A ARTE ANTIGA DOS EGÍPCIOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Os mestres gregos foram à escola com os egípcios, e todos nós somos discípulos dos gregos. (E.H. Gombrich)

Quando representavam a vida através de suas pinturas, os artistas egípcios não se preocupavam com a beleza, mas tão somente em repassar a informação com extremada clareza. Segundo o Prof. E.H. Gombrich, o método usado por eles era muito mais parecido com o de um cartógrafo do que com o de um pintor. Tudo tinha que ser representado de acordo com o ângulo que trouxesse uma melhor caracterização do elemento pintado. A regra que usavam permitia-lhes colocar na mesma composição tudo que considerassem de real importância, sem se preocupar com os diferentes ângulos a serem observados. A mesma regra era aplicada ao corpo humano, como veremos depois.

A composição ilustrativa de número 1, intitulada Jardim de Nebamun, trata-se de um mural de um túmulo em Tebas e estima-se que tenha sido pintada em 1400 a.C., onde podemos observar que os elementos da composição foram retratados de diferentes ângulos e são facilmente identificáveis:

  1. O tanque é representado como se fosse visto de cima.
  2. Os peixes e os pássaros são representados de perfil.
  3. As árvores são representadas como se fossem vistas de lado.

A composição ilustrativa de número 2, mostra o Retrato de Hesire numa porta de madeira em seu túmulo. Foi feito entre 2778 – 2723 a.C. A representação do corpo humano também seguia as mesmas regras, ou seja, ele tinha que ser mostrado a partir do seu ângulo mais característico. Vejamos:

  1. Como a cabeça era mais facilmente vista de perfil, ela era desenhada lateralmente, mas o olho não seguia o mesmo ângulo. Ele era desenhado como se estivesse sendo visto de frente. Ainda que resultasse numa composição estranha, um olho de frente era colocado na vista lateral da face, enquanto o outro ficava oculto.
  2. Os ombros e o tronco são vistos melhor de frente, possibilitando uma melhor observação de como os braços ligam-se ao tronco, sendo, portanto, desenhados de frente.
  3. Ao contrário do tronco, braços e pernas em movimento são retratados de lado, ângulo que permite vê-los com maior clareza.

Os artistas egípcios tinham dificuldades em retratar um pé ou outro de um plano exterior. Por isso, faziam o contorno desde o dedão para cima. Observem na gravura acima que os dois pés são vistos do lado de dentro, de modo que o retratado parece ter dois pés esquerdos.

Não significa que os artistas egípcios imaginavam que essa era a aparência humana. Eles apenas eram obrigados a seguir normas rigorosíssimas que, uma vez dominadas, a aprendizagem era dada por encerrada. As normas eram:

  • As estátuas sentadas deviam ter as mãos nos joelhos.
  • Os homens eram sempre pintados com a pele mais escura do que a das mulheres.
  • A aparência de cada deus egípcio era rigorosamente estabelecida: Hórus, o deus-céu, era representado como um falcão ou apenas com a cabeça de um falcão; Anúbis, o deus dos ritos funerais, era representado como um chacal ou apenas com a cabeça de um chacal.
  • A arte da bela escrita também fazia parte do aprendizado do artista.

A última ilustração acima representa Tutankhamon e sua Esposa (1330 a.C. — detalhe de talha dourada e pintada, proveniente do trono, encontrado em seu túmulo, hoje no Museu Egípcio, Cairo). Tutankhamon foi o sucessor do rei Amenófis IV que havia quebrado um pouco do rigor do estilo egípcio. É possível ver o estilo moderno do rei anterior no detalhe acima:

  1. O rei e a rainha são vistos num idílio doméstico.
  2. O rei encontra-se bem à vontade em sua cadeira.
  3. A esposa não é representada menor do que o rei.
  4. Ela coloca a mão no ombro do rei.
  5. O deus Sol distribui a sua bênção ao casal.

A abertura na arte Egípcia durou pouco tempo. Ainda no reinado do próprio Tutankhamon as velhas crenças foram instauradas, assim como a rigidez do estilo que durou mil anos antes de seu reinado e mil anos ou mais, depois.

Fonte de pesquisa:
A História da Arte/ E.H. Gombrich

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AFEGANISTÃO – AS MULHERES NA CULTURA AFEGÃ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Elas precisam que o resto do mundo olhe para elas. (Deborah Rodriguez)

Assim que o regime Taleban assumiu o controle do país, no rol de coisas proibidas estavam a música, a dança, as figuras representando pessoas ou quaisquer outros seres vivos, as pipas e os sapatos brancos. Com a expulsão dos talibãs, muitas das proibições impostas por eles foram excluídas, mas as mulheres continuaram sendo severamente vigiadas e punidas, por qualquer deslize tido como inaceitável dentro sociedade afegã.

Apesar das burcas, as afegãs sempre foram muito vaidosas com seus cabelos e maquiagem. As madeixas longas são cultivadas por elas, que procuram imitar as heroínas dos filmes de Bollywood. Muitos maridos não permitem que suas mulheres cortem-nas. Nenhum homem pode entrar em um dos salões de beleza afegãos, que ainda continuam marginalizados. As mulheres temem a reação dos partidários do antigo regime que não aceitam a visão de uma mulher com a cabeça descoberta.

Pelo fato de os homens não poderem entrar nos salões, esses representam um bom negócio para as cabeleireiras, pois eles não podem controlar o dinheiro ganho por elas e nem lhes dar ordens em seus negócios. Em geral, os serviços feitos pelas mulheres no país restringem a tecer tapetes, vender ovos, trabalhar em hospedarias e em alfaiatarias. Mas, nesses casos, os negócios são administrados pelo pai, ou irmão, ou marido ou até por um parente mais afastado.

A maquiagem das mulheres é extremamente pesada, ocupando o kohl (kajal) um lugar de destaque. Pelos padrões culturais do país, as afegãs acham que as mulheres ocidentais usam tão pouca maquiagem que ficam parecidas com homens. A maquiagem das noivas é muito forte, bem ao estilo “drag queens”. A boa tradição exige que a maquiagem delas seja demorada, como se fora um evento especial. Até os bebês usam o kohl para “combater o olho do diabo”.

Ainda criança, a menina já é prometida em casamento, normalmente a um homem bem mais velho, que pode dar à sua família um bom dote. A preocupação com o casamento da garota acontece assim que tem a primeira menstruação. Representa o momento a partir do qual ela já pode e deve se casar, antes que “fique falada”. É o período em que as transações comerciais são levadas a cabo. Em muitos casos, ela é, literalmente, vendida. Mas muitas delas são casadas antes de ficarem menstruadas. Ao se casar, a garota vai morar com o marido na casa dos pais dele, junto com os sogros, irmãos e suas famílias, onde a máxima comum é a de que “lugar de mulher é em casa”. Mesmo dentro de casa existe a parte destinada às mulheres, separando-as dos homens.

Os homens mais velhos estão sempre em busca de uma esposa mais jovem, talvez para provar a sua virilidade, relegando ao desprezo as esposas mais velhas, tornando-as mulheres muito tristes e sogras rancorosas. Mesmo os irmãos mais novos possuem a obrigação de vigiar e regular suas irmãs solteiras. Há casos de mulheres que são obrigadas a usar burcas até dentro de casa, passando a sofrer sérios problemas de visão, alguns deles levando à cegueira, pois a burca quase não oferece visão periférica. Outras são proibidas de saírem de casa por períodos de até de oito anos.

A mãe afegã não se abre com a filha, preparando-a para a noite de núpcias que, na maioria das vezes, transforma-se numa noite de terror para a pequena. Mas reza a tradição local que, quanto mais aterrorizada fica a nova esposa, maior é o indicativo de sua virgindade. O que muito alegra o esposo e sua família. A muitas das recém-casadas é vedado o contato com o exterior, durante muitos meses, inclusive com suas famílias, para que se adaptem à nova família que foi obrigada a abraçar.

A mulher, que não aceita fazer sexo com o marido, é surrada e pode sofrer queimaduras de cigarro. As jovenzinhas mais rebeldes possuem marcas de surras e cigarro pelo corpo. Em hipótese alguma, a sociedade afegã considera que haja estupro por parte do marido em relação à esposa. Ela é propriedade dele e deve servi-lo sempre. E só pode falar com os homens de sua própria família. São castigadas até por serem bonitas e inteligentes. A autoimolação é comum entre as mulheres desesperadas.

Quando o marido sai, cabe à sogra a vigilância sobre as mulheres do filho (ele pode ter muitas mulheres). Em muitos aspectos ela é bem mais cruel do que o homem. Oprime as noras, como se quisesse vingar tudo aquilo pelo qual já passou. É a vez de fazer valer o poder que nunca teve até então. Às esposas mais velhas, também, cabe vigiar as mais jovens. E, muitas vezes, acabam por transformá-las em escravas.

Muitas garotas, não aguentando os maltratos do marido, que, em muitos casos, poderia ser seu avô, e muitas vezes viciado em haxixe ou ópio, costumam fugir. Mas são denunciadas à polícia pelas próprias mães por “quebrar os votos do matrimônio”. Na verdade, as mães temem que as filhas possam ser devolvidas, de modo que a família tenha que restituir o dote recebido por ocasião do casamento.

O divórcio é considerado a coisa mais vergonhosa que pode acontecer a uma mulher. Mesmo assim, algumas o preferem ao sofrimento em que vivem. Ao se divorciarem, os filhos ficam com o marido. Um pai pode desfazer o casamento da filha, mesmo depois de casada e com filhos, caso não receba o dote, sem se preocupar com o futuro dela. Também, pode renegar a filha até que o marido pague-lhe o dote.

O mais cruel é que os homens podem andar pelas ruas de mãos dadas, conversarem abraçados ou se acariciarem nos braços, mas não aceitam o contato público com a mulher. Qualquer aproximação, eles entendem como se fosse um convite para o sexo. Tratar a mulher como empregada é o único modelo de relação que conhecem. A relação de carinho entre homem e mulher só pode ser explícita dentro do quarto do casal. Qualquer carinho fora disso é rechaçado.

Embora seja proibido tocar em mulheres que não são suas esposas, muitos homens afegãos tentam apalpar as poucas mulheres que encontram pelas ruas, deixando-as envergonhadas e amedrontadas, pois o castigo sempre recai sobre elas. Por isso, toleram tudo caladas. Uma expressão comum no país, para falar do assédio masculino ao sexo feminino, é dizer que “Os homens estão caindo das bicicletas!” pelo despudor delas. As poucas mulheres, que andam pelas ruas, mantêm a cara fechada (agora que podem usar lenços nas cabeças em vez da burca), para se livrarem do assédio masculino.

Na casa paterna, a filha não pode ser surrada por outro homem, mas na casa do marido, isso não tem importância alguma. A queixa de uma mulher contra o marido não é levada a sério. A esposa, que dá ao homem um menino, torna-se a favorita, principalmente quando ele já tem muitas meninas com as outras mulheres. Os pais do marido pressionam a nora para que faça sexo e ganhe um filho. E aquela que não ganha um menino dá direito ao esposo para se divorciar dela.

Os filhos masculinos são muito valorizados no Afeganistão. Ter muitas filhas é sinal de infortúnio, pois são os homens quem mantém as famílias e, além disso, quando se casam, continuam a viver com os pais, ajudando no sustento deles. Muitas famílias deixam claro que as meninas são indesejadas. As mulheres afegãs envelhecem com muita rapidez. Parecem ter o dobro da verdadeira idade.

Moralistas radicais estão sempre de olho nas mulheres, podendo lhes jogar ácido no rosto, por achar que estão sendo imorais, ou apedrejá-las até a morte. Tal atitude é considerada legal pela sociedade. A situação da mulher é tão grotesca, que ela pode ser presa por ter sido estuprada. Se o marido mata o estuprador, ela vai presa junto, com uma pena bem maior de que a dele, por ter sido a causa do crime. Engravidar do namorado, que não foi o homem escolhido pelos pais, também a leva à cadeia, assim como matar maridos violentos, pouco importando se a esposa é ainda uma criança.

No Afeganistão não existe o conceito de “namoro”. Moças e rapazes afegãos não se encontram, não flertam e não namoram. Mulheres vivendo sozinhas são tidas como prostitutas. Nas festas, homens e mulheres ficam em compartimentos separados. Os homens não se levantam à entrada de uma mulher. Se o homem recebe um amigo, a mulher fica fechada em outro cômodo, até que esse vá embora. As mulheres são literalmente ignoradas. O que elas dizem, segundo a tradição, não merece ser levado a sério.

O Afeganistão possui muitas etnias. Algumas são consideradas melhores do que outras. Assim como na Índia, a limpeza de banheiros não é feita por mulheres de determinadas raças. Não se pode menosprezar a coragem das mulheres afegãs que suportam uma sucessão de guerras intermináveis, a pecha de indesejáveis, casamentos forçados, maridos e sogras tiranos, a prisão imposta pela burca, a proibição de estudar e trabalhar, assim como a proibição de fazer parte da história de seus país.

Nota:
É claro que existem exceções como em todas as culturas. Mas o descrito aqui refere-se ao que é normal na cultura afegã.

Nota: Imagem copiada de http://www1.folha.uol.com.br

Fonte de Pesquisa:
O Salão de Beleza de Cabul/ Deborah Rodriguez/ Editora Campus

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A TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS E O CRIME

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Recebi, via e-mail, um texto muito interessante sobre a “Teoria das Janelas Quebradas” que é mesmo muito intrigante, pois deixa às claras o porquê de certos comportamentos. Por que nós humanos somos tão complexos? O que nos leva agir de maneira contraditória àquilo que muitas vezes defendemos? A pobreza seria a razão maior da criminalidade?

Comecemos por um prédio que, por um motivo interno qualquer, teve um dos vidros de suas janelas quebrado. Ninguém deu a mínima para o conserto. No dia seguinte, outros dois vidros apareceram quebrados. E nada foi feito. Uma semana depois não restava nenhum deles inteiro, sem falar que o pequeno prédio ficou todo pichado. Era como se o imóvel não tivesse nenhuma valia, ou se não fosse de interesse de ninguém, podendo qualquer um depredá-lo. Em razão disso, quando uma das cadeiras de ônibus ou metrô aparece danificada, deve ser imediatamente removida ou consertada. Se isso não acontece, todo o veículo ficará danificado em curto prazo, pois uma ação de vandalismo vai desencadeando outra. É por isso que, nas comunidades esquecidas pelo poder público, a destruição se faz presente todo o tempo.

Segundo uma experiência de psicologia social, conduzida pelo professor Phillip Zimbardo, em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), foram deixados dois carros, iguaizinhos em todos os sentidos, numa via pública, mas em zonas sociais diferentes. Enquanto um foi deixado em Palo Alto, zona de classe alta e bastante tranquila da Califórnia, o outro foi abandonado no Bronx, região pobre e de muita contenda. Como era de se esperar, o carro abandonado no Bronx foi dilapidado já no primeiro dia, enquanto o deixado em Palo Alto nenhum dano sofreu. Alguém mais precipitado poderá achar que a causa de tais diferenças está no nível social das pessoas, de modo que toda sorte de delito nasce da pobreza. Mas vamos adiante…

 Como vimos anteriormente, o carro deixado em uma das vias de Palo Alto estava impecável, com tudo no lugar. Um dos pesquisadores levou a cabo a segunda fase da pesquisa, quebrando um dos vidros desse automóvel. O que aconteceu? O carro foi totalmente danificado, como aconteceu com o que se encontrava no Bronx. Não se tratava de um local de gente rica e educada? É verdade! Qual a razão de ter acontecido o mesmo tipo de vandalismo?

O fato é que a pobreza não é a real razão dos acontecimentos. A verdade crucial está no comportamento humano, na maneira como as pessoas veem e sentem o ambiente em que se encontram. Bastou que o carro tivesse o vidro quebrado para que elas adotassem um procedimento totalmente inadequado, como se o veículo não pertencesse a alguém e, ao mesmo tempo, pertencesse a qualquer um que dele quisesse desfrutar, ainda que o depenando.

Os banheiros públicos são um exemplo clássico da Teoria das Janelas Quebradas. Alguém escreve na porta, imediatamente outro faz o mesmo, e mais outro, e mais outro, até que se transforma numa verdadeira página de “literatura de latrina”. O mesmo se dá com a postura das pessoas em qualquer ambiente. Se esse está sujo, ninguém se sente constrangido em jogar um papel no chão ou uma casca de fruta. Quando ao contrário, o lugar está muito limpo, as pessoas têm a sensação de que não podem maculá-lo e de que não pertencem a elas.

Levando para o lado criminal, está provado que o maior número de crimes acontece nos lugares esquecidos pelo poder público, em que tudo parece estar abandonado e se deteriorando, onde tanto faz como tanto fez, e tudo fica por isso mesmo. Em suma, a falta de punição para os pequenos deslizes acaba gerando delitos maiores, até que a situação torna-se insustentável, como vemos nas regiões violentas das cidades.

Quando se discute em todo o país a diminuição da maioridade penal, podemos comparar os pequenos delitos dos menores infratores com o vidro quebrado do carro. Se nada se faz para puni-los, será impossível contê-los quando se transformarem em adultos. É possível trocar um vidro, mas torna-se inviável consertar um carro que virou sucata. Se o jovem pode votar com 16 anos, se pode contrair família e ser pai com a mesma idade, também pode e deve responder por suas ações. Em pleno século XXI, com tanta informação à disposição de qualquer um, não se pode considerar que o indivíduo só se torna adulto depois dos 18 anos.

A Teoria das Janelas Quebradas também nos ensina que não podemos nos tornar prisioneiros dentro de nossas casas, deixando de visitar os parques e as praças, ou mesmo andar pelas ruas, pois esses espaços cairão no abandono, depois se transformarão em lugares esquecidos pelas autoridades e, sem dúvida alguma, serão ocupados pelos delinquentes. E aí fica bem mais difícil recolocar o vidro no carro abandonado ao deus dará, tendo que, praticamente, fazer um novo. Infelizmente os responsáveis eleitos para zelar pelos espaços públicos não vêm dando a mínima para a deterioração dos mesmos, tão pouco dão o exemplo da moralidade com a coisa pública, só fazendo ampliar o caos.

Um bom exemplo de como aplicar a Teoria das Janelas Quebradas é o que foi feito em Nova York, em relação ao metrô daquela cidade, ponto de alta periculosidade. Foram combatidas quaisquer formas de infração. O resultado surpreendente levou o prefeito da cidade, Rudolph Giuliani, seguindo os mesmos princípios, a criar a Tolerância Zero, que resultou na diminuição drástica da criminalidade na cidade norte-americana.

Seria de bom alvitre que fosse implantada nas grandes cidades brasileiras a Tolerância Zero (E também nos Três Poderes da República). Mas que atingisse todos os lados do cubo, a começar pelos responsáveis por conduzi-las, com comandantes e comandados dando o bom exemplo. E quanto maior for a autoridade responsável pelo deslize (corrupção, nepotismo, impunidade, criminalidade, omissão, etc), maior deveria ser a punição.

 Nota: Imagem copiada de  www.blogmudancas.com

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MARGARIDA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O II Festival Internacional da Canção (FIC) foi realizado em 1667 pela TV Globo. Do total das canções inscritas seriam escolhidas 40, que passariam por duas preliminares, sendo 20 em cada fase. No rol das canções classificadas estavam presentes grandes compositores já conhecidos e muitos outros desconhecidos, dentre eles o jovem Milton Nascimento.

Como o FIC tratava-se de uma promoção da Secretaria de Turismo do Estado da Guanabara, não agradou aos participantes a intromissão do bedelho de Carlos Laert, Secretário de Turismo, no governo de Negrão de Lima. Ele havia rejeitado três músicas da listagem das 40. A seguir, para contornar a situação, os dirigentes fizeram com que as concorrentes passassem de 40 para 50 canções, mas sem as três eliminadas pelo secretário (Balanço do Vento, Maria Madrugada e Motivo). Ao ser questionado por Roberto Menescal, o secretário Carlos de Laert simplesmente respondeu que o Festival era deles (governo) e, assim sendo, podiam mudar o que quisessem. Menescal então comunicou sua saída, com muitos compositores aderindo a ele.

Esse grupo de compositores reuniu-se e decidiu não acatar a decisão do secretário de Turismo de jeito algum. Se caso não fossem levados em conta, eles se retirariam do FIC e informariam a Negrão de Lima a decisão tomada, com a sugestão de que Carlos de Laert fosse afastado. Descobriram também, através de investigações ocultas, que o secretário havia escolhido dois amigos de seu prédio para botar na nova lista, o que lhes deu munição para a briga.

Mesmo sendo ameaçado por Carlos de Laert, Menescal e o grupo não arredou pé, denunciando a colocação dos seus dois amigos na lista. Ao final, as três canções retiradas foram reincluídas, ficando 23 canções para cada eliminatória, pois houve a retirada, pelos próprios donos, por decisão própria, de duas músicas inscritas. Dentre as 46 músicas concorrentes, três pertenciam ao mineiro Milton Nascimento: Travessia, Morro Velho e Maria, Minha Fé).

O Maracanãzinho, já com a acústica bem melhorada, e com outras mudanças seria o palco do II FIC. Havia inúmeros artistas estrangeiros presentes. O país todo aguardava a grande festa, já se preparando para suas escolhas.

Na primeira fase, quem abriu o Festival foi Adenilde Fonseca, defendendo Fala Baixinho, de Pixinguinha. Milton Nascimento foi ovacionado ao apresentar Travessia. Era sem dúvida um dos candidatos ao prêmio. Canção de Esperar Você, interpretada por Lucinha (futura esposa de Sérgio Mendes) também encantou o público. Cynara e Cybele defenderam Carolina, de Chico Buarque, feita sem muita pretensão pelo compositor que não imaginava que ela viesse a se classificar. Ao cantar o baião-exaltação São os do Norte que Vêm, Claudionor Germano levantou a plateia. A canção Margarida, defendida pelo grupo Manifesto e pelo autor, Gutemberg Guarabyra, foi entusiasticamente recebida. Ao final da primeira fase, o público deixou clara suas preferidas: Travessia (Milton), Carolina (Chico) e Margarida (Gutemberg).

Na segunda eliminatória, Milton Nascimento foi o primeiro a se apresentar com sua canção Morro Velho, sendo aplaudidíssimo o rapaz acanhado, que não tinha dinheiro nem para ir de São Paulo ao Festival no Rio. As demais canções que se sucederam não animaram a plateia, excetuando Fuga e Antifuga do maestro Edino Krieger e Vinícius de Moraes, defendida pelo Quarteto 004 e As Meninas.

O mais interessante é que não foi Milton Nascimento quem inscreveu suas canções naquele Festival, mas Agostinho Santos, impressionado com sua voz e canções, ao ouvi-lo cantar certo dia, em São Paulo. Como ele se recusasse a participar do Festival, em parte por sua grande timidez e em parte pelo que vira em um do qual participara. Agostinho Santos pediu-lhe para gravar três músicas, para que ele escolhesse uma para botar no seu disco que iria sair, mas inscreveu as três, numa bela armação. E as três foram selecionadas para a final, numa grande façanha do compositor e cantor.

Foram classificadas onze canções na primeira eliminatória e nove na segunda. A final, contava, portanto, com 20 canções. Desse rol, dez seriam premiadas, sendo a classificada em primeiro lugar a que viria a competir com as internacionais. Para a finalíssima estavam grandes nomes como Vandré, Luís Bonfá, Dori Caymmi, Chico Buarque, Edu Lobo e Francis Hime, entre outros.

A canção Margarida foi defendida por Gutemberg Guarabyra e Gracinha, empolgando todo o Maracanãzinho. Não tinha para ninguém. Com sua letra fácil, todo mundo cantava seu refrão de cantiga de roda. Contudo, pela qualidade, até o diretor do FIC, Augusto Margazão, achava que a primeira colocada deveria ser Travessia, de Milton Nascimento. E assim ficou a colocação dos três primeiros lugares:

1º lugar – Margarida (Gutemberg Guarabyra) defendida pelo autor e Gracinha
2º lugar – Travessia (Milton Nascimento) defendida pelo próprio compositor
3º lugar – Carolina (Chico Buarque) defendida por Cynara e Cibele

Ao concorrer com as músicas internacionais, Margarida abocanhou o terceiro lugar, ganhando o primeiro lugar a canção italiana Per Uma Dona, na voz de Jimmy Fontana, que recebeu muita vaia, ao ser anunciada.

Milton Nascimento também ganhou como melhor intérprete do II FIC. Ele foi, sem dúvida, o vencedor do Festival, sendo o mais premiado. Gutemberg Guarabira, esnobado pelas gravadoras, só retomou sua caminhada artística ao formar um trio com Sá e Rodrix, enquanto Chico Buarque continuava aclamado por todos.

Travessia correu mundo, projetando Milton Nascimento internacionalmente. O II FIC ficou conhecido como o Festival de Travessia.

Abaixo, conheçam a letra e a música da canção Margarida:

Margarida
Autor: Gutemberg Guarabyra
Intérpretes: Gutemberg Guarabyra e o Grupo Manifesto

Andei, terras do meu reino em vão
Por senhora que perdi
E por quem fui descobrir
Não me crer-mais-ei aqui, me encerrei
Sou cantor e cantarei
Que em procuras de amor morri, ai!
Dor que no meu peito dói
Que destróis assim de mim
Bem sei que eu achei enfim
E que adiantou a dor,
Mas me queimou
Pois por não saber de amar
Ela ainda rainha está
E ela está em seu castelo, olê, olê, olá
E ela está em seu castelo, olê, seus cavaleiros
Ora peçam que apareça
Pois por mais que me eu me ofereça
Mais me evita essa senhora
Eu já fui rei, já fui cantor

Fontes de pesquisa
A era dos festivais/ Zuza Homem de Mello
Uma noite em 67/ Renato Terra e Ricardo Calil
Chico Buarque/ Wagner Homem

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EUA – GATO PREVÊ A MORTE DAS PESSOAS

Autoria de Lu Dias Carvalho
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Segundo certas escolas esotéricas, o papel dos animais de estimação não se limita ao de uma simples companhia. Nossos bichos funcionam também como verdadeiros para-raios, absorvendo energias pesadas que, não fossem eles, seriam absorvidas por nós. (Luis Pellegrini)

Os animais “irracionais” sempre foram motivo de curiosidade para os humanos. Eles estão presentes na história de todas as culturas, ora como seres sagrados ora como motivo das mais bizarras superstições. Mas a ciência vem desvendando um mundo até então desconhecido para nós, acerca de nossos companheiros de planeta. O certo é que eles possuem poderes ainda inexplicáveis. Não sei se você que me lê conhece a história do gatinho Oscar. Eu a conheci. Fiquei estupefata e a repasso aos leitores deste espaço.

Oscar, um gatinho abandonado e levado posteriormente para um abrigo, foi adotado, em 2005, junto com outros companheiros, pela equipe médica Steere House Nursing and Rehabilitation Center, no estado de Rhode Island (EUA). Ali ele cresceu na unidade destinada aos dementes senis, fazendo parte do grupo de animais que tinha por objetivo fazer companhia aos pacientes, de modo a levá-los a manifestar carinho e afetividade, assim como entreter os familiares durante o horário de visitas.

No início, Oscar não parecia satisfeito na sua nova profissão, não correspondendo aos anseios de seus protetores. O danadinho preferia esconder-se a ter que dar atenção aos pacientes e seus visitantes, como quem diz “Estou fora desta!”. Mas já tendo passado um ano, e como a esperança é a última que morre, o felino começou a se mostrar mais gentil, como se quisesse assumir seu posto, ou seja, fazer o que dele se esperava. Começou por visitar todos os quartos. O bichinho chegava, empurrava a porta com a cabecinha, espiava o paciente e inspirava o ar. Depois partia para outro quarto e mais outro…

Tudo seguia normalmente, como se Oscar fosse um daqueles profissionais competentes no seu trabalho, mas sem nada que o tornasse excepcional. Isso até o dia em que descobriram que o bichano, inúmeras vezes, escolhia um dos pacientes para se deitar junto. E a surpresa: o paciente escolhido falecia entre duas ou quatro horas após a visita do felino. O mais interessante é que Oscar não era afeito a passar muito tempo com as pessoas, excetuando as que estavam prestes a partir. Ou seja, o gatinho tinha a percepção de qual doente morreria. Se era impedido de entrar no quarto do paciente prestes a falecer, Oscar ficava inquieto, tentando usar a patinha para abrir a porta à força.

Inicialmente, ninguém ligou a presença de Oscar na cama dos moribundos à morte desses. Porém, as coincidências ficaram tão numerosas, que acabaram despertando a atenção da equipe médica. Cerca de 25 vezes ininterruptas, ele acertou qual seria o próximo paciente a falecer. Assim, quando o gatinho deitava na cama de um paciente, os enfermeiros já alertavam a família para o seu desenlace. Num dos casos, a família foi avisada e chegou antes de a paciente falecer. Um garoto, neto da senhora, perguntou à mãe:

– O que o gato está fazendo na cama da vovó?

– Ele está ajudando a vovó chegar ao céu. – responde a mãe, retendo as lágrimas.

Cerca de meia hora depois, a “vovó” partiu. Oscar então se levanta, olha em volta e deixa o quarto tão silenciosamente quanto chegou. Sua missão tinha sido cumprida.

Segundo a equipe do Steere House, muitas vezes, a família do paciente nem percebe a presença de Oscar no quarto da pessoa que está morrendo. Ele fica ali, sem emitir qualquer ruído, até que ela pereça. Logo após, levanta-se, dá uma olhada em torno e parte em silêncio. Mas, se a pedido dos parentes, Oscar é colocado para fora do quarto, o felino fica andando de um lado para outro, miando, em frente à porta.

Muitas indagações têm sido levantadas no intuito de compreender os poderes de Oscar. Será que os gatos:

  • reconhecem pelo faro as substâncias químicas eliminadas pelas pessoas, momentos antes de morrer?
  • são excelentes observadores?
  • possuem algum algo especial que a ciência ainda não conseguiu explicar?
  • possuem algum poder paranormal?

Nenhuma resposta conclusiva foi dada até agora, enquanto Oscar continua seu trabalho de bom samaritano na clínica Steere House, em Rhode Island (EUA).

 Fonte de pesquisa:
Brasil 247

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ADULTÉRIO – DE PECADO VENIAL A MORTAL

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Se estudarmos a origem de certos pecados, daremos boas risadas, pois, na maioria das vezes, não são frutos da visão filosófica dessa ou daquela religião, que define isso ou aquilo como bem ou mal, mas da vontade expressa de uma elite preocupada apenas com o próprio umbigo. E, como as religiões sempre beneficiam os poderosos, seus ditames acabam se tornando leis.

O adultério é um desses pecados. Foi criado para atender os donos das grandes propriedades, ainda nos tempos primevos. Tanto é que de venial passou a mortal, sem que houvesse uma explicação plausível. Mesmo assim, apesar da cumplicidade dos poderosos com a Igreja (qualquer que seja ela), grande parte dos povos antigos não dava a menor importância a tal pecaminosidade. Continuava vivendo de acordo com seus próprios costumes.

A passagem do adultério para o rol dos pecados mortais, nada mais foi que o carimbo do macho sobre a fêmea, no sentido estrito de posse, uma vez que toda a carga da repressão era jogada sobre a mulher, enquanto se fechava os olhos para os deslizes do homem. Ele era seu dono e senhor. Ela fazia parte dos seus bens. Tanto é que, na época do patriarcado, o adultério era visto como um furto. A posse do macho sobre a fêmea era tão real, que a mulher, quando o marido morria, era sacrificada e enterrada junto a ele, no túmulo, com todos os bens, para servi-lo no outro mundo, apesar de já estar cansada de servi-lo neste. Mesmo no ato de emprestar a esposa a um hóspede, não havia ecumenismo algum, servia apenas para mostrar ao visitante a autoridade que o marido exercia sobre a vítima, digo, esposa.

Não se tem conhecimento de nenhum castigo impingido ao homem adúltero, enquanto as mulheres podiam passar por uma simples expulsão da família ou pelo estripamento. Alguns povos tiveram muita dificuldade em aceitar o rigor contra o adultério, como os índios cherokees, que mudavam de mulheres até quatro vezes por ano, e os samoanos, que ficavam com suas mulheres uma média de três anos. Sem falar nas culturas em que as mulheres podiam fazer suas escolhas livremente, quantas vezes quisessem.

A vida agrícola, responsável pela fixação do homem na terra, período em que ele deixa de ser nômade, torna o casamento ainda mais permanente. Além de o divórcio ser antieconômico, pois significava perder uma escrava e muitos escravos mais novos, a união prolongada era a garantia de que o pai teria os filhos criados, que viriam a assumir as tarefas dele, pois, depois de longos anos juntos, debaixo de muita chuva e sol, não sobrava mais vigor físico (ou sexual) para se criar uma nova ninhada. Sem falar que o pai de quase nada podia usufruir, já que morria muito cedo. Pelo sim ou pelo não, os cônjuges optavam por continuar juntos com sua prole que se aboletava em volta deles.

O poder econômico volta a mexer na estrutura familiar. Acontece que, com o crescimento da indústria urbana, a família, que já oferecia uma mão de obra insuficiente, em razão da monogamia, perdeu a sua importância, trazendo novamente o divórcio à baila, recomeçando a ladainha da humanidade. Mas aí é outra história.

Fonte de pesquisa:
Nossa Herança Oriental/ Will Durant

Nota: Cena do filme A Guerra do Fogo

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