Caravaggio – A ADORAÇÃO DOS PASTORES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A Adoração dos Pastores, obra de Caravaggio, está impregnada de tristeza. Trata-se de um realismo trágico. Presentes estão três pastores, todos eles homens, voltados para Maria e seu Menino.

A Virgem está assentada no chão com o Filho nos braços. A criança está voltada para a Mãe e tem a cabecinha aconchegada a seu rosto. José, usando um manto cor de terra, segura seu cajado e contempla o Menino no colo da mãe. Atrás de Maria e seu Filho estão um boi e um burro. Apenas as auréolas que circundam as cabeças de José e Maria atestam a divindade dos mesmos na cena.

O ambiente é fechado, sem nenhuma abertura para o céu ou para o exterior. Há uma humanidade doída nas pessoas ali presentes. O humano recebe mais destaque do que o divino, sendo os personagens tipos populares, cuja beleza exterior não importa, mas sim a realidade. Seus gestos contidos são cheios de dignidade e admiração. Há uma profunda piedade nos olhos dos personagens, como se já soubessem do destino que aguarda o Menino.

Ficha técnica
no: 1609
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 314 x 211 cm
Localização: Museu Nazionale, Messina, Itália

Fonte de pesquisa
Cristo na Arte/ Manuel Jover

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Mestres da Pintura – EDGAR DEGAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O importante para Degas era o jogo de luz e sombra sobre a forma humana, e o modo como podia sugerir movimento ou espaço. Eis porque preferiu extrair os seus personagens do balé, a tirá-los de cenas ao ar-livre. (E. H. Gombrich)

Degas foi, sem dúvida, um dos artistas mais inovadores e originais do século XIX. Seu olhar excepcionalmente agudo permitiu-lhe entrar no coração da vida parisiense moderna – o café conserto, as corridas de cavalo, a vida nos bastidores do teatro Ópera – com uma rapidez e uma liberdade de aproximação sem precedentes. (Ann Dumas)

O pintor impressionista Edgar Degas (1834-1917) nasceu em Paris. Era o primeiro filho de Pierre-Auguste Hyacinth de Gas, banqueiro, e de Celéstine Musson. Tratava-se de uma tradicional família francesa, muito rica e culta. Seu pai era um homem que nutria grande admiração pelas artes, especialmente pela música e pelos pintores italianos do Renascimento. Portanto, não causa surpresa o fato de o garoto ter mostrado sua vocação artística desde cedo.

Aos 11 anos de idade, Degas foi estudar em regime interno, no Liceu Louis­-Le-Grand. Aos 13 anos perdeu a mãe. O sofrimento viria a moldar a vida do futuro pintor¸ encarcerando-o numa armadura para fugir da dor. Tanto é que, ao estudar sua obra posteriormente, o impressionista alemão Max Liebermann surpreendeu-se com a falta de sentimentalismo na obra do artista:

Ele é cruel com a própria natureza. Impregna-se de um frio ceticismo e é dominado pelo orgulho, traço fundamental de seu caráter, oculta os sentimentos mais ternos; teme menos o cinismo do que o sentimento.

Ao terminar os estudos, Degas começou a fazer o curso de direito para agradar o pai. Mas não demorou a abandoná-lo e se dedicar à carreira de pintor. Optou por viver só e estudar pintura com o mestre Félix-Joseph Barrias. No seu ateliê e no museu do Louvre,  ele fazia cópias das obras dos mestres renascentistas. Reconhecendo o talento de seu aprendiz, Barrias enviou-o ao estúdio de Louis Lamoth, pintor de temas históricos, e também a Auguste Dominique Ingres, a quem conheceu numa mostra retrospectiva dele e de Delacroix. Degas tinha grande admiração pelos pintores do Renascimento: Rafael, Michelangelo, Gioto, Botticelli, Mantegna, Ticiano e Tintoretto.

Após voltar a Paris, Degas buscou a temática histórica como meta de sua obra, mas sem a retórica heroica do academicismo. Também ficou conhecendo o pintor Edouard Manet, com quem viria a se desentender, posteriormente, por causa  de um retrato que pintara do casal. É fato que ele possuía um humor ácido, com tiradas mordazes, o que lhe custou muitas inimizades.

Por ocasião da Guerra Franco­-Prussiana, Degas foi voluntário na Guarda Nacional, chegando a defender seu país. Nessa época, descobriu que possuía uma doença ocular muito séria.  Embora houvesse se transformado num pintor de sucesso, apreciado pelos colecionadores, também sofria a rejeição do público ao abraçar uma nova corrente artística ao lado de Monet, Cezánne e Renoir, pois os burgueses não conseguiam entender o novo estilo.

Ao perder o pai, Degas tomou conhecimento de que os negócios da família estavam em crise e, que era necessário vender quadros para sobreviver. Foi quando o artista passou a pintar várias obras sobre bailarinas. A alta burguesia europeia de época via na figura da bailarina um ícone erótico, ao contrário do que pensava o pintor. Para ele, elas eram apenas profissionais que mostravam a beleza da dança, não importando se eram belas ou não. Ele também pintou muitos retratos, nos quais procurava destacar a impressão de espaço e de formas sólidas, captados dos ângulos mais inesperados. Participou de várias exposições do Salão oficial.

À medida que envelhecia, Degas perdia progressivamente a visão, caminhando para a cegueira que o isolava da realidade, diminuindo sua produção artística. Trilhou também os caminhos da escultura, sendo considerado por Renoir como o “primeiro grande escultor da modernidade.”. Acabado e cego, Degas faleceu aos 83 anos, rodeado por parentes e amigos.

Fontes de pesquisa
Degas/ Abril Coleções
Degas/ Coleção Folha
Degas/ Taschen
Tudo sobre arte/ Sextante

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Goya – A FAMÍLIA DE CARLOS IV

Autoria de Lu Dias Carvalho alba4

Goya logrou grande êxito ao retratar A Família de Carlos IV, pois a obra é considerada uma das mais importantes do pintor e da história da pintura espanhola, quer pelas qualidades pictóricas quer pelo fantástico retrato psicológico que fez da família real. O quadro foi encomendado para comemorar o décimo aniversário do reinado do rei e da rainha, que juntos tiveram 12 filhos.

Todos os personagens presentes estão magnificamente vestidos com roupas de seda, ornamentos em ouro e prata, além de belíssimas joias e muitas condecorações, o que dá à obra um belo colorido. A composição pode ser dividida em três partes (da esquerda para a direita):

Grupo 1

  • O infante Carlos Maria Isidro
  • O futuro Fernando VII
  • María Josefa Carmelha de Bourbon, irmã do rei
  • Uma mulher virada para o fundo, não pertencente à realeza *

Grupo 2

  • A pequena María Isabel, filha dos reis
  • A rainha María Luísa
  • O infante Francisco de Paula
  • O rei Carlos IV

Grupo 3

  • Antonio Pascoal, irmão do rei
  • Carlota Joaquina, a filha mais velha dos reis
  • Luís de Parma, genro dos reis
  • Maria Luísa Josefina, filha dos soberanos e esposa de Luís de Parma
  • O bebê Carlos Luís, filho do casal e neto dos reis

Goya autorretratou-se no lado esquerdo da composição, na penumbra, atrás do primeiro grupo, diante de uma imensa tela inclinada. Encontra-se na mesma altura do rei, o que mostra o seu prestígio na corte. É também notável o modo como ele fez a distribuição das figuras, colocando dois homens e duas mulheres em cada grupo, excetuando a sua presença e a do bebê. Observando as cores, da esquerda para a direita, é possível notar que, aos poucos, os tons frios cedem espaço aos quentes.

A rainha María Luisa, que chegou à corte espanhola aos 14 anos, como esposa do futuro rei, é a figura que domina a cena e não o rei, conforme acontecia na vida real, ficando no centro da composição. Quando este quadro foi pintado, ela estava com 48 anos. Era dominadora e possessiva, e tinha como amante o primeiro-ministro Godoy. O pintor traduz suas características psicológicas com perfeição, realçando seus olhos desafiantes, queixo firme, lábios fechados, cabeça ereta e altiva. Era ela que, debaixo das cortinas, quem realmente governava. Seu vestido é feito de brocados e rendas, com detalhes muito bem trabalhados. Ela usa inúmeras joias de ouro, pedras e diamantes.

Sobre a rainha escreveu um emissário russo:

Os muitos partos, as indisposições e talvez também o germe de uma doença da qual se diz que pudesse ser hereditária, têm-na murchado completamente. Sua pele esverdeada e a perda dos dentes, a maioria postiços, deu-lhe um golpe definitivo em sua aparência.

O rei Carlos IV era uma pessoa indiferente e sem determinação, que preferia os relógios, a caça e o lazer às suas obrigações de monarca, conforme retratado com seu olhar ausente. Usa o colar do Tosão de Ouro, e muitas condecorações em forma de estrela.

María Josefa de Bourbon, irmã solteira do rei, situada no primeiro grupo, parece entediada. Sua figura grotesca usa um chapéu de penas e pesadas joias.

Goya pintou apenas o perfil de Carlota Joaquina, baseado em desenho antigos, pois ela havia deixado a Espanha cerca de seis anos antes, para se casar com dom João VI, que governava Portugal em nome de sua mãe louca, Maria. Veio depois para o Brasil.

Ao se pintar junto à família real, Goya demonstra que gozava de grande prestígio na corte espanhola, onde recebia um alto salário como pintor real. Godoy, o primeiro ministro e amante da rainha, chegou a aprender a linguagem de sinais, para se comunicar com o pintor, que havia ficado surdo.

*A figura de rosto oculto posiciona-se no lugar da futura esposa do futuro rei Fernando VII, que ainda se encontrava solteiro. Assim que ele se casasse, o rosto de sua mulher seria pintado por Goya, no lugar do rosto da desconhecida.

Ficha técnica
Ano: 1800-1801
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 280 x 336 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Goya/ Abril Coleções
Goya/ Coleção Folha
Goya/ Editora Manole Ltda.
Los secretos de las obras de arte/ Editora Taschen

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Goya – O ENTERRO DA SARDINHA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Goya retrata em sua composição O Enterro da Sardinha uma festa popular que marca o final do Carnaval e a entrada da Quaresma, festividade que ocorre em vários lugares da Espanha. O atrativo principal dessa festa de origem pagã é o simbólico enterro de uma sardinha de papelão.

Na cena as pessoas estão concentradas num lugar descampado, com árvores estranhas ao redor, sob um céu nebuloso que prenuncia a chegada de uma tempestade. O colorido é sombrio, sendo as figuras mal esboçadas. Elas usam máscaras de morte, de bestas e diferentes fantasias. No meio do barulhento grupo também estão presentes crianças. Ou seriam anões?

Um personagem no meio do ruidoso grupo, usando vestes negras, carrega um enorme estandarte com a imagem de um rosto rechonchudo e uma enorme boca risonha, deixando visíveis parte dos dentes. Muitos veem na figura a imagem da loucura, do caos e da degeneração.

Na frente do cortejo duas personagens femininas, vestidas de branco, e um homem que carrega um pequeno estandarte vermelho, dançam. Uma das mulheres, à esquerda do observador, tem uma figura de preto atrás de si, ostentando afiados chifres, que parece querer ampará-la.

Ficha técnica
Ano: 1812-1814
écnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 82,5 x 52 cm
Localização: Museu Real da Academia de Belas Artes, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Goya/ Abril Coleções
Goya/ Coleção Folha
Goya/ Editora Manole Ltda.

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PREVENÇÃO X MEDICAÇÃO

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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                                                 Hoje é dia nacional do Enfermo

Desde que me formei na Universidade Federal do Rio de Janeiro, aprendi com grandes mestres, principalmente nos últimos dois anos antes da formatura, como se deve tratar um paciente. Durante minha graduação, passei por diversos estágios, como pronto-socorro, cirurgia geral, centro de tratamento de queimados, centro de hemorragia digestiva, obstetrícia, CTI, etc. Saí da faculdade como clínico geral e é o que faço até os dias atuais.

Como clínico, atendo pacientes com diversas patologias. Então, para o hipertenso, um anti-hipertensivo; para o diabético, uma medicação para o controle dos níveis de glicose no sangue; para a tireoide “que não funciona”, uma reposição do hormônio. E daí vai. O que quero dizer é que, desde que saí da faculdade, vejo no cotidiano do médico o tratamento de doenças, onde a tônica tem como foco a cura ou a estabilização das doenças. Não que as medicações não sejam importantes. São, sim! Salvadoras de vidas em diversos casos. Mas, de longe, não são sinônimos de boa saúde. Não me lembro de ter uma cadeira na faculdade de “prevenção”. Se foi falada alguma coisa, não me lembro. Nos estágios, nem de perto qualquer coisa sobre hábitos de vida saudáveis. No máximo, o que a gente ouve é: “Você tem que perder peso, fazer exercício físico e ter uma dieta balanceada”.

Ao contrário do que observo na rotina diária do médico, as pessoas previnem-se ao colocarem o cinto de segurança antes de assumirem os volantes dos seus automóveis, os quais também possuem freios ABS e airbags para o caso de haver um acidente. As pessoas também se previnem ao colocar grades nas janelas para as crianças, a fim de evitar acontecimentos que poderiam trazer graves consequências. A grande maioria das pessoas não faz a prevenção médica como deveria, e procura nas medicações uma melhor projeção para sua saúde.

Somente para ilustrar um caso recente, após uma cirurgia, a paciente queixou-se de “indisposição e dor no estômago”. Como havia feito uso de anti-inflamatório, foi prescrito omeprazol endovenoso. Pouco depois, a paciente queixou-se de náuseas e vômitos biliares. Foi, então, prescrito plasil endovenoso. Ela passou sete dias sem alimentação, somente na “soroterapia”, pois as náuseas persistiam. Então, foi indicado, para o dia seguinte, a introdução de sonda para alimentação. Acompanhando todo o processo, pensei sobre o que poderia estar causando tamanho desconforto. Quando estou “perdido” em determinado caso, tenho a tendência de observar se as medicações não estão interferindo no processo de melhora do paciente, pois cada pessoa reage diferentemente ao uso das mesmas, ou seja, podendo apresentar efeitos colaterais diferentemente de cada uma. Então todas as medicações foram suspensas. Em 24 horas, o paciente já alimentava via oral e com muita fome, sem nenhuma queixa clínica. Em 48 horas, estava de alta hospitalar. Em resumo, não podemos achar que pílulas vão resolver tudo. As medicações são para ajudar e não para atrapalhar ou protelar um problema de saúde. A medicalização nos rodeia e, portanto, temos que considerar isto em nosso cotidiano. O pai da medicina, Hipócrates, disse:

“Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”.

(*) Imagem copiada de www.massala.org

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Goya – A DUQUESA DE ALBA (II)

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Ereta, elegante e orgulhosa, a duquesa aparece sozinha e preenche quase todo o espaço da composição. A não ser a paisagem do rio que corre atrás dela, nada há que distraia o observador. Sua postura indica a posição social que possui, assim como seu caráter forte. A beleza, popularidade e riqueza da duquesa de Alba tornaram-na uma mulher muito invejada. Era também chegada aos escândalos, em razão de sua personalidade forte e dos muitos amantes que possuía. Quando posou para este retrato,  estava com 35 anos de idade.

O pintor Goya foi responsável por imortalizar a duquesa de Alba numa série de retratos. E este é o mais comentado de todos. A frase Solo Goya está escrita na areia, aos pés da duquesa, e um de seus anéis traz escrito o nome do pintor – Goya. Com este retrato, os boatos de que o artista tinha um romance com a aristocrata tornou-se mais forte ainda. Ela morreu cinco anos após o término deste quadro.

Na composição, a duquesa usa um vestido preto e mantilha, vestimenta típica de uma viúva. As mangas são trabalhadas em ouro. Traz na cintura um laço vermelho. Seu rosto não expressa nenhuma emoção. Possui uma cabeleira abundante e sobrancelhas grossas e negras. Além do anel de ouro, onde está escrito o nome do pintor,  também usa um anel de diamante com o nome  “Alba”.

A mão direita da duquesa de Alba traz o dedo indicador direcionado para a areia, onde está escrito “Só Goya”, direcionando o olhar do espectador para a escrita. Alguns estudiosos chegaram a imaginar que o artista poderia ter pintado as palavras sem que a duquesa disso tivesse conhecimento. O retrato acima não foi entregue à família, mas permaneceu com o artista em sua oficina.

Ficha técnica:
Ano: 1797
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 210 x149 cm
Localização: Hispanic Society, Nova York, EUA

Fonte de pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen

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