Autoria de Roque Camêllo
Cada peça traz a sua história, fazendo-nos viver aventuras pitorescas e espirituais, e conhecer pessoas de grande riqueza humana. (Maria Helena Boulieu)
O esplêndido conjunto caracteriza as irradiações no barroco do mundo, enfatizando o primado da visualidade nas expressões do estilo e a sua dimensão religiosa, voltada, por inteiro para a exaltação da fé católica. (Ângelo Oswaldo)
A Arquidiocese será eternamente grata aos Boulieu pela doação. Esta gratidão haverá de se expressar, sobretudo, no desvelo como fiel guardiã e zeladora, juntamente com o Instituto Cultural Divino Espírito Santo, deste tesouro, garantindo o cumprimento da vontade de seus doadores. (Dom Geraldo)
O casal franco-brasileiro, Jacques Boulieu e Maria Helena, assinou com Dom Geraldo Lyrio, o protocolo de doação de seu acervo de arte sacra à Arquidiocese de Mariana. São 1.200 peças brasileiras e de outros países. O conjunto é fruto de 50 anos de suas viagens pelo mundo. Os Boulieu decidiram pela doação para que os brasileiros conheçam, pela arte, os “Caminhos da Fé”.
O território arquidiocesano de Mariana (79 municípios) detém mais da metade do patrimônio barroco e rococó do Brasil. O novo acervo integrará o sistema arquidiocesano de Museus sob a diretriz da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese (FUNDARQ), e contará com a responsabilidade técnica e museológica do Instituto Cultural Brasileiro do Divino Espírito Santo. Participa do projeto a Prefeitura de Ouro Preto, que se comprometeu a ceder espaço para sua implantação.
Os Boulieu começaram esta história de amor às artes no início de 1960, visitando China, Índia, Indonésia, Filipinas, Peru, Bolívia, México, Itália, França, Espanha e América Central. O acervo retrata a expansão da fé cristã. Diferencia-se dos Museus de Arte Sacra de Mariana e do Aleijadinho, cujo foco principal é a arte sacra brasileira, com proeminência de obras de Athayde, Aleijadinho, Vieira Servas e outros dos séculos 18 e 19.
O “Museu Boulieu – Caminhos da Fé” reunirá arte colonial, escultura, pintura e prataria provenientes daqueles diferentes países visitados. Em sua sensibilidade, Maria Helena Boulieu nos deixa sua visão: “Cada peça traz a sua história, fazendo-nos viver aventuras pitorescas e espirituais e conhecer pessoas de grande riqueza humana.”.
A generosidade do casal, dispondo de um patrimônio de valor incalculável, revela seu alto grau de desprendimento e enlevo espiritual e seu compromisso de tornar patente e perene a História da Igreja na missão de evangelizar os povos.
Disse o Secretário Ângelo Oswaldo: “O esplêndido conjunto caracteriza as irradiações no barroco do mundo, enfatizando o primado da visualidade nas expressões do estilo e a sua dimensão religiosa, voltada, por inteiro para a exaltação da fé católica”.
Dom Geraldo afirmou: “A Arquidiocese será eternamente grata aos Boulieu pela doação. Esta gratidão haverá de se expressar, sobretudo, no desvelo como fiel guardiã e zeladora, juntamente com o Instituto Cultural Divino Espírito Santo, deste tesouro, garantindo o cumprimento da vontade de seus doadores”
Algo tão valioso e de complexas características contou com a boa vontade de pessoas muitas, entre as quais o prof. José Anchieta da Silva, que elaborou todos os documentos indispensáveis à transação, praticando com esmero a advocacia “pro bono”.
Assim se deve construir o mundo com generosidade e amor, superando o egoísmo e incompreensões. Todos os envolvidos no projeto “Caminhos da Fé”, a começar pelos Boulieu, principais protagonistas, estão imbuídos deste compromisso para o bem da Humanidade. São exemplo a ser seguido. O Brasil agradece!
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