Goya – O SABÁ DAS BRUXAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A obra de Goya denominada O Sabá das Bruxas faz parte de sua série de Pinturas Negras. A temática envolvendo feitiços e bruxarias era comumente usada pelos artistas, para atacarem a chamada Santa Inquisição. Os mesmos temas eram usados pela Igreja para subjugar o povo espanhol.

O Sabá das Bruxas mostra um bode com longos e sinuosos chifres enfeitados, assentado sobre as duas pernas traseiras, no meio de um círculo de mulheres jovens e idosas, simbolizando a figura de satanás. Elas lhe oferecem crianças, com as quais ele se alimenta, como símbolo de extremo servilismo e devoção.

O bode dirige sua pata esquerda para  a criança mais robusta, sem encará-la, rejeitando a esquelética a seu lado, assim como as demais. A dona da criança escolhida, tem no rosto um ar de estupefação e regozijo, por seu presente ter sido o selecionado. Ela se encontra com o filho nos braços, já na posição de entregá-lo ao demônio.

No lado inferior esquerdo da composição, um cadáver infantil jaz no chão, atrás da figura de branco, enquanto a mulher de tronco despido carrega no ombro uma vara com uma fieira de bebês mortos. Próxima à mulher de roupa escura com a criança raquítica nos braços, é possível ver as perninhas de uma criança, que se esconde sob o véu amarelo da mãe.

Uma meia-lua branca  surge em meio ao céu escuro. Morcegos esvoaçam em direção à cena. Montes escuros compõem o tenebroso cenário.

 Ficha técnica
Ano: 1797-1798
Técnica: óleo sobre tela a partir de um afresco
Dimensões: 44 x 31 cm
Localização: Museu Lázaro Galdiano, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Goya/ Abril Coleções
Goya/ Coleção Folha
Goya/ Editora Manole Ltda.

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Gêneros do Cinema – ÉPICO

Autoria de Lu Dias Carvalhocap

O épico sempre esteve presente na história do cinema, desenvolvendo-se nas mais diferentes vertentes; ora personagens políticos e patrióticos (Julio César, Alexander Nevski, Napoleão, Cleópatra), ora personagens mitológicos ou literários (Hércules, Ulysses, Os três Mosqueteiros, Robin Hood, Ben-Hur, Jivago), ou ainda personagens carismáticos que promoveram mudanças profundas em seus tempos (Gandhi, Excalibur, Amadeus, Lawrence da Arábia, El Cid). Somente de Joana D´Arc há pelo menos 10 versões até a década de 70 (Méliès em 1900, DeMille em 1917, Gastine e Dreyer ambos em 1928, Ucicky em 1935, Fleming em 1948, Rossellini em 1954, Preminger em 1957, e Bresson em 1962, sem contar as versões modernas). (Filipe Sales)

Os filmes épicos destacam-se por seus cenários suntuosos, orçamentos astronômicos, muitos efeitos especiais, um grande número de atores e grande quantidade de figurantes. O tempo de duração é sempre maior do que o das películas de outros gêneros. Normalmente tratam de relatos históricos ou bíblicos.

A origem do gênero épico está na Itália, inspirado no passado clássico do país. Só para se ter uma ideia, o diretor Cecil B. de Mille sofreu grande influência dos épicos italianos, que o inspiraram na sua primeira versão de Os Dez Mandamentos (1923), um dos primeiros filmes coloridos do cinema. Quatro anos depois, o mesmo cineasta dirigiu o épico bíblico Rei dos Reis (1927).

Cabiria (1914), filme italiano, é tido como o primeiro filme épico do cinema. Narra as aventuras de Cabiria, uma jovem romana que se torna prisioneira dos fenícios e posteriormente dos cartagineses, grandes inimigos do povo romano, durante a II Guerra Púnica, lá pelos idos de 200 a.C.

Com o sucesso de épicos como Os Dez Mandamentos, Rei dos Reis, Ben-Hur, dentre outros, muitas pessoas ficaram com a ideia de que os épicos só estavam relacionados com os temas religiosos, o que não é verdade. Este gênero também aborda temas históricos e atuais, como foi o caso de Alexander Nevksky (1938), do diretor Sergei Einsenstein, feito quando a antiga URSS encontrava-se sob ameaça nazista. Por sua vez, Henrique V (1944), obra de Laurence Olivier, foi feito quando o Reino Unido preparava-se para tirar a França das mãos da Alemanha de Hitler. Anterior a esses, O Nascimento de uma Nação (1915), obra do cineasta D. W. Griffith, também se trata de um filme épico histórico, que apresenta uma saga sobre a Guerra Civil Americana.

O Manto Sagrado (1953), obra do diretor Henry Koster, foi o primeiro longa metragem em Cinemascope. O épico Cleópatra (1963), de Joseph L. Mankiewicz, gastou tanto dinheiro que quase faliu a 20th Century Fox. O Portal do Paraíso (1980), de Michael Cimino, foi também outro retumbante fracasso, apesar de ter consumido 44 milhões.

O computador entrou em cena, trazendo para o gênero épico grandes efeitos especiais, como foi o caso de Coração Valente (0995), dirigido por Mel Gibson, Gladiador (2000), de Ridley Scott e Troia (2004), de Wolfgang Petersen.

O gênero épico teve o seu apogeu nas décadas de 50 e 60.

Épicos Imperdíveis

  1. O Nascer de uma Nação (1915)
  2. Alexander Nevsky (1938)
  3. O Manto Sagrado (1953)
  4. Lawrence da Arábia (1962)
  5. Os Dez Mandamentos (1956)
  6. Guerra e Paz (1956)
  7. Ben-Hur (1959
  8. Spartacus (1960)
  9. Exodus (1960)
  10. El Cid (1961)
  11. Doutor Jivago (1965)
  12. Genghis Khan (1965)
  13. 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968)
  14. Kagemuscha – A Sombra de um Samurai (1980)
  15. Coração Valente (1995)
  16. Gladiador (2000)

Fontes de pesquisa
Tudo sobre Cinema/ Editora Sextante
Cinama Zahar
http://www.mnemocine.com.br

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Velázquez – A ADORAÇÃO DOS MAGOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição religiosa intitulada A Adoração dos Magos é uma obra do artista espanhol Diego Velázquez. É tida como uma das menos ousadas de suas pinturas iniciais. Estão presentes na cena a Virgem com seu Menino ao colo, São José, os três Reis Magos e um assistente deles. As figuras da Sagrada Família e dos Magos apresentam-se como pessoas comuns. O pintor faz uso do claro-escuro e de vestimentas bem encorpadas, com vincos semelhantes aos das esculturas.

Velázquez praticamente eliminou a distinção entre o mundo do observador e o dos personagens sacros, como se quisesse chamar a atenção para o momento em que o filho de Deus se predispõe a ser visto como homem. Ainda assim, o artista sutilmente refere-se à sua divindade, quando coloca em primeiro plano, à direita,  e também no bloco de pedra quebrado – onde a Virgem descansa o pé – uma vegetação espinhosa que remete ao sacrifício pelo qual Cristo passará. É possível que o bloco de pedra seja também uma referência à laje sepulcral e, em consequência, à Ressurreição.

Maria traz seu filho Jesus no colo, envolto em panos e com as mãozinhas cobertas e o olhar fixo no mago à sua frente. Os dois usam vestimentas brilhantes, enquanto os demais personagens usam roupas foscas. O personagem com manto alaranjado, ajoelhado diante de Maria e Jesus, direciona o olhar do observador para a parte central do quadro.

A Virgem e o Menino encontram-se no cruzamento das diagonais. Para eles se dirigem os olhares das demais figuras e também a luz que vem de fora da gruta, na parte superior esquerda da composição. A paisagem mostra que já é quase noite. Maria possui mãos fortes de mulher habituada ao trabalho. Sobre a pedra, onde ela apoia os pés, está uma data: 1619, ano do batismo de Francisca, filha do pintor.

Curiosidades

  • Joana, esposa de Velázquez, posa como a Virgem;
  • Francisca, filha do pintor, posa como o Menino;
  • Velázquez é Gaspar (em primeiro plano) um dos três reis magos;
  • o sogro do pintor é Belchior;
  • seu irmão (ou um criado) é Baltasar;
  • o personagem atrás de Baltasar é um rapaz que sempre pousava para o pintor;
  • supõe-se que José foi pintado sem o uso de modelo vivo.

Ficha técnica
Ano: 1619
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 203 x 125 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Velázquez/ ArtBook
Velázquez/ Coleção Folha
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições

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Goya – A DUQUESA DE ALBA (I)

Autoria de Lu Dias Carvalho alba
A duquesa de Alba era bela, elegante, rica e gozava de grande prestígio na corte de Madri, no final do século XVIII, e tinha um grande número de amantes. Era a mulher mais importante, depois da rainha.

Num acordo entre famílias, muito comum à época, María del Pilar Teresa Cayetana de Silva Alvarez de Toledo casou-se, aos 13 anos de idade, mas ficou viúva muito nova, aos 34, e morreu aos 40. Segundo bochichos da época, morreu envenenada, a mando da rainha María Luisa, que invejava seu caráter forte e sua intensa atividade social, e, em razão disso, mantinha com a duquesa uma grande rivalidade.

O avô de Cayetana, o duque de Alba, só possuía a neta como descendente direto, por isso, preocupado com a linhagem da família, arranjou-lhe um marido, o duque de Villafranca, que tinha 19 anos quando se casou. Ele se comprometeu a levar adiante o nome da família Alba. A duquesa, tida como infértil, morreu sem deixar descendentes, o que a levou a se mergulhar nos prazeres, principalmente o de seduzir os homens, que se arrastavam por ela.

Goya foi apaixonado pela duquesa de Alba, tendo pintado vários retratos dela, sendo este o primeiro. Após a morte do marido de Cayetana, o pintor passou alguns meses em sua casa, o que gerou várias especulações em torno de ambos. Para muitos, os dois foram amantes, sendo os vários retratos que pintou dela a prova maior desse relacionamento.

Na composição, a duquesa está de pé, tendo uma paisagem ao fundo. Usa um belo vestido de gaze branca, tendo à cintura uma larga faixa vermelha acetinada. O laço dos cabelos, do vestido e o colar combinam com a faixa do vestido. Sua mão direita aponta para uma inscrição na areia, onde está escrito o nome do autor da obra e a data de sua realização.

A duquesa usa belas joias no braço direito: um bracelete e duas pulseiras de ouro. Seu rosto fino é emoldurado por seus cabelos negros e cacheados, que contrastam com o branco de seu vestido. Um cãozinho, com um laço vermelho na pata esquerda traseira, encontra-se à frente da mulher. Ambos olham diretamente para o observador.

Ficha técnica
Data: 1975
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 194 x 130 cm
Localização: Coleção Casa de Alba, Palácio de Liria, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Degas/ Abril Coleções
Degas/ Coleção Folha

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Goya – TRÊS DE MAIO EM MADRI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Eu pinto estas obras para ter o gosto de dizer eternamente aos homens que não sejam bárbaros. (Goya)

Esta é a primeira grande obra que se pode chamar revolucionária em todos os sentidos do termo, no estilo, no tema e na inteção. (Kanneth Clark)

Esta composição, também conhecida como o Fuzilamento de Moncloa, retrata um dos trágicos acontecimentos da vida do povo espanhol, perpetrado pelas forças napoleônicas. Goya mostra, com patriotismo e revolta, o sofrimento de seu povo durante a invasão francesa. Um grupo de cerca de cem espanhóis mal vestidos, muitos deles inocentes, foi executado num colina fora da cidade. O grupo que se amotinou contra os invasores franceses foi preso no dia anterior e fuzilado no dia seguinte, na madrugada do dia 3 de maio.

O massacre ocorreu ao entrar as primeiras horas do novo dia. Ainda reinava a escuridão. O céu que compõe quase um terço da composição está impiedosamente escuro, sem a presença da lua ou de estrelas, destacando ainda mais o clima de pavor. Uma enorme lanterna colocada no chão joga luz sobre os condenados que esperam a vez de serem executados. Um personagem ajoelhado, vestido com uma camisa branca, aberta no peito, levanta os braços heroicamente, semelhante ao Cristo crucificado, à espera do golpe fatal. Na palma de sua mão direita há também um estigma. Sua expressão dramática é ao mesmo tempo desafiadora.

Os condenados estão conscientes do próprio fim. Todo horror é exposto através de seus gestos. Um deles levanta o rosto para os céus, enquanto cerra os punhos, numa expressão de resignação. Alguns parecem rezar, enquanto outros tapam os olhos, numa impiedosa impotência. Um dos condenados é um frade franciscano que se encontra ajoelhado com as mãos unidas em oração. Outro grupo, à esquerda dos que se encontram em frente ao pelotão de fuzilamento, espera a sua vez de ser executado. O clima entre eles é o mesmo. Tapam os olhos, ajoelham-se e rezam. Um deles, ao lado do personagem de camisa branca, morde os dedos, enquanto seu rosto expressa um grande terror.

Goya colocou carrascos e vítimas a poucos passos uns dos outros para ampliar o clima de tensão. Ao contrário do pelotão de fuzilamento, visto em completa ordem, as vítimas estão em grande desalinho. E, excetuando o vermelho do sangue das vítimas e o branco da camisa de uma delas, as cores da composição são sombrias, acentuando a barbaridade da cena. À direita do grupo prestes a ser fuzilado estão empilhados no chão os corpos dos rebeldes que já foram executados. Uns se encontram de bruços, outros de costas. Um deles,  com o rosto voltado para o observador, com um grande buraco na testa, tendo sido atingido na cabeça, jaz numa enorme poça de sangue. Seus olhos estão fechados e sua boca aberta.

Os soldados franceses com suas baionetas, perfilados de costas para o observador, todos representados na mesma postura, são mostrados como fantoches, não sendo possível ver-lhes o rosto. A imobilidade deles contrasta com o horror estampado nas vítimas. Eles usam sobretudo de modelos iguais, mas de cores diferentes. Goya pintou-os assim porque eram feitos de lã tingida que ia mudando de cor com o tempo. Seus sabres de cabo reto quase tocam o chão. Nos fuzis estão acopladas  baionetas. As lâminas eram usadas, caso as vítimas não morressem imediatamente ao fuzilamento. Os olhos do observador é atraído pelo homem com roupas mais coloridas, para depois se desviar para os demais.

O quadro de Goya transcende os acontecimentos da época, pois traz uma visão universal da crueldade que pode existir entre seres humanos em quaisquer que sejam os tempos e culturas. Esta obra foi pintada seis anos depois dos acontecimentos funestos. Veio a público depois de permanecer 40 anos num depósito.  É ainda hoje uma das mais famosas pinturas mostrando os horrores da guerra. Faz par com O 2 de Maio de 1808, do mesmo pintor.

Ficha técnica
Ano: 1814
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 266 x 345 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Goya/ Coleção Folha
Goya/ Abril Coleções

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Goya – O COLOSSO

Autoria de Lu Dias Carvalho goya123

O Colosso é mais uma das obras enigmáticas de Goya, onde predominam as cores escuras. Na época a Espanha havia sido invadida pelo exército francês de Napoleão Bonaparte. Por outro lado, o pintor era acusado de ser “afrancesado”. Portanto, o quadro é fruto de momentos muito difíceis na vida do artista.

A figura central da obra é o gigante nu, de punhos cerrados e rosto semi-oculto, em meio a um céu tempestuoso. Ele parece atravessar as montanhas, de costas para as pessoas e os animais que se encontram no vale. O tamanho diminuto dos demais personagens contrapõe-se com o tamanho colossal  do estranho ser.

Pessoas e animais são visto em louca correria nas mais diferentes direções, num salve-se quem puder, ou pernas para que as quero. O pânico é generalizado, ou melhor, quase, pois um jumentinho branco com arreios, no canto inferior da composição, permanece quieto, como se nada estivesse acontecendo.

Existem muitas teorias criadas na tentativa de decifrar esta composição. Em algumas o jumento branco seria o rei, noutras seria o povo, que nunca percebe o que está acontecendo. Eu fico cá pensando com os meus botões, se o pintor não representou Napoleão Bonaparte que andava abocanhando tudo, na figura do gigante, sendo o asno parado o medíocre Fernando VII?

Dados técnicos
Ano 1808 – 1812
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 116 x 105 cm
Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Goya/ Abril Coleções
Goya/ Coleção Folha
Goya/ Editora Manole Ltda.

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