para que possam fazer suas bruxarias, pois aqueles seres de pele quase transparente possuem poderes sobrenaturais e aquele que possuir um talismã de parte de seu corpo estará protegido contra todos os males e terá muita fortuna. E o que os protegerá da maldade que grassa em seus corações violentos e cruéis?

O albinismo caracteriza-se por uma deficiência na produção de melanina, pigmento responsável pela cor da pele, cabelos e olhos e que protege o corpo da radiação dos raios ultravioletas. Em suma, trata-se de uma alteração genética que pode ser transmitida aos descendentes. As pessoas vitimadas pelo albinismo possuem cabelos finos, olhos sensíveis à luz e uma pele extremamente pálida e frágil, propensa ao câncer. Tais indivíduos, apesar de sua aparente fragilidade e dos cuidados que lhes devem ser dispensados, levam uma vida normal, quando vivem num país civilizado.  No entanto, nos países citados acima, os albinos são caçados como animais valiosos, em virtude de uma cruenta superstição. As partes mais valorizadas do corpo dessas pessoas são dedos, língua, braços, pernas e genitais, que chegam a alcançar um bom valor no comércio voltado para a feitiçaria.

A situação torna-se ainda mais macabra em países como a Tanzânia e o Burundi, pois se situam entre os primeiros na escala de miserabilidade no mundo. O comércio é tão lucrativo e a situação é tão bizarra que a Tanzânia chega a importar, às escondidas, partes do corpo, embora o país tenha uma incidência de albinismo tão grande, que chega a cinco vezes mais que a média mundial. A crença na superstição de que os albinos são seres sobrenaturais é tão forte ali, que os pescadores daqueles países, ao tecerem suas redes, agregam a elas fios de cabelos de pessoas albinas para trazerem sorte à pescaria. Os mineiros usam no pescoço amuletos feitos com os ossos moídos, enquanto o sangue de um albino, bebido ainda quente, traz sorte em dobro. Se o sangue for de uma criança, ele tem mais valor ainda, uma vez que intensifica o poder do feitiço, em função de sua pureza infantil. A matança de albinos é um tipo de crime mais do que comum nesses países, que parecem numa época muito remota da história humana.

A África, embora tida pela ciência como o berço do nascimento da humanidade, é o continente mais pobre de nosso planeta. Aliada à miséria que ali grassa, a ignorância não poderia ficar distante, pois ambas são irmãs siamesas. A ignorância e a miséria são responsáveis no continente africano por tradições brutais e impensáveis para nós, que temos acesso ao conhecimento.

Indiferentemente do que acontece no Oriente Médio, onde abunda o ouro negro (petróleo), o resto do mundo parece não se importar com aquele povo carente de tudo. E onde não existe o saber, fruto da ciência, as superstições ocupam o espaço, tomando como vítima os mais fragilizados. A título de exemplo podemos citar a mutilação genital das meninas no Quênia e o assassinato, através de tortura, pelas próprias famílias, de crianças acusadas de estarem endemoninhadas, na África Austral.

Peter Ash, um albino canadense, criou uma ONG (Under the Same Sun), cujo objetivo é obrigar o governo da Tanzânia a impedir o tráfico de carne humana, no caso, a dos albinos. Mas, até agora os seus esforços têm sido em vão. Enquanto isso, ele espera que os olhos do mundo civilizado voltem para as vítimas do albinismo na África, de modo a salvar a vida dessas pessoas inocentes e indefesas.

Por favor, quem tiver Facebook ou fizer parte de qualquer outra rede social, ajude a espalhar este texto. Vamos contar ao mundo os horrores que acontecem na Tanzânia e no Burundi. Assim estaremos ajudando a ONG de Peter Ash, e obrigando os governantes dos países ricos a olharem para os albinos com mais piedade. Cada um de nós pode ser uma gota de esperança na vida desses desvalidos, muitas vezes raptados ou mortos dentro de suas próprias casas. O número de crianças desaparecidas entre as famílias de albinos cresce a cada dia, para serem destrinchadas no “mercado criminoso da ignorância, da crueldade  e da superstição”.

Visitem a ONG Under the Same Sun (Debaixo do mesmo sol) – Google
Há também um blog sobre o ALBINISMO, em língua portuguesa – Google

Nota: Imagem copiada de http://rochaferida.blogspot.com.br/2012/12/albinismo-

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COMO VOCÊ DEFINE SEU CÉREBRO?

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Muito se tem falado sobre a capacidade de ação e a sensibilidade de homens e mulheres, como se essas fossem determinadas apenas pelo gênero (masculino e feminino). Tal divisão acaba fornecendo justificativas para que as mulheres tenham menos oportunidades e recebam salários bem mais baixos do que os pagos aos homens, em quaisquer que sejam as áreas em que atuem.  Mas a ciência entrou em campo para afirmar que o sexo não determina, obrigatoriamente, o tipo de cérebro que cada corpo carrega, seja ele masculino ou feminino.

No passado, estudiosos do cérebro humano, ao estudarem homens e mulheres, definiram o comportamento dos mesmos avaliando apenas as dimensões da massa cerebral. Definiram que a linguagem era predominante no sexo feminino e a habilidade espacial no masculino.  Deixaram de lado a empatia e sistematização. E por isso erraram feio, pois a verdade é que os progressos científicos mostram cada vez mais que o estudo do cérebro é bem mais complexo do que se imaginava, não sendo possível limitá-lo unicamente ao âmbito do sexo, abrangendo várias classificações. Para que possamos entender melhor tais abrangências, faz-se necessário definir as palavras empatia e sistematização, conforme nos explica Simon Baron-Cohen, em seu livro Diferença Essencial, da Editora Objetiva.

Empatia – é a capacidade que certos indivíduos possuem em identificar as emoções e os pensamentos de outra pessoa, respondendo a eles com um comportamento apropriado. Ou seja, a pessoa coloca-se no lugar da outra e com ela interage, ganhando-lhe a simpatia. A reação emocional de uma é apropriada ao momento emocional da outra. E tem como objetivo compreendê-la, estabelecendo com ela uma conexão emocional.

Sistematização – é a capacidade analítica que certos indivíduos possuem para explorar e construir um sistema. Elas são capazes de compreender, intuitivamente, como funcionam as regras que governam um determinado sistema.

Se a empatia é importante para lidar com um rol de emoções existentes, a sistematização é um processo que, por sua vez, habilita a pessoa a trabalhar com um número ilimitado de sistemas.

A princípio, vamos dividir o cérebro humano em três tipos:

  • Cérebro feminino ou cérebro tipo E – quem o possui, carrega um forte grau de empatia, ou seja, possui grande facilidade em interagir com as pessoas. A empatia predomina sobre a sistematização. Logo, o cérebro feminino é predominantemente projetado para a empatia (lembrem-se de que cérebro feminino não se refere necessariamente ao sexo feminino).
  • Cérebro masculino ou cérebro tipo S – quem o possui tem uma capacidade sistemática bem maior do que a empática, ou seja, é capaz de lidar com extrema facilidade com os processos de sistematização. A sistematização predomina sobre a empatia. Logo, o cérebro masculino é predominantemente projetado para sistemas de construção e compreensão (lembrem-se de que cérebro masculino não se refere necessariamente ao sexo masculino).
  • Cérebro balanceado ou cérebro do tipo B – quem o possui é empático e sistêmico no mesmo peso, ou seja, é capaz de lidar com a empatia e com a sistematização na mesma medida, no grau bem equilibrado.

Existem evidências de que, em média, as mulheres possuem mais empatia do que os homens, assim como, em média, os homens sistematizam espontaneamente mais do que as mulheres. Observem que não há generalização no que foi explanado, tomando o gênero masculino ou feminino como base.

Para compreender as divisões expostas acima é preciso que nos afastemos de qualquer forma de generalização, para que não nos debandemos para a tradicional e arcaica definição dos sexos. Aliado a isso é preciso compreender que cada pessoa possui um nível de empatia, assim como a sistematização obedece a diferenças individuais. Por isso, a maioria das pessoas, qualquer que seja o seu tipo de cérebro, é mediana. Apenas as excepcionais ultrapassam tais limites, para mais ou para menos.

Mais uma vez, quero lembrar aos leitores que cérebro feminino não significa, necessariamente, cérebro de mulher, e cérebro masculino não quer dizer, necessariamente, cérebro de homem. Os três tipos de cérebro apresentados independem do sexo. Embora, em média, os homens sejam mais sistemáticos espontaneamente do que as mulheres. E que, em média, as mulheres sejam mais dotadas de empatia do que os homens.

Se comparada à empatia, a sistematização é falha quando se trata de interação social no dia a dia, pois o comportamento e as emoções não são afeitos a regras. As mudanças comportamentais não obedecem a padrões definidos. Por isso, a sistematização é nula nas situações em que está em jogo a variação dos sentimentos de um indivíduo. Assim sendo, a empatia é o meio natural para se compreender uma pessoa, enquanto a sistematização é o meio natural para compreender e prever a natureza de tudo que possa ser sistematizado (natureza de eventos e objetos).

Como podemos ver, a empatia e a sistematização são processos distintos. Enquanto o primeiro funciona para ajudar a tirar conclusões sobre o comportamento de uma pessoa, o segundo serve para fazer uma previsão de quase tudo o mais. A sistematização exige distanciamento do objeto de estudo, de modo a monitorar a informação e prever o melhor possível os fatores responsáveis por sua variação. A empatia, ao contrário, exige alguma proximidade com a pessoa, cujos sentimentos afetam os seus. Empatia e sistematização estão vinculadas em regiões diferentes do cérebro e são fundamentadas pela neuropsicologia. Todos nós temos capacidade para uma e para outra. A determinante para definir o tipo de cérebro da pessoa é saber a extensão de cada uma.

Espero ter deixado claro que a definição do sexo de um indivíduo não é capaz de dizer que tipo de cérebro ele possui, pois nem todos os homens possuem cérebro masculino e nem todas as mulheres possuem cérebro feminino. Embora mais homens possuam cérebro do tipo S e mais mulheres possuam cérebros do tipo E. Se assim não fosse, as entrevistas para emprego seriam totalmente desnecessárias.

Nota: Imagem copiada de http://vanessinhafigueiredo.com/2011/

Fonte de Pesquisa
Diferença Essencial/ Simon Baron-Cohen/ Editora Objetiva

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ÁFRICA – O POVO MASSAI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Os massai são um grupo étnico africano de seminômades, localizado no Quênia e no norte da Tanzânia. É um povo orgulhoso e indomável, composto por pastores e guerreiros, que tem muito orgulho de suas tradições. Seus ancestrais vieram do Egito. Essa gente já chegou a ser extremamente temida. Sua beleza negra é conhecida, assim como as roupas tingidas em tons de vermelho e o andar majestoso. E tem como cor oficial o vermelho. A classe social de um massai é determinada pelo número de vacas e cabras pertencentes à família.

Os homens massai não beijam suas companheiras, pois acham que a boca é feita apenas para comer e o ato de usá-la além dessa finalidade é tido como algo terrível. Também não comem junto ou à vista de mulheres. Nenhum guerreiro poderá comer qualquer coisa que tenha sido tocada por uma mulher. Na presença delas só se pode tomar chá (chai).  Tampouco suas mulheres podem lhes perguntar aonde vão, pois isso é problema deles. Elas devem ficar junto aos filhos, enquanto eles se agregam à companhia de outros homens de igual posição.

Quando se mata um animal, certas partes do corpo não podem ser comidas pelos homens, mas destinadas às mulheres massais. O animal é morto por sufocamento, pois o sangue não pode correr antes de sua morte. Faz-se um corte no pescoço do bichinho, puxa o couro e sorve o sangue em grandes goles, ainda no matadouro. O que não deixa de ser uma cultura estúpida, indiferente às dores sofridas pelo animal.

Leite e carne são os dois principais alimentos do povo massai, contudo, não podem ser ingeridos juntos. Acreditam os massai que, se ingeridos ao mesmo tempo, a rês que deu o leite poderá adoecer ou até mesmo morrer. Mas misturar leite com sangue não faz mal. O sangue bebido só pode ser do próprio gado. Para sua obtenção diária, eles colocam uma fina corda ao redor do pescoço do animal, que é torcida até que a veia jugular fique bem elevada. Uma flecha é atirada para perfurá-la. Coleta-se o sangue num recipiente de madeira. A seguir o local é tratado com esterco.

Os guerreiros massai usam os cabelos, pintados de ocra vermelha e gordura de carneiro, cheios de trancinhas. As mulheres raspam a cabeça e pintam-nas com a mesma mistura, mas só em época de festa. Os guerreiros são avessos ao trabalho, principalmente os que são feitos por mulheres, tais como pegar água, apanhar lenha ou lavar roupa. Acham que é uma função desprezível, propícia ao sexo feminino.

Enquanto não são casados, os homens massai vivem de um lugar para outro, não possuindo morada fixa. Só as mães sabem onde eles se encontram. Um massai pode se casar com quantas mulheres quiser, desde que consiga alimentá-las, não importando a idade. As mulheres só podem se casar uma vez. Eles desejam muitos filhos, pois sem eles “um homem não tem valor”.

Todos os guerreiros massai possuem uma namorada, que é presenteada com enfeites, para que fique o mais bonita possível para  se casar. Porém, um guerreiro não poderá se casar com a namorada de tantos anos. Podem praticar o amor livre até um dia antes de ela se casar com outro, quando é vendida pelos pais. Ela só fica conhecendo o marido no dia do casamento. Se o guerreiro massai conviver com outra mulher, antes do casamento da namorada, será terrível para ela, pois perde o seu valor de venda.

Os massai mascam mirra. Assentam-se no chão, descascam os talos da planta que, depois de mastigados, são cuspidos fora. Não podem fazer uso de bebida alcoólica, proibição que nem sempre é cumprida. Laibon é o líder espiritual que atua como intermediário entre seu povo e o deus “Enkai/ Engai”. É também a fonte de conhecimento sobre as ervas e poder decisório da tribo.

Uma festa de casamento entre os massai começa com a circuncisão da noiva, que consiste na extirpação do clitóris. A justificativa é de que, se não fizer a circuncisão, a noiva não será uma mulher de verdade e não dará a seu homem filhos saudáveis. Durante a festa, todos dançam, mas em grupos separados de meninos, mulheres e guerreiros.

Depois do casamento, o guerreiro massai não mais poderá morar na casa da mãe. É preciso construir sua própria maniata. Primeiro, seu contorno é marcado com troncos grossos, entrelaçados com galhos de salgueiro-chorão. O reboco é feito com esterco de vaca e barro, que seca rapidamente por causa do calor, ficando inodoro e duro como pedra. As mulheres usam as mãos para a construção. As maniatas são dispostas em círculos, de modo que, à noite, os rebanhos ficam no centro, protegidos dos animais selvagens.

Em volta da maniata é permitido fazer xixi, pois a areia suga o líquido, mas o restante das necessidades fisiológicas não deve ser feito ali. As mulheres urinam de pé, enquanto os homens acocoram-se. Quem desobedecer às regras da comunidade deverá oferecer uma cabra ao vizinho e mudar do local, fato que redundaria numa grande desonra.

Entre os massai, o choro só é permitido quando alguém morre. Quando a primeira neta, rebento do filho mais velho nasce e completa certa idade, ela passa a pertencer à avó e tem o compromisso de ajudá-la na terceira idade, buscando lenha, água, etc.

Os massai não conhecem calendário. Tudo gira em torno da lua. São excessivamente supersticiosos, como por exemplo:

  • Acreditam que, se uma mulher grávida tiver relações com um homem, o filho nascerá com o nariz entupido.
  • Se um pai tiver dúvidas quanto à origem de um bebê, a criança é colocada no centro do portão, por onde o gado passa durante a noite. Se for pisoteado até a morte, será considerada como um filho bastardo.
  • A doença é vista como uma maldição, usada por alguém para matar o outro.
  • Ser tocado ou cuspido por um idoso, muitas vezes pode significar que esse está passando uma maldição para a pessoa.
  • Outro mal é ver uma língua preta.
  • Cuspir na palma da mão, antes de dar a mão, num cumprimento, é sinal de uma amizade especial.
  • A avó abençoa o recém-nascido enchendo-lhe as solas dos pés, as palmas das mãos e a testa de cuspe, enquanto reza para Enkai.
  • Nas primeiras semanas, o bebê não pode ser visto, a não ser por pessoas autorizadas. E não se deve dizer que é bonito, para não ser vítima de azar.
  • Quando os bebês sujam as cangas, eles são retirados delas e limpos a seco. A seguir, a mãe cospe na bunda da criança e esfrega com a mão. Por sua vez, as cangas são esvaziadas e esfregadas na areia até que fiquem secas.

Como pudemos ver, na sociedade massai existem muitas superstições e os homens são machistas ao extremo. E não parece haver o sentimento de compaixão, como mostra o tratamento dado aos animais e à criança, quando não se tem a certeza de quem é o pai, por exemplo.

Fonte de Pesquisa:
O livro A Massai Branca (já há o filme com o mesmo nome)
Revista National Geographic nº

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COMO AS MULHERES DIMINUÍAM A PROLE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O infanticídio era praticado sem remorso, porque logo que a mãe ganhava o bebê, não sentia pelo filho nenhum amor instintivo. Se a criança vivia algum tempo, estava liberta deste destino, pois surgia o amor dos pais em sua primitiva simplicidade. (Will e Ariel Durant)

É comum nos perguntarmos se o tempo de hoje é melhor ou pior do que o passado, em relação à vida da mulher. É sabido que ela ainda tem muito chão para percorrer na defesa de seus direitos, mas já existem alguns freios sociais que a protegem. Um tema que vem sempre à baila é o número de filhos concebidos por ela e, como vem sendo a diminuição da taxa de natalidade. Oportunidade para dar um mergulho na história e ver como as coisas ocorriam em tempos longevos.

O homem dos tempos primevos sempre trabalhou para que sua prole fosse grande, de preferência composta por machos, que tinham por objetivo oferecer-lhe mão de obra servil e um futuro tranquilo. Mas, para atingir tal intento, era preciso contar com a adesão da mulher, pois não se faz filhos sem a sua participação. Para induzi-la à parição, contaram com a conivência da religião e do poder, que transformaram a maternidade em algo sagrado.

Não pensem os leitores que a fêmea caiu de boca na conversa do macho interesseiro. De jeito nenhum! Ela se rebelou secretamente, de todas as maneiras possíveis, tudo fazendo para escapar da pesada carga, já que não tinha nenhuma ajuda do companheiro, tão entusiasmado na hora do “vamos ver” e em aumentar o número de rebentos, mas tão indiferente no cuidado com os mesmos. E foi aí que a mulher inventou o fetocídio e o infanticídio, além de usar outras maneiras para evitar o contato com o homem.

A princípio, a função do homem na reprodução tinha um caráter extremamente superficial e incidental, enquanto a posição da mulher era fundamental e suprema. Até mesmo porque era impossível determinar quem fosse o pai. Porém, com o advento do casamento, o homem passou a se interessar pelo tamanho da prole, que lhe serviria de mão de obra escrava no futuro. Enquanto isso, as mulheres se rebelavam às escondidas contra tal imposição, uma vez que o fardo da gestação e da criação era carregado por elas. Negavam-se a fazer sexo com o macho, enquanto amamentavam. E o faziam por anos a fio. Era comum ver um menino fumando, mas que ainda não fora desmamado.

O aborto era usado com muita frequência. E, se falhava, apelavam para o infanticídio. Vários motivos podiam levar ao infanticídio, de acordo com as regras da tribo. Vejam alguns deles:

  1. se o bebê nascia disforme ou doente;
  2. se era bastardo;
  3. se a mãe morrera no parto;
  4. se dado à luz sob más circunstâncias;
  5. se nascia de cabeça para cima;
  6. se nascido durante tempestades;
  7. se nascia em março ou abril;
  8. se nascia na quinta ou sexta-feira;
  9. se nasciam gêmeos (um mesmo homem não podia gerar dois filhos);
  10. quando constituía embaraço durante as marchas (nômades);
  11. quando as tribos eram ameaçadas de carestia;
  12. quando o bebê era uma menina.

Os bebês, que nasciam meninas, eram torturados até à morte, para que a alma ficasse com medo e reencarnasse como menino. Fora disso, a mortalidade infantil era altíssima, em razão do excesso de doenças. Contudo, não existem provas de pedofilia naquele tempo. Embora essa tenha sido parte da cultura grega, tempos depois. Sendo que em tal época, os pederastas eram vistos como pedagogos, aceitos pela sociedade grega. O adjetivo “pedófilo” entrou para a língua portuguesa no final do século XIX. Atualmente é visto como um dos crimes mais repugnantes e inaceitáveis pela sociedade.

Nos dias atuais, o número de nascimento vem decaindo à medida que os países vão se tornando mais instruídos. As famílias estão compreendendo que, quanto menor for sua prole, melhor tratamento poderá ser dispensado a ela. O Brasil tem surpreendido o mundo com o controle feito pelos pais, sem precisar da intromissão do governo. O diferencial dos dias de hoje em relação aos de antigamente é que homem e mulher estão juntos no controle de sua descendência. Pelo menos é isso que se espera de um casamento equilibrado, onde pai e mãe contribuem, juntos, para dar aos filhos uma educação de qualidade e um futuro melhor.

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