A maioria das pessoas pensa que gripe e resfriado são a mesma coisa. Apesar de apresentarem sintomas semelhantes e de serem causadas por vírus, a gripe e o resfriado são doenças diferentes, em especial quanto à evolução e complicações.
O resfriado, em comparação com a gripe, apresenta um quadro clínico mais leve, que cursa com coriza, obstrução nasal e irritação na garganta. Raramente tem febre e, quando ocorre, é baixa. O resfriado tem evolução e término rápidos, de poucos dias. Pode ser causado por diversos vírus, como rinovirus, adenovirus, entre outros.
A gripe tem uma sintomatologia mais exuberante quando comparada com o resfriado. Pode apresentar os mesmos sintomas do resfriado, porém, com um comprometimento geral do organismo, cursando com febre alta, dores pelo corpo, sensação de mal-estar, dores de cabeça, cansaço, fraqueza, tosses e calafrios. É uma doença causada pelo vírus do tipo influenza. Pode surgir inesperadamente e sua evolução é mais arrastada, podendo chegar a uma ou duas semanas. Pode também evoluir para complicações mais severas, como sinusites, otites, bronquites e até pneumonia. A gripe é uma doença altamente contagiosa. Sua transmissão acontece quando uma pessoa gripada tosse ou espirra, espalhando o vírus pelo ambiente. Por isso, devemos evitar ficar em locais fechados e sem ventilação. Da mesma forma, a higiene das mãos também é importante.
A vacina contra a gripe é a melhor maneira de se prevenir contra a doença e suas complicações. Não há vacina para os resfriados. Quando a pessoa é vacinada, após 30 dias, em média, já estará com os anticorpos formados e que irão protegê-la por cerca de um ano. Quem apresentar os sintomas citados acima, após uma vacinação, provavelmente estará com um resfriado e, não, uma gripe.
Os antigripais não previnem nem curam a gripe. Eles podem, em alguns casos, diminuir os sintomas. A vacina contra gripe é segura e não provoca efeitos colaterais de relevância, reduzindo as complicações, internações ou, até mesmo, óbitos. Estudos demonstram que a vacinação pode reduzir em até 45% o número de internações por pneumonias e em até 75% a mortalidade por complicações da influenza. A vacina protege contra três subtipos do vírus, que são anualmente determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
As pessoas elencadas nos grupos de risco, como os idosos, crianças de seis meses até os cinco anos, cardiopatas, portadores de problemas pulmonares, portadores de doenças renais crônicas, imunodeprimidos, gestantes e profissionais da área da saúde devem ser vacinadas. Pessoas pertencentes a estes grupos apresentam mais riscos de complicações decorrentes das gripes. Quem se vacina estará também protegendo as pessoas que o cercam. Não fique de fora!
Nota: imagem copiada de www.hospitalflaviosantos.com.br
Os homens e as mulheres usam os corpos como um espaço de expressão artística. (Hans Silvester)
O rio Omo é um importante rio do sul da Etiópia. Seu curso é inteiramente contido dentro dos limites da Etiópia, desaguando no Lago Turkana, na fronteira Etiópia-Quênia. Encontra-se ali, em construção, a gigantesca barragem de Gibe III, iniciada em 2006, para gerar energia elétrica para Addis Ababa (capital da Etiópia). Muitos ecologistas opõem-se à sua construção, pois reduzirá o rio e eliminará as planícies alagadas de grande importância para os agricultores tribais do Vale do Omo.
O Vale do rio Omo é um território cheio de beleza, mas também é governado por magias, rituais e vinganças, onde o homem ainda conserva comportamentos da África ancestral. Mas isso não parece ser por muito tempo, pois as transformações já se aproximam. A presença de missionários, turistas e comerciantes contribui para o acesso a produtos estrangeiros. Bebidas alcoólicas baratas e fortes, antes raras, já vêm deixando seu rastro de destruição. Durante muitas gerações, essas tribos foram protegidas por montanhas e savanas contra o contato com o mundo exterior. Mas o fator principal para mantê-las a salvo da “civilização” foi o fato de a Etiópia ter sido o único país africano a não ser colonizado pelos europeus. De modo que os habitantes das margens do rio Omo escaparam à influência nefasta da colonização e dos conflitos que esmagaram muitas outras sociedades. As tribos, até então, permaneceram intocadas, migrando e guerreando entre si, e convivendo de acordo com seus costumes, inexistentes em quase todas as outras regiões do país.
São muitas as tribos africanas que habitam as margens do rio Omo, região abundante em água: Kara, Mursi, Suri, Nyangatom, Kwegu e Dassanech, entre outras, uma população de cerca de 200 mil pessoas. Os povoados estendem-se ao longo do Omo, agrupamento de choças com cercados para cabra e depósitos de cereais. A riqueza mais importante dessa gente são os pequenos rebanhos de bois e cabras, mas eles também trabalham na lavoura, irrigada com a água do rio. Em muitas tribos, um homem não pode se casar, se não oferecer dotes de gado à família da noiva. Aos homens cabe a responsabilidade com o rebanho.
As mulheres mursis ainda usam discos labiais (pedaço circular de madeira ou cerâmica no lábio inferior) e cobrem o corpo com desenhos, símbolos da beleza feminina. O adorno labial é substituído de tempo em tempo para ampliar o local.
Os suris possuem suas temporadas de duelos, quando se vestem com armaduras de pele de cabra e usam bastões compridos no enfrentamento.
As mulheres hamars pedem para ser açoitadas até sangrar, num certo ritual. Há também o rito de iniciação para os meninos da tribo hamar, que devem correr pra cima do lombo do gado, provando que estão aptos a enfrentar a vida adulta.
Nos casamentos, realizados pela tribo Kara, é oferecida uma cerveja feita de sorgo aos convidados de todas as idades, inclusive crianças. As viúvas usam o luto tradicional: despem-se dos adornos, deixam o cabelo crescer e vestem apenas um couro grosseiro.
Para muitas das tribos, os mortos continuam por perto. Em certos vilarejos, eles são enterrados debaixo dos barracos, separados dos vivos por menos de um metro de terra seca. Continuam interferindo na vida das famílias, como pensam elas.
Enquanto no Ocidente a vingança fica por conta dos tribunais, a lei das tribos, naquele canto remoto da Etiópia, é feita por elas próprias. Ao filho mais velho cabe vingar a morte do pai. E uma vez morto esse, a incumbência vai passando para o próximo. Um homem da família deve cobrar o tributo de sangue pela morte de um de seus membros. E aquele que dá fim a um inimigo recebe honrarias especiais: cicatrizes escavadas na carne do ombro e da barriga.
Há também a circuncisão feminina, comum em toda a Etiópia, e uma prática que é conhecida como “destruição do mingi” (mingi é uma espécie de azar extremo). Se uma criança nasce deformada, ou se os seus dentes superiores nascem antes dos inferiores, ou se nascer fora do casamento, ela é tida como mau agouro. Por isso, deve ser sacrificada antes que o mingi se alastre.
Aos poucos, o governo etíope aumenta sua influência sobre as tribos, impondo seu código jurídico, na tentativa de abolir as práticas tradicionais nocivas, como o ritual de fustigação das mulheres, as lutas com bastões e a cerimônia de passar sobre o lombo do gado, etc.
Os jovens das tribos percebem que é preciso buscar a paz entre elas, se quiserem sobreviver. Eles começam a entender que a tradição não pode ser levada a ferro e fogo, pois as coisas estão mudando. Alguns deles já estudam fora dali e possuem a consciência de que é preciso aceitar mudanças.
O fotógrafo alemão, Hans Silvester, que já esteve no Vale dorio Omo várias vezes, e passou seis anos entre as tribos, ficou impressionado com as imagens colhidas ali, principalmente nas tribos Surma e Mursi, conhecidas por suas exuberantes pinturas corporais. Elas utilizam material vulcânico, para obter as mais diferentes cores e pintarem os corpos nus. E, como adereços usam cascas, flores e folhagem. A natureza fornece-lhes um campo vasto de tinturas e enfeites.
As fotos de Hans Silvester percorrem o mundo como um alerta para a fragilidade dessas tribos, que precisam ser protegidas. A íntegra de seu trabalho pode ser vista no livro Natural Fashion – Tribal Decoration from África/ Editora Thames e Hudson. Existe também na internet,um vídeo com seu trabalho sobre o Vale do Rio Omo. Acessem-no, para verem as maravilhas que ele captou:
Fontes de pesquisa:
National Geographic/ Edição 120
Vídeo sobre Hans Silvester
Lutar com as palavras/ é a luta mais vã./ Entretanto lutamos/ mal rompe a manhã.(Carlos Drummond)
O universo das palavras é por demais encantador, com seus mistérios e complexidades, de modo que cada palavra possui uma história, que vai passando por ajustes ou transformações através dos tempos. E algumas delas são como pessoas, que fogem a qualquer explicação plausível.
Estas diabinhas, muitas vezes, parecem nos enlouquecer. Uma mesma palavra pode ter significados diferentes em países que falam a mesma língua (ver puto no Brasil e em Portugal), ou vestir roupagens diversificadas, até mesmo dentro do próprio país, variando de uma região para outra (mandioca, macaxeira, maniva…), isto quando a diferença não se processa dentro de um mesmo Estado (entojada/sertão mineiro e grávida/capital mineira).
As expressões idiomáticas são uma pedra no sapato de quem tenta aprender uma língua estrangeira, pois o dicionário perde toda a sua imponência diante destas bruxinhas. Cortem-me a língua, se eu estiver mentindo. Imagine algum gringo, de dicionário em punho, tentando traduzir, palavra por palavra, a frase: A esposa saiu do casamento com uma mão na frente e outra atrás. Não haverá de colher bons frutos, o coitado.
Os dicionaristas, os escritores e todos os seres falantes lutam com as palavras, pois a língua é dinâmica, modifica-se constantemente para acompanhar as transformações que operam no dia a dia de um povo, quer para acompanharem as mudanças tecnológicas, científicas, literárias ou até mesmo para se afinar com o linguajar popular. E neste vai e vem, algumas palavras caem em desuso, outras tantas ressuscitam e mais outras são criadas.
Nos dias de hoje, quem tem a língua afiada, deve pesar as palavras antes de expô-las, caso não queira um processo judicial nas costas. O que significa que algumas destas senhoras caíram no desagrado conceitual. Ficaram démodé. Foram relegadas à marginalidade, pois reforçam o preconceito e difundem visões discriminatórias sobre pessoas ou grupos sociais. Bani-las do convívio entre os indivíduos seria uma forma de erradicar o preconceito existente na linguagem, pensam os defensores de uma linguagem politicamente correta. Mas temos, também, aqueles que se colocam ao lado das palavras “marginais”, defendendo que tais mudanças empobrecem o idioma e a comunicação, pois, muitas delas, originárias do latim, possuem dois mil anos e estão sendo banidas da língua portuguesa.
Assim, como o Professor Aldo Bizzocchi, doutor em linguística pela USP, penso que o problema não está na palavra, mas na intenção que o indivíduo exterioriza através dela. Ou seja, no tom com que se fala certa palavra ou no contexto em que ela se encontra inserida. Tudo é relativo.
Embora algumas palavras tenham ganhado a classificação de grosseiras, isto não acontece com a grande maioria que está sendo posta em xeque. Tais mudanças, em busca do politicamente correto, apareceram nos Estados Unidos, na década de 70, como herança dos direitos civis pós-guerra, e se espalham hoje por vários países ocidentais. A palavra homossexualismo, por exemplo, é uma da listagem das tidas como politicamente incorretas por gays e lésbicas. A explicação é que o sufixo “ismo” é indicativo de doença. Mas, o que dizer de liberalismo, positivismo, criacionismo, evolucionismo…?
Se tais mudanças começarem a ocorrer com muita assiduidade, a comunicação entre as pessoas vai se tornar cada vez mais difícil. Antigamente, aquele que perdesse um braço, era aleijado. Depois, passou a ser chamado de deficiente. Agora deve ser chamado de portador de deficiência física. Como acompanhar tanta mudança?
A Secretaria de Direitos Humanos lançou, em 2006, a Cartilha do Politicamente Correto. Dentre as muitas palavras que devem ser evitadas estão: baianada (abuso no trânsito), beata, bêbado, anão e palhaço, assim como certas expressões, a coisa está preta, etc. Só para citar um exemplo, o que dizer dos tantos “anões” que aparecem nos programas de tevê, sendo usados, muitas vezes, em situações deprimentes?
Policiar a linguagem tem muito mais a ver com educação, em todos os sentidos. Para mim é questão de caráter e ética de cada indivíduo. Educar o povo é a melhor mudança. As mudanças são permanentes, quando vêm de dentro para fora, sem maquiagem, mas resultante de uma boa educação familiar e escolar. O resto é pura maquiagem.
Glossário Politicamente Correto (O uso da primeira palavra é incorreto)
gordo / portador de sobrepeso
favela/ comunidade
cego/ deficiente visual
negro / afrodescendente
velho/ idoso, da terceira ou melhor idade
surdo/ deficiente auditivo
pobre/ menos favorecido
deficiente/ portador de necessidade especial
empregada/ assistente
funcionário/ colaborador
homossexualismo/ homossexualidade
O mais sublime não pode existir sem mistério. (Ruskin)
A composição intitulada Paz – Enterro no Mar foi feita em homenagem ao pintor escocês David Wilkie, colega de Turner que, ao regressar da Palestina por meio de um navio a vapor, morreu próximo a Gilbratar, em 1841. Naquela época, como a peste dizimava o Oriente Próximo, o porto foi fechado, impedindo a chegada de pessoas que vinham daquela parte do planeta. David Wilkie morreu no navio e seu corpo foi lançado ao mar.
Nesta sua comovente pintura, Turner apresenta um fenômeno luminoso no céu, na água e na linha da costa longínqua, enquanto no mar jaz a escuridão do navio com suas velas içadas, solto e sem rumo sobre as águas.
Uma luz forte e dourada, proveniente dos archotes que iluminavam o corpo de Wilkie no momento em que esse estava sendo entregue ao mar parece separar o escuro navio em duas partes, como se aquilo fosse algo divino e sobrenatural.
Ficha técnica
Ano: 1842
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 87 x 86,7
Localização: Tate Gallery, Londres, Grã-Bretanha
Os pensamentos escravizam-me e me fazem sofrer. Deito-me com eles, até que o sono chega, muitas vezes induzido, trazendo um pouco de alívio. Mas mal abro os olhos para o novo dia, lá estão os flageladores, como espiões a me aguardar. Grudam de novo em mim, como se fossem sanguessugas a me sorver qualquer laivo de compreensão dos fatos. Faço mil indagações sem encontrar respostas. Ao contrário, embrenho-me, cada vez mais, numa teia confusa de grudenta inquirição. Há uma incompletude e uma cegueira que não me permitem vislumbrar respostas. Mas eu as quero. Os acontecimentos se parecem com monstros que se avolumam, prestes a me engolir viva. Enfraqueço-me. Desespero-me. Revolto-me. Perco a noção de que toda vida inclui infortúnios e cicatrizes. Ainda assim não me dou por vencida.
Uma faísca de discernimento, repentinamente, toma forma em meio aos pensamentos amotinados. Então, sou capaz de perceber o tamanho do absurdo que abocanha a minha mente. Mas quanto despautério. A conscientização do despropósito torna-me feliz, pois eu me absolvo. Não mais procuro por respostas. Limito-me a rir, pois não se pode lutar contra o absurdo. Ele é assustadoramente inatingível, inepto, desprovido de consciência ou razão. É um nonsense absoluto. Solto as amarras dos pensamentos conflitantes e ávidos por respostas. E me liberto. Embora saiba que tais acontecimentos voltarão a se repetir. Mas não mais me importo. Um dia de cada vez já é o suficiente.
A conscientização da existência do absurdo devolveu-me a felicidade. Não penso como Camus, que a conscientização do despautério “surge da felicidade”. Ao contrário, a felicidade nasce ao se tomar consciência de que certos fatos são destrambelhos sem nexo ou plexo, não merecendo nenhuma relevância. Logo, não há de se cozinhar os miolos para obter respostas, pois elas inexistem. Ao compreender o descompasso da incongruência, eu faço a minha própria redenção. Meus sentidos tornam-se mais despertos e minhas emoções mais apuradas. A razão, antes fugidia, retoma seu lugar de origem. Eu rio e até lamento por ter gasto tantos neurônios à toa.
Os pensamentos, antes atordoados, agora se voltam para a criação, em busca dos momentos perdidos, com a certeza de que mais cedo ou mais tarde, tudo na natureza se rende ao tempo. Sinto-me incrivelmente bem humorada. Um turbilhão de palavras aflora em minha mente, querendo ser expressas através do verso ou da prosa. É como se esta voragem assumisse a forma da esfinge grega e me dissesse: Decifra-me ou te devoro! Chega de inanição. Os meus dedos mal dão conta de acompanhar no teclado o parir das palavras pela minha mente desgovernada, mas liberta. E, junto com a sensação gostosa de novamente me sentir feliz e em paz, tomo emprestada as palavras atribuídas ao general e cônsul romano Júlio César, em 47 a.C, “Vim, vi, venci!” (Veni, vidi, vici). Só que com uma diferença: eu venci a mim mesma, ao conseguir me desviar do turbilhão prestes a me sugar . Até quando? Não me importa o tempo! Já me basta a luz que ora me ilumina.
Nota:Lady Macbeth Sonâmbula – obra do pintor suíço Johann Heinrich Füssli
Eu preciso ir ao Rio avisar o Geraldo Vandré que se ele ganhar o Festival vai sair de lá preso pelos militares. (Telé Cardim)
Os militares mandam você afastar Nara Leão do júri. Ordem dos militares não se discute. (Walter Clark, da Globo, para Solano Ribeiro)
A Vida não se resume a festivais. (Geraldo Vandré)
Aqueles que amam a música popular brasileira não podem deixar de ler A Era dos Festivais – Uma Parábola, do escritor, jornalista e historiador paulista Zuza Homem de Mello. O livro abrange um período que vai de 1965 a 1972.
A Era dos Festivais – Uma Parábola não se trata de um livro qualquer sobre música, como muitos dos que encontramos por aí, mas de um trabalho sério e profundo, que demorou cinco anos para ser elaborado. Traz não somente as músicas classificadas e as preteridas, como o desenrolar dos festivais nos seus bastidores e também muito de nossa história durante o seu período mais negro – a ditadura militar.
O livro de Zuza conduz-nos detalhada e apaixonadamente através da existência dos festivais em nosso país, passando pela apresentação das músicas nos seus variados estilos, pelo contato com as plateias efervescentes nas suas torcidas, assim como nos mostra as tramas urdidas para classificar essa ou aquela canção e impedir que outras ganhassem, principalmente quando a Censura resolveu envolver com as suas garras sebosas a criatividade dos compositores, cortando palavras, versos e excluindo canções.
A Era dos Festivais – Uma Parábola mostra a passagem da descomprometida bossa nova para um estilo mais contundente, com letras em que fica visível o desacordo da música brasileira com a ditadura militar, que se intrometia no mundo da arte, tentando fazer dela um veículo que abonasse a sua sandice e um passaporte de cumplicidade aos olhos do mundo. E disso Zuza pode falar com maestria, pois foi um personagem desse tempo.
Em seu livro, A Era dos Festivais – Uma Parábola, Zuza fala-nos de como se deu o surgimento de grandes nomes da música popular brasileira como Chico Buarque, Geraldo Vandré, Elis Regina, Edu Lobo, Tom Zé, Jair Rodrigues, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Taiguara, Egberto Gismonti, Zé Kéti, Gal Costa, Raul Seixas, Caetano Veloso, Dori Caymmi, Gilberto Gil, Martinho da Vila, Geraldo Azevedo, Hermeto Pascoal, Beto Guedes, Ivan Lins, Nana Caymmi, Luis Gonzaga Júnior, Os Mutantes, Maria Alcina, Tony Tornado e muitos outros. Fala-nos também daqueles que tiveram a sua carreira encerrada pela ditadura vigente no país, como o mineiro Silan Antônio de Jesus. E tristemente nos conta sobre o papel de submissão da Rede Globo diante da ditadura e o porquê de ter se transformado numa gigantesca rede de TV.
A Era dos Festivais – Uma Parábola emociona-nos ao contar a história sobre o empate de Disparada, composta por Geraldo Vandré e Théo de Barros, defendida por Jair Rodrigues, com A Banda, composição de Chico Buarque, defendida por ele e Nara Leão, mostrando-nos o caráter íntegro de Chico. Sem falar na postura da ainda garota Nara Leão, diante dos ditames da ditadura militar.
O livro de Zuza Homem de Mello é realmente imperdível para os amantes da boa música brasileira.
Fonte de pesquisa:
Livro: A Era dos Festivais – Uma Parábola
Editora: 34