TÔKAIDÔ – SHÔNO

Autoria de LuDiasBH

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Os blocos da edição Marusei, dos quais faz parte essa estampa, foram destruídos num incêndio, tendo sido preservadas apenas umas poucas impressões, o que a torna muito rara, ficando, presumivelmente, cerca de 40 variações da série, trazendo a palavra Tôkaidô no seu título.

Tôkaidô (Estrada do Mar do Leste) era uma importante estrada que ligava Quioto a Edo (antigo nome de Tóquio), que tinha 53 estações (pontos de parada) e Shôno era o 45º desses pontos.

A estampa Tôkaidô- Shôno mostra carregadores de mercadorias e palanquins, tratadores de cavalos, contadores e pequenos administradores na parada de Shôno. Estão presentes na cena mais de duas dúzias de figuras humanas. A maioria delas é de posição social baixa, pela pouca roupa usada. Três cavalos estão presentes na cena.

À direita, há um ponto de atendimento aos viajores, possivelmente é o local de pagamento de impostos ao shogun, cujo poder variava de acordo com a época.

Ficha técnica
Artista: Utagawa Iroshige (1797 – 1858)
Dimensão: aprox. 38 x 25 cm
Data: c.1842 – 1853

Fontes de pesquisa
O Japão / Editora Globo
Ukiyo-e / Instituto Moreira Salles

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JAPÃO – AS BONECAS KOKESHI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Se a Rússia possui as suas famosas bonecas matrioska ou mamuska, ambicionadas por colecionadores e compradores de suvenires, o Japão possui as suas kokeshi, também cobiçadas por colecionadores e turistas em visita àquele país.

As kokeshi tradicionais, cujo tamanho pode variar de alguns centímetros a mais de um metro de altura,  são feitas à mão, em madeira torneada, geralmente de forma cilíndrica, e pintadas também à mão. Possuem um tronco simples, uma cabeça grande, o rosto pintado com linhas finas, sendo o corpo geralmente decorado com motivos florais. São envernizadas com uma camada de cera e trazem sempre a assinatura do artista. O mais interessante é que uma boneca não tem o rosto igual ao de outra.

Essas bonecas surgiram há cerca de 150 anos, quando as famílias de camponeses, no norte de Honshu, a maior ilha do Japão, que antigamente tinha o nome de Hondô, aproveitavam as longas noites de inverno para criá-las. Assim como as matrioska russas, as kokeshi também não possuem braços e nem pernas, mas ao contrário dessas, a cabeça muitas vezes gira. Mas as bonecas não se encaixam umas nas outras, como no caso das primeiras.

Atualmente existem mais de 250 tipos de kokeshi, de acordo com o número de famílias artesãs, que por sua vez são classificadas em 10 tipos principais, de acordo com o lugar de origem: Kijiyama, Nambu, Narugo, Hijiori, Sakunami, Tsuchiyu, Tôgatta, Tsugaru, Jajirô e Zaô. Essas famílias vivem, principalmente, nas montanhas e nos povoados do norte de Honshu.

A origem exata das bonecas kokeshi é desconhecida, mas a imaginação japonesa é fértil na tentativa de explicá-las, tendo criado muitas lendas. Mas podem estar ligadas a um talismã ou a um amuleto, oboko, com a cabeça feita de papel marchê e cabo de madeira leve, colocado na cabeceira das mulheres em trabalho de parto, para que as levasse a parir um menino, em vez de menina. Essas bonecas também são tidas como símbolos sexuais, provavelmente pela forma fálica, embora os artesãos modernos, encontrados hoje nos grandes centros, venham as criando apenas com fim meramente decorativo.

As kokeshi tradicionais deram lugar a outros tipos criativos, depois da Segunda Guerra Mundial. Esses não seguem a tradição, e o artista tem total liberdade criativa no que diz respeito à forma, material, cores e desenhos. Contudo, apesar dos diferentes estilos, todas as bonecas kokeshi são baseadas na filosofia de que “são a harmonização da beleza e da arte com simplicidade”.

Nota: na ilustração do texto, a primeira imagem refere-se às kokeshi tradicionais e a segunda às criativas.

Vejam o artigo:  RÚSSIA – MATRIOSKA OU MAMUSKA

Fontes de pesquisa
O Japão/ Louis Frédéric
ttp://www.asiashop.com.br

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Pintores Brasileiros – TARSILA DO AMARAL

Autoria de Lu Dias Carvalho

Tarsila

Sinto-me cada vez mais brasileira: quero ser a pintora de minha terra. […] Se alguma coisa eu tenho de bom na minha arte é a sua brasilidade espontânea de 1924 para cá. (Tarsila do Amaral)

Se nas obras da fase pau-brasil são as coisas da cidade e do homem que imperam, nas da antropofagia quem manda é a mata, a floresta, o mundo da água, da planta e dos seres misteriosos. (Roberto Pontual)

As fases pau-brasil e antropofágica de Tarsila são, sem sombra de dúvida, os pontos culminantes de sua carreira como pintora e as responsáveis pela sua inscrição na história da arte no Brasil. (Aracy Amaral)

Na decoração interior das igrejas (das cidades históricas de Minas Gerais), no mobiliário, nas imagens de santos, a pintora redescobre as cores que adorava em criança: azul puríssimo, rosa violáceio, amarelo vivo, verde cantante. Utilizando essas cores, inicia a primeira fase de sua pintura, chamada “pau-brasil.”. (Olívio Tavares de Araújo)

A pintora brasileira Tarsila do Amaral (1886 – 1973) nasceu numa fazenda no interior do estado de São Paulo, no seio de uma família rica. Seus pais eram grandes cafeicultores, proprietários de inúmeras propriedades. Tarsila passou sua infância junto aos pais, seis irmãos, tios e primos, entre uma fazenda e outra. A futura pintora convivia com dois mundos sociais diferentes: aquele proporcionado pela posição privilegiada de sua família e o outro ocupado pelos trabalhadores humildes das fazendas de café.

Como a França fosse uma referência de status para os endinheirados à época,  a cultura francesa esteve presente na infância da futura pintora, desde as aulas de francês às melodias tocadas no piano pela mãe. Seus primeiros anos de escola foram passados na capital paulista, na casa de seu avô paterno. A seguir, ela foi estudar como interna, juntamente com sua irmã Cecília, num renomado colégio católico em Barcelona, na Espanha, onde descobriu sua vocação para a pintura, ao copiar uma imagem do Coração de Jesus, tendo recebido estímulos para que prosseguisse nesse campo. Antes de retornar ao Brasil, sua mãe levou-a a Paris, cidade que não correspondeu a seus sonhos. De volta à vida nas fazendas da família, acabou se casando, aos 18 anos, com seu primo materno, o médico André Teixeira Pinto, um conservador que frustrava o crescimento artístico da esposa. Da união nasceu sua única filha, Dulce. Mas diante das diferenças de interesses culturais, Tarsila e André acabaram se separando e o casamento anulado.

Em São Paulo, Tarsila começou a estudar modelagem e escultura. Depois estudou desenho e pintura com Pedro Alexandrino, época em que ficou conhecendo a pintora Anita Malfatti. Antes de prosseguir seus estudos em Paris, estudou com George Elpons, para ampliar seus conhecimentos em pintura. Em Paris, ela estudou pintura, acompanhou os acontecimentos artísticos da época, levando uma vida culturalmente rica, inclusive, teve a sua tela Retrato de Mulher exposta no Salão Oficial dos Artistas Franceses.

Dois anos depois, a pintora retornou ao Brasil, quatro meses depois de ter acontecido a Semana de Arte Moderna. Através de Anita Malfatti ficou conhecendo Menotti Del Picchia, que a apresentou aos modernistas. E com o acréscimo de Mário de Andrade e Oswald de Andrade foi formado o famoso Grupo dos Cinco, vindo Tarsila a manter um namoro secreto com o último, para não interferir na anulação de seu casamento. Mais tarde, retornou a Paris, montando ali um atelier. Ela era tida como uma mulher rica e muito elegante e, junto com Oswald, frequentou e recebeu artistas e intelectuais, sem se esquecer das tradições, cores e temas de seu país.

Ao voltar ao Brasil, cerca de três anos depois, Tarsila viajou com um grupo de modernistas brasileiros e com o poeta franco-suíço Blaise Cendrars, para conhecer o Carnaval do Rio de Janeiro e as cidades históricas de Minas Gerais, onde conheceu a escultura de Aleijadinho e a arquitetura barroca, numa “redescoberta do Brasil”. Daí nasceu a sua Fase Pau-Brasil, voltada para as cores e temas tropicais brasileiros, destacando a fauna e a flora maravilhosas de nosso país, assim como as máquinas e os trilhos, simbolizando a modernidade urbana. Sobre isso assim se expressa Olívio Tavares de Araújo, em sua obra “A Grande Dama”: “Na decoração interior das igrejas (das cidades históricas de Minas Gerais), no mobiliário, nas imagens de santos, a pintora redescobre as cores que adorava em criança: azul puríssimo, rosa violáceio, amarelo vivo, verde cantante.”. Nessa fase é visível a importância do pintor cubista Fernand Léger. Depois, ela retornou à França, onde realizou uma exposição de suas obras.

O casamento de Tarsila e Oswald foi um grande acontecimento na capital paulista. Mas não duraria muito, pois o escritor viria a se envolver com a famosa revolucionária Pagu (Patrícia Galvão), desfazendo sua união com a pintora e a deixando muito sofrida, época em que também perdeu a fazendo onde nasceu. Mas não demorou muito para que a artista vivesse um novo relacionamento, dessa vez com o psiquiatra paraibano Osório César, com quem viajou pela União Soviética, após a venda de alguns quadros, visitando vários lugares. Voltou imbuída do espírito do trabalho operário. Chegou a ser presa por participar de reuniões de esquerda e por ter ido a um país socialista. Depois de se separar de Osório, em meados dos anos 30, ela passou a viver com o escritor Luiz Martins, vinte anos mais novo do que ela, com quem veio a se casar.

Tarsila do Amaral participou da primeira fase do movimento modernista brasileiro, ao lado de sua amiga Anita Malfatti. Seu quadro Abaporu (1928) um dos mais famosos da pintura brasileira, foi responsável por inspirar o Movimento Antropofágico, idealizado por seu então marido, Oswald de Andrade. Esse movimento rezava que as influências estrangeiras deveriam ser recebidas, mas digeridas, de modo a dar à arte brasileira uma feição própria. Nesta fase predominam a mata, a floresta, o mundo da água, da planta e dos seres misteriosos. A figura do Abaporu, tido como canibal, simbolizava o movimento.

Em 1965, Tarsila e Luís acabaram se separando. Ela passou a viver sozinha. Com problemas sérios de coluna, submeteu-se a uma cirurgia, mas um erro médico deixou-a paralítica até os seus últimos dias de vida. Um ano depois, perdeu a sua filha Dulce, vitimada pela diabetes e, posteriormente a neta, afogada. A pintora aproximou-se então do espiritismo, doando à instituição administrada por Chico Xavier, seu grande amigo, parte da venda de seus quadros. A pintora faleceu em São Paulo, aos 87 anos de idade, vítima de depressão.

Fontes de pesquisa:
Tarsila do Amaral/ Coleção Folha
Brazilian Art VII
http://www.escritoriodearte.com/artista/tarsila-do-amaral/

Nota: Autorretrato (Manteau Rouge)/ 1923

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GUARDA-CHUVA DO AMOR

Autoria de Lu Dias Carvalho

 guarda-chuvaA estampa representa um casal sob um mesmo guarda-chuva. As flores de cerejeiras, vistas à esquerda das duas figuras, são típicas da primavera e fazem alusão ao desabrochar do amor.

Há pouca diferença no que tange ao gênero das duas personagens, sendo possível fazer a identificação através do penteado. Enquanto a mulher apresenta um penteado com adornos, o homem tem o topo da cabeça raspado.

O quimono de mangas compridas, usado pela jovem, é indicativo de sua condição de solteira. Na manga está o ideograma some (tingimento). O jovem usa um quimono com desenhos de flores de cerejeira, que traz na manga o ideograma hisa, uma abreviatura.

Os tamancos da mulher são pretos e os do homem, vermelhos. Ele tem a cabeça ternamente abaixada em direção a ela.

O guarda-chuva (kodôgu) era um objeto muito usado pelos atores em suas representações do teatro kabuki.

Ficha técnica
Artista: Ishikawa Toyonobu (1711-1785)
Dimensão: 19,9 x 9,6 cm
Data: c. 1751-1756

Fonte de pesquisa:
Instituto Moreira Salles
O Japão/ Editora Globo

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Picasso – MULHER COM VIOLÃO

Autoria de Lu Dias Carvalhopic

A pintura Mulher com Violão, também conhecida como Ma Jolie (Minha Linda), apelido carinhoso dado à amante Marcelle Humbert, foi criada durante a fase “analítica” do Cubismo, quando o estilo quase atingiu a abstração total.

As obras de Picasso, produzidas neste estilo, receberam o nome de “cubistas” porque as formas naturais eram traduzidas em pequenos blocos ou cubos. Mais para frente, o pintor substituiu os cubos por planos geométricos ou facetas, como vemos neste quadro, mas o nome de “Cubismo” permaneceu.

Picasso e Braque foram os responsáveis pela criação do estilo cubista, buscando e experimentando novas ideias sobre forma e espaço. Os dois artistas faziam estudos juntos, influenciando-se mutuamente. Chegaram a criar quadros monocromáticos, ou com tons bem sombrios, como é o caso desta pintura.

São poucas as pistas que conduzem à figura da composição. Neste quadro podemos notar algumas frações de um instrumento de cordas e alguns dedos. Pela referência ao apelido Ma Jolie, também podemos supor que a modelo em cena é Marcelle Humbert.

Ficha técnica
Ano: 1911-1912
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões:
Localização: Museum of Modern Art, Nova York, EUA

Fonte de pesquisa
Os pintores mais influentes do mundo/ Editora Girassol

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TOTSUKA

Autoria de Lu Dias Carvalho

 guarda-chuva1A estampa Totsuka, que  faz parte da primeira série das 53 Estações apresenta três belas figuras, postadas debaixo de uma árvore de tronco grosso, observando a paisagem em volta.

Uma das personagens, de frente para o observador, traz na mão esquerda um guarda-chuva aberto e na direita uma bengala, enquanto a outra, também de frente para o observador, parece estar abrindo (ou fechando) o seu guarda-chuva. A figura à direita, de costas para o observador, olha atentamente a vista à sua direita. Todas as personagens trazem enfeites nos cabelos negros, presos no alto da cabeça.

Ao fundo, estende-se uma paisagem tipicamente japonesa, sendo possível enxergar o monte Fugi, a mais alta montanha de todo o arquipélago japonês e um dos símbolos mais famosos do Japão, sendo muito retratado nas mais diferentes formas de arte. Trata-se de um vulcão ainda ativo, mas de baixíssimo risco de erupção.

Ficha técnica
Artista: Utagawa Hiroshige (1797-1858)
Dimensão: 22 x 16,6 cm
Data: c. 1855

Fontes de pesquisa
Instituto Moreira Salles
O Japão/ Editora Globo

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