A PRAIA SHICHIRI…

Autoria de Lu Dias Carvalho

oki3456A Praia Shichiri na Província Sagami faz parte da série 36 Vistas do Monte Fugi. Foi feita pelo artista japonês Hiroshige, em cerca de 1858.  O destaque aqui é o monte Fuji, visto da praia de Shichiri, na província de Shoshu.

Em primeiro plano, duas elegantes mulheres estão assentadas, em uma casa de chá, que tem fixadas em seu telhado duas cortinas com o brasão vermelho do pintor. Elas direcionam o olhar para o homem e suas duas crianças que caminham pela praia.

Em toda a extensão da praia é possível visualizar várias pessoas. No meio da baia está a ilha de Enoshima, ponto de peregrinações à deidade budista de nome Benzaiten, cujos adeptos  imaginavam que trouxesse vida longa, fortuna e vitória na guerra, para os que a ela intercediam. Era um culto muito popular à época do período Edo. O acesso à ilha dava-se nas vazantes, quando os fiéis caminhavam até ela.

O monte Fuji é o mais alto vulcão do país nipônico, sendo muito amado pelos japoneses que veem nele o principal cartão postal do país. Sua base possui cinco lagos, criados pelas lavas. Até 1972, as mulheres eram proibidas de acessá-lo, pois o monte era tido como sagrado. Dele, é possível apreciar o nascer do sol no oceano Pacífico. Muitas seitas cultuam-no, até os dias de hoje.

Ficha técnica
Artista: Utagawa Hiroshige (1797 – 1858)
Dimensão: 36,5 x 21,7 cm
Data: c.1858

Fontes de pesquisa
O Japão / Editora Globo
Ukiyo-e / Instituto Moreira Salles

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ÍNDIA – DHARAVI: CIDADE DAS SOMBRAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A favela de Dharavi fica no centro financeiro de Mumbai, ex-Bombaim, a capital financeira da Índia, fazendo fronteira ao norte com o rico bairro de Bandra. É chamada por alguns cientistas sociais de “a maior favela da Ásia”, sendo que outros a consideram como a maior favela do mundo. Na verdade, não é nem uma coisa e nem outra, pois é  na Cidade do México que se situa, hoje, a maior favela do mundo. Enquanto a maior favela da Ásia está em Karachi, distrito de Orangi.

Dharavi é uma visão terrível principalmente quando pensamos no futuro das grandes cidades indianas, que vêm inchando mais e mais, à medida que a população da zona rural opta por buscar os grandes centros. Processo esse que é visto em todos os países que fazem parte do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

A área em que se encontra Dharavi já foi um manguezal pantanoso, habitado por pescadores do povo koli. Quando o pântano ficou inviável, em razão do excesso de detritos, os kolis abandonaram-no. Para lá, acabaram convergindo pessoas das mais diversas etnias, vindas da zona rural, em busca de trabalho na cidade, quando essa era ainda relativamente pequena. Dentre as inumeráveis etnias, os muçulmanos compõem 1/3 da população local. Com o colapso das tecelagens, meninas dos olhos da Índia nos anos de 1970, o crescimento de Dharavi explodiu. Sem os serviços públicos, a maioria dos moradores é espoliada pela máfia local, até mesmo para ter direito à água e à eletricidade controladas por capangas. Em Dharavi, nada é considerado sem uso. Tudo encontra uma função, por mais roto ou velho que possa parecer. Ali, tudo é reciclado de uma forma ou de outra. É para onde converge o lixo dos ricos.

A cidade de Mumbai divide-se entre arranha céus imponentes e caríssimos e áreas pardacentas formadas pela favela. À medida que a cidade vem crescendo, tentando se rivalizar com Xangai (China) como maior centro financeiro asiático, a situação dos favelados tem se tornado cada vez mais difícil, pois o local privilegiado, bem no coração de Mumbai, vem sendo disputado por grandes empresas, no sentido de empurrar a favela para os confins da cidade. Planos mirabolantes são apresentados a cada dia, uma vez que prédios construídos ali renderiam um grande lucro imobiliário.

Os moradores de Dharavi encontram um desdém, cada vez mais acirrado, principalmente por parte dos empresários, que argumentam que a favela é responsável por sufocar a cidade, roubando seu lugar no século XXI. Concluem os poderosos que é preciso acabar com aquele depósito de lixo humano, onde ninguém paga imposto. Acham que essa gigantesca massa de pobres deve viver na periferia, amontoadas em prédios populares. Numa análise mais criteriosa é possível notar que Mumbai é uma cidade habitada por um punhado de ricos e por uma imensidão de pobres. Só para se ter uma ideia do tamanho da miserabilidade do local, basta dizer que um sanitário atende a centenas de pessoas. O que mostra como a defecação foi e continua sendo um problema a ser resolvido pela Índia. Possuir um banheiro próprio é sonho para pouquíssimos.

Os gurus, na maioria das vezes, são um empecilho à saúde das populações carentes. Eles fazem declarações absurdas, sem nenhuma responsabilidade, mesmo cientes do poder que exercem sobre aquela gente analfabeta e cheia de superstições. Só para se ter ideia da gravidade do comportamento deles, certa vez declararam que a água do ribeirão Mahim (o fétido banheiro público extra oficial da favela de Dharavi), milagrosamente, tornara-se potável. Todos poderiam voltar a consumir a água. No que foram prontamente atendidos pela maioria da população. Palavra de homem santo jamais é contestada na Índia. O resultado não poderia ser outro: problemas intestinais em massa levaram muitos à morte.

Os moradores de Dharavi tem consciência de que há muita poluição, causada principalmente pelos fornos dos oleiros. Mas sabem que se saírem dali, mudarão simplesmente de uma favela horizontal, para uma vertical, conforme as ofertas recebidas, para morarem em minúsculos apartamentos, ainda tendo que pagar várias taxas, dentre elas a de elevadores.

A chuva para Dharavi é ao mesmo tempo bênção e maldição. Embora refresque o ar, encha os baldes e bacias de água, assim como diminui o movimento das minúsculas ruas quase que intransitáveis, também destrói os frágeis barracos, enchem o chão de lama e jogam nas vielas excrementos humanos e  animais. Contudo, seus moradores continuam firmes no propósito de não deixarem o local, usando como arma o slogan:

Dhavari é nosso lar!

Nota: Imagem copiada de http://trancendconsultingtalks.blogspot.com.br

Fonte de pesquisa:
National Geographic/ nº 86

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Tarsila – MORRO DA FAVELA

Autoria de Lu Dias Carvalho

Tarsila12345678   (Faça o curso gratuito de História da Arte, acessando: ÍNDICE – HISTÓRIA DA ARTE)

O Morro da Favela, obra da pintora brasileira Tarsila do Amaral ((1886-1973), faz parte de sua Fase Pau-Brasil, fase em que a artista mostra uma grande exuberância de cores em seu trabalho. Era a obra preferida de seu amigo Blaise Cendrars.

No ano de 1923 Tarsila do Amaral, juntamente com seu companheiro à época, Oswald de Andrade, travaram conhecimento com Blaise Cendrars (pseudônimo de Frédéric Louis Sauser, romancista e poeta suíço e francês) que com eles viajou ao Brasil e aconselhou-a a produzir composições semelhantes a esta, quando ela demonstrou seu desejo de expor em Paris. Essa exposição aconteceu em 1926. Quando a artista esteve na cidade do Rio de Janeiro ali já apareciam as primeiras favelas cariocas, o que também lhe serviu de inspiração.

A obra apresenta uma variedade de pequenas casas, umas bem próximas das outras. As fachadas são irregulares, sendo algumas bem coloridas e outras escuras. Um casal, três crianças, um cachorro e um bicho esquisito de longo bico encontram-se na rua. Numa casinha azul, situada no canto superior da tela, vê-se uma mulher à porta. A composição apresenta diferentes planos.

Dois coqueiros e uma grande árvore de copa arredonda aparecem ao fundo. Em primeiro plano encontra-se a vegetação (cactos e outros tipos de vegetação) tão peculiar à obra da artista. Vejamos as personagens vistas na pintura:

  • uma mulher negra com sua saia azul e blusa branca;
  • um homem negro também usando as mesmas cores em sua vestimenta;
  • uma mulher negra na porta de uma casinha pintada de azul;
  • uma garota subindo o morro;
  • duas crianças paradas no chão de terra batida;
  • dois animais fazem parte da cena: um cachorro farejando o chão e uma ave estranha, parecida com um pato.

À época a população pobre foi obrigada a ceder seu lugar na cidade para a revitalização dos centros. Essas pessoas foram empurradas para os morros, vivendo ali como marginais, sem direito as benesses do progresso presente nas partes ricas da cidade. Apesar de sua denúncia, o quadro da artista mostra beleza, tranquilidade e harmonia. A magia das cores presentes na tela transforma a favela num lugar idílico, como tudo que Tarsila retratava com seus pincéis.

Ficha técnica
Ano:1924
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 64 x 74 cm
Localização: coleção particular, Brasil

Fontes de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Coleção Folha
Tarsila do Amaral/ Folha Grandes Pintores
Tarsila, sua obra e seu tempo/ Aracy. A. Amaral

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KANAYA

Autoria de Lu Dias Carvalho

 guarda-chuva123A estampa Kanaya que faz parte da primeira  série das 53 Estações, do famoso Hiroshige apresenta quatro carregadores, que atravessam uma ponte, carregando nos ombros uma dama de alta posição social.

Sentada elegantemente, a mulher traz na cabeça um lenço multifuncional (tenugui) e um chapéu-bolinho.

Pela precariedade das vestes dos trabalhadores, que usam apenas tangas, pode-se concluir que se trata de pessoas de baixa posição social. Por isso, eles sentem orgulho em carregar tão preciosa carga.

Ficha técnica
Artista: Utagawa Hiroshige (1797-1858)
Dimensão: 22 x 16,6 cm
Data: c. 1855

Fonte de pesquisa
Ukiyo-e / Instituto Moreira Salles

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ÍNDIA – DENÚNCIA FEITA POR UM DALIT

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Babula BHERWA, camponês de 50 anos e membro da delegação de Campanha pelos Direitos Humanos dos Dalits (NCDHR), os intocáveis, durante o Fórum Social Mundial, faz a sua denúncia durante a realização do Encontro.

Levei mais de um mês para vir aqui, mas queria absolutamente estar presente para mostrar ao resto do mundo a realidade dos dalits (intocáveis) neste país. O sistema de castas foi oficialmente abolido, mas ainda somos tratados como sub-humanos.

No meu vilarejo, no Rajastan, não temos o direito de usar o mesmo poço d’água potável, nem de entrar nos templos ou de tocar qualquer coisa que pertença a uma família de casta superior. Até pouco tempo, não tínhamos sequer o direito de tomar banho na mesma lagoa que eles. Até as vacas e os cachorros têm o direito de se lavar nessa lagoa.

Em 2001, decidi protestar contra essa injustiça, já que nossa lagoa tinha secado e não podíamos tomar banho. Então, eu e meu sobrinho pulamos na lagoa das altas castas. Na mesma noite, cinquenta pessoas vieram a nossa casa para nos bater. Felizmente conseguimos impedi-los de entrar. Chamei a polícia, mas fui eu quem levou a bronca. Perguntaram-me por que eu ia contra as tradições. Depois, as altas castas tentaram me fazer pagar uma multa e assinar uma carta de desculpas, mas eu recusei. Tentaram fazer com que eu fosse rejeitado pela comunidade. Ninguém mais queria me emprestar o trator e, no mercado, ninguém queria me vender mais nada. Até as outras famílias de dalits eram ameaçadas se falassem comigo.

Finalmente a NCDHR veio me ajudar e, como minha história foi mediatizada, o governo teve que intervir. Agora, nós temos o direito de nos lavar. As outras discriminações continuam, mas a prova existe de que e possível lutar contra o sistema de castas.

Se todos os dalits se unirem, então poderemos forçar a mudança do sistema. Muitos dentre nós têm medo de represálias se contestarem as discriminações. Espero que nossa presença aqui (no FSM de Bombay)  faça com que o resto do mundo bote pressão sobre o governo indiano, já que as autoridades não fazem nada para nos ajudar.

Nota: Imagem copiada de http://eusr.wordpress.com

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FILHOS DE CANTORES – TALENTO OU OPORTUNISMO

Autoria de Lu Dias Carvalhodorothy123456

Uma coisa, que me vem me chamando a atenção há muito tempo, é o número de filhos de cantores seguindo a carreira musical do pai ou da mãe. Trata-se de algo nunca visto com tanta frequência no mundo das artes, em qualquer lugar do mundo. E aí me vem uma séria indagação: será que se trata de talento ou meramente de oportunismo? Tenho certeza absoluta de que o leitor responder-me-á que, na quase totalidade, trata-se do mais puro oportunismo.

Este assunto veio-me à baila, quando dias atrás, em razão de uma forte gripe, tive que ficar acamada. Inquieta, comecei a mudar de canal o tempo todo. E, para minha surpresa, deparei-me com uma dupla sertaneja (Dablio & Phillipe) em que Nathan Phillipe é filho de Luciano Camargo, que canta com seu irmão José de Camargo, que por sua vez tem uma filha cantora de nome Vanessa Camargo. Ou essa família foi brindada com tão forte dom musical, ou os filhos estão procurando se deitar na fama dos pais. Pelo visto, ninguém quer dar duro, achando que o sobrenome é um passaporte para o sucesso.

Em razão da surpresa exposta acima, comecei a elencar nomes de filhos de cantores famosos que seguem a mesma profissão. Vejamos alguns, Luiza Possi, filha de Zizi Possi; Jairzinho e Luciana Rodrigues, filhos de Jair Rodrigues (falecido em 2014); Nana Caymmi, Dori Caymmi e Danilo Caymmi, filhos de Dorival Caymmi; Diogo Nogueira, filho de João Nogueira (morto em 2000); Pedro Leonardo, filho do sertanejo Leonardo; Tiago, sobrinho de Leonardo e filho de Leandro (morto em 1998); Maria Rita, filha de Elis Regina (falecida em 1982); Martinália, filha de Martinho da Vila; Sandy e Júnior, filhos de Xororó e sobrinhos de Chitãozinho; Aline Lima e Alison Lima, filhos de Chitãozinho e sobrinhos de Xororó e primos de Sandy e Júnior; Pipo Marques e Rafa, filhos de Bell Marques; Lucas, filho de Péricles (Exaltasamba); Fiuk, filho de Fábio Júnior; Cláudio Lins, filho de Ivan Lins e Lucinha Lins; Victor, filho de Rick (Rick&Renner); Preta Gil, filha de Gilberto Gil; Marcelo, filho de Gian (Gian&Giovani); Moreno, filho de Caetano Veloso e sobrinho de Maria Betânia. Pelo menos Chico Buarque não colocou nenhuma das filhas para seguir seus passos. Palmas para ele. Vou parar por aqui, para não cansar o leitor, mas ainda há muita gente para entrar na lista.

O Brasil é um país com 201 milhões de habitantes e, como dizem, há gostos para todos os tipos. Até mesmo para as “cacas”. Enquanto existe gente talentosíssima entre os citados, alguns parecem zombar do público, pois não cantam absolutamente nada. Dentre esses, de baixíssima qualidade, alguns apenas se limitam a fazer uma segunda voz da mais baixa categoria. Ninguém merece isso num país tão carente de grandes valores e exemplos. Nosso povo precisa aprender a distinguir entre o que realmente vale a pena ser ouvido e aquilo que lhe é empurrado por uma mídia, cuja medida de qualidade é unicamente o sobrenome da família do “artista”. Enquanto grandes talentos não possuem vez, por não possuírem padrinhos e dinheiro, outros, sem autocrítica, deitados na cama do sobrenome, sem uma gotícula de talento, ganham grande espaço na mídia. E pior, seus pais fingem ignorar que os filhos são desprovidos de aptidão para tal arte, pois o que lhes importa é a fama e mais dinheiro.

Dias atrás, ouvi alguém perguntar o porquê de o país não contar mais com grandes cantores. A resposta é “elementar, meu caro Watson”, basta questionar o que leu acima. Some-se a isso a ausência dos festivais, responsáveis por trazer à tona talentos como Chico Buarque, Geraldo Vandré, Jair Rodrigues, Tom Zé, Gal Costa, Marília Medalha, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Ivan Lins, Taiguara, Paulo Diniz, Tom Jobim, e tantos outros.

A nossa música sertaneja de raízes morreu. Quanta tristeza! O que ouvimos agora são músicas paupérrimas, de duplo sentindo, cujas letras apresentam um amor melodramático e doentio, que normalmente se escoram em refrãos paupérrimos, com os passos desengonçados dos supostos cantores. Ai que saudade de Pena Branca e Xavantinho, Jacó e Jacozinho, Milionário e Zé Rico, Alvarenga e Ranchinho, João Mineiro e Marciano, e tantos outros que enriqueceram este país com suas canções de qualidade. Até quando seremos obrigados a conviver com tanto lixo? Possivelmente, enquanto houver as tão presentes “macacas de auditório” e gente que não valoriza o que é bom.

O Brasil já chegou a ser famoso por sua música popular. Referência em várias partes do mundo. Portanto, caro leitor, temos que dizer não a um monte de “titicas” que está por aí. Não compremos alhos por bugalhos. Valorizemos o dinheiro, fruto de nosso trabalho, fazendo boas escolhas. Não enriqueçamos essa gente sem talento algum, que surge na mídia feito erva daninha, e depois aparece podre de rica, sem nenhum compromisso com seu povo e seu país. Que eles trabalhem como nós.

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